[UFMS Digital] Direito, Poder Judiciário e Funções Essenciais à Justiça - Módulo 1 - Unidade 1 — Transcript
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- 0:00[Música]
- 0:04Olá, eh, aqui estamos para dar início à
- 0:07nossa disciplina do direito, poder
- 0:09judiciário e funções essenciais à
- 0:11justiça. E eu estou aqui com vocês para
- 0:14que a gente possa discutir o nosso
- 0:16primeiro módulo. Esse primeiro módulo eh
- 0:19irei apresentar a todos e todas eh a
- 0:22seguinte temática: direito, sociedade e
- 0:25regulamentações.
- 0:27dentro deste módulo, né, nessa unidade
- 0:29um, que é a unidade mais importante e
- 0:33para essa videoaula, eu apresentarei as
- 0:35questões introdutórias da disciplina e
- 0:38também, né, vamos discutir aqui uma
- 0:40questão muito importante, que é a
- 0:42temática o que é o direito? O que é o
- 0:44direito? Ela para alguns, se apresenta
- 0:46como uma pergunta filosófica, mas também
- 0:49é muito discutida na retórica do dia a
- 0:51dia do direito. E após, apresentarei a
- 0:54vocês a temática do das relações de
- 0:57direito e de poder para que vocês possam
- 0:59compreender a dinâmica de funcionamento
- 1:02das normas das leis no Brasil. Bom,
- 1:05seguindo aqui, né, questões muito
- 1:08importantes. O direito como organização
- 1:11social, ele se apresenta a partir das
- 1:14manifestações do povo. O povo na
- 1:17história do direito e na história da
- 1:19humanidade sempre se manifestaram para
- 1:22que possam apresentar os seus anseios,
- 1:25seus desejos e suas vontades. Essa
- 1:28vontade do povo em construir normas e
- 1:31regulamentações
- 1:33faz com que ao longo dos anos se tenha
- 1:36uma formação jurídica do direito. É como
- 1:39o direito nasce. Eh, inicialmente na
- 1:42história da humanidade não se tinha
- 1:45regras do direito. O direito não tinha
- 1:47regra nenhuma. Com isso, eh, muitas
- 1:50pessoas, né, passavam a violar aqueles
- 1:53tratos sociais estabelecidos entre as
- 1:55pessoas. Isso foi um grande problema.
- 1:58social e histórico da humanidade, porque
- 2:01a ausência de regulamentação importava
- 2:04em muitos problemas de desacordo
- 2:07normativo, ou seja, faltava o
- 2:10cumprimento das leis, né? E fazendo um
- 2:13paralelo com o dia de hoje, é preciso
- 2:15você também saber e prestar atenção no
- 2:18dia a dia com você vive. Veja só, nós
- 2:21temos muitas leis que regulamenta
- 2:24diversas questões do nosso dia a dia e
- 2:27mesmo assim as pessoas ainda tendem a
- 2:30não cumprir essas normas. Por isso, né,
- 2:33o direito ele vai se tornando, eh,
- 2:36extremamente regulamentado na sociedade.
- 2:39Tudo isso com objetivo de regular as
- 2:42relações sociais para que a gente saiba,
- 2:45não é, o que podemos fazer, o que não
- 2:47podemos fazer e quais são os nossos
- 2:50direitos, né? E aí vale dizer, não só
- 2:53direitos, mas também nossas obrigações.
- 2:57Eh, Kante, né, em uma citação no livro
- 3:00do Paulo Nader, um livro que nós
- 3:01utilizamos aqui como base bibliográfica
- 3:04desta aula, ele diz que o direito ainda
- 3:07está à procura de uma definição para o
- 3:09seu conceito de direito. E é mais ou
- 3:12menos isso, né? Porque veremos ao
- 3:14decorrer desta dessa disciplina que o
- 3:17conceito do direito ele é transversal,
- 3:20inclusive depende muito de que escola do
- 3:23direito você é adepto. E aí eu já inicio
- 3:27nesse ponto para apresentar a vocês
- 3:31escolas que nós temos eh no direito, né,
- 3:34de modo muito simples, temos três
- 3:37grandes escolas do pensamento de
- 3:40formação do direito. são as escolas mais
- 3:42consolidadas, que é a escola do
- 3:45legalista, né, que é os aquelas pessoas
- 3:47que acreditam que o direito só vale a
- 3:50partir da lei, apenas a partir daquilo
- 3:53que está positivado. Então, para essas
- 3:55pessoas, o direito só é aquilo que está
- 3:58na norma, seja para construir a a as
- 4:01relações sociais, como também para dizer
- 4:03o que você pode e o que não pode se
- 4:05fazer no dia a dia. Nós temos também a
- 4:09escola dos idealistas, que são aqueles
- 4:12que pensam direito a partir de uma
- 4:14regulamentação, mas também aceita outras
- 4:18formas de manifestação do direito, mas
- 4:21que esse direito deve estar próximo da
- 4:23justiça. Os legalistas, né, diferente
- 4:26dos idealistas, não estão preocupados se
- 4:29esse direito será justo ou não paraa
- 4:31sociedade. Diferente disso, os
- 4:34idealistas se preocupam muito com essa
- 4:37formação de que o direito não pode ser
- 4:40apenas uma lei que não alcance a justiça
- 4:43social. Por outro lado, nós temos a
- 4:46escola mais antiga de todas, que é a
- 4:49escola dos jus naturalistas. A pessoa
- 4:52que mais aparece, né, eh, nessa história
- 4:55com direito natural é São Tomás de
- 4:57Aquino. Para São Tomás de Aquino, eh, o
- 5:00direito natural, ele nasce das relações
- 5:03entre estado, sociedade, sociedade e
- 5:06religião, religião, eh, e povo e
- 5:09comunidade. Então o direito para São
- 5:12Tomás de Aquini, para os naturalistas é
- 5:15o direito é uma manifestação do povo, é
- 5:18uma manifestação social que nasce com os
- 5:21desejos daquelas pessoas. Bom, pessoal,
- 5:24né? E temos também o direito achado na
- 5:26rua, que é uma teoria cunhada pelo
- 5:29professor José Geraldo de Souza Júnior
- 5:31da UnB. O professor José Geraldo, eh,
- 5:34para ele, o direito achado na rua é uma
- 5:37manifestação social. É como se as
- 5:40pessoas no dia a dia, nas suas
- 5:42realidades sociais, estivessem se
- 5:44organizando e se estruturando para que
- 5:48tenhamos um direito mais justo. É como
- 5:51se fosse as pessoas brigando por seus
- 5:54direitos e essas pessoas nessa luta,
- 5:56constróem o direito social daquele
- 5:59momento e daquela sociedade. ele olha
- 6:02muito para as questões das diretas já no
- 6:05final ali da ditadura militar, as
- 6:07pessoas lutando eh por por eleições
- 6:10diretas e por eleições feitas pelo povo.
- 6:13Eh, também olha para as questões
- 6:15trabalhistas em que as greves e os
- 6:17movimentos grevistas estão lá os
- 6:19trabalhadores de um lado lutando e
- 6:22inclusive colocando para aquele momento
- 6:25social a construção do seu direito. Bom,
- 6:29feito isso, eh nós temos uma imagem aqui
- 6:32que era para ser, né, a imagem do
- 6:35deputado federales Guimarães, mas por
- 6:38questões de direitos autorais não não
- 6:40podemos mencionar essa imagem aqui sem a
- 6:41autorização dele, né? E aí não é
- 6:43possível. Eu represento essa imagem aqui
- 6:46como alguém que dizo a apresentação do
- 6:49direito. Eh, no dia da promulgação da
- 6:52Constituição Federal de 1988, o deputado
- 6:55federal Ulisses Guimarães, ele faz uma
- 6:57leitura pública da apresentação da
- 7:00Constituição. E e aí nessa leitura
- 7:03pública, ele diz que essa é uma
- 7:05Constituição que expressa a vontade e o
- 7:09desejo do povo brasileiro na organização
- 7:12de uma lei, a Constituição Federal de
- 7:151988.
- 7:17E é um texto muito lindo, lido por
- 7:19Ulisses Guimarães e que vale a pena
- 7:22conhecermos, né? E aí eu recomendo a
- 7:24vocês também a leitura desta desta
- 7:26conjuntura. Essa pergunta, o que é o
- 7:29direito? É uma pergunta que tem muito,
- 7:33muita subjetividade com relação a ela,
- 7:36até mesmo porque essa pergunta, a
- 7:38depender do local, momento social que
- 7:42você a fizer, possivelmente você pode
- 7:45ter respostas distintas para o mesmo
- 7:48questionamento, né? E aí, muito
- 7:51importante, o que é o direito, talvez na
- 7:53minha percepção, possa ser distinto
- 7:56daquilo que é o direito para você.
- 7:59Então, olha só, eh, aqui quando
- 8:02pensarmos no que é o direito, né, claro
- 8:04que tem tem teremos bases para dizer
- 8:09como esse direito funciona, não é assim
- 8:11também, né? Nem tudo que qualquer pessoa
- 8:13legar poderá ser considerado direito.
- 8:16Eh, nós temos algumas balizas que vão
- 8:18nos ajudar a entender esse conceito de
- 8:22direito. O direito, né, para o Paulo
- 8:25Nader é um conjunto de normas de conduta
- 8:28social imposto coercitivamente
- 8:31pelo Estado. Ou seja, o estado pessoal,
- 8:35ele vai tentar impor a todos nós normas
- 8:38de condutas sociais para que a gente
- 8:41possa ser controlado por esse estado e
- 8:44por essas normas. Vejam bem, né? Olha as
- 8:47questões muito importantes. O Estado
- 8:49coloca para nós, enquanto limitador de
- 8:53conduta, algumas regras. Exemplo disso,
- 8:56eu não posso de forma alguma fazer o
- 9:00exercício arbitrário das próprias
- 9:03razões, sob pena de ser caracterizada
- 9:05essa conduta ao crime. O que é o
- 9:08exercício arbitrário das próprias
- 9:09razões? Essa é a conduta da pessoa que
- 9:12quer fazer a justiça por suas próprias
- 9:15mãos. Porque nós pactuamos enquanto
- 9:18sociedade de que o estado, detentor dous
- 9:22punienend, detentor do poder judiciário,
- 9:25fará a justiça. Não posso eu, então, né,
- 9:28fazer justiça com as minhas próprias
- 9:30mãos, buscar a moto na casa de uma
- 9:32pessoa, né, e ir lá cobrar essa dívida e
- 9:35levar um bem dessa casa. Não dá para
- 9:37isso ser feito. É preciso que o poder
- 9:40judiciário faça isso na minha na minha
- 9:44melhor versão, fazendo isso de fato,
- 9:46buscando essa resolução de conflito. Por
- 9:50isso, né, está dentro da interpretação
- 9:53do que é o direito a busca por justiça.
- 9:56O direito só será e se concretizará
- 10:00quando ele, naquele caso concreto,
- 10:02efetuar a justiça, pacificando aquele
- 10:06conflito social. Mas olha só, esse
- 10:09conceito de justiça, ele também vai ter
- 10:11um caráter subjetivo. Talvez o que possa
- 10:15ser justiça na minha percepção é
- 10:17injustiça na sua percepção. E nós vamos
- 10:20ter que tentar equilibrar essas questões
- 10:23para que a gente tenha um direito justo
- 10:27para a sociedade, algo que aquilo que dá
- 10:30para ser cumprido na medianidade, né?
- 10:32que nem fique muito para um lado, nem
- 10:34muito para o outro lado. Eh, esse
- 10:36direito de caráter, né, histórico e
- 10:39social, ele também tem essa perspectiva
- 10:42muito importante. É, eu preciso analisar
- 10:45o passado do direito, como esse direito
- 10:48nasceu, quais foram as regulamentações
- 10:51sociais ali inseridas na sociedade, como
- 10:55isso se deu, para que, inclusive, eu
- 10:57possa até ter a percepção do que é o
- 10:59direito enquanto manifestação social
- 11:02hoje, como foi no passado, como se deram
- 11:05essas normas, essa criação e como o
- 11:08direito está hoje. Eh, a tendência, né,
- 11:11nós do direito, é que cada vez mais as
- 11:14normas tendem a melhorar as relações
- 11:17sociais, seja, né, normas mais claras,
- 11:21normas mais objetivas e também normas
- 11:23que tragam para nós, enquanto sociedade
- 11:26e população e povo, eh, organismos
- 11:30efetivos de proteção de direitos. Esse
- 11:33direito também precisa ter qualidade,
- 11:35né? não possa ser um direito que eu não
- 11:38consiga, de certo modo, executá-lo no
- 11:40dia a dia. Eu tenho que conseguir
- 11:43executar esse direito. E essa é uma das
- 11:45questões que eu acho que é mais
- 11:47criticada, né, por todos. Todos do
- 11:50direito fazem uma crítica com relação a
- 11:52isso. Nós temos ali na Constituição
- 11:55Federal, no artigo 7º, inciso sexto, a
- 11:59seguinte disposição de que, né, e e aí
- 12:02prestem muita atenção, de que o salário
- 12:05mínimo, né, ele garantirá o direito à
- 12:08moradia, saúde, lazer, educação. E aí,
- 12:12olha só, esse grande rol de direitos,
- 12:16né, garantidos pelo salário mínimo. Nós
- 12:18sabemos muito bem que hoje o salário
- 12:20mínimo, na sua forma muito singela de
- 12:24estipulação, não dá para você cumprir um
- 12:27desses requisitos, né? Quase não dá para
- 12:29pagar o aluguel, muito menos a
- 12:30alimentação, o acesso à escola e a saúde
- 12:34e todos os outros direitos. Então, mas
- 12:36parece que a qualidade do nosso direito
- 12:39fica fragmentada naquela questão social
- 12:42e a gente precisa rever essas essas
- 12:45dinâmicas de funcionamento. Que direito
- 12:48é esse? Esse direito ele precisa
- 12:51apresentar dentro de sua formação um
- 12:55conceito de justiça. Eh, precisa estar
- 12:58ali direcionado a a pacificar os
- 13:02conflitos entre as pessoas. E nós
- 13:04sabemos isso muito bem enquanto
- 13:06organização social, de que o Estado está
- 13:09para isso, para pacificar as nossas
- 13:11relações mesmo. A lei ela tem que
- 13:13colocar uma situação em que eu, né, uma
- 13:16vez me equivocando enquanto enquanto
- 13:18ação que terei naquele momento na
- 13:20sociedade, passo ali a a resolver essa
- 13:24demanda, entendendo como justa aquela
- 13:27formação, aquela solução pro caso. Eh,
- 13:30eu tenho visto isso, né? Sou advogado e
- 13:32quando vou para as audiências, percebo
- 13:35de modo muito rotineiro que algumas
- 13:38pessoas, mesmo estando erradas e
- 13:40equivocadas com aquilo que elas fizeram,
- 13:43não conseguem entender que aquela
- 13:45conduta delas foi errada. Ela não
- 13:48consegue entender que ela está errada.
- 13:50Por isso, ela não consegue, inclusive
- 13:52resolver essa questão. E quando a gente
- 13:54tem de outro lado, né, um terceiro que é
- 13:57o estado impondo uma solução para aquele
- 14:00caso, né? E aí nós temos aqui a figura
- 14:02do juiz que dá uma sentença que obriga a
- 14:05pessoa a fazer daquela forma, a cumprir
- 14:07daquele jeito aquilo que ele deseja. nós
- 14:10teremos ali uma grande um grande
- 14:13desencontro da pacificação daquele
- 14:15conflito, porque as pessoas não
- 14:17conseguem, né, quando vem o terceiro
- 14:19impõe, cumprir efetivamente aquilo que
- 14:23foi combinado. Eh, o direito ele deve se
- 14:27formar de modo que regule todas as
- 14:30relações nossas enquanto povo e
- 14:32sociedade, sem dizer que aquilo é para
- 14:35você ou é para mim essa norma. Claro que
- 14:38a a depender da categoria em que você
- 14:41está, talvez tenhamos uma norma que
- 14:42regulamente a sua profissão, uma lei que
- 14:45vai dizer quais são os seus deveres e
- 14:47obrigações, mas de um modo muito geral,
- 14:50as normas do direito elas estabelecem
- 14:53padrões de condutas amplas em que
- 14:56qualquer pessoa estará, né, sendo
- 14:59regulada por aquela norma. exemplo
- 15:01disso, se um cidadão qualquer mata
- 15:03alguém ou rouba algo, serão aplicadas
- 15:06tais e tais penas. e nunca direcionado,
- 15:09né? Se é um cidadão X, se é um cidadão
- 15:12Y, até mesmo porque na nossa
- 15:15Constituição, o artigo 5º, eh, lá no seu
- 15:18cap, todos nós somos iguais perante a
- 15:21lei brasileira e não há distinção alguma
- 15:24entre raça, cor, sexo e nacionalidade.
- 15:28Os estrangeiros aqui no Brasil também
- 15:31têm os mesmos direitos que os nacionais,
- 15:33salvo algumas reservas previstas em lei,
- 15:36tá? E a gente vai entender isso nas
- 15:38nossas, no decorrer da nossa disciplina.
- 15:40E aí, vamos lá. Com relação ao tema
- 15:44direito e poder, prestem muita atenção,
- 15:47nós vamos ter duas classificações, né?
- 15:50essa primeira classificação como
- 15:52subjetividade, o direito como subjetivo
- 15:55e o direito como uma organização
- 15:57objetiva. O direito como uma
- 16:00manifestação subjetiva, ele nada mais é
- 16:03do que uma faculdade de exercício de
- 16:07direito. Todos nós, né, temos os nossos
- 16:10direitos que resguarda a nossa relação
- 16:12social, nos resguarda enquanto
- 16:15população, enquanto sociedade, mas
- 16:19estará a todo momento a subjetividade no
- 16:22momento do seu exercício. Ou seja, você
- 16:26escolhe se você exercita esse direito,
- 16:29né? E aí nós temos assim vários exemplos
- 16:32na lei. Eh, o que eu trouxe aqui é um
- 16:34exemplo do Código de Defesa do
- 16:36Consumidor, que traz a subjetividade
- 16:38para o sujeito. O sujeito escolhe se ele
- 16:41busca a reparação ou não do dano
- 16:43sofrido, se ele vai ou não loja pleitear
- 16:47a troca desse produto, se ele vai ou
- 16:49não, né, buscar a resolução dessa
- 16:52questão, porque é uma faculdade das
- 16:54pessoas escolherem resolver ou não esse
- 16:57litígio. E vejam só o exemplo que eu
- 17:00trouxe, né, da questão da subjetividade
- 17:03na relação de consumo, quando se adquire
- 17:06um produto durável, vamos imaginar aqui
- 17:08que eu comprei eh um carro, um carro é
- 17:12um produto durável, né? Ele vai ter um
- 17:13tempo de vida útil ali estimado em pelo
- 17:16menos uns 20 anos a gente espera, né?
- 17:19Eh, o consumidor dentro do período, né,
- 17:21de garantia desse carro. E aí, a maioria
- 17:24dos veículos automotores hoje tem aí 3,
- 17:275 anos de garantia, até alguns
- 17:29apresentam 10 anos de garantia desse
- 17:31veículo automotor. O consumidor pode
- 17:34escolher receber outro produto de igual
- 17:37qualidade, ficar com o produto
- 17:39defeituoso e pedir o abatimento do valor
- 17:42que ele pagou, né, ou restituir todo o
- 17:44valor que ele pagou caso o produto
- 17:47apresente defeito, né? Vamos imaginar
- 17:49que esse veículo que você comprou ou que
- 17:50eu comprei, ele apresente um defeito
- 17:53técnico de uso e não dá para continuar
- 17:56com esse com esse bem. Então eu posso
- 17:58escolher, né, dentre essas três opções
- 18:01que o Código de Defesa do Consumidor me
- 18:03dá, só que olha só, eu tenho que
- 18:05procurar resolver essa questão, né? Se
- 18:08eu ficar só em casa, né, chorando,
- 18:10reclamando, né, murmurando ali essa
- 18:14questão, nada vai acontecer, porque o
- 18:16estado aqui não age a meu favor. Eu, de
- 18:19modo subjetivo, tenho que escolher
- 18:22exercer ou não a faculdade desse
- 18:24direito. Então, eu devo buscar resolver
- 18:27essa questão. Olha, eh, concessionária
- 18:29aí que me vendeu esse veículo, eu quero
- 18:32um carro igual a esse que eu comprei,
- 18:34nas mesmas características, não me
- 18:36interesso mais. Eu fiquei com tanta
- 18:38raiva desse desse carro que eu não quero
- 18:40mais nem nada de vocês, eu quero meu
- 18:43dinheiro de volta. Ou às vezes a pessoa
- 18:45aceita ficar com o veículo, mas quer um
- 18:47abatimento no valor, ou seja, é
- 18:49restituído em parte aí desse bem pago,
- 18:52né? eu fico com o carro estragado e me
- 18:54paga aí um valor para eu fazer o
- 18:56conceito dele. Essas três opções estão
- 18:58garantidas em lei e é uma faculdade, né,
- 19:01do sujeito e do agente escolher ou não
- 19:04fazer esta busca por pela resolução do
- 19:08conflito. E aí de outro lado, nós temos
- 19:12o direito como uma manifestação
- 19:14objetiva. E aí, olha só, de nessa outra
- 19:18faceta, a o direito, que passa a ser um
- 19:21conjunto de normas que obriga a todos
- 19:24nós termos uma determinada conduta, agir
- 19:28desta ou daquela forma, eh, se caso não
- 19:31façamos isso, vamos incorrer em uma pena
- 19:34e uma responsabilização. Então aqui o
- 19:37estado ele passa a regular enquanto
- 19:40alguém que detém esse poder de gerir as
- 19:43nossas relações sociais, de colocar e
- 19:46estabelecer para você e para mim e para
- 19:49toda a sociedade quais são os conjuntos
- 19:52de normas para o nosso convívio social.
- 19:56E aí nós vamos ter inúmeros exemplos
- 19:58aqui, né? O exercício arbitrado das
- 20:01próprias razões é um deles. Eu não posso
- 20:03fazer justiça com as minhas próprias
- 20:06mãos. Eu tenho que acionar o poder
- 20:08judiciário para que ele resolva aquela
- 20:10ou aquele problema que eu estou sofrendo
- 20:13naquele momento. Eh, mas temos muitos
- 20:16outros, né? Eu não posso pegar nada de
- 20:18alguém, praticar o crime de furto. Eu
- 20:21não posso, né, eh, entrar em uma casa
- 20:24sem autorização da pessoa, né? tem ali a
- 20:27invasão de domicílio também como conduta
- 20:29criminosa. Então, o que eu tenho no na
- 20:32questão do direito objetivo é que na
- 20:34objetividade do direito se criam normas
- 20:38e regulamentos que tendem a nos colocar
- 20:41enquanto sociedade em um padrão de
- 20:44conduta organizado. Ou seja, nós
- 20:47agiremos desta e desta forma. E o
- 20:50direito é muito bom para isso, viu? A
- 20:52maior parte das relações sociais são
- 20:55relações sociais organizadas na
- 20:58objetividade e são inúmeros, né, as
- 21:01possibilidades e situações que se
- 21:04enquadram desta forma. Temos também uma
- 21:07situação, né, olha só, para quem
- 21:09trabalha com carteira de trabalho
- 21:11assinada, né, quem tem a CTPS aí,
- 21:14carteira de trabalho e previdência
- 21:15social assinada, quem trabalha, né, como
- 21:19empregado, no conceito de empregado lá
- 21:20do direito do trabalho e exerce, né, e é
- 21:23contratado ali por uma empresa. A
- 21:26empresa pela pelo pela CLT, pela
- 21:28consolidação das leis do trabalho, ela
- 21:31obrigatoriamente
- 21:33tem que registrar esse trabalhador em 48
- 21:35horas, sob pena de uma multa
- 21:37administrativa.
- 21:39E aí, olha só, são relações organizadas
- 21:42de modo objetivo para que obrigue o
- 21:45empregador a fazer isso, porque também,
- 21:47né, sabemos muito bem, se deixassem a a
- 21:51livre essa regulamentação, o empregador
- 21:54escolhe o dia que fará esse registro,
- 21:58possivelmente ele não faria. Então, por
- 22:01conta disso, as normas vão estabelecer e
- 22:04regulamentar como se dá essa prestação
- 22:06de trabalho, né? Outros exemplos ali da
- 22:09CLT também muito interessantes é de que
- 22:12o empregado ele tem que receber o
- 22:14salário semanalmente, quinzenalmente ou
- 22:17mensalmente. Não dá para estipular aí
- 22:19para você receber o seu salário daqui
- 22:22um ano, né, ou se meses. A gente sabe
- 22:24que todos precisam do salário com
- 22:26urgência e para ontem, né? E muitas
- 22:29vezes esse salário não dá nem para o
- 22:31mês. Mas seguindo aqui, eh, o direito e
- 22:35poder ainda, né, ele tem uma ordem
- 22:38jurídica que deve estar em harmonia, né?
- 22:41As leis, ela têm harmonias entre si. Nós
- 22:44veremos aqui que, inclusive com
- 22:47continuado das nossas dos nossos
- 22:49encontros que essas normas quando elas
- 22:52eventualmente vão apresentar algum tipo
- 22:55de conflito, nós vamos ter que pensar em
- 22:57como solucionar esse conflito dessa
- 23:00norma, de que maneira eu devo solucionar
- 23:02essa questão normativa, como isso se
- 23:05resolve, tá? E aí, olha só, as normas
- 23:08elas tendem a ter harmonia. Uma norma
- 23:12não pode ser contrária à outra, mas de
- 23:16modo excepcional pode ser que a gente
- 23:19tenha sim questões em que uma norma
- 23:22conflita com outra, uma norma vai chocar
- 23:25diretamente com essa outra norma e aí
- 23:27teremos aí um problema de desarmonia.
- 23:31Quando a desarmonia acontecer, nós vamos
- 23:34ter alguns critérios de resolução desse
- 23:37conflito, desse conflito de leis que
- 23:40podem nos apresentar. E aí nós vamos
- 23:42saber, né, vou ensinar a vocês como
- 23:45resolver essas questões de conflito de
- 23:47lei. Mas para isso é preciso que você
- 23:51saiba que tipo de conflito nós temos. se
- 23:54é uma norma que tem hierarquia maior, se
- 23:57é uma norma que tem especialidade melhor
- 24:00do que a norma geral, qual tipo de
- 24:03conflito nós temos que lidar? E aí, olha
- 24:06só, Kelsen, né, ele é um um teórico da
- 24:10teoria do direito. Ele estabelece essa
- 24:13pirâmide que nós chamamos, né, no
- 24:15direito se chama de pirâmide de Kelsin.
- 24:18O que essa pirâmide de Kelsin traz,
- 24:21disponibiliza ou disciplina essa
- 24:25pirâmide de Kelsin, ela traz, na
- 24:27verdade, uma justificação
- 24:30de hierarquia de normas para dizer qual
- 24:33a norma deve valer mais. do que a outra
- 24:36norma. Qual norma tem hierarquia
- 24:38superior àela ou aquela outra norma? E
- 24:42aí, como vocês podem ver aqui nos nossos
- 24:44slides, que já está disponível para você
- 24:47aqui no AVA, que nós temos uma
- 24:50hierarquia de leis. A Constituição
- 24:52Federal de 1988,
- 24:54ela é a nossa norma hierárquicamente
- 24:58superior a todas as outras. Então, olha
- 25:00só, o critério da hierarquia, que é o
- 25:03primeiro critério de solução de
- 25:05conflitos de lei, de leis, ela coloca o
- 25:08seguinte: vejam só, se a Constituição
- 25:11Federal é a nossa norma hierarquicamente
- 25:14superior, nenhuma norma inferior,
- 25:17nenhuma norma de valor diferente dela,
- 25:20com valor menor pode alterar a
- 25:24Constituição. Pelo contrário, os efeitos
- 25:27dela estar na hierarquia da pirâmide faz
- 25:32com que as normas inferiores estejam em
- 25:35harmonia com ela. Porque as normas
- 25:37inferiores, quando não estão em harmonia
- 25:39com a Constituição, elas são
- 25:41inconstitucionais. E aí elas que devem
- 25:44ser caçadas pelo poder judiciário. Nessa
- 25:47organização aqui da pirâmide, nós temos
- 25:50também as emendas à Constituição, que
- 25:53tem caráter abaixo a Constituição, com
- 25:55hierarquia menor que a Constituição,
- 25:58tratados e convenções internacionais. E
- 26:01aí os tratados e convenções
- 26:02internacionais, eles podem ter status de
- 26:05emenda constituição, quando aprovado por
- 26:07em dois turnos de cada casa do
- 26:09Congresso, ou seja, aprovado no Senado e
- 26:12na Câmara de Deputados Federais duas
- 26:14vezes por 2/5 do Vque, né? Então tem que
- 26:17ter maioria ali absoluta de aprovação.
- 26:20As leis federais elas têm hierarquia
- 26:23inferior a essas normas e a
- 26:25Constituição, a medida provisória também
- 26:29e os decretos do presidente da República
- 26:31também tquia
- 26:34inferior à Constituição. E aí a gente
- 26:37tem também resoluções, resoluções de
- 26:39órgãos públicos, resoluções de poder
- 26:42judiciário e de organizações que também
- 26:45tem hierarquia menor do que a própria
- 26:48Constituição. Mas o que eu quero que
- 26:50vocês tenham em mente é que quando
- 26:52observarem essa pirâmide de hierarquia,
- 26:55imaginem que essa pirâmide ela dita qual
- 27:00a norma tem mais valor dentro desta
- 27:03organização de leis e que para o
- 27:05critério da hierarquia, se uma norma que
- 27:08está no quadradinho inferior aí da
- 27:10pirâmide está contrária a uma norma que
- 27:12está no quadradinho superior, a norma do
- 27:15quadrado superior se sobrepõe à norma de
- 27:19caráter inferior. Então, prestem muito
- 27:22atenção com relação a isso. De outro
- 27:24lado, nós também temos o critério da
- 27:28especialidade. O que que é a
- 27:30especialidade? Algumas leis, elas terão
- 27:32um caráter geral e genérico, né? Exemplo
- 27:37mais clássico para nós, a lei de drogas,
- 27:40a lei 11.340 340 de 2006. Ela diz lá no
- 27:44artigo 33 que é crime transportar,
- 27:47trazer consigo, ter, portar, vender,
- 27:51expor à venda, comercializar. Traz lá um
- 27:53monte de verbos, né? Drogas. Só que ela
- 27:57não diz o que é drogas. Ela não fala,
- 27:59não dá o conceito de drogas. Para saber
- 28:02o conceito de drogas, eu tenho que
- 28:04encontrar uma resolução da Anvisa que é
- 28:08publicada periodicamente,
- 28:10porque lá nessa resolução da Anvisa, de
- 28:13modo específico, ela vai se estabelecer
- 28:17o conceito de drogas. E lá nós vamos
- 28:19ter, né, o que é droga, mas qual droga,
- 28:21né? Aí vai, vamos para um alguns
- 28:24exemplos, né? Eh, vamos paraa maconha. O
- 28:27que é a maconha no conceito desta
- 28:30resolução? A maconha é um produto
- 28:33químico que transporta e que tem as
- 28:36seguintes características: o
- 28:38tetrahidrocanabinol
- 28:39em uma proporção superior a 0,20%.
- 28:43Então isso é um parâmetro. Se eu pego,
- 28:46né, apreendo ali como um policial a
- 28:49maconha na posse de alguém, essa maconha
- 28:52ela vai para um laboratório de perícia e
- 28:54é feita a perícia nela e só haverá o
- 28:56crime de tráfico de drogas, de
- 28:58contrabando descaminho ali dessa dessa
- 29:01mercadoria droga, se constar os padrões
- 29:05estabelecidos para o conceito deste
- 29:07produto como droga. Se não tiver esse
- 29:10produto como droga caracterizado ali no
- 29:13laboratório, não há droga, né? Não é
- 29:16considerado maconha esse produto. E aí,
- 29:18olha só, então nós temos o seguinte:
- 29:21norma especial prevalece sobre norma
- 29:24geral. Então, a norma geral, ela sempre,
- 29:26né, regulamenta de modo mais amplo as
- 29:28questões e a norma especial ela vai eh
- 29:32afunilar essas interpretações e colocar
- 29:35essas interpretações para uma melhor
- 29:37solução do caso. E aí o exemplo que eu
- 29:39trouxe foi esse. A lei X, disciplina de
- 29:42modo geral a criminalização de drogas e
- 29:45a lei Z, o que são essas drogas e
- 29:48disciplinando como essa dinâmica
- 29:50funciona. No caso apresentado, a lei Z
- 29:53por ser mais específica, deve prevalecer
- 29:56sobre a lei X, no que se refere ao
- 29:59conceito do que é drogas, tá?
- 30:03Também temos uma questão muito
- 30:05importante para a solução dos conflitos
- 30:08das leis, o critério da cronologia.
- 30:12O que que isso significa, né? Eh, antes
- 30:15vai aqui uma advertência muito
- 30:17importante. A lei, ela só serve para
- 30:20regulamentar relações para o futuro e
- 30:24nunca para o passado. Então, a lei, ela
- 30:27não resolve problemas que passou, ela só
- 30:29resolve problemas do dia da sua entrada
- 30:32em vigor paraa frente. Ela nunca regula
- 30:34o passado e sim o futuro. Isso para nós,
- 30:38inclusive é uma garantia de que nós
- 30:41tenhamos, né, a liberdade no exercício
- 30:43das nossas relações. Porque imagine só
- 30:46se amanhã vem uma lei e diz que é crime
- 30:49usar camiseta verde, mas essa lei vem
- 30:52amanhã e eu não sabia disso e hoje
- 30:55estava usando uma camiseta verde. Então,
- 30:58olha só o problema que isso pode gerar
- 31:00para nós enquanto sociedade. Eu preciso
- 31:03ter antecedência, saber antes o que é
- 31:07essa conduta criminosa, que é proibido
- 31:09usar vde por qual razão, para que eu
- 31:11também possa me programar. Por isso, a
- 31:13ideia da cronologia como um critério
- 31:16importante de solução de conflitos de
- 31:19lei. A lei posterior, ou seja, a lei que
- 31:22é depois publicada prevalece sobre a lei
- 31:25anterior. Isso acontece de modo muito
- 31:28comum no direito. E nós temos leis
- 31:31antigas
- 31:33elaboradas na década de 1920, 1940
- 31:37e que estão em vigor até hoje,
- 31:39funcionando na nossa sociedade e
- 31:41regulando os nossos conflitos sociais.
- 31:44Eh, e o que que isso quer dizer, né?
- 31:46Caso venha uma nova lei que que dispõe
- 31:50da mesma matéria, a mesma discussão do
- 31:52que estava tratado em 1940,
- 31:55o critério da cronologia diz que a nova
- 31:58lei deve prevalecer substituindo a lei
- 32:02anterior. Com isso, a nova lei prevalece
- 32:05sobre a lei antiga. Exemplo disso, né? A
- 32:08lei A dispõe sobre a criminalização do
- 32:10roubo com pena de 2 a 7 anos. E vem uma
- 32:14lei nova, a lei B, e diz que o crime vai
- 32:17ser punido, né? E aí, e aí, olha só, o
- 32:20direito como manifestação social, os
- 32:22desejos da população. Pode ser que a
- 32:25população se organizou e disse: "Olha,
- 32:28com relação a esse crime de roubo, nós
- 32:31queremos penas mais duras. Nós
- 32:32entendemos como sociedade que aqui deve
- 32:34haver uma maior repressão do Estado,
- 32:37deve ter uma maior punição. O estado se
- 32:40organiza, ele se organiza e fala: "Olha,
- 32:42agora preciso punir um pouco com mais
- 32:44severidade, aumenta a pena do crime". E
- 32:47aí, vejam só, com esse aumento de pena,
- 32:49ainda que nós vamos piorar a situação da
- 32:52pessoa que pratica o crime, a partir do
- 32:55momento que essa lei entra em vigor,
- 32:57todas as pessoas que praticam o crime de
- 32:59roubo receberão apenas de 3 a 9 anos.
- 33:02Mas quem já praticou o crime de roubo
- 33:05não vai responder de três a e sim de 2 a
- 33:087 anos. Tudo bem? Seguindo aqui, o
- 33:12direito e poder, né? Olha só, questões
- 33:16ainda muito importante. Eh, o direito
- 33:19ele vai servir como mecanismo de
- 33:21proteção de todos nós, tá? mas também
- 33:25nos impõe obrigações.
- 33:27Eu diria a vocês, né, que eu trabalho
- 33:30essa dinâmica com os meus alunos, porque
- 33:32acho muito importante é de que muitos
- 33:35acham, né, principalmente que somos nós
- 33:38apenas detentores de direitos, mas temos
- 33:42ali bastante normas e regulamentos a se
- 33:45cumprir. Mas mais que isso, eu vejo as
- 33:48leis que o Estado estabelece, né, e aí
- 33:51são várias as leis em vários aspectos e
- 33:53várias condutas.
- 33:54eh em um primeiro prisma como limitador
- 33:57de poder, limitador de poder do Estado e
- 34:01também um limitador de poder para todos
- 34:03nós, para que as pessoas não abusem
- 34:07desse poder e nem que o Estado abuse
- 34:10desse poder. Voltando ali no nosso
- 34:12exemplo com relação ao aumento de pena
- 34:14que a gente acabou de ver com relação ao
- 34:17crime de roubo. Tem que haver uma
- 34:19previsibilidade desse aumento. Esse
- 34:21aumento não pode se dar de um dia pro
- 34:23outro sem que as pessoas saibam desse
- 34:25aumento de pena. sob pena de inclusive
- 34:28eu imaginar que essa punição era menor e
- 34:30ela ser maior e eu incorrer em prejuízo.
- 34:33Por isso o artigo primeiro do Código
- 34:35Penal, quando disciplina eh não se
- 34:38considerará, não será considerado crime
- 34:40sem lei anterior que o defina e não
- 34:42apena, sem prévia combinação legal, né,
- 34:45num blocado do latim chamado nula um
- 34:48crime, nula poena, sinepia,
- 34:51ou seja, sem a consciência, né, do
- 34:54legislativo de elaborar a lei e dispor
- 34:57sobre aquilo, não pode o estado regular
- 35:00aquela relação social. Nós precisamos
- 35:02enquanto sociedade, até para saber o que
- 35:04é o direito, que esse direito esteja
- 35:07regulamentado e que ele esteja regulado
- 35:09para que eu saiba, inclusive qual é o
- 35:11meu direito com relação aqui. Então,
- 35:14pensem sobre isso. Eu, né, tenho
- 35:17trabalhado com os meus alunos e
- 35:19refletido essa dinâmica de que o direito
- 35:21ele está também as normas regulamentadas
- 35:24como uma limitação de poder, seja do
- 35:27estado como também do particular.
- 35:31Eh, o direito, né, ele vai regulando as
- 35:34nossas sociedades e relações sociais, ao
- 35:37passo que, né, estabelecerá
- 35:40relações jurídicas, né, e essa relação
- 35:43jurídica, inclusive, ela pode derivar
- 35:45tanto do caráter eh interpessoal entre
- 35:49pessoas, como também as relações
- 35:51jurídicas que advém da própria lei. A
- 35:54própria lei estabelece para as partes
- 35:56relações jurídicas. Eh, eu posso
- 35:58convencionar com qualquer um de vocês eh
- 36:01uma relação jurídica, como por exemplo,
- 36:03o contrato de compra e venda, não é? Vou
- 36:05lá, adquiro um veículo, uma motocicleta
- 36:08ou um carro de um de vocês, me
- 36:10comprometo a pagar este carro, me
- 36:11comprometo ali assumir umas parcelas e
- 36:13nós estabelecemos um compromisso e uma
- 36:15relação jurídica. Mas a relação jurídica
- 36:18pessoal também pode derivar da própria
- 36:21lei. E aí um exemplo que eu trouxe aqui
- 36:24são os pais que são obrigados a prover o
- 36:26sustento do filho, né? O filho quando
- 36:28menor de idade ele tem o direito de
- 36:31receber do pai a pensão alimentícia, que
- 36:33é aquilo que nós conhecemos. Então, olha
- 36:35só, o direito estabeleceu isso, né? Ou
- 36:38seja, a pessoa nessa relação jurídica
- 36:41entre cidadão e cidadão, eu e a outra
- 36:44parte, tem o dever de pagar alimentos ao
- 36:47meu filho. É uma relação estabelecida na
- 36:49lei. Mas eu também posso criar essa
- 36:51relação quando eu, né, faço um contrato
- 36:54de compra e venda, adquiro um bem e crio
- 36:56uma relação jurídica ali entre as
- 36:59partes. Essas são as referências que a
- 37:01gente que eu utilizei aí na elaboração
- 37:03do material. Consulte. Todas elas estão
- 37:06disponíveis no Pérgamo. Basta vocês
- 37:09consultarem. Todos os livros estão de
- 37:11acesso gratuito. Agradeço vocês pelo
- 37:15tempo. Muito obrigado.
- 37:17[Música]
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