Webinar | Workshop Interdisciplinar - Trabalho e Emprego, Onde? Dilemas para o Brasil no Século XXI — Transcript
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- 1:49[música]
- 1:53>> Antes de darmos início ao evento,
- 1:55gostaríamos de reforçar o seguinte
- 1:57disclaimer.
- 1:59As manifestações por integrantes dos
- 2:01[música] quadros da Fundação Getúlio
- 2:03Vargas e por convidados que participam
- 2:06dos eventos e [música] transmissões
- 2:07online representam exclusivamente as
- 2:11opiniões dos seus autores [música] e não
- 2:13refletem necessariamente a posição
- 2:16institucional da FGV.
- 2:18Após [música] este vídeo de aviso,
- 2:20solicitamos a autorização para o uso da
- 2:22imagem e da [música] voz dos
- 2:24palestrantes mediante manifestações de
- 2:26concordância.
- 2:27Tais [música] como um aceno de cabeça ou
- 2:30outro gesto de aprovação.
- 2:32Agradecemos [música] sua participação e
- 2:34desejamos um excelente evento.
- 2:39>> [música]
- 2:53>> Olá, primeiramente dou OK, professor
- 2:55Paulo também, liberação, né, como foi
- 2:58solicitado no nosso disclaimer. Sejam
- 3:00todos bem-vindos, né, ao nosso webinar
- 3:02Trabalho e Emprego
- 3:04Onde? Dilemas para o Brasil no século
- 3:07XXI. Tenho certeza que esse é um tema de
- 3:10grande interesse de todos que estão
- 3:11aqui, aqueles que vão assistir a nossa
- 3:13gravação, um tema tão desafiante que o
- 3:16professor e economista Paulo vai poder
- 3:17nos trazer aqui as suas considerações e
- 3:20com certeza vai acrescentar bastante
- 3:22para as nossas reflexões e crescimento
- 3:24profissional. Temos tantos dilemas,
- 3:27tantas questões para para ouvir e
- 3:29dúvidas que eu tenho certeza que cada um
- 3:31de nós carrega eh diante das
- 3:33transformações que nós temos passado.
- 3:35Antes de tudo, eu quero convidá-los
- 3:36também
- 3:37a que dar o seu like, né, no no YouTube,
- 3:41mas entrar nesse link do slide para
- 3:43fazer as suas perguntas. Teremos um
- 3:44espaço eh antes de de de concluir em que
- 3:48eu vou organizar as perguntas. Coloque
- 3:50seu nome ou não, pode ser como anônimo,
- 3:52ali no slide, nesse link que tá aqui no
- 3:54YouTube para você trazer as suas
- 3:56participações e contribuições além das
- 3:58suas perguntas para o professor eh que
- 4:01no final vai poder responder aquelas que
- 4:04couberem aqui.
- 4:06Boa noite, professor Paulo, seja
- 4:07bem-vindo. O tema é contigo e nós vamos
- 4:10começar já já esse tema aí tão tão
- 4:13empolgante.
- 4:16>> Bom, boa boa noite, professor Marcelo
- 4:17Ramalho.
- 4:19Boa noite aos colegas que estão
- 4:21assistindo.
- 4:22E já agradeço pela atenção e por
- 4:26eventuais perguntas, né?
- 4:28Eh, a apresentação ela eh, nasce de
- 4:32algumas preocupações que estão inclusive
- 4:35estão um pouco expressas no nos slides.
- 4:37Eu fiz uma mistura aqui de
- 4:39slides.
- 4:40Eh, cheguei a tentar usar inteligência
- 4:43artificial para fazer a apresentação,
- 4:44mas
- 4:45não funcionou muito bem. Eu não sou
- 4:46muito versado em inteligência
- 4:48artificial.
- 4:49E e a conversa não é sobre IA, mas não
- 4:52dá para falar sobre emprego e trabalho
- 4:54sem passar por IA, né?
- 4:56E foi exatamente essa a a preocupação
- 4:59que as que nos levou a organizar o
- 5:01livro, né?
- 5:02Com colaborações de pessoas de várias
- 5:06organizações, mas sempre com o objetivo
- 5:08comum de tentar entender
- 5:11as tendências em setores, em áreas
- 5:15eh, do conhecimento que que afetam
- 5:18né, a empregabilidade, digamos, de
- 5:20maneira geral, né? A
- 5:21a geração de postos de trabalho também.
- 5:24Eh, e que podem trazer benefícios ou
- 5:27malefícios para certos grupos
- 5:30de pessoas, para certos países e em
- 5:32especial o Brasil, né?
- 5:35Eh, não sei se a apresentação já tá
- 5:37disponível.
- 5:38Opa, vamos lá.
- 5:40Eh, como eu não tô passando, eu vou ter
- 5:41que pedir para para passar. Eu vou falar
- 5:43próximo, né? E
- 5:45eh,
- 5:46é isso, né? Eh,
- 5:48o primeiro slide, o próximo, né? Ele já
- 5:51ele traz um pouco essa preocupação, né,
- 5:53de
- 5:54mudanças e continuidades. Isso não vai
- 5:57aparecer o tempo todo, mas lá no final
- 5:59eu queria recuperar
- 6:00essa ideia de continuidade, né?
- 6:03Porque, de fato, estamos vivendo uma era
- 6:05com muitas mudanças, né? Mas que
- 6:09eh, algumas das continuidades que a
- 6:11gente verifica
- 6:13no Brasil, elas podem ser favoráveis por
- 6:17alguns lados e podem ser desfavoráveis
- 6:19por outro lado,
- 6:20do ponto de vista das
- 6:23macrotendências, né? Em função dessa
- 6:26mudança quase de
- 6:28placas tectônicas, né? Com o avanço
- 6:30muito acelerado da inteligência
- 6:32artificial.
- 6:33E a nossa preocupação, lá quando falo
- 6:35nossa, porque é minha e do Gladstone,
- 6:37que escreveu um um artigo muito
- 6:38interessante no livro
- 6:40lá atrás, em 2024, era entender essa
- 6:43coisa, né, de mudança e continuidade,
- 6:46combinando a visão de agricultura com a
- 6:48visão de IA.
- 6:50E aí remetemos à à ideia do carro de
- 6:52boi, né?
- 6:53Que parece uma coisa muito antiga,
- 6:54talvez os mais novos nem saibam
- 6:56exatamente o que que é.
- 6:58Eu, quando era criança, ainda havia
- 6:59carro de boi em alguns lugares.
- 7:02Eh, mas era uma tecnologia que parece
- 7:04muito
- 7:06rústica, né? Muito ah, atrasada, né? O
- 7:10atualmente, mas que naquele momento, lá
- 7:12atrás, no começo do tempo da colonização
- 7:14do Brasil,
- 7:16foi uma tecnologia superimportante que
- 7:18permitiu grande produtividade, né?
- 7:21Uma redução do peso do trabalho
- 7:24físico, né, no produto total,
- 7:27com o trabalho animal sendo, a tração
- 7:30animal sendo um
- 7:31fator importante.
- 7:33Eh, e e hoje, se o carro de boi
- 7:35permanece como um objeto, uma relíquia
- 7:38em uma fazenda, por exemplo, né? Eh, de
- 7:41um passado, a agricultura brasileira,
- 7:43que é um pouco a a fundação, né?
- 7:47Eh, do país, especialmente com a cana de
- 7:49açúcar, a agricultura brasileira
- 7:51conseguiu atravessar esses séculos
- 7:54e e alguns setores que estão aí desde
- 7:56sempre,
- 7:58cana de açúcar é um deles, né? Eh, e
- 8:00conseguiram se modernizar.
- 8:02Então, o fato de haver continuidade não
- 8:04é necessariamente ruim, né? Depende de
- 8:06uma série de vetores internos e
- 8:08externos, que a gente vai,
- 8:10é, é, explorar nos próximos slides.
- 8:13É, em particular, só ficar com essa
- 8:15pergunta, né? Quais são os atributos da
- 8:18sociedade brasileira que nos habilitam
- 8:21ou não
- 8:22para lidar com os desafios de cada
- 8:24momento histórico, né? E o paradigma
- 8:26técnico, tecnoprodutivo
- 8:28dominante.
- 8:30É, próximo slide, a gente lembra que o
- 8:32carro de boi era parte de um sistema
- 8:34produtivo muito moderno à época, né? De
- 8:37uma,
- 8:38uma lavoura
- 8:39larga escala
- 8:40que permitiu a ocupação do território
- 8:42com poucos portugueses, né? Graças
- 8:46à importação de mão de obra forçada, né?
- 8:49Os escravizados.
- 8:51Isso era tanto um imperativo econômico
- 8:53quanto um imperativo geopolítico, né? De
- 8:55ocupar a terra para evitar que
- 8:58outras potências europeias, é, aqui
- 9:01chegassem, né? Como tentaram chegar
- 9:03inclusive, né? Várias vezes foram
- 9:05rechaçadas. Os holandeses chegaram a
- 9:07colonizar um pedaço do,
- 9:09do nordeste por algum tempo, né?
- 9:11É,
- 9:12ah, o, o próximo slide já lembra que,
- 9:15ah, esse sistema de produção,
- 9:18e não é preciso ser marxista, né, para
- 9:19pensar dessa maneira, esse sistema de
- 9:21produção trouxe consigo,
- 9:23né, a partir
- 9:25do reino de Portugal,
- 9:27é, e adaptando às condições locais, ele
- 9:29trouxe consigo uma, uma ordem
- 9:31social e cultural, né? E essa doce
- 9:35pirâmide, né, do
- 9:37é, do livro famoso do
- 9:39Gilberto Freyre, né, mostra que você
- 9:41tinha uma, uma base muito larga dos, dos
- 9:44negros escravizados,
- 9:46que eram a, a base produtiva, né? É, um,
- 9:49uma quantidade pequena, mas
- 9:51significativa de homens livres,
- 9:53que viviam associados a um engenho,
- 9:56e lá na, lá no, no topo, um pequeno
- 9:58número de famílias que seriam os
- 10:00aristocratas, né?
- 10:02É, essa
- 10:03ordem é uma ordem hierárquica. Essa
- 10:06pirâmide não é por acaso, porque existe
- 10:08uma, uma determinação de cima para
- 10:10baixo, né?
- 10:11Em que,
- 10:12ah, o uso da violência e da força é
- 10:16parte essencial. E, ao usar violência e
- 10:18força com trabalho
- 10:20físico,
- 10:22o próprio conceito de
- 10:24conhecimento,
- 10:25ele não era totalmente afastado, mas ele
- 10:28era minimizado, né? Pela grande massa
- 10:31dos trabalhadores que permaneceu,
- 10:33ah, ou escravizada e ignorante, enfim,
- 10:36sem, sem acesso às tecnologias mais
- 10:38modernas que, das quais eles eram
- 10:40passivos.
- 10:41E os homens livres também não
- 10:43valorizavam muito a cultura e a ciência,
- 10:45né?
- 10:46Ah, eventualmente os, os nobres
- 10:48conseguiam, né? Os senhores de engenho
- 10:51mandavam os seus filhos estudar
- 10:53direito e não engenharia. Embora o
- 10:56sistema produtivo fosse até
- 10:58relativamente moderno.
- 11:00Isso se mostrou, com o passar do tempo,
- 11:01um, um problema sério, né? Porque, ah, à
- 11:04medida que o progresso técnico se
- 11:06acelerava,
- 11:08a escassez de, vamos chamar, capital
- 11:10humano,
- 11:12passou a ser um problema que foi
- 11:13resolvido
- 11:14séculos depois por, por outros, outros
- 11:17vetores, né?
- 11:18No próximo slide a gente,
- 11:21eh,
- 11:22ah,
- 11:22lembra, né? Que esse é um sistema com
- 11:25uma caracterização que eu já mencionei
- 11:27aí,
- 11:28de alguma medida, né?
- 11:30Ah, esse baixo nível educacional,
- 11:32inclusive das elites, né? É uma
- 11:34característica que mudou ao longo do
- 11:36tempo, obviamente, né?
- 11:37Mas que se a gente olhar para o panorama
- 11:40internacional hoje,
- 11:41eh, permanece como um, um déficit do
- 11:44Brasil, né? O Brasil tá longe de, de, de
- 11:47conseguir ficar,
- 11:49ah, o, ao longo do, eh,
- 11:52conseguir ficar,
- 11:53eh, bem colocado, né? Nos rankings de
- 11:55educação. Não só em quantidade, que
- 11:58melhorou, mas sobretudo em qualidade,
- 12:00né?
- 12:01Ah,
- 12:01e, e é um sistema produtivo muito, eh,
- 12:05extensivo, né? Com perdas de
- 12:06produtividade que depois levou,
- 12:08inclusive, a essa figura do engenho de
- 12:10fogo morto, né? Tão bem caracterizado no
- 12:12livro dos Aliados do Rio.
- 12:14Ah, a na próxima
- 12:17no próximo slide, gente, só para dar um
- 12:19exemplo, para ver como mudou a colheita,
- 12:21né? Que antes era feita manualmente por
- 12:23centenas ou milhares de
- 12:25de escravos, né? Na base do facão.
- 12:28Hoje, algum alguns poucas dezenas ou
- 12:31indivíduos pilotam
- 12:33colheitadoras de 3, 4, 5 milhões de
- 12:35reais
- 12:36com ar condicionado, com joystick e
- 12:39totalmente conectados a redes.
- 12:41Ah, nas fazendas para poder ter o que se
- 12:43chama de uma agricultura de precisão,
- 12:46né? É cana de açúcar? É. É para
- 12:48exportação em grande medida? É. Mas é um
- 12:51sistema produtivo completamente
- 12:52diferente, com novos requisitos para os
- 12:54trabalhadores.
- 12:55O Brasil conseguiu se adaptar a isso.
- 12:58Ah, mas a a agricultura deixou de ser
- 13:00uma grande empregadora. Isso é um fato,
- 13:03né?
- 13:03Próximo slide.
- 13:06Eh, houve no sistema produtivo da cana
- 13:09de açúcar, por exemplo, por exemplo, né?
- 13:11Ele se diversificou muito.
- 13:13Eh, você tem uma série de subprodutos
- 13:15muito bem bastante sofisticados e com
- 13:17grande perspectiva de mercado.
- 13:19Principalmente o etanol para
- 13:22para aviação e para transporte pesado.
- 13:25Eh, de modo que a indústria parece ser a
- 13:28mesma, mas ela já não é. Então, tem
- 13:31bastante de continuidade, mas tem muita
- 13:33mudança
- 13:34acontecendo também. E o Brasil foi capaz
- 13:36de lidar com isso. Ele se tornou o
- 13:38principal polo, né?
- 13:40Mundial de produção e de tecnologia
- 13:43também.
- 13:45No próximo slide, a gente vê
- 13:47né? Que o o ecossistema que viabilizou
- 13:50isso é um ecossistema muito sofisticado.
- 13:53Ele não depende apenas dos empresários,
- 13:55ele depende nem só do governo, depende
- 13:57de uma
- 13:58uma quantidade enorme de atores. Ah,
- 14:01claro que as usinas estão entre elas,
- 14:03mas as universidades brasileiras são eh
- 14:06as agrícolas, né? São as das melhores do
- 14:08mundo. Os centros de pesquisa, os
- 14:10fabricantes, os investidores, você tem
- 14:12mão de mão de
- 14:15Eh, você tem hoje uma recuperação de ah
- 14:18mata ciliar e de reserva legal que
- 14:20envolve um trabalho
- 14:22de biólogos e de especialistas e
- 14:24engenheiros florestais.
- 14:25Então é é de fato é um ecossistema muito
- 14:28sofisticado
- 14:29que viabiliza, que mantém a
- 14:31competitividade do setor.
- 14:33Eu enfatizei esse ponto apenas para
- 14:35lembrar que o Brasil foi capaz de
- 14:38produzir esse tipo de ecossistema para
- 14:41sustentar, ah apoiar seus setores
- 14:43produtivos.
- 14:44Mas não
- 14:46para todos.
- 14:47Então essa questão do desenvolvimento
- 14:49desigual e combinado
- 14:51é uma característica
- 14:53que permanece na economia brasileira,
- 14:55né? Faz parte do tipo de continuidade
- 14:58que, digamos, não seria desejável, mas é
- 15:01um fato.
- 15:02Próximo.
- 15:05Ah, então
- 15:06o que eu acabei de falar, né? O o dizer
- 15:08o carro de boi e seus duplos,
- 15:10né? Você tem
- 15:12mudanças positivas que aumentam a
- 15:14competitividade e mudanças negativas que
- 15:17o clima tá trazendo desafios pro pro
- 15:19setor.
- 15:20E muitas continuidades, a principal
- 15:22delas é a a dependência do Brasil de
- 15:25capital natural, terra, né?
- 15:27Ah, mas ao mesmo tempo a negativa foi
- 15:30que durante bastante tempo a agricultura
- 15:33da cana-de-açúcar era itinerante, né?
- 15:36Ela dependia do
- 15:37da de queimar,
- 15:39ah especialmente, né? De queimar
- 15:41lenha para poder
- 15:43hã
- 15:44transformar o caldo da cana em açúcar.
- 15:48E é e o desflorestamento acabava
- 15:51gerando problemas de
- 15:53insumos pra pra as usinas.
- 15:55Além disso, o uso excessivo do solo
- 15:57promovia
- 15:58uma uma perda de produtividade.
- 16:00E as essas tensões elas continuam
- 16:02presentes até hoje, né? Elas não
- 16:04desaparecem pelo fato de haver
- 16:06modernização.
- 16:08No seguinte a gente
- 16:10ah lembra que existe uma na na
- 16:13agricultura existe uma uma
- 16:15diversificação bastante grande, tem
- 16:17muita prestação de serviço ambiental, a
- 16:19fronteira de
- 16:20de crescimento muito intensa com o
- 16:22Brasil e muito promissora, né? Aliás, já
- 16:24é uma realidade para alguns, mas pode
- 16:26crescer mais ainda.
- 16:27Há quem Há quem diga que um
- 16:29um dos grandes, eh, futuros do Brasil é
- 16:32exatamente a prestação de serviços
- 16:34ambientais para o mundo, né?
- 16:36Como é que se remunera isso? É uma
- 16:38grande uma grande interrogação, tem
- 16:40vários mecanismos, mas ainda
- 16:42não tá tá bem estabelecido.
- 16:44Ah, no no slide seguinte a gente
- 16:48passa então para a questão da indústria,
- 16:51que é uma é um tema,
- 16:54digamos, hoje menos
- 16:57badalado do que já foi, né? Eu tenho 64,
- 17:00nasci em 1962, eu fui criança,
- 17:03adolescente, eu fui criado sob o signo
- 17:06da industrialização acelerada, né?
- 17:08E isso gerou, digamos assim, um era um
- 17:12fruto, né? É fruto de um conjunto de
- 17:14políticas
- 17:15de governo e de contextos internos e
- 17:18externos que favoreceram a implantação
- 17:20de indústrias,
- 17:22eh, no Brasil, indústrias pesadas, né? E
- 17:24o grande símbolo foi a indústria
- 17:25automobilística lá com o Juscelino
- 17:27Kubitschek.
- 17:28Percebe que ele tá aí em cima do Fusca,
- 17:30né? Saindo da fábrica
- 17:32de, ah, da Volkswagen.
- 17:35Ah, o interessante é que
- 17:37isso tem um marco importante aqui nessa
- 17:40figura, essa figura foi escolhida por
- 17:42uma razão muito específica, né?
- 17:44Eh,
- 17:45o Juscelino ficou conhecido como
- 17:47grande promotor da indústria nacional.
- 17:50Mas aqui a indústria nacional é um Fusca
- 17:53produzido por trabalhadores brasileiros,
- 17:55com muitos engenheiros alemães, de uma
- 17:58marca alemã.
- 17:59Então essa combinação de capital
- 18:01nacional com capital estrangeiro é uma
- 18:02característica brasileira,
- 18:04ah, muito peculiar
- 18:06e que foi refeita, desfeita e depois
- 18:09refeita a partir da crise do modelo de
- 18:12desenvolvimento nos anos 80
- 18:14e da sua reconfiguração
- 18:17nos anos 90 em diante.
- 18:19Ah, essa essa crise, como gente verá no,
- 18:21no próximo, nos próximos slides, né?
- 18:24É, seguinte, por favor.
- 18:28É, ela gerou o que a gente podia chamar
- 18:31de promessas não cumpridas da indústria,
- 18:33né? É, é verdade que até em 1980, se eu
- 18:37não me engano, o coeficiente de
- 18:38importação de produtos industriais no
- 18:40Brasil era
- 18:41era quase zero.
- 18:43Tirando alguns insumos que o Brasil não
- 18:45tinha condição de produzir,
- 18:47ah, os produtos manufaturados eram todos
- 18:50feitos no Brasil, né?
- 18:52Ah, por exemplo, o meu avô teve uma
- 18:53Brasília amarela, né? Ah, meu pai teve
- 18:56um Karmann Ghia, depois teve um Puma
- 18:58GTE, que foi a única indústria
- 18:59brasileira
- 19:01é, automobilística e que teve uma vida
- 19:03curta.
- 19:05É, e o Brasil que tinha como grande
- 19:07objetivo, é, montar uma base industrial
- 19:10diversificada
- 19:12e sofisticada, conseguiu, mas à custa da
- 19:15do fechamento externo, né? E, portanto,
- 19:17ele não conseguiu
- 19:19ah, resolver o problema da
- 19:21competitividade.
- 19:22Quando o o modelo de substituição de
- 19:24importação entra em crise,
- 19:26ah, e há uma abertura ao exterior,
- 19:28ah, boa parte das indústrias, inclusive
- 19:30as multinacionais aqui localizadas,
- 19:32tiveram
- 19:33que ou fechar as suas unidades, ou
- 19:36terceirizar, ou se reinventar,
- 19:38né?
- 19:39E isso gerou um impacto muito grande no,
- 19:41no emprego industrial,
- 19:42ah, que não parece hoje mais ser capaz
- 19:45de promover ah, a geração de bons postos
- 19:48de trabalho.
- 19:49Próximo.
- 19:50>> É, professor Paulo, é só para avisar o,
- 19:53só para avisar o pessoal, eh, o nosso
- 19:56slide estava com um pequeno problema no
- 19:58link. Ele já está ajustado,
- 20:01então, se você clicar no link e ele não
- 20:04direcionar lá para o nosso chat para
- 20:06você trazer as suas contribuições e
- 20:07perguntas, atualiza o link ali do
- 20:10YouTube que você vai conseguir fazer,
- 20:12tá? Então, tem essas duas alternativas.
- 20:14E aí a gente pode aqui, eh, no final,
- 20:17responder às suas questões. Obrigado,
- 20:18professor Paulo. Vou passar o slide.
- 20:20>> Isso.
- 20:21É,
- 20:22por que que isso aconteceu? Bom, há
- 20:23características próprias do
- 20:26do paradigma, né? Do modelo de
- 20:28desenvolvimento industrial brasileiro.
- 20:31Eh, mas a gente precisa lembrar que
- 20:34o Brasil é parte do mundo, né? E o mundo
- 20:36sofreu um terremoto com a o crescimento
- 20:40exponencial da China nas últimas
- 20:41décadas.
- 20:42Inclusive os alemães, né? Que forneceram
- 20:45uma grande parte da tecnologia, por
- 20:47exemplo, automobilística
- 20:49para os chineses, ah, hoje estão
- 20:51sofrendo seriamente. A Volkswagen está
- 20:53em processo de reestruturação, acabou de
- 20:54fechar uma fábrica ah histórica lá na
- 20:57Alemanha, porque não está conseguindo
- 20:58aguentar
- 21:00a concorrência chinesa, que se tornou a
- 21:02a indústria do mundo, né? Ah, junto com
- 21:05com a Ásia, né? Como sistema aí que cuja
- 21:08competitividade
- 21:09na maior parte dos segmentos industriais
- 21:12é
- 21:13é quase irresistível, né? Quase
- 21:14insuperável.
- 21:16E o Brasil, que já teve uma
- 21:17industrialização baseada no mercado
- 21:19interno, quando há ele sofre um choque
- 21:21externo
- 21:22e de produção, inclusive, do Mercosul
- 21:25também. Ah, e isso nos anos 90 e depois
- 21:28nos nos anos 2000, 2010, eles sofrem
- 21:31mais um choque externo, dessa vez junto
- 21:34com o resto do mundo, a partir do
- 21:36crescimento das exportações chinesas.
- 21:38Próximo?
- 21:44Eh,
- 21:44então a a pergunta, digamos assim, que
- 21:47instigou ah o desenvolvimento do livro é
- 21:50isso. Historicamente, né? Se você tinha
- 21:53empregava muita gente na agricultura,
- 21:55né? Todos os países passaram por essa
- 21:57fase, né? A maior parte estava no setor
- 21:58primário.
- 21:59Ah, se você empregava muita gente no no
- 22:03no setor primário,
- 22:06eh, agora já não não
- 22:08não não é
- 22:09mais tão Eu tive um probleminha aqui.
- 22:13E mais
- 22:15Deixa eu ver o que está aqui.
- 22:18Vocês estão me vendo?
- 22:21>> Sim, sim, estamos vendo perfeitamente.
- 22:23>> Ah.
- 22:25Opa, voltou.
- 22:27Desculpa.
- 22:29Acho que é um problema de mau contato.
- 22:33>> É a sua câmera que acho que travou.
- 22:40>> Alô, câmera, pronto, voltou.
- 22:43>> Oi, voltamos.
- 22:44>> Estamos lá. Desculpa.
- 22:46Eh.
- 22:47Problema de.
- 22:48Hardware.
- 22:49Eh, então a agricultura que perdeu muita
- 22:52mão de obra nos anos 60 e 70, né?
- 22:55E a indústria passou a ocupar, ah, muita
- 22:57gente.
- 22:58Ah, agora que a indústria definhou e a
- 23:01agricultura se intensificou.
- 23:03Né? E a IA está chegando.
- 23:05Qual é o caminho adiante para o Brasil
- 23:07em termos de geração de emprego e renda?
- 23:09Ah.
- 23:10Nos próximos slides vai conversar um
- 23:11pouquinho sobre isso. Eu não sou
- 23:12especialista em IA, se puder passar.
- 23:15Eh, eu estou, estou-me valendo aqui de
- 23:17alguns slides do.
- 23:19Do Gladstone, que é um, uma grande
- 23:20figura, um dia desses tem que chamar
- 23:21para, para falar aqui, né?
- 23:23Eh. Primeiro lembrar que a inteligência
- 23:25artificial é alguma coisa que já está aí
- 23:27há muito tempo. O que mudou foi a sua
- 23:30velocidade, não é? De, de difusão e de,
- 23:32de uso.
- 23:34Ah, e de fato alguns glosses já falam
- 23:36que.
- 23:37A IA não é mais uma tecnologia, não é?
- 23:40Ela é um ecossistema, não é? É um
- 23:42sistema produtivo. Então, as empresas
- 23:44não tem que se adaptar à IA, elas tem
- 23:46que mudar seu modo de trabalhar, não
- 23:48Eh, e isso é um desafio gigante para as
- 23:50empresas, não
- 23:51Próximo.
- 23:53Esses slides a gente pode passar rápido
- 23:54porque são pequenas observações, não é?
- 23:56Ah. Que.
- 23:58Sugerem que uma quantidade importante
- 24:01assim de efeitos, não é?
- 24:03Ah,
- 24:04riscos. Eh, efeitos benéficos e riscos,
- 24:06não é? Ah, na medida que a IA produz
- 24:08conteúdo, não é? A, a a fronteira entre
- 24:11conhecimento humano e conhecimento da
- 24:13máquina. Vai, vai se, vai se diluindo,
- 24:15não é? Você tem.
- 24:17Eh, os agentes cada vez mais sendo
- 24:19utilizados, não é? Para tarefas, para
- 24:21tarefas de baixa e de média
- 24:23complexidade. Cidade já.
- 24:24Talvez alguns inclusive para de
- 24:26complexidade. Não é simples porque quem
- 24:29vai ah mobilizar, orquestrar esses
- 24:31agentes, precisa ter um nível de
- 24:32conhecimento muito grande.
- 24:34Mas no limite, né, pensando assim, ao
- 24:37extremo,
- 24:38paroxismo,
- 24:40ah essa é uma tecnologia que um se
- 24:42baseia
- 24:43no conhecimento humano,
- 24:45portanto, ela
- 24:47absorve o conhecimento humano
- 24:49ah disponível,
- 24:51ah inclusive o conhecimento da internet
- 24:53praticamente já foi todo explorado pela
- 24:55IA, né? Restam
- 24:56os conhecimentos talvez fora da internet
- 24:58que ainda precisam ser transforma-
- 25:01digitalizados.
- 25:02É, e isso com o objetivo de produzir
- 25:07conhecimento sistematizado e de fácil
- 25:09acesso. Ah
- 25:11Ora, se o atributo principal do homem,
- 25:14né,
- 25:14ah pós-revolução industrial, né, do ser
- 25:17humano
- 25:18como entidade produtiva é a capacidade
- 25:20de conhecimento, uma tecnologia que
- 25:23utiliza todo o conhecimento humano,
- 25:25inclusive de formas criativas,
- 25:27por definição, é uma tecnologia que
- 25:30trará necessariamente grandes impactos.
- 25:33É claro que vão surgir novas ocupações,
- 25:35como já estão surgindo,
- 25:37eh mas é difícil imaginar como
- 25:39isso vai conseguir
- 25:41eh
- 25:42abrangir
- 25:43todos os trabalhadores da afetados se
- 25:46adotarem por essa tecnologia.
- 25:48Não por acaso a discussão de renda
- 25:50mínima universal
- 25:51é uma discussão que já existe no Vale do
- 25:54Silício há muito tempo, muito antes de
- 25:56se falar, se tornar público,
- 25:58ah a ideia de vai Bolsa Família, né, ah
- 26:02ou de uma renda que seja
- 26:04ah
- 26:05compartilhada pelo governo
- 26:07para todos, é um é uma ideia que é um
- 26:10quase uma decorrência necessária
- 26:12ah da própria natureza dessa tecnologia,
- 26:16ah
- 26:17próximo.
- 26:20Ah
- 26:21esse não é um negócio para todo mundo do
- 26:23ponto de vista de produção de
- 26:25tecnologia, é um negócio para a gente
- 26:27muito grande, né?
- 26:29Inclusive isso tem tem sido fonte de
- 26:31preocupação nos Estados Unidos
- 26:33por um excesso de absorção de capital
- 26:36por parte das empresas de IA
- 26:39em detrimento
- 26:40do capital disponível para outros
- 26:42negócios. Tem um gráfico lá na frente
- 26:44que vai mostrar isso, né?
- 26:45Portanto, é um é um jogo de gente muito,
- 26:48muito, muito grande.
- 26:50E de novo aqui a gente tem uma
- 26:52a continuidade, né?
- 26:54Porque essa continuidade a gente não
- 26:57deve se enganar. Capital tem pátria,
- 26:59sim.
- 27:00O capital, ele se acumula mais em alguns
- 27:03lugares do que em outros lugares por
- 27:05várias razões, não cabe entrar aqui na
- 27:07explicação.
- 27:08E no caso de um capital que tem uma base
- 27:11tecnológica muito forte,
- 27:13ah, o capital humano disponível nos
- 27:15Estados Unidos, no Vale do Silício, ele
- 27:17é suficiente
- 27:18para atrair o capital financeiro. Eu
- 27:21costumo dizer que uma grande parte dessa
- 27:23onda de investimento é uma combinação de
- 27:26capital
- 27:27velho,
- 27:28no sentido de ser um capital fornecido
- 27:30pelo governo ou pelas grandes fontes de
- 27:32riqueza do mundo,
- 27:34para uma tecnologia nova.
- 27:37Ah, lembrando, é claro, que a crise de
- 27:392008, e a reação do governo de jogar
- 27:42dinheiro do helicóptero e de promover a
- 27:44absorção de dívidas privadas por parte
- 27:47da dívida pública, é um fator de
- 27:49promoção dessa tecnologia, porque você
- 27:51tem muito capital no mundo e tá
- 27:53procurando oportunidades
- 27:54de rentabilidade e essas oportunidades
- 27:57são oferecidas pela IA dizendo: "Eu vou
- 27:59ser monopolista em algum momento.
- 28:02Você investe em mim, vai levar um ano,
- 28:04dois anos, 10 anos, 20 anos, mas eu
- 28:06chegarei lá".
- 28:07Muitos negócios foram construídos assim
- 28:09nos últimos anos, né? Com uma tolerância
- 28:12para baixa rentabilidade no presente
- 28:14muito grande em nome de um rendas
- 28:17extraordinárias no futuro.
- 28:19E a IA
- 28:20tá nesse nível e, inclusive, não é por
- 28:22acaso que agora também tem havido
- 28:24questionamento sobre a capacidade de
- 28:25geração de lucro
- 28:27ah, das empresas de IA.
- 28:29Próximo.
- 28:32Ah, bom,
- 28:34aí,
- 28:35lembrando que, né, é um
- 28:36é um sistema energívoro, né? Absorve
- 28:39energia loucamente, com impactos
- 28:41ambientais não desprezíveis,
- 28:44impactos sociais também muito
- 28:45relevantes,
- 28:46ah, com produção de, eh, esgotamento de
- 28:49água do solo, produção de ruído,
- 28:52ah, alteração de meio ambiente em vários
- 28:54lugares, especialmente nos Estados
- 28:55Unidos, e há uma demanda social contra a
- 28:58instalação desses data centers em vários
- 29:00lugares, e o Brasil aqui tem aparece
- 29:02como um polo, talvez com potencial de
- 29:05receber data center por causa da sua
- 29:07disponibilidade de energia, né?
- 29:10Então,
- 29:10sempre há dois lados na na história, não
- 29:13fosse eu um economista,
- 29:14e esse um dos lados que pode ser
- 29:16promissor, parece promissor para o
- 29:18Brasil, é exatamente a disponibilidade
- 29:20de energia, embora a nossa energia já
- 29:22tenha sido mais limpa e mais barata
- 29:25do que ela é hoje.
- 29:26Próximo.
- 29:30Ah,
- 29:31se o Brasil não tem capital, se as
- 29:33empresas brasileiras de
- 29:36TI não tem capital suficiente
- 29:38para competir com as grandes do mundo,
- 29:41nem com as americanas, por definição,
- 29:43nem mesmo com as chinesas, né? Talvez
- 29:45com algumas europeias, que tão muito
- 29:47atrás
- 29:48dos chineses e dos americanos,
- 29:51ah, o que que isso resta para o Brasil
- 29:53como um negócio de TI, né? Empresa
- 29:56produtora de, ou seja, ofertante de
- 29:58tecnologia.
- 30:00Ah,
- 30:01o é a tropicalização, você sempre tem
- 30:03que fazer um esforço, né? Em língua
- 30:05portuguesa, eh, para regras locais, né?
- 30:08De um conjunto de pacotes, eh,
- 30:11sem pátria.
- 30:12Na verdade, eles não são sem pátria,
- 30:13eles têm pátria, né? E a pátria tem um
- 30:15lugar, tem uma origem, e essa origem vai
- 30:18sendo empurrada para os outros, né?
- 30:20Mas sempre há uma possibilidade de
- 30:22tropicalização e há uma possibilidade de
- 30:24liderança regional,
- 30:26eh,
- 30:27em função dessa capacidade de adaptação,
- 30:29né?
- 30:30Ah, mas para isso a gente precisa ter um
- 30:32nível de investimento maior do que a
- 30:33gente tem hoje e bastante qualificação.
- 30:36Essa qualificação, num caso específico
- 30:38de TI, lá na frente eu comento isso, o o
- 30:41Brasil tá numa posição
- 30:42relativamente boa, melhor do que em
- 30:44vários outros negócios,
- 30:46que vários rankings o Brasil aparece do
- 30:48meio do meio pro final, né?
- 30:50É, nesse ranking de TI, o Brasil tá
- 30:53dentro dos 10 primeiros,
- 30:55tá? Muito bem posicionado, tanto é que
- 30:56tem muitos brasileiros
- 30:58que lideram programas
- 31:00de classe mundial
- 31:02em empresas multinacionais.
- 31:04Mas as nossas empresas locais, elas não
- 31:06são grandes o suficiente pra competir de
- 31:08frente, né, com essas
- 31:10eh, empresas. Então, ela precisa ter um
- 31:12um investimento eficiente
- 31:14que consiga encontrar os nichos
- 31:15apropriados
- 31:17pra que a onda seja surfada, né?
- 31:20Só que pra isso a gente precisa ter uma
- 31:22infraestrutura mínima, própria, porque
- 31:25não dá pra depender da importação de uma
- 31:27série de insumos, porque a geopolítica
- 31:30mudou, tá? Alguns falam a geopolítica
- 31:34eh,
- 31:35reapareceu, mas ela sempre teve aí, né?
- 31:36A a sua a configuração que mudou.
- 31:39Então, você não pode mais imaginar que
- 31:41vai depender criticamente de
- 31:43ah, itens importados.
- 31:45Próximo.
- 31:48É. E aí, são um pouco isso que levou a
- 31:50pensar o livro, né? Como é que a gente
- 31:51vai ocupar 220 milhões de habitantes? O
- 31:53problema não é exatamente isso, a gente
- 31:56vai comentar em seguida.
- 31:57A energia brasileira parece muita, mas
- 31:59ela já foi maior,
- 32:01já foi mais limpa e já foi mais barata,
- 32:03né?
- 32:04Ah, é uma questão existencial que a
- 32:06gente não vai tocar aqui,
- 32:08né? Que se a inteligência se tornar
- 32:10absolutamente barata,
- 32:12o que que acontece com a humanidade? Os
- 32:14otimistas dizem
- 32:16que vai ser uma era de abundância e de
- 32:18prosperidade, né?
- 32:19Ah,
- 32:20só difícil entender como é que as
- 32:22pessoas vão se apropriar dessa
- 32:23abundância e dessa prosperidade,
- 32:25considerando que
- 32:27as empresas vão ser capazes de oferecer
- 32:28a todos serviço, uma vez que elas tenham
- 32:30processado
- 32:31toda a inteligência disponível do mundo,
- 32:33né?
- 32:34E e se elas tiverem poder de mercado,
- 32:37o custo delas vai ser
- 32:40De novo apagou aqui o que eu fazia
- 32:42antes.
- 32:47Eita.
- 32:51Que que é dois?
- 32:52Não mexi em nada, estou com a mão aqui
- 32:53para cima.
- 32:56De novo apagou
- 32:58o meu contato para entrar.
- 33:03Está me ouvindo?
- 33:07E eu falei completamente
- 33:10Ah, pronto, olha.
- 33:11>> Está com um pouco de ruído, mas está
- 33:13dando para ouvir.
- 33:14>> Está.
- 33:15Não entendi o que que foi isso.
- 33:18Mesma coisa.
- 33:20Pronto.
- 33:22Voltei.
- 33:23Ah,
- 33:24bom, e o governo e a sociedade tem muita
- 33:27coisa a fazer, né?
- 33:28Agora a gente entra então
- 33:30eh, em algumas reflexões
- 33:33que para ser sucinto, né? O livro é
- 33:35grande, tem muitos capítulos aqui,
- 33:38mas eu até joguei na
- 33:41no no provedor para tentar organizar,
- 33:43mas ficou tão ruim que eu disse: "Ah,
- 33:45vou abandonar, vou fazer só umas
- 33:46provocações".
- 33:48Eh, no próximo slide
- 33:50eu acho que a gente entra então no que
- 33:52eu chamei de paradoxos, tá? Isso está no
- 33:54pedaço disso está no no artigo que eu
- 33:56escrevi junto com o professor João
- 33:57Sabóia, né?
- 33:59Ah, eh, que são ao há há muitos
- 34:03paradoxos, mas eu escolhi alguns respe
- 34:06eh,
- 34:06ligados especialmente à questão de
- 34:09trabalho e emprego, né?
- 34:11Eh, o primeiro paradoxo que salta aos
- 34:13olhos é que a gente está numa taxa de
- 34:15emprego baixíssima, recorde, né?
- 34:17Eh,
- 34:18isso que sugere praticamente um pleno
- 34:21emprego, aliás, em muitas regiões e
- 34:22muitos setores a gente já tem um pleno
- 34:24emprego, né?
- 34:25Só que isso seria um pleno emprego de
- 34:27equilíbrio ruim.
- 34:29Por quê?
- 34:30Porque parte desse pleno emprego, eh,
- 34:33seja dessa demanda por mão de obra,
- 34:36eh, as empresas estão demandando, os
- 34:37negócios demandando mão de obra, tem a
- 34:40ver com a baixa produtividade.
- 34:42Ah,
- 34:43que é algo ruim, né?
- 34:46E ao mesmo tempo, isso habilita uma taxa
- 34:48de emprego, né? Ou seja, uma redução dos
- 34:50empregos é muito expressiva e isso é
- 34:52desejado.
- 34:54Só que a combinação de muito emprego com
- 34:56produtividade baixa
- 34:58é, é, gera salários baixos, né?
- 35:02E isso faz com que sejam um pleno
- 35:04emprego com crescimento de renda, mas
- 35:07com é, crescimento até rápido dos
- 35:10segmentos de renda mais baixa, né?
- 35:13É, tem havido uma uma certa melhoria da
- 35:15distribuição de renda, mas como os
- 35:17níveis de renda das classes mais baixas
- 35:20é muito baixo,
- 35:21ah, você tem uma taxa alta, mas um valor
- 35:24absoluto baixo, né?
- 35:25É, e isso faz com que
- 35:28ah, exista o que o Fábio no artigo dele
- 35:30chamou de um mal-estar, né? É, cresce,
- 35:33mas parece que está sempre nadando
- 35:35contra a correnteza. Por mais que a
- 35:37renda dos dos mais pobres tenha
- 35:38crescido,
- 35:39ah, e isso não foi suficiente para
- 35:41reduzir significativamente
- 35:44a desigualdade
- 35:46brasileira, que é um é um problema que
- 35:48atrapalha o desenvolvimento, né? Não é
- 35:50só um problema
- 35:51é, moral ou ético, mas é um problema que
- 35:54atrapalha o desenvolvimento pela redução
- 35:56da capacidade de consumo interno.
- 35:58O segundo paradoxo,
- 36:00em seguida,
- 36:02ah, é de que
- 36:05ah,
- 36:08ah, acho que
- 36:09ficou ficou óbvio, mas a gente tem que
- 36:11lembrar, né? Quando eu eu falei, bom, a
- 36:13indústria foi uma grande promessa,
- 36:15chegou a ocupar uma parcela
- 36:17significativa, houve desindustrialização
- 36:20no Brasil e no mundo. Alguns dizem que
- 36:22foi uma desindustrialização precoce, né?
- 36:25Veio antes do tempo.
- 36:26Ah, mas o fato é que o a ter
- 36:30terciarização da economia é um fenômeno
- 36:33inclusive previsto pelos teóricos do
- 36:35desenvolvimento econômico e que de fato
- 36:37já aconteceu em praticamente todos os
- 36:38países que passaram pela indústria, né?
- 36:41É como se houvesse etapas, né?
- 36:43Agricultura, indústria e setor de
- 36:45serviço.
- 36:46Nunca é um ou outro, né? Os primeiros
- 36:49não desaparecem, eles continuam lá, mas
- 36:51o peso relativo muda.
- 36:53A economia brasileira já é uma economia
- 36:55de serviço. E o setor de serviço é o
- 36:57setor com menor produtividade da
- 36:59economia brasileira.
- 37:01Ah, e é o que mais emprega, né? Então, é
- 37:04aonde esse fenômeno de salários baixos
- 37:06é, se manifesta de maneira mais nítida.
- 37:09Ah, porque na agricultura já houve, né,
- 37:12essa demissão em massa,
- 37:14já houve aumento do do capital por área,
- 37:17por por hectare, né? Tecnificação por
- 37:20hectare.
- 37:21Então, cada vez que a agricultura
- 37:22cresce, ela ela absorve muito menos
- 37:25trabalho e muito mais capital e muito
- 37:27mais terra, né?
- 37:28Ah, então a produtividade cresce muito
- 37:30rapidamente no
- 37:32ah, na agricultura. Não é por acaso o
- 37:33Mato Grosso hoje é um dos países com
- 37:35maior renda
- 37:36média per capita do Brasil.
- 37:39Porque ele é, digamos, a a ponta de
- 37:41lança, né, desse movimento de
- 37:42tecnificação.
- 37:44Ah, e aí quando a gente vai para o setor
- 37:45de serviço, que é onde você tem mais
- 37:47pessoas
- 37:49ah, com baixa qualificação,
- 37:51né? É um são a maior parte do setor de
- 37:53serviço é protegida da concorrência
- 37:55externa.
- 37:56Então, você não tem pressão competitiva
- 37:57para o pessoal melhorar o nível de com
- 38:00de produtividade.
- 38:02E isso faz com que
- 38:04você tenha uma uma circularidade
- 38:07negativa, né?
- 38:08Puxa para baixo, é, digamos assim, o
- 38:10desenvolvimento brasileiro.
- 38:12A IA IA, ela tem o o foco, sobretudo, no
- 38:16setor de serviço, né?
- 38:18Então, você pode, por meio da IA,
- 38:21ter um impacto grande em vários
- 38:23segmentos importantes da indústria de
- 38:25serviço, inclusive segmentos com uma
- 38:26renda relativamente mais alta do que os
- 38:29trabalhadores manuais, né?
- 38:32Ah, só que para aproveitar isso, sem ter
- 38:35um um impacto grande de emprego, seria
- 38:37preciso aumentar a capacitação
- 38:39técnico-educacional dos trabalhadores do
- 38:41Brasil.
- 38:42E essa é historicamente insuficiente.
- 38:45Então, você tem potencial de aumentar a
- 38:47produtividade, que é um aspecto
- 38:48positivo,
- 38:49mas você tem uma base
- 38:51técnica e educacional
- 38:53baixa.
- 38:55Terceiro paradoxo.
- 38:57Ah,
- 38:58é que
- 39:00eh, isso um pouco já
- 39:02já já comentei, né, que não precisa
- 39:04entrar muito nos números, tem muito
- 39:06muita
- 39:07muita palavra nesse slide, perdão.
- 39:10É que a extroversão, no sentido de que a
- 39:12abertura, né, a estrutura industrial
- 39:14brasileira, por por meio do aumento da
- 39:17capaci do
- 39:18coeficiente de importação,
- 39:20eliminou um monte de ineficiências. A a
- 39:23própria agricultura brasileira, quando
- 39:25houve um choque de competição,
- 39:27ali no final dos anos 80 e início dos
- 39:28anos 90, respondeu muito positivamente,
- 39:30teve uma crise, mas respondeu muito
- 39:32positivamente, se transformou, né?
- 39:34E os vários setores industriais,
- 39:36segmentos, conseguiram dar essa volta
- 39:38por cima.
- 39:39Em geral, são os setores
- 39:42que os mais competitivos da indústria,
- 39:44são setores ligados ao capital natural.
- 39:46Então, você tem a agroindústria como um
- 39:48todo,
- 39:49muito competitivo,
- 39:51e você tem, por exemplo, setores de
- 39:52transformação como
- 39:54celulose,
- 39:55né?
- 39:56Ah, e biocombustíveis,
- 39:59altamente competitivos, porque a base de
- 40:01produtos primários é muito competitivo,
- 40:03você
- 40:04entra com unidade produtiva muito
- 40:06grande,
- 40:08eh, intensivas em capital, capital
- 40:11e tecnologia, né?
- 40:13E você consegue manter a
- 40:14competitividade. Os outros tipos de
- 40:16indústrias têm mais dificuldade, né?
- 40:19E com isso, você tem uma modificação da
- 40:21composição da força de trabalho
- 40:24em favor do setor menos produtivo, né,
- 40:27que é o setor
- 40:28de serviço.
- 40:30É, próximo.
- 40:33Eh,
- 40:35isso eu meio que já comentei também, né,
- 40:37que é
- 40:38eh, você eh, o setor mais dinâmico da
- 40:41economia brasileira, que é o setor
- 40:42agropecuário,
- 40:44eh, lato sensu, né, não é estrito sensu,
- 40:46porque inclui toda a cadeia,
- 40:49ele tem cada vez menos postos, menos
- 40:51demandas de trabalho, né? Por unidade de
- 40:53produto diário.
- 40:54E requer trabalhadores cada vez mais
- 40:56qualificados. Antes para cortar cana, a
- 40:58pessoa precisava ter
- 40:59uma certa capacidade física. Hoje para
- 41:01pilotar
- 41:02uma colheitadeira de 5 milhões de reais,
- 41:05provavelmente é um técnico agrícola
- 41:06altamente capacitado ou até um
- 41:08engenheiro
- 41:09a
- 41:11um agrônomo, é
- 41:13em processo de formação, recém formado,
- 41:15né? Então,
- 41:16o a agricultura resolveu grande parte
- 41:19dos problemas de ah capital humano.
- 41:23É e e na verdade algumas regiões vivem
- 41:25até um problema do pleno emprego. Então,
- 41:28tem que importar trabalhadores.
- 41:30Falta gente no Mato Grosso para para
- 41:32ficar no exemplo que eu já mencionei,
- 41:34né?
- 41:35Ah e
- 41:37o ah só para completar no no quatro ah
- 41:40no aqui isso ah que
- 41:42se se a fazenda emprega menos, você tem
- 41:45muito mais serviços. Os serviços em
- 41:47geral ficam nas cidades. Então, há uma
- 41:50tendência de aumento do tamanho médio
- 41:52das cidades ligado ao produção
- 41:54agropecuária.
- 41:56Ah quem andar pelo Mato Grosso vai ver
- 41:58isso com muita clareza.
- 41:59Desculpa dar o exemplo do Mato Grosso,
- 42:00porque é o estado mais dinâmico e porque
- 42:02eu estive lá recentemente.
- 42:04É próximo.
- 42:08Ah
- 42:09aí a gente tem uma situação que é em
- 42:11tese,
- 42:12né?
- 42:12A IA pode de fato trazer impactos
- 42:16negativos, né? Destrutivos em vários
- 42:19tipos de negócios e em vários
- 42:22ah
- 42:23postos de trabalho.
- 42:25Mas aí a gente tem uma
- 42:27ah o uma
- 42:29digamos assim, até uma compensação, né?
- 42:32É
- 42:33você tem uma a tendência de houve uma
- 42:37desaceleração da população em idade
- 42:40ativa ou na e a população em idade de
- 42:42trabalhar, mais especificamente, né? É
- 42:44que nos últimos anos e que e que vai
- 42:47inclusive se reduzir a quantidade de
- 42:49pessoas em idade de trabalhar. Ela vai
- 42:51entrar em em em
- 42:53fase de encolhimento.
- 42:55Isso é fruto dessa transição demográfica
- 42:58muito rápida, né?
- 42:59Que vem acontecendo, acontece no mundo
- 43:01inteiro, acontece mas o Brasil tem uma
- 43:03transição particularmente rápida.
- 43:05A China tá passando por isso também.
- 43:07Todos os países tão passando. Quem é
- 43:10resolveu, a forma de resolver isso na
- 43:12Europa, por exemplo, foi permitir a
- 43:14imigração, nos Estados Unidos também.
- 43:17Imigração se tornou um problema não
- 43:19econômico, mas se tornou um problema
- 43:21político
- 43:22pra pra esse país e o Brasil se tornou
- 43:24exportador de mão de obra, né?
- 43:27Ah, pode ser que uma uma maneira de
- 43:29resolver essa escassez de de oferta de
- 43:32mão de obra seja
- 43:33um um novo ciclo de imigração.
- 43:36Mas se a IA, de fato, for poupadora de
- 43:39mão de obra,
- 43:40esse encolhimento da da população em
- 43:42idade de trabalhar não é ruim.
- 43:44É, seria uma forma de mitigar o
- 43:46problema, né?
- 43:48E, claro,
- 43:49a velharada vai ter que trabalhar mais e
- 43:51eu acho que tem que trabalhar, né? Eu
- 43:53falo, o velharado que eu tenho 64 tem
- 43:55lugar de fala pra dizer à rapaziada aí,
- 43:57que
- 43:57é, eu tenho a minha aposentadoria de um
- 43:59serviço, mas continuar ativo em outro,
- 44:01né?
- 44:02É, isso cria uma enorme oportunidade e
- 44:05não por acaso há um capítulo sobre
- 44:07economia do cuidado, né? Que é uma
- 44:09economia, um setor intensivo em mão de
- 44:11obra,
- 44:12que poderá ocupar muita gente no futuro.
- 44:16Próximo.
- 44:17>> Professor, tem tá chegando bastante
- 44:19questões, tá chegando bastante questões
- 44:21aqui, daqui a pouco a gente vai partir
- 44:23pras respostas aí, pra tentar atender o
- 44:24pessoal.
- 44:25>> aqui.
- 44:26É, ah, o
- 44:28um dos dramas aqui é a informalidade
- 44:29continua muito alta, né?
- 44:31Ah, agora há inclusive o que se chama
- 44:33uma nova informalidade, eu tenho um
- 44:35capítulo sobre isso no livro, sobre a
- 44:37informalidade
- 44:38deseja desejada, né? Muita gente deseja
- 44:40a informalidade
- 44:42pra ter uma cesta de ocupações, ter uma
- 44:45flexibilidade.
- 44:47A a legislação não contempla isso
- 44:49adequadamente e
- 44:51o impacto previdenciário é gigantesco,
- 44:53né?
- 44:54O drama é que são, eh,
- 44:57reduz o desemprego, mas a qualidade e a
- 45:00remuneração são baixas, normalmente, não
- 45:03Sétimo, terminando.
- 45:05Acho que só tem, vai até oito.
- 45:08Ah.
- 45:10Isso, ah,
- 45:11isso é, isso é, são só alguns números,
- 45:13não é?
- 45:14Eh,
- 45:15a gente pode passar aqui, que
- 45:17a, a renda dos mais pobres melhora,
- 45:21a desigualdade de cair um pouco, mas a
- 45:23desigualdade brasileira, medida pelo
- 45:25índice de Gini, é uma das mais altas do
- 45:27mundo até hoje, não
- 45:29Como é que você faz para superar essa
- 45:30condição?
- 45:31Eh, perguntas, cartas para a redação,
- 45:33como se dizia antigamente, é uma grande
- 45:36questão, não é?
- 45:37Ah, infelizmente,
- 45:39ah,
- 45:40o debate eleitoral não permitiu a gente
- 45:42aprofundar isso, mas esse, isoladamente,
- 45:44talvez seja uma das maiores questões da,
- 45:47da, da sociedade brasileira.
- 45:49Ah, isso, alguns desses problemas são
- 45:52mundiais, não é? Isso aqui é um gráfico
- 45:53que tá lá mostrando o, o dispêndio em,
- 45:55em, em tec, em, em indústrias tec e
- 45:59outros investimentos. Você vê que
- 46:01cai os outros investimentos e aumenta o
- 46:03investimento em indústria tec. Então,
- 46:04isso tá absorvendo capital numa
- 46:06proporção gigantesca.
- 46:08Qualquer soluço, qualquer tropeção
- 46:10dessas empresas pode gerar uma crise
- 46:12mundial de enormes proporções, não
- 46:16É um imenso risco que paira sobre a
- 46:17economia mundial.
- 46:19Próximo.
- 46:21Ah.
- 46:23É um pouco isso, eu já também, já, já
- 46:25mencionei, não é?
- 46:26A Brasil tem um bom capital humano em
- 46:28TI, mas escassez de capital, capital
- 46:30financeiro.
- 46:31Então, é, é uma dificuldade, não é? Por
- 46:34aí a gente provavelmente não vai gerar
- 46:35muitos postos de trabalho.
- 46:37Ah, o, como o Gladstone
- 46:39falou, o que for
- 46:42negócio baseado em máquina, pessoas,
- 46:46o Brasil pode se inserir, mas não
- 46:48ocupando muita gente.
- 46:50O que for negócio,
- 46:52eh, que envolva relação pessoa a pessoa,
- 46:55não é? O pessoa capital natural,
- 46:58pessoa natureza lato senso,
- 47:00as oportunidades para o Brasil são
- 47:01enormes e por isso a gente tem
- 47:03capítulos, por exemplo, sobre turismo,
- 47:05né?
- 47:05Ah, que é
- 47:07participação muito pequena na economia
- 47:08brasileira e que se é um dos poucos
- 47:10setores que pode
- 47:12dobrar ou triplicar nas próximas
- 47:13décadas.
- 47:16Próximo.
- 47:18Acho que estamos acabando, né?
- 47:20É, é isso. Ou de outra dito de outra
- 47:22maneira, né?
- 47:24É, quem escreveu foi o Saboia, né, no
- 47:26artigo lá comigo.
- 47:28É
- 47:29exatamente as as profissões mais chances
- 47:32de serem afetadas são as do setor
- 47:33terciário, né?
- 47:35Ah, e o que pode pegar inclusive gente
- 47:38de renda média e até de renda alta, né?
- 47:40Já para o advogado, o que vai acontecer
- 47:41com o advogado? É
- 47:43é difícil, e o contador, né?
- 47:45Ah, e outro tipo de profissão.
- 47:48É, e as menos atingidas são aquelas onde
- 47:50você tem a força física, habilidade
- 47:52manual
- 47:53e o contato pessoal com a pessoa como
- 47:56eh, atributos inevitáveis, né? Até teve
- 47:59alguém desses grandes aí de
- 48:02magnatas na esteira que falou
- 48:05ah, eu, meus filhos têm que aprender a
- 48:06serem
- 48:07como chama?
- 48:09Jardineiro
- 48:10bombeiro, mecânico, né?
- 48:12É fácil para um sujeito que tem
- 48:16100 e
- 48:17200, 300, 500 milhões de dólares na
- 48:20conta, né?
- 48:21Falar isso.
- 48:22Mas é uma expressão dessa dificuldade aí
- 48:25que a ir atrás para o
- 48:27para o mundo, né?
- 48:28E o Brasil em particular em face da sua
- 48:30ah, dificuldade crônica com alguns
- 48:32atributos críticos.
- 48:35Só faço uma última pergunta para a qual
- 48:36não tenho resposta e que só desafio um
- 48:39pouquinho o que todo mundo fala, está em
- 48:41todos
- 48:42Fórum Econômico Mundial
- 48:44você abre lá um qualquer documento e ele
- 48:45vai dizer
- 48:47como é que ela resolve um problema de
- 48:48informação e de análise, o que vai ser
- 48:50crítico, a competência crítica vai ser
- 48:54capacidade
- 48:56de entendimento, análise crítica,
- 48:58criatividade.
- 48:59Mas se a pessoa é criada
- 49:02intelectualmente pela IA,
- 49:04de onde vai vir
- 49:06a capacidade crítica,
- 49:08né?
- 49:08E a capacidade, a visão, o
- 49:10distanciamento, a capacidade de
- 49:11aprender?
- 49:12É, é como você
- 49:14tentasse jogar com uma alavanca sem ter
- 49:17um ponto de apoio, né?
- 49:18É.
- 49:19Pra alavanca funcionar, você precisa
- 49:21ter, né, ponto de apoio.
- 49:22É, e uma força do do outro lado pra te
- 49:24jogar pra cima, né? É.
- 49:27Só que
- 49:28a IA não fornece isso, né?
- 49:30É o que dizem.
- 49:32E aí pra um país
- 49:33que já não foi, já não foi, já não tem
- 49:35uma qualidade, educação de qualidade,
- 49:38é, essa oportunidade poderá ser uma
- 49:40promessa não, mais uma promessa não
- 49:41cumprida, né?
- 49:43Terminei. Pronto.
- 49:45>> Ótimo. Professor Paulo, temos aqui
- 49:46várias questões sendo trazidas pelos
- 49:49alunos. Eh, eu quero apenas, eh,
- 49:52ressaltar pra vocês
- 49:54que a gente, nós teremos aí outros
- 49:55espaços pra vocês, lá no no WE, pra
- 49:58aqueles que fazem parte do WE, né,
- 50:00participar lá também.
- 50:02Mas eu quero, fiz aqui um conjunto de,
- 50:04fui selecionando algumas questões, né?
- 50:06Algumas estão com nomes citados, outras
- 50:09estão como anônimo, mas eu vou
- 50:11fazer por grupos, né, pra algumas
- 50:13contribuições da sua parte, né?
- 50:16Eh, uma, algumas delas, né, a gente já
- 50:18esperava, que eu acho que é uma pergunta
- 50:19que todos nós queremos saber o quanto
- 50:21que a IA traz nessa questão em relação à
- 50:23ameaça, né? E caminhos, né? Então, temos
- 50:26aqui o aluno
- 50:27Como saber, entender nesse cenário qual
- 50:31o ponto de devemos contribuir
- 50:33e
- 50:34nos protegermos. Mas aí,
- 50:36eh,
- 50:37algumas questões, né, por exemplo,
- 50:39conectando aí com o que a Luísa traz,
- 50:41Luísa Tavares,
- 50:43na sua opinião, como a a IA
- 50:45o Brasil pode aproveitar seus benefícios
- 50:48sem
- 50:49prejudicar a geração de empregos e e
- 50:51ampliar as desigualdades sociais? Qual a
- 50:54relação que esses elementos,
- 50:56eh, o senhor como economista pode nos
- 50:58trazer?
- 51:01>> Olha, eu, o, os economistas e eu não sou
- 51:04tão versado no assunto, mas
- 51:06eu li alguma coisa de alguns seminários,
- 51:09ah,
- 51:10uns economistas de prêmios Nobel,
- 51:13prêmios Nobel não, tem se debruçado
- 51:15sobre esse assunto. E o que
- 51:17ah, eles conseguem fazer é sempre
- 51:19raciocinar por analogia, né?
- 51:21Tem uma referência qualquer que eles
- 51:23conhecem, né? E a referência que se usa
- 51:25normalmente
- 51:26é a do da revolução industrial,
- 51:28né?
- 51:29A revolução industrial ela substituiu a
- 51:32o
- 51:33né, o trabalho físico pelo trabalho
- 51:35mecânico,
- 51:36ah,
- 51:37depois vapor, depois petróleo, enfim.
- 51:41Então, a a produtividade do trabalho
- 51:42aumentou muito e, claro,
- 51:44né?
- 51:45Havia risco de algumas ocupações sumirem
- 51:48e de fato sumiram, não é?
- 51:50Recentemente alguém publicou
- 51:52um artigo, assim, você olha a lista de
- 51:54ocupações de início do século XX, não é?
- 51:58E a maioria delas você não sabe nem
- 52:00dizer quais são, porque desapareceram.
- 52:02E no entanto não houve desemprego, não
- 52:05ah, embora possa haver ali durante uma
- 52:07janela longa, de algumas décadas talvez,
- 52:10muita instabilidade, não é? Pela
- 52:12destruição de alguns postos de trabalho,
- 52:14criação de novos postos de trabalho,
- 52:16essa migração não é automática, não é?
- 52:18Eh, são atributos diferentes, são
- 52:20competências diferentes.
- 52:22Então, há uma instabilidade
- 52:25na versão mais otimista, não é? Se
- 52:27alguma coisa parecida com a revolução
- 52:28industrial,
- 52:29ela eu acho que tá contratada, não é?
- 52:32Porque algumas atividades vão sofrer,
- 52:36outras vão surgir, mas elas, essas
- 52:38surgem
- 52:39de
- 52:40né?
- 52:41Durante e após a crise dessas primeiras.
- 52:45Eh, então isso é inevitável. A pergunta
- 52:48é que na IA muita gente acha que
- 52:50talvez depois ainda assim
- 52:53não haja tanta
- 52:54ah, ocupação de mão de obra e isso vai
- 52:57se tornar um problema,
- 53:00essa é a versão eh, apocalíptica,
- 53:02digamos, né? Mas tem um documentário que
- 53:04eu não vi ainda, recomendo que vejam na
- 53:07na internet, que era sobre o apocalipse
- 53:11da IA, né?
- 53:12É, que em inglês eles juntam as palavras
- 53:14e fica uma
- 53:17apocalipista,
- 53:19né? Que eu consigo
- 53:21eu tinha uma visão apocalipista, mas
- 53:22entendendo melhor eu passei a ser
- 53:24otimista
- 53:25em relação à IA,
- 53:27só que mesmo quem, né, passou dessa
- 53:31preocupação para um certo otimismo,
- 53:33continua com muitas preocupações, porque
- 53:35no meio do caminho um monte de coisas
- 53:37podem dar errado, né?
- 53:39É, e lembrando que isso é uma decisão
- 53:42social, não é uma decisão só das firmas,
- 53:44não deveria ser uma decisão só das
- 53:46firmas.
- 53:47E aí quanto mais poder o estado nacional
- 53:50tiver para tentar negociar essa
- 53:53tecnologia,
- 53:55melhor, mais suave vai ser essa
- 53:57transição.
- 53:58Quanto menos poder o estado nacional
- 54:01tiver ou quiser usar,
- 54:03mais comandado pela tecnologia vai ser.
- 54:06Lembrando
- 54:08que
- 54:08é um erro falar de comandado pela
- 54:10tecnologia, porque na verdade é
- 54:12comandado pelos donos do capital,
- 54:13né?
- 54:14É.
- 54:15Não precisa ser marxista [risadas] para
- 54:16para lembrar disso, né? Tem gente que
- 54:18ganha dinheiro, então o que que
- 54:19interessa às pessoas que estão ganhando
- 54:21dinheiro?
- 54:22É, é um risco grande e as novas gerações
- 54:24têm têm motivos para estarem
- 54:26preocupadas.
- 54:27E e o
- 54:29caminho é obviamente é aprender a ser se
- 54:32assim ignorar dessas
- 54:34tecnologias e ter um plano B e um plano
- 54:36C, né?
- 54:38Até porque, como eu disse ali no livro,
- 54:40a gente tenta explorar as oportunidades
- 54:42de de emprego, que são muitas numa
- 54:45economia como a brasileira.
- 54:47O drama é que se você pegar o exemplo de
- 54:49de turismo,
- 54:50é são empregos que remuneram pouco, mas
- 54:52eles têm flexibilidade, então
- 54:55é.
- 54:56>> Sim.
- 54:56>> A ideia de uma cesta de remuneração é
- 54:58possível, né?
- 54:59>> É, a boas boa parte das perguntas até
- 55:01que chegaram recentemente, enquanto o
- 55:03professor falava, era estavam
- 55:04relacionadas a essas questões que foram
- 55:06respondidas agora. Então, mas eu quero
- 55:08trazer aqui mais ligada à gestão
- 55:10pública. A Samantha traz uma questão,
- 55:12né, e o
- 55:13Grabosch também, ah, é, um fala se a
- 55:16pergunta se a inteligência pode reduzir
- 55:18a inflação no médio prazo, como é que é
- 55:20essa relação.
- 55:21E a Samantha, ela pergunta o que o
- 55:23governo brasileiro pode fazer para
- 55:25fomentar a produção industrial
- 55:28nacional, né, dentro desse contexto de
- 55:31transformações que a gente tem passado.
- 55:34>> Olha, em tese,
- 55:37né,
- 55:38se você supuser
- 55:41que é, o que não tá longe de ser
- 55:43verdade, que essa é uma tecnologia onde
- 55:46você tem custos,
- 55:49ah, constantes,
- 55:51né,
- 55:51porque
- 55:52eu fornecer um serviço para uma pessoa,
- 55:55duas, 10 ou um milhão,
- 55:57é,
- 55:58relativamente o mesmo custo, o meu custo
- 56:00marginal não é crescente, ele é mais
- 56:02constante, a curva de custo é mais
- 56:04deitada, né, para falar na linguagem dos
- 56:06economistas,
- 56:07é, em tese, sim, porque você teria um
- 56:10barateamento de diversos
- 56:12serviços, né.
- 56:14Ah, inclusive de de produções
- 56:15industriais, na medida que a IA possa
- 56:18ajudar na na na no aumento da eficiência
- 56:20e combinada com a robotização, coisa que
- 56:23a gente não mencionou aqui, porque o
- 56:24Brasil ainda tá longe disso, mas a China
- 56:26tá
- 56:27tá trabalhando fortemente, é o país que
- 56:29mais trabalha nessa questão,
- 56:31a combinação de robotização com IA
- 56:33pode trazer ganhos industriais,
- 56:35portanto, barateamento de produtos
- 56:37industriais também.
- 56:38É,
- 56:39porém, dito isso, essa tendência só vai
- 56:42se manifestar caso, um, as empresas
- 56:46de IA sejam desafiadas a reduzir os seus
- 56:48custos, né, para os consumidores, ou
- 56:51seja,
- 56:52sejam desafiadas pela concorrência,
- 56:55coisa que elas tentam evitar,
- 56:56obviamente,
- 56:57e dois,
- 56:59caso se resolva o problema de energia.
- 57:01Isso aí é um grande ser, né,
- 57:03ser de S E, né,
- 57:05é, porque o custo da energia só sobe.
- 57:09Então, poderia ser, em tese, no longo
- 57:11prazo, uma redução do custo médio de
- 57:13produtos industriais e de produtos e de
- 57:15serviços.
- 57:16Mas no
- 57:17médio e curto prazo, no médio prazo, a
- 57:19pressão da energia
- 57:21é um fator de inflação.
- 57:23Né?
- 57:24Eh, inflação no sentido clássico, né?
- 57:27Preços, aumento generalizado de preços.
- 57:30E e a outra pergunta era sobre
- 57:34>> É, a primeira sobre sobre o governo pode
- 57:38>> Políticas, é.
- 57:40Isso. Eh,
- 57:42então, aí não sei se você tá se
- 57:44referindo à indústria de TI, né? Ou é o
- 57:46setor industrial
- 57:48clássico, né? Indústria de
- 57:50transformação. Aí na na indústria TI,
- 57:52a a receita é mais ou menos clássica, é
- 57:55formar muita mão de obra, né?
- 57:57É, tipo Índia.
- 57:58É muito engenheiro, né?
- 58:00Muito engenheiro significa que os
- 58:02engenheiros recém-formados ganham pouco.
- 58:04Você não se pode ter tudo, né?
- 58:07E e muita qualificação de mão de obra.
- 58:09O Brasil não está mal em termos de
- 58:11qualidade, embora nesse segmento em
- 58:14particular, mas
- 58:15embora tenha menos quantidade do que
- 58:17outros países.
- 58:19Ah, desenvolvimento de alguma base
- 58:21produtiva local, né?
- 58:23Tecnologia própria
- 58:24é é necessária.
- 58:27E todo todos os países estão tentando
- 58:28fazer isso. Você não pode ficar
- 58:29dependendo criticamente de fornecedor
- 58:32externo.
- 58:33Vide, por exemplo, o governo, né?
- 58:36Você imagina a indústria de defesa. Vai
- 58:38depender de algo que tá na nuvem nos
- 58:39Estados Unidos.
- 58:41Ou outro país.
- 58:42Por definição, isso é uma fragilidade
- 58:43gigantesca, né?
- 58:45Mas
- 58:46esse setor de defesa é um setor que
- 58:47deveria atrair investimentos ligados à
- 58:50IA.
- 58:51E do lado da indústria de transformação,
- 58:53esse tipo de fato tem muitas políticas,
- 58:55né? Hoje se usa o termo de
- 58:57desindustrialização, né? Eh, mas grande
- 59:00parte dessas políticas tem a ver com o
- 59:03que eu já tinha falado, ou seja,
- 59:04favorecer indústrias intensivas em
- 59:07recursos naturais.
- 59:09Ah, e aí aparece, por Por a bioeconomia,
- 59:11né? A indústria de biocombustíveis,
- 59:15a
- 59:15indústria de papel e celulose, e seus
- 59:17desdobramentos.
- 59:19Porque é onde existem vantagens
- 59:21comparativas da economia brasileira, né?
- 59:23Não são estáticas, né?
- 59:25Não é por causa de terra,
- 59:26é terra mais tecnologia. O Brasil tem
- 59:28essas duas coisas.
- 59:29E então, indústria de, como se chama? De
- 59:32minerais
- 59:34raros, né?
- 59:35Metais raros, penso que o Brasil tem
- 59:37disponibilidade, pode começar a
- 59:39processar. Mas tem várias fontes de
- 59:41crescimento
- 59:42da indústria. Não é aquela indústria
- 59:44manufatureira clássica.
- 59:46Porque essa
- 59:47tá muito difícil de vencer os chineses,
- 59:49né?
- 59:50>> Perfeito.
- 59:51Professor, eh, estamos quase chegando ao
- 59:53final. Eh, até estava pensando aqui, né,
- 59:56e refletindo. Tem um livro muito
- 59:58interessante, né? Como a inteligência
- 59:59artificial vai mudar a nossa vida nas
- 1:00:00próximas décadas. É um livro que tem 10
- 1:00:03histórias de ficção, é o 2041, né?
- 1:00:06>> Ah.
- 1:00:06>> E ele traz uma
- 1:00:07>> certo?
- 1:00:08Eu não li não, mas eu sei que é.
- 1:00:10>> É. É, muito bacana esse livro. E outra
- 1:00:12coisa, só por curiosidade, né? Enquanto
- 1:00:14o professor falava, eu já tinha esse
- 1:00:16número em cabeça, eu fui conferir aqui.
- 1:00:18O Brasil forma,
- 1:00:20eh, seis engenheiros a cada seis,
- 1:00:23100.000 habitantes por ano. A China
- 1:00:25forma 35, né? Há uma
- 1:00:28discrepância anual. A China chegou a
- 1:00:30formar 700.000 engenheiros num ano só,
- 1:00:33né? Em alguns anos atrás.
- 1:00:35Então, hoje, hoje o ritmo diminuiu, mas
- 1:00:37por outras, outras carreiras que
- 1:00:39acabaram aparecendo. Então, esse desafio
- 1:00:42de crescimento tá muito ligado
- 1:00:44à questão educacional, que foi uma das
- 1:00:46questões que trouxeram aqui para a
- 1:00:47gente, sobre a educação e a IA,
- 1:00:50Mas enfim, estamos chegando aqui ao
- 1:00:51final. Quero deixar aberto aí para as
- 1:00:53suas considerações finais. Como eu
- 1:00:55falei, os alunos do, do, do IDT, da FGV
- 1:00:58IDT, poderão discutir isso com o W, e
- 1:00:59com os seus professores, e trazer essas
- 1:01:02questões que foram colocadas no slide, e
- 1:01:05outras que tenham relação com o tema que
- 1:01:06a gente discutiu aqui hoje. Professor,
- 1:01:08pode fazer suas considerações finais,
- 1:01:10então.
- 1:01:12>> É, então, eu,
- 1:01:14ah, em termos de
- 1:01:16eh, número de postos de trabalho, né,
- 1:01:19lato sensu, assim, eh,
- 1:01:21não precisa chamar de emprego, né,
- 1:01:23porque a relação entre emprego e
- 1:01:24trabalho hoje é uma relação diferente da
- 1:01:26que já foi no passado, né?
- 1:01:28Ah, você tem que trabalhar, mas não
- 1:01:29necessariamente sobre a forma
- 1:01:31do emprego, ah, tradicional.
- 1:01:34Ah, eu, eu, no início eu tava mais
- 1:01:36pessimista em relação a isso, sabe? Eu,
- 1:01:39hoje eu tô menos, pelas razões que eu já
- 1:01:41expliquei, porque eu tenho os setores
- 1:01:44eh, capazes de absorver a força de
- 1:01:46trabalho. A força de trabalho brasileira
- 1:01:48tá em declínio, né? O que parece ser
- 1:01:51ruim
- 1:01:52do ponto de vista do crescimento,
- 1:01:54porque inclusive a gente teria que
- 1:01:55depender de aumento de produtividade,
- 1:01:57né? E não mais do aumento extensivo da,
- 1:01:59da população.
- 1:02:00Mas diminui a pressão, né? Sobre um
- 1:02:04setor produtivo que
- 1:02:06provavelmente vai gerar menos postos de
- 1:02:08trabalho no futuro.
- 1:02:09Então, você pode ter um equilíbrio num
- 1:02:11nível mais baixo, né?
- 1:02:13Que
- 1:02:14não é tão bom quanto o equilíbrio num
- 1:02:15nível mais alto, mas é um equilíbrio,
- 1:02:18né?
- 1:02:18Eh, embora seja muitas vezes um
- 1:02:20equilíbrio de renda média ou renda média
- 1:02:23baixa.
- 1:02:24Então, essa é a preocupação, como é que
- 1:02:25você rompe essa barreira, né?
- 1:02:27Ah, isso teria que vir de um, uma
- 1:02:30quantidade maior de pessoas ligadas aos
- 1:02:33setores mais dinâmicos da economia.
- 1:02:36Eh, da economia mundial é o que eu digo,
- 1:02:37né? Onde está sendo gerada a maior parte
- 1:02:39dos, dos lucros.
- 1:02:41E e esse aspecto, ah, a gente não vai
- 1:02:44ver tão cedo, né?
- 1:02:46O Brasil vai ser um grande usuário,
- 1:02:48ah, já é um grande usuário,
- 1:02:50ah, mas ele não vai ser um grande
- 1:02:52fornecedor de soluções globais
- 1:02:55de tecnologias geradoras de alta renda.
- 1:02:57Ah, é preciso mitigar isso, é preciso
- 1:02:59ter políticas para evitar que a gente
- 1:03:02fique aí numa posição, eh, muito ruim em
- 1:03:05relação a isso.
- 1:03:07>> OK.
- 1:03:07>> [limpando a garganta]
- 1:03:08>> Obrigado a todos. Uma boa noite.
- 1:03:10Obrigado, Professor Paulo. Espero que
- 1:03:12todos tenham gostado do nosso webinar.
- 1:03:15>> Obrigado, Professor Marcelo. Obrigado a
- 1:03:17todo mundo pela atenção.
- 1:03:20>> Ah.
- 1:03:26>> [música]
- 1:03:31[música]
- 1:03:48[sino]
- 1:03:53[música]
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