REFUTAÇÃO A ANDRE LUIZ SOBRE O CULTO ÀS RELÍQUIAS — Transcript
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- 0:00Olá, amigos, todos na paz de Cristo.
- 0:02Então, o vídeo de hoje é uma resposta ao
- 0:04professor André Luiz a respeito do tema
- 0:07das relíquias, né? Ainda nesse tema já é
- 0:10o terceiro vídeo que a gente eh vem
- 0:12produzindo aí eh diante das
- 0:14controvérsias apologéticas que surgiram
- 0:16aí nas últimas semanas. O professor
- 0:19André fez um vídeo resposta a mim, a
- 0:21minha pesquisa historiográfica usando
- 0:23Isvinsk e ele traz alguns pontos aqui
- 0:25que eu gostaria de responder nesse
- 0:27vídeo. Como de costume, vou deixar
- 0:28muitas citações na tela. Não deixem de
- 0:31paralisar o vídeo e verificar. Não vou
- 0:34ah eloc cobrar, né? Não vou fazer a
- 0:36locução literar, porque senão o vídeo
- 0:38vai ficar muito muito longo e eu desejo
- 0:41deixar esse vídeo o mais orgânico
- 0:44possível. Bom, ah, o professor André,
- 0:47ele traz, então, né, ele ele tenta ali
- 0:49responder ao meu desafio da
- 0:51apostolicidade do culto das relíquias e
- 0:54ele afirma então que isso é algo
- 0:56apostólico, né? supostamente algum apost
- 0:58algum apóstolo deixou para a igreja hã a
- 1:02prática de se venerar os restos mortais
- 1:05eh de mártires cristãos, de homens
- 1:07cristãos perdosos do eh do passado.
- 1:10>> O martírio de Policarpo é do século II,
- 1:13como dizem a maioria dos historiadores,
- 1:14como é o estado da questão na academia,
- 1:17vamos dizer assim, é a tese dominante na
- 1:19academia. Se o martírio de Policarpo ele
- 1:22é eh do final do século II, nós temos
- 1:25uma fonte falando de veneração das
- 1:27relíquias, de um bispo cristão da Ásia
- 1:30Menor, de que viveu na primeira metade
- 1:33do século II e foi discípulo direto de
- 1:37São João, teólogo. E o documento dá
- 1:39mostras que essa veneração já ocorria de
- 1:42algum modo na vida dele, né? Os fiéis de
- 1:45Esmirna, os fiéis dessa igreja da Ásia
- 1:47Menor, os seguidores de São Policarpo,
- 1:50faziam questão de encostar no corpo dele
- 1:52com ele ainda vivo. Encostar no corpo
- 1:55dele porque acreditavam que ele já
- 1:57estava permeado de toda virtude e de
- 2:00todo o bem, estava adornado de todos os
- 2:02bens por causa de sua vida virtuosa, de
- 2:05sua vida em contato com Deus. Se isso
- 2:07não é critério de apostolicidade
- 2:09suficiente, um bispo cristão da primeira
- 2:12metade do século II. Um homem que
- 2:14cresceu aos pés de um apóstolo de São
- 2:16João teólogo, um homem de imenso
- 2:19prestígio em toda a igreja primitiva,
- 2:21justamente por sua imensa santidade em
- 2:24vida, um herói da fé, um márte cristão.
- 2:27Se isso não é suficiente para um
- 2:28evangélico atestar a posticidade de uma
- 2:31crença ou de uma e de uma prática
- 2:32cristã, o que seria final? E ele traz
- 2:35então alguns autores que vão ali a
- 2:37embora que de forma elogiosa o trabalho
- 2:39de Svinevski. Isso é uma questão
- 2:41importante. O próprio professor André
- 2:42reconhece que o Svinevski é um é um é um
- 2:45acadêmico de primeira linha, mas eles
- 2:48vão principalmente atacar
- 2:50conceitualmente a obra do Svinevsk. Ou
- 2:53seja, eles vão dizer que a definição que
- 2:56o autor que eu trouxe traz de cultas
- 2:59relíquias é muito restrita. E por ser
- 3:01muito restrita, ela acaba, né, essa
- 3:03definição acaba empurrando esse culto
- 3:04para o século e que nós deveríamos então
- 3:07adotar uma definição mais ampla do que
- 3:10seria o cultas relíquias. Aí que a gente
- 3:13tem o primeiro problema, por a principal
- 3:15questão eh que diverge aqui é justamente
- 3:18do que a gente chama de poder
- 3:20taumatúrgico das relíquias. O que que é
- 3:22isso? É o poder miraculoso, né? A gente
- 3:24sabe que essas manifestações que hoje
- 3:26são muito comuns tanto no catolicismo
- 3:28romano como na ortodoxia oriental, de
- 3:30você desenterrar restos mortais, de você
- 3:33beijar, de você venerar crânios, né,
- 3:36ossos de pessoas mortas, isso tudo ele
- 3:39surge no cristianismo do século
- 3:41especialmente vinculado à ideia da
- 3:43intercessão dos santos, ou seja, a ideia
- 3:45de que os santos podem ouvir as nossas
- 3:47orações e responder às nossas orações. e
- 3:50principalmente a ideia de que essas
- 3:51relíquias, de que esses restos mortais
- 3:53retém algum poder miraculoso, que o
- 3:55contato com eles poderia trazer alguma
- 3:57cura, alguma expulsão de um demônio, por
- 4:00exemplo, a proteção de uma cidade e tudo
- 4:03isso. Então, esse poder taumatúrgico é,
- 4:06na definição do Isvinsk um elemento
- 4:08constitutivo do culto das relíquias. E
- 4:11os autores que o professor André traz,
- 4:13de alguma forma eles parecem não
- 4:15considerar o poder taumatúrgico um
- 4:18elemento constitutivo. E aí a gente tá
- 4:20nesse impasse então da definição. A
- 4:22questão é, ele é ou não um elemento
- 4:25identitário, ou seja, um elemento
- 4:26necessário pra gente dizer que nós temos
- 4:28de fato num dado momento da história
- 4:31oculta as relíquias. E aí me chama
- 4:33atenção o fato de que o professor André
- 4:35não trouxe na sua no seu vídeo nenhuma
- 4:37definição própria, né? O que que ele
- 4:39pessoalmente considera? Ele trouxe a
- 4:41opinião desses autores que tendem a
- 4:43enxergar outros elementos, como por
- 4:45exemplo, a honra especial que era que
- 4:47era prestada aos restos mortais dos
- 4:49mártires ou até mesmo a um sepultamento
- 4:52especial ou, por exemplo, a ideia de se
- 4:55comemorar ah o aniversário do martírio
- 4:58com a celebração da Eucaristia. Isso
- 5:00tudo é trazido por esses autores como
- 5:02antecedentes que já poderiam dizer que o
- 5:04culto as relíquias seria então do século
- 5:062 ou do século I. E aqui eu gostaria de
- 5:08chamar a atenção de um fator muito
- 5:09importante. Nenhum dos autores trazidos
- 5:12pelo professor André respondem ao meu
- 5:14desafio. Nenhum desses acadêmicos
- 5:16afirmam, por exemplo, que o culto às
- 5:18relíquias é algo apostólico ou que é uma
- 5:20prática legada pelos apóstolos. Muito
- 5:22pelo contrário, alguns dos autores
- 5:23trazidos por ele inclusive afirmam que o
- 5:25culto as relíquias surgiu no século I no
- 5:28século I, ou seja, não na era
- 5:29apostólica. Então, é no interessante
- 5:32assim que diante de tantas respostas
- 5:34produzidas até agora por católicos
- 5:36romanos e ortodoxos orientais, nenhum
- 5:38deles tenha conseguido sequer trazer um
- 5:41único acadêmico, um único acadêmico com
- 5:43uma respeitabilidade mínima que venha
- 5:45defender a tese que eles defendem,
- 5:47porque eles defendem que essa prática já
- 5:49remontaria aos apóstolos, inclusive
- 5:51citando a Bíblia de forma equivocada,
- 5:53mas eles não conseguem trazer
- 5:54absolutamente nenhum acadêmico, né? Isso
- 5:56é interessante. Eu acho que é digno de
- 5:58nota. Eu faria esse desafio pro
- 6:00professor André Luiz. Qual acadêmico
- 6:02respeitado que tenha produzido uma obra
- 6:05a que tenha assim revisão por pares, que
- 6:07tenha reconhecimento pelos pares, que
- 6:10afirme, por exemplo, que nós temos
- 6:12evidências da apostolicidade do culto
- 6:14das relíquias? Absolutamente nenhuma,
- 6:16meus amigos. Não há acadêmico desse
- 6:18tipo. O que esses acadêmicos, na melhor
- 6:21das hipóteses, ou seja, se a gente
- 6:22aceitar todas as premissas que foram
- 6:24colocadas no vídeo do professor André,
- 6:26na melhor das hipóteses, nós poderíamos
- 6:27dizer que você tem uma um antecedente do
- 6:30culto das relíquias no século I, né, que
- 6:32você teria ali na segunda metade do
- 6:34século I, que seria o caso do martírio
- 6:36de Policarpo. Só que isso ainda assim
- 6:38seria insuficiente para demonstrar essa
- 6:41apostolicidade.
- 6:47Então é aí que entra essa questão e a
- 6:49grande divergência tá justamente na
- 6:51questão do poder taumatúrgico. Porém,
- 6:53meus amigos, o nosso trabalho é um
- 6:54trabalho apologético. A gente tá
- 6:56respondendo a outras tradições cristãs.
- 6:59E essas tradições cristãs definem o
- 7:01culto as relíquias encapsulando como
- 7:03elemento constitutivo o poder
- 7:05miraculoso. Por exemplo, se você pegar
- 7:07no caso dos católicos romanos, o próprio
- 7:09Concílio de Trento afirma, né, ele
- 7:12condena aquelas pessoas que negavam no
- 7:13século X que as relíquias retivessem
- 7:16qualquer poder miraculoso. Quando a
- 7:18gente olha para fontes que os ortodoxos
- 7:20orientais aceitam como autoritativas,
- 7:23elas também afirmam de forma muito clara
- 7:25o poder miraculoso como um elemento
- 7:27constitutivo desse culto. O que que isso
- 7:29quer dizer? Não dá para você dizer, não
- 7:31dá para você situar num determinado
- 7:33período da história a emergência desse
- 7:35culto se você não tiver esse elemento do
- 7:38poder taumatúrgico. Você pega, por
- 7:40exemplo, no Concílio de Niceia 2, um
- 7:42concílio que aconteceu em 787, embora
- 7:45ele não lide diretamente com a questão
- 7:46do culto as relíquias, ele acaba em nas
- 7:49suas atas trazendo ali algumas
- 7:51confissões de fé. E uma confissão de fé
- 7:53de um bispo chamado Teodósio é
- 7:55extremamente interessante. Ele era um
- 7:57bispo que provavelmente ele era
- 7:58iconoclasta. E para e para ser recebido
- 8:00de volta na comunhão da igreja, ele
- 8:02precisaria fazer uma profissão de fé.
- 8:04Vejam só os elementos da profissão de fé
- 8:07que ele precisou fazer. Do mesmo modo,
- 8:10venero, honro e saúdo as relíquias dos
- 8:12santos, como daqueles que combateram por
- 8:14Cristo e que receberam dele graça para a
- 8:17cura de doenças, a cura de enfermidades
- 8:19e a expulsão de demônios, assim como a
- 8:22Igreja cristã recebeu dos santos
- 8:23apóstolos e padres até nós hoje. Ou
- 8:27seja, nós temos um bispo. E aqui, embora
- 8:30isso não seja parte da definição
- 8:32dogmática do concílio, nós temos
- 8:34claramente aqui uma evidência de que
- 8:35isso era uma profissão que se
- 8:37consideraria ortodoxa para os bispos que
- 8:39participavam daquele concílio. Nós temos
- 8:41a afirmação da veneração dos restos
- 8:43mortais e também a atribuição de um
- 8:45poder miraculoso a esses restos mortais.
- 8:48E detalhe, isso é afirmado como uma
- 8:50prática recebida pela igreja cristã dos
- 8:53apóstolos, dos apóstolos e dos padres da
- 8:55igreja até hoje. Então, quando a gente
- 8:58olha fontes como essa e elas são
- 9:00repetidas a exaustão em outras fontes,
- 9:02por exemplo, que os ortodoxos orientais
- 9:04consideram autoritativas, você tem o
- 9:06caso, por exemplo, de São João da
- 9:08Maceno. João Damaceno foi um grande
- 9:10defensor da do culto, né, da da
- 9:12veneração das imagens. E ele igualmente
- 9:14defendeu o culto as relíquias como uma
- 9:16tradição apostólica. Ele diz o seguinte
- 9:18em sua exposição exata da fé ortodoxa:
- 9:20"O Senhor Cristo tornou para nós as
- 9:23relíquias dos santos fontes de
- 9:24salvação." Aqui não tá falando nem de
- 9:26uma bênção, né? Já tá falando de uma
- 9:28fonte de salvação, das quais fluem
- 9:30múltiplos benefícios e que transbordam
- 9:32óleo de doce fragrância. E ninguém deixe
- 9:35de acreditar nisso, né? E aí ele explica
- 9:38depois na mesma obra que benefícios
- 9:39seriam esses. Pois como poderia um corpo
- 9:43morto operar milagres? Como portanto por
- 9:45meio deles os demônios são expulsos? As
- 9:47doenças dissipadas, os enfermos curados,
- 9:50os cegos restaurados à visão, os
- 9:52leprosos purificados, as tentações e
- 9:54dificuldades vencidas? E como todo bom
- 9:56domuzes, desce por meio deles aqueles
- 9:59que oram com fé segura. Então assim,
- 10:01para João Damaceno, que é considerado um
- 10:02pai da igreja, um santo pela ortodoxia
- 10:04oriental, claramente era um elemento
- 10:07essencial desse culto, dessa veneração
- 10:09às relíquias, esse poder miraculoso para
- 10:12operar curas de doenças, né, expulsão de
- 10:14demônios e tantas outras. Quando você
- 10:17olha outros textos, né, da tradição
- 10:19ortodoxa oriental, como o Catecismo de
- 10:21Filareto de Moscou, nós temos a mesma
- 10:23coisa, né, a afirmação clara também
- 10:25desse poder miraculoso. Você tem outros
- 10:28documentos também que eu vou deixar na
- 10:29tela, como por exemplo, o Catecismo
- 10:30contemporâneo da Igreja Ortodoxa na
- 10:32América, né? você tem também, ah,
- 10:34documentos da igreja ortodoxa grega
- 10:37também, ou seja, todos esses documentos,
- 10:39outros documentos litúrgicos também da
- 10:41ortodoxia grega afirmam claramente esse
- 10:44elemento. Então, assim, como nós estamos
- 10:46aqui numa disputa apologética e eu estou
- 10:49tentando demonstrar que o que os
- 10:50ortodoxos orientais e católicos romanos
- 10:52praticam não é, né, não tem
- 10:55apostolicidade, não tem uma
- 10:56historicidade antiga, a meu ver, fica
- 10:58muito difícil aqui você afirmar que esse
- 11:00elemento taumatúrgico não pode ser
- 11:02considerado. Um outro ponto que eu trago
- 11:04também à discussão é que existe uma
- 11:06incoerência no argumento do professor
- 11:08André. Por quê? Ao mesmo tempo que ele
- 11:10traz esses acadêmicos que dispensam o
- 11:13poder miraculoso como necessário para
- 11:15demonstrar a antiguidade desse culto,
- 11:17quando o professor André e outros
- 11:19defensores desse culto apelam as
- 11:21escrituras, o que que eles fazem? Eles
- 11:23apelam a exemplos que trazem justamente
- 11:25qual elemento? O elemento taumatúrgico.
- 11:28Por exemplo, quando eles usam os textos
- 11:30de Eliseu ou então eles usam os textos
- 11:32neotestamentários de Paulo, né, de
- 11:34Pedro, de Jesus. O que que você tem
- 11:36nesses textos? Qual é o elemento que
- 11:38está sendo que poderia, né, supostamente
- 11:40estaria sendo demonstrado ali? É
- 11:42justamente restos mortais ou pertences
- 11:45de homens dignos e piedosos do passado
- 11:48sendo utilizados por Deus para operar
- 11:50milagres. Então, se o elemento
- 11:52taumatúrgico não é um elemento
- 11:54essencial, ele não é um elemento
- 11:55necessário para demonstrar a antiguidade
- 11:58histórica desse culto, por que então
- 11:59essas passagens que são usadas seriam
- 12:02justamente as passagens que demonstram
- 12:03esse elemento taumatúrgico. Então, a meu
- 12:06ver, eu acho que a tese do Svinevski, a
- 12:08disputa conceitual, o Svinevski tem
- 12:10razão no seguinte sentido. se você não
- 12:13consegue demonstrar esse poder
- 12:14miraculoso e todas as práticas que
- 12:17acabaram sendo associadas ao poder
- 12:18miraculoso, ou seja, desenterrar os
- 12:21restos mortais, colocá-los em
- 12:22relicários, fazer procissões,
- 12:25consagrarem, consagrarem igrejas com
- 12:27essas relíquias, se isso não consegue
- 12:29ser demonstrado, na melhor das
- 12:30hipóteses, o que você tem é um
- 12:32antecedente. Você poderia dizer até
- 12:34mesmo que você tem uma condição
- 12:36necessária anterior para que esse culto
- 12:38se desenvolvesse, mas você não pode
- 12:40afirmar que você tem o culto
- 12:42propriamente dito.
- 12:44Lembrando também que o professor André,
- 12:46ele parece pressupor que a tese do
- 12:49Isvinsk foi uma tese confrontada pela
- 12:52maioria dos acadêmicos, mas isso não é
- 12:54verdade.
- 13:09Uma outra crítica também que é feita ao
- 13:12à obra do Isvinsk é justamente o fato a
- 13:16alegação de que ele estaria usando um
- 13:17argumento do silêncio frágil. Porém, eu
- 13:20acredito que isso não faz ju ao nosso
- 13:22autor. Por quê? O que ele demonstra não
- 13:24é simplesmente o fato de o martírio de
- 13:26Policarpo não trazer qualquer atribuição
- 13:29de poder miraculoso. Inclusive um dos
- 13:30autores trazidos pelo professor André
- 13:33reconhece isso, né? Ele reconhece que de
- 13:34fato não há atribuição de um poder
- 13:36miraculoso aos restos mortais. O
- 13:38problema é que nós temos dezenas de
- 13:41relatos de martírios que são dos
- 13:43primeiros séculos, ou seja, dos séculos
- 13:45dois e tr ali. Em nenhum desses relatos
- 13:47nós temos esse elemento. Inclusive ele
- 13:50traz, por exemplo, vou deixar aqui a
- 13:51estação na tela, o testemunho de Eusébio
- 13:53de Cesareé. Eusébio de Cesaré, o
- 13:55historiador da igreja que escreveu no
- 13:57início do século ele traz uma série de
- 13:59relatos de de relatos de martírios e
- 14:01nenhum desses relatos nós temos o
- 14:04elemento taumatúrgico, né? Então não é
- 14:06simplesmente uma evidência. é um
- 14:08conjunto de evidências. Nós temos aqui
- 14:10uma confluência de evidências onde não
- 14:13se não se apresenta uma evidência que
- 14:16seria esperada. Então, cabe aqui também
- 14:19uma cautela metodológica. argumentos do
- 14:21silêncio podem ser falaciosos ou não. Na
- 14:23historiografia moderna, historiadores
- 14:26usam bastante argumentos do silêncio.
- 14:28Isso tudo vai depender da expectativa de
- 14:30aquela evidência surgir naquele
- 14:32contexto. Então, o que vai determinar se
- 14:34o argumento é não falacioso é justamente
- 14:36o contexto. Se nós estamos falando de um
- 14:38contexto em que a evidência seria
- 14:41esperada, em que a apresentação daquela
- 14:43prática ou daquele fato ou daquela ideia
- 14:45seria esperado, então nós podemos
- 14:47afirmar que há sim uma plausibilidade
- 14:49para afirmar que não há a prática.
- 14:51Quando nós observamos, por exemplo, os
- 14:53relatos do século I, do século I, embora
- 14:56você tenha sim, isso é um dos elementos
- 14:58que o professor André traz no seu vídeo,
- 15:00uma prática especial, uma honra especial
- 15:02sendo prestada aos corpos desses
- 15:04mártires, nós não encontramos nenhuma
- 15:07evidência em controvérsia nesses vários
- 15:09relatos de qualquer atribuição de poder
- 15:11miraculoso. Quando você vai para a
- 15:13segunda metade do século a lógica se
- 15:16inverte. Você tem uma série de relatos
- 15:19em abundância que começam ali mais ou
- 15:20menos no ano 360 com relatos de Hilário
- 15:23de Pois, de pessoas desenterrando esses
- 15:26restos mortais, atribuindo a eles todo
- 15:28tipo de poder miraculoso. Então existe
- 15:31obviamente aqui uma descontinuidade na
- 15:33tradição, meus amigos, né? Não é apenas
- 15:35uma evidência isolada, mas é um conjunto
- 15:37de evidências. E diante desta ausência
- 15:40neste conjunto de evidências, nós
- 15:42podemos afirmar sim que a posição mais
- 15:44plausível é de que esta prática que
- 15:46começou a se popularizar na segunda
- 15:48metade do século 4, ela não é uma
- 15:50prática que remonta as eras mais antigas
- 15:52da igreja. É importante a gente lembrar
- 15:54também que mesmo dentro do século
- 15:56né, alguns católicos, o professor André
- 15:58também traz uma alusão a esse fato, né,
- 16:00o fato de o cristianismo ter se tornado
- 16:02uma religião tolerada somente no começo
- 16:04do século Mas mesmo na primeira metade
- 16:07do século
- 16:08né, nós temos ali algumas décadas em que
- 16:09o cristianismo já era uma religião
- 16:11tolerada e ainda assim nós não temos as
- 16:13práticas, né, do desenterro, essas
- 16:15práticas massivas de desenterro e
- 16:18atribuição de poder miraculoso, né? Isso
- 16:20também é difícil de explicar se você já
- 16:23tivesse uma prática apostólica, né, do
- 16:25século Io, se a gente já tivesse ali
- 16:27praticamente 300 anos de prática
- 16:30consistente e sistemática e nós
- 16:32simplesmente não encontramos nenhuma
- 16:33evidência dessa prática. Então assim, a
- 16:35meu ver, o ponto mais frágil da
- 16:37argumentação do professor André e é um é
- 16:40um elemento que ele tem o ônus de
- 16:41provar, inclusive se tudo que nós
- 16:44tivéssemos fosse um frágil argumento do
- 16:45silêncio, o que eu acredito que não seja
- 16:47o caso, ainda assim o ônus da prova está
- 16:50com os católicos romanos e com os
- 16:51ortodoxos orientais, eles precisam sim
- 16:53necessariamente demonstrar o poder
- 16:56miraculoso nessas fontes mais antigas. E
- 16:58nenhum dos textos que o professor André
- 17:00trouxe simplesmente consegue arcar com
- 17:02esse ônus da prova. É por isso que, por
- 17:04exemplo, quando os católicos romanos e
- 17:06ortodoxos trazem as supostas evidências
- 17:08bíblicas, como o caso, por exemplo, do
- 17:10relato de Eliseu, eu acredito que isso é
- 17:12um verdadeiro tiro no pé, porque se de
- 17:14fato o relato de Eliseu teria sido o
- 17:17ponto de ignição para um culto das
- 17:18relíquias, lembrando que o relato de
- 17:21Eliseu acontece séculos antes de Cristo,
- 17:23por que que não temos nenhuma evidência
- 17:25arqueológica do judaísmo do segundo
- 17:27tempo, do judaísmo do tempo de Jesus ou
- 17:30do judaísmo mais antigo? alguma
- 17:32evidência arqueológica ou textual
- 17:34incontroversa, afirmando, por exemplo,
- 17:36que os restos mortais de Eliseu passaram
- 17:38a ser venerados ou afirmando, por
- 17:40exemplo, que pessoas passaram a procurar
- 17:42contato com esses restos mortais. Nós
- 17:44simplesmente não temos nenhuma evidência
- 17:46disso, né? Quando a gente olha inclusive
- 17:48paraa lei do Antigo Testamento, isso era
- 17:50algo muito improvável de aparecer. E a
- 17:52explicação é que você tinha leis de
- 17:54impureza ritual dos corpos eh de
- 17:57pessoas, dos restos mortais dessas
- 17:59pessoas, né? os judeus eles teriam sim
- 18:00um preconceito em ter contato com esses
- 18:03restos mortais. O professor André também
- 18:05apela aos textos do Novo Testamento. Ele
- 18:07inclusive diz que esses textos
- 18:09claramente demonstram a prática do culto
- 18:11das relíquias, mas eu discordo de forma
- 18:13vemente. Veja bem, no vídeo que o
- 18:16professor responde, de fato, eu poderia
- 18:18ter explorado melhor esse argumento que
- 18:19eu só explorei no segundo vídeo em
- 18:21resposta a um dos irmãos pau taus. Mas
- 18:23nem como uma descrição, nem como uma
- 18:26descrição nós temos o culto, as
- 18:27relíquias novo ou no Antigo Testamento.
- 18:29O que nós temos no Novo e no Antigo
- 18:31Testamento é apenas a descrição de Deus
- 18:34extraordinariamente usando pertences ou
- 18:37restos mortais, no caso de Eliseu, para
- 18:39operar milagres. Mas existem uma série
- 18:41de saltos, né, uma série de premissas
- 18:43que os católicos romanos e ortodoxos
- 18:45orientais precisam demonstrar para
- 18:47referendar o culto. Por quê? Não temos
- 18:49no Novo Testamento, por exemplo, uma
- 18:51descrição das pessoas guardando esses
- 18:53restos mortais ou atribuindo poder
- 18:55miraculoso a eles. Se, de fato, foi o
- 18:57que eu disse no vídeo anterior, que eu
- 18:59acredito que quando o professor André
- 19:01fez essa resposta, ele ainda não tinha
- 19:02tido acesso. Se de fato nós tivéssemos
- 19:05aqui uma prática de pessoas, por
- 19:08exemplo, guardando os lenços e os
- 19:09aventais de Paulo e passando a venerar
- 19:12esses lenços e aventais e atribuir a
- 19:14eles qualquer poder miraculoso e esta
- 19:16prática sendo descrita por um autor
- 19:18bíblico como positiva, aí sim eu diria
- 19:21que você tem um argumento descritivo que
- 19:23de fato poderia ser usado sem ser
- 19:25falacioso pelos proponentes desse culto.
- 19:28Mas nós não temos nada disso. Nós temos,
- 19:30na verdade, uma série de salto lógico,
- 19:32uma série de saltos lógicos. a começar,
- 19:34por exemplo, pelo fato da dignidade
- 19:36dessas pessoas. Eliseu era um profeta.
- 19:38Paulo, Pedro, apóstolos. Jesus era o
- 19:40próprio Deus encarnado. Você
- 19:42simplesmente transferir para santos e
- 19:44mártires o que era atribuído a esses
- 19:45homens que ocupam uma dignidade
- 19:47especial, simplesmente precisa ser
- 19:49demonstrado, né? Além disso, não existe
- 19:51a descrição do culto em si, né? Porque o
- 19:54culto que que foi praticado, se você
- 19:56pegar, por exemplo, mesmo a versão mais
- 19:58minimalista, né? mesmo a evidência mais
- 20:00minimalista trazendo que é trazida na
- 20:03obra é o martírio de Policarpo, nós não
- 20:05temos nada parecido com aquilo sendo
- 20:07referendado em textos bíblicos, em
- 20:09textos apostólicos. Nós não temos
- 20:11evidências, por exemplo, de Jesus e os
- 20:13apóstolos a a normatizando nenhuma
- 20:16prática que se pareça com o martírio de
- 20:18policarpo. E eu queria chamar a atenção
- 20:20para um outro fato aqui, quando se usa o
- 20:23martírio de policarpo, né? Um argumento
- 20:25que alguns comentaristas fizeram no meu
- 20:26último vídeo e também um argumento que o
- 20:28professor André faz é que Policarpo
- 20:30seria discípulo de João. Logo, o que se
- 20:33estava praticando ali no martírio de
- 20:35Policarpo seria uma tradição apostólica,
- 20:37provavelmente herdada, do apóstolo João.
- 20:40Só que nós temos uma série de problemas.
- 20:42A começar, o Martírio de Policarpo, meus
- 20:44amigos, não é uma obra escrita pelo
- 20:47próprio Policarpo. Na verdade, é uma
- 20:49obra escrita pela igreja de Policarpo,
- 20:51pela comunidade de Smirna. Além disso, a
- 20:54prática que é descrita nos capítulos 17
- 20:57e 18 dessa obra, em nenhum momento o
- 20:59autor sabe-se lá quem, né, quem tenha
- 21:02sido. Nós não conhecemos exatamente a a
- 21:05nós não temos dados biográficos
- 21:06detalhados sobre o autor dessa obra, em
- 21:09nenhum momento ele ele reivindica ser
- 21:11uma tradição apostólica. Então, veja que
- 21:13o mesmo o argumento que os católicos e
- 21:15ortodoxos fazem aqui, ele não encontra
- 21:18substância nem no próprio texto que eles
- 21:20estão usando, né? Você não pode supor
- 21:22que simplesmente porque uma prática foi
- 21:25descrita por uma igreja da segunda
- 21:26metade do século I, que isso
- 21:28necessariamente é apostólico. Se o texto
- 21:31dissesse que ao guardar os restos
- 21:33mortais de Policarpo, ao comemorar o
- 21:35aniversário do seu martírio, eles
- 21:37estavam seguindo uma prática que foi
- 21:39normatizada, que foi comandada por um
- 21:41apóstolo. Aí sim você poderia até dizer
- 21:43que você tem um argumento aqui do
- 21:45martírio de Policarpo, mas nem isso nós
- 21:47temos. Inclusive, eu queria chamar a
- 21:49atenção para como ortodoxos orientais e
- 21:52católicos romanos, eles são muito
- 21:54arbitrários na régua que eles
- 21:55estabelecem para evidência. Por exemplo,
- 21:59você tem um texto de Irineu de Lon em
- 22:02que ele atribui a uma tradição
- 22:03apostólica, e aqui sim, nós temos uma
- 22:05atribuição explícita à tradição
- 22:07apostólica, a idade da crucifix de
- 22:10Jesus, né? Irineu de Leon tinha aquela
- 22:12teologia da recapitulação e ele entendia
- 22:15que Jesus foi crucificado já velho, né?
- 22:17Que quando Jesus foi crucificado, ele já
- 22:19era um homem que tinha algo em torno ali
- 22:21de 50 anos, algo entre 40 e 50 anos. E
- 22:24ele atribui isso a uma tradição
- 22:26apostólica. Então, com base nesse
- 22:28critério, católicos romanos e ortodoxos
- 22:30deveriam acreditar que Jesus vai já foi
- 22:32crucificado numa idade mais avançada.
- 22:34Porém, nós sabemos a partir da evidência
- 22:36bíblica que isso é impossível. Quando
- 22:38você pega, por exemplo, a cronologia do
- 22:40Evangelho de Lucas, não tem como Jesus
- 22:42ter sido crucificado, por exemplo, com a
- 22:44idade próxima a 50 anos. Então nós temos
- 22:46um autor antigo do século I afirmando
- 22:49uma tradição apostólica e ele estava
- 22:51errado e os ortodoxos e católicos
- 22:53aceitam que ele estava errado. Por que
- 22:55então o martírio de Policarpo que não
- 22:57afirma que aquela prática é uma tradição
- 22:59apostólica, que não diz que Policarpo
- 23:02normatizou aquela prática, que não diz
- 23:04que Policarpo recebeu aquela prática de
- 23:05João, de repente se torna uma evidência
- 23:08incontestável de que a prática ele era
- 23:10apostólica. Veja que ainda que eu
- 23:13concedesse então que o martírio de
- 23:15Policarpo é o culto às relíquias, o que
- 23:17eu não estou concedendo pelos elementos
- 23:19que eu já argumentei, ainda assim não
- 23:22existe demonstração de apostolicidade
- 23:24aqui. E aí o professor fez algumas
- 23:26perguntas, né? Como é que a gente
- 23:27poderia então demonstrar a
- 23:29apostolicidade do culto? Bom, primeiro a
- 23:31partir das evidências, os textos que
- 23:33foram produzidos pelos apóstolos ou por
- 23:35pessoas diretamente ligadas aos
- 23:37apóstolos. Ainda que a gente admita, por
- 23:39exemplo, que Policarpo fosse um
- 23:41discípulo de João, nós não temos
- 23:43absolutamente nenhum texto de Policarpo
- 23:45falando sobre cultas relíquias. Ou então
- 23:47uma evidência historiográfica que seria
- 23:49bastante robusta e seria inclusive
- 23:51aceita por historiadores modernos como
- 23:54uma um motivo de credibilidade forte
- 23:56para uma prática apostólica, seriam
- 23:59fontes independentes atestando essas
- 24:01práticas. E aqui nós temos um outro
- 24:03problema metodológico. A fonte que os
- 24:06católicos e ortodoxos citam é uma fonte
- 24:08isolada. Nós temos, como eu já disse,
- 24:10dezenas de relatos de martírios e nem
- 24:12todos esses relatos, na verdade, na
- 24:14maioria desses relatos de martírios, eu
- 24:16vou deixar aqui inclusive uma tabela na
- 24:17nossa tela, atestam o que é, por
- 24:20exemplo, descrito no martírio de
- 24:22Policarpo. Então, se de fato o professor
- 24:25André ou outro católico romano
- 24:26conseguisse apresentar fontes antigas,
- 24:29fontes, por exemplo, do século 1, do
- 24:30início do século I, de tradições
- 24:33independentes,
- 24:34convergindo para uma mesma prática, nós
- 24:37poderíamos dizer sim que aí há um
- 24:38argumento historiográfico robusto. É o
- 24:40que a gente vê, por exemplo, em alguns
- 24:41autores que vão defender o batismo
- 24:43infantil, embora eu, particularmente,
- 24:45acredite que a historiografia do batismo
- 24:47infantil já foi refutada há muito tempo.
- 24:49Mas o que que alguns autores vão alegar?
- 24:51Eles vão alegar que você tem uma
- 24:52evidência convergente, ou seja, você tem
- 24:55tradições independentes que remontam aos
- 24:58século I da igreja, aos primeiros
- 25:00séculos da igreja. A gente tá falando
- 25:01basicamente dos séculos e do século II,
- 25:03evidências arqueológicas e textuais que
- 25:05já atestariam o batismo de crianças, o
- 25:07que eu também contesto. Mas supondo que
- 25:10realmente existissem essas evidências,
- 25:12aí sim nós teríamos um forte motivo de
- 25:14credibilidade para afirmar que ali nós
- 25:17temos uma prática apostólica. Mas meus
- 25:18amigos, no caso do culto as relíquias,
- 25:21isso não passa nem perto de ser a
- 25:23realidade.
- 25:25Ainda sobre o martírio de Policarpo, o
- 25:27professor André ele traz ah o capítulo
- 25:3013 do da obra em que se alega que os
- 25:32fiéis da igreja de Policarpo, eles
- 25:35faziam questão de tocar no corpo de
- 25:37Policarpo, porque já se atribuía uma
- 25:40certa sacralidade ao corpo. O problema é
- 25:42que quando a gente analisa o capítulo
- 25:4413, nós não temos mais uma vez o
- 25:46elemento taumatúrgico. Em nenhum momento
- 25:48se descreve ali a atribuição de qualquer
- 25:50poder miraculoso nesse tipo de toque no
- 25:53corpo de Policarpo, né? Você pode até
- 25:55afirmar que isso é um antecedente do
- 25:57culto, mas ainda não se pode afirmar que
- 26:00é o culto propriamente dito.
- 26:03Uma outra questão que o professor também
- 26:04traz é que teria uma contradição entre o
- 26:07Isvinvski e a Cândidos. Lembrando que a
- 26:10Cândida é aquela autora que situaí de
- 26:12Policarpo no século I. Ela é também
- 26:15seguida por outros autores, eh, como por
- 26:17exemplo Eric Rebilá, né? Você tem aí
- 26:20também uma outra posição do Hansv
- 26:21Campenha Housousing que afirma que
- 26:23algumas poções, os capítulos 17, 18,
- 26:25seriam mais do fim ah do século I. Então
- 26:29você tem aí uma tradição textual em
- 26:30camadas e, enfim, o fato é que você tem
- 26:34alguma e controvérsia acadêmica sobre a
- 26:37data do martírio, né? Seja na segunda
- 26:39metade do século Isa metade do século
- 26:42II. Embora a essa divergência em si, ela
- 26:45não seja o centro do nosso argumento.
- 26:47Conforme a gente já falou, o principal
- 26:49desafio é justamente a questão da
- 26:50apostolicidade e principalmente quando
- 26:52que esse culto começa.
- 26:54Ah, mas o professor ele traz então o
- 26:56fato de que a Cândida Moss comenta que o
- 27:00mártir ele se torna uma espécie de lugar
- 27:03de poder. E aí ele começa a fazer um
- 27:05argumento de que isso contradizeria o
- 27:08Iswinvski, uma vez que o nosso autor ele
- 27:11entende que essa atribuição do poder
- 27:13taumatúrgico é algo posterior, é algo
- 27:15que vai surgir somente na segunda metade
- 27:17do século o problema é que quando a
- 27:20Cândida Mos diz que o mártir é um lugar
- 27:21de poder, ela não está falando de um
- 27:24poder miraculoso. Ela não está falando
- 27:26de um poder de operar milagres através
- 27:28dos seus restos mortais, mas ela está
- 27:30falando num sentido sociológico ou num
- 27:33sentido de litúrgico. Uma vez que aquele
- 27:36lugar onde o Marte está enterrado se
- 27:38torna, por exemplo, ah, objeto de uma de
- 27:42uma celebração anual da eucaristia e
- 27:44também objeto de um aniversário do
- 27:46martírio. Então isso obviamente acaba
- 27:48tendo consequências litúrgicas,
- 27:51litúrgicas e consequências ah
- 27:53sociológicas para aquela comunidade. É
- 27:55isso que ela chama de lugar de poder e
- 27:57não algum tipo de poder miraculoso
- 28:00atribuído ao Marte. Então não existe
- 28:02realmente uma contradição lógica
- 28:04necessária entre o Isvinievsk e a
- 28:07Cândida Moss. Inclusive a própria
- 28:09Cândida Moss faz essa distinção, né? Na
- 28:12obra que o professor André cita, ela diz
- 28:15o seguinte, que não se deve confundir o
- 28:17interesse nos corpos com interesses em
- 28:19relíquias. Ou seja, em nenhum momento a
- 28:21Cândida Mose está, por exemplo,
- 28:23contradizendo a Tesvinvsk, afirmando que
- 28:25nós já temos no martírio de Policarpo o
- 28:28culto às relíquias. Ela está afirmando
- 28:30sim que nós já temos ali o que seria o
- 28:31culto aos santos, mas não
- 28:33necessariamente o culto das relíquias.
- 28:36Bom, é aí que o professor ele faz aquela
- 28:39analogia que é a analogia onipresente
- 28:41nesses debates, né, que é a analogia com
- 28:43a trindade. Da mesma forma que no caso
- 28:46da trindade, as definições técnicas, né,
- 28:48o refinamento conceitual da definição da
- 28:51trindade surgiu no século 4, né? E nem
- 28:54por isso a gente afirma que a trindade
- 28:56surge como tal no século a gente
- 28:58entende, nós como protestantes
- 28:59entendemos que a trindade é bíblica e
- 29:01que os autores patrísticos do século
- 29:03estavam trabalhando conceitualmente
- 29:06dentro dos dados bíblicos. Inclusive é o
- 29:07que eles acreditavam, né? Se você pegar,
- 29:09por exemplo, as obras de Atanásio, isso
- 29:11vai ser afirmado com uma clareza muito
- 29:13grande no sentido de que a trindade é
- 29:15uma doutrina bíblica. Nem por isso a
- 29:18gente afirma que a trindade surgiu só no
- 29:19século 4. O problema, meus amigos, é que
- 29:21essa analogia é extremamente ruim para o
- 29:23caso das relíquias. Por quê? A trindade
- 29:26o que nós temos é o desenvolvimento dos
- 29:28conceitos e das linguagens para explicar
- 29:31algo que já estava materialmente contido
- 29:34nos escritos apostólicos. No caso das
- 29:36relíquias, você não tem propriamente uma
- 29:38ideia, mas uma prática. Além disso,
- 29:40existe uma diferença muito grande entre
- 29:42as duas coisas. De fato, a trindade está
- 29:44claramente exposta nas escrituras, mas a
- 29:47explicação do mistério, ele exige sim um
- 29:49refinamento técnico, filosófico,
- 29:51teológico, que o culto às relíquias não
- 29:53exigem. Na verdade, a prática, por
- 29:55exemplo, de cultuar os restos mortais ou
- 29:58atribuir a eles qualquer tipo de poder
- 30:00miraculoso já seria algo que estava
- 30:03disponível para os autores mais antigos.
- 30:05Então, de um lado você tem um
- 30:06refinamento filosófico teológico, do
- 30:08outro tem uma prática. A a analogia que
- 30:12simplesmente ela não é cabível. Além
- 30:15disso, a divergência, né, a diferença de
- 30:18prova documental dos dois é brutal. Você
- 30:21já tem, por exemplo, no século 2, no
- 30:23século II, pais da igreja desenvolvendo
- 30:25de forma muito clara a doutrina da
- 30:27trindade. No caso de origens, por
- 30:29exemplo, você já tem uma defesa bastante
- 30:31exlícita da doutrina da trindade, embora
- 30:33ele não tivesse o mesmo refinamento
- 30:35terminológico que surgiria no século 4.
- 30:38Já no caso do culto das relíquias, você
- 30:40não tem nada disso. você tem
- 30:41literalmente uma prática que surge, né,
- 30:44que explode no século
- 30:45e para a qual não se encontram
- 30:47evidências dos mesmos elementos dessa
- 30:49prática em datas mais antigas. É aí
- 30:51então que surge um outro argumento do
- 30:53professor André que eu considero
- 30:54particularmente muito ruim, né? Ele faz
- 30:57uma outra analogia em que ele diz o
- 30:59seguinte, que nenhum apóstolo disse que
- 31:01nós deveríamos ler os livros do Novo
- 31:03Testamento, né, os 27 livros do Novo
- 31:06Testamento. Ele próprio explica porque
- 31:08que nenhum apóstolo falou isso. Uma vez
- 31:10que quando os apóstolos estavam
- 31:11escrevendo, eles ainda não tinham a
- 31:13coleção dos 27 livros fechados, né? Não
- 31:16tem, por exemplo, como o apóstolo Paulo
- 31:18falar para você ler o apocalipse de
- 31:20João, uma vez que Paulo, inclusive
- 31:21morreu antes do escrito do Apocalipse de
- 31:24João. Porém, meus amigos, o princípio
- 31:27que orienta a prática já está claramente
- 31:29contido nas escrituras. O próprio
- 31:31professor André reconhece que Jesus e os
- 31:33apóstolos, por exemplo, recomendavam a
- 31:36leitura e a verificação das escrituras
- 31:38hebraicas, né? Nós temos o próprio Jesus
- 31:40afirmando ali em suas disputas com os
- 31:42fariseus: "Erai por não conhecerem as
- 31:44escrituras". Nós temos também, por
- 31:46exemplo, o caso dos bereanos, né, que
- 31:49são elogiados pelos pelos apóstolos ali
- 31:52em Atos, porque eles averigam nas
- 31:54escrituras hebraicas se a pregação
- 31:55apostólica condizia com o que estava ali
- 31:58no texto bíblico. Então, assim, você já
- 32:00tem um princípio que é claramente
- 32:02aplicável aos livros dos apóstolos. Nós
- 32:04já temos, por exemplo, Paulo falando da
- 32:07autoridade, né, falando que aquilo que
- 32:08ele ensinava era mandamento de Deus. Nós
- 32:11já temos Pedro, inclusive se referindo,
- 32:13segunda Pedro se referindo
- 32:16às aos escritos de Paulo como escritura,
- 32:19né? Nós temos inclusive Paulo ordenando
- 32:22que as suas cartas fossem unidas nas
- 32:24igrejas. Então, assim, a prática de ler
- 32:27escritos apostólicos, ela não encontra
- 32:29absolutamente nenhuma equivalência com
- 32:31cultas relíquias. Nós já temos os
- 32:33próprios apóstolos do século
- 32:35incentivando as leituras das suas
- 32:37próprias cartas. e as suas próprias
- 32:39cartas já servindo como padrão normativo
- 32:42para aquelas igrejas. E a autoridade
- 32:44apostólica, obviamente, não só através
- 32:46das epístolas, mas através de sua
- 32:48pregação oral, também sendo autoritativa
- 32:51para aquelas comunidades. Já no século
- 32:53I, nós temos claramente os pais
- 32:55apostólicos, os pais apologistas, por
- 32:57exemplo, se direcionando, né, citando
- 33:00esses textos apostólicos como
- 33:02autoritativos. Irineu de Leon, nós já
- 33:04temos ali o que seria um protocano, né?
- 33:06Nós temos claramente, Irineu considerava
- 33:09os quatro evangelhos e as epístolas
- 33:10paulinas como canônicas. E ele afirma
- 33:12que esses conjuntos de documentos, de
- 33:15textos, ele ele ele traz uma descrição,
- 33:17né, um status extremamente elevado,
- 33:19afirmando que eles formavam com as
- 33:21escrituras da antiga aliança o pilar e
- 33:23fundamento da nossa fé. Então, nós temos
- 33:25aqui um um contexto muito diferente do
- 33:28culto das relíquias. Se ah este culto
- 33:32atendesse aos mesmos critérios de
- 33:34apostolicidade que nós temos pros
- 33:36escritos do Novo Testamento, o professor
- 33:38André de fato teria sim um argumento
- 33:40robusto, mas nós definitivamente não
- 33:42temos, né? E aqui eu queria deixar um
- 33:45destaque muito importante, porque quando
- 33:47você lê, por exemplo, os textos de Isaia
- 33:492 ou outros textos, né, de catecismos da
- 33:53da ortodoxia oriental ou do catolicismo
- 33:55romano, eles não simplesmente dizem que
- 33:58essa é uma prática apostólica que nós
- 34:00podemos ou não realizar. No caso de
- 34:02Niceia 2, a linguagem para aquelas
- 34:05pessoas que se negavam a prestar esse
- 34:07culto é extremamente pesada. Essas
- 34:10pessoas eram excungadas da igreja.
- 34:12Então, vejam que nós não estamos falando
- 34:14de um detalhe periférico. Se se de fato
- 34:17existe uma tradição apostólica que vocês
- 34:20nos dizem ser normativa, que nós
- 34:22inclusive estamos so estamos sobris
- 34:24risco de sermos eh danados eternamente,
- 34:28né, de perdermos a nossa salvação por
- 34:30não observarmos essa prática, então,
- 34:32meus amigos, vocês têm sim o ônus da
- 34:34prova de demonstrar claramente essa
- 34:36doutrina como apostólica, senão nós
- 34:38simplesmente vamos reverberar aquele
- 34:40princípio paulino muito claro. Ainda que
- 34:42um anjo do céu, ainda que um apóstolo
- 34:45apresente um outro evangelho além
- 34:47daquele pregado pelo apóstolo Paulo,
- 34:48seja anátema. Se vocês não conseguem
- 34:51trazer evidências robustas da
- 34:53normatividade dessa prática, nós estamos
- 34:55sim justificados em rejeitá-la, ainda
- 34:58mais quando vocês dizem que esta prática
- 35:00é uma condição paraa nossa salvação.
- 35:02Agora eu lhes pergunto, se algo que é
- 35:04uma condição para a nossa salvação não
- 35:07foi registrado em nenhum escrito
- 35:08apostólico, como é que nós podemos dar
- 35:10alguma credibilidade para isso? Se nem
- 35:12mesmo as fontes mais antigas que nós já
- 35:15discorremos aqui afirmam que essa
- 35:17prática é normativa? Ou seja, se você
- 35:19pegar, por exemplo, o martírio de
- 35:20policarpo, ninguém está dizendo ali que
- 35:22se você não praticar aquela forma
- 35:25especial de guarda dos restos mortais de
- 35:27Policarpo, você está sujeito a nação
- 35:29eterna. Então eu lhes pergunto, se nem
- 35:31essas fontes antigas falam isso, como é
- 35:33que nós vamos dar credibilidade à
- 35:35autoridade de vossas igrejas para exigir
- 35:37de nós tal coisa? E aí é que no final do
- 35:40vídeo o professor André então atribui a
- 35:42mim uma espécie de seletividade
- 35:46nos acadêmicos que eu uso para
- 35:48referendar as minhas práticas. Bom, mas
- 35:50aqui é importante a gente lembrar uma
- 35:51questão é extremamente relevante.
- 35:54Primeiro que você não mede a força
- 35:56acadêmica de uma pesquisa e contando
- 35:59acadêmicos, né? Você simplesmente não
- 36:00diz assim: "Existem sete que apoiam tal
- 36:03posição, existem 10 que apoiam outra,
- 36:05então aquele que tem mais apoiantes
- 36:07simplesmente é a posição vencedora".
- 36:08Você precisa analisar o mérito e a
- 36:11substância do argumento que cada
- 36:12acadêmico traz. Inclusive, boa parte dos
- 36:14acadêmicos citados pelos católicos, por
- 36:16exemplo, e pelo professor, eles sequer
- 36:18têm literatura especializada nesse tema.
- 36:20O Isvinvski, por exemplo, ele é
- 36:22considerado, dentre os acadêmicos
- 36:24modernos, a literatura mais
- 36:25especializada na origem do culto das
- 36:27relíquias. O professor citou, por
- 36:29exemplo, outros acadêmicos que falam do
- 36:31culto ao Santos. Mas quando se trata de
- 36:33uma obra tão específica tratando da
- 36:35origem desse culto, você pode ver em
- 36:38revistas acadêmicas, em revisões, a obra
- 36:40dovinersk é a mais citada. Então,
- 36:42primeiro, eu não trouxe um acadêmico que
- 36:44não tem respeitabilidade, pelo
- 36:45contrário, ele tem muita
- 36:46respeitabilidade. Ele é uma literatura
- 36:49extremamente específica sobre o tema e
- 36:51diferentemente do que o professor falou,
- 36:53ele tem sim ah, em suas teses uma
- 36:56recepção acadêmica bastante robusta. Eu
- 36:58não acho que o fato de o professor ter
- 37:00trazido esses historiadores tenha
- 37:02provado que a posição dele é
- 37:03minoritária. Ele precisaria trazer, por
- 37:05exemplo, alguma análise, né, alguma
- 37:08alguma revisão acadêmica mais
- 37:10abrangente, trazendo a gama de autores
- 37:12que falaram sobre esse tema para de fato
- 37:14provar isso. Um segundo ponto que eu
- 37:17queria chamar a atenção é justamente a
- 37:19metodologia que a gente encontra tanto
- 37:21em ortodoxos orientais, em católicos
- 37:23romanos. Eles geralmente são muito
- 37:25arbitrários, por exemplo, na força, na
- 37:29régua que é estabelecida para provar as
- 37:31suas doutrinas. Por exemplo, o
- 37:33professor, ele parece de alguma forma eh
- 37:36acreditar que a minha posição ela é mais
- 37:38frágil por ela não ser um consenso
- 37:40acadêmico. Mas, meus amigos, se tem uma
- 37:42coisa que ortodoxos orientais fazem é
- 37:45ter posições que são absolutamente
- 37:47contrárias ao consenso acadêmico. Quando
- 37:49você pega, por exemplo, a questão do
- 37:52culto às imagens que foi que foi
- 37:54definida e defendida no Concílio de
- 37:56Nicea 2 em 787,
- 37:58o que os bispos afirmaram ali é que a
- 38:01veneração das imagens é uma prática que
- 38:03remontaria aos próprios apóstolos. E
- 38:06isto na academia hoje, isso não é
- 38:09considerado uma tese minoritária, isso é
- 38:11considerado uma tese negacionista. Nós
- 38:13não temos, por exemplo, nenhum autor da
- 38:16envergadura de Isvinsk defendendo tal
- 38:18coisa. até mesmo os acadêmicos
- 38:20respeitados, né, ortodoxos orientais,
- 38:23como Andre Luffof, como por exemplo
- 38:25Calisto Zuari, como o John McGooking,
- 38:27que especificamente no caso do do Luffy
- 38:30e do John McGooking, eles publicam em
- 38:33editoras acadêmicas respeitáveis, eles
- 38:35afirmam claramente que não há evidência
- 38:37de uma apostolicidade do culto às
- 38:39imagens, conforme foi definido em Nicia
- 38:412, né? Quando você pega, por exemplo,
- 38:43Richard Price, que é uma das maiores
- 38:45autoridades hoje, se não a maior
- 38:46autoridade sobre o concílio de
- 38:48iniciadores, ele afirma claramente que
- 38:51aquilo que foi definido naquele concílio
- 38:54não pode sequer ser rastreado aos pais
- 38:57da igreja do século 4 e do século V. Se
- 38:59não pode ser rastreado aos pais da
- 39:01igreja do século 4 e do século V, quanto
- 39:03mais aos apóstolos. A tese, por exemplo,
- 39:06de uma apostolicidade do culto às
- 39:08imagens hoje ela só defendida por
- 39:12leitura confessional, geralmente
- 39:14ortodoxa oriental. Quando eles vão citar
- 39:16algum estudo no nesse sentido,
- 39:18geralmente é de um autor que não publica
- 39:20em editoras acadêmicas e não publica e
- 39:23não tem absolutamente nenhuma recepção
- 39:26acadêmica, historiográfica de suas
- 39:28posições. Mas ainda assim isso não é um
- 39:31problema para que católicos romanos e
- 39:33ortodoxos orientais como o professor
- 39:34André defendam apaixonadamente o Cultas
- 39:38Imagens. O que que isso demonstra?
- 39:39demonstra que o professor, na verdade,
- 39:41ele não dá assim tanto crédito à questão
- 39:44de consensos acadêmicos, por ambos,
- 39:47ambas as tradições operam no princípio
- 39:49de sola eclísia. E a sola eclísia, ela
- 39:53tem um efeito bastante claro. As
- 39:56doutrinas elas não são aderidas, elas
- 39:59não são afirmadas pela força da sua
- 40:01demonstração. Não é a força da
- 40:03demonstração exegética ou histórica
- 40:05dessas doutrinas que fazem com que
- 40:08ortodoxos, com que apologistas as
- 40:10defendam. É simplesmente porque as
- 40:12respectivas igrejas disseram, é a sola
- 40:15ecliseia versão oriental e a sola
- 40:17ecliseia versão romana, que na verdade
- 40:19em última instância é uma sola papa.
- 40:22Então não importa a evidência
- 40:23historiográfica, não importa a evidência
- 40:26bíblica. O que realmente determina a
- 40:28adesão a essas doutrinas é simplesmente
- 40:31porque as respectivas igrejas, as
- 40:33respectivas tradições assim disseram.
- 40:35Isso, a meu ver nos leva a uma situação
- 40:38bastante indesejável. Você tem que
- 40:40literalmente muitas vezes aderir a
- 40:44completos terraplanismos históricos,
- 40:46como é o caso, por exemplo, do culto as
- 40:47imagens. Você defender hoje que o culto
- 40:49as imagens é uma tradição apostólica, é
- 40:51uma prática apostólica, é um absoluto
- 40:53terraplanismo histórico e também um
- 40:56fideísmo eclesiástico. Fideísmo
- 40:58eclesiástico é simplesmente aderir à
- 41:00autoridade de alguma instituição ou de
- 41:02alguma tradição, por mais frágeis que as
- 41:05demonstrações de autoridade e de
- 41:07credibilidade dessas tradições sejam. É
- 41:09basicamente isso que católicos romanos e
- 41:11ortodoxos orientais fazem no fim do dia,
- 41:14né? E aqui eu não estou falando isso
- 41:16como uma forma de diminuir a figura do
- 41:19professor André, né? Não é uma questão
- 41:21de inaptidão intelectual,
- 41:23definitivamente não é o caso, até porque
- 41:25ele me parece uma pessoa bastante
- 41:26inteligente, mas é que o princípio
- 41:28teológico, o sistema teológico que o
- 41:30professor André adere exige isso dele,
- 41:33ou seja, acaba exigindo que para que
- 41:36você realmente coerentemente adira a
- 41:39essas tradições, você precisa cometer
- 41:41esse suicídio eh intelectual. é um
- 41:44suicídio intelectual baseado em
- 41:46terraplanismos, na aceitação de
- 41:47terraplanismos históricos, como é o
- 41:49caso, por exemplo, de afirmar a
- 41:51apstolicidade do culto as relíquias,
- 41:52algo que nenhum acadêmico que o
- 41:54professor André trouxe e nenhum
- 41:55acadêmico sério defende e também o
- 41:57fideísmo eclesiástico. Lembrando que fé
- 41:59não é fideísmo. A fé não é acreditar
- 42:02contra a razão ou contra a evidência,
- 42:04né? Mas o que, infelizmente, essas
- 42:06tradições exigem de seus adeptos é
- 42:08justamente isso, é crer contra a razão,
- 42:11é crer contra a evidência. E a única
- 42:13forma de você pertencer, de você estar
- 42:15nessas comunidades de forma consistente
- 42:17e coerente, é justamente praticar um
- 42:20suicídio intelectual baseado nesses dois
- 42:22elementos. Então, meus amigos, é isso.
- 42:25Eu espero que vocês compartilhem essa
- 42:27resposta, comentem aqui, porque isso
- 42:29ajuda no nosso engajamento. Não se
- 42:30esqueçam de se inscrever nesse nesse
- 42:32canal, né? Quem ainda não é inscrito,
- 42:34não se esqueçam de deixar um like no
- 42:36vídeo para que o vídeo seja engajado e o
- 42:39maior número possível de pessoas tenham
- 42:41acesso a esse material. Até a próxima.
- 42:43Fiquem na paz de Cristo.
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