O PARADOXO da TOLERÂNCIA EXPLICADO — Transcript
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- 0:00Esse vídeo é polêmico,
- 0:01e ao invés de fazer uma introdução, eu quero jogar logo a pergunta que vai ser discutida aqui
- 0:04Existem opiniões que são tão extremas que deveriam ser proibidas?
- 0:09Talvez você pense que sim, existem limites para o que é razoável expressar dentro de uma sociedade
- 0:13Ou talvez você pense que não, todas as ideias merecem vir ao ar
- 0:16E eu não tô aqui pra discordar de você, e sim pra tentar te dar uma perspectiva um
- 0:20pouco mais aprofundada sobre essa discussão, porque honestamente eu acho que todos meio que
- 0:25estamos precisando.
- 0:26E pra fazer isso, nós vamos conversar sobre a versão mais tradicional desse
- 0:30problema, que é conhecido como o paradoxo da tolerância.
- 0:33O paradoxo da tolerância foi apresentado
- 0:34pelo filósofo Karl Popper e ele diz mais ou menos o seguinte.
- 0:38Imagine uma sociedade com tolerância ilimitada.
- 0:41Ela aceita e tolera todas as opiniões possíveis.
- 0:43Sim, eu disse TODAS as opiniões possíveis.
- 0:46Parem e pensem em uma opinião bem absurda.
- 0:48De preferência a coisa mais extrema que passa pela sua cabeça.
- 0:50Pensou?
- 0:51Então não escreve nos comentários.
- 0:53Mas se você quiser se inscrever no canal, isso seria bem legal.
- 0:56Pra continuar esse exemplo, eu vou imaginar que
- 0:58a opinião extrema é a de que quem toma com açúcar merece ser preso.
- 1:02Ei!
- 1:03Tá bom. Isso é extremo.
- 1:05As pessoas deviam poder tomar café como quiserem, mesmo as que tomam errado porque colocam açúcar.
- 1:09Mas esse não é o ponto.
- 1:11O ponto aqui é que uma sociedade que tem tolerância ilimitada vai tolerar essa opinião.
- 1:16Mas não é muito difícil de brincar com esse exemplo pra ver que a situação pode
- 1:19entortar de vez muito rápido.
- 1:21Vamos supor que, no início, poucas pessoas concordem que quem toma café com açúcar
- 1:25deveria ser preso.
- 1:26Mas com o tempo, essa opinião vai ganhando tração e entra até pro debate público.
- 1:30Em não muito tempo, começam a surgir vídeos na internet de pessoas sendo expulsas de cafeterias
- 1:35por outros clientes justamente por pedirem café com açúcar.
- 1:37E aí você, que ama colocar açúcar no café porque a vida já é amarga o suficiente,
- 1:42começa a esconder sua preferência.
- 1:44Você se sente mal de falar isso em público porque não sabe qual vai ser a reação das
- 1:47outras pessoas.
- 1:48No fim, você esconde completamente o que pensa e prefere por pura pressão social.
- 1:53É óbvio que esse é só um exemplo bobo, porque se eu colocasse opiniões extremas
- 1:56de verdade aqui, esse vídeo não duraria um dia no ar.
- 1:59Mas ele me ajuda a ilustrar como a sociedade com
- 2:01tolerância ilimitada acaba ficando exposta a opiniões intolerantes,
- 2:05que por sua vez, acabam suprimindo outras opiniões.
- 2:08Então a solução é simples, certo?
- 2:11Nós devemos parar de tolerar quem é intolerante.
- 2:13Voltando pro nosso exemplo, talvez a nossa salvação fosse multar ou prender quem
- 2:18expressasse opinião de que pessoas que tomam café com açúcar merecem ser presas.
- 2:22Quem sabe a saída seja termos pelo menos um pouco de intolerância com os intolerantes,
- 2:27pra garantir que pessoas que tomam café com açúcar sejam deixadas em paz, mesmo estando
- 2:31erradas.
- 2:31Calma ai, Pedro não dá mais, você vai falar isso pra você ser multado.
- 2:38Mas não, isso não faz sentido.
- 2:40E aqui eu preciso pedir desculpas por esse exemplo ser bobo, mas troquem a opinião extrema
- 2:45por qualquer outra que vocês ouviram ultimamente, ele ainda vai valer.
- 2:48Se você achou que me remover de apresentador foi uma atitude extrema, bom, é por isso
- 2:52que o paradoxo da tolerância é um paradoxo.
- 2:55Se a solução pro paradoxo da tolerância fosse simplesmente ser completamente intolerante
- 3:00com qualquer opinião intolerante, o próprio Popper teria pensado nisso.
- 3:04Tanto a tolerância quanto a intolerância podem sair do controle e acabarem criando
- 3:08uma sociedade menos livre, ou, como diria o Popper, menos aberta.
- 3:12O grande argumento de Popper é que a sociedade maximamente livre se encontra em algum meio
- 3:17termo entre a intolerância extrema e a tolerância extrema, com os dois extremos gerando uma
- 3:23sociedade que não é a ideal.
- 3:24Mas responder onde está o grau perfeito ou limite de tolerância não é fácil.
- 3:30E pra fazer isso, nós precisamos responder três perguntas difíceis e perigosas, que são...
- 3:34Como decidimos quais ideias passaram dos limites?
- 3:37Como nós podemos punir ou restringir essas ideias?
- 3:40E quem é que pode executar essas punições?
- 3:43Essas perguntas não são hipotéticas.
- 3:45Em algum momento, todos os países e sociedades do mundo precisaram ou vão precisar responder
- 3:49essas perguntas na prática.
- 3:51Por exemplo, geralmente quem decide quais
- 3:53ideias passaram dos limites e como devemos puni-las são os corpos legislativos dos países,
- 3:58que podem fazer leis limitando formas de expressão,
- 4:01que vão desde ser mandante de um assassinato até
- 4:03proibir de gritar fogo em uma sala de cinema cheia.
- 4:05E quem executa essas punições, na maioria das vezes,
- 4:07é o poder judiciário, que é o responsável por lidar com quem viola as leis.
- 4:11Tanto é que boa
- 4:12parte das discussões sobre o paradoxo da tolerância
- 4:14acabam usando política institucional como grande
- 4:16exemplo.
- 4:17Mas hoje, nós vamos fazer diferente.
- 4:19Antes de eu continuar, eu preciso fazer um apelo pro seu lado sonolento que gosta de dormir
- 4:23Se você é como eu e ama uma boa noite de sono, investir em um colchão é essencial
- 4:27O problema é que trocar de colchão sempre dá aquela ansiedade e dor de cabeça
- 4:30Primeiro porque se você mora num apartamento, você tem que subir um trambolho enorme pela escada
- 4:34Aí você tem que virar nos corredores, aí tem que enfiar no elevador, se passar
- 4:37Mas com Emma, isso mudou
- 4:39Os colchões Emma vem dentro dessa caixa aqui.
- 4:42Você só abre, desenrola numa superfície plana, espera 4 horinhas e pronto.
- 4:46Tá liberado pra ter as melhores noites de sono da sua vida.
- 4:48E levando em conta que você passa 1 terço da sua vida dormindo, isso é bem importante.
- 4:51E não é só a praticidade. O Emma Original tem bloqueio de movimento,
- 4:55capa removível lavável e suporte ergonômico.
- 4:57E durante a Black Week da Emma, os descontos os pontos chegam até 65%
- 5:02e usando o meu cupom você ainda ganha 10% extra
- 5:05Ah, e se você não curtiu o colchão tá tudo bem porque
- 5:08são 100 noites de teste e 10 anos de garantia
- 5:11Não precisa esperar novembro para dormir bem,
- 5:13a Emma trouxe a Black Friday para julho, literalmente
- 5:16E agora sim, de volta ao vídeo
- 5:18Eu vou te explicar o paradoxo da tolerância de Popper e algumas
- 5:21ideias importantes para entendê-lo melhor.
- 5:23E também vou dar alguns exemplos que você pode literalmente aplicar em casa.
- 5:26E pra isso, eu preciso começar explicando o que é Cosmovisão.
- 5:30Todos nós nascemos dentro de uma Cosmovisão.
- 5:32É através dela que nós interpretamos a realidade ao nosso redor e damos sentido às coisas que
- 5:37experienciamos.
- 5:38Mas aqui eu preciso fazer uma distinção importante.
- 5:41Cosmovisão não é sinônimo de cultura, mesmo que uma possa
- 5:44influenciar a outra.
- 5:46A cultura é a que dita hábitos e costumes específicos.
- 5:49O que comemos,
- 5:50como nos vestimos ou por que celebramos certas datas faz parte da cultura na qual nós estamos
- 5:55inseridos.
- 5:56A cosmovisão nos dá o valor que nós atribuímos às coisas.
- 6:00Por exemplo,
- 6:00dependendo da cosmovisão, o casamento pode ser visto
- 6:03como uma união sagrada ou como um contrato social.
- 6:07O carnaval, que é uma parte importante da cultura brasileira, pode ser visto
- 6:10como uma excelente oportunidade de ir em uma festa em uma cosmovisão
- 6:14ou como um bom feriado para descansar em outra.
- 6:16A cosmovisão é mais sobre como você percebe e avalia o mundo ao
- 6:19seu redor do que exatamente sobre o que você faz nele.
- 6:22De certa forma, a cosmovisão funciona como se fossem óculos com os quais você enxerga o mundo.
- 6:27Imagine que cada um desses representa diferentes cosmovisões.
- 6:31Qual delas representa melhor como eu penso sobre o mundo?
- 6:35Ah! Um terremoto!
- 6:37Essa é uma ótima oportunidade para experimentar os óculos.
- 6:39Esse terremoto tem uma razão física e geológica.
- 6:42Ele aconteceu porque placas tectônicas se moveram.
- 6:48Esse terremoto foi uma mensagem pra nós darmos mais valor à vida.
- 6:53E a prova disso é que os óculos ficaram no mesmo lugar.
- 7:01Nem um nem outro.
- 7:02Isso foi só a câmera se mexendo.
- 7:04No livro Os tipos de concepção de mundo e sua formação nos sistemas metafísicos,
- 7:08o filósofo Wilhelm Dilthey argumenta que nós nascemos em uma cosmovisão e a nossa forma
- 7:13de pensar é profundamente moldada por ela.
- 7:15Somos, em grande parte, produtos do contexto histórico-temporal em que estamos inseridos.
- 7:20Por exemplo, alguém que viveu na idade média em um feudo teria uma visão muito
- 7:24diferente sobre coisas como a vida, a arte e a morte se comparado com alguém
- 7:28que nasceu e mora em uma grande cidade como São Paulo.
- 7:31O espírito do tempo no qual nascemos
- 7:33define os nossos horizontes de pensamento.
- 7:35Ou seja, um homem medieval europeu não teve
- 7:38à sua disposição os avanços científicos, as mudanças do globo,
- 7:42as grandes guerras e o mundo tecnológico de hoje,
- 7:44mas isso não quer dizer que a sua cosmovisão tenha menos valor
- 7:48ela faz parte daquele contexto e pode até sobreviver ao tempo,
- 7:51além disso nós podemos mudar de cosmovisão ao longo da vida
- 7:54podemos adotar novos valores, novas crenças e até mudar as nossas respostas
- 7:59para as grandes questões como por exemplo o mistério da morte
- 8:02como que o Flamengo conseguiu tomar aquele gol em 5 minutos de jogo
- 8:04É possível por exemplo que alguém que antes acreditava em uma vida após a morte
- 8:08passe a negar essa possibilidade ou vice-versa
- 8:11tá...
- 8:13bem bonito
- 8:14mas...
- 8:14o que que isso tem a ver com o paradoxo da tolerância?
- 8:17o conceito de cosmovisão nos dá uma forma mais precisa de apresentar o paradoxo da tolerância
- 8:21que na verdade é na forma de uma pergunta.
- 8:23Existem cosmovisões que não podem ser toleradas?
- 8:27Isso é, existem formas de ver o mundo que são fundamentalmente
- 8:31incompatíveis com uma sociedade tolerante
- 8:34e que por isso precisam ser desprezadas mesmo por uma sociedade que quer ser inclusiva?
- 8:39Popper sugere que a tolerância não pode ser um caminho sem fim.
- 8:42Precisa existir um limite em que a intolerância seja enfrentada.
- 8:46Mas isso é uma resposta muito curta para uma pergunta bem complicada.
- 8:50Porque a pergunta que segue é...
- 8:51Se nós não podemos tolerar cosmovisões intolerantes,
- 8:55então como classificamos quais delas são inaceitáveis?
- 8:58Ou, em outras palavras, qual que é a linha da intolerância.
- 9:02Porque sim, em exemplos diretos, é fácil de decidir quando alguém cruzou a linha.
- 9:05Que pena que esse terremoto não quebrou esses outros óculos.
- 9:09Não, esse aqui tá quebrado.
- 9:11Esse era um exemplo direto.
- 9:13É fácil de ver que a linha da intolerância foi cruzada,
- 9:16mas no mundo real,
- 9:17as ideias muitas vezes não são expressadas
- 9:19de formas tão diretas e óbvias.
- 9:21As vezes pessoas verdadeiramente intolerantes se escondem por trás do eufemismo
- 9:25Outras vezes, pessoas são intolerantes por razões não maliciosas
- 9:29Simplesmente por terem uma cosmovisão que contrasta demais com o mundo em que elas habitam
- 9:33O suficiente para essas pessoas sentirem que certas mudanças não podem ser toleradas
- 9:38Ou ainda, nós podemos ter opiniões que a princípio são mais moderadas
- 9:42Mas que podem servir como um ponto de entrada pra visões intolerantes.
- 9:45E eu sei que esse tempo todo você provavelmente deve estar pensando em política.
- 9:48E é justo.
- 9:49Esse é um exemplo que se aplica à política.
- 9:51Mas ao invés de ir direto pra um exemplo macro e que envolve diversas variáveis complicadas,
- 9:55por que que nós não tentamos olhar pra um exemplo mais perto de casa?
- 9:58Você já parou ou diminuiu o convívio com um amigo ou um familiar pelo que eles falam ou pensam?
- 10:04Se sim, isso foi você exercendo, na prática, sua resposta pro paradoxo da tolerância.
- 10:08Mas você acha que essa pessoa da qual você se afastou se considera intolerante?
- 10:12Provavelmente não.
- 10:13Eles devem se achar os certos da história.
- 10:15E acreditam que você é chato por ter se afastado.
- 10:18A realidade é que a maior parte das pessoas acha que é uma pessoa
- 10:21normal e perfeitamente razoável dentro da sua própria cosmovisão.
- 10:24Todo mundo acha que tem uma boa razão para acreditar no que acredita.
- 10:28Quase ninguém acha que é um vilão ou uma pessoa ruim.
- 10:30Mas se as pessoas não pudessem tomar escolhas intolerantes que às vezes machucam outras pessoas,
- 10:36a história do mundo seria bem diferente.
- 10:38A realidade é que muitas vezes pensamos que restrições de liberdade só existem
- 10:42quando impostas de cima pra baixo, como por um governo autoritário.
- 10:46E sim, isso acontece e é um problema.
- 10:48Mas essa não é a única forma de restringir liberdades e de impor cosmovisões.
- 10:53Existe uma forma mais sutil disso que surge não através de uma imposição estrutural,
- 10:57mas sim através de uma imposição social.
- 10:59Isso é algo que qualquer pessoa que já conviveu com familiares
- 11:03ou colegas de trabalho com cosmovisões completamente diferentes sentiu um pouco.
- 11:07Talvez, quando cercados por essas pessoas muito diferentes, você sentiu que não podia
- 11:12expressar suas verdadeiras ideias e tinha que se limitar pra manter a paz ou evitar
- 11:17ser excluído do grupo.
- 11:19Ou quem sabe você mesmo tenha sido excluído de um grupo por ter opiniões diferentes demais.
- 11:23Isso é um microcosmo do paradoxo da tolerância.
- 11:26E sim, esses exemplos são menos dramáticos do que um governo autoritário censurando notícias,
- 11:31mas são em momentos como esse que você pode exercitar sua resposta ao paradoxo da tolerância.
- 11:36A boa notícia é que o debate sobre tolerância evoluiu muito desde que Popper o propôs.
- 11:41Existem pesquisas científicas tentando estudar melhor o conceito de tolerância.
- 11:44E um dos pontos centrais do debate é o que exatamente nós queremos dizer
- 11:49quando chamamos alguma coisa de tolerância.
- 11:51Na definição mais simples, tolerância é o oposto de intolerância.
- 11:55Quando você tolera algo, você permite que aquele algo esteja ao seu lado na sociedade.
- 11:59Quando você é intolerante, você é incapaz de coexistir com as coisas que não tolera.
- 12:03Mas essa não é uma definição boa o suficiente para estudar e analisar nossa sociedade.
- 12:07Uma pesquisa realizada em 2019
- 12:09apontou que modelos sociológicos que usam essa definição simples de tolerância são incapazes
- 12:14de modelar a intolerância na prática.
- 12:16O estudo realizou uma pesquisa com um número grande de
- 12:18pessoas.
- 12:18E aí, estudando a resposta de só uma pequena parcela dos participantes,
- 12:22tentou prever o grau de tolerância do resto deles.
- 12:25O principal resultado foi que pensar em tolerância
- 12:28só como o oposto direto de intolerância não gera boas previsões.
- 12:32O estudo, então,
- 12:33propôs um modelo mais robusto, em que tolerância é dividida em três
- 12:37qualidades.
- 12:38Respeito,
- 12:39aceitação e apreciação.
- 12:41E o grau de tolerância de indivíduos e comunidades é melhor explicado por esse modelo de 3 graus
- 12:46de tolerância.
- 12:47Por exemplo, indivíduos podem respeitar uma cultura diferente, mas não aceitar que essa
- 12:52cultura exista próxima deles.
- 12:54Ou eles podem aceitar que essa cultura coexista próxima a eles, mas evitar contato com ela.
- 13:00Ou eles podem apreciar o fato de viverem próximos de culturas diferentes.
- 13:03Usando esse modelo, eles tentaram avaliar o quão dispostas as pessoas estavam a respeitar,
- 13:08aceitar e apreciar diferenças.
- 13:10Uma das conclusões mais importantes do estudo é que dos três tipos de tolerância,
- 13:15apenas a apreciação por outras culturas e outros grupos acaba
- 13:18levando a reduções significativas de preconceitos e intolerância.
- 13:21Ou seja, respeito e aceitação são o ponto de partida para superar as
- 13:25diferenças, mas só fazemos isso de fato quando nós aprendemos a valorizar pessoas que são diferentes
- 13:30de nós.
- 13:31Mas claro, esse é só um estudo recente, e o próprio estudo pede cuidado ao generalizar as
- 13:35conclusões do modelo.
- 13:37Um outro estudo de 2013 tentou criar uma sociedade e modelo em computador
- 13:40com dinâmicas sociais de tolerância e intolerância usando teoria dos jogos.
- 13:44E sim, os resultados desse estudo não podem ser diretamente traduzidos para o mundo real.
- 13:49Mas o estudo também chegou em resultados que favorecem uma ideia similar sobre a apreciação
- 13:53de outras culturas como a melhor cura para preconceitos.
- 13:56Essa é a chamada hipótese do contato intergrupal, que sugere que indivíduos
- 14:01deixam seus preconceitos de lado só após contatos positivos com o grupo que eles tinham preconceito.
- 14:06Mas parem e pensem no que isso quer dizer.
- 14:09É muito mais fácil ser intolerante de longe.
- 14:11E isso até faz certo sentido.
- 14:13Humanos têm mais semelhanças entre si do que diferenças,
- 14:16mesmo que sejam essas diferenças que normalmente se destaquem na sociedade.
- 14:20Para finalizar,
- 14:21é realmente desafiador encontrar uma maneira de garantir que a diversidade de cosmovisões
- 14:25possa coexistir sem que a intolerância de uns impeça a liberdade de outros.
- 14:31Eu não tenho essa resposta.
- 14:32E talvez ninguém tenha.
- 14:34Nem mesmo o Popper.
- 14:36Só que me preocupa um pouco que quando eu vejo o paradoxo da tolerância sendo discutido,
- 14:40muitas pessoas entendem que a solução do próprio Popper é simplesmente que nós devemos
- 14:44ser intolerantes com pessoas intolerantes
- 14:46O que nem de longe é verdade
- 14:47O ponto do paradoxo é justamente o quão complicado
- 14:50é balancear a tolerância em uma sociedade na prática
- 14:53E tem uma outra pergunta ainda mais perigosa que surge
- 14:55O que exatamente nós devemos fazer com as cosmovisões intoleráveis?
- 15:00Se algum indivíduo passa dos limites sociais e expressa ideias perigosas,
- 15:03como ele deve ser tratado?
- 15:05E isso serve pra mostrar como nós podemos ir longe em pouco tempo falando desse problema.
- 15:10Nós começamos falando sobre opiniões polêmicas e
- 15:12chegamos em perguntas sobre usos legítimos de violência.
- 15:15Mas isso serve pra mostrar que o paradoxo da tolerância não é
- 15:18uma pergunta que requer uma resposta definitiva.
- 15:21Pelo contrário, nós esperamos que conforme o mundo mude, as
- 15:25respostas para o paradoxo também mudem.
- 15:27O desafio é justamente conseguirmos
- 15:28construir um mundo em que damos liberdade o suficiente para as pessoas serem livres,
- 15:32mas evitamos dar a oportunidade para pessoas mal-intencionadas destruírem essa liberdade.
- 15:37Mas como exatamente isso deve ser feito na prática talvez seja um dos maiores desafios da humanidade.
- 15:42Na sua opinião, o que nós precisamos fazer para diferenças não escalarem para a intolerância?
- 15:47Bora ter uma conversa profunda e sadia sobre isso nos comentários.
- 15:50Muito obrigado e até a próxima!
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