Por que pessoas bilíngues pensam diferente | Podcast — Transcript
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- 0:00Eu
- 0:02sou brasileiro, morando há anos na
- 0:04Alemanha e por isso um dia comum como
- 0:06hoje acontece para mim sempre em dois
- 0:09idiomas. Por onde eu passo na rua, por
- 0:11exemplo, eu leio placas, anúncios,
- 0:13escuto as pessoas, tudo isso em alemão.
- 0:16Mas aqui no meu trabalho, na redação da
- 0:18Doitell Brasil, eu escrevo, leio,
- 0:20converso com meus colegas, gravo
- 0:22entrevistas também, tudo na minha língua
- 0:24materna, português. E também em
- 0:26português, claro, eu me comunico com a
- 0:27minha família e com meus amigos no
- 0:29Brasil. é no fim das contas uma vida ou
- 0:32pelo menos um cotidiano bilíngue. E tem
- 0:34vezes que de fato parece que é preciso
- 0:37virar uma chave no cérebro. Justamente
- 0:39por isso, há anos, a ciência tenta
- 0:41entender como é que o cérebro processa
- 0:44isso, de que maneira um cérebro bilíngue
- 0:47processa idiomas diferentes.
- 0:53E está no ar o DW Revista, podcast
- 0:56produzido pela redação brasileira da DW
- 0:58e publicado todas as sextas-feiras no
- 1:00YouTube e em plataformas de áudio como
- 1:02Spotify. Eu sou o Guilherme Becker em
- 1:05Bon, na Alemanha e nesta edição eu
- 1:07converso com a repórter Jéssica
- 1:09Nakamura, que fez uma reportagem sobre
- 1:11esse tema para as redes sociais da DW
- 1:13Brasil.
- 1:15[música]
- 1:17Pesquisadores da Universidade de Nova
- 1:19York publicaram um artigo recentemente
- 1:21baseado em testes que eles realizaram
- 1:23com adultos fluentes em inglês e
- 1:26espanhol. O experimento monitorava a
- 1:28atividade cerebral dos participantes
- 1:30enquanto eles lidavam com operações
- 1:33gramaticais nos dois idiomas. Jéssica
- 1:36Nacamuro, obrigado por participar do DW
- 1:38Revista mais uma vez. seja bem-vinda
- 1:40aqui e explica pra gente, por favor,
- 1:42como funcionou o experimento.
- 1:44>> Oi, Guilherme, eu que agradeço o
- 1:45convite. É sempre um prazer estar aqui
- 1:46contigo nessa conexão Bom São Paulo. E é
- 1:48bem isso que você falou, diferente da
- 1:49maioria das pesquisas anteriores que
- 1:51focavam só na recepção ou na compreensão
- 1:53da linguagem, então monitorava o cérebro
- 1:55da pessoa quando ela lia ouvia palavra
- 1:57só. Esse experimento ele buscou mostrar
- 1:58o cérebro durante a operação gramatical.
- 2:00E a operação gramatical que eles usaram
- 2:02para fazer esse teste é uma operação
- 2:03muito simples, que é passar uma palavra
- 2:05do plural pro singular, do singular pro
- 2:07plural ou simplesmente repetir essa
- 2:08palavra. Então, para fazer esse
- 2:10experimento, os pesquisadores recrutaram
- 2:1123 voluntários altamente fluentes, tanto
- 2:13em inglês quanto em espanhol, e
- 2:14colocaram eles dentro de aparelhos de
- 2:16magnetoencefalografia, que é um aparelho
- 2:18que mede a atividade cerebral a cada
- 2:20milissegundo. Então, para ter realmente
- 2:21uma transmissão ao vivo dessa atividade
- 2:22cerebral elétrica. E aí eles deram essa
- 2:24tarefa simples, que era passar uma
- 2:25palavra do plural pro singular, do
- 2:27singular pro plural ou simplesmente
- 2:28repetir. E como é que isso acontecia? O
- 2:30cara tava lá dentro desse aparelho e o
- 2:32pesquisador dava uma instrução verbal e
- 2:34mostrava uma palavra escrita em inglês
- 2:35ou espanhol. E aí não precisava fazer
- 2:37tradução nenhuma, era realmente só
- 2:38manter nessa mesma língua. Então vamos
- 2:40vamos fazer aqui como se se a gente
- 2:42tivesse nesse experimento. Vamos supor
- 2:43que você é o voluntário, eu sou
- 2:44pesquisadora. Se eu mostrasse para você
- 2:46a palavra boats e dissesse one, que que
- 2:48você falaria?
- 2:49>> Eu imagino que seria bol no singular.
- 2:52Bolt que significa barco em inglês, no
- 2:54caso, né?
- 2:55>> Isso. E se eu mostrasse barco e dissesse
- 2:57dos, que que você falaria?
- 2:59>> Aí seria barcos, o plural em espanhol.
- 3:01>> E se eu mostrasse táxi e dissesse se ou
- 3:04d, que seria diga? que que você faria?
- 3:06>> Esse seria o caso, acho que de repetir a
- 3:08palavra, né? Então eu falaria táxi.
- 3:10>> Exatamente. E assim eles conseguiram
- 3:12monitorar o cérebro enquanto ele fazia
- 3:14essa operação gramatical para entender
- 3:16como é que ele funcionava em cada idioma
- 3:18durante essa operação.
- 3:20>> E durante a pesquisa, Jéssica, o que que
- 3:21foi possível descobrir sobre o histórico
- 3:24dos debates da neurociência sobre o
- 3:26funcionamento do cérebro bilíngue? O que
- 3:29exatamente a gente já entende e ainda
- 3:31precisa entender sobre isso? Bom, a
- 3:33ciência já sabe que os cérebros
- 3:35bilíngues são diferentes do cérebro de
- 3:37quem fala uma língua só, mas são
- 3:38diferenças físicas saudáveis, como
- 3:40mudanças na matéria cinzenta, conexões
- 3:42mais eficientes na matéria branca. E
- 3:43também já sabem que o processamento da
- 3:45estrutura da linguagem concentra-se numa
- 3:47região específica do cérebro, que é a
- 3:48região frontotemporal esquerda. Nesse
- 3:50debate de como funciona um cérebro
- 3:51bilínguo em si, os pesquisadores
- 3:53basicamente se dividem em dois times.
- 3:54Tem o time da hipótese da estrutura
- 3:56superficial, que acredita que o cérebro
- 3:58gera um mecanismo neural separado para
- 4:00cada língua que a gente aprende, como se
- 4:01fossem aplicativos diferentes que o
- 4:02nosso cérebro instala para processar
- 4:04essas línguas diferentes. E os modelos
- 4:06de unificação, que defendem que o
- 4:07cérebro prefere economizar energia e
- 4:09utilizar um único mecanismo estrutural
- 4:10para todas as línguas, como se fosse um
- 4:12motor gramatical ou um hardware
- 4:14universal que só vai se adaptando a cada
- 4:16língua. E o que que a gente precisa
- 4:17entender ainda? Essa maioria das
- 4:19pesquisas antigas focava em decifra
- 4:20recepção da linguagem. E aí, como eu
- 4:22disse nessa primeira resposta, esse
- 4:24estudo tá buscando entender como que o
- 4:25cérebro planeja e executa a gramática na
- 4:28produção ativa da fala. Então,
- 4:29neurociência ainda precisa entender até
- 4:30que ponto essa descobertas se aplicam a
- 4:32idiomas que são muito distantes
- 4:33estruturalmente ou quanto ele se aplica
- 4:35só a esses idiomas que t plurais muito
- 4:37parecidos, né? Se a gente for pensar o
- 4:39inglês e espanhol, a forma como o plural
- 4:41é feito nessas duas línguas é muito
- 4:43parecida, né? Você acrescenta um s em
- 4:44geral, né? Então a ideia realmente dos
- 4:46pesquisadores era pegar essas línguas
- 4:48que são muito parecidas para entender
- 4:49realmente esse mecanismo e aí daqui
- 4:51paraa frente eles pretendem ver se eles
- 4:53conseguem aplicar isso para outras
- 4:55línguas que fazem plural de uma maneira
- 4:56diferente, como o alemão, por exemplo,
- 4:58né, que faz um plural diferente, você
- 4:59sabe dizer melhor do que eu, ou línguas
- 5:01asiáticas que tem até um alfabeto
- 5:02completamente diferente, né? Como é que
- 5:04esse cérebro vai processar também a
- 5:05leitura desse alfabeto diferente? Como é
- 5:07que processa as diferentes formas de
- 5:09fazer o plural? Esse seria o próximo
- 5:10passo aí dos pesquisadores daqui para
- 5:12frente. Mas não tem nada certo, nada
- 5:14planejado ainda. Uma coisa que eles
- 5:15estão pensando.
- 5:16>> É verdade, Jéssica. Interessante até que
- 5:18no alemão o plural pode variar bastante.
- 5:20Pode ser, por exemplo, tanto um trema
- 5:22quanto um e ou um nud
- 5:26significativa na palavra. Se a gente
- 5:28pegar a palavra muta, por exemplo, que
- 5:30significa mãe, o plural é muta. Muda
- 5:32apenas a pronúncia do u devido ao
- 5:34acréscimo do trema. Já a palavra
- 5:36garrafa, que é flasher, vira flashen com
- 5:38n no final. E glass, que significa copo
- 5:41ou vidro, vira glaza, com a com trema no
- 5:44meio e r no fim.
- 5:45>> Então, como é que o seu cérebro recruta
- 5:48uma atividade específica para
- 5:49identificar qual que é esse tipo de
- 5:51palavra para fazer essa operação, né? O
- 5:52japonês, por exemplo, plural do japonês,
- 5:54em geral, ele é acrescentado de uma
- 5:56palavra no final. Então, boku, por
- 5:58exemplo, que é a palavra masculina para
- 6:01eu, porque o japonês tem essa diferença
- 6:03de não usa pronomes para feminizar ou
- 6:05masculinizar a palavra, né? A própria
- 6:06palavra de masculina ou feminina. Então,
- 6:09o boku é o eu masculino, o atai é o eu
- 6:12feminino. Se você for colocar essas
- 6:13palavras no plural, o plural de boku é
- 6:15bokutati e o plural de watashi é o
- 6:17watashitat. Os dois significa nós. Então
- 6:20aí tem mais essa flexão de gênero que é
- 6:22diferente, né? Então são vários idiomas
- 6:24no mundo todo, vários dialetos, são
- 6:26coisas muito ricas que podem ser
- 6:28exploradas ainda. Tem tem muito campo,
- 6:29muito chão ainda para ver. É muito
- 6:31interessante saber isso, Jéssica,
- 6:32principalmente pelo fato de que eu não
- 6:34sei absolutamente nada de japonês. E
- 6:36justamente falando em novidade ou
- 6:38desconhecido, eu queria saber qual foi a
- 6:40principal surpresa encontrada pelos
- 6:43cientistas da Universidade de Nova York
- 6:44nesse estudo.
- 6:45>> Uma grande descoberta, sim, foi que a
- 6:47atividade cerebral foi praticamente
- 6:48idêntica quando eles flexionaram
- 6:50palavras em inglês ou em espanhol, que
- 6:51provavelmente tem a ver com esse fato
- 6:53dos plurais serem muito parecidos, né?
- 6:55Mas uma coisa que surpreendeu muitos
- 6:56pesquisadores é que o cérebro processou
- 6:58espanhol 110 msundos mais rápido do que
- 7:00o inglês, mesmo em quente o inglês como
- 7:02língua mais forte. Então a explicação
- 7:04que eles acharam tem a ver com a
- 7:05estrutura da língua também. Eles acham
- 7:07que a regra do plural no espanhol é
- 7:08atualmente regular e direta, enquanto o
- 7:10inglês ele exige que o cérebro gaste
- 7:12resolvendo conflitos de sons e exceções.
- 7:14Então, como se o plural do espanhol ele
- 7:16fosse mais padronizado, mudasse muito
- 7:18pouco. E dentro do inglês você tem
- 7:20realmente plurais diferentes, né? Por
- 7:21mais que tenha essa estrutura padrão de
- 7:23simplesmente acrescentar o S, você
- 7:25também tem outras palavras. Por exemplo,
- 7:27foot, que é pé, não vira foots, no
- 7:29plural, vira feit. Tooth, que é dente,
- 7:32não vira toots, vira teeth. Então tem
- 7:34essas exceções que no espanhol não tem
- 7:36tanto. No espanhol normalmente é
- 7:38realmente mais acrescentar o S no final,
- 7:39esse som de S, né? Seja só o S, a letra
- 7:42sozinha, ou então com com outras vogais
- 7:44ali no meio, né?
- 7:45>> Jessica, quais devem ser os próximos
- 7:47passos dos pesquisadores desse estudo?
- 7:49Talvez explorar outros idiomas. seja o
- 7:51principal foco.
- 7:52>> Isso foi isso que eu comentei antes.
- 7:54Como nesse primeiro experimento eles
- 7:56pegaram línguas que fazem plurais muito
- 7:57parecidos, daqui pra frente eles querem
- 7:59testar outros idiomas que possuem
- 8:01estruturas, sistemas e até mesmo
- 8:02alfabetos diferentes, como por exemplo o
- 8:04mandarim, que faz parte do domínio de
- 8:06uma das autoras, e o alemão, que faz
- 8:09parte do seu domínio e do domínio de um
- 8:10outro dos pesquisadores ali. Eu acho
- 8:12muito interessante que isso esteja sendo
- 8:14feito nesse laboratório da Universidade
- 8:16de Nova York, que é o laboratório de
- 8:17neurociência do multilinguismo. E ele é
- 8:20formado por pesquisadores de origens
- 8:21diversas do mundo todo. Então, assim
- 8:23como a gente consegue aqui conversar
- 8:25sobre a nossa família, entender como é
- 8:27que funciona na prática mesmo nas
- 8:29comunidades, a forma como as pessoas
- 8:30processam a língua, esses pesquisadores
- 8:32todos vieram de diferentes lugares do
- 8:34mundo, de diferentes países, com
- 8:35diferentes idiomas. Então eles conseguem
- 8:37tocar essas pesquisas de forma muito
- 8:39mais múltipla e diversa, né? É diferente
- 8:41se fosse só tipo a gente do Brasil
- 8:42pesquisando isso ou só a galera ali nos
- 8:43Estados Unidos pesquisando isso. Então,
- 8:45esses são os próximos passos que não
- 8:47estão escritos ainda, não estão
- 8:49planejados praticamente, mas é uma
- 8:51intenção que eles têm.
- 8:57[música]
- 8:58>> Uma curiosidade, Jéssica, eh, eu costumo
- 9:00sonhar em diferentes idiomas, português,
- 9:02obviamente, minha língua materna, mas
- 9:04também muito em alemão, às vezes também
- 9:06em inglês e até em espanhol. Como é que
- 9:07funciona isso para ti, que também tem
- 9:09português como língua materna, mas fala
- 9:12inglês de maneira fluente e também tem
- 9:14uma boa base de japonês devido aos teus
- 9:16avós, né,
- 9:17>> cara? Depende muito do que que eu tô
- 9:19consumindo. Assim, se eu tô vendo muita
- 9:20série em inglês, eu vou acabar sonhando
- 9:22em inglês. E normal, assim, eu imagino
- 9:24que com você acontece a mesma coisa, né?
- 9:25Você não percebe que você tá sonhando em
- 9:26outro idioma quando você tá sonhando. É
- 9:28como se fosse um sonho normal, né? Se eu
- 9:30tô vendo mais coisas em japonês, em
- 9:31japonês eu sonho menos, né? Porque como
- 9:32eu não domino tanto idioma, para mim é
- 9:34mais inglês e e português. Então, por
- 9:37exemplo, quando eu fiz intercâmbio, eu
- 9:38morei um ano do ensino médio nos Estados
- 9:39Unidos, né? E eu morei praticamente em
- 9:41cativeiro, não me deixavam ter contato
- 9:43com a minha família e tal. Enfim, esse
- 9:44drama é papo para outro podcast, mas
- 9:46como eu não tinha contato nenhum com
- 9:48português, não tinha contato nenhum com
- 9:49brasileiros e era proibido de falar com
- 9:51a minha família, não falava português
- 9:53com ninguém, eu basicamente esquecia o
- 9:56português. Então eu vivia em inglês o
- 9:57dia todo. Eu tinha aulas em inglês de
- 10:00química, matemática, de literatura
- 10:02grega, tudo em inglês. Eu funcionava em
- 10:05inglês, todas as coisas, as comidas,
- 10:06tudo era em inglês. Quando chegava uma
- 10:08hora depois que eu mudei de casa, eu
- 10:09consegui falar com a minha família pro
- 10:10telefone, parecia que eu não conseguia
- 10:12mais falar.
- 10:13>> [risadas]
- 10:13>> em português, eu esqueci as palavras, é
- 10:16um negócio muito doido. Então, acho que
- 10:17quanto mais imerso você tá na língua da
- 10:19cultura ali, mais você, o seu cérebro
- 10:21fica com essa chavinha virada para esse
- 10:23idioma, né? A sensação que eu tenho é
- 10:25essa. No dia a dia, o idioma que eu tô
- 10:27usando mais é o idioma que vai aparecer
- 10:28no meu sonho. Não sei se com você
- 10:30aconte. É que com você é muito
- 10:32diferente, né? Porque eu sou dia a dia
- 10:34em alemão, mas o seu trabalho é todo em
- 10:36português, né? Então, como é que
- 10:37funciona para você? Isso
- 10:39>> é mais ou menos aquilo que eu falei no
- 10:40início, Jéssica. parece que tem que
- 10:42virar uma chave. E tudo começa
- 10:44justamente quando a conversa se inicia
- 10:46por meio do comumprimento. Ou seja, a
- 10:48partir do momento que eu cumprimento
- 10:50alguém em alemão ou em inglês ou até
- 10:53espanhol, que eu consigo dominar um
- 10:54pouco também, incomparável com o
- 10:55português, que é minha língua mãe e
- 10:58basicamente a gente quase não precisa
- 10:59pensar para falar, mas tem momentos e
- 11:02situações em que inclusive, por exemplo,
- 11:05sei lá, o alemão já se torna uma coisa
- 11:07quase automática, mas tudo começa por
- 11:09meio do comprimento, do início da frase.
- 11:12A partir dali, eu tô vendo que eu tô
- 11:13falando alemão com aquela pessoa e eu
- 11:15preciso virar uma chave no meu cérebro
- 11:17que vai me levar a construir as frases e
- 11:19os meus pensamentos em alemão, por
- 11:22exemplo.
- 11:22>> E aí em bom também tem um uma outra
- 11:25particularidade que é muito interessante
- 11:26que vocês ouvem todas as línguas ao
- 11:28longo do dia, né? Se você for pro
- 11:29refeitório, porque acho que que é uma
- 11:31coisa pode explicar melhor aí pros
- 11:32ouvintes que o escritório da da Deit
- 11:36fica em Born, na Alemanha, mas tem
- 11:38escritórios de várias partes do mundo,
- 11:39né? falando e produzindo em idiomas
- 11:41diferentes, né?
- 11:42>> É, não é muito interessante o mundo que
- 11:43é aqui dentro, realmente, porque a Doell
- 11:45tem escritórios em Bon em Berlim e ao
- 11:48todo são 32 línguas, 32 idiomas
- 11:51produzindo conteúdo. Então, às vezes a
- 11:53gente cruza com pessoas no corredor aqui
- 11:55que eu não faço ideia de qual idioma
- 11:58essa pessoa tá falando, né?
- 11:59>> E diferentes dialetos e sotaques do
- 12:01mesmo idioma também, né? Porque aí tem a
- 12:03redação brasileira, mas tem a redação
- 12:04também do português paraa África, né?
- 12:07Exatamente. Todas essas pessoas, ou pelo
- 12:09menos a maioria delas, fala alemão
- 12:11muitas vezes e também inglês. Então, dá
- 12:15para perceber que existe realmente uma
- 12:17miscelânia de sutaques de diferentes
- 12:19origens.
- 12:20>> E já aconteceu de você usar o idioma
- 12:22errado com a pessoa? Então, uma pessoa
- 12:24que não fala alemão, você fala alemão.
- 12:25Uma pessoa que não fala português, você
- 12:26acaba falando português com ela ou não?
- 12:28>> Já, já aconteceu mais de uma vez. E é
- 12:31uma situação em que, mais ou menos
- 12:34baseada naquilo que eu falei, a chave
- 12:35não virou e a partir do momento que a
- 12:37chave não vira, acontece uma confusão
- 12:40aí, né? Já falei alemão com brasileiro,
- 12:42português com alemão, inglês com alemão,
- 12:45sabendo que o alemão falava alemão.
- 12:47Então, acaba gerando sim um conflito aí,
- 12:50né? E principalmente um conflito também
- 12:52interno no nosso próprio cérebro na hora
- 12:54de decifrar o código por meio do qual a
- 12:57gente tá se comunicando, no caso, o
- 12:59idioma, né?
- 13:00Super. Eu lembro quando eu comecei a
- 13:02aprender japonês, quando eu tinha, sei
- 13:04lá, uns 14 anos e eu já estudava inglês
- 13:07de forma particular e estudava espanhol
- 13:08na escola também. E aí eu comecei a a
- 13:10aprender japonês, eu não sabia em que
- 13:12idioma eu tava respondendo. Tipo,
- 13:13professor perguntava em japonês, eu
- 13:14respondia em espanhol ou respondia em
- 13:16inglês. E aí é um negócio, dá uma
- 13:17vergonha, você ficar, meu Deus, não sei
- 13:18falar o idioma. Mas agora a gente não
- 13:21precisa mais sentir vergonha, porque
- 13:22agora a gente tem a desculpa perfeita,
- 13:24que é esse estudo mostrando que não é
- 13:25culpa nossa, é culpa do nosso hardware
- 13:27que não se adaptou, não fez a mudança,
- 13:29não mudou a chavinha ali. Então, olha
- 13:30só, só vantagens.
- 13:33[música]
- 13:39A edição dessa semana do DW Revista, uma
- 13:42produção da DW em Bona, Alemanha, fica
- 13:45por aqui. Fica aqui também meu muito
- 13:46obrigado a Jéssica Nacamura pelas
- 13:48informações e percepções compartilhadas
- 13:51neste episódio.
- 13:52>> Obrigada. Boa semana aí no seu
- 13:53escritório multicultural. Mais conteúdos
- 13:56você encontra no nosso site
- 13:57dw.com/brasil
- 13:59e também no canal da DWBIL no YouTube. A
- 14:02apresentação e a edição técnica são
- 14:04minhas, Guilherme Becker, bem como a
- 14:07produção, que é minha e da Bárbara
- 14:08Rubira. A revisão final é da Érica Cocai
- 14:11e a coordenação é do Rafael Plesan. O DW
- 14:14Revista volta na sexta-feira que vem.
- 14:16Obrigado por acompanhar a gente e um bom
- 14:18final de semana.
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