💥 MIGUEL MORGADO E CRISTINA ARRASAM A CONFERÊNCIA DE LUÍS NEVES! — Transcript
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- 0:00Miguel Morgado e Cristina Rodrigues não
- 0:01pouparam Luís Neves e consideram que a
- 0:03conferência de imprensa levantou ainda
- 0:05mais dúvidas do que respostas. Entre
- 0:07críticas duríssimas, contradições e
- 0:09apelos a uma comissão parlamentar de
- 0:10inquérito, este debate acabou por
- 0:12transformar-se numa verdadeira bronca
- 0:13política. Veja agora estes momentos.
- 0:16>> Bem, já agora, só para clarificar aqui o
- 0:18meu cadastro, eu fiz, acho que fui das
- 0:22poucas pessoas que contrariou o consenso
- 0:24nacional de que Luism não tinha feito
- 0:25uma grande escolha para administração da
- 0:27administração interna. Já agora quero
- 0:28recordar aqui para puxar dos galões que
- 0:31tinha feito a mesma coisa com a Maia
- 0:32anterior Maria Lucia Amaral que na
- 0:34altura também disse logo no início no
- 0:36dia da nomeação que era uma má escolha
- 0:37pelas razões institucionais e disse a
- 0:39mesma coisa relativamente a Luís Neves.
- 0:41Portanto, muito antes de haver estas
- 0:42confusões e estas revelações da
- 0:43imprensa, eu critiquei a nomeação de
- 0:46Luís Neves por razões institucionais.
- 0:49Ele vai vem da polícia para ser mãe.
- 0:52Acho que isso não se deve fazer. e
- 0:53critiquei-o pela orientação política
- 0:56geral dele, que ele nunca se coibiu de
- 0:58publicitar, que a meu ver é
- 1:01completamente contraditória com a linha
- 1:02de Luís Montenegro desde que esu à
- 1:03presidência do PSD e desde que se tornou
- 1:04primeiro-ministro, nomeadamente a
- 1:06história do desmatelamento do CEF, que
- 1:07Luís Neves continua a dizer que foi uma
- 1:08grande coisa e Luís Montenegre diz que
- 1:10foi um grande desastre. Pronto. E eu
- 1:11criticamente, ou seja, esta contradição
- 1:13de onde é que vem a razão e eu continuo
- 1:15à espera que Luis Montenegro um dia, nem
- 1:17que seja das suas memórias, explique
- 1:19porque é que escolheu Luís Neves,
- 1:20independentemente independentemente de
- 1:23todas estas suspeitas que foram criadas
- 1:25nos últimos nas últimas três semanas.
- 1:26Portanto, a minha crítica a Luís Neves é
- 1:27até anterior a isto. Quanto às
- 1:29revelações que foram feitas, eu
- 1:31classifiquei-as como imprudências
- 1:32naquela fase inicial, coisas que ele
- 1:35esclareceu à maneira dele relativamente
- 1:37às obras, ia lá trabalhar com o filho
- 1:40aos fins de semana para reabilitar
- 1:42aquilo. Eh, houve coisas que ele não
- 1:44esclareceu, coisas um bocado mais ou
- 1:46menos patéticas a que eu nunca dei
- 1:47grande importância. É verdade. Há
- 1:49pessoas que dão uma grande importância a
- 1:50isso. A história do tanque e da piscina.
- 1:52Agora o tanque converteu-se em piscina
- 1:53sem ele querer e vai voltar a ser
- 1:56tanque. Enfim, isso é o tipo de detalhes
- 1:58que eu se calhar mal
- 2:00>> não toda a grande importância e digo mal
- 2:02porque na verdade reflete o facto de não
- 2:03haver licenciamento para aquilo.
- 2:05>> Mas em relação à questão do outro lado,
- 2:07até porque eh em relação a esse caso, há
- 2:09uma investigação já em curso.
- 2:11>> Pronto, vamos à questão do outro lado,
- 2:13mas ainda há outra questão que para mim
- 2:14até é a mais grave, que é das
- 2:15declarações. Exatamente. Essa para mim
- 2:17foi a mais grave de todas desde o desde
- 2:19que se foram sabendo estas coisas. E
- 2:20sobre isso ele não as vamos se calhar
- 2:21começar por aí pelas declarações. Pode
- 2:23ser,
- 2:23>> pode ser. Ele basicamente ele diz que eh
- 2:25nunca prestou eh nunca enviou a
- 2:26declaração de rendimentos ao Tribunal
- 2:28Constitucional porque desconhecia que o
- 2:30tinha de fazer. Isto enquanto diretora
- 2:32nacional da Polícia Judiciária e também
- 2:33porque nunca lhe foi eh solicitado.
- 2:36>> Pronto. As duas. Não. E ele diz ainda
- 2:37outra coisa. Ele ainda diz outra coisa.
- 2:38Portanto, esta explicaçã foi solicitada
- 2:39em 2025.
- 2:40>> Pronto, esta explicação é toda ela
- 2:42contraditória
- 2:43>> e vamos lá ver. Eh, as obras as pessoas
- 2:45podem, as pessoas portuguesas já até
- 2:47podem achar a coitado do homem estava
- 2:48ali a ajudar a família. e fez tudo na
- 2:50legalidade. OK, valeu umas estropelias
- 2:52que ele fez que todos os portugueses
- 2:53fazem. Ele era polícia, ele é chefe das
- 2:54polícias, ele também não podia fazer
- 2:56estropelias que os outros portugueses
- 2:57fazem.
- 2:57>> É preciso que as pessoas também tenham
- 2:58sempre Mas enfim, vamos deixar isso de
- 3:00parte. Já vamos à história do outro
- 3:01lado. Agora, no caso das declarações, a
- 3:03explicação é contraditória. Porquê?
- 3:04porque ele diz que não sabia que era
- 3:06preciso fazer as declarações, mas que ao
- 3:08mesmo tempo e as declarações tinham a
- 3:12lei prevê a a exposição da morada
- 3:15pessoal que no caso de pessoas como ele
- 3:18ligado à segurança interna as polícias
- 3:20põem risco a sua segurança pessoal e da
- 3:21sua família. Bem, então ele sabia ou não
- 3:22sabia?
- 3:23>> Isso é tudo logo contraditório, mas
- 3:25vamos supor até que é ele que não sabe
- 3:27exprimir, embora, evidentemente, que
- 3:28esta conferência de imprensa foi
- 3:29treinada, ele andou a treinar isto
- 3:31durante dias lá com a sua adjunta, que é
- 3:33jornalista profissional. Mas vamos supor
- 3:35que ele se atrapalhou. Uma contradição
- 3:37que sai porque tá nervoso. Isso é
- 3:38normal. Um chefe da polícia nunca pode
- 3:43alegar o desconhecimento da lei. Eu e
- 3:46nenhum dos vocês os três que estão aqui
- 3:48podem alugar desconhecimento da lei para
- 3:49não cumprir. Isto é um princípio de
- 3:50estado direito. Não podemos perante o
- 3:52estado. Não podemos. um chefe da polícia
- 3:55alegar o desconhecimento da lei para não
- 3:57cumprir a lei, não pode. Depois, se eu
- 3:59de facto soube desde o início que era
- 4:02preciso fazer a declaração, mas que a
- 4:04declaração de facto punha em risco a sua
- 4:07segurança pessoal, responde a sua morada
- 4:09privada, porque na medida que ele tá na
- 4:11mira de crime organizado, evidentemente
- 4:13que ele tá a um risco mais gravado que,
- 4:16por exemplo, ali os nossos dois queridos
- 4:17deputados que apesar de tudo podem ter
- 4:19adversários, mas se calhar não vão lá,
- 4:21enfim, alguns casos se calhar até vão lá
- 4:22bater. Portanto, eu também devia ter
- 4:23preocupação pelos deputados e que também
- 4:25têm que se expor e os ministros que têm
- 4:26que se expor. Mas a partir do momento em
- 4:30que ele sabe que a lei existe para e que
- 4:33é para cumprir e que realmente os expõe,
- 4:36ele que tinha relações tão privilegiadas
- 4:38com o primeiro-ministra da altura, tão
- 4:40privilegiadas ao ponto de conseguir
- 4:41obter privilégios no que diz respeito à
- 4:43questão das remunerações da polícia
- 4:45judiciária em detrimento das outras
- 4:46forças policiais que ele agora tutela.
- 4:48Porque é que ele não disse? Mas porque é
- 4:49que ele não disse António Costa ao
- 4:51Partido Socialista e pá, faça uma
- 4:53alteração à lei que é razoável, as
- 4:55pessoas vão aceitar. Quantos anos é que
- 4:57ele teve na polícia judiciária? Ele só
- 4:58se lembrou isto no fim. Portanto, ele
- 5:00diz que não sabia de nada, mas ao mesmo
- 5:01tempo sabia e a lei não era razoável. E
- 5:04quando ele recebe a notificação, e já
- 5:05agora, pergunto ao Tribunal
- 5:07Constitucional porque é que o Tribunal
- 5:09Constitucional na altura ainda não
- 5:10havia, quer dizer, a entidade de
- 5:11transparência ainda estava, vamos por
- 5:12assim dizer, encrostada no no Tribunal
- 5:14Constitucional, naquela solução de
- 5:15transição.
- 5:15>> Miguel, vou ter interromper. O Chega fez
- 5:18saber junto das redações da comunicação
- 5:20social que se o senhor ministro da
- 5:22administração interna se demitisse, o
- 5:24Chega abedicaria de uma comissão
- 5:26parlamentar de inquérito. O que é que
- 5:28isto quer dizer? que se o senhor
- 5:30ministro se demitisse, o Chega já não
- 5:32queria saber a verdade, já não queria
- 5:34saber a disponibilidade do senhor
- 5:36ministro que hoje demonstrou para falar
- 5:37a verdade, nem saber aquilo que tinha
- 5:39realmente acontecido.
- 5:41>> E por isso mesmo, Cristina, h, o Chega
- 5:44disse mesmo ao governo que se o ministro
- 5:46da administração interna se demitisse
- 5:49que desistiria de avançar com uma
- 5:51comissão parlamentar de inquérito?
- 5:53>> Não. O Chega não disse isso nem ao
- 5:54governo, nem aos órgãos de comunicação
- 5:56social. Chega não disse isso a ninguém
- 5:57porque é falso. E portanto eu percebo
- 5:59que o que o Soares enquanto líder
- 6:01parlamentar tem que defender o seu
- 6:02governo. Mas honestamente acho que eles
- 6:04precisava de se prestar à figura que
- 6:06fez, nomeadamente pela análise que fez
- 6:08das declarações do ministro, que foram
- 6:09também elas medíocres. Acho que as
- 6:11perguntas são muito mais do que os
- 6:13esclarecimentos que ele possa ter
- 6:14prestado. Acho até que algumas coisas
- 6:16são verdadeiramente embaraçosas, não só
- 6:19por tratar de uma
- 6:20>> Cristina, vou ter que interrompê-la.
- 6:23>> Mas regressamos. Exatamente. Peço
- 6:24Cristina, vou devolver-lhe a palavra,
- 6:26mas não posso prometer que não a
- 6:27interrompe porque e ainda temos alguns
- 6:30partidos para ouvir.
- 6:31>> Muito bem. Bom, eu estava a dizer que o
- 6:33ministro, para além de ser diretor eh
- 6:36naquele caso da Polícia Judiciária, ele
- 6:38é formado em direito. Eh, sim, é verdade
- 6:40que um cidadão normal não pode invocar a
- 6:42ignorância da lei. Ele em particular não
- 6:44pode mesmo por uma série de
- 6:45circunstâncias. Quer dizer, ele não
- 6:46sabia que tinha que entregar uma
- 6:48declaração de rendimentos quando isso é
- 6:49obrigatório para este tipo de cargos
- 6:51desde 1995. Portanto, não estamos a
- 6:53dizer que era uma coisa recente, era uma
- 6:54coisa há muitos anos que acontecia. Ele
- 6:56não sabia a diferença entre um tanque e
- 6:58uma piscina, se precisava de
- 6:59licenciamento ou não. Ele não sabia que
- 7:00a sua morada ou que o seu terreno se
- 7:03encontrava em rede natura, quer a rede
- 7:05ecológica nacional, quer a rede de
- 7:06querer a reserva agrícola nacional. Não
- 7:08sabia que tinha que fazer um pedido de
- 7:10parecer ao ICNF para fazer um
- 7:12estacionamento lá. Eh, não sabia que
- 7:14havia, pelos vistos, problema em pôr um
- 7:16amigo dele h a armazenar eh prova, não
- 7:20é? Eh, com materiais tóxicos. Quer
- 7:22dizer, ele às tantas ele não sabia de
- 7:23nada, mas ele não pode dizer que não
- 7:25sabia de nada porque isto não é vermil.
- 7:27Ninguém acredita nesta versão dos factos
- 7:29apresentados pelo ministro. Depois houve
- 7:31uma série de incoerências, nomeadamente
- 7:34esta questão em particular do outro lado
- 7:35com os bens. Ele diz que poupou imenso
- 7:38dinheiro porque ia custar 150.000 €. Os
- 7:40jornalistas perguntaram porquê tanto
- 7:41dinheiro. Ele respondeu que não sabia.
- 7:43Depois diz que era um problema de
- 7:44tesouraria. Alguém dos jornalistas lhe
- 7:46pergunta: "Então, mas seria o IFJ a
- 7:48pagar?" E ele responde: "Ah, mas isso ia
- 7:49demorar muito, mas quer dizer, as coisas
- 7:51estavam há dois anos no armazém do amigo
- 7:53ou na na via pública, quer dizer,
- 7:55portanto, também ninguém acredita
- 7:57nisto." Depois diz que foi o amigo que
- 7:59se ofereceu para eh armazenar aquelas
- 8:02coisas. E eu pergunto-me, mas por que
- 8:03raio é que o senhor da Constro Barcelos
- 8:06fazia ideia que a PJ estava com um
- 8:08problema de armazenamento de bens eh
- 8:10apreendidos. Não é normal? Depois também
- 8:12diz que não recebeu nada com aquilo. OK.
- 8:14Então, e qual foi então a vantagem para
- 8:17esta pessoa da Constru Barcelos? Qual
- 8:19foi a vantagem da Constro Barcelos em
- 8:21dar armazenamento a estes bens? Também
- 8:23ninguém acredita, não é? O que acredita
- 8:25aqui é que eventualmente houve uma troca
- 8:27de favores. Hoje a constru Barcelos
- 8:28ajudou nisto, no outro dia eventualmente
- 8:30Luís Neves ajudaria noutra coisa. E,
- 8:32portanto, isto parece-me a versão mais
- 8:34realista eh dos factos. Depois há aqui
- 8:37uma série de outras coisas que
- 8:38honestamente também não está bem
- 8:41explicada, desde a questão dele achar
- 8:43que agora pede uma reunião com a Câmara
- 8:44Municipal e que vai resolver os
- 8:46problemas de Odmira e vai resolver os
- 8:48problemas com o seu com o seu com o seu
- 8:51monte, com com a casa que lá tem. Depois
- 8:53há aqui outra questão que há pessoas que
- 8:54dizem: "Ah, mas isto aqui não tem
- 8:55pertinência". estas questões
- 8:57particulares relacionadas com o
- 8:58ministro, com a forma como ele pagou ou
- 8:59não pagou ao empreiteiro, com a
- 9:02importância de nós termos os
- 9:03comprovativos do pagamento que ele se
- 9:04recusa a mostrar porque efetivamente não
- 9:06os há de ter. H, e portanto, mas porque
- 9:09é que isto é importante? Porque há um
- 9:11conjunto de ações que demonstram que
- 9:13este ministro julga estar acima da lei e
- 9:16que, portanto, ele é um cidadão que não
- 9:18tem que cumprir a lei. Isto parece-me
- 9:20demasiado grave. Depois, há outra
- 9:22questão que é particularmente relevante,
- 9:24que é o facto do próprio
- 9:25primeiro-ministro acabar por estar a dar
- 9:27força a este tipo de posicionamento, ao
- 9:29não condenar vivemente este tipo de
- 9:31ações que não são toleráveis no estado
- 9:32de direito. Portanto, agora esperamos
- 9:34que seja o presidente da República a ter
- 9:36a coragem de vir a público dizer que
- 9:39isto não pode continuar e fazer o
- 9:41contacto que deve fazer com o governo.
- 9:42Agora não parece que Luís Neves tenha
- 9:44condições nenhumas para manter o seu
- 9:45cargo. E hoje, passado três semanas de
- 9:48dele ter dito que ia prestar
- 9:50declarações, prestou declarações
- 9:51absolutamente deficitárias e que só
- 9:52reforçam a necessidade de fazer uma
- 9:54comissão parlamentar de inquérito.
- 9:56>> Ficaram muitas dúvidas, não tivemos
- 9:58dados novos hoje e ficou por explicar
- 10:01porque é que estas explicações não foram
- 10:03dadas há duas ou três semanas.
- 10:06>> Posto isto, e depois desta explicação,
- 10:08eh, Luís Montenegro vai insistir em
- 10:10manter Luís Neves? Ah, isso é evidente
- 10:13que vai, isto vai até ao fim do mundo.
- 10:15Eh, vão os dois juntos até ao fim. Isto
- 10:17já se percebeu.
- 10:19Eu só queria dizer ainda uma coisa sobre
- 10:21esta última parte, eh, de se ter poupado
- 10:23dinheiro ao herório público e tudo mais.
- 10:25Bem, em primeiro lugar é a palavra dele
- 10:27que poupou 150.000 €. El também não
- 10:29demonstrou onde é que estava a proposta
- 10:31que custaria 150.000 €.
- 10:34Mas o ponto já não é esse. Ele utilizou
- 10:35isso como uma jogada que é típica da
- 10:37personalidade pública dele, que é eu,
- 10:41como ele próprio disse, eu estou do lado
- 10:43do bem. Eu sou o guardião do bem. Como
- 10:45aquelas personagens da desenhada do
- 10:46cinema de Hollywood feito para meninos
- 10:48de 10 anos, que é a luta do bem contra o
- 10:50mal. E ele julga-se investido da missão
- 10:54que às vezes está sozinho na luta do na
- 10:56luta pelo bem contra o mal. E aqui neste
- 10:58caso o que é que ele fez? Ele fez uma
- 11:00série de coisas que não se percebeu, ao
- 11:01contrário do que disse o que Soares, não
- 11:03se percebeu que ele estava a arrependido
- 11:04de ter feito. Ele estava arrependido.
- 11:06Ele já tinha dito que estava teria feito
- 11:07as coisas de maneira diferente. Ele
- 11:08disse estava arrependido, fazia as
- 11:09coisas de maneira diferente. Se calhar
- 11:10podemos presumir que é só relativamente
- 11:12à questão do empreiteiro e das obras em
- 11:13Odmira, vamos presumir. Nas outras ele
- 11:17fez, como se diz na América, um double
- 11:18down. Ah, isto foi um extraordinário ato
- 11:21e os portugueses vão estar agradecidos
- 11:23porque eu p muito dinheiro. Eu vou dizer
- 11:24uma coisa que se calhar não é
- 11:27propriamente popular, mas é recordar às
- 11:28pessoas qual é a origem do nosso estado
- 11:32de direito administrativo. Eu sei que
- 11:34existe uma retórica que é generalizada e
- 11:35que eu próprio também comungo muito ali
- 11:37do Cos Guimarães Pinto e de muitas
- 11:39outras pessoas eh racionais e razoáveis,
- 11:42que é a questão da burocracia. A
- 11:44burocracia passou a ter um nome, passou
- 11:46a ser uma um termo pejorativo. Na
- 11:48verdade, diz respeito à realidade
- 11:50elementar da construção do Estado
- 11:51moderno, que aliás protege as nossas
- 11:52liberdades todos os dias. O estado
- 11:55administrativo pode funcionar com
- 11:57informalidade,
- 11:59nem que seja a dizer: "Não, não, a gente
- 12:01faz aqui, contorna aqui umas coisas,
- 12:02silenciamos outras, ignoramos a lei
- 12:04porque isto vai poupar dinheiro aqui e
- 12:06aquá". A razão porque não se pode fazer
- 12:09isso é porque precisamente a
- 12:10administração pública está a utilizar os
- 12:13recursos e o poder do Estado. Isso é uma
- 12:15coisa colossal no contraste com as
- 12:18capacidades que cada indivíduo tem na
- 12:19sociedade. É por isso que tem de haver
- 12:21burocracia no Estado administrativo,
- 12:23porque todas as decisões têm que ter um
- 12:25rasto para haver uma cadeia de
- 12:27responsabilização. Luís Neves o que nos
- 12:29está a dizer é que com o diretor
- 12:30nacional da Polícia Judiciária, ele acha
- 12:32que os portugueses lhe devem agradecer.
- 12:34Não é só tolerar, é agradecer. presum
- 12:37também como mai. Vamos ver porque ele é
- 12:40ele a própria lei. Ele toma as decisões
- 12:43em nome do bem e depois especula dizendo
- 12:46que isto foi para proteger os
- 12:47portugueses. Se calhar para salvar vidas
- 12:48aqui, se calhar é para poupar dinheiro a
- 12:50lá. Agora, a questão que se coloca é, em
- 12:52primeiro lugar, isto é o oposto da
- 12:56conversa de alguém que diz que é um
- 12:58servidor público, que jamais cometeu
- 13:00esse pecado de servir o setor privado.
- 13:02Ele disse isso. Eu sou sempre aqui no
- 13:04setor público. Mais uma razão. Isto é o
- 13:06contrário do que alguém que é um
- 13:07servidor público pode dizer. Isto é
- 13:09violar o entendimento moderno que nós
- 13:11temos do Estado. Vir um chefe da
- 13:14polícia. Um chefe da polícia não é
- 13:17alguém que tá na segurança social, que
- 13:18também lida com dramas, que às vezes vê
- 13:20que a burocracia impede que o menino
- 13:22abandonado ou maltratado não seja
- 13:24devidamente acolhido. Quantas pessoas,
- 13:25por exemplo, na segurança social não
- 13:27lidam com os problemas do emaraninhado
- 13:29da burocracia, da morosidade do estado?
- 13:30Quantas são as milhares todos os dias
- 13:32num estado como Portugal ou um estado
- 13:34europeu qualquer, mas não podem fazê-lo,
- 13:37mas muito menos um polícia, porque um
- 13:39polícia vai atrás das pessoas que também
- 13:41se julgam elas próprias lei e que acham
- 13:43que as podem contornar mesmo que sejam
- 13:45com boas intenções. E, portanto, as
- 13:47pessoas depois podem expular, como o
- 13:48Carlos Guimar espírito agora estava a
- 13:49dizer, bem, se ele inventa aquela
- 13:51história do tanque e da piscina
- 13:52totalmente inútil e só a inventa, só a
- 13:55inventa porque ele quer se apresentar
- 13:57como alguém infalível, mas admitir
- 14:00aquilo, quer dizer,
- 14:01>> mas ele não quer admitir nada, mas o
- 14:02ponto tá aí, ele não quer admitir nada.
- 14:04Ele é uma pessoa infalível. Ele é uma
- 14:05pessoa infalível e, portanto, ele tá
- 14:06sempre do lado do bem. Agora,
- 14:09>> Luís Montenegro também é infelível. Não,
- 14:10mas eu só quero dizer isto. Se ele, se
- 14:11não podemos levar então agora a sério,
- 14:13já que ele e inventa esta historieta do
- 14:15tanque da piscina, que é uma coisa
- 14:16completamente ridícula, ele que fique lá
- 14:18com a piscina, eu quero lá saber da
- 14:19piscina. Eh, então isso põe em causa o
- 14:23crédito de coisas que ele hoje nos pediu
- 14:25para aceitar apenas com base no crédito
- 14:27pessoal dele.
- 14:27>> Pois, a questão é essa.
- 14:28>> E desde logo esta questão também do
- 14:29outro lado. Então ele na mesma conversa
- 14:32que diz que há industriais do da
- 14:34indústria química que fazem as coisas às
- 14:36vezes até para o bono, mas também há uma
- 14:38despesa de 150.000
- 14:39Para a Marinha não se podia estar ali,
- 14:40mas podia estar naquele sítio que estava
- 14:43dizê-lo, dizê-lo que lá junto de lá da
- 14:46das instalações lá do construtor de
- 14:48Barcelos disse ele agora na conferência
- 14:49de empresa estava mais bem acondicionado
- 14:51do que na marinha, mas a verdade é que
- 14:54judiciári forar buscá-lo para pô-lo
- 14:55noutro sítio agora
- 14:56>> porque aparentemente ninguém sabia onde
- 14:57é que aquilo estava e quando chegou à
- 14:58conclusão que estava ali,
- 15:00>> a atual direção nacional da polícia
- 15:01judiciária disse: "Não, não deve estar
- 15:03ali, então está mais bem acondicionado
- 15:04ali, porque é que deve sair dali?"
- 15:05Enfim,
- 15:06>> todas estas explicações são absurdas.
- 15:09Volto a dizer, há coisas e eu e acho que
- 15:11temos tenho uma posição presidente, há
- 15:13coisas que eu acho que não desqualificam
- 15:14como ministro, acho que são coisas pelas
- 15:17quais ele devia pedir desculpa, com esta
- 15:19conferência de imprensa ele próprio se
- 15:20desqualificou como ministro? Bem, eu lá
- 15:24está, a minha objeção relativamente a a
- 15:26Luís Neves é de outra natureza e
- 15:28portanto eu não quero mostrar as coisas.
- 15:30Eu acha que ele demora este tempo todo
- 15:32em que está a danificar a sua própria
- 15:34autoridade pessoal. Não é só a
- 15:35autoridade pessoal de Luís Montenego,
- 15:36primeiro-ministro. Ele está a danificar
- 15:38a sua própria autoridade pessoal, demora
- 15:39este tempo todo, faz uma conferência de
- 15:41imprensa onde a única novidade,
- 15:43convenhamos, a única novidade que ele
- 15:45apresentou
- 15:46foi dizer que a decisão foi dele de
- 15:48levar o outro lado lá para o outro lado.
- 15:49>> Estava arrependido de umas coisas,
- 15:50pronto, não fazia igual agora. Pronto,
- 15:52mas é que ele depois ao mesmo tempo diz
- 15:53que foram atos de uma gestão
- 15:55extraordinária que ele serviu as coisas
- 15:57e viu muito além e os outros. Ainda não
- 15:58respondeste depois dis tudo ele ele ele
- 16:01tem autoridade pessoal para utilizar a
- 16:03expressão que tu usaste para se manter
- 16:05como ministro da administração interna?
- 16:07Eu acho que ele perdeu essa essa
- 16:09autoridade neste último mês por razões
- 16:13muito semelhantes àelas a que nós
- 16:15assistimos no caso Pinviva.
- 16:18No caso Pinov rebenta o caso e Luís
- 16:20Montenegro adotou uma estratégia que de
- 16:23um pequeno problema, se terem ter somado
- 16:26um problema que levou o líder da
- 16:27oposição na altura, que ainda era o
- 16:28Pedro Bruno Santos, dizer que ele tinha
- 16:30violado a Constituição. E eu sempre
- 16:31achei-se um absurdo e ele disse logo
- 16:33nesse momento que isso era um absurdo e
- 16:34não tinha cometido crime nenhum porque
- 16:35isso era um crime contra a constituição,
- 16:36a violação da exclusividade e tudo mais,
- 16:38mas a verdade é que o Luís Monten Negre
- 16:40não quis confrontar o problema no tempo
- 16:42certo. Esta mania que os políticos dizem
- 16:44no meu tempo, mas isto não funciona
- 16:45assim. se há uma suspeita, e neste caso
- 16:47suspeitas graves contra a conduta, a
- 16:50propósito da conduta do atual MAI como
- 16:52diretor da Polícia Judiciária, não como
- 16:54como líder de uma empresa. Se ele viesse
- 16:55setor privado, por acaso até seria
- 16:56diferente, mas como na conduta, como
- 16:59diretor nacional da polícia judiciária,
- 17:01eh ele não pode dizer o tempo é meu não,
- 17:04não. O tempo é das instituições
- 17:05democráticas e se há uma deterioração da
- 17:07autoridade dele como ministro e do
- 17:08primeiro- ministro por arrastamento,
- 17:10então ele tem que ter alguma pressa. No
- 17:12fundo, Miguel, tu aquilo que tu estás a
- 17:13dizer é que a bitola ética deste governo
- 17:16está completamente eh avariada, o que
- 17:19contribui de certa forma para eh uma
- 17:20coisa que todos nós eh no regime
- 17:22democrático damos importância, que é o o
- 17:25crédito da da da das instituições. Mas
- 17:27em democracia, evidentemente que as
- 17:28pessoas têm de confiar nos seus
- 17:29governantes e nas suas instituições.
- 17:31Mesmo quando as instituições estão a
- 17:32funcionar e estão a cumprir o seu papel
- 17:34e por alguma razão colapso essa
- 17:36confiança com os cidadãos, é a obrigação
- 17:38das instituições irem recuperar essa
- 17:39confiança, precisamente porque chama
- 17:40democracia. Eu não vivo no na Rússia do
- 17:42Putin.
- 17:42>> Então no fundo este governo está a fazer
- 17:44o contrário daquilo que
- 17:45>> neste caso, a maneira como escolheu este
- 17:48maio, volto a dizer, porque o problema
- 17:49está na origem,
- 17:50>> Uhum. irem buscá-lo à direção nacional
- 17:53da polícia judiciária, irem buscá irem
- 17:55buscá-lo, evidentemente,
- 17:57independentemente agora de ser uma
- 17:58grande contradição que Luís Monte nunca
- 17:59explicou, porque é que vai buscar o
- 18:01ministro da administração interna tem a
- 18:02orientação política exatamente oposta à
- 18:03dele, mas enfim, fica lá para o futuro,
- 18:05para lá está as mãos, como eu estava a
- 18:06dizer e depois rebentar este caso,
- 18:09pode-se dizer é uma imprensa, o PS
- 18:11procurou aquela coisa de ser a extrema
- 18:12direita lá, os fascistas do Chega que
- 18:14tinham feito isto e tal, pronto, vamos
- 18:15descontar esse disparado. Há uma
- 18:16investigação jornalística pode-se
- 18:17considerar desonesta investigação
- 18:19jornalística e pode haver abusos.
- 18:21Mas se ele tinha estas explicações para
- 18:22dar, ele podia tê-las dado antes. Desde
- 18:24logo, ah, essa questão do outro lado fui
- 18:26eu,
- 18:26>> poupi dinheiro ao herário público.
- 18:28Então, a nossa conversa tinha tinha
- 18:29tinha progredido de outra maneira, mas
- 18:31ele não quis fazê-lo. Vir agora dizer
- 18:34que nós até devamos estar,
- 18:36>> não quis fazê-lo ou não o deixaram
- 18:37fazer? Não achas que Luís Montenegro
- 18:39teria poderes para exigir ao ministro
- 18:42escolhido por ele que e explicasse
- 18:44aquilo que devia? Até porque, como nós
- 18:46hoje podemos comprovar, Luís Neves não
- 18:49esteve a reunir documentação porque não
- 18:51apresent apresentou nenhuma. Se ele não
- 18:53esteve, eu vou especular, eu não tenho
- 18:54nenhuma informação, evidentemente, mas
- 18:57eu vou especular. Esta e conferência de
- 18:59imprensa é dada por pressão do Luís
- 19:01Montenegro a dizer: "Já não podemos
- 19:02esperar mais tempo, mas caso
- 19:05é 10 de julho, ou seja, foram precisos
- 19:0819 dias para Luís Montenegro conseguir
- 19:09convencer Luís Neves a dar uma
- 19:11conferência de imprensa."
- 19:12>> Bem, aí também é preciso dizer
- 19:13benevolento, não é? Quer dizer, é é
- 19:15primeiro ministro, tem vários ministros.
- 19:17Acontece, tá a acontecer a mesma coisa,
- 19:19uma um problema também de ataque
- 19:21político ao ministro da educação. O
- 19:23primeiro-ministro o que é que pensa?
- 19:24Bem, isto é verão, isto são uma coisa da
- 19:26piscina, como eu próprio também não tem,
- 19:27não dei grande importância, também não
- 19:29dei a a piscina, não sei quê, isso é
- 19:31coisas lá das, dos jornalistas, isto vai
- 19:32passar depois vai o bolo vai crescendo,
- 19:35vai crescendo.
- 19:36>> Bitola ética aplicada pelo próprio ao
- 19:38caso Pinviva, que também agora acaba por
- 19:41replicar ou não.
- 19:43>> Apesar de tudo, eu colocaria e esta
- 19:45diferença. O ponto na Spino Viva era a
- 19:48exclusividade do primeiro-ministro tinha
- 19:49sido posta em causa ou não, a empresa
- 19:51era dele ou não? E foi sobre isso que
- 19:53tivemos a debater. Depois houve muitas
- 19:54outras especulações que acabaram por não
- 19:56darem nada. Aqui o que nós vemos foi o
- 19:59que eu descrevi na segunda-feira como
- 20:01uma espécie de longa sequência de
- 20:04pequenos abusos da mesma pessoa de onde
- 20:07nós podemos discernir um padrão que é o
- 20:09modo como ele interpreta a instituição.
- 20:11Eu sou a instituição, eu sou a lei. Esse
- 20:13aqui é o problema. Não é que cada um
- 20:15destes abusos seja isto não é José
- 20:17Sócrates, isto não é outras coisas que a
- 20:19gente teve para aí mesmo no governo de
- 20:20Costa.
- 20:21Eh, não é a mesma coisa,
- 20:23>> mas minam a confiança dos cidadãos.
- 20:24>> Mas minam a confiança dos cidadores.
- 20:26>> Cristina, vamos falar da CPI porque
- 20:28obviamente e depois desta desta
- 20:30conferência, André Ventura disse
- 20:31obviamente que vão avançar, vai
- 20:34acontecer agora quando regressarem e de
- 20:36férias, mas em que modo? Será a porta
- 20:39fechada? Será a porta aberta? H, o que é
- 20:42que vão querer efetivamente discutir?
- 20:44Porque efetivamente vamos falar da
- 20:45polícia judiciária, h, e isso acarreta
- 20:49perigos.
- 20:49>> Claro.
- 20:50>> Sim. Bom, eu acho que isso só vendo
- 20:52poois ponto a ponto o que é que poderá
- 20:53ser à porta fechada ou não ser, acho que
- 20:56é do maior interesse naquilo que for
- 20:58possível que seja tudo à porta aberta
- 20:59para as pessoas também poderem
- 21:00acompanhar os trabalhos. Obviamente
- 21:02aquilo que não for, terá que ser à porta
- 21:03fechada. Agora, eh, o objeto da Comissão
- 21:06Parlamentar de Inquérito, basicamente
- 21:07são todos estes pontos que nós nós já
- 21:09tivemos a falar, desde a falta das da
- 21:10entrega das declarações às obras na sua
- 21:13própria casa, ou potencial conflito de
- 21:14interesses, às adjudicações, que por
- 21:16acaso ainda não falamos aqui, mas o
- 21:17ministro acabou por tentar eh
- 21:20desculpar-se com eh as não eram
- 21:22adjudicações diretas, tem outro nome, é
- 21:24o concurso sem sem ser público, hh
- 21:27dizendo que houve não sei quantos mais
- 21:29outros contratos nessas circunstâncias,
- 21:30mas quer dizer, isso aí não invalida
- 21:32minimamente se aqueles deviam ou não ter
- 21:34sido. Ele não trouxe nenhuma
- 21:36justificação concreta para aqueles
- 21:38contratos em particular que nem sequer
- 21:40aparecem no baso.gov por causa da da
- 21:42forma como foi feita a adjudicação. Ele
- 21:45não explica de forma nenhuma porque é
- 21:46que estes eram diferentes dos outros,
- 21:48porque é que este se justificou esse
- 21:50essa falta de transparência que o
- 21:51próprio modelo acarreta. E portanto isso
- 21:54também é uma coisa que tem que ser
- 21:55vista. tem que ser vista a questão da
- 21:57intimidação aos jornalistas, que ele não
- 21:58deu uma palavra sobre isso. HH, e
- 22:01portanto há um conjunto de coisas.
- 22:02Relativamente à questão das declarações,
- 22:04eu gostava de acrescentar mais uma coisa
- 22:05porque me parece importante para esta
- 22:07discussão sobre a desqualificação ou não
- 22:09da eh do do ministro ou da da capacidade
- 22:12de ser ministro. É que estas declarações
- 22:14são obrigatórias. A sanção para a não
- 22:16entrega das declarações é admissão. É
- 22:19admissão. Se eh eh efetivamente não
- 22:22depois não vier a fazer a entrega das
- 22:24declarações de forma nenhuma, há aqui um
- 22:26crime de desobediência que pode levar à
- 22:29inibição do exercício de cargos que
- 22:30obriga a entrega de novas declarações.
- 22:33E, portanto, se as instituições tivessem
- 22:34funcionado regularmente,
- 22:36hipoteticamente, o ministro podia não
- 22:38ser ministro. Agora
- 22:41se pós notificação,
- 22:43>> é, mas nada nos garante, por isso é que
- 22:44eu digo dizer que não foi notificado,
- 22:46ele sair. Foi por isso também que eu
- 22:48disse que se as instituições tivessem
- 22:49funcionado regularmente
- 22:51o pergunto relim, temos que saber por
- 22:54agora o que me parece é que ele se
- 22:55aproveitou da inércia do Tribunal
- 22:57Constitucional para não apresentar essas
- 22:59paramos a falar.
- 23:04Nós nós quanto ao Tribunal
- 23:05Constitucional nós não podemos fazer
- 23:06nada porque não podemos fazer
- 23:07fiscalização sobre o Tribunal
- 23:08Constitucional, mas podemos fazer
- 23:09fiscalização sobre o governo. E,
- 23:11portanto, estamos a falar de um
- 23:12ministro.
- 23:12>> Mas os jornalistas podem questionar o
- 23:13tribunal constitucional?
- 23:14>> Podem, claro. E acho que devem, acho que
- 23:15devem, acho que devemos perceber isso.
- 23:17Agora, aquilo que ele disse foi que
- 23:18nunca tinha sido notificado, mas afinal
- 23:20já tinha sido notificado em 2025.
- 23:22Portanto, o tribunal demorou a fazê-lo,
- 23:23mas acabou por o fazer. Acabamos depois
- 23:25por saber que ele afinal já tinha pedido
- 23:26um parecer e que apresentou esse parecer
- 23:28ao Tribunal Constitucional para ficar
- 23:30isento de ter que apresentar a
- 23:31declaração
- 23:33falou dele e dos outros inspetores. Os
- 23:35outros este aqui é o ministro, não é?
- 23:38Ele era o diretor e agora ele é o
- 23:40ministro. Portanto, foi após a
- 23:41modificação. Ele diz que apresenta mas
- 23:43ainda assim ainda assim demonstrou que
- 23:45ele não queria apresentar.
- 23:47>> Ah, isso ele não queria.
- 23:48>> Ele não queria apresentar. saber porque
- 23:50é que o Tribunal Constitucional não o
- 23:52fez e aparentemente só quando a entidade
- 23:54para transparência acabou por funcionar
- 23:55com agência própria que isso começou a
- 23:56funcionar.
- 23:58Por falta de meios, porque era normal,
- 24:00não é? E sabemos que as declarações
- 24:01demoravam sempre tempo a vir e ele sabia
- 24:03isso perfeitamente,
- 24:04>> mas são se anos, não é? São se anos e
- 24:06>> foi tempo mais e não devia ter
- 24:08acontecido. O que eu quero dizer é que a
- 24:09consequência ou potencial consequência
- 24:11para este ato podia ser muito grave e
- 24:13podia impedi-lo de estar a exercer o
- 24:14cargo que ele exerce agora. E, portanto,
- 24:16acho que sim, que ele tem que dar mais
- 24:17explicações sobre isso, sem prejuízo do
- 24:19próprio Tribunal Constitucional também
- 24:20ter que o fazer. Sobre todas as outras
- 24:22adjudicações, parece-me fundamental não
- 24:24só perceber as razões e do modelo da
- 24:27adjudicação, como também perceber
- 24:29exatamente que obras se trataram, se
- 24:30elas foram concretizadas, se os valores
- 24:32que foram indicados, se correspondiam
- 24:35efetivamente à necessidade da obra em
- 24:37si. E, portanto, eu acho, honestamente,
- 24:38que há muito trabalho aqui para fazer e
- 24:40acho que a CPI, eu já disse há pouco,
- 24:42volto a dizer, é fundamental neste caso
- 24:44nós perceber esta abrangência limitada
- 24:48em relação a a Luís Neves ou ou
- 24:51pretendem fazer uma coisa mais eh
- 24:53alargada.
- 24:54>> A ideia é nós percebermos se houve
- 24:56outras atuações. Portanto, a ideia é
- 24:58>> vão escrutinar todos os anos, querem
- 25:00escrutinar todos os anos em que Luís
- 25:01Neves foi diretor nacional da polícia
- 25:03judiciária. Vamos lá ver. Luís Neves
- 25:05geria a polícia judiciária como se fosse
- 25:06a empresa familiar dele, não é? Acho que
- 25:08isso, acho que isso está um bocadinho à
- 25:11sabemos isso. Sabemos,
- 25:14indicia que sim, desculpem lá por todas
- 25:15as coisas que nós temos aqui visto, que
- 25:16ele fazia assim as coisas um bocadinho
- 25:18informalmente, como se aquilo fosse
- 25:20dele, como se os recursos fossem dele e
- 25:22não eram. Portanto, esse é um ponto.
- 25:24Agora, nós temos que perceber, queremos
- 25:25circunscrever, de facto, aos mandatos de
- 25:27de Luís Neves e perceber se houve outras
- 25:29situações idênticas àquelas que nós
- 25:32conhecemos. E, portanto, se esta
- 25:34situação, por exemplo, do outro lado,
- 25:35destas destes desta questão do amníaco,
- 25:37se houve noutros processos ou se foi só
- 25:40neste processo em concreto, se houve
- 25:42outros favores ou não houve outros
- 25:43favores que esta empresa terá prestado,
- 25:45se efetivamente houve ou não houve
- 25:47conflito de interesses. Portanto, nós
- 25:48queremos circunscrever àquele período,
- 25:50mas para perceber se houve mais casos
- 25:52para além deste caso concretamente.
- 25:55>> Carlos, quais é que são o os perigos
- 25:56desta CPI? Eu começo por dizer uma coisa
- 26:00que não disse há pouco, acho que é
- 26:02importante. Eu genuinamente queria que
- 26:06ele tivesse dado explicações boas hoje,
- 26:08porque acho que foi um bom diretor da
- 26:10polícia judiciária, tanto quanto sabe
- 26:12que tem trabalho feito, tem efetivamente
- 26:14trabalho, trabalho feito e queria que
- 26:16ele e queria que ele tivesse sido capaz
- 26:19de eliminar todas as suspeitas que o
- 26:22desclassificariam enquanto ministro.
- 26:24Infelizmente não o fez. E e digo,
- 26:26infelizmente mesmo, não digo
- 26:28infelizmente porque quero utilizar isso
- 26:29politicamente, porque não gosto dele,
- 26:31infelizmente não o fez. sobre a a CPI,
- 26:35eu acho que o objeto tem de ser muito
- 26:37bem definido, já se sabe que ela vai
- 26:39avançar, mas acho que tem de haver
- 26:40responsabilidade tremenda dos partidos,
- 26:43especialmente aqui nos chega, em
- 26:46estabelecer um objeto que não ponha em
- 26:48causa a capacidade da Polícia Judiciária
- 26:50continuar a operar como tem operado,
- 26:53porque apesar de tudo ainda é uma
- 26:55organização que tem um bom nome dentro
- 26:57do país. Porque nós podemos falar
- 26:59sempre, vai ser a porta aberta, vai ser
- 27:01a porta fechada. Nós sabemos que numa
- 27:03sala onde estão 20 pessoas ou 30 nunca é
- 27:06à porta fechada. até se pode fechar as
- 27:08portas, mas aquilo nunca vai ser à porta
- 27:10fechada, porque vai sempre haver
- 27:11informação que sai que sai cá para fora,
- 27:14como como toda a gente sabe. Portanto, o
- 27:16objeto fazendo a CPI, eu acho que o
- 27:18objeto tem de ser muito bem definido em
- 27:21nome do interesse nacional para que não
- 27:24coloque em causa aquilo que é primeiro a
- 27:26separação de poderes. Estamos a falar de
- 27:28um órgão judicial e, segundo, a
- 27:30capacidade da Polícia Judiciária de
- 27:32continuar a fazer o seu trabalho que
- 27:35tanto quanto sabe certamente cometeram
- 27:37imensos erros e não tenho dúvidas que
- 27:38foram cometidos muitos erros ao longo
- 27:40dos últimos 10 ou 15 anos, mas que o
- 27:42balanço, pelo menos da perspectiva
- 27:44daquilo que se sabe hoje é
- 27:45manifestamente positivo.
- 27:47>> Miguel, o que é que te parece que vai
- 27:49acontecer nesta comissão parlamentar de
- 27:51inquérito? Ves necessidade nessa nessa
- 27:54CPI ou achas de facto que h é perigosa e
- 27:58pode colocar a PJ em risco?
- 28:03>> Assícia
- 28:05judicial, as comissões parlamentares de
- 28:06inquérito e não são propriamente uma
- 28:08maneira do parlamento rastrear a
- 28:10atividade de todas as instituições. São
- 28:12uma forma particularmente radical de
- 28:15apurar responsabilidades e culpas e
- 28:17culpas.
- 28:19Eh, neste caso,
- 28:22eu acho que o Estado tem ainda outros
- 28:25instrumentos. Não percebo porque é que o
- 28:27Chega não não pede ao governo para fazer
- 28:29a inspeção geral dos serviços de justiça
- 28:31atuar, que é o órgão no Ministério da
- 28:33Justiça com a competência para fazer
- 28:36auditorias, investigações ao
- 28:37funcionamento, porque a CPI dá outro
- 28:39tipo de espetáculo. Claro, dá outro tipo
- 28:41de esp da justiça tá caladinha como se
- 28:44ela não tivesse respons. Porque é que
- 28:45vocês são à oposição e não dizem a
- 28:46ministra da justiça tá caladinha devia
- 28:47fazer atuar. Já disseram, eu por acaso
- 28:50não tinha ouvido vocês dizer que eu a
- 28:51inspeção geral devia atuar. Não,
- 28:52>> não, não, desculpa. Já dissemos que a
- 28:53ministra da justiça tem que falar. Não,
- 28:54nãoemos da inspeção. Nós temos um estado
- 28:57de direito de funcionar. Não, não
- 28:59precisamos de medidas extraordinárias
- 29:00para tudo o que acontece. Existe uma
- 29:02inspção geral. Se o Chega tiver razões,
- 29:05como aconteceu noutras noutros momentos,
- 29:07e eu dou isso barato, por exemplo, a
- 29:09Inspeção Geral de Finanças foi
- 29:10ignorabilmente utilizada na altura em
- 29:13que Fernando Medina era ministro das
- 29:14finanças para elibrar o governo de
- 29:15responsabilidades no caso da demissão da
- 29:17CEO da TAP. Eu não me esqueço disso.
- 29:18Portanto, as instis podem ser quando os
- 29:21ministros têm más intenções ser
- 29:23politicamente instrumentalizados. Podem,
- 29:25mas isso depois também estaria ao vosso
- 29:26escrutínio. Há um relatório que sairia
- 29:28da inspeça geral e vocês fariam esse
- 29:29esse julgamento. Não é isso que vocês
- 29:31querem. Vocês querem, desculpem lá, é
- 29:32como o vídeo de aventura andar ali a
- 29:34bater aos gabinetes. Vocês querem fazer
- 29:36um espetáculo? Vocês querem mostrar,
- 29:37>> se não fosse chega, o ministro nem
- 29:39sequer estaria hoje a dar declarações,
- 29:41porque honestamente ao início nenhum
- 29:43partido sequer falou sobre o assunto. O
- 29:45José Luís Carneiro mal falou, a IEL foi
- 29:47dos poucos que falou, mas também demorou
- 29:49algum tempo. O livre continua a tentar
- 29:51branquear a atuação do ministro.
- 29:52Desculpa, se não fosse o Chega, nós nem
- 29:54sequer estávamos uma situação em que
- 29:56todos aqui concordamos que estão coisas
- 29:58graves em causa e que não foram
- 29:59devidamente esclarecidas. A Iniciativa
- 30:01Liberal também nunca se sentiu
- 30:02confortável com esta coisa. Já eu falei
- 30:04já várias vezes aqui na SIC sobre a
- 30:05conduta miserável do Partido Socialista
- 30:07nesta, como noutras matérias, mas enfim,
- 30:10com se vocês tiverem a reger pela pela
- 30:12conduta do Partido Socialista e
- 30:13comparado com o Partido Socialista
- 30:14também não servem para nada. Só estou a
- 30:15dizer é que vocês têm outros meios de
- 30:17prosseguir este escrutílio e
- 30:20deliberadamente quiseram ir para a
- 30:22medida extraordinária. Tal como também
- 30:24vou dizer para ser justo com o Chega o
- 30:25PS com o Fernando Alexandre. A ameaça
- 30:28que paira sobre Fernando Alexandre uma
- 30:29comissão de inquérito, a propósito disto
- 30:31que pode ser apurado por outro tipo de
- 30:32auditorias, é para o PS fazer
- 30:34espetáculos sobre isso. É para o PS
- 30:35cantar a sua ao seu eleitorado que está
- 30:38a perder nos no domínio dos professores,
- 30:40etc. E no sindicato dos professores,
- 30:42quer quero também fazer espetáculo. Eu
- 30:43acho que isso é uma política, pá, um
- 30:45pouco recomendável. Ainda existe este
- 30:46instrumento e vocês não quiseram
- 30:48recorrer a ele com as intenções que
- 30:50sabemos. Agora, passando por cima disso,
- 30:52que faz parte também os políticos, os
- 30:54partidos irem à procura também daquilo
- 30:56que dá uma recompensa mediática de curto
- 30:58prazo, enfim, todos fazem isso também.
- 31:00Não vou estar só a isolar o CHI nesse
- 31:02nessa punição. Eu normalmente punho
- 31:03todos por igual. Eu só queria dizer
- 31:05isto, o que é que esta CPI pode revelar
- 31:08ou o que é que este caso revela para
- 31:10além agora do próprio Luís Neves, o que
- 31:13nós vemos é que há anos
- 31:16que decorre uma espécie de guerra civil
- 31:19surda.
- 31:20eh latente entre ou dentro do aparelho
- 31:24do Ministério Público, da administração
- 31:26interna, das forças policiais
- 31:29que utilizam a comunicação social para
- 31:31praticar essa guerra civil. E ao
- 31:32contrário do que o governo e o Partido
- 31:34Socialista diz, o Luís Neves não era uma
- 31:37vítima dessa guerra civil, mas um dos
- 31:38intervenientes. E, portanto, é por isso
- 31:40que ele também agora não pode dizer que
- 31:41é apenas uma vítima disto tudo. E isso
- 31:43sim, isso é e danoso para nós todos,
- 31:46para a nossa vida coletiva e para a
- 31:47nossa democracia. É difícil apurar as
- 31:50razões, os protagonistas, as redes
- 31:52através do qual estes conflitos
- 31:53permanentes emergem, mas eles depois
- 31:55refletem-se em todo o lado nos casos
- 31:57mediáticos, nas investigações que ainda
- 31:59decorrem durante anos, nas acusações
- 32:01mútuas, nas sabotagens do trabalho de
- 32:03umas e de outras forças. Eu volto a
- 32:05dizer,
- 32:06ainda não nos foi explicado. Nunca
- 32:08ninguém achou que nós portugueses
- 32:10merecíamos uma explicação. Nem Luís
- 32:12Neves, agora Mai, nem os anteriores
- 32:14mais, nem os anteriores primeiros
- 32:16ministros, porque nós tivemos dois desde
- 32:18então, o demissionário António Costa e o
- 32:19Luís Montenegro, nem ninguém. Porque é
- 32:22que a polícia judiciária foi excluída e
- 32:23deliberadamente excluída pelo Ministério
- 32:25Público da operação influencer?
- 32:27>> Eu acho que é uma questão legítima.
- 32:30Podem dizer: "Há uma razão plausível".
- 32:32Então, por amor de Deus, de essa razão
- 32:35plausível.
- 32:36>> A democracia não funciona assim.
- 32:37>> Portanto, a polícia judiciária, que é
- 32:39utilizada muitas vezes como instrumento
- 32:40de investigação nestes casos,
- 32:42>> mas achas que essa resposta pode ser
- 32:43dada por Luís Neves nessa CPI? Eu não
- 32:46sei se esta CPS, estou a dizer que há
- 32:47que há um problema que ultrapassa ao
- 32:49Luís Neves, que ultrapassa ao outra
- 32:51lado, que até ultrapassa as declarações
- 32:52não entregues e que já vem de muito
- 32:55antes disto, que é esta e este conflito
- 32:59larvar permanente que mina às
- 33:01instituições.
- 33:02Neste aspecto pode também haver noutras
- 33:03instruções do setor público, noutras
- 33:05pode haver, estou a dizer é que no que
- 33:06diz respeito a esta teia, Ministério
- 33:09Público, administração interna, serviços
- 33:11de informação, polícias, as várias
- 33:13polícias, há muita, há muito conflito
- 33:17que é traduzido desta forma. Isso não é
- 33:19saudável para nós. E, portanto, quem
- 33:21quiser contribuir com transparência para
- 33:23nós percebermos esses mientros, melhor.
- 33:25E o que eu estou a dizer é que há uma
- 33:27pergunta fundamental aqui que acabei de
- 33:29colocar a que ninguém quer responder,
- 33:31como se fosse uma pergunta estúpida,
- 33:33absurda. Ou então diz: "Ah, este tipo
- 33:35está a fazer perguntas, não sabe o que é
- 33:36que se passa". Então, digam-nos.
- 33:38Exatamente. Os os os cidadãos como eu
- 33:40não têm o dever de saber o que é que se
- 33:42passa daquilo que é escondido de nós
- 33:44todos. Então, mostrem. É só isso.
- 33:46>> Miguel Morgado, Cristina Rodrigues e
- 33:48Carlos Guimarães Pinto concordaram num
- 33:50ponto essencial. Continuam a existir
- 33:51muitas perguntas por responder. Com a
- 33:53Comissão Parlamentar de Inquérito
- 33:55Prestes a avançar, a pressão sobre Luís
- 33:57Neves e sobre o governo promete
- 33:58aumentar. Agora resta saber se este caso
- 34:00ficará por aqui ou se terá consequências
- 34:02políticas. Deixe sua opinião nos
- 34:04comentários e faça parte deste debate.
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