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REFUTAÇÃO A ANDRE LUIZ SOBRE O CULTO ÀS RELÍQUIAS — Transcript

by Bruno Lima - Respostas Cristãs · 7,250 words · 1,153 segments · language en · Watch on YouTube

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  1. 0:00Olá, amigos, todos na paz de Cristo.
  2. 0:02Então, o vídeo de hoje é uma resposta ao
  3. 0:04professor André Luiz a respeito do tema
  4. 0:07das relíquias, né? Ainda nesse tema já é
  5. 0:10o terceiro vídeo que a gente eh vem
  6. 0:12produzindo aí eh diante das
  7. 0:14controvérsias apologéticas que surgiram
  8. 0:16aí nas últimas semanas. O professor
  9. 0:19André fez um vídeo resposta a mim, a
  10. 0:21minha pesquisa historiográfica usando
  11. 0:23Isvinsk e ele traz alguns pontos aqui
  12. 0:25que eu gostaria de responder nesse
  13. 0:27vídeo. Como de costume, vou deixar
  14. 0:28muitas citações na tela. Não deixem de
  15. 0:31paralisar o vídeo e verificar. Não vou
  16. 0:34ah eloc cobrar, né? Não vou fazer a
  17. 0:36locução literar, porque senão o vídeo
  18. 0:38vai ficar muito muito longo e eu desejo
  19. 0:41deixar esse vídeo o mais orgânico
  20. 0:44possível. Bom, ah, o professor André,
  21. 0:47ele traz, então, né, ele ele tenta ali
  22. 0:49responder ao meu desafio da
  23. 0:51apostolicidade do culto das relíquias e
  24. 0:54ele afirma então que isso é algo
  25. 0:56apostólico, né? supostamente algum apost
  26. 0:58algum apóstolo deixou para a igreja hã a
  27. 1:02prática de se venerar os restos mortais
  28. 1:05eh de mártires cristãos, de homens
  29. 1:07cristãos perdosos do eh do passado.
  30. 1:10>> O martírio de Policarpo é do século II,
  31. 1:13como dizem a maioria dos historiadores,
  32. 1:14como é o estado da questão na academia,
  33. 1:17vamos dizer assim, é a tese dominante na
  34. 1:19academia. Se o martírio de Policarpo ele
  35. 1:22é eh do final do século II, nós temos
  36. 1:25uma fonte falando de veneração das
  37. 1:27relíquias, de um bispo cristão da Ásia
  38. 1:30Menor, de que viveu na primeira metade
  39. 1:33do século II e foi discípulo direto de
  40. 1:37São João, teólogo. E o documento dá
  41. 1:39mostras que essa veneração já ocorria de
  42. 1:42algum modo na vida dele, né? Os fiéis de
  43. 1:45Esmirna, os fiéis dessa igreja da Ásia
  44. 1:47Menor, os seguidores de São Policarpo,
  45. 1:50faziam questão de encostar no corpo dele
  46. 1:52com ele ainda vivo. Encostar no corpo
  47. 1:55dele porque acreditavam que ele já
  48. 1:57estava permeado de toda virtude e de
  49. 2:00todo o bem, estava adornado de todos os
  50. 2:02bens por causa de sua vida virtuosa, de
  51. 2:05sua vida em contato com Deus. Se isso
  52. 2:07não é critério de apostolicidade
  53. 2:09suficiente, um bispo cristão da primeira
  54. 2:12metade do século II. Um homem que
  55. 2:14cresceu aos pés de um apóstolo de São
  56. 2:16João teólogo, um homem de imenso
  57. 2:19prestígio em toda a igreja primitiva,
  58. 2:21justamente por sua imensa santidade em
  59. 2:24vida, um herói da fé, um márte cristão.
  60. 2:27Se isso não é suficiente para um
  61. 2:28evangélico atestar a posticidade de uma
  62. 2:31crença ou de uma e de uma prática
  63. 2:32cristã, o que seria final? E ele traz
  64. 2:35então alguns autores que vão ali a
  65. 2:37embora que de forma elogiosa o trabalho
  66. 2:39de Svinevski. Isso é uma questão
  67. 2:41importante. O próprio professor André
  68. 2:42reconhece que o Svinevski é um é um é um
  69. 2:45acadêmico de primeira linha, mas eles
  70. 2:48vão principalmente atacar
  71. 2:50conceitualmente a obra do Svinevsk. Ou
  72. 2:53seja, eles vão dizer que a definição que
  73. 2:56o autor que eu trouxe traz de cultas
  74. 2:59relíquias é muito restrita. E por ser
  75. 3:01muito restrita, ela acaba, né, essa
  76. 3:03definição acaba empurrando esse culto
  77. 3:04para o século e que nós deveríamos então
  78. 3:07adotar uma definição mais ampla do que
  79. 3:10seria o cultas relíquias. Aí que a gente
  80. 3:13tem o primeiro problema, por a principal
  81. 3:15questão eh que diverge aqui é justamente
  82. 3:18do que a gente chama de poder
  83. 3:20taumatúrgico das relíquias. O que que é
  84. 3:22isso? É o poder miraculoso, né? A gente
  85. 3:24sabe que essas manifestações que hoje
  86. 3:26são muito comuns tanto no catolicismo
  87. 3:28romano como na ortodoxia oriental, de
  88. 3:30você desenterrar restos mortais, de você
  89. 3:33beijar, de você venerar crânios, né,
  90. 3:36ossos de pessoas mortas, isso tudo ele
  91. 3:39surge no cristianismo do século
  92. 3:41especialmente vinculado à ideia da
  93. 3:43intercessão dos santos, ou seja, a ideia
  94. 3:45de que os santos podem ouvir as nossas
  95. 3:47orações e responder às nossas orações. e
  96. 3:50principalmente a ideia de que essas
  97. 3:51relíquias, de que esses restos mortais
  98. 3:53retém algum poder miraculoso, que o
  99. 3:55contato com eles poderia trazer alguma
  100. 3:57cura, alguma expulsão de um demônio, por
  101. 4:00exemplo, a proteção de uma cidade e tudo
  102. 4:03isso. Então, esse poder taumatúrgico é,
  103. 4:06na definição do Isvinsk um elemento
  104. 4:08constitutivo do culto das relíquias. E
  105. 4:11os autores que o professor André traz,
  106. 4:13de alguma forma eles parecem não
  107. 4:15considerar o poder taumatúrgico um
  108. 4:18elemento constitutivo. E aí a gente tá
  109. 4:20nesse impasse então da definição. A
  110. 4:22questão é, ele é ou não um elemento
  111. 4:25identitário, ou seja, um elemento
  112. 4:26necessário pra gente dizer que nós temos
  113. 4:28de fato num dado momento da história
  114. 4:31oculta as relíquias. E aí me chama
  115. 4:33atenção o fato de que o professor André
  116. 4:35não trouxe na sua no seu vídeo nenhuma
  117. 4:37definição própria, né? O que que ele
  118. 4:39pessoalmente considera? Ele trouxe a
  119. 4:41opinião desses autores que tendem a
  120. 4:43enxergar outros elementos, como por
  121. 4:45exemplo, a honra especial que era que
  122. 4:47era prestada aos restos mortais dos
  123. 4:49mártires ou até mesmo a um sepultamento
  124. 4:52especial ou, por exemplo, a ideia de se
  125. 4:55comemorar ah o aniversário do martírio
  126. 4:58com a celebração da Eucaristia. Isso
  127. 5:00tudo é trazido por esses autores como
  128. 5:02antecedentes que já poderiam dizer que o
  129. 5:04culto as relíquias seria então do século
  130. 5:062 ou do século I. E aqui eu gostaria de
  131. 5:08chamar a atenção de um fator muito
  132. 5:09importante. Nenhum dos autores trazidos
  133. 5:12pelo professor André respondem ao meu
  134. 5:14desafio. Nenhum desses acadêmicos
  135. 5:16afirmam, por exemplo, que o culto às
  136. 5:18relíquias é algo apostólico ou que é uma
  137. 5:20prática legada pelos apóstolos. Muito
  138. 5:22pelo contrário, alguns dos autores
  139. 5:23trazidos por ele inclusive afirmam que o
  140. 5:25culto as relíquias surgiu no século I no
  141. 5:28século I, ou seja, não na era
  142. 5:29apostólica. Então, é no interessante
  143. 5:32assim que diante de tantas respostas
  144. 5:34produzidas até agora por católicos
  145. 5:36romanos e ortodoxos orientais, nenhum
  146. 5:38deles tenha conseguido sequer trazer um
  147. 5:41único acadêmico, um único acadêmico com
  148. 5:43uma respeitabilidade mínima que venha
  149. 5:45defender a tese que eles defendem,
  150. 5:47porque eles defendem que essa prática já
  151. 5:49remontaria aos apóstolos, inclusive
  152. 5:51citando a Bíblia de forma equivocada,
  153. 5:53mas eles não conseguem trazer
  154. 5:54absolutamente nenhum acadêmico, né? Isso
  155. 5:56é interessante. Eu acho que é digno de
  156. 5:58nota. Eu faria esse desafio pro
  157. 6:00professor André Luiz. Qual acadêmico
  158. 6:02respeitado que tenha produzido uma obra
  159. 6:05a que tenha assim revisão por pares, que
  160. 6:07tenha reconhecimento pelos pares, que
  161. 6:10afirme, por exemplo, que nós temos
  162. 6:12evidências da apostolicidade do culto
  163. 6:14das relíquias? Absolutamente nenhuma,
  164. 6:16meus amigos. Não há acadêmico desse
  165. 6:18tipo. O que esses acadêmicos, na melhor
  166. 6:21das hipóteses, ou seja, se a gente
  167. 6:22aceitar todas as premissas que foram
  168. 6:24colocadas no vídeo do professor André,
  169. 6:26na melhor das hipóteses, nós poderíamos
  170. 6:27dizer que você tem uma um antecedente do
  171. 6:30culto das relíquias no século I, né, que
  172. 6:32você teria ali na segunda metade do
  173. 6:34século I, que seria o caso do martírio
  174. 6:36de Policarpo. Só que isso ainda assim
  175. 6:38seria insuficiente para demonstrar essa
  176. 6:41apostolicidade.
  177. 6:47Então é aí que entra essa questão e a
  178. 6:49grande divergência tá justamente na
  179. 6:51questão do poder taumatúrgico. Porém,
  180. 6:53meus amigos, o nosso trabalho é um
  181. 6:54trabalho apologético. A gente tá
  182. 6:56respondendo a outras tradições cristãs.
  183. 6:59E essas tradições cristãs definem o
  184. 7:01culto as relíquias encapsulando como
  185. 7:03elemento constitutivo o poder
  186. 7:05miraculoso. Por exemplo, se você pegar
  187. 7:07no caso dos católicos romanos, o próprio
  188. 7:09Concílio de Trento afirma, né, ele
  189. 7:12condena aquelas pessoas que negavam no
  190. 7:13século X que as relíquias retivessem
  191. 7:16qualquer poder miraculoso. Quando a
  192. 7:18gente olha para fontes que os ortodoxos
  193. 7:20orientais aceitam como autoritativas,
  194. 7:23elas também afirmam de forma muito clara
  195. 7:25o poder miraculoso como um elemento
  196. 7:27constitutivo desse culto. O que que isso
  197. 7:29quer dizer? Não dá para você dizer, não
  198. 7:31dá para você situar num determinado
  199. 7:33período da história a emergência desse
  200. 7:35culto se você não tiver esse elemento do
  201. 7:38poder taumatúrgico. Você pega, por
  202. 7:40exemplo, no Concílio de Niceia 2, um
  203. 7:42concílio que aconteceu em 787, embora
  204. 7:45ele não lide diretamente com a questão
  205. 7:46do culto as relíquias, ele acaba em nas
  206. 7:49suas atas trazendo ali algumas
  207. 7:51confissões de fé. E uma confissão de fé
  208. 7:53de um bispo chamado Teodósio é
  209. 7:55extremamente interessante. Ele era um
  210. 7:57bispo que provavelmente ele era
  211. 7:58iconoclasta. E para e para ser recebido
  212. 8:00de volta na comunhão da igreja, ele
  213. 8:02precisaria fazer uma profissão de fé.
  214. 8:04Vejam só os elementos da profissão de fé
  215. 8:07que ele precisou fazer. Do mesmo modo,
  216. 8:10venero, honro e saúdo as relíquias dos
  217. 8:12santos, como daqueles que combateram por
  218. 8:14Cristo e que receberam dele graça para a
  219. 8:17cura de doenças, a cura de enfermidades
  220. 8:19e a expulsão de demônios, assim como a
  221. 8:22Igreja cristã recebeu dos santos
  222. 8:23apóstolos e padres até nós hoje. Ou
  223. 8:27seja, nós temos um bispo. E aqui, embora
  224. 8:30isso não seja parte da definição
  225. 8:32dogmática do concílio, nós temos
  226. 8:34claramente aqui uma evidência de que
  227. 8:35isso era uma profissão que se
  228. 8:37consideraria ortodoxa para os bispos que
  229. 8:39participavam daquele concílio. Nós temos
  230. 8:41a afirmação da veneração dos restos
  231. 8:43mortais e também a atribuição de um
  232. 8:45poder miraculoso a esses restos mortais.
  233. 8:48E detalhe, isso é afirmado como uma
  234. 8:50prática recebida pela igreja cristã dos
  235. 8:53apóstolos, dos apóstolos e dos padres da
  236. 8:55igreja até hoje. Então, quando a gente
  237. 8:58olha fontes como essa e elas são
  238. 9:00repetidas a exaustão em outras fontes,
  239. 9:02por exemplo, que os ortodoxos orientais
  240. 9:04consideram autoritativas, você tem o
  241. 9:06caso, por exemplo, de São João da
  242. 9:08Maceno. João Damaceno foi um grande
  243. 9:10defensor da do culto, né, da da
  244. 9:12veneração das imagens. E ele igualmente
  245. 9:14defendeu o culto as relíquias como uma
  246. 9:16tradição apostólica. Ele diz o seguinte
  247. 9:18em sua exposição exata da fé ortodoxa:
  248. 9:20"O Senhor Cristo tornou para nós as
  249. 9:23relíquias dos santos fontes de
  250. 9:24salvação." Aqui não tá falando nem de
  251. 9:26uma bênção, né? Já tá falando de uma
  252. 9:28fonte de salvação, das quais fluem
  253. 9:30múltiplos benefícios e que transbordam
  254. 9:32óleo de doce fragrância. E ninguém deixe
  255. 9:35de acreditar nisso, né? E aí ele explica
  256. 9:38depois na mesma obra que benefícios
  257. 9:39seriam esses. Pois como poderia um corpo
  258. 9:43morto operar milagres? Como portanto por
  259. 9:45meio deles os demônios são expulsos? As
  260. 9:47doenças dissipadas, os enfermos curados,
  261. 9:50os cegos restaurados à visão, os
  262. 9:52leprosos purificados, as tentações e
  263. 9:54dificuldades vencidas? E como todo bom
  264. 9:56domuzes, desce por meio deles aqueles
  265. 9:59que oram com fé segura. Então assim,
  266. 10:01para João Damaceno, que é considerado um
  267. 10:02pai da igreja, um santo pela ortodoxia
  268. 10:04oriental, claramente era um elemento
  269. 10:07essencial desse culto, dessa veneração
  270. 10:09às relíquias, esse poder miraculoso para
  271. 10:12operar curas de doenças, né, expulsão de
  272. 10:14demônios e tantas outras. Quando você
  273. 10:17olha outros textos, né, da tradição
  274. 10:19ortodoxa oriental, como o Catecismo de
  275. 10:21Filareto de Moscou, nós temos a mesma
  276. 10:23coisa, né, a afirmação clara também
  277. 10:25desse poder miraculoso. Você tem outros
  278. 10:28documentos também que eu vou deixar na
  279. 10:29tela, como por exemplo, o Catecismo
  280. 10:30contemporâneo da Igreja Ortodoxa na
  281. 10:32América, né? você tem também, ah,
  282. 10:34documentos da igreja ortodoxa grega
  283. 10:37também, ou seja, todos esses documentos,
  284. 10:39outros documentos litúrgicos também da
  285. 10:41ortodoxia grega afirmam claramente esse
  286. 10:44elemento. Então, assim, como nós estamos
  287. 10:46aqui numa disputa apologética e eu estou
  288. 10:49tentando demonstrar que o que os
  289. 10:50ortodoxos orientais e católicos romanos
  290. 10:52praticam não é, né, não tem
  291. 10:55apostolicidade, não tem uma
  292. 10:56historicidade antiga, a meu ver, fica
  293. 10:58muito difícil aqui você afirmar que esse
  294. 11:00elemento taumatúrgico não pode ser
  295. 11:02considerado. Um outro ponto que eu trago
  296. 11:04também à discussão é que existe uma
  297. 11:06incoerência no argumento do professor
  298. 11:08André. Por quê? Ao mesmo tempo que ele
  299. 11:10traz esses acadêmicos que dispensam o
  300. 11:13poder miraculoso como necessário para
  301. 11:15demonstrar a antiguidade desse culto,
  302. 11:17quando o professor André e outros
  303. 11:19defensores desse culto apelam as
  304. 11:21escrituras, o que que eles fazem? Eles
  305. 11:23apelam a exemplos que trazem justamente
  306. 11:25qual elemento? O elemento taumatúrgico.
  307. 11:28Por exemplo, quando eles usam os textos
  308. 11:30de Eliseu ou então eles usam os textos
  309. 11:32neotestamentários de Paulo, né, de
  310. 11:34Pedro, de Jesus. O que que você tem
  311. 11:36nesses textos? Qual é o elemento que
  312. 11:38está sendo que poderia, né, supostamente
  313. 11:40estaria sendo demonstrado ali? É
  314. 11:42justamente restos mortais ou pertences
  315. 11:45de homens dignos e piedosos do passado
  316. 11:48sendo utilizados por Deus para operar
  317. 11:50milagres. Então, se o elemento
  318. 11:52taumatúrgico não é um elemento
  319. 11:54essencial, ele não é um elemento
  320. 11:55necessário para demonstrar a antiguidade
  321. 11:58histórica desse culto, por que então
  322. 11:59essas passagens que são usadas seriam
  323. 12:02justamente as passagens que demonstram
  324. 12:03esse elemento taumatúrgico. Então, a meu
  325. 12:06ver, eu acho que a tese do Svinevski, a
  326. 12:08disputa conceitual, o Svinevski tem
  327. 12:10razão no seguinte sentido. se você não
  328. 12:13consegue demonstrar esse poder
  329. 12:14miraculoso e todas as práticas que
  330. 12:17acabaram sendo associadas ao poder
  331. 12:18miraculoso, ou seja, desenterrar os
  332. 12:21restos mortais, colocá-los em
  333. 12:22relicários, fazer procissões,
  334. 12:25consagrarem, consagrarem igrejas com
  335. 12:27essas relíquias, se isso não consegue
  336. 12:29ser demonstrado, na melhor das
  337. 12:30hipóteses, o que você tem é um
  338. 12:32antecedente. Você poderia dizer até
  339. 12:34mesmo que você tem uma condição
  340. 12:36necessária anterior para que esse culto
  341. 12:38se desenvolvesse, mas você não pode
  342. 12:40afirmar que você tem o culto
  343. 12:42propriamente dito.
  344. 12:44Lembrando também que o professor André,
  345. 12:46ele parece pressupor que a tese do
  346. 12:49Isvinsk foi uma tese confrontada pela
  347. 12:52maioria dos acadêmicos, mas isso não é
  348. 12:54verdade.
  349. 13:09Uma outra crítica também que é feita ao
  350. 13:12à obra do Isvinsk é justamente o fato a
  351. 13:16alegação de que ele estaria usando um
  352. 13:17argumento do silêncio frágil. Porém, eu
  353. 13:20acredito que isso não faz ju ao nosso
  354. 13:22autor. Por quê? O que ele demonstra não
  355. 13:24é simplesmente o fato de o martírio de
  356. 13:26Policarpo não trazer qualquer atribuição
  357. 13:29de poder miraculoso. Inclusive um dos
  358. 13:30autores trazidos pelo professor André
  359. 13:33reconhece isso, né? Ele reconhece que de
  360. 13:34fato não há atribuição de um poder
  361. 13:36miraculoso aos restos mortais. O
  362. 13:38problema é que nós temos dezenas de
  363. 13:41relatos de martírios que são dos
  364. 13:43primeiros séculos, ou seja, dos séculos
  365. 13:45dois e tr ali. Em nenhum desses relatos
  366. 13:47nós temos esse elemento. Inclusive ele
  367. 13:50traz, por exemplo, vou deixar aqui a
  368. 13:51estação na tela, o testemunho de Eusébio
  369. 13:53de Cesareé. Eusébio de Cesaré, o
  370. 13:55historiador da igreja que escreveu no
  371. 13:57início do século ele traz uma série de
  372. 13:59relatos de de relatos de martírios e
  373. 14:01nenhum desses relatos nós temos o
  374. 14:04elemento taumatúrgico, né? Então não é
  375. 14:06simplesmente uma evidência. é um
  376. 14:08conjunto de evidências. Nós temos aqui
  377. 14:10uma confluência de evidências onde não
  378. 14:13se não se apresenta uma evidência que
  379. 14:16seria esperada. Então, cabe aqui também
  380. 14:19uma cautela metodológica. argumentos do
  381. 14:21silêncio podem ser falaciosos ou não. Na
  382. 14:23historiografia moderna, historiadores
  383. 14:26usam bastante argumentos do silêncio.
  384. 14:28Isso tudo vai depender da expectativa de
  385. 14:30aquela evidência surgir naquele
  386. 14:32contexto. Então, o que vai determinar se
  387. 14:34o argumento é não falacioso é justamente
  388. 14:36o contexto. Se nós estamos falando de um
  389. 14:38contexto em que a evidência seria
  390. 14:41esperada, em que a apresentação daquela
  391. 14:43prática ou daquele fato ou daquela ideia
  392. 14:45seria esperado, então nós podemos
  393. 14:47afirmar que há sim uma plausibilidade
  394. 14:49para afirmar que não há a prática.
  395. 14:51Quando nós observamos, por exemplo, os
  396. 14:53relatos do século I, do século I, embora
  397. 14:56você tenha sim, isso é um dos elementos
  398. 14:58que o professor André traz no seu vídeo,
  399. 15:00uma prática especial, uma honra especial
  400. 15:02sendo prestada aos corpos desses
  401. 15:04mártires, nós não encontramos nenhuma
  402. 15:07evidência em controvérsia nesses vários
  403. 15:09relatos de qualquer atribuição de poder
  404. 15:11miraculoso. Quando você vai para a
  405. 15:13segunda metade do século a lógica se
  406. 15:16inverte. Você tem uma série de relatos
  407. 15:19em abundância que começam ali mais ou
  408. 15:20menos no ano 360 com relatos de Hilário
  409. 15:23de Pois, de pessoas desenterrando esses
  410. 15:26restos mortais, atribuindo a eles todo
  411. 15:28tipo de poder miraculoso. Então existe
  412. 15:31obviamente aqui uma descontinuidade na
  413. 15:33tradição, meus amigos, né? Não é apenas
  414. 15:35uma evidência isolada, mas é um conjunto
  415. 15:37de evidências. E diante desta ausência
  416. 15:40neste conjunto de evidências, nós
  417. 15:42podemos afirmar sim que a posição mais
  418. 15:44plausível é de que esta prática que
  419. 15:46começou a se popularizar na segunda
  420. 15:48metade do século 4, ela não é uma
  421. 15:50prática que remonta as eras mais antigas
  422. 15:52da igreja. É importante a gente lembrar
  423. 15:54também que mesmo dentro do século
  424. 15:56né, alguns católicos, o professor André
  425. 15:58também traz uma alusão a esse fato, né,
  426. 16:00o fato de o cristianismo ter se tornado
  427. 16:02uma religião tolerada somente no começo
  428. 16:04do século Mas mesmo na primeira metade
  429. 16:07do século
  430. 16:08né, nós temos ali algumas décadas em que
  431. 16:09o cristianismo já era uma religião
  432. 16:11tolerada e ainda assim nós não temos as
  433. 16:13práticas, né, do desenterro, essas
  434. 16:15práticas massivas de desenterro e
  435. 16:18atribuição de poder miraculoso, né? Isso
  436. 16:20também é difícil de explicar se você já
  437. 16:23tivesse uma prática apostólica, né, do
  438. 16:25século Io, se a gente já tivesse ali
  439. 16:27praticamente 300 anos de prática
  440. 16:30consistente e sistemática e nós
  441. 16:32simplesmente não encontramos nenhuma
  442. 16:33evidência dessa prática. Então assim, a
  443. 16:35meu ver, o ponto mais frágil da
  444. 16:37argumentação do professor André e é um é
  445. 16:40um elemento que ele tem o ônus de
  446. 16:41provar, inclusive se tudo que nós
  447. 16:44tivéssemos fosse um frágil argumento do
  448. 16:45silêncio, o que eu acredito que não seja
  449. 16:47o caso, ainda assim o ônus da prova está
  450. 16:50com os católicos romanos e com os
  451. 16:51ortodoxos orientais, eles precisam sim
  452. 16:53necessariamente demonstrar o poder
  453. 16:56miraculoso nessas fontes mais antigas. E
  454. 16:58nenhum dos textos que o professor André
  455. 17:00trouxe simplesmente consegue arcar com
  456. 17:02esse ônus da prova. É por isso que, por
  457. 17:04exemplo, quando os católicos romanos e
  458. 17:06ortodoxos trazem as supostas evidências
  459. 17:08bíblicas, como o caso, por exemplo, do
  460. 17:10relato de Eliseu, eu acredito que isso é
  461. 17:12um verdadeiro tiro no pé, porque se de
  462. 17:14fato o relato de Eliseu teria sido o
  463. 17:17ponto de ignição para um culto das
  464. 17:18relíquias, lembrando que o relato de
  465. 17:21Eliseu acontece séculos antes de Cristo,
  466. 17:23por que que não temos nenhuma evidência
  467. 17:25arqueológica do judaísmo do segundo
  468. 17:27tempo, do judaísmo do tempo de Jesus ou
  469. 17:30do judaísmo mais antigo? alguma
  470. 17:32evidência arqueológica ou textual
  471. 17:34incontroversa, afirmando, por exemplo,
  472. 17:36que os restos mortais de Eliseu passaram
  473. 17:38a ser venerados ou afirmando, por
  474. 17:40exemplo, que pessoas passaram a procurar
  475. 17:42contato com esses restos mortais. Nós
  476. 17:44simplesmente não temos nenhuma evidência
  477. 17:46disso, né? Quando a gente olha inclusive
  478. 17:48paraa lei do Antigo Testamento, isso era
  479. 17:50algo muito improvável de aparecer. E a
  480. 17:52explicação é que você tinha leis de
  481. 17:54impureza ritual dos corpos eh de
  482. 17:57pessoas, dos restos mortais dessas
  483. 17:59pessoas, né? os judeus eles teriam sim
  484. 18:00um preconceito em ter contato com esses
  485. 18:03restos mortais. O professor André também
  486. 18:05apela aos textos do Novo Testamento. Ele
  487. 18:07inclusive diz que esses textos
  488. 18:09claramente demonstram a prática do culto
  489. 18:11das relíquias, mas eu discordo de forma
  490. 18:13vemente. Veja bem, no vídeo que o
  491. 18:16professor responde, de fato, eu poderia
  492. 18:18ter explorado melhor esse argumento que
  493. 18:19eu só explorei no segundo vídeo em
  494. 18:21resposta a um dos irmãos pau taus. Mas
  495. 18:23nem como uma descrição, nem como uma
  496. 18:26descrição nós temos o culto, as
  497. 18:27relíquias novo ou no Antigo Testamento.
  498. 18:29O que nós temos no Novo e no Antigo
  499. 18:31Testamento é apenas a descrição de Deus
  500. 18:34extraordinariamente usando pertences ou
  501. 18:37restos mortais, no caso de Eliseu, para
  502. 18:39operar milagres. Mas existem uma série
  503. 18:41de saltos, né, uma série de premissas
  504. 18:43que os católicos romanos e ortodoxos
  505. 18:45orientais precisam demonstrar para
  506. 18:47referendar o culto. Por quê? Não temos
  507. 18:49no Novo Testamento, por exemplo, uma
  508. 18:51descrição das pessoas guardando esses
  509. 18:53restos mortais ou atribuindo poder
  510. 18:55miraculoso a eles. Se, de fato, foi o
  511. 18:57que eu disse no vídeo anterior, que eu
  512. 18:59acredito que quando o professor André
  513. 19:01fez essa resposta, ele ainda não tinha
  514. 19:02tido acesso. Se de fato nós tivéssemos
  515. 19:05aqui uma prática de pessoas, por
  516. 19:08exemplo, guardando os lenços e os
  517. 19:09aventais de Paulo e passando a venerar
  518. 19:12esses lenços e aventais e atribuir a
  519. 19:14eles qualquer poder miraculoso e esta
  520. 19:16prática sendo descrita por um autor
  521. 19:18bíblico como positiva, aí sim eu diria
  522. 19:21que você tem um argumento descritivo que
  523. 19:23de fato poderia ser usado sem ser
  524. 19:25falacioso pelos proponentes desse culto.
  525. 19:28Mas nós não temos nada disso. Nós temos,
  526. 19:30na verdade, uma série de salto lógico,
  527. 19:32uma série de saltos lógicos. a começar,
  528. 19:34por exemplo, pelo fato da dignidade
  529. 19:36dessas pessoas. Eliseu era um profeta.
  530. 19:38Paulo, Pedro, apóstolos. Jesus era o
  531. 19:40próprio Deus encarnado. Você
  532. 19:42simplesmente transferir para santos e
  533. 19:44mártires o que era atribuído a esses
  534. 19:45homens que ocupam uma dignidade
  535. 19:47especial, simplesmente precisa ser
  536. 19:49demonstrado, né? Além disso, não existe
  537. 19:51a descrição do culto em si, né? Porque o
  538. 19:54culto que que foi praticado, se você
  539. 19:56pegar, por exemplo, mesmo a versão mais
  540. 19:58minimalista, né? mesmo a evidência mais
  541. 20:00minimalista trazendo que é trazida na
  542. 20:03obra é o martírio de Policarpo, nós não
  543. 20:05temos nada parecido com aquilo sendo
  544. 20:07referendado em textos bíblicos, em
  545. 20:09textos apostólicos. Nós não temos
  546. 20:11evidências, por exemplo, de Jesus e os
  547. 20:13apóstolos a a normatizando nenhuma
  548. 20:16prática que se pareça com o martírio de
  549. 20:18policarpo. E eu queria chamar a atenção
  550. 20:20para um outro fato aqui, quando se usa o
  551. 20:23martírio de policarpo, né? Um argumento
  552. 20:25que alguns comentaristas fizeram no meu
  553. 20:26último vídeo e também um argumento que o
  554. 20:28professor André faz é que Policarpo
  555. 20:30seria discípulo de João. Logo, o que se
  556. 20:33estava praticando ali no martírio de
  557. 20:35Policarpo seria uma tradição apostólica,
  558. 20:37provavelmente herdada, do apóstolo João.
  559. 20:40Só que nós temos uma série de problemas.
  560. 20:42A começar, o Martírio de Policarpo, meus
  561. 20:44amigos, não é uma obra escrita pelo
  562. 20:47próprio Policarpo. Na verdade, é uma
  563. 20:49obra escrita pela igreja de Policarpo,
  564. 20:51pela comunidade de Smirna. Além disso, a
  565. 20:54prática que é descrita nos capítulos 17
  566. 20:57e 18 dessa obra, em nenhum momento o
  567. 20:59autor sabe-se lá quem, né, quem tenha
  568. 21:02sido. Nós não conhecemos exatamente a a
  569. 21:05nós não temos dados biográficos
  570. 21:06detalhados sobre o autor dessa obra, em
  571. 21:09nenhum momento ele ele reivindica ser
  572. 21:11uma tradição apostólica. Então, veja que
  573. 21:13o mesmo o argumento que os católicos e
  574. 21:15ortodoxos fazem aqui, ele não encontra
  575. 21:18substância nem no próprio texto que eles
  576. 21:20estão usando, né? Você não pode supor
  577. 21:22que simplesmente porque uma prática foi
  578. 21:25descrita por uma igreja da segunda
  579. 21:26metade do século I, que isso
  580. 21:28necessariamente é apostólico. Se o texto
  581. 21:31dissesse que ao guardar os restos
  582. 21:33mortais de Policarpo, ao comemorar o
  583. 21:35aniversário do seu martírio, eles
  584. 21:37estavam seguindo uma prática que foi
  585. 21:39normatizada, que foi comandada por um
  586. 21:41apóstolo. Aí sim você poderia até dizer
  587. 21:43que você tem um argumento aqui do
  588. 21:45martírio de Policarpo, mas nem isso nós
  589. 21:47temos. Inclusive, eu queria chamar a
  590. 21:49atenção para como ortodoxos orientais e
  591. 21:52católicos romanos, eles são muito
  592. 21:54arbitrários na régua que eles
  593. 21:55estabelecem para evidência. Por exemplo,
  594. 21:59você tem um texto de Irineu de Lon em
  595. 22:02que ele atribui a uma tradição
  596. 22:03apostólica, e aqui sim, nós temos uma
  597. 22:05atribuição explícita à tradição
  598. 22:07apostólica, a idade da crucifix de
  599. 22:10Jesus, né? Irineu de Leon tinha aquela
  600. 22:12teologia da recapitulação e ele entendia
  601. 22:15que Jesus foi crucificado já velho, né?
  602. 22:17Que quando Jesus foi crucificado, ele já
  603. 22:19era um homem que tinha algo em torno ali
  604. 22:21de 50 anos, algo entre 40 e 50 anos. E
  605. 22:24ele atribui isso a uma tradição
  606. 22:26apostólica. Então, com base nesse
  607. 22:28critério, católicos romanos e ortodoxos
  608. 22:30deveriam acreditar que Jesus vai já foi
  609. 22:32crucificado numa idade mais avançada.
  610. 22:34Porém, nós sabemos a partir da evidência
  611. 22:36bíblica que isso é impossível. Quando
  612. 22:38você pega, por exemplo, a cronologia do
  613. 22:40Evangelho de Lucas, não tem como Jesus
  614. 22:42ter sido crucificado, por exemplo, com a
  615. 22:44idade próxima a 50 anos. Então nós temos
  616. 22:46um autor antigo do século I afirmando
  617. 22:49uma tradição apostólica e ele estava
  618. 22:51errado e os ortodoxos e católicos
  619. 22:53aceitam que ele estava errado. Por que
  620. 22:55então o martírio de Policarpo que não
  621. 22:57afirma que aquela prática é uma tradição
  622. 22:59apostólica, que não diz que Policarpo
  623. 23:02normatizou aquela prática, que não diz
  624. 23:04que Policarpo recebeu aquela prática de
  625. 23:05João, de repente se torna uma evidência
  626. 23:08incontestável de que a prática ele era
  627. 23:10apostólica. Veja que ainda que eu
  628. 23:13concedesse então que o martírio de
  629. 23:15Policarpo é o culto às relíquias, o que
  630. 23:17eu não estou concedendo pelos elementos
  631. 23:19que eu já argumentei, ainda assim não
  632. 23:22existe demonstração de apostolicidade
  633. 23:24aqui. E aí o professor fez algumas
  634. 23:26perguntas, né? Como é que a gente
  635. 23:27poderia então demonstrar a
  636. 23:29apostolicidade do culto? Bom, primeiro a
  637. 23:31partir das evidências, os textos que
  638. 23:33foram produzidos pelos apóstolos ou por
  639. 23:35pessoas diretamente ligadas aos
  640. 23:37apóstolos. Ainda que a gente admita, por
  641. 23:39exemplo, que Policarpo fosse um
  642. 23:41discípulo de João, nós não temos
  643. 23:43absolutamente nenhum texto de Policarpo
  644. 23:45falando sobre cultas relíquias. Ou então
  645. 23:47uma evidência historiográfica que seria
  646. 23:49bastante robusta e seria inclusive
  647. 23:51aceita por historiadores modernos como
  648. 23:54uma um motivo de credibilidade forte
  649. 23:56para uma prática apostólica, seriam
  650. 23:59fontes independentes atestando essas
  651. 24:01práticas. E aqui nós temos um outro
  652. 24:03problema metodológico. A fonte que os
  653. 24:06católicos e ortodoxos citam é uma fonte
  654. 24:08isolada. Nós temos, como eu já disse,
  655. 24:10dezenas de relatos de martírios e nem
  656. 24:12todos esses relatos, na verdade, na
  657. 24:14maioria desses relatos de martírios, eu
  658. 24:16vou deixar aqui inclusive uma tabela na
  659. 24:17nossa tela, atestam o que é, por
  660. 24:20exemplo, descrito no martírio de
  661. 24:22Policarpo. Então, se de fato o professor
  662. 24:25André ou outro católico romano
  663. 24:26conseguisse apresentar fontes antigas,
  664. 24:29fontes, por exemplo, do século 1, do
  665. 24:30início do século I, de tradições
  666. 24:33independentes,
  667. 24:34convergindo para uma mesma prática, nós
  668. 24:37poderíamos dizer sim que aí há um
  669. 24:38argumento historiográfico robusto. É o
  670. 24:40que a gente vê, por exemplo, em alguns
  671. 24:41autores que vão defender o batismo
  672. 24:43infantil, embora eu, particularmente,
  673. 24:45acredite que a historiografia do batismo
  674. 24:47infantil já foi refutada há muito tempo.
  675. 24:49Mas o que que alguns autores vão alegar?
  676. 24:51Eles vão alegar que você tem uma
  677. 24:52evidência convergente, ou seja, você tem
  678. 24:55tradições independentes que remontam aos
  679. 24:58século I da igreja, aos primeiros
  680. 25:00séculos da igreja. A gente tá falando
  681. 25:01basicamente dos séculos e do século II,
  682. 25:03evidências arqueológicas e textuais que
  683. 25:05já atestariam o batismo de crianças, o
  684. 25:07que eu também contesto. Mas supondo que
  685. 25:10realmente existissem essas evidências,
  686. 25:12aí sim nós teríamos um forte motivo de
  687. 25:14credibilidade para afirmar que ali nós
  688. 25:17temos uma prática apostólica. Mas meus
  689. 25:18amigos, no caso do culto as relíquias,
  690. 25:21isso não passa nem perto de ser a
  691. 25:23realidade.
  692. 25:25Ainda sobre o martírio de Policarpo, o
  693. 25:27professor André ele traz ah o capítulo
  694. 25:3013 do da obra em que se alega que os
  695. 25:32fiéis da igreja de Policarpo, eles
  696. 25:35faziam questão de tocar no corpo de
  697. 25:37Policarpo, porque já se atribuía uma
  698. 25:40certa sacralidade ao corpo. O problema é
  699. 25:42que quando a gente analisa o capítulo
  700. 25:4413, nós não temos mais uma vez o
  701. 25:46elemento taumatúrgico. Em nenhum momento
  702. 25:48se descreve ali a atribuição de qualquer
  703. 25:50poder miraculoso nesse tipo de toque no
  704. 25:53corpo de Policarpo, né? Você pode até
  705. 25:55afirmar que isso é um antecedente do
  706. 25:57culto, mas ainda não se pode afirmar que
  707. 26:00é o culto propriamente dito.
  708. 26:03Uma outra questão que o professor também
  709. 26:04traz é que teria uma contradição entre o
  710. 26:07Isvinvski e a Cândidos. Lembrando que a
  711. 26:10Cândida é aquela autora que situaí de
  712. 26:12Policarpo no século I. Ela é também
  713. 26:15seguida por outros autores, eh, como por
  714. 26:17exemplo Eric Rebilá, né? Você tem aí
  715. 26:20também uma outra posição do Hansv
  716. 26:21Campenha Housousing que afirma que
  717. 26:23algumas poções, os capítulos 17, 18,
  718. 26:25seriam mais do fim ah do século I. Então
  719. 26:29você tem aí uma tradição textual em
  720. 26:30camadas e, enfim, o fato é que você tem
  721. 26:34alguma e controvérsia acadêmica sobre a
  722. 26:37data do martírio, né? Seja na segunda
  723. 26:39metade do século Isa metade do século
  724. 26:42II. Embora a essa divergência em si, ela
  725. 26:45não seja o centro do nosso argumento.
  726. 26:47Conforme a gente já falou, o principal
  727. 26:49desafio é justamente a questão da
  728. 26:50apostolicidade e principalmente quando
  729. 26:52que esse culto começa.
  730. 26:54Ah, mas o professor ele traz então o
  731. 26:56fato de que a Cândida Moss comenta que o
  732. 27:00mártir ele se torna uma espécie de lugar
  733. 27:03de poder. E aí ele começa a fazer um
  734. 27:05argumento de que isso contradizeria o
  735. 27:08Iswinvski, uma vez que o nosso autor ele
  736. 27:11entende que essa atribuição do poder
  737. 27:13taumatúrgico é algo posterior, é algo
  738. 27:15que vai surgir somente na segunda metade
  739. 27:17do século o problema é que quando a
  740. 27:20Cândida Mos diz que o mártir é um lugar
  741. 27:21de poder, ela não está falando de um
  742. 27:24poder miraculoso. Ela não está falando
  743. 27:26de um poder de operar milagres através
  744. 27:28dos seus restos mortais, mas ela está
  745. 27:30falando num sentido sociológico ou num
  746. 27:33sentido de litúrgico. Uma vez que aquele
  747. 27:36lugar onde o Marte está enterrado se
  748. 27:38torna, por exemplo, ah, objeto de uma de
  749. 27:42uma celebração anual da eucaristia e
  750. 27:44também objeto de um aniversário do
  751. 27:46martírio. Então isso obviamente acaba
  752. 27:48tendo consequências litúrgicas,
  753. 27:51litúrgicas e consequências ah
  754. 27:53sociológicas para aquela comunidade. É
  755. 27:55isso que ela chama de lugar de poder e
  756. 27:57não algum tipo de poder miraculoso
  757. 28:00atribuído ao Marte. Então não existe
  758. 28:02realmente uma contradição lógica
  759. 28:04necessária entre o Isvinievsk e a
  760. 28:07Cândida Moss. Inclusive a própria
  761. 28:09Cândida Moss faz essa distinção, né? Na
  762. 28:12obra que o professor André cita, ela diz
  763. 28:15o seguinte, que não se deve confundir o
  764. 28:17interesse nos corpos com interesses em
  765. 28:19relíquias. Ou seja, em nenhum momento a
  766. 28:21Cândida Mose está, por exemplo,
  767. 28:23contradizendo a Tesvinvsk, afirmando que
  768. 28:25nós já temos no martírio de Policarpo o
  769. 28:28culto às relíquias. Ela está afirmando
  770. 28:30sim que nós já temos ali o que seria o
  771. 28:31culto aos santos, mas não
  772. 28:33necessariamente o culto das relíquias.
  773. 28:36Bom, é aí que o professor ele faz aquela
  774. 28:39analogia que é a analogia onipresente
  775. 28:41nesses debates, né, que é a analogia com
  776. 28:43a trindade. Da mesma forma que no caso
  777. 28:46da trindade, as definições técnicas, né,
  778. 28:48o refinamento conceitual da definição da
  779. 28:51trindade surgiu no século 4, né? E nem
  780. 28:54por isso a gente afirma que a trindade
  781. 28:56surge como tal no século a gente
  782. 28:58entende, nós como protestantes
  783. 28:59entendemos que a trindade é bíblica e
  784. 29:01que os autores patrísticos do século
  785. 29:03estavam trabalhando conceitualmente
  786. 29:06dentro dos dados bíblicos. Inclusive é o
  787. 29:07que eles acreditavam, né? Se você pegar,
  788. 29:09por exemplo, as obras de Atanásio, isso
  789. 29:11vai ser afirmado com uma clareza muito
  790. 29:13grande no sentido de que a trindade é
  791. 29:15uma doutrina bíblica. Nem por isso a
  792. 29:18gente afirma que a trindade surgiu só no
  793. 29:19século 4. O problema, meus amigos, é que
  794. 29:21essa analogia é extremamente ruim para o
  795. 29:23caso das relíquias. Por quê? A trindade
  796. 29:26o que nós temos é o desenvolvimento dos
  797. 29:28conceitos e das linguagens para explicar
  798. 29:31algo que já estava materialmente contido
  799. 29:34nos escritos apostólicos. No caso das
  800. 29:36relíquias, você não tem propriamente uma
  801. 29:38ideia, mas uma prática. Além disso,
  802. 29:40existe uma diferença muito grande entre
  803. 29:42as duas coisas. De fato, a trindade está
  804. 29:44claramente exposta nas escrituras, mas a
  805. 29:47explicação do mistério, ele exige sim um
  806. 29:49refinamento técnico, filosófico,
  807. 29:51teológico, que o culto às relíquias não
  808. 29:53exigem. Na verdade, a prática, por
  809. 29:55exemplo, de cultuar os restos mortais ou
  810. 29:58atribuir a eles qualquer tipo de poder
  811. 30:00miraculoso já seria algo que estava
  812. 30:03disponível para os autores mais antigos.
  813. 30:05Então, de um lado você tem um
  814. 30:06refinamento filosófico teológico, do
  815. 30:08outro tem uma prática. A a analogia que
  816. 30:12simplesmente ela não é cabível. Além
  817. 30:15disso, a divergência, né, a diferença de
  818. 30:18prova documental dos dois é brutal. Você
  819. 30:21já tem, por exemplo, no século 2, no
  820. 30:23século II, pais da igreja desenvolvendo
  821. 30:25de forma muito clara a doutrina da
  822. 30:27trindade. No caso de origens, por
  823. 30:29exemplo, você já tem uma defesa bastante
  824. 30:31exlícita da doutrina da trindade, embora
  825. 30:33ele não tivesse o mesmo refinamento
  826. 30:35terminológico que surgiria no século 4.
  827. 30:38Já no caso do culto das relíquias, você
  828. 30:40não tem nada disso. você tem
  829. 30:41literalmente uma prática que surge, né,
  830. 30:44que explode no século
  831. 30:45e para a qual não se encontram
  832. 30:47evidências dos mesmos elementos dessa
  833. 30:49prática em datas mais antigas. É aí
  834. 30:51então que surge um outro argumento do
  835. 30:53professor André que eu considero
  836. 30:54particularmente muito ruim, né? Ele faz
  837. 30:57uma outra analogia em que ele diz o
  838. 30:59seguinte, que nenhum apóstolo disse que
  839. 31:01nós deveríamos ler os livros do Novo
  840. 31:03Testamento, né, os 27 livros do Novo
  841. 31:06Testamento. Ele próprio explica porque
  842. 31:08que nenhum apóstolo falou isso. Uma vez
  843. 31:10que quando os apóstolos estavam
  844. 31:11escrevendo, eles ainda não tinham a
  845. 31:13coleção dos 27 livros fechados, né? Não
  846. 31:16tem, por exemplo, como o apóstolo Paulo
  847. 31:18falar para você ler o apocalipse de
  848. 31:20João, uma vez que Paulo, inclusive
  849. 31:21morreu antes do escrito do Apocalipse de
  850. 31:24João. Porém, meus amigos, o princípio
  851. 31:27que orienta a prática já está claramente
  852. 31:29contido nas escrituras. O próprio
  853. 31:31professor André reconhece que Jesus e os
  854. 31:33apóstolos, por exemplo, recomendavam a
  855. 31:36leitura e a verificação das escrituras
  856. 31:38hebraicas, né? Nós temos o próprio Jesus
  857. 31:40afirmando ali em suas disputas com os
  858. 31:42fariseus: "Erai por não conhecerem as
  859. 31:44escrituras". Nós temos também, por
  860. 31:46exemplo, o caso dos bereanos, né, que
  861. 31:49são elogiados pelos pelos apóstolos ali
  862. 31:52em Atos, porque eles averigam nas
  863. 31:54escrituras hebraicas se a pregação
  864. 31:55apostólica condizia com o que estava ali
  865. 31:58no texto bíblico. Então, assim, você já
  866. 32:00tem um princípio que é claramente
  867. 32:02aplicável aos livros dos apóstolos. Nós
  868. 32:04já temos, por exemplo, Paulo falando da
  869. 32:07autoridade, né, falando que aquilo que
  870. 32:08ele ensinava era mandamento de Deus. Nós
  871. 32:11já temos Pedro, inclusive se referindo,
  872. 32:13segunda Pedro se referindo
  873. 32:16às aos escritos de Paulo como escritura,
  874. 32:19né? Nós temos inclusive Paulo ordenando
  875. 32:22que as suas cartas fossem unidas nas
  876. 32:24igrejas. Então, assim, a prática de ler
  877. 32:27escritos apostólicos, ela não encontra
  878. 32:29absolutamente nenhuma equivalência com
  879. 32:31cultas relíquias. Nós já temos os
  880. 32:33próprios apóstolos do século
  881. 32:35incentivando as leituras das suas
  882. 32:37próprias cartas. e as suas próprias
  883. 32:39cartas já servindo como padrão normativo
  884. 32:42para aquelas igrejas. E a autoridade
  885. 32:44apostólica, obviamente, não só através
  886. 32:46das epístolas, mas através de sua
  887. 32:48pregação oral, também sendo autoritativa
  888. 32:51para aquelas comunidades. Já no século
  889. 32:53I, nós temos claramente os pais
  890. 32:55apostólicos, os pais apologistas, por
  891. 32:57exemplo, se direcionando, né, citando
  892. 33:00esses textos apostólicos como
  893. 33:02autoritativos. Irineu de Leon, nós já
  894. 33:04temos ali o que seria um protocano, né?
  895. 33:06Nós temos claramente, Irineu considerava
  896. 33:09os quatro evangelhos e as epístolas
  897. 33:10paulinas como canônicas. E ele afirma
  898. 33:12que esses conjuntos de documentos, de
  899. 33:15textos, ele ele ele traz uma descrição,
  900. 33:17né, um status extremamente elevado,
  901. 33:19afirmando que eles formavam com as
  902. 33:21escrituras da antiga aliança o pilar e
  903. 33:23fundamento da nossa fé. Então, nós temos
  904. 33:25aqui um um contexto muito diferente do
  905. 33:28culto das relíquias. Se ah este culto
  906. 33:32atendesse aos mesmos critérios de
  907. 33:34apostolicidade que nós temos pros
  908. 33:36escritos do Novo Testamento, o professor
  909. 33:38André de fato teria sim um argumento
  910. 33:40robusto, mas nós definitivamente não
  911. 33:42temos, né? E aqui eu queria deixar um
  912. 33:45destaque muito importante, porque quando
  913. 33:47você lê, por exemplo, os textos de Isaia
  914. 33:492 ou outros textos, né, de catecismos da
  915. 33:53da ortodoxia oriental ou do catolicismo
  916. 33:55romano, eles não simplesmente dizem que
  917. 33:58essa é uma prática apostólica que nós
  918. 34:00podemos ou não realizar. No caso de
  919. 34:02Niceia 2, a linguagem para aquelas
  920. 34:05pessoas que se negavam a prestar esse
  921. 34:07culto é extremamente pesada. Essas
  922. 34:10pessoas eram excungadas da igreja.
  923. 34:12Então, vejam que nós não estamos falando
  924. 34:14de um detalhe periférico. Se se de fato
  925. 34:17existe uma tradição apostólica que vocês
  926. 34:20nos dizem ser normativa, que nós
  927. 34:22inclusive estamos so estamos sobris
  928. 34:24risco de sermos eh danados eternamente,
  929. 34:28né, de perdermos a nossa salvação por
  930. 34:30não observarmos essa prática, então,
  931. 34:32meus amigos, vocês têm sim o ônus da
  932. 34:34prova de demonstrar claramente essa
  933. 34:36doutrina como apostólica, senão nós
  934. 34:38simplesmente vamos reverberar aquele
  935. 34:40princípio paulino muito claro. Ainda que
  936. 34:42um anjo do céu, ainda que um apóstolo
  937. 34:45apresente um outro evangelho além
  938. 34:47daquele pregado pelo apóstolo Paulo,
  939. 34:48seja anátema. Se vocês não conseguem
  940. 34:51trazer evidências robustas da
  941. 34:53normatividade dessa prática, nós estamos
  942. 34:55sim justificados em rejeitá-la, ainda
  943. 34:58mais quando vocês dizem que esta prática
  944. 35:00é uma condição paraa nossa salvação.
  945. 35:02Agora eu lhes pergunto, se algo que é
  946. 35:04uma condição para a nossa salvação não
  947. 35:07foi registrado em nenhum escrito
  948. 35:08apostólico, como é que nós podemos dar
  949. 35:10alguma credibilidade para isso? Se nem
  950. 35:12mesmo as fontes mais antigas que nós já
  951. 35:15discorremos aqui afirmam que essa
  952. 35:17prática é normativa? Ou seja, se você
  953. 35:19pegar, por exemplo, o martírio de
  954. 35:20policarpo, ninguém está dizendo ali que
  955. 35:22se você não praticar aquela forma
  956. 35:25especial de guarda dos restos mortais de
  957. 35:27Policarpo, você está sujeito a nação
  958. 35:29eterna. Então eu lhes pergunto, se nem
  959. 35:31essas fontes antigas falam isso, como é
  960. 35:33que nós vamos dar credibilidade à
  961. 35:35autoridade de vossas igrejas para exigir
  962. 35:37de nós tal coisa? E aí é que no final do
  963. 35:40vídeo o professor André então atribui a
  964. 35:42mim uma espécie de seletividade
  965. 35:46nos acadêmicos que eu uso para
  966. 35:48referendar as minhas práticas. Bom, mas
  967. 35:50aqui é importante a gente lembrar uma
  968. 35:51questão é extremamente relevante.
  969. 35:54Primeiro que você não mede a força
  970. 35:56acadêmica de uma pesquisa e contando
  971. 35:59acadêmicos, né? Você simplesmente não
  972. 36:00diz assim: "Existem sete que apoiam tal
  973. 36:03posição, existem 10 que apoiam outra,
  974. 36:05então aquele que tem mais apoiantes
  975. 36:07simplesmente é a posição vencedora".
  976. 36:08Você precisa analisar o mérito e a
  977. 36:11substância do argumento que cada
  978. 36:12acadêmico traz. Inclusive, boa parte dos
  979. 36:14acadêmicos citados pelos católicos, por
  980. 36:16exemplo, e pelo professor, eles sequer
  981. 36:18têm literatura especializada nesse tema.
  982. 36:20O Isvinvski, por exemplo, ele é
  983. 36:22considerado, dentre os acadêmicos
  984. 36:24modernos, a literatura mais
  985. 36:25especializada na origem do culto das
  986. 36:27relíquias. O professor citou, por
  987. 36:29exemplo, outros acadêmicos que falam do
  988. 36:31culto ao Santos. Mas quando se trata de
  989. 36:33uma obra tão específica tratando da
  990. 36:35origem desse culto, você pode ver em
  991. 36:38revistas acadêmicas, em revisões, a obra
  992. 36:40dovinersk é a mais citada. Então,
  993. 36:42primeiro, eu não trouxe um acadêmico que
  994. 36:44não tem respeitabilidade, pelo
  995. 36:45contrário, ele tem muita
  996. 36:46respeitabilidade. Ele é uma literatura
  997. 36:49extremamente específica sobre o tema e
  998. 36:51diferentemente do que o professor falou,
  999. 36:53ele tem sim ah, em suas teses uma
  1000. 36:56recepção acadêmica bastante robusta. Eu
  1001. 36:58não acho que o fato de o professor ter
  1002. 37:00trazido esses historiadores tenha
  1003. 37:02provado que a posição dele é
  1004. 37:03minoritária. Ele precisaria trazer, por
  1005. 37:05exemplo, alguma análise, né, alguma
  1006. 37:08alguma revisão acadêmica mais
  1007. 37:10abrangente, trazendo a gama de autores
  1008. 37:12que falaram sobre esse tema para de fato
  1009. 37:14provar isso. Um segundo ponto que eu
  1010. 37:17queria chamar a atenção é justamente a
  1011. 37:19metodologia que a gente encontra tanto
  1012. 37:21em ortodoxos orientais, em católicos
  1013. 37:23romanos. Eles geralmente são muito
  1014. 37:25arbitrários, por exemplo, na força, na
  1015. 37:29régua que é estabelecida para provar as
  1016. 37:31suas doutrinas. Por exemplo, o
  1017. 37:33professor, ele parece de alguma forma eh
  1018. 37:36acreditar que a minha posição ela é mais
  1019. 37:38frágil por ela não ser um consenso
  1020. 37:40acadêmico. Mas, meus amigos, se tem uma
  1021. 37:42coisa que ortodoxos orientais fazem é
  1022. 37:45ter posições que são absolutamente
  1023. 37:47contrárias ao consenso acadêmico. Quando
  1024. 37:49você pega, por exemplo, a questão do
  1025. 37:52culto às imagens que foi que foi
  1026. 37:54definida e defendida no Concílio de
  1027. 37:56Nicea 2 em 787,
  1028. 37:58o que os bispos afirmaram ali é que a
  1029. 38:01veneração das imagens é uma prática que
  1030. 38:03remontaria aos próprios apóstolos. E
  1031. 38:06isto na academia hoje, isso não é
  1032. 38:09considerado uma tese minoritária, isso é
  1033. 38:11considerado uma tese negacionista. Nós
  1034. 38:13não temos, por exemplo, nenhum autor da
  1035. 38:16envergadura de Isvinsk defendendo tal
  1036. 38:18coisa. até mesmo os acadêmicos
  1037. 38:20respeitados, né, ortodoxos orientais,
  1038. 38:23como Andre Luffof, como por exemplo
  1039. 38:25Calisto Zuari, como o John McGooking,
  1040. 38:27que especificamente no caso do do Luffy
  1041. 38:30e do John McGooking, eles publicam em
  1042. 38:33editoras acadêmicas respeitáveis, eles
  1043. 38:35afirmam claramente que não há evidência
  1044. 38:37de uma apostolicidade do culto às
  1045. 38:39imagens, conforme foi definido em Nicia
  1046. 38:412, né? Quando você pega, por exemplo,
  1047. 38:43Richard Price, que é uma das maiores
  1048. 38:45autoridades hoje, se não a maior
  1049. 38:46autoridade sobre o concílio de
  1050. 38:48iniciadores, ele afirma claramente que
  1051. 38:51aquilo que foi definido naquele concílio
  1052. 38:54não pode sequer ser rastreado aos pais
  1053. 38:57da igreja do século 4 e do século V. Se
  1054. 38:59não pode ser rastreado aos pais da
  1055. 39:01igreja do século 4 e do século V, quanto
  1056. 39:03mais aos apóstolos. A tese, por exemplo,
  1057. 39:06de uma apostolicidade do culto às
  1058. 39:08imagens hoje ela só defendida por
  1059. 39:12leitura confessional, geralmente
  1060. 39:14ortodoxa oriental. Quando eles vão citar
  1061. 39:16algum estudo no nesse sentido,
  1062. 39:18geralmente é de um autor que não publica
  1063. 39:20em editoras acadêmicas e não publica e
  1064. 39:23não tem absolutamente nenhuma recepção
  1065. 39:26acadêmica, historiográfica de suas
  1066. 39:28posições. Mas ainda assim isso não é um
  1067. 39:31problema para que católicos romanos e
  1068. 39:33ortodoxos orientais como o professor
  1069. 39:34André defendam apaixonadamente o Cultas
  1070. 39:38Imagens. O que que isso demonstra?
  1071. 39:39demonstra que o professor, na verdade,
  1072. 39:41ele não dá assim tanto crédito à questão
  1073. 39:44de consensos acadêmicos, por ambos,
  1074. 39:47ambas as tradições operam no princípio
  1075. 39:49de sola eclísia. E a sola eclísia, ela
  1076. 39:53tem um efeito bastante claro. As
  1077. 39:56doutrinas elas não são aderidas, elas
  1078. 39:59não são afirmadas pela força da sua
  1079. 40:01demonstração. Não é a força da
  1080. 40:03demonstração exegética ou histórica
  1081. 40:05dessas doutrinas que fazem com que
  1082. 40:08ortodoxos, com que apologistas as
  1083. 40:10defendam. É simplesmente porque as
  1084. 40:12respectivas igrejas disseram, é a sola
  1085. 40:15ecliseia versão oriental e a sola
  1086. 40:17ecliseia versão romana, que na verdade
  1087. 40:19em última instância é uma sola papa.
  1088. 40:22Então não importa a evidência
  1089. 40:23historiográfica, não importa a evidência
  1090. 40:26bíblica. O que realmente determina a
  1091. 40:28adesão a essas doutrinas é simplesmente
  1092. 40:31porque as respectivas igrejas, as
  1093. 40:33respectivas tradições assim disseram.
  1094. 40:35Isso, a meu ver nos leva a uma situação
  1095. 40:38bastante indesejável. Você tem que
  1096. 40:40literalmente muitas vezes aderir a
  1097. 40:44completos terraplanismos históricos,
  1098. 40:46como é o caso, por exemplo, do culto as
  1099. 40:47imagens. Você defender hoje que o culto
  1100. 40:49as imagens é uma tradição apostólica, é
  1101. 40:51uma prática apostólica, é um absoluto
  1102. 40:53terraplanismo histórico e também um
  1103. 40:56fideísmo eclesiástico. Fideísmo
  1104. 40:58eclesiástico é simplesmente aderir à
  1105. 41:00autoridade de alguma instituição ou de
  1106. 41:02alguma tradição, por mais frágeis que as
  1107. 41:05demonstrações de autoridade e de
  1108. 41:07credibilidade dessas tradições sejam. É
  1109. 41:09basicamente isso que católicos romanos e
  1110. 41:11ortodoxos orientais fazem no fim do dia,
  1111. 41:14né? E aqui eu não estou falando isso
  1112. 41:16como uma forma de diminuir a figura do
  1113. 41:19professor André, né? Não é uma questão
  1114. 41:21de inaptidão intelectual,
  1115. 41:23definitivamente não é o caso, até porque
  1116. 41:25ele me parece uma pessoa bastante
  1117. 41:26inteligente, mas é que o princípio
  1118. 41:28teológico, o sistema teológico que o
  1119. 41:30professor André adere exige isso dele,
  1120. 41:33ou seja, acaba exigindo que para que
  1121. 41:36você realmente coerentemente adira a
  1122. 41:39essas tradições, você precisa cometer
  1123. 41:41esse suicídio eh intelectual. é um
  1124. 41:44suicídio intelectual baseado em
  1125. 41:46terraplanismos, na aceitação de
  1126. 41:47terraplanismos históricos, como é o
  1127. 41:49caso, por exemplo, de afirmar a
  1128. 41:51apstolicidade do culto as relíquias,
  1129. 41:52algo que nenhum acadêmico que o
  1130. 41:54professor André trouxe e nenhum
  1131. 41:55acadêmico sério defende e também o
  1132. 41:57fideísmo eclesiástico. Lembrando que fé
  1133. 41:59não é fideísmo. A fé não é acreditar
  1134. 42:02contra a razão ou contra a evidência,
  1135. 42:04né? Mas o que, infelizmente, essas
  1136. 42:06tradições exigem de seus adeptos é
  1137. 42:08justamente isso, é crer contra a razão,
  1138. 42:11é crer contra a evidência. E a única
  1139. 42:13forma de você pertencer, de você estar
  1140. 42:15nessas comunidades de forma consistente
  1141. 42:17e coerente, é justamente praticar um
  1142. 42:20suicídio intelectual baseado nesses dois
  1143. 42:22elementos. Então, meus amigos, é isso.
  1144. 42:25Eu espero que vocês compartilhem essa
  1145. 42:27resposta, comentem aqui, porque isso
  1146. 42:29ajuda no nosso engajamento. Não se
  1147. 42:30esqueçam de se inscrever nesse nesse
  1148. 42:32canal, né? Quem ainda não é inscrito,
  1149. 42:34não se esqueçam de deixar um like no
  1150. 42:36vídeo para que o vídeo seja engajado e o
  1151. 42:39maior número possível de pessoas tenham
  1152. 42:41acesso a esse material. Até a próxima.
  1153. 42:43Fiquem na paz de Cristo.

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