[UFMS Digital] Direito, Poder Judiciário e Funções Essenciais à Justiça - Módulo 1 - Unidade 2 — Transcript
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- 0:01[música]
- 0:04Olá. Eh, ainda neste módulo um, eh,
- 0:08falaremos sobre a unidade dois, em que
- 0:11apresentarei a vocês os conceitos de
- 0:14moral, ética, relação jurídica e fontes
- 0:17do direito. Chamo a atenção de vocês
- 0:21para que prestem muita atenção,
- 0:23justamente porque teremos ali logo em
- 0:26seguida as relações de checkout de
- 0:28presença. Então, essas esse essas
- 0:31atividades do checkout de presença são
- 0:34extraídas do que o professor apresenta
- 0:37para vocês aqui em sala de aula. Por
- 0:39isso, é muito importante vocês prestarem
- 0:42atenção no que está sendo discutido
- 0:45aqui. Bom, inicialmente eu quero
- 0:49apresentar a vocês toda a dinâmica desta
- 0:52unidade. A relação da moral e ética não
- 0:56é de hoje. A moral e a ética, ela faz
- 0:58parte da sociedade. Desde o seu
- 1:01primórdio de relação social, sempre se
- 1:05teve envolvimento de moral e de ética na
- 1:08sociedade. Inclusive, a nossa sociedade
- 1:11e as nossas relações se baseiam na ética
- 1:15e na moral. Então, eu tenho, né, por
- 1:18questões éticas e morais algumas
- 1:20condutas e vocês também, com muita
- 1:22certeza, também t essas condutas
- 1:25moldadas. a moral e a ética, né? As duas
- 1:29elas podem ser passadas com o decorrer
- 1:32do tempo para nós. Isso pode se dar por
- 1:35meio de compreensões familiares, né?
- 1:38Aquilo que o pai e a mãe nos ensina, que
- 1:40os avós, que os familiares nos
- 1:43apresentam. algo como o que é certo e o
- 1:46que é errado. Mas claro que a ética e a
- 1:50moral tem suas diferenças importantes
- 1:53para que a gente possa entender. Outra
- 1:56informação importante é que a ética e a
- 1:58moral elas podem variar de acordo com o
- 2:03tempo. Talvez o que era ético hoje passa
- 2:07a ser antiético. Talvez o que era moral
- 2:11há um período hoje, né, a sociedade vai
- 2:14ver como imoral. E também essas questões
- 2:17não fiquem não vão ficar relacionadas
- 2:19apenas com o tempo, mas também com
- 2:24relação ao lugar. Talvez o que eu vejo
- 2:27aqui pelos meus olhos, por aquilo que eu
- 2:30estou observando, aparentemente possa
- 2:33parecer antiético, mas talvez ao olho,
- 2:36aos olhos de outra pessoa seja ético e
- 2:39seja algo normal a se realizar. Por
- 2:42isso, temos que tomar muito cuidado. Nem
- 2:44tudo aquilo pode ser julgado como
- 2:46antiético ou como imoral por nós. Mas
- 2:49vamos lá. Também vamos ver nessa aula o
- 2:52tema fontes do direito. O que significa
- 2:55analisar as fontes do direito? Significa
- 2:58que nós analisaremos como o direito
- 3:00surge, de que forma o direito nasce,
- 3:03como se dá essa dinâmica de formação,
- 3:06como o direito se estrutura, até mesmo
- 3:09para que nos ajude a interpretar o
- 3:11direito e a norma colocada. Por isso é
- 3:14muito importante que você fique atento
- 3:17na nossa disciplina e na aula de hoje.
- 3:20Bom, o primeiro tema que quero discutir
- 3:23com vocês é o tema moral. A moral ela
- 3:27sempre esteve muito relacionada, né? e
- 3:30ela fez essa ligação entre direito e
- 3:33religião. A religião sempre fez parte
- 3:35das organizações sociais da humanidade e
- 3:39também do direito. Para muitos autores,
- 3:42né, que vão discutir a temática direito
- 3:45e religião, é preciso existir uma
- 3:48separação, porque toda vez que o direito
- 3:51e a religião se uniram para ser um só,
- 3:54na história da humanidade, nós tivemos
- 3:57registros muito tristes e muitos
- 4:00catastróficos. exemplo disso, o Tribunal
- 4:03da Santa Inquisição da Igreja Católica.
- 4:05Isso quando, né, tivemos ali uma
- 4:07organização de que aquilo que é exercido
- 4:10no direito também tem relação com a
- 4:12religião, fragmentou-se os povos e as
- 4:16organizações e todos aqueles, né, e aí
- 4:19olha só o perigo, né, todos aqueles que
- 4:21não professam a fé católica era
- 4:24considerado herege. E o here ele era
- 4:27combatido pelo Estado em algo que ficou
- 4:31conhecido na história da humanidade como
- 4:33Tribunal da Santa Inquisição. Essas
- 4:35pessoas não tinham direito a advogado,
- 4:37não tinham direito a um julgamento justo
- 4:39e nem a um processo. Elas eram
- 4:42exterminadas pela sociedade, né, por
- 4:44esse Tribunal da Santa Inquisição. Por
- 4:47isso, temos que ver com muita
- 4:48parcialidade essa relação do direito e
- 4:51religião, mas sabemos que a religião e o
- 4:55direito sempre andam e colaboram para
- 4:59uma organização social. A moral também
- 5:03ela é uma forma de instrumento de
- 5:05controle social. exemplos, né, que a
- 5:08gente vai ver no dia a dia, como nós
- 5:11fomos ensinados de que não devemos
- 5:14reclamar das coisas, né? Aquilo quando a
- 5:16mãe dá uma puxãozinha, puxou nossa
- 5:18orelhinha e fala: "Olha, você não pode
- 5:20falar que essa comida não está boa? fica
- 5:23nos controlando enquanto sociedade.
- 5:25Vamos à igreja, não podemos, né, deitar,
- 5:28não podemos inclusive sentar um
- 5:29pouquinho diferente, tem que ficar todo
- 5:31mundo muito bem sentado. Mas isso são
- 5:34formas de organização da sociedade para
- 5:37o estabelecimento de moral. talvez em
- 5:40algum determinado espaço social essas
- 5:44questões não sejam vistas com tão
- 5:47grande, né, da mesma forma como se vê em
- 5:50outro espaço. A moral também tem uma
- 5:53relação muito forte com o bem e o mal,
- 5:55com aquilo que pode ser feito de modo a
- 5:59causar o mal de alguém ou a promover o
- 6:01bem daquela pessoa. Ela também está
- 6:03ligado a isso. Então, eh, de modo moral,
- 6:06eu eu vejo, né, e isso faz parte do dia
- 6:08a dia nas relações sociais, como
- 6:11situações em que vejo a necessidade de
- 6:14não realizar aquele compromisso por
- 6:16talvez causar algum prejuízo a uma
- 6:19pessoa, por fazer o mal a ela. Então,
- 6:22talvez ali isso nos move enquanto
- 6:24sociedade a não fazer, não faço. Isso
- 6:27vai causar prejuízo a alguém ou então
- 6:29farei o mal a uma pessoa. A moral, ela é
- 6:32uma construção que busca manter as boas
- 6:36relações sociais. é aquela política da
- 6:39boa vizinhança para que a gente tenha
- 6:41ali enquanto sociedade, enquanto grupo
- 6:43social, uma boa organização. Então, agir
- 6:47de modo moral, agir pautado na
- 6:49moralidade, promovendo o bem social,
- 6:52fará com que a gente tenha boas
- 6:54relações. A moral, ela vai sofrer
- 6:57alterações e mudanças com relação ao
- 7:00tempo. Ela nunca é estática, né? E aí eu
- 7:03não posso também olhar para o passado,
- 7:05né? e julgar alguém a uma pessoa por
- 7:08conta daquela conduta, por ter feito
- 7:10aquilo e dizer: "Olha, aquela pessoa era
- 7:13imoral". Às vezes a conduta que ela
- 7:15praticou naquele tempo e naquela
- 7:17localidade
- 7:19para ele fazia sentido e parecia moral,
- 7:22porque essa é uma forma de controle, né?
- 7:25enquanto a gente vai tentar ali
- 7:26verificar se a pessoa pode ter ou não a
- 7:29conduta julgada título de moralidade ou
- 7:32de imoralidade. A títulos de exemplo, eu
- 7:34criei duas imagens, né, inteligente
- 7:36artificial para que a gente possa
- 7:38refletir sobre a questão da moralidade.
- 7:41Eh, na sua direita está aí a imagem de
- 7:44uma vaca, né, que na Índia é um ser tido
- 7:48como de alta cultura. A vaca ela não
- 7:51pode ser abatida, né? Ela é tratada como
- 7:54uma rainha, por isso que ela está
- 7:55inclusive com uma coroa, né? Na Índia, o
- 7:58animal bovino não pode ser de nenhuma
- 8:02forma, salvo raríssimas exceções, ele
- 8:04pode ser abatido.
- 8:06Já no Brasil, né? E aí, por uma questão
- 8:08moral, eles não fazem isso. Eles
- 8:11entendem que por conta da religiosidade
- 8:13o animal tem essa questão e não faz o
- 8:16abatimento da vaca, do animal bovino de
- 8:19forma alguma, salvo raríssimas exceções.
- 8:22Já aqui no Brasil, por conta da da
- 8:25própria relação que nós temos com o
- 8:27animal bovino, para nós, o nosso
- 8:29cotidiano é outro. A nossa moralidade
- 8:32com relação à vaca em especial é
- 8:34distinta do povo indiano. Para
- 8:36[limpando a garganta] nós, ela nos serve
- 8:38como um alimento. Então, o povo passa a
- 8:41se alimentar deste animal. E aqui ela
- 8:43tem outro tratamento. Do outro lado, nós
- 8:46temos ali a imagem de um semáforo, né?
- 8:50Um semáforo que se apresenta para nós
- 8:53enquanto um controle social. E me lembro
- 8:56muito bem, né, quando eu estava com um
- 8:58priminho muito pequenininho, de 5 anos
- 9:00de idade, e eu estava, né, transitando
- 9:03com ele, ele no banco de trás do carro,
- 9:04na cadeirinha, e aí o sinal ficou
- 9:07amarelo. Ele estava no verde, ficou
- 9:09amarelo e eu parei o carro. E a primeira
- 9:12coisa que ele observou enquanto uma
- 9:14criança, né, foi essa conduta de parar e
- 9:16me disse: "Mas o meu pai, ele acelera
- 9:20quando está no amarelo. Por que você
- 9:22parou?" E aí eu fui explicar ele, né?
- 9:24Olha, eh, o sinal amarelo, ele é um
- 9:28sinal de alerta, um alerta de que ele
- 9:30vai fechar o semáforo e eu não posso
- 9:33avançar, né, com ele fechado. Então, por
- 9:36ser um sinal de alerta, devo eu, pelas
- 9:39normas de boa conduta de moral do do
- 9:42Código de Trânsito Brasileiro parar o
- 9:44veículo automotor e não aumentar a
- 9:47velocidade e ultrapassar o sinal
- 9:49enquanto ele se fecha. Então, vejam só,
- 9:52são questões que nós vamos trabalhar na
- 9:55nossa sociedade, né? E aí os exemplos
- 9:57aqui são de tempo local distinto, em que
- 10:01cada pessoa vai ter uma atuação sobre
- 10:03aquela situação, mas que são filtros
- 10:06sociais, né? Talvez essa criança agora
- 10:09vai pensar de outra forma com relação a
- 10:12essa velocidade para passar um pouco
- 10:14mais o semáforo ou não. E as crianças
- 10:17tendem a ser filtros de moralidade nossa
- 10:20enquanto cidadão. Tenham certeza disso.
- 10:23No ponto ética, né? Muito importante que
- 10:26vocês saibam, talvez uma pesquisa meio
- 10:29superficial no Google que você faça, vai
- 10:32te apresentar
- 10:34eh os conceitos muito próximos da ética
- 10:37e moral. Isso se dá pelo fato de que a
- 10:41ética e a moral elas caminham juntas,
- 10:43elas sempre estão de mãos dadas na
- 10:46concretização dos seus conceitos. Mas
- 10:49vamos lá, porque tem sim algumas
- 10:51diferenças com relação à ética e à
- 10:53moral. A gente vai ver aqui o que ética.
- 10:57Agora acabamos de ver o que era o
- 10:58conceito de moral e após concretizar o
- 11:01conceito de ética, vamos então ver as
- 11:04diferenças entre eles, tá bom? Vamos lá.
- 11:07A ética, ela é uma conduta humana que
- 11:10pode se alterar no tempo, assim como a
- 11:12moral. Como nós vimos, a moral ela
- 11:15também pode se alterar no tempo, mas a
- 11:18ética, ela se constrói a partir de
- 11:20alguns elementos, como os elementos da
- 11:23ação, da intenção e da circunstância,
- 11:27ou seja, da ação. Algum sujeito, essa
- 11:30pessoa, né, esse esse essa pessoa que
- 11:33está pensando em realizar algo, ela
- 11:35precisa agir com uma conduta.
- 11:38Uma diferença muito importante, né, para
- 11:40essa ação é que às vezes as condutas
- 11:44éticas são estabelecidas, né, as
- 11:47condutas éticas e antiéticas por normas
- 11:50ou por regulamentações.
- 11:52Às vezes a própria lei estabelece o que
- 11:54é uma conduta ética e o que é uma
- 11:56conduta antiética. E aí vem as seguintes
- 11:58disposições: não pode ser feito isso,
- 12:02não pode ser feito aquilo. Caso isso
- 12:05seja feito, fere a ética de determinada
- 12:09profissão. A minha profissão de
- 12:11advogado, eu tenho um código de ética,
- 12:14né? Na verdade, eu tenho duas
- 12:15profissões. Sou advogado e sou professor
- 12:17na UFMS. Tenho tanto o código de ética
- 12:20do servidor público federal, que é uma
- 12:22lei federal, e também tem, né, que
- 12:26regulamenta a minha profissão, o código
- 12:27de ética da advocacia.
- 12:29A ação significa uma pessoa, um sujeito
- 12:33que de modo ativo, busca lesionar, ferir
- 12:37ou agir contra o conceito de ética
- 12:40estabelecido.
- 12:41Também se valora nesse elemento da ética
- 12:44a intenção, ou seja, aquela pessoa,
- 12:47aquele sujeito que sabe que aquela
- 12:50conduta não pode se realizar, assim,
- 12:53estabelece ela agindo desta forma. ele
- 12:56tem o desejo de praticar aquela conduta
- 12:59e a circunstância, que é o modo de
- 13:01manifestação
- 13:03da conduta antiética ou violadora da
- 13:06ética. As normas éticas determinam um
- 13:09agiro social e a sua vivência constitui
- 13:13fim como modo de estabelecer condutas
- 13:17sociais e como elas podem se dar e se
- 13:19interagir socialmente. Os padrões de
- 13:22éticas, né? E aí eu deixo registrado
- 13:24aqui para vocês, nos auxiliam a
- 13:26compreender o que são condutas corretas
- 13:28e o que são condutas incorretas. aqui,
- 13:32né, nós temos uma imagem estabelecida e
- 13:36e essa imagem eu gostaria que vocês
- 13:38vissem como eh alguém que está pensando,
- 13:41que olha, né, sentado ali sobre um monte
- 13:45de livros, que ao estar sentado essa
- 13:47pessoa pensa: "Devo agir desta forma,
- 13:51isso que eu vou fazer pode ou não ferir
- 13:54a ética de uma pessoa?"
- 13:56E essa pessoa, né, sobre esses livros,
- 14:00analisando essas condutas, pensa se essa
- 14:02conduta pode ou não, de certo modo,
- 14:05ferir a ética desse sujeito. E aí trago
- 14:09para vocês, né, dois exemplos de conduta
- 14:13ética em que a norma estabelece como
- 14:16deve ser o agir deste ou daquele
- 14:19profissional. O primeiro exemplo está no
- 14:23decreto lei 11171
- 14:25de 1994,
- 14:28chamado de código de ética profissional
- 14:30do servidor público federal. Lá no seu
- 14:33artigo 15, ele estabelece que é vedado
- 14:38ao servidor público, ou seja, a vedação
- 14:41é proibição. O servidor público não
- 14:44pode, a linha A, prejudicar
- 14:48deliberadamente
- 14:50a reputação de outros servidores ou de
- 14:54cidadãos que deles dependam. O que que
- 14:56isso significa? que a lei proíbe que um
- 15:00servidor público possa prejudicar a
- 15:03imagem daquela pessoa. Prejudicar a
- 15:05reputação quer dizer que eu não posso e
- 15:08fazer aquela fofoquinha do servidor, né?
- 15:12Ah, você viu que fulano de tal eh veio
- 15:15com a cara amassada hoje, né? E aí eu
- 15:17falo com outro colega. Ou então: "Ah,
- 15:19você ficou sabendo que a esposa de
- 15:21fulano de tal traiu ele". Essas
- 15:24fofoquinhas que não tem relação com o
- 15:26serviço público, né? que tem unicamente
- 15:29como única manifestação prejudicar a
- 15:32imagem do colega é proibida pelo código
- 15:35de ética. Então eu, enquanto servidor
- 15:37público, não me interessa se o meu
- 15:39colega foi ou não traído pela esposa, se
- 15:42ele saiu eh e e se embriagou, qual é o
- 15:45que ele tá fazendo da vida dele.
- 15:48Estabelece-se as normas de conduta ética
- 15:51para o servidor público. Isso não me
- 15:53interessa enquanto alguém que está no
- 15:54serviço público, né? E também precisamos
- 15:56dizer que aquilo que a pessoa, que o
- 15:58servidor público faz na casa dele, com a
- 16:00família dele, com as organizações dele,
- 16:02diz respeito a ele e não ao serviço
- 16:04público. Então, pouco interessa ao
- 16:06colega e muito menos a sua chefia. O
- 16:09segundo exemplo está na OAB, no
- 16:12estatuto, na lei 8906 de 1994,
- 16:16que diz que constitui infração
- 16:18disciplinar, ou seja, é uma conduta
- 16:22antiética. violar sem justa causa o
- 16:26sigilo profissional. O que que isso
- 16:28significa, né? O advogado, na sua
- 16:31relação cliente, relação profissional,
- 16:33cliente e advogado, ele tem o dever, ou
- 16:37seja, a obrigação
- 16:39de manter o sigilo profissional. Ou
- 16:43seja, aquela entrevista que o advogado
- 16:45faz com o seu cliente no escritório, ela
- 16:49é coberta ou está cobertada por um
- 16:51sigilo profissional. Ninguém pode saber
- 16:54desta conversa. E o advogado pelo código
- 16:57de ética da OAB, ele está proibido de
- 17:01contar aquela conversa para outra
- 17:03pessoa. Isso tem várias razões para que
- 17:06seja assim. para que o cliente possa
- 17:08acreditar no seu advogado, confiar nele
- 17:11o patrocínio da sua causa e contar tudo
- 17:15que ele, né, tudo que aconteceu de modo
- 17:18verdadeiro, sem nenhum encurtamento. E
- 17:21sabendo que esse advogado, em hipótese
- 17:23alguma, vai sair contando pra sociedade,
- 17:26pro vizinho em roda de conversa, né,
- 17:28falar: "Ó, meu cliente esteve aqui e
- 17:31contou sim que traiu a esposa, pronto,
- 17:33aí já vira uma fofoca na sociedade.
- 17:35Imaginem isso numa cidade muito pequena,
- 17:38né? O advogado que age desta forma, em
- 17:40uma cidade muito pequena, a cidade toda
- 17:42fica sabendo das condutas estabelecidas.
- 17:45Então, há uma vedação para que o cliente
- 17:47possa confiar no seu advogado e também
- 17:50esse advogado possa agir dentro das
- 17:52leis. Então, é proibido o advogado falar
- 17:56sobre as entrevistas que ele tem com os
- 17:58seus clientes, sobre pena de ferir uma
- 18:01conduta ética profissional, né? até
- 18:03mesmo porque não é interesse da
- 18:05sociedade aquilo que o meu cliente me
- 18:07contou, mas a gente sabe que às vezes
- 18:09alguns profissionais, infelizmente
- 18:11acontecem, né, e acometem dessas
- 18:13questões. E aí pensando nisso, para
- 18:17algumas situações, talvez tenhamos que,
- 18:20sim estabelecer normas e regulamentos
- 18:24para que não se tenha confusão ali entre
- 18:26as pessoas. E aí aqui vai uma diferença,
- 18:30né, para que a gente possa ver de modo
- 18:31estabelecido diferenças importantes
- 18:34sobre a ética e a moral. A ética ela
- 18:36está relacionada a valores e condutas
- 18:39sociais, né, enquanto exteriorização
- 18:42dessa conduta. Já a moral, ela é uma
- 18:45conduta que está ligado ao interno do
- 18:48sujeito, né, ao juízo dessa pessoa, ao
- 18:51que ela pensa sobre a moralidade. Eh, e
- 18:54é um pouco mais de difícil controle. já
- 18:56ética, né? A sua violação é a
- 18:58exteriorização dessa conduta, alguém que
- 19:00põe para fora essa conduta. A moral de
- 19:03um modo diferente, aquilo tá um pouco
- 19:05mais no subconsciente do sujeito. A
- 19:08ética, ela é uma reflexão, é alguém que
- 19:11pensa em algo que se faz ali naquela
- 19:15naquela ocasião. É ético eu falar sobre
- 19:18isso, né? Muitas pessoas eh a gente
- 19:21sabemos aí que no no dia a dia às vezes
- 19:23faz aqueles comentários, né? V um casal
- 19:26em que tá uma pessoa meio jovem, uma
- 19:27pessoa um pouco de mais idade, vai
- 19:29perguntar: "É sua filha?" Não, é minha
- 19:31esposa, né? Você vai pensar ali, será
- 19:33que eu devo perguntar sobre isso ou não?
- 19:35Já a moralidade, ela tem relação com a
- 19:37prática do dia a dia do sujeito e no
- 19:39exercício das condutas morais. O exemplo
- 19:43de ética, né, de violação da ética é o
- 19:46servidor público que faz a fofoca no
- 19:48trabalho, né? Aquele que faz a fofoca,
- 19:51fala de todo mundo, espalha as
- 19:53informações por aí. é uma pessoa
- 19:56antiética por ferir inclusive uma lei
- 19:58federal, sendo servidor público federal.
- 20:00E aí você precisa ver eh se a sua
- 20:03profissão tem esse conceito de ética, se
- 20:06ele está regulamentado. Pode ser que se
- 20:09dê por meio de lei, por uma resolução.
- 20:12Às vezes a própria empresa onde nós
- 20:14trabalhamos também tem as condutas
- 20:16éticas. E se você, né, que está fazendo
- 20:18o curso tecnólogo em serviço jurídico e
- 20:21vai arrumar um emprego em um escritório
- 20:23de advocacia, as normas do advogado
- 20:25também se estende a você. Então você
- 20:28também tem que agir, né, desta forma
- 20:30ética. Não pode contar para ninguém
- 20:31aquilo que você escutou no escritório,
- 20:33né, e quem tá no cartório também é a
- 20:35mesma coisa. Eh, já o exemplo de moral,
- 20:39a lei, né, que proíbe o furto é uma lei
- 20:43moral. Então eu vou pensar assim, olha,
- 20:46será por que que eu não pratico furto,
- 20:48né? Eu tenho medo de ser punido, tenho
- 20:50medo de ser encarcerado, perder o meu
- 20:51concurso público, o que te faz não
- 20:54praticar essa conduta? Então, é pensar
- 20:56sobre isso para, inclusive, né, saber
- 20:59fazer essas diferenças entre ética e
- 21:02moral. Bom, passando aqui pros nossos
- 21:06conceitos, eh, vou conversar com vocês
- 21:09sobre as fontes do direito, né? E o que
- 21:12que quer dizer fontes do direito? As
- 21:14fontes do direito são, na verdade, os
- 21:17indicativos de surgimento do direito, de
- 21:20onde elas vêm. Essas fontes, elas podem
- 21:22ser variadas, múltiplas, a depender,
- 21:25inclusive do manual que você for fazer a
- 21:28leitura, do livro que você adotar. Eh, e
- 21:31aí nós chamamos, né, o livro de modo
- 21:33mais específico em doutrina, que é uma
- 21:35das fontes do direito que vamos ver
- 21:37agora. Eh, cada uma vai dizer, vai
- 21:40trazer alguns elementos, mas eu trouxe
- 21:42aqui para vocês as que estão mais
- 21:45sedimentadas na teoria, né? aquelas que
- 21:48mais têm incidência e aquelas que estão
- 21:51tanto quanto pacificado de que elas são
- 21:53as fontes do direito e que elas sim são
- 21:56as responsáveis por trazer o direito pra
- 21:58sociedade e estruturar o direito. E são
- 22:01elas, né, a lei, o costume, a
- 22:05jurisprudência, a doutrina, a analogia,
- 22:08os princípios gerais do direito e a
- 22:10equidade. São sete fontes do direito e
- 22:14vamos ver uma para que você tenha
- 22:16conhecimento sobre elas. E aí, vamos lá.
- 22:20A lei, ela é uma forma estruturada do
- 22:23Estado de regular as relações sociais.
- 22:27Ela é uma manifestação da escola
- 22:29positivista, do direito positivista. Ou
- 22:32seja, nós entendemos a lei como aquilo
- 22:36organizado, estruturado pelo Estado. No
- 22:39Brasil, né? A lei, ela é ato do poder
- 22:41legislativo como ato típico de sua
- 22:44conduta, como manifestações normais do
- 22:46poder legislativo. Eh, e em exceções,
- 22:50né, a lei também pode vir do poder
- 22:52executivo, que de modo atípico vai
- 22:55regulamentar algumas questões. Ela
- 22:57estabelece a lei os desejos de uma
- 23:00sociedade, porque nós trabalhamos a
- 23:03seguinte dinâmica na Constituição. O
- 23:05poder, é, o poder de legislar é exercido
- 23:09pelos deputados federais e senadores na
- 23:12simetria federal, exercido com
- 23:15participação direta da população. Nós
- 23:18votamos naquelas pessoas para que elas
- 23:20criem as nossas leis. Então eu votei
- 23:23naquele determinado candidato porque ele
- 23:26tinha as pautas que mais estavam adeptas
- 23:29ao meu conhecimento. Então essa pessoa
- 23:32que eu elegi com o meu voto e que a
- 23:34sociedade elegeu com seu voto, ela que
- 23:37teve voto da maioria vai legislar e vai
- 23:40propor as leis para regular os
- 23:43interesses sociais daquele grupo e
- 23:45daquela categoria. A lei também ela é
- 23:48uma escolha política e é uma escolha
- 23:50social. né? E na nossa realidade, né,
- 23:54cotidiana do dia a dia, ela vem se
- 23:57demonstrando e se expressando como
- 24:00manifestação do povo, né? Nós tivemos aí
- 24:02ao longo da história leis que inclusive
- 24:05vão receber nomes de pessoas, né? Eh,
- 24:08lei Carolina Dickman, que é a lei que
- 24:10protege os dados dos computadores e dos
- 24:14celulares para que ninguém invada o meu
- 24:16celular ou meu computador, pegue as
- 24:18minhas fotos e divulgue na internet.
- 24:20Basta vocês consultarem aí o que
- 24:22aconteceu com a Carolina Dickman na
- 24:24época. Tivemos também, né, uma lei
- 24:26conhecida, a lei padre eh, Ancelote, que
- 24:30é a lei de que veda que as prefeituras e
- 24:32os prédios públicos construam, né, a
- 24:35arquitetura urbanística hostil, né, que
- 24:38não coloque ali ferros e apontamentos
- 24:40para as pessoas não participarem, as
- 24:42pessoas que estão em situação de rua não
- 24:45se firam ali com essas questões. Então,
- 24:49a lei ela vai se organizando conforme a
- 24:52sociedade vai se manifestando.
- 24:55Por tutelar os interesses fundamentais
- 24:57de uma sociedade,
- 24:59a lei ela vai prevalecer independente da
- 25:03vontade da pessoa. Então, eu não
- 25:05concordo com essa lei. Ah, meu querido,
- 25:08não tem muito interesse, viu? você vai
- 25:09ter que cumprir essa lei. Ah, mas ela
- 25:11não é válida ao meu juízo. Olha,
- 25:15enquanto ela estiver em vigor e em
- 25:16vigência, você terá que cumprir essa
- 25:19lei, independente de gostar dela ou não,
- 25:22você deve cumprir. E a lei, né, como já
- 25:25tinha mencionado, ela tenta regular a
- 25:29sociedade e colocar situações em que a
- 25:32gente tem ali um mínimo de tratamento de
- 25:35humanidade social para que a gente não
- 25:38extrapole. as normalidades dentro de uma
- 25:41organização coletiva, tá? A lei, né,
- 25:46para a doutrina, o Paulo Nader vai
- 25:48trabalhar que a lei ela tem, né, alguns
- 25:51caracteres ali muito importantes que são
- 25:53substanciais e formais. Os caracteres
- 25:57substanciais são aqueles que colocam a
- 26:00lei como normas jurídicas que reúne
- 26:03elementos básicos que vão dispor de modo
- 26:06generalistas, né? E, e aí, olha só, a
- 26:08lei tem que valer para todos. E pensando
- 26:11no Brasil que tem 27 estados, né, mais
- 26:15Distrito Federal e bastante organização
- 26:17de divisão espacial, olhem só, essa lei,
- 26:21ela tem que valer de norte a sul, de
- 26:22leste a oeste. Então ela tem que tratar
- 26:25de modo genérico, abstrato, tem que ter
- 26:29bilateralidade, tem que servir para duas
- 26:31pessoas ou para duas pessoas enquanto
- 26:33grupo ou então para o estado e pessoa.
- 26:36tem que ter interatividade, ou seja,
- 26:39aquela norma impõe uma conduta social e
- 26:43também essa norma terá coercitividade.
- 26:46Ela vai ser coercitiva. Se o sujeito não
- 26:49pratica, não obedece essa lei, haverá
- 26:51uma punição, né? E e o direito ele se
- 26:54organiza desta forma. Quase sempre, ao
- 26:58prever uma conduta, um modo de ação, a
- 27:01sua não realização importa em uma
- 27:04punição. [limpando a garganta]
- 27:05Por isso o direito ele sempre é
- 27:06coercitivo. O exemplo que eu dei, né, no
- 27:09módulo passado para para poder explicar
- 27:11a vocês a questão das normas
- 27:13trabalhistas, que o empregador deve
- 27:16registrar a carteira de trabalho no
- 27:18prazo de 48 horas, caso ele não faça
- 27:20isso, ele recebe uma multa
- 27:21administrativa.
- 27:23Eh, se o Ministério do Trabalho faz uma
- 27:25uma fiscalização na sua empresa e não
- 27:29encontra os registros dos funcionários,
- 27:31a anotação na carteira de trabalho, o
- 27:34empregador vai ser autuado. Então ele
- 27:36coloca a obrigatoriedade, a, né, todos,
- 27:40quem contratou alguém deve registrar a
- 27:42carteira de trabalho caso não registre.
- 27:45E aí é uma interatividade essa norma.
- 27:47Você não tem escolha. Ah, não é porque
- 27:49eu tenho um mercadinho que eu não devo
- 27:51registrar. deve igual o mercadão. E caso
- 27:54você não cumpra, a lei, ela é
- 27:56coercitiva, ela vai te punir e ela vai
- 27:58te dar uma sanção ali, caso não faça
- 28:00isso. E a sanção aí, nesse caso da não
- 28:04assinatura da carteira de trabalho, é
- 28:06uma punição administrativa de multa. E
- 28:09aí o fiscal ali do Ministério do
- 28:11Trabalho e Emprego vai fazer uma multa a
- 28:13partir de quantos funcionários ali ele
- 28:15vai ter a 123 e vai te dar uma punição.
- 28:18Também temos os caracteres formais, né?
- 28:20E e aí o que que isso significa? Os
- 28:22caracteres formais são, né, as formas
- 28:26como essa legislação é criada, né? Nós
- 28:29sabemos que no nosso estado brasileiro é
- 28:31o poder legislativo que é responsável
- 28:34pela criação das leis, além de
- 28:37fiscalizar o poder judiciário,
- 28:38fiscalizar as contas públicas, mas o
- 28:41principal papel dele, do poder
- 28:43legislativo, é criar as leis, que é um
- 28:46processo de formação regular, que está
- 28:48ligado, né, a a à publicidade da lei, a
- 28:51formação da lei e como essa lei vai
- 28:54passar a vigorar no Brasil e na
- 28:56sociedade, a publicidade dessa lei, os
- 28:58desejos da população com relação a essa
- 29:00lei. Então esse critério é muito
- 29:02importante, né? Os os caracteres
- 29:04formais, a votação, cada lei tem um
- 29:08critério de de votação, um quórum de
- 29:10aprovação, precisa de tantos deputados,
- 29:13tantos senadores para aprovar essa lei,
- 29:15passa em cada casa. Então, esses
- 29:17critérios também precisam ser observados
- 29:19na hora de construir essa lei como fonte
- 29:21do direito, porque se ela não obedecer
- 29:24os critérios, né, substanciais e
- 29:26formais, ela, essa lei não pode ser
- 29:29válida na norma jurídica. Ela
- 29:30possivelmente será declarada
- 29:32inconstitucional depois.
- 29:35O costume, né, o costume ele também é
- 29:38uma manifestação social. O costume ele
- 29:41regula a nossa sociedade, né? Nós temos
- 29:44inclusive as relações baseadas no
- 29:46costume, né? Eu lembro antigamente as
- 29:49pessoas diziam que bastava ali enrolar o
- 29:52bigode que dizia que a pessoa iria
- 29:55cumprir com aquele contrato, né? E e as
- 29:57pessoas mais antigas são muito adeptas a
- 30:00isso, né? Elas não têm conhecimento da
- 30:03lei, do direito, das publicações, das
- 30:05normas e elas pactuavam suas relações,
- 30:08né? impactuam muitas pessoas até o dia
- 30:10de hoje, baseada no costume. Olha aqui
- 30:14se faz desta forma. Eu tenho esse trato
- 30:17com os meus clientes. Contrato, assinar
- 30:20contrato, palavra de homem, não se
- 30:23duvida. Quem nunca ouviu isso, né? É
- 30:26mais ou menos isso. O costume. São
- 30:28relações sociais de desejo, de formação
- 30:31da da ordem jurídica. E o costume ele
- 30:35vem e às vezes, inclusive o costume ele
- 30:38pode agir contra a lei. A lei estabelece
- 30:41de uma forma e o costume daquela
- 30:43sociedade é de outra forma. O que que
- 30:46isso significa, tá? Eh, pode ser que em
- 30:50algumas situações nós tenhamos um
- 30:52conflito, né? Um conflito do costume com
- 30:54a lei. E aí nós vamos ter um problema. O
- 30:56que deve prevalecer? A lei imperativa
- 30:59que está regulando aquela sociedade ou o
- 31:01costume? E aí, o que você tem a me
- 31:03dizer? Bom, depende muito, tá? Depende
- 31:07muito do costume, não tem uma regra
- 31:09específica, tá? Nós temos que olhar
- 31:11critérios de proporcionalidade,
- 31:13eh, e de razoabilidade.
- 31:15Às vezes o costume, né, ali de não
- 31:17assinar um contrato. Eu sou um advogado
- 31:19numa cidade muito pequena, conheço todo
- 31:22mundo, nasci aqui nessa cidade, sou
- 31:25conhecido por todos e todas. Não tenho
- 31:28problema nenhum, nunca deixei de receber
- 31:30os meus honorários. Todos me pagam
- 31:32sempre. E eu nunca fiz contrato de
- 31:35honorário advocatício, mas sigo ali a
- 31:38tabela da OAB e fixo os meus honorários
- 31:40naquele padrão. E justamente determinada
- 31:43a pessoa, né, fulano de tal, não me
- 31:46pagou os honorários e eu preciso agora,
- 31:49né, restabelecer essa questão de ordem
- 31:51jurídica. E aí eu vou dizer: "Olha, o
- 31:53costume social aqui na minha cidade, no
- 31:55meu escritório, é de não fazer
- 31:56contrato." Eh, mas eu sei que a lei diz
- 31:59que deve se realizar o contrato, mas o
- 32:01Poder Judiciário, inclusive, vai dar
- 32:03regulamentação e guarida e proteção a
- 32:05essa relação. O costume, ele pode ser
- 32:08entendido como uma manifestação
- 32:10espontânea, social e cultural, ainda que
- 32:13de forma inconsciente, né? Por que eu
- 32:16digo ainda que de forma inconsciente? O
- 32:18Código Civil ele estabelece que o
- 32:20contrato, né, o contrato de compra e
- 32:22venda, ele precisa de parte capaz, ou
- 32:26seja, alguém maior de 18 anos, objeto
- 32:29lícito a se negociar, né? Lícito seria
- 32:32algo que não seja crime. Eh, tem que ter
- 32:36bilateralidade,
- 32:37duas pessoas e tem que ter ganho para as
- 32:42duas pessoas. Então eu vendo alguma
- 32:43coisa, recebo um valor neste produto. E
- 32:46ali se concretizou esta relação
- 32:48jurídica. Mas olha só, quem nunca pediu
- 32:52para alguma criança ali ou um
- 32:55adolescente,
- 32:56você pode ir ali no bar buscar um
- 32:58refrigerante para nós? Aí vai lá
- 33:01priminho de 14 anos de idade fazer essa
- 33:04compra. Olha só o primeiro elemento. E
- 33:06aí ele compra o refrigerante no bar.
- 33:09Quando ele passa o dinheiro para o
- 33:11comerciante e pega o refrigerante e o
- 33:13troco, naquele momento, pela lei civil,
- 33:15ele realizou um contrato de compra e
- 33:17venda, ainda que informal, não foi
- 33:19assinado nada, mas realizou-se o
- 33:21contrato de compra e venda. Ao realizar
- 33:23esse contrato de compra e venda, o
- 33:25primeiro elemento, ele não se
- 33:26concretiza. Não temos parte capaz,
- 33:29porque essa pessoa de 14 anos não é
- 33:30maior de idade, logo não poderia
- 33:32realizar essa compra. Mas de modo
- 33:34costumeiro, nós realizamos isso no
- 33:37cotidiano do dia a dia e de modo
- 33:39inconsciente, inclusive fazemos isso na
- 33:41nossa sociedade. E isso é plenamente
- 33:44aceito para uma organização social,
- 33:48certo? É preciso o uso reiterado e
- 33:51uniforme que gera certeza de
- 33:53obrigatoriedade de cumprimento naquela
- 33:56sociedade. Um dos dos grandes problemas
- 33:58que temos, né? E aí tem uma divisão
- 34:01muito grande com relação a isso, ao
- 34:02costume em especial, é com relação ao
- 34:06jogo do bicho. O jogo do bicho, ele é
- 34:09uma contravenção penal que tem uma
- 34:11punição para isso, né? Quem joga, quem
- 34:13aposta, tem uma punição. Eh, o
- 34:16apostador, né, ele também tem uma
- 34:18punição por várias razões, né, a gente
- 34:21não sabe muito bem como se decide qual é
- 34:23o bicho do dia, quem que como que o
- 34:25estado controlou aquilo, não se recolhe
- 34:27os impostos. A Caixa Econômica Federal
- 34:30na loteria paga impostos, né, quando se
- 34:32tem ali um prêmio a se entregar e o jogo
- 34:35do bicho não tem. Então nós temos ali
- 34:37uma disputa bastante problemática. E aí,
- 34:41olhem só essa questão na no interior,
- 34:44onde se tem e se joga normalmente, aqui
- 34:47na minha cidade tem ali uma banca do
- 34:49jogo do bicho. Às vezes você tá lá
- 34:51passando pela banca, passa a viatura da
- 34:53polícia militar, não faz nada, não
- 34:55prende ali o o bicheiro, como a gente
- 34:57chama, não prende quem tá apostando. E
- 35:00aí o costume mudou a lei. Como resolver
- 35:03essa questão? Pense, né? Será que a
- 35:06deixou de ser crime esse trato, né, do
- 35:10jogo do bicho pela aceitabilidade social
- 35:12e das autoridades policiais? Pense sobre
- 35:15isso. É uma questão muito importante de
- 35:17se discutir. A jurisprudência
- 35:20também é uma fonte do direito. O que é a
- 35:23jurisprudência, né? No latim ela ela foi
- 35:26chamada de prudência, né? Prudência o
- 35:29que que significa, né? É a qualidade da
- 35:31formação do jurista, do direito e das
- 35:34leis. O direito ele se organiza, né, a
- 35:37partir da interpretação dos tribunais.
- 35:39Os tribunais interpretam o direito e ao
- 35:42interpretar a lei e a norma dão uma
- 35:45sentença, fazem um julgado sobre aquela
- 35:48questão levada a conhecimento. A
- 35:51jurisprudência nada mais é do que
- 35:53reiterar das decisões de um tribunal. o
- 35:55tribunal passa a decidir daquela e
- 35:57daquela forma de modo contínuo. Isso faz
- 36:01com que a gente tenha segurança jurídica
- 36:03e saiba como aquele tribunal decide. Eu
- 36:06aposto que você sabe desse exemplo
- 36:09socialmente estabelecido,
- 36:11né? E e aí vamos lá. É comum se dizer
- 36:14por aí que a pensão alimentícia ela será
- 36:16de 30% do salário mínimo. E tem uma
- 36:19razão para isso. Os tribunais, de modo
- 36:21reiterado, em várias situações,
- 36:24decidiram que a pensão alimentícia, né,
- 36:26será fixada pelo critério da
- 36:29razoabilidade, da proporcionalidade,
- 36:32observando aquele que paga e aquele que
- 36:35recebe. Então nós temos o critério da
- 36:37necessidade, eu preciso de de pensão
- 36:39alimentícia e de da pessoa que paga. E
- 36:43aí, olha só, olhando essas questões, né,
- 36:46e aí você precisa saber quanto o pai
- 36:48recebe ou quanto a mãe recebe se a
- 36:50criança tiver com o pai e quanto que a
- 36:52criança precisa de alimentos. Tendo esse
- 36:54critério, fixa-se um valor. 30% foi um
- 36:58critério bastante utilizado para fixar a
- 37:01pensão alimentícia para aquelas pessoas
- 37:02que recebem e tm renda de um salário
- 37:04mínimo. Por isso se fala muito, né? A
- 37:06pensão alimentícia é de 30% do salário
- 37:09mínimo. E você tem que dizer: "Depende,
- 37:11porque eu preciso saber quanto a pessoa
- 37:13ganha e o quanto quem recebe vai
- 37:15precisar". Porque às vezes é uma criança
- 37:17que é doente, precisa de mais dinheiro,
- 37:19né? Se o pai ganha mais, paga mais.
- 37:22Então, vamos lá. A jurisprudência, ela
- 37:23vai nos servir para isso. A doutrina
- 37:27também outro outra fonte do direito, ela
- 37:29é uma um modo estruturado do
- 37:33conhecimento. As pessoas que pesquisam
- 37:36direito, que constróem o direito, os
- 37:38livros que a gente analisa, que
- 37:39estudamos, são doutrinas. são pessoas
- 37:42que se dedicaram a interpretar o
- 37:45direito, a interpretar as leis para
- 37:47construir uma interpretação. E
- 37:50inclusive, né, a doutrina ela nos ajuda
- 37:53bastante a inclusive entender qual é a
- 37:55dinâmica da lei, como se decidiu pela
- 37:58aquela criação da lei e como eu devo me
- 38:00comportar naqueles casos. O Paulo Nader
- 38:03diz para nós o seguinte: "A doutrina
- 38:06compõe-se de estudos e teorias
- 38:08desenvolvidos pelos juristas com
- 38:10objetivo de interpretar e sistematizar
- 38:13as normas vigentes e de conceber novos
- 38:17institutos jurídicos reclamados pelo
- 38:20momento histórico." Então, são pessoas,
- 38:23né, que vamos chamar de juristas, os
- 38:26doutrinadores, né? E aí o doutrinador
- 38:27não é no sentido de doutrinar ninguém,
- 38:29mas sim de construir uma doutrina. Então
- 38:32eu, né, que faço escrita de livros, que
- 38:35interpreto a lei e passo a discutir isso
- 38:38de modo a organizar uma ideia, estou
- 38:40elaborando uma doutrina e posso ser
- 38:42chamado de jurista.
- 38:45A analogia, que também é fonte do
- 38:47direito, ela é, na verdade, uma espécie
- 38:50de interpretação do direito. A analogia,
- 38:54ela serve como mecanismo de
- 38:56interpretação. Quando eu, por exemplo,
- 38:59tenho um caso próximo, parecido com o
- 39:02meu, mas o meu não tem uma lei que
- 39:04regulamenta, o meu falta lei. Mas o caso
- 39:07muito parecido com o meu próximo, com
- 39:09uma semelhança muito grande, foi
- 39:12resolvido desta forma. Então, de modo
- 39:15analógico, ou seja, observando o que foi
- 39:17resolvido aqui, eu trago essa resolução
- 39:21para o meu conflito, para o meu
- 39:23problema. Isso é o exercício da
- 39:25analogia. E aí o Paulo Nader vai dar uma
- 39:27explicação pra gente. Para o Paulo
- 39:29Nader, a analogia é um recurso técnico
- 39:32que consiste em se aplicar a uma
- 39:35hipótese não prevista pelo legislador a
- 39:38solução por ele apresentada uma outra
- 39:40hipótese forma fundamentadamente
- 39:43semelhante a não prevista. Então eu
- 39:44tenho que ter uma situação já resolvida
- 39:47com previsão normativa e uma sem que eu
- 39:50empresto este conceito daqui para uma
- 39:53solução deste outro caso. A analogia não
- 39:56cria norma jurídica, ela apenas auxilia
- 39:59o intérprete a compreender o direito e
- 40:02ela é permitida apenas quando nós não
- 40:06temos leis. Se a gente não tem lei, ela
- 40:08deve ser permitida.
- 40:11Os princípios gerais do direito, que
- 40:13também são fontes do direito, ele nos
- 40:15ajudam a compreender a lei, a
- 40:17compreender o sistema de formação da
- 40:19lei, auxilia [limpando a garganta] na
- 40:21elaboração dessas leis, o poder
- 40:24legislativo para elaborar as leis e
- 40:27também o juiz na interpretação dessas
- 40:29leis. Os princípios são fundamentos da
- 40:32nossa organização social e são vários os
- 40:36princípios. A maior parte deles estão
- 40:39previstas lá no artigo 5º da
- 40:41Constituição, né? E aí eu poderia dizer
- 40:43a vocês dois, né? Por exemplo, para que
- 40:46vocês saibam, é princípio geral do
- 40:48direito, o devido processo legal. É um
- 40:51princípio que estrutura o nosso sistema.
- 40:53O que isso significa? Ninguém pode
- 40:55responder um processo ou ter os seus
- 40:58bens tol Estado sem a garantia do devido
- 41:02processo legal. Então eu preciso de uma
- 41:04ação, de um processo que de fato, né,
- 41:07garanta ou não aquela relação social e
- 41:10que regule aquele aquele aquela aquela
- 41:13aquele aquele exercício de poder do
- 41:15Estado. É preciso disso para que possa
- 41:19tolher meus bens. A outra regulamentação
- 41:22de princípios gerais do direito é de que
- 41:24ninguém será considerado culpado até o
- 41:27trânsito em julgado de uma sentença
- 41:29penal condenatória. Ou seja, eu só posso
- 41:32ser considerado culpado da prática
- 41:34daquele crime depois que o meu processo
- 41:36transita em julgado. Antes disso, não
- 41:39sou culpado. Deve o Estado, a sociedade
- 41:43e as pessoas envolvidas no processo
- 41:45presumir a minha inocência. Isso está
- 41:48previsto na lei, é princípio geral do
- 41:50direito, tá? E por fim, o último item,
- 41:55né, de análise, a equidade. A equidade,
- 41:59né, na verdade ela é um mecanismo eh de
- 42:03análise do critério de justiça. Ele é
- 42:06universal e deve atender a toda a
- 42:09sociedade de um modo justo e igual. é
- 42:12também uma forma de interpretação da
- 42:13lei. É como se olhar para essa lei,
- 42:16olhar para essa norma e verificar, né,
- 42:19se essa lei ela coloca as pessoas em
- 42:22situação de desigualdade, se essas
- 42:24pessoas têm ou não desigualdade na hora
- 42:27da aplicação da lei. O que busca a
- 42:29equidade, na verdade, é estabelecer um
- 42:32critério de justiça para casos
- 42:35particulares. Então eu preciso verificar
- 42:37no caso concreto se de fato a lei
- 42:39precisa de uma correção, né, para
- 42:42garantir a igualdade entre as pessoas,
- 42:46certo? Aqui estão, pessoal, as nossas
- 42:49referências para esta aula. Todas estão
- 42:52disponíveis no Pérgamo, então você pode
- 42:54consultar todos os livros. E eu agradeço
- 42:57a vocês aqui a participação e muito
- 42:59obrigado.
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This page contains the full transcript of [UFMS Digital] Direito, Poder Judiciário e Funções Essenciais à Justiça - Módulo 1 - Unidade 2 by AGEAD UFMS, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 6,414 words across 965 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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