Liberdade humana, egoísmo e sentido da vida | Podcast Cauê Santos entrevista Italo Marsili — Transcript
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- 0:00Esse é o momento mais importante da vida
- 0:01do ser humano. É o momento em que ele
- 0:03descobre que ele tem um motor interno e
- 0:06que esse motor interno, no final das
- 0:07contas, ele tem que ser puxado para uma
- 0:08coisa que tá fora dele. O dia que a
- 0:10gente consegue descobrir isso, bicho,
- 0:11tudo muda.
- 0:12>> [ __ ] velho, eu não consigo ver de fato
- 0:15altruísmo nas pessoas, cara.
- 0:16>> É, pô, tu tá andando num circoul merda
- 0:18pr [ __ ] hein? Só tá com medo de
- 0:20casar e ter filho, Cau?
- 0:21>> [ __ ] brother, eu tenho medo, cara.
- 0:23>> Então, isso que eu tô dizendo.
- 0:25>> Você vai depositar suas fichas nesse
- 0:26pilar, entendeu?
- 0:27>> 100%. E se esse pilar desmoronar, pô,
- 0:30>> caiu junto. Por isso que ele não pode
- 0:31desmoronar.
- 0:32>> Um cara jovem deve casar cedo, então
- 0:34>> ele deve achar um amor. Não deve pegar
- 0:37qualquer piranha também. É um risco,
- 0:39[ __ ] Maneiraço. [risadas]
- 0:42Tu não acha, [ __ ] Jovens estão
- 0:44sofrendo assistindo a gente agora. Cauê,
- 0:46deixa eu falar.
- 0:47>> Então você de fato tem esperança na
- 0:50humanidade,
- 0:50>> cara. Tu sabe o que que eu quero para
- 0:53esse filho da [ __ ] que matou meu pai? Ô
- 0:55cara, eu queria ter o seu otimismo
- 0:57assim. sendo bem sincero, mano.
- 0:58>> [ __ ] eu queria muito que você tivesse
- 0:59meu otimismo, cara. Queria muito que
- 1:01você tivesse meu otimismo.
- 1:06>> Sejam bem-vindos a mais um Cau Santos
- 1:08podcast. Eu tenho o prazer de estar aqui
- 1:10com o Itítolo Marcil. Ele é médico,
- 1:12psiquiatra e fundador da faculdade Mar
- 1:15Atlântico. [música] Valeu, Ítolo.
- 1:16>> Fala aí, Czão. Pô, que agradeço.
- 1:18Obrigado, cara. Valeu mesmo.
- 1:19>> Bom, pro pessoal aqui do do podcast,
- 1:22vocês vão ver que a gente tá num cenário
- 1:23diferente aqui, porque a gente tá aqui
- 1:25no Ítalo, ele eh fez a gentileza de, pô,
- 1:29ceder o estúdio dele aqui pra gente
- 1:30gravar esse episódio, fazer acontecer.
- 1:32Então, pô, obrigadão de coração, velho.
- 1:34>> Eu que agradeço, cara.
- 1:34>> E enfim, vamos ver aí como que vai
- 1:37suceder isso, cara. É, a primeira
- 1:40pergunta assim que eu queria te fazer,
- 1:41que a gente vai falar sobre vários
- 1:43assuntos, mas defina para mim o que que
- 1:46realmente é o ser humano e o verdadeiro
- 1:50sentido da vida, cara.
- 1:51>> [ __ ] maneiro, cara. Beleza. Bom, vamos
- 1:53lá. Prazer, primeiro lugar. Prazer meu.
- 1:54Que tá tá gravando isso aí? Não tá? Tá
- 1:56no hack. Tomou que não tô vendo a
- 1:57luzinha vermelha. Tá bom. Valeu. Cor.
- 2:00Beleza. Cara, dá para definir o ser
- 2:01humano por vários aspectos, né? Você
- 2:02pode dar uma definição biológica do ser
- 2:04humano, a gente pode dar uma definição
- 2:06histórica do ser humano, a gente pode
- 2:08dar uma definição política do ser
- 2:09humano, não é isso? A gente pode dar uma
- 2:11definição eh sociológica, né? Política.
- 2:14Eu não gosto de nenhuma delas. Quer
- 2:15dizer, depende do lugar onde eu tô dando
- 2:16aula, né? Se eu for convidado pra
- 2:17Academia Brasileira de Medicina,
- 2:18provavelmente eu vou falar pelo ângulo
- 2:20médico, etc. Aqui, como estamos nós
- 2:21duas, duas pessoas, eu quero dar uma
- 2:23definição que é uma definição
- 2:23existencial que vale para mim, vale para
- 2:25você e vale para quem tiver assistindo
- 2:26isso aí. Acho que é o seguinte,
- 2:28conectando com o sentido da vida, né?
- 2:30Vamos lá. A história do sentido da vida,
- 2:32ela pode aparecer pra gente de várias
- 2:33formas. E tem algumas pessoas que falam
- 2:35eh sobre o sentido da vida como uma
- 2:37coisa que tem que vir de dentro, como se
- 2:38você tivesse tá sempre empurrando,
- 2:40entendeu? Tem que conseguir se encontrar
- 2:41motivação dentro de você, tá? Então isso
- 2:44é uma forma de pensar o problema. Vamos
- 2:46lá. Eu acordo, tenho que encontrar
- 2:47dentro de mim uma motivação, uma
- 2:49energia, uma quantidade de sentimento,
- 2:51né? Fazer as coisas porque é meu dever
- 2:52fazer e porque eu, sei lá, tenho tenho
- 2:54um sofrimento que eu tenho que aprender
- 2:56a lidar com ele ou então tenho que
- 2:57cuidar do sofrimento de outra pessoa,
- 2:59etc.
- 3:00Essa é a primeira etapa e vou dizer que
- 3:02ela é importante mesmo para uma época na
- 3:04vida sobretudo no início, mais ou menos
- 3:06é só isso que a gente consegue ter
- 3:07acesso. Você não consegue ter acesso a
- 3:08outra parte que é a parte que eu acho
- 3:10que é a parte importante mesmo da
- 3:12história, que é onde você vai começar a
- 3:13entender de fato o que que é o sentido
- 3:14da vida. Então vamos imaginar assim, o
- 3:16sentido, né, ou o ser humano, ele tem
- 3:18essa força que empurra,
- 3:21mas o ser humano é aquele sujeito que
- 3:22tem que descobrir a força que puxa,
- 3:24tá? Então é como se fosse imaginar uma
- 3:26caixa, né? Sei lá, a caixa ela pode ser
- 3:28empurrada ou ela pode ser puxada. Parece
- 3:30a mesma coisa e parece só um jogo de
- 3:32palavra, mas não é. Tem um certo momento
- 3:34na vida, eu acho que esse é o momento
- 3:35mais importante da vida do ser humano. É
- 3:37o momento em que ele descobre que ele
- 3:39tem um motor interno e que esse motor
- 3:41interno, no final das contas, ele tem
- 3:43que ser puxado para uma coisa que tá
- 3:44fora dele. Quando a gente descobre essa
- 3:46coisa que tá fora da gente, a gente fica
- 3:48muito menos suscetível às mudanças
- 3:50internas. Então, sei lá, aquela falta de
- 3:51disposição de um dia ou então uma
- 3:53dificuldade no negócio, uma dificuldade
- 3:54na família, né? algum parente que
- 3:56morreu, filho que nasceu doente, [ __ ]
- 3:57tu tá mais feio, tá mais pobre, sei lá,
- 3:59tu é mais burro do que tu achava que
- 4:00você era, é menos engraçado,
- 4:02sei lá, isso tudo fica muito
- 4:04relativizado, né? Isso tudo fica muito
- 4:06em segundo plano, porque você no final
- 4:07das contas, é movido por uma força que
- 4:09te puxa. Então, o ser humano é aquele
- 4:11bicho que tem que descobrir diariamente
- 4:13que maldita força é essa e onde é que
- 4:15ela tá e como que a gente se articula
- 4:17com ela. Quer dizer, que tipo de ganchos
- 4:19eu tenho que criar em mim, pro gancho de
- 4:21fora poder se conectar em mim e me
- 4:22puxar. O dia que a gente consegue
- 4:24descobrir isso, bicho, tudo muda. As
- 4:27cores viram outras, os desejos viram
- 4:29outro, as paixões viram outras. Quer
- 4:31dizer, uma certa indestrutibilidade
- 4:32mesmo, ela começa a aparecer ano de
- 4:34você. Como quem diz o seguinte: "Olha,
- 4:35esse tipo de sujeito ninguém pode
- 4:37derrotar. Esse tipo de sujeito é o
- 4:39sujeito que tem mesmo aquilo que a gente
- 4:40chama de esperança." Essa é a parada do
- 4:42ser humano. Ser humano é aquele aquele
- 4:43bicho que precisa descobrir essa força
- 4:45que tá fora,
- 4:47se deixar conectar por ela e se deixar
- 4:49arrastar por ela. Essa é a parada. Você
- 4:52pode dar um exemplo assim de dar um
- 4:54exemplo de fora que eu imagino também
- 4:56que não pode ser qualquer força de fora.
- 4:57Se a gente pegar um seral killer, por
- 4:59exemplo,
- 5:00>> esse ser se ele tiver a força de matar
- 5:02pessoas, por exemplo, seria talvez
- 5:04errado ele fazer isso.
- 5:06>> É, a força killer certamente tá dentro,
- 5:08não tá fora. Ele é um bicho que é
- 5:09doente, né? Vou imaginar assim, então é
- 5:11um bicho que é movido por ódio, por
- 5:12raiva, etc. Você não tem uma força
- 5:14externa que possa puxar o serial killer
- 5:15num hora. O serial killer, ele vai
- 5:17deprimir, ele vai ser preso, né? Eh,
- 5:19qual que é o sentido de matar pessoas em
- 5:21série, né? Então, a nossa parada na vida
- 5:23é descobrir esse motivo de fora. Então,
- 5:25tem motivos, tem forças externas mesmo.
- 5:27Sei lá, a amizade é uma força externa,
- 5:29né? Eu, quando você liga para mim, por
- 5:31exemplo, que você tá [ __ ] eu posso
- 5:33falar assim: "Cara, é meu dever ir lá,
- 5:34né, ajudar o Kaauê, [ __ ] e tal, isso é
- 5:36maneiro. É meu dever ir lá ajudar o
- 5:38Kaauê, isso é bom. Tô dizendo que é
- 5:39ruim, não. Tem uma parte da vida que a
- 5:40gente só tem motor interno mesmo, né?
- 5:42Mas quando a gente descobre a
- 5:43transcendência, por exemplo, da relação
- 5:45à amizade, [ __ ] eu tô indo lá porque
- 5:46ele é um ser humano que precisa da minha
- 5:48ajuda, né? E é uma alegria eu conseguir
- 5:50poder ajudá-lo. Essa é uma força
- 5:52externa. Família é uma força externa,
- 5:54né? Isso é coisa que a gente faz pela
- 5:55nossa família, para aquela família,
- 5:56sobretudo que a gente criou, ou pelos
- 5:58nossos pais que deram a vida e deram a
- 6:00vida pela gente, eh, bons ou maus pais.
- 6:03E no limite mesmo Deus, se você quiser
- 6:04falar sobre isso, né? Sei lá, Deus tem
- 6:06um, Deus é uma força externa também, né?
- 6:09E no caso existem forças externas boas e
- 6:12ruins. Então
- 6:13>> só tem força externa boa, não tem força
- 6:15externa ruim. Ruim é a gente, bicho.
- 6:17Esse é o ponto, né? Quer dizer, o que
- 6:19puxa, o que empurra a gente pro mal são
- 6:21as nossas mais inclinações.
- 6:23Você não tem força externa que tem a
- 6:26capacidade de te puxar do jeito que eu
- 6:28tô falando aqui para você fazer alguma
- 6:30coisa. Como diz o seguinte, bichão, as
- 6:32merdas quem faz somos nós. Quem faz
- 6:34merda é a gente. Atribuir
- 6:37eh maldade interna, mau caráter interno.
- 6:40>> Mas a gente como indivíduo ou como
- 6:41sociedade?
- 6:42>> Como indivíduo. Aqui eu tô falando
- 6:43contigo só, né? Como indivíduo. Como
- 6:44sociedade é uma outra história. Se
- 6:45quiser a gente pode conversar sobre
- 6:46sociedade também, mas como indivíduo,
- 6:48né? Como indivíduo. Faló, as coisas
- 6:50ruins que eu fiz na vida, não adianta
- 6:51querer botar culpa em ninguém. Minha
- 6:53vida vai ser ruim se eu fizer isso. Uma
- 6:54merda, porque é falso. É falso. Pessoal,
- 6:57o que eu tenho aqui são pessoas
- 6:58convivendo, tem um mundo que precisa da
- 7:00minha ajuda, né? Tem gente aqui, etc.
- 7:03Sei lá, tem Deus, tem minha família,
- 7:04tem, sei lá, outras pessoas. Se eu faço
- 7:07mal, é porque eu sou um mau caráter, né?
- 7:09Ou seja, as palavras já que eu que eu
- 7:12dei, que eu não cumpri, né? Uma fofoca
- 7:14que eu fiz de alguém, sei lá,
- 7:15maledicência,
- 7:17roubei alguém, fui eu que fiz, [ __ ]
- 7:20Ah, mas a circunstância me levou a tal.
- 7:22Essa é uma forma de ver o mundo, né? A
- 7:24circunstância, ela tá aí para você
- 7:25dobrar a circunstância.
- 7:29Para dobrar a circunstância.
- 7:32>> Tá. Então, nesse sentido, você acredita
- 7:34no livre arbítrio restrito? Assim,
- 7:37>> não. Livre arbítrio é circunstanciado.
- 7:39Pra o livre arbítrio, você vai falar
- 7:41livre arbítrio para começar, né? O livre
- 7:42arbítrio ele pode a gente pode entender
- 7:43o livre arbítrio como uma coisa
- 7:44teológica. Não é meu interesse falar
- 7:46sobre isso, porque tem uma tem correntes
- 7:48teológicas que discutem isso, né, até o
- 7:50limite. Então,
- 7:50>> mas assim, nesse sentido, se todos os os
- 7:52malus que você faz relativo ao seu
- 7:54próprio caráter, você está no livre
- 7:55arbítrio de cometer aquele ato.
- 7:57>> Ah, sim. Sempre, sempre. É claro que a
- 7:59circunstância ela vai te exigir mais,
- 8:01exigir menos, né? Claro, se eu sou um,
- 8:04vamos lá, eu sou um homem branco de uma
- 8:06família estruturada que nasceu, sei lá,
- 8:08num bairro de classe média da Tijuca,
- 8:10com um pai que me deu amor, me deu e
- 8:12mamãe que me deu amor, com uma irmã
- 8:14excelente. Eu não tenho ninguém drogado,
- 8:16eu não consegui ninguém drogado na minha
- 8:18na minha infância, na minha juventude.
- 8:19Beleza? Quer dizer, escolher para mim um
- 8:21caminho que não tenha me levado ao
- 8:23tráfico de drogas, por exemplo, [ __ ] é
- 8:25muito óbvio. Eu não posso dizer o mesmo
- 8:27do menino que nasceu no meio da favela,
- 8:28que o pai dele era traficante, o primo
- 8:29dele era traficante, as referências
- 8:30masculinas dele todos eram traficantes,
- 8:32[ __ ] Para esse moleque escolher não
- 8:34ser traficante, ele vai precisar de uma
- 8:35força de vontade, uma força de caráter
- 8:37muito maior do que a minha.
- 8:38>> Exato. Mas aí que eu queria chegar, você
- 8:39acha que esse cara aí que [ __ ] nasceu
- 8:41na favela aqui e etc e tal, ele tem o
- 8:44livre arbítrio lá no na martelada final,
- 8:46ele tem de fato a escolha
- 8:47>> dele? A escolha dele sempre de quem?
- 8:50>> Só que vai ser mais difícil.
- 8:50>> Vai ser mais difícil a escolha de quem?
- 8:52>> E por que que você acha que a escolha
- 8:53dele realmente e não do ambiente que
- 8:55moldou ele e toda da onde que ele nasceu
- 8:57e tudo, toda essa história?
- 8:58>> Porque se eu achar outra coisa, eu tô
- 8:59achando que ele é um bicho, ele é um
- 9:00cachorro, uma pedra. Isso eu não posso
- 9:02fer. É contra dignidade humana. Quando
- 9:03eu falo, isso, isso é uma pegadinha.
- 9:05Quando eu falo que um, quando eu falo
- 9:06que um pobre não tem escolha, eu tô
- 9:08chamando pobre de animal.
- 9:10>> Isso aqui em geral as pessoas faz
- 9:11achando que estão defendendo os pobres.
- 9:12Opa, calma lá. Quem não tem escolha é
- 9:14bicho. Tá com fome, come. Tá com raiva,
- 9:16morde, né? Tá com sede, bebe. A gente
- 9:18não. Eu posso estar com fome e não
- 9:20comer. Posso estar com sede e não beber.
- 9:22Eu posso estar cansado e me levantar
- 9:24para cuidar de um filho, para cuidar de
- 9:25você. Isso é intrínseco a natureza
- 9:27humana. Se eu tô dizendo que um pobre
- 9:29porque é pobre ou porque só viu gente
- 9:32[ __ ] ele vai ser pobre [ __ ] e vai
- 9:34escolher o mal. Opa, eu tô tratando ele
- 9:36sem dignidade nenhuma. Isso nunca, você
- 9:37nunca vai me fazendo isso,
- 9:38>> não. Sim, sim. Não foi isso que eu quis
- 9:40dizer. O ponto é o seguinte, cara. Eh,
- 9:42por exemplo, você hoje a gente tava até
- 9:44falando em off, né, que bom, você disse
- 9:48que se tornou médico, psiquiatra e tudo
- 9:49mais, porque o seu pai te influenciou
- 9:51>> total.
- 9:52>> Então, seria nessa mesma linha de
- 9:53raciocínio, né? Não é porque você é
- 9:55inferior ou alguma coisa do tipo. É
- 9:56relativo ao próprio ser humano. Assim.
- 9:58>> Sim. Eu podia ter escolhido fazer
- 9:59física, por exemplo.
- 10:02Podia.
- 10:02>> Imagino que sim, né?
- 10:03>> Sim. Mas eu escolhi medicina. Eu
- 10:05escolhi. Eu ouvi o que meu pai falou
- 10:08quando eu fui escolher, eu tinha 16
- 10:10anos, né? Então, porque eu recebi uma
- 10:12boa educação. A minha boa educação me
- 10:14faz o seguinte: "Olha, eu valorizo que
- 10:15os mais velhos que se importam comigo
- 10:17falam. Sempre fiz isso na vida". Então,
- 10:19quando chegou o momento que eu entendia
- 10:20que era um momento decisivo para mim,
- 10:21[ __ ] escolha de uma carreira, escolha
- 10:23da profissão, eu escolhi considerar o
- 10:26que meu pai falou para mim, né? Meu pai
- 10:28falou: "Olha, [ __ ] faz medicina que é
- 10:29melhor". Podia ter feito outra coisa,
- 10:32podia ter ido fazer física, filosofia,
- 10:33alguma coisa do tipo. Era o que tava na
- 10:34minha cabeça. Mas quando ele fala
- 10:36aquilo, eu decido. Agora essa é uma
- 10:37decisão muito fácil de tomar, né? Quer
- 10:39dizer, nesse sentido assim, quer dizer,
- 10:41isso é uma coisa. Outra coisa é o o
- 10:43sujeito que tá na favela mesmo, para ele
- 10:44é muito mais difícil mesmo, né? Quer
- 10:46dizer, no primeiro caso, meu pai me
- 10:47orientando, ele tá me orientando pro
- 10:49bem, vamos chamar assim, né? Ele tá se
- 10:51importando comigo com amor. Então, ele é
- 10:52um bom exemplo. É mais fácil aderir ao
- 10:55bom exemplo. Mas quando a circunstância
- 10:56ela é brutal, como é do pessoal [ __ ]
- 10:58né, cara? Eh, a noção do livre arbítrio,
- 11:01ela continua, porque em última análise
- 11:03ela ele é ele é uma pessoa, ele não é um
- 11:05bicho, né, nem uma pedra. Então, ele
- 11:07decide. Isso é o que define a gente como
- 11:08ser humano em alguma medida, né? A gente
- 11:09pode escolher as coisas que a gente
- 11:11quer, não é? Mas é mais difícil para
- 11:13ele, [ __ ] Ele não tem exemplo. Imagina
- 11:15só que merda. Ele não tem exemplo. É uma
- 11:17tragédia neste sentido, né? A gente de
- 11:20fato, pelo menos eu acho isso
- 11:21claramente, a gente tem de fato um
- 11:22compromisso com a sociedade. [ __ ] acho
- 11:24que não é cada um por si não. Se eu se
- 11:26eu sou uma pessoa que tenho mais ou
- 11:28menos a visão de mundo, [ __ ] não quero
- 11:30que as pessoas estejam naquela, naquela
- 11:31condição, né? Então vou querer que o
- 11:32pessoal não more, não, não tenha vidas
- 11:35opressivas para caceta, né? Então, nesse
- 11:37sentido, ah, tráfico de droga uma merda,
- 11:39pô. Se a gente pudesse acabar com o
- 11:40tráfico de droga, você não acabaria com
- 11:41tráfico de droga? Se eu pudesse acabar
- 11:43com a miséria, eu não acabaria com a
- 11:44miséria, [ __ ] Tá ouvindo a história de
- 11:46um sujeito que é um filantropo e aí ele
- 11:49se meteu nesse negócio de dar comida,
- 11:51né? A parada dele virou, já tava rico,
- 11:53bilionário. O que eu vou fazer na minha
- 11:54vida agora? Vou dar comida pros pobres.
- 11:56Então ele se botou uma meta, dá 100
- 11:58milhões de alimentos no ano. Aí ele
- 12:01conseguiu, falou: "Porra, e agora? 1
- 12:02bilhão?" Aí ele começou, aí conheceu um
- 12:04cara da ONU, que era o o cara da ONU lá
- 12:06responsável por acabar com a fome no
- 12:07mundo, etc, etc. Ele contou uma história
- 12:09que ele chegou numa ouvindo a história
- 12:11desse cara, falei: "Cara, a gente quando
- 12:13manda nossas missões da ONU, contou duas
- 12:16histórias. Mandei minha missão da ONU
- 12:17para um desses países da Arábia Saudita
- 12:18[ __ ] né? Para Arábia, um desses
- 12:20lugares da Arábia Saudita super [ __ ]
- 12:22gente pobre, miserável e tal. Quando
- 12:24chegou o pessoal da ONU para dar comida,
- 12:26a população matou o pessoal da ONU e
- 12:29roubou a comida e roubou o carro.
- 12:30>> Car,
- 12:31>> beleza? E na África a mesma coisa.
- 12:35>> Eu, tu consegue entender? Eu consigo
- 12:36entender, cara. É assim, a situação de
- 12:38miséria é tão brutal, né? O sujeito não
- 12:42sabe se ele vai comer no dia seguinte,
- 12:44ele não tem cabeça para pensar na
- 12:45transcendência.
- 12:47Então o mundo é um lugar hostil para
- 12:49caceta, cara. Então nesse sentido, digo
- 12:51assim, claro, é claro que tem livre
- 12:52arbítrio. Eu só não sou o cara que di
- 12:54livre arbítrio, livre arbítrio a gente
- 12:55tem. Ponto. Agora, a circunstância, se
- 12:57você tá miserável mesmo, para você poder
- 13:00evocar o teu livre arbítrio, escolher o
- 13:01bem, tu precisa de muita prática de vida
- 13:04interior, né? Muita meditação, né? É o
- 13:06grande dilema, né? [ __ ] se você
- 13:08tivesse perdido na na mata com, sei lá,
- 13:11um cara e você tinha que matar ele para
- 13:13sobreviver.
- 13:13>> É isso aí. É isso aí, cara. O dilema lá
- 13:16daquele filme que ficou famoso de novo,
- 13:17né? Porque tem o velho. É, não sei se tu
- 13:19viu o velho, tu é mais novo que eu, mas
- 13:21tem o, esse é um remake do do filme que
- 13:23é o pessoal acidente avião, né? Cruzando
- 13:25os Alpes, na cordilheira chilena, crash
- 13:29do crash acidente,
- 13:31acabaram os mantimentos e agora vamos
- 13:32fazer o quê? Vamos comer gente, né? Para
- 13:35muitos deles, aquilo era contra os seus
- 13:37princípios, contra os seus valores, mas
- 13:39ali numa situação de tragédia
- 13:41eles não sabiam o que fazer. Alguns se
- 13:42alimentaram de de pessoas, outros não se
- 13:44alimentaram de pessoas, né? Por mais que
- 13:46você tenha um princípio, né, na tua
- 13:48cabeça, você sabe o que que é o bem,
- 13:49sabe o que é o certo, sabe o que deve
- 13:50fazer, o que não deve fazer, a situação
- 13:52concreta, quando ela vai se tornando
- 13:53muito opressiva,
- 13:55ela pode turvar o teu juízo. A gente
- 13:58sabe, é sempre assim em nossa vida, né?
- 13:59Quer dizer, quando a gente tá com fome,
- 14:00tá muito cansado, a chance da gente
- 14:02reagir mal com uma pessoa que a gente
- 14:03ama aumenta, né?
- 14:04>> Sim,
- 14:05>> claro. É biológico quase.
- 14:07>> Tem aqui, aquelas pesquisas que eles
- 14:08fazem com juízes, né? Juízes que, por
- 14:10exemplo, não almoçaram, eles se sentem
- 14:12mais
- 14:13>> mais estressados e eles tendem a julgar
- 14:15o o cara como mais culpado,
- 14:17>> tá mais nervoso, né? O mundo
- 14:19>> isol alto e tal, vai
- 14:22no julgamento, cara.
- 14:23>> É isso aí total.
- 14:24>> Mas isso não meio que prova que não tem
- 14:26livre arbítrio nenhum, cara. Quer dizer,
- 14:27por exemplo, eu tô aqui nessa situação,
- 14:30pra tô conseguindo falar contigo por
- 14:31quê? Porque eu tô bem alimentado, pô,
- 14:33tomei um cafezinho, tal, ar
- 14:35condicionado, situação legal. Agora, se
- 14:37a gente tivesse na mata, eu não teria
- 14:38esse mesmo comportamento que eu tô tendo
- 14:40aqui.
- 14:40>> Acho que não. Provavelmente não. A gente
- 14:42nem estaria gravando um podcast, né?
- 14:43Estaria tentando sobreviver, né, bicho?
- 14:45Assim, mas é circunstância, cara. Vamos
- 14:48lá.
- 14:49É muito difícil a gente dizer que não
- 14:51tem livre arbítrio, dado que tem livre
- 14:52arbítrio. Se eu vir, vamos lá. Se eu vir
- 14:54um corvo branco, eu sei que nem todos os
- 14:57corvos são pretos. Concorda? Basta eu
- 14:59ter visto um, né? Se eu vi um corvo
- 15:01branco, nem todos são pretos. O fato de,
- 15:04em algumas circunstâncias, a gente
- 15:06observar uma situação e parecer que não
- 15:08há livre arbítrio, não invalida a ideia
- 15:11de que tem temos livre arbítrio, dado
- 15:13que nós temos a experiência da escolha,
- 15:15não é? a gente já escolheu. É, então
- 15:19>> agora se em algumas circunstâncias a
- 15:22gente se sente como sem escolha, isso é
- 15:24uma outra questão que a gente pode
- 15:24analisar, né? Agora, o fato da gente se
- 15:27sentir sem escolha não significa que a
- 15:29gente não po não consiga escolher. Vamos
- 15:31lá, situações aberrantes, por exemplo, é
- 15:34difícil imaginar uma situação mais
- 15:35aberrante que um campo de concentração,
- 15:36não é isso? Sei lá. E a gente tem um
- 15:39pelo menos uma dezena de relatos bem
- 15:40documentados de pessoas que no campo de
- 15:42concentração, que é o equivalente a
- 15:43gente tá perdido na mata, [ __ ] tendo
- 15:45que sobreviver, pessoas que ali naquela
- 15:47situação continuaram escolhendo bem e
- 15:49continuaram agindo exatamente como elas
- 15:51agiam, sei lá, na sua vida particular do
- 15:54campo de concentração. Pessoas que se
- 15:56entregaram generosamente para salvar a
- 15:57vida de outros que eles julgaram que
- 15:59mereciam mais ou precisavam mais. Sei
- 16:01lá, Maximiliano Cob é uma história muito
- 16:03eh famosa desse tipo, né? era um sujeito
- 16:05que não tinha família
- 16:07e que viu um daqueles soldados da SS
- 16:09indo matar um outro homem que ele sabia
- 16:12que tinha filhos e ele propôs uma troca,
- 16:15falou: "Porra, não deixa ele sobreviver,
- 16:17eu não tenho família, não tem ninguém me
- 16:18esperando lá fora, né?" E e a troca foi
- 16:21feita. O soldado da SS pega o Maximano
- 16:24coub e não sei se vocês sabem dessa
- 16:26[ __ ] ó, tinha uns lugares na nos
- 16:28campos de concentração que era umas
- 16:29covas que eles cavavam um buraco mesmo
- 16:31assim super pequeno, né? cabia, sei lá,
- 16:33três, quatro pessoas no buraco de um
- 16:36buraco de 3 m sem luz e empurravam as
- 16:38pessoas, jogavam as pessoas lá embaixo.
- 16:40Algumas sobreviviam e outras não
- 16:41sobreviviam, né? O Maxando, couve cai no
- 16:44buraco, sobrevive e continua recebendo,
- 16:46continuam outras pessoas sendo jogadas
- 16:48lá. Então, lugar que abia quatro, cinco
- 16:49pessoas, tinha, sei lá, 10 pessoas, uma
- 16:50em cima da outra.
- 16:51>> Uhum.
- 16:52>> E ele fica ali por uma semana sem
- 16:54alimento, sem luz solar, sem [ __ ]
- 16:55nenhum assim, essa ele sabia que era
- 16:57para esse lugar que ele ia. Isso que eu
- 16:58quero dizer, né? que ele acha, ah, me
- 17:00vamos trocar aqui, me dar um tiro na
- 17:01cabeça. Não, não. Ele sabia que era para
- 17:02lá que ele iria ser jogado. E mesmo
- 17:04assim ele escolheu livremente aquela
- 17:05[ __ ] no campo de concentração, entende?
- 17:07Então, o fato de ter um corvo branco, eu
- 17:09sei que nem todos são pretos, [ __ ] Mas
- 17:11e quando o corvo fica preto, né? Digo
- 17:13assim, e quando não temos a situação de
- 17:16aparência de livre arbítrio, eu acho que
- 17:18é aí, pelo menos eu, né? O que eu tô
- 17:19fazendo na minha vida aqui com
- 17:21faculdade, com curso que eu dou, etc. A
- 17:23minha parada é devolver esperança pro
- 17:25coração das pessoas. Isso é a minha
- 17:26parada. Eu sou professor. Beleza? Seu
- 17:28sentido,
- 17:28>> isso é o meu sentido. Eu acho que a
- 17:30gente tem motivo para ter esperança. Tem
- 17:32motivo para ter esperança. Às vezes
- 17:33parece que não.
- 17:35Às vezes parece que não. Beleza? Então,
- 17:38se eu consigo alimentar, não sei se vai
- 17:39concordar comigo, se eu consigo te
- 17:40alimentar de sentido, de esperança, você
- 17:44fica um pouco mais indestrutível, porque
- 17:45você sabe que aquela circunstância
- 17:47terrível que você tá passando, a doença,
- 17:49a pobreza, o diabo que for, ela não é o
- 17:51ponto final,
- 17:53>> não é isso?
- 17:53>> Isso é um fato.
- 17:54>> É, é, é um movimento interno mesmo, né?
- 17:56Não chega nem ser psicológico, do
- 17:58coração mesmo. Acho forte demais. Então,
- 18:00o que eu acho que no mundo falta hoje um
- 18:02pouco é é o sentido da esperança. E eu
- 18:04entendo, [ __ ] eu entendo, eu entendo
- 18:07que falte falte a ideia da esperança no
- 18:09mundo. É necessário ter exemplos, né,
- 18:11motivos para acreditar. Isso é
- 18:13importante. Quando a gente olha para um
- 18:14mundo escroto, como é o nosso, ele é um
- 18:15pouco escroto, né, para uma grande parte
- 18:17das pessoas, ele é bem escroto, né? A
- 18:19gente, [ __ ] sei lá, classe média rico,
- 18:21né? Eh, então a gente já tem uma, né,
- 18:24acesso. A gente come todos os dias, pô.
- 18:26A gente toma banho quando quer. Não é
- 18:27isso, cara? Metade do mundo não. Hoje no
- 18:30Brasil tem escravo, [ __ ] Sei lá, são
- 18:3310 ou 11.000 pessoas, salvo engano, em
- 18:35posição, em situação de escravidão no
- 18:37Brasil. É serviço de escravo mesmo, né?
- 18:40>> Aquela escravidão moderna, né?
- 18:41>> Escravidão moderna, mas é tipo
- 18:42escravidão. Não tô, eu tô falando da
- 18:43escravidão do sujeito que trabalha, não,
- 18:44não. É tipo escravo mesmo. Ele fica
- 18:46trancado num quarto, tendo que trabalhar
- 18:48forçado e volta pro quarto e não pode
- 18:50sair da fazenda, não pode sair da [ __ ]
- 18:5211000 assim.
- 18:52>> 11.000 assim. Essa escravidão hardcore,
- 18:56>> [ __ ]
- 18:56>> Bicho, não sei se tu sabe o dado, tem um
- 18:57dado de meninas casadas com menos de 14
- 19:01anos.
- 19:02Isso não é casamento, concorda? É
- 19:04pedofilia. Digo assim, as garotas estão
- 19:05lá t relação forçada, é um número assim,
- 19:081 milhão de meninas. É o negócio assim,
- 19:10[ __ ] tipo 20% das mulheres, menos de
- 19:1318 anos estão nessa posição.
- 19:15O mundo é escroto. Tu vai para São
- 19:17Paulo, cara. Fal, o Rio de Janeiro é
- 19:19escroto também. São Paulo, população de
- 19:22rua imensa, meu irmão, cracolândia,
- 19:25qualquer pessoa mais ou menos sensível
- 19:26olha para isso e fala: "Caralho, esse
- 19:27mundo é uma merda,
- 19:28>> cara". Acho que o próprio ser humano é
- 19:30meio egoísta, né? Tá no próprio gên
- 19:33>> tá total, total, pôra,
- 19:35>> de acordo até com o evolucionismo e
- 19:37>> é uma luta, né? Na verdade, parece que
- 19:40de acordo com o evolucionismo, os
- 19:44os as pessoas ali que tinham genes mais
- 19:46egoístas pensavam mais em si, logo
- 19:49proliferavam mais o seu gênes.
- 19:50>> Pois é. Pois é.
- 19:51>> E logo a gente tá aqui, cara. Então,
- 19:53quer dizer, eh, puxando outro gancho,
- 19:56velho, falando sobre a natureza humana,
- 19:57que é um tópico assim que sempre me
- 19:59causa muita curiosidade, né? Eu queria
- 20:01saber a sua visão em relação a isso. Na
- 20:02minha visão, o ser humano realmente é
- 20:05assim, não nasce do mal, né? Ele é
- 20:08totalmente moldável, assim como uma
- 20:10página branca.
- 20:11>> Sim.
- 20:11>> Porém, as pessoas tendem a ser egoístas,
- 20:14né?
- 20:14>> Uhum.
- 20:15>> Tende a ser gananciosos, pensar mais em
- 20:18si, enfim.
- 20:19>> Sim. Sabe que tem um livro muito bom do
- 20:20Spengler,
- 20:22eh, On Topics of Ethics, eh, é o nome do
- 20:26livro, salve engano, que ele é o
- 20:28primeiro sujeito que desenvolve um
- 20:29conceito muito interessante, que o
- 20:30conceito de egoaltruísmo.
- 20:32Então, ele faz uma análise eh bastante
- 20:34rigorosa sobre esse assunto, né? né?
- 20:36Seja que é exatamente que você tá
- 20:37botando, o motor do mundo é o egoísmo ou
- 20:39é o altruísmo,
- 20:41né? Porque a corrente que diz assim, não
- 20:42é a generosidade é o motor do mundo.
- 20:44Outros vão dizer o seguinte: "Não, o
- 20:46egoísmo é o motor do mundo." O Spengler
- 20:47ele vira uma referência porque ele faz
- 20:49uma articulação. Então são dois livros,
- 20:50na verdade, é um é introdução,
- 20:52Introduction of Erics e depois é um
- 20:53topic of Erics, onde o primeiro livro
- 20:56vira um capítulo do segundo e ele
- 20:57aumenta o tema, tá? Vale a pena a
- 20:59leitura mesmo. É muito interessante. Ele
- 21:00desenvolve ali esse esse assunto que o
- 21:03assunto do e ele ficou dentro fala é o
- 21:04ego, ego altruísmo é o que ele fala. É
- 21:07muito difícil a gente conseguir analisar
- 21:08uma coisa que ele chama de retidão de
- 21:10intenção. Seja qual é a nossa intenção
- 21:12no final das contas?
- 21:13>> Hum.
- 21:14>> É
- 21:15>> intenção última no caso.
- 21:16>> É, digo assim, vamos lá, vamos exemplo,
- 21:18né? Exemplo clássico lá dele. Uma mãe
- 21:20que acorda à noite com sono. Ela tá
- 21:23cansada, tá com sono. Ela ouve a neném
- 21:25dela chorar no quarto,
- 21:28ouviu? O que que ela faz?
- 21:30Ela vai lá amamentar a criança por
- 21:33altruísmo,
- 21:35ou seja, porque ela esquece dela e
- 21:38porque a criança precisa, ou ela vai lá
- 21:39por egoísmo,
- 21:41né? E o Spengler vai analisando várias
- 21:43situações concretas, depois os estudos
- 21:46continuam, né?
- 21:47Ele tinha uma conclusão que me parece
- 21:49mais razoável para mim, pro meu gosto,
- 21:50cara, é pelas duas coisas, né? Quer
- 21:52dizer, ela acorda porque a neném precisa
- 21:55e porque, pô, o amor da mãe é um negócio
- 21:57que a gente não pode menosprezar, não é
- 21:59isso? Mas também porque se ela não for
- 22:01lá, [ __ ] neném vai ficar enchendo o
- 22:02saco, ela não consegue dormir, voltar a
- 22:03dormir, não é isso? Porque se ela não
- 22:05der de mamar nunuca para neném, neném
- 22:06morre e ela vai ser acusada de, né, de
- 22:09negligência, abandono de incapaz, o
- 22:11[ __ ] Então, a verdade é que a
- 22:13verdade não, né, mas o que ele diz e
- 22:14quando eu vou analisar na minha vida, eu
- 22:16vejo sem presente.
- 22:17>> Mas nesse caso aí dessa história da da
- 22:19bebê,
- 22:20>> sim.
- 22:20>> Qual aspecto seria altruísmo?
- 22:23>> Então, altruismo é, eu tô fazendo porque
- 22:24a nem precisa. Esse é o altruísmo, né?
- 22:26Eu tô fazendo pelo outro. Eu não tô
- 22:28pensando em mim.
- 22:29>> Mas será que ela não tá pensando nela?
- 22:30Nessa questão
- 22:31>> acho que sim. Isso que o Spengler tá
- 22:32falando. Ele tá falando o seguinte, ó.
- 22:33Provavelmente são as duas coisas sempre,
- 22:34>> não? Então, mas como pode ser exatamente
- 22:36as duas coisas, cara?
- 22:38>> Porque esse é esse é um passo
- 22:39filosófico. Em geral, a realidade ela
- 22:41ela é em articulação.
- 22:43Os pensamentos maniqueístas, em geral,
- 22:45eles não dão conta de escrever o real.
- 22:50Quando a gente, vamos lá, problema é a
- 22:52consciência de uma contradição, né? Isso
- 22:54é uma definição bem interessante do
- 22:56Ortega. O que que é um problema? é a
- 22:57consciência de uma contradição.
- 23:00Então, quando uma pessoa, vamos lá,
- 23:01então na minha cabeça, eu tenho um
- 23:02problema, eu dei um problema, cara. A
- 23:04coisa é egoísta ou altruísta. Quando eu
- 23:07vejo alguém falando assim, não, não,
- 23:08alguns religiosos, né, tudo é feito por
- 23:11amor ao outro, eu olho para aquilo e
- 23:13fala: "Bem, ele não está consciente do
- 23:15problema, porque ele não nota que existe
- 23:16uma contradição."
- 23:17>> E quando eu vejo uma outra pessoa, um
- 23:18cientificista, por exemplo, fala assim:
- 23:19"Não, não, tudo é gênio e egoísta". Eu
- 23:22falar: "Caralho, ele não está consciente
- 23:24da contradição. Ele ele não entende que
- 23:25temos um problema". tal.
- 23:27>> Hã,
- 23:27>> Richard Dawkins lá e tal.
- 23:29>> Exato. Aquilo é uma parte do problema. a
- 23:32minha, o que eu ve, eu e um monte de
- 23:34gente, né, que que tem a raiz filosófica
- 23:37assim, cara, em geral, quando alguém me
- 23:39apresenta
- 23:41uma resposta como se a resposta fosse a
- 23:44resposta ao problema, e existe um outro
- 23:47grande corpo de produção que responde
- 23:49exatamente o inverso com iguais motivos,
- 23:52com igual peso. Eu falei: "Ah, legal,
- 23:54temos um problema".
- 23:56Porque eu fiquei consciente da
- 23:57contradição. Então, quando, por exemplo,
- 23:59o Dawkins, se o Dawkins lêe mesmo,
- 24:02talvez ele tenha lido, né? Mas se se
- 24:03alguém que gosta do Dawkins lê a
- 24:05literatura que fala o exato oposto do
- 24:07gênio egoísta, né? Sei lá, toda a vida
- 24:10do matrizas de calcutar, por exemplo,
- 24:12pegar as biografias dos santos, vamos
- 24:13imaginar assim, você imagina só uma
- 24:14senhora em Calcutá, pobre, feia, é
- 24:17magra, passando fome, ela não se dedicou
- 24:20para para constada para ela, tá
- 24:21construtão,
- 24:23mas era para ela, [ __ ] Tá, mas não é
- 24:26bem disso que o Dokin tá falando. Tá
- 24:27falando de uma outra coisa. A gente aí o
- 24:30problema apareceu.
- 24:31>> Hum.
- 24:31>> Temos uma consciência de contradição que
- 24:34é o que o Spengler acho que ele mata a
- 24:35charada, ele articula as duas.
- 24:37>> Mas de certa forma ela não tava fazendo
- 24:38por ela.
- 24:39>> Acho que tava. Então é isso que o
- 24:40Spengler tá falando. Ela tá falando.
- 24:41>> Não, mas a unicamente por ela. Eu acho
- 24:44que é uma visão muito triste, né? Você
- 24:46você teria que atribuir a ela uma coisa
- 24:48que ela tá dizendo que é o inverso.
- 24:50>> É, mas muita coisa diz, muitas pessoas
- 24:53dizem coisas e nem pensem nem pensam a
- 24:55respeito disso.
- 24:56>> Não pensam. É que eu acho,
- 24:56>> por exemplo, você vai é contra a teoria
- 24:58de que, [ __ ] ela fez isso porque
- 25:00simplesmente dava recompensa no cérebro
- 25:02dela, assim,
- 25:03>> no sentido que dava status, dava de
- 25:06certa forma um poder e tal. Assim, eu
- 25:08não li a biografia dela, imagino que ela
- 25:09foi reconhecida na vida, né?
- 25:10>> Pois é. Se não acha uma pretensão dois
- 25:13meninos brancos no ar- condicionado
- 25:15estarem cagando uma regra sobre o que
- 25:17ela fez? Eu acho muito, cara. [ __ ]
- 25:19>> mas eu gosto de,
- 25:20>> eu prefiro, eu prefiro ficar com ela,
- 25:22sacou? Digo assim, cara, por que que eu
- 25:24vou atribuir a ela uma, um motivo
- 25:26egoísta
- 25:28se eu tô vendo a vida dela? Digo assim,
- 25:29ela não é uma cagadora de regra, sacou?
- 25:31Ela tá tipo a Vera ali dedicada à aquela
- 25:34parada.
- 25:36É só uma é uma posição existencial, ti é
- 25:38a minha, entende? Eu tendo a valorizar,
- 25:41tá? O que que você tá me contando? Eu
- 25:42tento a tomar como verdade, sei lá. Tu
- 25:44tá me dizendo que você, [ __ ] ajudou o
- 25:46teu brother porque tu gosta dele?
- 25:50Tá, mas ah, qual era a vantagem que você
- 25:52tá buscando ali? Sei lá, cara. Acho que
- 25:54um monte na real, né? Pô, que ele gosta
- 25:55de você também, que depois ele te ajude
- 25:56lá na frente. Mas isso invalida o
- 25:58movimento genuíno no teu coração, [ __ ]
- 26:00Tu nunca sentiu vontade genuínio de
- 26:02ajudar alguém? Assim, de verdade, só uma
- 26:04pergunta assim, sem calcular o que que
- 26:07eu tô ganhando com isso,
- 26:09>> cara, pela experiência, sim, né?
- 26:11>> Sim, né?
- 26:12>> Mas assim, esses caras falam e não que
- 26:14eu concorde necessariamente com isso, é
- 26:16que assim, eu converso com muitas
- 26:18pessoas no podcast que são mais
- 26:20cientificas mesmo
- 26:21>> também. Eu sou médico, né? É, é minha
- 26:23turma na real, né? Aí o pessoal é bem
- 26:25cético mesmo e
- 26:27>> enfim. Então eu tô meio que envezado
- 26:29para esse lado de certa forma, mas eu
- 26:31ainda tô, [ __ ] nesse caminho de
- 26:32entender a realidade, sabe?
- 26:33>> Acho eu acho que é isso. Eu acho
- 26:35>> só que [ __ ] velho, eu não consigo ver
- 26:38de fato altruísmo nas pessoas, cara.
- 26:40>> É, pô, tu tá andando num círculo merda
- 26:42para [ __ ] hein? Tem uma galera
- 26:44altruista, cara. Posso te apresentar? A
- 26:46gente pode sair daqui eu te levo nos
- 26:47cantos aí que [ __ ] meu irmão, tu vai
- 26:48olhar pr aquela galera e falar assim,
- 26:50[ __ ] egoísmo não dá conta de responder
- 26:52isso aqui. Tu conhece a galera toca de
- 26:54Assis? [ __ ] então, por exemplo, um
- 26:57exemplo aqui que veio na minha cabeça,
- 26:58mãe. Aí tava, fui, fui ser médico, fui
- 27:02ser diretor de um hospital aqui perto.
- 27:05Aí, beleza. Aí para para ser eleito pra
- 27:08vaga, né, para concorrer à vaga, para
- 27:10tinha um tinha uma, né, tinha um
- 27:12protocolo lá para eu poder ser diretor
- 27:13do tal do hospital. O protocolo
- 27:14consistia em, né? Uma parte do protocolo
- 27:17consistia em da etapa, né, de seleção.
- 27:19Eu tinha que ir para São Paulo ver os
- 27:20hospitais que eles fundaram.
- 27:23Meu irmão, tinha um hospital, tinha um
- 27:25hospital assim, um negócio brutal, das
- 27:26coisas mais brutais. Eu sou médico, mas
- 27:27as coisas mais brutais que eu vi na
- 27:28minha vida. Tor de São Paulo teve uma
- 27:30política do estado que começaram a
- 27:32fechar os lugares onde cuidavam de
- 27:35crianças com problema neurológico
- 27:38terminal, assim, sem chance de
- 27:40recuperação. Beleza?
- 27:43Então, um fundador de uma rede
- 27:44filantrópica de hospitais falou o
- 27:45seguinte: "Olha, deixa todos os
- 27:47hospitais do estado irem escolhendo quem
- 27:50eles querem. A gente vai ficar com os
- 27:51piores e a gente vai cuidar desses
- 27:52molequinhos aqui com todo o amor do
- 27:54mundo." Eu fui nesse hospital, estamos
- 27:56em Santa Catarina nesse hospital.
- 27:58Beleza,
- 28:00Cauê? É um negócio assim, criança assim
- 28:03com cérebro para fora,
- 28:04>> [ __ ]
- 28:05>> assim, com perna drobada para trás,
- 28:07ninguém falava nada.
- 28:09>> Os moleque brutal. Ninguém me contou, eu
- 28:11vi. Eu vi aquelas enfermeiras, um monte
- 28:14de freira, inclusive, tá
- 28:16cuidando com sorriso no rosto daquelas
- 28:18crianças.
- 28:21Eu li o gênoista, ol, eu li aquilo, eu
- 28:23entendo o que ele tá falando. Eu sou
- 28:24médico, [ __ ] A gente tem um monte
- 28:25circuito cerebral na cabeça mesmo, né? E
- 28:29e as explicações do egoísmo, elas são
- 28:32muito interessantes até um certo ponto.
- 28:35Quando a gente olha para uma parte do
- 28:36real, que talvez eles não estejam
- 28:37olhando,
- 28:39aquela explicação ela se torna
- 28:40insuficiente, que é o que o Spengler viu
- 28:42lá atrás.
- 28:43>> O Spengler falou assim: "Cara, as duas
- 28:45coisas, isso eu acho muito [ __ ] porque
- 28:47eu não invalido todo o conhecimento
- 28:49científico que veio até aqui, que [ __ ]
- 28:50dá conta de explicar uma parte de fato
- 28:52da evolução humana, não é isso?
- 28:55Mas tem uma outra também, né? Primeiro
- 28:57cara que construiu uma casa, ele
- 28:58construiu por egoísmo pro altruísmo.
- 29:01Sei lá, cara, deve ter sido por egoísmo
- 29:03para ele. Mas é porque que ele continua
- 29:04construindo pros outros, pô? Sei lá,
- 29:06porque os outros precisavam e meio que
- 29:07entendeu se ia ganhar algum dinheiro
- 29:08para aquilo. Então são as duas coisas,
- 29:09né? Eh,
- 29:12>> sim.
- 29:12>> O real ele é mais forte do que o real
- 29:14ele é mais forte do que qualquer outra
- 29:15coisa. O real é mais forte do que a
- 29:17literatura, do que a poesia, do que a
- 29:18ciência, né? Do que. E quando a gente
- 29:21olha pro real, tu encontra essas
- 29:22paradas, cara. Santa Ribeirão Preto,
- 29:25talvez esse hospital, não sei, cara. Mas
- 29:27é uma experiência que eu guardo, isso
- 29:28foi 2013, meu irmão, eu guardo essa
- 29:29experiência viva na minha cabeça até
- 29:31hoje daquele lugar tava cheiroso, meu
- 29:32irmão. Todas as crianças de fralda se
- 29:34cagavam, mijavam assim, lugar cheiroso.
- 29:37>> E você foi lá mesmo para tipo meio que
- 29:39vivenciar isso assim.
- 29:40>> Era um, era um pré-requisito lá do de
- 29:42quem tava me contratando. Então eu tinha
- 29:43que ir em todos os hospitais da rede.
- 29:45Esse era um dos hospitais. Sério? É
- 29:47impactante mesmo. É um negócio que eu
- 29:49quando conta a história assim, mas
- 29:50assim, o lugar era luminoso, era alegre.
- 29:53Porque aquelas fresas, aquelas senhoras
- 29:55eram voluntárias, meu irmão. É,
- 29:57>> era, tinha um médico outro ali, mas
- 29:59assim, quem tocava aquilo mesmo, gente
- 30:02voluntária, maluco, tá lá
- 30:03voluntariamente fazendo aquela [ __ ] Eu
- 30:06conheci muita gente boa na vida, cara.
- 30:07Essa é uma uma parada maneira assim da
- 30:09minha história. Eu conheci uma galera
- 30:10muito boa que tu olha assim e fala:
- 30:12"Porra, meu irmão
- 30:13>> [ __ ] é maneiro, cara".
- 30:13>> É maneiro. É maneiro.
- 30:14>> E voltando ao sentido da vida, então,
- 30:16velho, que foi a, enfim, a primeira
- 30:18pergunta lá. Você falou das forças
- 30:20externas e as forças internas, né?
- 30:22empurra e puxa.
- 30:23>> Cara, a gente tá vivendo assim num num
- 30:25mundo que,
- 30:27bom, cada vez mais parece que as pessoas
- 30:30estão perdidas em relação a isso, né? A
- 30:32questão do propósito e tudo mais, esse
- 30:34papo todo, né? Eh,
- 30:37o que que você acha que tá acontecendo
- 30:40para isso tá ocorrendo, né, esse, entre
- 30:42aspas movimento, sei lá, das pessoas
- 30:45estarem perdidas em relação a isso? E e
- 30:47o que que você diria para uma pessoa que
- 30:48assim não tem esse sentido na vida?
- 30:52Exatamente assim, e ela quer encontrar
- 30:55isso, sabe? Eu acho que para as pessoas
- 30:57que acreditam em Deus, inclusive é mais,
- 30:59talvez um pouquinho mais fácil, talvez,
- 31:02>> né? Porque, sei lá, te dá uma um
- 31:05sentido, né? [ __ ] não faça isso, faça,
- 31:08não faça X, faça Y de alguma forma, né?
- 31:11E bom, você vai ter a graça e tudo mais,
- 31:14né? Mas e o cara que, [ __ ] velho, não
- 31:18acredita que vai ter vida após a morte,
- 31:20o cara é ateu, nilista, como que o cara
- 31:24vai encontrar um sentido, velho?
- 31:26>> É mais difícil mesmo, né? Mais difícil,
- 31:28cara. Você pode encontrar um sentido na
- 31:29finalidade de última ou no processo. O
- 31:32cara que é ateu, ele não vê uma
- 31:34finalidade última, mas ele tem
- 31:35consciência de que ele tá no meio de um
- 31:37processo, não é isso? Eh, supondo que
- 31:40seja um ateu inteligente, né? Se for um
- 31:41atu burra e aí ele vive igual, sei lá,
- 31:44uma bolinha de ping-pong, né? Tá. Tem
- 31:45até inteligente, então.
- 31:47>> Ah, tem. Você tem inteligente, ele só
- 31:48não chegou lá. Inteligente da página um.
- 31:50Na página dois vai ficar mais porque a
- 31:52finalidade de última é Vamos lá. Tem tem
- 31:55uma coisa também, só dando uma eu posso
- 31:58chegar direto também, mas dando uma
- 31:59voltinha aqui. Eu entendo também os
- 32:01ateus, cara, 100%. Eu entendo mesmo,
- 32:04porque se Deus religião é esse e a gente
- 32:08foi o que eles foram apresentados, né?
- 32:09Esse negócio de gente crédula que
- 32:11acredita em qualquer coisa, que fica
- 32:12batendo palma, fica dançando para um
- 32:14lado pro outro, né? Chora. Falei: "Cara,
- 32:16eu também seria teu." Se isso fosse a
- 32:17religião. E se Deus fosse essa [ __ ]
- 32:20juro por Deus que eu seria teu, né? Eh,
- 32:23acreditar em qualquer coisa, né? Como eu
- 32:25disse, pôx estranho, não é? Seria do meu
- 32:28feitio, né? Mas quando tu vai pra
- 32:30filosofia, tu vai pra filosofia, a
- 32:31filosofia é o primeiro passo. O jeito
- 32:33ele, vamos lá. Até eu acho muito difícil
- 32:36uma pessoa ser. Até o agnosticismo a
- 32:38gente entende perfeitamente que que
- 32:39seria o ateu. Atueu é assim, cara, é só
- 32:41matéria, não tem [ __ ] nenhuma para além
- 32:43da matéria, é só isso. Beleza, não tem
- 32:46as coisas, não tm sentido, não tem
- 32:47finalidade
- 32:49>> aí, beleza, cara. Esse cara é ateu
- 32:50mesmo. Raras pessoas são ateias nesse
- 32:53nível. Tem uma galera que é agnóstica,
- 32:55agnóstica assim, beleza, cara. Até deve
- 32:59ter alguma coisa, mas nem sei se é Deus.
- 33:01E certamente eu não é uma pessoa que
- 33:04fala comigo. Aí isso dá para entender,
- 33:06né? Eu acho, eu entendo muito com mais
- 33:07facilidade o ateu, ateuzão mesmo, isso
- 33:09de verdade. Se ele estudar um pouquinho
- 33:10de filosofia, ele, e ele foi
- 33:12inteligente, né? Ele deixa de ser ateu,
- 33:14ele vira agnóstico. As coisas tem uma
- 33:17finalidade, por exemplo, né?
- 33:20Colégio. Vamos voltar pro colégio.
- 33:22Teorema de Pitágoras.
- 33:25Teorema de Pitágoras. Beleza? Então,
- 33:26vamos lá. Qual o teorema de Pitágoras?
- 33:28Lembrando, quadrado da hipotenusa é
- 33:31igual a soma do quadrado dos catetos,
- 33:33não é isso? Então, num triângulo de lado
- 33:35de lados três e 4, o lado oposto ao
- 33:38ângulo reto vai medir cinco. Beleza? A
- 33:41fórmula do teorema de Pitágoras,
- 33:45ela é material ou imaterial? Essa é uma
- 33:47pergunta aqui na aula de filosofia, né?
- 33:49Estamos só batendo um papo, então, né?
- 33:51Sem tanto rigor. Imaterial.
- 33:54>> Ela é imaterial. Por que que ela é
- 33:55imaterial? que ela não está no triângulo
- 33:56nem no quadrado. Ela é uma fórmula de
- 33:59composição,
- 34:00>> uma abstração.
- 34:01>> É uma abstração. Ela é uma abstração.
- 34:03Segunda pergunta,
- 34:05ela é uma abstração que tá na minha
- 34:07cabeça ou ela está na realidade? Digo
- 34:10mais, antes de estar na cabeça de
- 34:12Pitágoras, né? Vamos supor que ele tenha
- 34:14sido o primeiro a ver essa [ __ ]
- 34:17Ela não tava na cabeça de ninguém, então
- 34:18ela não existia.
- 34:21Mas aí nesse caso talvez não seja apenas
- 34:23uma própria abstração da da cabeça dele
- 34:25que virou uma abstração.
- 34:28Isso é uma
- 34:28>> na sociedade.
- 34:29>> Por exemplo, se não tivesse nenhum ser
- 34:32humano no mundo e aparecessem triângulos
- 34:34retângulos,
- 34:37qual seria o tamanho da hipotenusa do
- 34:39triângulo de lado de catetos três e
- 34:41quatro cinco. Independente se eu li essa
- 34:44[ __ ] se eu sei falar sobre esse
- 34:46negócio ou não. Esse aí vem outro
- 34:47problema que o científic vocês tem muito
- 34:48problema de entender que é o seguinte.
- 34:50A realidade não tá na minha cabeça.
- 34:52Vamos lá.
- 34:54Uma pedra no oce uma pedra que tá no
- 34:56oceano mais profundo que nenhum homem
- 34:57jamais verá e tá lá.
- 35:00Ela deixa de existir porque eu não a
- 35:02conheço. Fá, ela existe. Ela, eu só não
- 35:05tô informado que ela existe, não é isso?
- 35:07>> Sim.
- 35:08>> Quando a gente tá falando do teorema de
- 35:09Pitágoras, ele é análitoras descobriu,
- 35:11ele descobriu a pedra no fundo do
- 35:12oceano. E aí quando ele descobriu, ele
- 35:14contou pra gente e a gente estabilizou
- 35:15isso na linguagem, né? Beleza? A gente
- 35:19viu rapidamente que existe uma realidade
- 35:22tipo imaterial, como você falou, que não
- 35:25depende de mim e que, portanto, existe,
- 35:28independente de mim.
- 35:30Se todos os seres humanos se esquecerem
- 35:31do teorema de Pitágoros, ninguém fala
- 35:32mais sobre isso. Ele vai deixar de
- 35:35existir o teorema de Pitágoras.
- 35:37>> É interessante.
- 35:38>> Interessante, né? Faz pensar. Não tô
- 35:40querendo catequizar ninguém, só é só
- 35:42coisa para refletir, não é isso? Então,
- 35:44quando a gente, igual a coisa do corvo
- 35:46branco e do corvo preto, se eu vi um
- 35:47corvo branco, eu sei que nem todos os
- 35:49corvos são pretos,
- 35:51né? E aí tu tem que descobrir onde é que
- 35:52estão os corvos brancos na vida, se você
- 35:54quiser. Po, você tá informado disso. A
- 35:56questão é, existem coisas que são reais
- 36:00e imateriais.
- 36:02É tipo ele é real e imaterial. fala:
- 36:05"Caralho, é só isso. Quando você tem
- 36:07assim em site, a gente fala: "Fodeu
- 36:10existe uma realidade,
- 36:12ou seja, a coisa é, seja, ela tem verbo,
- 36:14ela é" e
- 36:16ela não tem matéria, ela não tem peso,
- 36:17não tem medida, não tem cheiro, não tem
- 36:19cor, ela não acaba, ela não depende de
- 36:22mim para existir.
- 36:24Com esse insite pequeno, se a pessoa ela
- 36:27é honesta, abre pelo menos para ela uma
- 36:29[ __ ] interrogação. [ __ ] será que
- 36:31neste universo, nessa, nessa parte do
- 36:34real, só tem o teorema de Pitágoras ou
- 36:36tem outras coisas?
- 36:37>> Uhum.
- 36:38>> Que a gente pode ficar com a resposta,
- 36:40não é só o teorema de Pitágoras que tá
- 36:41lá. Tem a fórmula de báscara também,
- 36:42cara.
- 36:43>> E nesse caso, esses materialistas, eles
- 36:45defendem que o teorema também é matéria.
- 36:48>> Pô, mas ele tem que ser burro para
- 36:49[ __ ] né?
- 36:49>> Mas eles defendem isso no caso?
- 36:50>> Não, não defendem. Eles passam pra
- 36:53próxima. É que não tem como defender,
- 36:55né? Isso assim é, não é material, é um
- 36:57conceito. Então, mas é só isso que a
- 36:58gente tá faland ele falando, é que no
- 37:00fundo esse é o espaço da religião.
- 37:05O espaço da religião é um espaço do real
- 37:06concreto material e do real abstrato
- 37:08imaterial. Isso é o espaço do que as
- 37:11religiões, as grandes religiões, não é
- 37:12só o cristianismo, não, todas elas, elas
- 37:13estão transitando nesses dois espaços,
- 37:16tratando esses pelos pelo menos essas
- 37:18duas realidades como o real.
- 37:19>> Uhum.
- 37:21cada religião e nisso elas se
- 37:23diferencia, se diferenciam, ela elas
- 37:25partem da mesma observação. Fal, olha, o
- 37:27real tem extratos. Você tem um extrato
- 37:29que é material e é, e tem um extrato que
- 37:32é imaterial e é.
- 37:36E o ser humano tem certas qualidades que
- 37:37me que que que só pelo fato de eu
- 37:40perceber isso e falar sobre isso, parece
- 37:42que a gente tem também, entre aspas, tá?
- 37:44uma dupla natureza, uma natureza que é
- 37:46material e uma outra natureza que
- 37:48consegue falar e perceber isso.
- 37:50>> Uhum.
- 37:51>> Portanto, claro, é um portanto que vão
- 37:53alguns séculos de portanto, né?
- 37:55Portanto, é imaterial. E aí as religiões
- 37:58elas percebem e desenvolvem suas formas
- 38:00de se relacionar com o mundo e material.
- 38:03No fundo, essa [ __ ] que é religião. É
- 38:04um conjunto de práticas ou de, sei lá,
- 38:07estudos ou de percepções que me me
- 38:10habilitam a me relacionar com uma parte
- 38:12do da do real e imaterial,
- 38:15né? Neste real, aí as religiões diferem
- 38:19entre si também. Elas vão dizer o
- 38:21seguinte: "Olha, o real e material tem
- 38:23um fundamento
- 38:26e dependendo da concentração de
- 38:27fundamento, a gente vai dizer: "Ah, é um
- 38:28deus politeísta", são deuses
- 38:30politeístas. Ou seja, cada densidade
- 38:33última imaterial coordena uma parte do
- 38:36imaterial. São as religiões politeístas,
- 38:38as religiões monoteístas, não, não. Isso
- 38:40é um fundamento único
- 38:43e elas vão atribuindo graus de
- 38:44pessoalidade para esse para esse
- 38:46fundamento último. E cada uma vai ter
- 38:48seus recursos, suas explicações, sua
- 38:50filosofia, tentar explicar a realidade,
- 38:51né?
- 38:51>> Vai tentar explicar o real. É isso.
- 38:53>> E aí, voltando então pra questão lá do
- 38:55nilismo, né, que aí a gente puxou esse
- 38:57gancho aí. Sim.
- 38:58>> Mas como que o cara então pode encontrar
- 39:00sentido e uma vida que não tem sentido?
- 39:04>> Pois é, é muito difícil. Se você for
- 39:06materialista,
- 39:08a vida não tem. O sentido é a
- 39:09decomposição, a morte e apodrecimento,
- 39:11né? Qual que é, porque o sentido é
- 39:12finalidade, né?
- 39:13>> Arição, né?
- 39:14>> É o sentido é finalidade. Seja, seja
- 39:16qual que é o bem, por mais que a gente
- 39:18se cuide e [ __ ] não coma no McDonald's
- 39:20todo dia, né? Eu digo, não fique fumando
- 39:22loucamente, bebendo tal, a gente se
- 39:24cuida e tal. A gente sabe que o nosso
- 39:26corpo uma hora ele vai virar comida de
- 39:27verme, né? É isso que vai virar. Assim,
- 39:30pessoal que já fez esumação de parente,
- 39:32>> ser angustiante para [ __ ] velho.
- 39:34>> É natural, porque é [ __ ] Você imagina
- 39:37só, tem um exercício que eu faço com
- 39:38meus pacientes, com meus alunos
- 39:39pacientes, que é refletir seriamente
- 39:43sobre a tua morte. Mas não é tua morte,
- 39:44não é sobre dois dias depois de você ter
- 39:48morrido. Ou seja, imagina, imagina o teu
- 39:51corpo dois dias depois da morte, ou
- 39:53seja, a textura do teu cabelo, a cor da
- 39:56tua pele, o cheiro da tua boca,
- 40:00eh a textura, eh, da tua barriga, da tua
- 40:03mão, etc, etc, etc. Isso é uma, isso é
- 40:05um exercício brutal, [ __ ] Tu vai se
- 40:07imaginar apodrecendo, meu irmão.
- 40:10Apodrecendo teu olho. Assim, três meses
- 40:12depois tu não tem mais olho. Foi,
- 40:14esquece, não tem mais. Tua cara tá
- 40:15esquisita. Como médico, eu vi muita
- 40:17gente morta já, né? Eh, é um negócio que
- 40:21não é tranquilo.
- 40:22>> Uhum.
- 40:22>> Né? Mas é bom. Então, se o jeito é
- 40:24materialista, o sentido é a morte,
- 40:26[ __ ] E o apodrecimento. O o cheiro
- 40:29ruim,
- 40:29>> mas como valor de vida, entende?
- 40:30>> Pronto. Isso só isso só faz sentido e só
- 40:33tem significado para alguém que não seja
- 40:34materialista. Se a pessoa é
- 40:36materialista,
- 40:37>> se a pessoa é materialista, essa
- 40:39discussão ela se encerra na na pergunta,
- 40:42cara, tu é materialista? É,
- 40:44>> eu não posso te ajudar,
- 40:45>> cara. Não pode ter o o sentido como o
- 40:47hedonismo pelo hedonismo.
- 40:49>> Ele pode ter, ele já não é mais
- 40:50materialista, porque o hedonismo ele já
- 40:52é uma, é subjetivo.
- 40:54>> Ah, mas aí seria o prazer no seu
- 40:56cérebro, né? A questão da dopamina,
- 40:57serotonina e tal.
- 40:58>> Pode ser, pode ser, né? A busca pelo
- 41:00prazer, ela é prazerosa ou ela é
- 41:01angustiante? É uma pergunta.
- 41:05angustiante.
- 41:06>> Angustiante. Então mesmo o edonista, ele
- 41:09já não é materialista, porque ele ele já
- 41:11saiu da matéria e já assumiu a condição
- 41:14humana. Ele tá buscando um valor que tá
- 41:16para além do tempo, tá para além daquilo
- 41:19que é imediatamente.
- 41:21Ele já se botou numa altura, ele já se
- 41:23botou numa dimensão, já indo pra
- 41:24transcendência.
- 41:26>> Em que sentido? no sentido de que, vamos
- 41:28lá, eu tô calculando, eu tô, eu tenho
- 41:30uma expectativa que eu sei que me
- 41:31frustra muitas vezes,
- 41:35que não existe gente 100% hedonista, mas
- 41:37vamos imaginar que existe uma pessoa
- 41:38100% hedonista que tudo que ela faz é
- 41:40buscando o prazer. Tudo que ela faz é
- 41:42buscando o prazer. O prazer ele é muito
- 41:43pequeno. Assim, o prazer ele, a gente
- 41:46sente prazer, não é? O prazer ele dura
- 41:483, 4 segundos. A maior a maior parte da
- 41:50dinâmica, a maior parte da dinâmica do
- 41:52prazer é angústia.
- 41:55Eh, é medo de não conseguir, é angústia
- 41:58e por por possuir.
- 42:01Tu já botou para fora, já botou para
- 42:03fora do que você tá sentindo.
- 42:06Você tá já jogando com jogo de
- 42:07expectativa e conquista que não é
- 42:10material.
- 42:11>> E tem aquela parada, né? Quando, por
- 42:13exemplo, um cara usa cocaína, ele tá no,
- 42:15sei lá, no zero, né? Aqui no na questão
- 42:17dopamina e tal, sobe para 1000, depois
- 42:20não vai cair para zero, né? Vai cair
- 42:21para menos. É [ __ ] É [ __ ] É. E é uma
- 42:24merda, né? Que aí o cara é chatão tratar
- 42:26a gente com eh dependente químico de
- 42:28cocaína. É chato. Eu esse hospital que
- 42:31eu te falei que eu tava fundando, era um
- 42:33hospital que tinha 120 leitos de
- 42:34dependente químico. Então assim, imagina
- 42:36as histórias que eu já ouvi. Negócio
- 42:38terrível no fundo, né?
- 42:38>> O que que o cara faz com a família e
- 42:40tal? É, bicho, porque eu tenho um
- 42:41brother agora que o pai dele é viciado,
- 42:43perdeu, [ __ ] milhões de de de reais
- 42:47assim
- 42:48>> na na cocaína, velho. Ele foi visitar o
- 42:50pai dele e o pai dele surtou porque ele
- 42:54tinha batido o carro e tal. Ele foi
- 42:55visitar o pai dele, o pai dele pegou uma
- 42:57faca, velho, foi para cima dele tentar
- 42:59matar ele.
- 42:59>> Pois é, cara. Fic todo descalibrado, né?
- 43:02Não tô descalibado. São histórias que a
- 43:03gente escuta lá. É [ __ ] pr [ __ ]
- 43:05mesmo. É, ainda tem essa [ __ ] epidemia
- 43:08de droga. É uma tragédia no fundo, né?
- 43:10>> Então o hedonismo não é um sentido para
- 43:14esse cara que é anilista.
- 43:15>> Cara, pode ser. Eu acho que assim, o
- 43:16cara que é, é porque, vamos lá, eu não
- 43:18sei se é a experiência que você tem, mas
- 43:19digo, a experiência que eu tenho é que o
- 43:20cara que é niilista, onilista, eu nunca
- 43:23vi um niilista, eu vi uns caras assim
- 43:26metido intelectual querendo chamar
- 43:27atenção.
- 43:28>> Sim. Ponto. Nilista mesmo, eu conheço um
- 43:31cara que não funcionou, o amigo da minha
- 43:34irmã que falou assim: "Eu só vou, eu não
- 43:35vou fazer mais nada, só nada, nem o que
- 43:37eu quero fazer nada."
- 43:38>> Nilista passivo, né?
- 43:39>> Lista passivo.
- 43:41Não durou três meses o nilismo dele, né?
- 43:43Porque o pessoal começou a levar comida
- 43:44para ele, a mãe ficou preocupada, a
- 43:45merda não funciona, né? No nosso mundo,
- 43:47nilismo, nilismo, nilismo mesmo. Não tem
- 43:48muito lugar o nilismo no nosso mundo,
- 43:50né? E o nilismo do Niet assim, cara,
- 43:52>> ativo, esse nilismo do Nich é muito
- 43:54interessante. O nilismo do Nich é muito
- 43:55interessante. Você vê, é um nilista
- 43:57delicioso Niet, né? Quer dizer, eu eu
- 44:00li, não li tudo, né? Mas eu li uma parte
- 44:01do Niet. O nilismo do Nich é delicioso.
- 44:04É o jeito que a última coisa que o Niet
- 44:06é Niet é nilista, né? Ele só tá buscando
- 44:09o sentido na [ __ ] da história. É só o
- 44:12sentido que ele tá buscando. Ele tá
- 44:14angustiado. O cara que é anilista mesmo,
- 44:16não sei se consegue concordar
- 44:17interiormente com essa [ __ ] O cara que
- 44:18é anilista mesmo, ele não quer te
- 44:19convencer. meio que [ __ ]
- 44:22[ __ ]
- 44:22>> É porque se não tem nada tem sentido,
- 44:25né?
- 44:25>> Ah, para que que qual o sentido eu
- 44:26tentar te convencer? Qual o sentido é
- 44:27escrever um livro?
- 44:28>> Sim.
- 44:29>> Qual o sentido eu ficar puto com a com a
- 44:31religião?
- 44:32Qual o sentido eu querer te convencer de
- 44:34que eu matei Deus? Concorda?
- 44:36>> A gente vai aí que a gente vai pro
- 44:37absurdismo ou existencialismo, né, cara?
- 44:40>> Aí é maneiraço essa pira, porque isso é
- 44:42uma abertura, cara. Eu eu gosto de gosto
- 44:43de todas as porras. Isso é uma abertura.
- 44:46>> Sim.
- 44:47O que o que me preocupa de verdade é a
- 44:49apatia.
- 44:51A apatia e o autom e e a vida mecânica e
- 44:55automatizada. Isso é muito desumano. A
- 44:58apatia é muito desumana. Não é o cara
- 45:00que
- 45:00>> apatia pelo pelo ser humano mesmo.
- 45:02>> Pelo ser humano, por qualquer [ __ ] né?
- 45:04Ouia psiquiatra, né? Então a parte
- 45:06dessas apatias são doenças, mas tem
- 45:08algumas que não são doença, são
- 45:10circunstâncias existenciais. Isso me
- 45:12preocupa. E a automatização, que às
- 45:13vezes é o cara que faz coisa para
- 45:14caceta, mas nunca refletiu acerca disso
- 45:17que a gente tá discutindo aqui, do
- 45:18sentido mesmo. É, essas duas coisas me
- 45:21preocupam. As outras acho todas
- 45:22maravilhosas, né? [ __ ] que é uma
- 45:24abertura. O cara tá, cara, ele tá
- 45:26buscando, ele tá tentando dar uma
- 45:27resposta, ele só é insensato. Ele tá
- 45:30tentando sozinho criar todo um sistema
- 45:33de orientação que funcione para ele, pra
- 45:35humanidade. O [ __ ] isso é muito
- 45:36insensato, né? assim, a chance disso dar
- 45:38certo, sei lá, eu conheço um sujeito que
- 45:40conseguiu fazer essa [ __ ] um na
- 45:42história da humanidade chama Sócrates,
- 45:43ele conseguiu, ele sozinho pariu um
- 45:46negócio que até hoje a gente usa o
- 45:48modelo socrático.
- 45:49>> Sim,
- 45:50>> até hoje é a base da seleção ocidental,
- 45:52uma delas é a filosofia grega, né? A
- 45:55ideia de que para além da pól tem uma
- 45:57coisa chamada verdade
- 46:00e que eu tenho que ser fiel às duas
- 46:01merdas ao mesmo tempo. Eu tenho que ser
- 46:02fiel à pólise e a verdade ou a merda. Aí
- 46:04eu tenho que articular isso tudo dentro
- 46:05de mim. E aí o tá o Sócrates foi
- 46:06condenado, né, a morte por causa dessa
- 46:08[ __ ] Ficou dois meses lá, dois, três
- 46:10meses lá na na cadeia, inclusive
- 46:12conversando com os alunos. Aí saem
- 46:13livros maravilhosos ali, né? Saiem uns
- 46:15diálogos que Platão depois eh inventa
- 46:18uma parte, narra outras e o [ __ ] E
- 46:20são os grandes livros, eu acho, da
- 46:21humanidade. É o grande livro da
- 46:23humanidade. São os livros escritos por
- 46:24Platão, eu acho. Apologia de Sócrates, o
- 46:27Menon, o Fedon. [ __ ] bicho, isso é do
- 46:29[ __ ] Ele inventou um negócio
- 46:31sozinho. Vamos colocar. Mas mesmo assim,
- 46:33se valendo de todo o referencial da
- 46:34mitologia grega, nem só nem sozinho
- 46:37sozinho foi, né? É agora, [ __ ] imagina
- 46:40um moleque de 18 anos do Brasil, [ __ ]
- 46:42carioca, do Meier, sei lá. Aí, vou parer
- 46:44aqui com todo um sistema de orientação.
- 46:46É um,
- 46:46>> é engraçado pr [ __ ] né? É maneiro, é
- 46:48bonitinho, cara. Eu tô mais velho, né?
- 46:50Então já acho bonitinho, assim, não fico
- 46:51puto mais com isso, né? Vamos tentar
- 46:53ajudar. Isso mostra uma vontade de quê?
- 46:55Sentido.
- 46:57>> Sim,
- 46:57>> sentido. O Víor Frano, respondendo
- 47:00formalmente a pergunta, o Víor Frankel
- 47:02que é esse psiquiatra austríaco que foi
- 47:04pro campo de concentração,
- 47:06ele era um médico, ele já era médico,
- 47:07né? Já tava, já tinha as ideias e tal
- 47:10dele e no campo de concentração ele
- 47:12ficou, ele ficou praticamente todo o
- 47:14regime no campo de concentração. Ele sai
- 47:15de um, entrava em outro, sai de outro,
- 47:16entrava em um, né? Aí presiu ele de
- 47:18novo, quase morreu várias vezes. Eh,
- 47:20teve indultos de último segundo, algumas
- 47:22vezes. Então assim, ele viu a morte de
- 47:23perto, viu o sofrimento de perto,
- 47:25barbaridades e tal. Escreve a sua tese
- 47:27durante esse tempo.
- 47:29Eh, resumindo a tese do Víctor Frank, eu
- 47:32sentido consiste em,
- 47:35por observação e, claro, por especulação
- 47:37também, o sentido consiste em aceitar o
- 47:40sofrimento inevitável da vida. Ele fala
- 47:41essa [ __ ] beleza?
- 47:44servia um ideal e amar uma pessoa.
- 47:50Respondendo a minha visão nessa disso
- 47:51tudo, cara, as três coisas pesam, mas no
- 47:53nosso tempo amar uma pessoa é o que o
- 47:56pessoal tá com mais medo. Pessoal tá com
- 47:58medo de casar e ter filho. Cel coisa que
- 48:00assim, meu irmão, imagina tua, sei lá,
- 48:02tua bisavó, isso não era nenhuma questão
- 48:04na cabeça dela, entende? Ou não?
- 48:06>> Não era uma questão.
- 48:06>> Pra brother, eu tenho medo, cara.
- 48:08>> Então é isso que eu tô dizendo. Como é
- 48:09que o sentido vai aparecer? É isso que o
- 48:11Vitor Franco tá falando.
- 48:12>> Sim. as dúvidas existenciais, né, a
- 48:15busca por outros sistemas de orientação
- 48:17que são só um recorte do real e não
- 48:19expõe pra gente o problema, ou seja, a
- 48:21consciência da contradição.
- 48:23O Vitor Franco tá lá na charada, meu
- 48:25irmão, matou a charada. Assim, coisas
- 48:27que não eram um problema antigamente,
- 48:28cara. Arranja uma mulher casa e faz uns
- 48:30filhos nela
- 48:32e se não der certo, Ítalo? Aí tu se
- 48:34fodeu, [risadas]
- 48:36[ __ ] E daí? Tu vai se [ __ ] de
- 48:37qualquer jeito, entende? Ou não?
- 48:40Aí esses cálculos
- 48:41>> não de qualquer jeito, né? Não, de
- 48:42qualquer jeito, esse jeito de se [ __ ] é
- 48:44muito mais gostoso, porque ele é mais
- 48:45verdadeiro, né? Tu tomar um par de
- 48:47chifre, tu ser abandonado, tu não ser
- 48:49homem o suficiente para botar comida em
- 48:50casa, entendeu?
- 48:51>> [ __ ] mas ainda
- 48:52>> isso é do [ __ ] não acha?
- 48:54>> Mas ainda é melhor você seguir a vida
- 48:56>> tranquilo ou [ __ ] fazer qualquer coisa
- 48:59que você quiser.
- 48:59>> Aí é de cada um. Eu acho que essa vida
- 49:01deve ser uma merda eu poder fazer o que
- 49:02eu quero com o dinheiro que eu tenho,
- 49:05sabe? A minha empresa faz 100 milha ano.
- 49:06Beleza? Essa aqui 100 milha ano. Então
- 49:08eu tenho algum dinheirinho. Eu fico
- 49:09imaginando como é que a minha vida
- 49:10assuma merda. E se eu pudesse pegar um
- 49:12avião e ir pra Mônaco comer aquelas
- 49:13louras lá quando eu quisesse. Que vida
- 49:15de merda. Então assim, não tem uma
- 49:17pessoa
- 49:19que meu coração tá ligado, sacou? Que eu
- 49:21jurei da minha vida por ela e depois os
- 49:23meus filhos, entende? Que eu tô assim me
- 49:24comprometido mesmo. Isso é do [ __ ]
- 49:27meu irmão. Vou te falar, essa é a [ __ ]
- 49:30Isso nunca foi um problema. Isso é o
- 49:31problema depois da década de 60.
- 49:32inventaram camisinha, pílula e o
- 49:34[ __ ] Aí quando aparece a técnica, a
- 49:37materialidade histórica do mundo vai
- 49:38para um outro canto, aparecem novas
- 49:39possibilidades de existência.
- 49:41O dado é, nunca tivemos uma sociedade
- 49:44tão doente e tão suicida quanto a nossa,
- 49:46não é isso? Tão deprimida. Não tô
- 49:47dizendo que uma coisa é causa da outra,
- 49:50mas são peças no tabuleiro
- 49:53que uma pessoa sensata correlaciona, né?
- 49:55O Vittor Franco deu a dica, falou: "Se
- 49:57tu não tem uma pessoa para amar,
- 50:00a Vera". Tipo assim, cara, posso me
- 50:03[ __ ] aqui. É gostosão. Ver,
- 50:05>> cara, mas a vida é um jogo muito
- 50:08complexo, né, velho?
- 50:09>> Tu acha
- 50:10>> para [ __ ]
- 50:11>> Para [ __ ] Então, assim, eh, você diz
- 50:13que o seu sentido é, [ __ ] ajudar as
- 50:15pessoas, fazer essa essa coisa assim que
- 50:19você tá fazendo, [ __ ] Enfim, eu não
- 50:22não consigo encontrar isso, entende?
- 50:23>> Entendi.
- 50:24>> Ainda tô nessa busca. E tem uma
- 50:27pergunta, velho, que para mim eu acho
- 50:28que é a pergunta mais importante da
- 50:29vida, que uma vez que você responde essa
- 50:32pergunta, você literalmente vai mudar
- 50:34todas as suas ações daqui paraa frente,
- 50:36que é o que realmente importa na vida,
- 50:38velho.
- 50:39>> Se para você o que importa,
- 50:41>> prioridade, né?
- 50:42>> Exato. Se para você o que importa é
- 50:44ajudar as pessoas e fazer o bem, hoje a
- 50:46sua ação vai ser X. Se para você o que
- 50:48importa for hedonismo, a sua ação vai
- 50:50ser Y.
- 50:50>> Vai ser Y. Então, quer dizer, cara, o
- 50:53mundo tem muita coisa para fazer, [ __ ]
- 50:55Você pode ser um lutador de box, você
- 50:57pode ser um podcaster, você pode, [ __ ]
- 51:00fazer o que você quiser, você pode casar
- 51:01cedo, você pode virar um monge budista.
- 51:04Então, quer dizer, velho, são muitas
- 51:05experiências [ __ ] para você ter
- 51:08>> e aí você fica perdido, entendeu? Em
- 51:10relação ao que que você vai escolher com
- 51:11fica.
- 51:11>> Com certeza. Aí, o que que o que que o
- 51:13que que me parece, pelo menos foi o que
- 51:14eu escolhi fazer com 18 anos,
- 51:19dado todo mundo de possibilidade para um
- 51:21homem branco da classe média que tem
- 51:23possibilidades, né?
- 51:24>> Meu caso,
- 51:25>> eh, deixa eu investigar se há uma
- 51:27hierarquia entre os valores.
- 51:31É uma hierarquia. Então, claro, tô
- 51:33contigo, a prioridade é o que move, meu
- 51:34irmão. Se fazer o bem é uma prioridade
- 51:36para mim, isso vai me mover. Se comer
- 51:38menin é uma prioridade para mim, é isso
- 51:39que vai me mover, né? É. ser um jogador
- 51:42é o que me, então você isso que vai me
- 51:44mover.
- 51:45O que eu decidi fazer com 18, 19 anos
- 51:48foi, cara, deixa eu investigar se existe
- 51:50uma, se eu nem sabia se existe uma
- 51:52hierarquia entre os bens, [ __ ] se isso
- 51:53se aplica.
- 51:54>> Uhum.
- 51:55>> Porque se tem uma hierarquia, pôra, meu
- 51:57irmão, eu não vou escolher migalha,
- 51:58entendeu? Pode ser que tudo tenha o
- 52:00mesmo valor.
- 52:02Comer as meninas, fazer o bem, ser
- 52:04jogador de futebol. É, não é? as coisas
- 52:06todas podem ter, se tem o mesmo valor,
- 52:08eu vou fazer o que é mais fácil, porque
- 52:10se tudo tem o mesmo valor, o que é mais
- 52:11fácil
- 52:13vai me dar, vai me dar mais esse bem,
- 52:15né? Quer dizer, eu vou conseguir ter
- 52:16mais bens.
- 52:18>> Hum.
- 52:18>> Essa foi a minha minha estratégia. Eu
- 52:20investiguei a hierarquia.
- 52:23Tem uma galera que investigou essa
- 52:24[ __ ] Isso é meio que uma literatura
- 52:26consolidada, inclusive. Então, parece
- 52:28haver uma hierarquia entre os bens.
- 52:30Objetiva.
- 52:31>> Objetiva para [ __ ] Bem objetiva.
- 52:35>> E qual que o que que tá lá no topo?
- 52:37Então,
- 52:37>> pô, tem que investigar, cara. Escadão.
- 52:39Sabe por quê? Eu vou falar essa [ __ ]
- 52:40[ __ ] Não vou falar não. Investiga.
- 52:42Esse é um negócio que só vai fazer
- 52:43sentido se tu par, se tu quiser. Não
- 52:46adianta falar, entende? Vou ficar
- 52:48empurrando meu modelo de vida. Tem que
- 52:50investigar, cara. Tem que estudar. Onde
- 52:52é que essas respostas podem estar?
- 52:53Cauir, só uma pergunta.
- 52:55>> Como?
- 52:55>> Onde essas respostas podem estar?
- 52:59Primeiro, vamos lá. Já vimos, o real é
- 53:03composto pelo menos de dois, pelo menos
- 53:06de dois extratos, o material e o
- 53:07imaterial.
- 53:09Então, qualquer tipo de conhecimento que
- 53:11só considere o imaterial ou material,
- 53:14para mim, eu disse, não me interessa.
- 53:17Porque se eu só tô analisando, sei lá, e
- 53:20literatura, pessoas que só estão ali
- 53:22falando de coisas imateriais,
- 53:24elas só estão vendo uma parte da
- 53:25história. Pode ser que tenha um bem
- 53:27material que valha muito mais do que um
- 53:29bem imaterial, né?
- 53:31>> Hum. ou o pessoal que tá só falando de
- 53:33bem de coisas materiais, os cientistas,
- 53:36por exemplo, contemporâneos,
- 53:38eles estão desconsiderando toda uma
- 53:40outra fração de mundo. Então eu precis,
- 53:41o que que eu fiz? Eu, cara, deixa eu ler
- 53:43e estudar e conversar com as pessoas que
- 53:45estão olhando pro, pelo menos para uma
- 53:48parte mais abrangente do real. Talvez
- 53:49não o todo. É muito difícil a gente
- 53:51saber qual é o todo do real, né? Não sei
- 53:53qual é o todo, mas cara, até onde até
- 53:54onde foi o limite o limite supremo do
- 53:57imaterial e o limite supremo do
- 53:59imaterial. Eu fui estudar, cara. Por
- 54:01isso que eu fui fazer.
- 54:04Então, bem, tem uma disciplina que dá
- 54:05resposta para isso. A filosofia. Qual
- 54:07filosofia?
- 54:08A filosofia que não nega a realidade.
- 54:10Essa é a primeira. Uma filosofia que
- 54:12seja realista, não as ideologias.
- 54:16Então, se você for estudar, por exemplo,
- 54:18eh, o romantismo, o período romantista
- 54:21alemão, eles estão falando sempre desde
- 54:23o ponto de vista eh do subjetivismo de
- 54:27algum modo.
- 54:30Ktelin,
- 54:31Heidegger, cara, eles estão narrando uma
- 54:34parte do real que não é um real
- 54:35concreto,
- 54:36é um real idealista, é o idealismo
- 54:38alemão. Essa [ __ ] também não fala de
- 54:40todo real. Vou te dizer o que que fala
- 54:41de todo real. A filosofia grega,
- 54:44por mais rudimentar que seja,
- 54:46aqueles caras eram muito agudos na na
- 54:48leitura do real. Ali tem resposta para
- 54:50caceta. Bem, para mim me satisfez, né?
- 54:53Pode ser que tenha algumas outras
- 54:54pessoas que vão querer expandir isso. F
- 54:55para mim me satisfeito. Falei: "Cara,
- 54:57eles estão falando todo do real com às
- 54:59vezes pouca precisão em um outro aspecto
- 55:01do real, mas eu não preciso de precisão,
- 55:02não sou um filósofo, entendeu? Eh, eu
- 55:04sou só um sujeito precisando de
- 55:05orientação.
- 55:06>> Uhum.
- 55:06>> Eu quero uma orientação rigorosa no
- 55:08mundo. Não quero opinião, não quero
- 55:09opinião de vídeo de YouTube, sacou? Eu
- 55:11não quero opinião. Na época nem tinha
- 55:12YouTube, né? Eh, tô falando pra galera
- 55:14de hoje, assim, opinião, sei lá, do
- 55:16professor de história, professor de não
- 55:17sei o quê. Deixa eu ver aqui a galera,
- 55:19né? Os sábios, vamos chamar assim.
- 55:22Então, o bem tem hierarquias, [ __ ] Eu
- 55:25escolhi algumas superiores. Nesse
- 55:28sentido, eu posso dizer que eu sou rico.
- 55:30Eu sou rico mesmo. Tô tentando recolher
- 55:32esse tesouro de algum modo. Só que esses
- 55:36bens e materiais também é fácil de
- 55:37perder. É mais fácil perder bem material
- 55:39do que do que dinheiro. Dinheiro é mais
- 55:40difícil de perder. E nem é tão difícil
- 55:41assim de perder dinheiro, né?
- 55:45É maneiro viver. É maneiro para [ __ ]
- 55:47Agora, [ __ ] vou te falar outra coisa.
- 55:50Se tu não dedica tua vida para uma
- 55:51pessoa de carne e osso mesmo, uma
- 55:54mulher, tô dizendo uma mulher mesmo, é
- 55:57[ __ ] cara.
- 56:00Aí fodeu. Sei lá. Essa, esse papo não
- 56:02faz muito sentido.
- 56:04>> Mas [ __ ] não é uma dependência, cara.
- 56:05para [ __ ] Qual é a coisa melhor do
- 56:07que tá dependente, bicho?
- 56:08>> [ __ ] E aí você vai depositar suas
- 56:11fichas nesse pilar, entendeu?
- 56:12>> 100%. E se esse pilar desmoronar, pô,
- 56:15>> caiu junto. Por isso que ele não pode
- 56:16desmoronar. Então eu dedico minha vida
- 56:18para ela,
- 56:20sacou?
- 56:21>> Sim.
- 56:23>> É, é isso, cara. Assim, muitas visões
- 56:26fazem sentido, sacou? Então,
- 56:27>> é mesmo.
- 56:28>> [ __ ] por exemplo, a dos budistas, né?
- 56:31>> Faz, [ __ ]
- 56:32>> Os caras estão lá e eles estão na paz,
- 56:34né? Então,
- 56:35>> e eles não tão dependentes de ninguém,
- 56:37>> não. Os monges também não. Os monges
- 56:40também não. As freiras, os padres, eles
- 56:42têm uma vida com sentido do [ __ ]
- 56:45>> Exato.
- 56:45>> Exato.
- 56:46>> E eles não estão dependendo de um pilar
- 56:48só, né?
- 56:49>> Não, não. Não, um pilar humano não. Eles
- 56:52estão dependendo de uma outra coisa que
- 56:55é uma pessoa. Se tu parar para pensar
- 56:56bem,
- 56:58>> uma pessoa,
- 57:00>> Deus é o quê?
- 57:05A [ __ ] a gente sempre vai cair no mesmo
- 57:07lugar.
- 57:10As caras tem intimidade com uma pessoa
- 57:11no fundo, às vezes a pessoa tem nome, às
- 57:13vezes não tem, mas é uma pessoa. O Deus
- 57:15último do qual a religião fala, ele tem
- 57:17características de pessoa, né? Catequese
- 57:20básica católica, cristã, que a gente é
- 57:22brasileiro, né? Então vamos falar disso
- 57:24que é mais próximo, né? Nossa matriz
- 57:25aqui é matriz cristã, né? A gente não vê
- 57:29essa [ __ ] Eh, são três pessoas, n? Não
- 57:31ouviu isso em algum momento da vida, né?
- 57:32Cristo, é pai, filho, espírito santo,
- 57:34pessoa. Essa [ __ ] mesmo, pessoa.
- 57:37Então o Vitor Franco é judeu, né? Então
- 57:38para ele, Deus é uma só, né? Uma pessoa
- 57:40só. Mas ele tá falando da mesma coisa.
- 57:42>> Mas seria uma pessoa ou uma entidade?
- 57:45>> Aí vai de aí vai do nível de intimidade
- 57:47que a religião pretende oferecer.
- 57:49>> No limite o que a religião pretende
- 57:51oferecer intimidade com uma pessoa
- 57:53mesmo.
- 57:53>> Então pelo que você tá falando assim, de
- 57:55alguma forma para ter sentido, você vai
- 57:57depender de alguma alguém assim.
- 57:59>> Vamos lá. Tu não depende 100% na tua
- 58:02vida de outras pessoas? Uma pergunta.
- 58:06>> Depende do qual ponto de vista, né?
- 58:08>> Por exemplo, a gente tá aqui hoje nesse
- 58:10aqui gravando podcast. Cara, eu tenho
- 58:13certeza absoluta. Não fui eu que
- 58:14construir esse prédio, foram os
- 58:16pedreiros.
- 58:17>> Sim.
- 58:17>> Não fui eu que fiz esse microfone. Foram
- 58:19tipo os técnicos engenheiros. Eu não
- 58:20tenho a mínima ideia de como, sei lá,
- 58:23esse cabinho leva som para um lugar que
- 58:26registra o som e depois amplifica na
- 58:27casa de sem
- 58:31a rua não foi eu que fiz, né? O carro, a
- 58:33camisa que eu vesti não fui eu que que
- 58:34que costurei. Sei lá. Eu dependo para
- 58:37[ __ ] de todo mundo tempo. Eu tenho
- 58:38consciência disso.
- 58:40Eu sou 100% dependente.
- 58:43Como a gente começou nesse programa
- 58:44falando, se a gente for lançado numa
- 58:46selva, provavelmente a gente vai morrer.
- 58:49>> Sim. É muito [ __ ] isso, porque tenta
- 58:52tenta viver sozinho,
- 58:55>> cara. Mas aí aí que tá. Então, eh, o
- 58:57melhor caminho seria, é óbvio que isso é
- 58:59subjetivo, mas assim, você é um cara com
- 59:03muita experiência de vida, você diria
- 59:05que um cara jovem deve casar cedo, então
- 59:08>> ele deve achar um amor, não deve pegar
- 59:10qualquer piranha também,
- 59:11>> mas tem que tem que ser cedo,
- 59:13>> cara. Não precisa ser cedo, mas ele tem
- 59:15que tá, ele tem que tá assim disponível
- 59:17para,
- 59:18>> caso aparecer a oportunidade,
- 59:19>> tem que tá disponível, cara. Disponível
- 59:21assim querendo assim, é aquilo que tu
- 59:23falou, mas e se o pilar ruir, aí tu se
- 59:26fodeu, então o que que tu vai fazer na
- 59:27tua vida, pô? Não vou deixar o o meu
- 59:30pilar ruir, cara. Isso é a motivação da
- 59:33vida.
- 59:33>> Sento no seu controle. Isso
- 59:34>> não. Não, [ __ ] pode dar uma louca em
- 59:37mim, na minha mulher, pô. Ficou maluco,
- 59:39sei lá, não quer mais. Viviar um risco,
- 59:42[ __ ]
- 59:44Maneiraço.
- 59:45[risadas]
- 59:46Tu não acha? [ __ ]
- 59:49acho maneiro demais. Sabe que eu fico
- 59:50pensando esse pessoal que não tem filho,
- 59:51fico pensando assim, ficando esse maluco
- 59:52[ __ ] assim, sei lá, tipo Abraão. Imagina
- 59:54Abraão, já imagou, já para pensar no
- 59:56Abraão, sei lá, imagina Zeus, sei lá,
- 59:59Zeus, Abraão, uma [ __ ] [ __ ] barbudo
- 1:00:01e o [ __ ] não sei o quê. Imagina, tá
- 1:00:02lá, ele tá lá, [ __ ] tendo relação
- 1:00:04sexual com a mulher dele, de repente,
- 1:00:05ai, tô com medo de ter um filho, aí tira
- 1:00:06o pintinho e e goza no chão. [ __ ]
- 1:00:10que coisa ridícula, cara. Esse maluco
- 1:00:11não é capaz de fazer o filho dessa
- 1:00:12mulher e criar.
- 1:00:13>> É,
- 1:00:14>> eu acho assim um negócio vergonhoso pro
- 1:00:16homem, sacou? O cara assim, aí não, não
- 1:00:18posso fazer o filhinho, tem que tirar
- 1:00:19meu pintinho daqui. Que isso, [risadas]
- 1:00:21cara? A tem que [ __ ]
- 1:00:24É esquisitaço, cara. Sei lá. Eu acho
- 1:00:26muito esquisito o que, sei lá. Mas é, eu
- 1:00:30acho esquisito, mas
- 1:00:32>> de boaça, com seu amigo, [ __ ] em tudo
- 1:00:34que é cant para mim. Falei: "Pô,
- 1:00:35imagina, eu não conseguiria me olhar no
- 1:00:36espelho se eu tirasse o pintinho ali."
- 1:00:38>> É que [ __ ] cara, eu acho que o pessoal
- 1:00:39faz a conta,
- 1:00:40>> acho feião.
- 1:00:41>> Eh, aquela conta
- 1:00:43que hoje o pessoal faz, [ __ ] por que
- 1:00:45que eu vou ter um filho sendo que eu
- 1:00:46tenho um cachorro, ganho, ganho muita
- 1:00:49grana
- 1:00:50>> e [ __ ] ou quero ganhar muito dinheiro,
- 1:00:52agora, não é o momento e tal,
- 1:00:54>> vou viajar para [ __ ] vou viver a
- 1:00:56vida e e etc, né?
- 1:00:59É isso. Escolhas, como você bem disse,
- 1:01:01prioridade.
- 1:01:02>> Você acha que a vida desse cara vai ser
- 1:01:05vai ter menos sentido do que o cara que
- 1:01:06vai ter uma mulher, vai ter filhos e
- 1:01:08tal?
- 1:01:08>> Não, não acho. Vai ter. Ele pode ser,
- 1:01:10pode até ficar porque a hierarquia de
- 1:01:13bem.
- 1:01:14>> A família, a doação, o sacrifício, o
- 1:01:17amor são hierarcamente superiores ao
- 1:01:20prazer e ao conforto. É uma coisa
- 1:01:22hierarquia. O conhecimento é
- 1:01:25hierarquamento superior a tudo que eu
- 1:01:26falei antes. O amor é a última
- 1:01:28hierarquia, né? Hierarquia,
- 1:01:30conhecimento, serviço, proteção,
- 1:01:32conforto e e prazer. Tem uma
- 1:01:34hierarquiazinha dando um gabarito aí pra
- 1:01:37galera. Me levou anos para essa [ __ ] aí
- 1:01:39para poder justificar trpadinha. Falei,
- 1:01:41né?
- 1:01:42>> Não me aguentei. Jovens estão sofrendo
- 1:01:44assistindo a gente agora. Cauê, deixa eu
- 1:01:45falar.
- 1:01:46>> Então assim, claro, se você tá pautando
- 1:01:48uma vida no prazer e no conforto,
- 1:01:49maneiraço, [ __ ] Só é uma merda.
- 1:01:52Tu já viu aquele filme na natureza
- 1:01:54selvagem?
- 1:01:54>> Maneiro. Tu gostou? Eu gostei. In to the
- 1:01:56Wild, né?
- 1:01:57>> É. Então que aquele cara, só para
- 1:02:00contextualizar pro pessoal, é um cara
- 1:02:02ali que é um moleque prodígio, muito
- 1:02:04inteligente, passou em tantas
- 1:02:05universidades lá e tal, só que ele tem
- 1:02:08uma grana, acho que ele tem 19.000, uma
- 1:02:10coisa assim, um carro, ele pega essa
- 1:02:11grana, nem fala pros pais dele, nem fala
- 1:02:13para ela,
- 1:02:14>> ele entrega o diploma assim pro pai e
- 1:02:15deixa na gaveta, né?
- 1:02:17>> Sai fora. E é uma história real.
- 1:02:19>> História real, tá ligado? E aí o cara
- 1:02:20vai que ele, eu não lembro exatamente
- 1:02:22qual lugar, acho que era algum lugar do
- 1:02:24Alasco,
- 1:02:24>> [ __ ] lá do Chadinhos lá de cima, né?
- 1:02:25>> É lá de cima do frio e tal. Ele falou:
- 1:02:27"Porra, cara, eu quero ir para essa ilha
- 1:02:29e viver lá na natureza selvagem". O cara
- 1:02:32pega o carro dele, ele bate o carro
- 1:02:34inclusive no começo, depois começa a
- 1:02:37fazer mochilão assim para para ir para
- 1:02:39aquela direção e tal, só com aquela
- 1:02:41grana mesmo. E aí ele chega lá, passa
- 1:02:44por várias experiências, foi do [ __ ]
- 1:02:46e no final ele come uma morinha lá que é
- 1:02:48venenosa
- 1:02:50>> e morre e morre, né?
- 1:02:51>> Morre.
- 1:02:52>> Esse cara teve sentido para [ __ ]
- 1:02:53>> Teve. Mas se tu lembrar, lembra do
- 1:02:55filme, como é que o filme é relatado?
- 1:02:57Isso tá no diário dele. Então a gente
- 1:02:58sabe da história porque está no diário
- 1:03:00dele. Exatamente. Ele passa de um rio,
- 1:03:03aí passa um pouquinho de carro, o carro
- 1:03:05quebra, ele continua a expedição
- 1:03:06sozinho.
- 1:03:08Neve do [ __ ] Ele volta e fica,
- 1:03:09lembra? Ele fica dentro do carro vivendo
- 1:03:11ali um tempinho. Quando ele volta e ele
- 1:03:13tenta cruzar de volta, só que era época
- 1:03:16de inverno e o rio encheu. Então ele não
- 1:03:18consegue cruzar o rio porque era um rio
- 1:03:19que era um riachinho. Ele fica um rio
- 1:03:21caudaloso. Lembra dessa [ __ ] Só que tá
- 1:03:23no Rio, o que tá no, o que tá no, no
- 1:03:25diário dele e que o filme mostra de
- 1:03:26algum modo, ele, ele, ele fala assim:
- 1:03:28"Cara, vi isso tudo, mas não sou feliz
- 1:03:30porque eu tenho que contar para alguém".
- 1:03:32>> [ __ ] eu não sabia disso.
- 1:03:33>> Essa é a parada do filme. Vamos ver de
- 1:03:35novo esse filme. Vamos ver. Vou ver. Vou
- 1:03:37ver hoje essa [ __ ] desse filme. Eu
- 1:03:39juro, vou ver essa [ __ ] Porque é isso,
- 1:03:40ele fala assim: "Cara, eu vi isso tudo,
- 1:03:42mas eu tenho que contar para alguém". Aí
- 1:03:43ele se liga assim: "Cara, não dá para
- 1:03:45ser feliz, isso é o filme. Não dá para
- 1:03:46ser feliz sozinho.
- 1:03:47>> Para quem que eu vou contar? O que ele
- 1:03:49tá buscando ali? Um amor, [ __ ] Porque
- 1:03:52evidência um amigo é um amor.
- 1:03:54>> [ __ ] velho. Agora você matou a
- 1:03:55charada, hein?
- 1:03:56>> Não é essa [ __ ]
- 1:03:57>> Eu não sabia que ele tinha falado isso.
- 1:03:59>> É,
- 1:04:00falou Into the Wild. Vamos ver esse
- 1:04:03filme hoje. Vamos ver se [ __ ] desse
- 1:04:04filme.
- 1:04:04>> Então, quer dizer, sempre é relativo a
- 1:04:07compartilhar experiências e tal com
- 1:04:09pessoas.
- 1:04:10>> Pois é. E aí? E aí que tá o ponto? Pô, a
- 1:04:12gente
- 1:04:12>> também tá no nosso gênio, né?
- 1:04:13>> Tá, a gente se gosta, a gente vai ficar
- 1:04:15amigo daqui a pouco, com certeza. E o
- 1:04:16[ __ ] agora tu na minha mulher, né?
- 1:04:18Digo assim, o nível de intimidade que eu
- 1:04:21posso ter com a minha mulher, ele é
- 1:04:23rigorosamente, a gente faz filho junto,
- 1:04:24sacou? A gente pode criar um projeto
- 1:04:27junto, a gente pode abrir uma empresa
- 1:04:28junto, que é maneiraço. Isso também dá
- 1:04:29um nível de intimidade muito maneiro.
- 1:04:32Agora, [ __ ]
- 1:04:34tipo, eu tá dentro dela no sentido tem
- 1:04:38um filho meu que tá na barriga dela por
- 1:04:40meses, sacou?
- 1:04:41>> Sim.
- 1:04:42E depois tem um uma pessoa que é nossa
- 1:04:45essa e a gente tem que cuidar dessa
- 1:04:47pessoa. Pô, tá maluco.
- 1:04:49>> É uma coisa muito profunda, né, velho?
- 1:04:52>> É, é,
- 1:04:54é profundo.
- 1:04:57Mas como tudo pode ser tratado de modo
- 1:04:58banal também, né? Tem gente que pode ser
- 1:05:00tratado igual bicho. Eu tô contando a
- 1:05:03parte poética da história, né?
- 1:05:04>> Sim.
- 1:05:05>> Que é que me interessa também.
- 1:05:06>> Então você de fato tem esperança na
- 1:05:08humanidade, cara. [ __ ] muita
- 1:05:11cara, de te contar uma história. Meu
- 1:05:13pai, amo meu pai, tá? Meu pai nasceu em
- 1:05:1657, beleza?
- 1:05:19Médico.
- 1:05:21E aí ficou rico o cirurgião plástico,
- 1:05:24[ __ ] vai ficar pobre, não vai, né?
- 1:05:25Ficou rico. E quando já tava, quando
- 1:05:28tava assim, sei lá, 60 anos, ele começou
- 1:05:31a fazer cirurgia plástica estética
- 1:05:33gratuita, social. social, porque ele
- 1:05:36olhou assim, cara, tem um monte de
- 1:05:38manicure, mulher de porteiro, [ __ ]
- 1:05:40que [ __ ] podia ficar com peitinho, né?
- 1:05:41Podia ficar bonitona, mas não tem como
- 1:05:43pagar. Então ele abriu um projeto social
- 1:05:45de fazer cirurgia plástica estética e
- 1:05:46ele só fez essa [ __ ]
- 1:05:48>> [ __ ] Projeto social de estética
- 1:05:49>> ficava, não gava [ __ ] nenhuma.
- 1:05:52Maneiro assim, porque era paixão dele,
- 1:05:54[ __ ] Gostava de os outros bonitos,
- 1:05:56entendeu?
- 1:05:56>> Sim, [ __ ]
- 1:05:57>> E aí um dia 6:30 da Então ele, meu
- 1:05:59irmão, ele já velho, meu com a vida
- 1:06:00ganha. Podia, ia para Portugal com a
- 1:06:02minha mãe, tal, [ __ ] andava de
- 1:06:04barco, velejava, não sei o quê. Então
- 1:06:05assim, um cara, mas 6:30 da manhã ele
- 1:06:07tava no centro cirúrgico começando a
- 1:06:09operar queem não podia pagar. Chegou dia
- 1:06:1219 de outubro aqui na Barra no em frente
- 1:06:14ao centro cirúrgico, um sandeiro parou
- 1:06:17atrás dele, saiu um cara e falou: "Passa
- 1:06:18o carro". Ele entregou a chave e tomou
- 1:06:19um tiro na cabeça e morreu.
- 1:06:23Beleza? Morreu
- 1:06:25com tiro na cabeça.
- 1:06:28E aí eu cheguei logo depois porque me
- 1:06:30avisaram, pum, fui lá, minha mãe chegou
- 1:06:31antes de mim, pá, uma merda assim, cara,
- 1:06:35tu sabe o que que eu quero para esse
- 1:06:36filho da [ __ ] que matou o meu pai?
- 1:06:40que ele fique preso até o último dia da
- 1:06:42vida dele e que ele se converta em tenda
- 1:06:45a merda que ele fez, se arrependa
- 1:06:48e consiga amar alguém, meu irmão. Essa é
- 1:06:50a [ __ ] que eu quero para ele do fundo
- 1:06:52do meu coração.
- 1:06:55[ __ ] eu tenho esperança, cara. É o que
- 1:06:57eu, esse é é o bem, entendeu? Esse é o
- 1:06:59bem que eu que eu busco na minha vida.
- 1:07:00Eu não tô de sacanagem aqui. Essa [ __ ]
- 1:07:02que eu quero mesmo.
- 1:07:06>> É difícil, cara.
- 1:07:09E naquela situação ali, você de fato
- 1:07:11pensou isso ou [ __ ] na hora você queria
- 1:07:13matar o cara? Não,
- 1:07:14>> não, não. Eu não é que eu pensei porque
- 1:07:16o o cérebro analítico ele, sei lá, foi o
- 1:07:19que veio no meu coração mesmo, no meu
- 1:07:20espírito, na minha alma, sei lá, chama
- 1:07:21como você queira. Foi foi exatamente
- 1:07:23essa [ __ ] Foi exatamente essa [ __ ]
- 1:07:29>> É, você tinha quantos anos na época ali?
- 1:07:32>> Foi agora. Tem, foi 21, pô. Tem 5 anos
- 1:07:34isso,
- 1:07:35>> [ __ ]
- 1:07:37>> 4 anos, né?
- 1:07:38>> E mesmo assim você ainda tem fé.
- 1:07:41>> Cara, eu eu tinha grana na época, eu
- 1:07:43posso morar em qualquer lugar do mundo,
- 1:07:44concorda? Digo, eu tenho uma empresa que
- 1:07:46é digital, então meio que eu nem preciso
- 1:07:47estar no Rio de Janeiro. Eu podia ter
- 1:07:49pegado minhas coisinhas, ido para
- 1:07:50Cascais, para iria paraa Roma. Roma é
- 1:07:52maneiro com a minha família. E
- 1:07:54>> [ __ ] mas não dá um sentimento de
- 1:07:55revolta, velho. Tipo, [ __ ] meu pai fez
- 1:07:57bem para [ __ ] pro mundo e tomou um
- 1:07:59tiro,
- 1:08:00>> velho? Pô, é evidente. Evidente. Ficar
- 1:08:01triste para [ __ ] né? Dá uma uma
- 1:08:04revolta. Não vou dizer que foi o que
- 1:08:05aconteceu comigo, tá? Mas eu entendo
- 1:08:07perfeitamente que a gente se sentisse
- 1:08:08revolta 100%. Não foi o que aconteceu
- 1:08:11comigo. Beleza.
- 1:08:14Uma tragédia. Uma merda. Um idiota deu
- 1:08:16um tiro na cara dele. Beleza. Tem que ir
- 1:08:18preso mesmo. Ele não pode vir com
- 1:08:20sociedade. O filho da [ __ ] desse mata
- 1:08:21pai de família. Tem que ficar preso, se
- 1:08:23possível para sempre, né?
- 1:08:25Mas o que eu quero para ele, eu quero
- 1:08:27que ele que filha da [ __ ] entenda a
- 1:08:28merda que ele fez, entende? sofra por
- 1:08:31isso. Não quero que ele sofra assim,
- 1:08:32porque eu quero o mal dele, não. Ele tem
- 1:08:33que sofrer para ele ver a merda que ele
- 1:08:34fez, entende? E se converta, vamos
- 1:08:36chamar assim, eh, e faço o bem dando
- 1:08:39cadeia pros outros, [ __ ]
- 1:08:41>> Sim. Pô, cara, eu queria ter o seu
- 1:08:43otimismo, assim, sendo bem sincero,
- 1:08:45velho.
- 1:08:45>> [ __ ] eu queria muito que você tivesse
- 1:08:46meu otimismo, cara. Queria muito que
- 1:08:47você tivesse meu otimismo. Se a gente
- 1:08:49tivesse assim, sei lá, meia de pessoas
- 1:08:51com esse otimismo, o mundo tava melhor,
- 1:08:54estaria mesmo.
- 1:08:55>> Tava mesmo, cara.
- 1:08:56>> É, é, é isso aí. A gente pode pode vir
- 1:08:58para esse time, cara. Você pode ser um
- 1:09:00promotor da esperança. Essa é a parada.
- 1:09:03Aí tá uma aí tá um negócio que a gente
- 1:09:05pode depositar nossa vida. E paga bem
- 1:09:07essa empresa. Paga bem. Ela dá
- 1:09:09dividendos.
- 1:09:12Ela dá.
- 1:09:14Você não acha que a maioria das pessoas
- 1:09:15que, [ __ ] realmente
- 1:09:18chegam no topo do poder são psicopatas e
- 1:09:22manipuladoras?
- 1:09:23>> Conhec, eu conheço, não sei, cara, eu
- 1:09:25não posso dizer. Eu conheço pouquíssimos
- 1:09:27caras que estão no topo do poder. Poucos
- 1:09:29mesmo. Poucos. Não, se falar que conheço
- 1:09:32uma galera é mentira. Sei lá. Conheço
- 1:09:33dois ou três ministros STF e é poder do
- 1:09:35Brasil. Uma merdinha assim também, né?
- 1:09:37Eu conheço um bilionário europeu que é
- 1:09:39bilionário real, não é bilionário tipo
- 1:09:41do digital que fala que é bilionário e
- 1:09:43[ __ ] nenhuma, né? Eu conheço um cara
- 1:09:44que é B mesmo, vou na casa dele, a gente
- 1:09:46conversa e tal. Bem, esse cara em
- 1:09:49qualquer da Europa que eu conheço, meu
- 1:09:50irmão, é o contrário disso aí.
- 1:09:52É uma obsecado mesmo no sentido de
- 1:09:54produtivo para [ __ ] não sei quê. Mas
- 1:09:56cara, ele inversa essa [ __ ] Vou te
- 1:09:57dizer o que ele fez, maluco. O cara é um
- 1:09:59dos, não vou dizer que, sei lá, não vou
- 1:10:00ficar expondo aqui, mas se você pegar o
- 1:10:02top 10 mais ricos da Europa, ele tá lá,
- 1:10:05>> top 50 da Europa, top 10 da do país
- 1:10:07dele, né? Tá lá.
- 1:10:10>> Então assim, tu pode imaginar que ele
- 1:10:11seja saudável, né? Nesse sentido, ele tá
- 1:10:13no ele ele ele mexe numa estrutura
- 1:10:15interessante ali da Europa, tá? E tem
- 1:10:17uma grana. Eu sempre eu conheço ele
- 1:10:20junto na casa dele, a gente beleza. Eh,
- 1:10:24ele veio aqui no Brasil também,
- 1:10:25finalmente. Beleza, já veio aqui uma vez
- 1:10:27no Brasil. Ele pegou uma grana dele, uma
- 1:10:30parte da grana dele, montou uma fundação
- 1:10:33e não é só por coisa fiscal, não,
- 1:10:35entendeu? Ah, botar uma fundação porque
- 1:10:36lá o dinheiro não é tributado. Não, não,
- 1:10:37é porque a fundação dele é ativa mesmo.
- 1:10:40Ele tem uma fundação de caridade [ __ ]
- 1:10:43[ __ ]
- 1:10:44>> Sim. Mas assim, você não acha que de
- 1:10:47certa forma esses [ __ ] esses
- 1:10:49bilionários, por exemplo, você pega o
- 1:10:50Bill Gates, ele tem várias instituições
- 1:10:52de caridade e tal, né? Não chega um
- 1:10:53ponto da vida com o cara que ele tem
- 1:10:55tudo e ele tem que ter um sentido em
- 1:10:58algo a mais assim.
- 1:10:59>> Também acho. É isso que a gente tá
- 1:11:00falando aqui desde o início. A diferença
- 1:11:02é tu pode começar a construir isso
- 1:11:05desde agora ou tu pode esperar ficar
- 1:11:07bilionário que certamente tu não vai
- 1:11:08ficar
- 1:11:10assim a chance de tu ficar bilionário.
- 1:11:12Pô, Cau eu acredito em você. Sei que tu
- 1:11:13é competente, [ __ ] não sei o quê. Ah,
- 1:11:16mas questão de probabilidade que tu não
- 1:11:17vai ficar, né?
- 1:11:19>> É,
- 1:11:21>> né?
- 1:11:23Se fosse um trade assim e cara, então
- 1:11:26não vou fazer essas coisas porque vou
- 1:11:27ficar bilionário, tá? Beleza, é contigo,
- 1:11:29mas assim, mas provável é que tu vai
- 1:11:31ganhar algum dinheiro e tal, pô. Tu é
- 1:11:33inteligente, dá para ver, dá para ver
- 1:11:35que tu é um cara focado, dá para ver, tu
- 1:11:36é bonito, então assim, tu é saudável, tu
- 1:11:38é novo, certamente tu vai ganhar
- 1:11:39dinheiro. Eu não tenho dúvida que tu vai
- 1:11:40ganhar dinheiro, vai ficar rico mesmo,
- 1:11:43talvez até seja, entendeu? Não, mas eu
- 1:11:45não tenho nem pretensão, cara, de ser
- 1:11:46bilionário
- 1:11:47>> Pois é. Exato. Eu também não tenho.
- 1:11:49>> Só que assim, eu
- 1:11:49>> gostaria de ficar bilionário. Acho que o
- 1:11:51dinheiro é uma [ __ ] alavanca pra
- 1:11:52felicidade também, velho.
- 1:11:53>> Também pr [ __ ]
- 1:11:54>> Então, quer dizer, [ __ ] hoje você
- 1:11:56falou que você tá casado e tal e, enfim,
- 1:11:59você ama sua esposa.
- 1:12:01É um é um prazer você, pô, tá tá de
- 1:12:04férias, pegar sua esposa e pro lugar
- 1:12:06onde vocês querem exatamente, [ __ ]
- 1:12:08passar tantos dias lá, né, sem se
- 1:12:09preocupar com grana. Então, quer dizer,
- 1:12:11o dinheiro também é uma alavanca de
- 1:12:13felicidade, né? Tem um cara que ele
- 1:12:15chama Naval Ravican, não sei se você
- 1:12:17conhece ele
- 1:12:17>> agora. Sim. Não, que que ele escreveu?
- 1:12:19Falou. Ele
- 1:12:20>> tem um livro que chama O Almanak de
- 1:12:21Naval.
- 1:12:22>> Pô, não
- 1:12:23>> é meio autoajuda e tal, mas
- 1:12:24>> não, mas eu gosto.
- 1:12:26>> Mas aí ele fala basicamente do conceito
- 1:12:28de alavancas, né? Aonde que você coloca
- 1:12:30sua energia que mais vai te dar
- 1:12:32resultado.
- 1:12:33>> Tô prando atenção, só tô anotando aqui.
- 1:12:35>> Não, tranquilo. E aí, então, por
- 1:12:36exemplo, o que que é o podcast para mim?
- 1:12:38O podcast para mim não dá dinheiro,
- 1:12:40cara. E eu uso o podcast mais para obter
- 1:12:43conhecimento de pessoas muito
- 1:12:44inteligentes. Então, [ __ ] ela já foi
- 1:12:46doutor em filosofia, biologia e tal,
- 1:12:48tipo, só os cara mais crânio mesmo, cara
- 1:12:51que faz eh pesquisa com estrela de
- 1:12:54nêutron físico,
- 1:12:55>> maneraço.
- 1:12:56>> Então, [ __ ] você aqui hoje, então, eu
- 1:12:58uso mais para obter conhecimento de
- 1:13:00pessoas inteligentes, entendeu?
- 1:13:02>> [ __ ] sacada.
- 1:13:03É uma alavanca nesse sentido, só que não
- 1:13:05é uma alavanca de dinheiro. Sim,
- 1:13:07>> porque eu posso, [ __ ] botar muita
- 1:13:08energia aqui no podcast, ele não vai me
- 1:13:10dar muita grana, diferentemente de um
- 1:13:12negócio que, [ __ ] eu posso escalar e
- 1:13:13tal, certo? Então, quer dizer, o
- 1:13:15dinheiro até certo ponto é uma alavanca.
- 1:13:18E é interessante a gente chegar nesse
- 1:13:20nesse ponto, né? E aí que tá na parada
- 1:13:23do casamento.
- 1:13:24>> Se você casar cedo, muito provavelmente
- 1:13:26você não vai chegar ao ponto de gerar a
- 1:13:28grana suficiente para virar alavanca,
- 1:13:29entendeu?
- 1:13:30>> Pode ser. Vou te contar minha história,
- 1:13:31então.
- 1:13:31>> Muito provavelmente não, também é
- 1:13:33determinista.
- 1:13:33>> Conheço, não é? Conheço algumas, te
- 1:13:34conta minha. Eu hoje tu vê, tô saudável,
- 1:13:36né? Não dá, vocês dá para ver, tô te
- 1:13:37falando, tô saudável, né? Preso e tal,
- 1:13:40não sei quê. O pessoal,
- 1:13:42eu casei com 23,
- 1:13:44tava na faculdade ainda. Então assim, os
- 1:13:46primeiros 10 anos de casado, não tinha
- 1:13:48casa própria, eu tinha um spin velho por
- 1:13:50muito tempo não tive carro. Devia no
- 1:13:53banco, eu morei no apartamento de 60 m²
- 1:13:55aqui, [ __ ] com a maçaneta caindo, já
- 1:13:57com três filhos. Beleza? Então não é que
- 1:14:00assim, não é que eu não podia pegar o
- 1:14:01avião e ir para onde eu quisesse, não.
- 1:14:03[risadas] Eu não podia dar uma volta na
- 1:14:04rua comendo uma bala com a minha esposa,
- 1:14:05porque eu tinha criança em casa e não
- 1:14:06tinha babá para cuidar dela. Sabe que eu
- 1:14:07digo? Eu vou te dizer do fundo do meu
- 1:14:09coração, a gente é feliz igual.
- 1:14:12Eu acho que a o dinheiro é uma alavanca
- 1:14:14de felicidade, mesmo se a tua motivação
- 1:14:16é extrudar os outros, porque aí
- 1:14:18realmente tu pode com dinheiro, tu pode
- 1:14:19até ajudar mais mesmo os outros. Se eu
- 1:14:21tivesse bi hoje, [ __ ] tá feliz da vida
- 1:14:25para [ __ ] Não pelo que eu vivo em
- 1:14:26casa com a minha esposa, porque lá de
- 1:14:28fato a gente seria feliz numa casinha de
- 1:14:29sapê, porque eu já morei numa casinha de
- 1:14:32sap e sei que seria. Não, não é uma
- 1:14:34coisa assim que eu acho, não. Eu seria
- 1:14:35porque a gente é feliz desde o início.
- 1:14:39Beleza? Agora se eu tenho B, Bidol,
- 1:14:42assim, entende um milhão de dólares, meu
- 1:14:44irmão, aí eu tô contigo. Alavanca
- 1:14:46[ __ ] [ __ ] Essa [ __ ] disso aqui,
- 1:14:49meu irmão, multiplico por 10. Isso aqui,
- 1:14:51minha clínica vai, eu espando essa [ __ ]
- 1:14:53para tudo que é uma clínica de
- 1:14:54psiquiatria. Pô, tu imagina que eu
- 1:14:55consegui colocar a [ __ ] de uma clínica
- 1:14:56de psiquiatria popular em todos os
- 1:14:58cantos do Brasil, não precisando que ela
- 1:15:01gere caixa no primeiro momento,
- 1:15:03>> tendo grana para investir? [ __ ]
- 1:15:04brutal. Eu sei fazer isso. Eu só não
- 1:15:06tenho o B,
- 1:15:06>> brutal.
- 1:15:07>> Precisaria de Eu tenho uma clínica,
- 1:15:09atendo, mas é, atendo quantos ali com a
- 1:15:12clínica online que eu montei, mas, pô,
- 1:15:13quem o pobre tem acesso à clínica
- 1:15:14online, [ __ ] Tá nem internet, aquela
- 1:15:15merda, aquele 4, 3G [ __ ] não tem
- 1:15:17pacote de dado merda. Não, não consegue
- 1:15:19fazer atendimento. Então assim, eu faço
- 1:15:21400, 4500 atendimentos de mês aqui. É
- 1:15:23pouco.
- 1:15:24Eu, por mim faria, sei lá, 100, 120.000
- 1:15:26atendimento de mês. Se eu puder, eu não
- 1:15:28tenho. Então, aí eu tô contigo, meu
- 1:15:29irmão. Eu quero dinheiro, mais dinheiro.
- 1:15:31Por isso que eu dinheiro para [ __ ]
- 1:15:33Ficar deve ficar bilionário.
- 1:15:35>> Mas para que mais dinheiro nesse no
- 1:15:37sentido de reverberar
- 1:15:38>> a fazer bem pros outros, não
- 1:15:40necessariamente pela grana. Então,
- 1:15:41>> cara, se tu for lá em casa
- 1:15:42>> ou também pela grana,
- 1:15:43>> é porque a grana é boa pr [ __ ] né?
- 1:15:45Tu consegue fazer essas coisas. Se tu
- 1:15:46for lá em casa, calma aí, tu vai abrir
- 1:15:48meu armário.
- 1:15:50É, é engraçado, eu tenho três camisas,
- 1:15:52dois ternos e, sei lá, dois sapatos e um
- 1:15:54tênis.
- 1:15:56Eu, entendeu, eu só tenho um corpo para
- 1:15:57vestir. Eu não preciso de muitas roupas,
- 1:15:59que eu tenho um corpo para vestir,
- 1:16:00entendeu? Digo, eu dormi em uma casa,
- 1:16:02sacou? Eh, digo, tanto faz. A IAT podia
- 1:16:06ter um IAT, mas quem gostava de barca
- 1:16:08era meu pai. Eu não sou ligado no IAT,
- 1:16:10sacou? De o carro, eu tenho um carro que
- 1:16:11eu é um carro bom. Ten um carro bom. Eu
- 1:16:13tenho um, eu não sou o cara que
- 1:16:14coleciona carros.
- 1:16:16Eh, vim até sem relógio hoje aqui, ó.
- 1:16:18Tanto que eu cago para relógio que,
- 1:16:20[ __ ] esqueci de vir com relógio hoje.
- 1:16:21[ __ ] eu tô vejo no celular,
- 1:16:23entendeu? Mas é a minha pira, sacou? Eu
- 1:16:25não pego o dinheiro que eu tenho. Tu não
- 1:16:26vai abrir a gaveta lá do meu closet.
- 1:16:29Eu moro numa casa de 1200 m² construído,
- 1:16:31né? Então não posso dizer que eu sou um
- 1:16:33um pobre no sentido de que, [ __ ] tem
- 1:16:35uma casa de 1200 mais qu aqui na, né,
- 1:16:38num bom bairro do Rio de Janeiro e tal.
- 1:16:39Então beleza. Mas digo, eh, dessas
- 1:16:42posses,
- 1:16:44cara, eu almoço no Outback,
- 1:16:47digo, eh, tudo bem, uma galera Outback é
- 1:16:50o topo do que ele pode imaginar, mas
- 1:16:52digo, eh, não preciso ficar indo em
- 1:16:54restaurante com [ __ ] espuma de
- 1:16:56caranguejo, [ __ ] De vez em quando é
- 1:16:58maneiro ir. Tô contigo. Maneiraço agora
- 1:17:01sei lá, que que chegar mais rápido aqui
- 1:17:02para poder continuar trabalhando,
- 1:17:04entendeu? Peço no iFood, chega, coma. É
- 1:17:06o mesmo. É o que eu peço. Ele tá ali, ó,
- 1:17:08mesmo. Comida toda. É frango e arroz.
- 1:17:10Frango e arroz. Frango e arroz. [ __ ]
- 1:17:12>> Mas [ __ ] cara, eh, nesse sentido
- 1:17:14assim, como que você sabe que você tá
- 1:17:17indo na direção certa, então?
- 1:17:18>> [ __ ] não sei. Tomara que eu esteja,
- 1:17:19cara.
- 1:17:20>> Você não sabe,
- 1:17:21>> não? Não sei
- 1:17:23como é que tu vai saber, [ __ ]
- 1:17:25>> E você se pondera às vezes, [ __ ]
- 1:17:26>> [ __ ] todo dia. Eu faço uma coisa
- 1:17:28desde 18 que eu te falei, foi quando eu
- 1:17:30comecei com essa [ __ ] né? Tem que eu
- 1:17:32faço todo dia, duas vezes por dia,
- 1:17:33religiosamente, exame de consciência,
- 1:17:35meio-dia e antes de dormir. É uma
- 1:17:37análise, um balanço do dia. Tipo assim,
- 1:17:39bus
- 1:17:41esse
- 1:17:41>> quais perguntas você se faz ali,
- 1:17:42>> cara? O que que eu fiz bem? O que eu fiz
- 1:17:43mal? O que eu podia ter feito melhor em
- 1:17:45função dessa coisa da esperança?
- 1:17:49São três perguntas.
- 1:17:51Meio-dia, o que que eu fiz bem? O que eu
- 1:17:52fiz mal, que eu podia ter feito melhor?
- 1:17:53Então, sei lá, se eu notei que eu fui
- 1:17:55grosso seá com a com a Letícia, meu
- 1:17:57irmão, eu vou voltar e vou fal e a
- 1:17:59Letícia, tudo bem? Desculpa, não sei o
- 1:18:00quê. Eu tenho dois momentos do dia que
- 1:18:02eu posso análise. Então, se eu fizer uma
- 1:18:03cagada e não notar na hora ali, tipo 6
- 1:18:06da tarde, eu vou anotar à noite. No dia
- 1:18:07seguinte eu vou lá e peço desculpa,
- 1:18:09entendeu? Se eu fizer uma cagada no
- 1:18:10período da manhã, meio-dia eu vi que eu
- 1:18:11fiz a cagada e à tarde eu vou lá e peço
- 1:18:13desculpa, entendeu? Eh, sei lá, é meio
- 1:18:15assim que eu faço um tempão.
- 1:18:17>> E quais foram os maiores padrões que
- 1:18:20você observou assim nessas perguntas e
- 1:18:23nessas reflexões, cara?
- 1:18:25>> Cara, então é difícil porque teria que
- 1:18:28abrir uma parte muito íntima da minha
- 1:18:30vida, né? Eu não acho
- 1:18:32>> não. Claro, falar exatamente, mas assim,
- 1:18:34o que a pessoa que tá escutando a gente
- 1:18:36poderia extrair disso?
- 1:18:38>> Cara, acho que cada um vai ter. Vamos
- 1:18:40lá. Tem um negócio, [ __ ] Beleza. Posso
- 1:18:42dar um frame então de Tem um frame no
- 1:18:45fundo que não vai fugir disso, tá?
- 1:18:48A gente tem sete, sete merdas
- 1:18:51padronizadas que não vai fugir dessa
- 1:18:53[ __ ] Ou seja, a cagada, se você fosse
- 1:18:57analisar hoje no final do dia, tu fez
- 1:18:59merdas hoje, né? Com certeza. Eu fiz já
- 1:19:02as minhas, eu sei porque eu meio, eu sei
- 1:19:03que acho que eu fiz até meio-dia. Acho
- 1:19:04que eu fiz meio-dia para cá, eu sei mais
- 1:19:07ou menos, mas à noite vamos ver essa
- 1:19:08[ __ ] direito, né? brincando assim,
- 1:19:09claro que eu sei quais foram, mas eh
- 1:19:13elas tm um padrão, elas estão, você pode
- 1:19:15agrupar as merdas em sete lugares, sete
- 1:19:17caixas ou as merdas que tu fez, tu fez
- 1:19:19por, eh, sensualidade, assim, tu se
- 1:19:23deixou, tu deixou de fazer, ah, fui, não
- 1:19:27fui pontual. Por quê? Sei lá, porque tá
- 1:19:29gostoso ficar deitado na cama.
- 1:19:31Sensualidade no sentido de tu quis que
- 1:19:33as tuas sensações permanecem, sacou, né?
- 1:19:36Ficou mais tempo no banho quentinho, né?
- 1:19:39eh, ficou mais tempo na cama do que
- 1:19:40devia, acordou tarde porque não quis
- 1:19:42acordar ou até o limite para trair uma
- 1:19:44mulher porque, [ __ ] tinha lá um uma
- 1:19:47outra que parecia mais gostosa,
- 1:19:48entendeu? É isso. Então, esse é o
- 1:19:51primeiro grupo,
- 1:19:53>> certo?
- 1:19:53>> Segundo grupo, gula, botou para dentro
- 1:19:56mais do que tu aguenta, seja de
- 1:19:58trabalho, seja de
- 1:20:00>> Isso é objetivamente ruim.
- 1:20:02>> É ruim, é ruim. São coisas ruins, né?
- 1:20:05Que vão que vão levar desordens, vamos
- 1:20:06chamar assim. Se for feito com
- 1:20:08temperança assim nesse sentido, por
- 1:20:09exemplo, no seu casamento, você, pô, tu
- 1:20:12comer o máximo de sushi que você quer,
- 1:20:14não? Tá ótimo, tá? Problema nenhum. Se
- 1:20:17então a questão é, desordenou alguma
- 1:20:18[ __ ] Não, então não é um problema, né,
- 1:20:20Diego? É isso que eu tô dizendo, né?
- 1:20:23>> Aí voltando então a gula,
- 1:20:24>> depois a avareza é uma outra parada. O
- 1:20:26que que é avareza? Tu tá pegado para
- 1:20:27[ __ ] nesses benzinhos de merda que tu
- 1:20:29conquistou aqui. Fiá, dinheiro, carro,
- 1:20:31óculos, essas poras. Fica [ __ ] galera
- 1:20:33na boa, [ __ ] Concorda? O ladrão vai
- 1:20:34roubar, essa [ __ ] vai acabar. vai ficar
- 1:20:36olhando para isso. É, conquistou,
- 1:20:37beleza, usa e não esquece essa merda,
- 1:20:39entendeu?
- 1:20:41Eh, depois preguiça
- 1:20:44é uma outra merda mesmo, né? A preguiça
- 1:20:45é a indolência, tipo assim, ah, não tem
- 1:20:47sentido de urgência. Valeu, Letícia,
- 1:20:49muitíssimo obrigado. Deus lhe pague.
- 1:20:52Deus lhe dê em dobro. Duas águas,
- 1:20:54[risadas]
- 1:20:57preguiça. Aí depois tem uma [ __ ] que eu
- 1:20:59tenho, ira.
- 1:21:02Aí assim é um, tu descompensa um pouco a
- 1:21:05reação para chegar no objetivo que você
- 1:21:07quer, né? Tu é tu é mais grosseiro, tu é
- 1:21:11mais bruto, tu não respeita muito tempo
- 1:21:12dos outros, né? Cada um tem seu tempo,
- 1:21:14cada um tem suas características, cada
- 1:21:15um tem o seu modo de ser, né? Então, ira
- 1:21:17é uma merda. Você perguntou o que, qual
- 1:21:20que é o meu padrão. Meu padrão é esse
- 1:21:21aqui, ó. Ira. Já foi preguiça por muitos
- 1:21:23anos. Acho que eu consegui meio que
- 1:21:26mudar esse padrão.
- 1:21:27>> Sim.
- 1:21:29>> Eh, depois a inveja,
- 1:21:32a maioria das merdas que o pessoal faz é
- 1:21:33de inveja. Tem muita merda que o pessoal
- 1:21:35faz de inveja, né? Não diz que é inveja.
- 1:21:37Inveja é um negócio muito feio de você
- 1:21:38dizer que tem, né? Mas pode ver. Às
- 1:21:41vezes tem gente orientando toda uma vida
- 1:21:43inteira só por inveja.
- 1:21:44>> [ __ ]
- 1:21:46>> isso acho muito esquisito. Porque o que
- 1:21:47que é inveja? É, você não gastou um
- 1:21:50segundo em priorizar os teus bens.
- 1:21:54O que que é? O que que é um valor para
- 1:21:55mim? Você lembra aquela pouco que a
- 1:21:56gente tava falando da hierarquia dos
- 1:21:57bens
- 1:21:58e tu simplesmente acreditou que o
- 1:21:59gabarito do outro tá certo? Mas [ __ ]
- 1:22:03por que [ __ ] tu vai acreditar no
- 1:22:04gabarito do outro? [ __ ]
- 1:22:07é isso é inveja, né? É assim, é, não é
- 1:22:10isso que é inveja. Isso é um movimento
- 1:22:11inicial da inveja, né? uma pessoa que
- 1:22:14fez o estudo mesmo do da da hierarquia
- 1:22:15dos bens, dificilmente ela é invejosa,
- 1:22:17que ela até, ah, que maneiro, ou ela
- 1:22:20valoriza o que outro tem, ou ela tá
- 1:22:21preocupada porque o outro sujeito não
- 1:22:23fez esse estudo, entendeu? Por mais que
- 1:22:24tenha uma aparência de, sei lá, ser
- 1:22:26rico, forte, engraçado, sei lá, famoso,
- 1:22:30né? Olha só, se eu tenho herarquia dos
- 1:22:32meus bens e a fama não tá lá nele, pô,
- 1:22:35se eu vejo uma pessoa famosa, vou ficar
- 1:22:36feliz por ela, entendeu? Não vou ficar,
- 1:22:38[ __ ] eu queria ser famoso também.
- 1:22:39Porque
- 1:22:40dá para entender? E a soberba,
- 1:22:43é tu se achar [ __ ] tu se achar Deus,
- 1:22:45vamos botar assim, né? Eh, tu não
- 1:22:47precisa estudar e tu já sabe, tu não
- 1:22:49precisa trocar ideia. Eh, acho maneiraça
- 1:22:52o para teu podcast assim, tu chama a
- 1:22:54galera aqui para tu poder aprender.
- 1:22:55[ __ ] isso é uma posiçãocial muito
- 1:22:57[ __ ] Assim, tu entende, cara, eu não
- 1:22:58sei tudo. Deixa eu trocar uma ideia com
- 1:23:01a galera que pelo menos parece que tá se
- 1:23:03dedicando a alguma coisa há mais tempo
- 1:23:05que eu, né? Isso é maneira. É o que eu
- 1:23:06faço, [ __ ] Eu, né? Tenho tem a galera,
- 1:23:08eu pego o avião de vez em quando e vou
- 1:23:10paraa Itália, vou para para Espanha, vou
- 1:23:12para conversar com uma galera que eu
- 1:23:13considero [ __ ] né? Eu faço com sei lá
- 1:23:16quantas vezes eu viajei ano passado,
- 1:23:18peguei o avião várias vezes, fui lá para
- 1:23:19quê? Trocar ideia com eles no fundo,
- 1:23:22poder encontrar ele generosamente me
- 1:23:23recebem. Acho maneiro isso, né? A galera
- 1:23:25que tá, não tô falando de dinheiro, não,
- 1:23:27falando de sabedoria, alguns de dinheiro
- 1:23:28também, né? Então é isso. Então são
- 1:23:31esses sete padrões, bicho, né? Esses
- 1:23:34sete padrões vão estar lá. Pode buscar.
- 1:23:37E é engraçado, né, cara, porque parece
- 1:23:39que isso tudo atrai o ser humano, né,
- 1:23:41velho? Então, assim, a mídia usa desses
- 1:23:44desses sete pecados assim para atrair as
- 1:23:46pessoas, cliques e vender coisa. Por
- 1:23:49exemplo, você vê o Burger King, ele
- 1:23:51demonstra aquela gula, né, aquele aquela
- 1:23:54gordura no nos lanches e tal. Então,
- 1:23:56enfim, cara,
- 1:23:57>> fica com uma vontade de comer um m
- 1:23:58>> fica com a vontade de comer o negócio.
- 1:24:00Ó,
- 1:24:00>> eh, a preguiça, os caras vendem cursão,
- 1:24:03[ __ ] você vai ficar milionário sem
- 1:24:05fazer nada. Aí tem entra ganância junto
- 1:24:07também, né?
- 1:24:08>> Então parece que tudo isso atrai muito
- 1:24:10ser humano e é difícil de você
- 1:24:12>> ser um monge nesse sentido, né?
- 1:24:14>> É, tu tem não se afitar, né?
- 1:24:16>> Tu tem que ter esse o dever de casa que
- 1:24:18a gente falou anterior com com a
- 1:24:20hierarquia de bem, sacou? É um único
- 1:24:22antídoto mesmo. Não tô dizendo que você
- 1:24:24não vai cair, tu vai cair, tu vai tu vai
- 1:24:27fazer merda como a gente faz, né? eh,
- 1:24:29natural, mas tu já não é, tu não tá
- 1:24:31fazendo mais merda de modo inconsciente.
- 1:24:33Plante de fazer merda de modo
- 1:24:33inconsciente é quando tu vai olhar paraa
- 1:24:35tua vida para trás,
- 1:24:37ela é uma vida que não parece que é tua,
- 1:24:39sacou?
- 1:24:41É como se fosse um um bicho que tá
- 1:24:43respondendo, não em primeira pessoa.
- 1:24:46Imagina, você vive uma vida, sei lá, por
- 1:24:48do anos buscando os bens que um outro
- 1:24:51sujeito quer, não você, mas o outro. Aí
- 1:24:53por inveja, você tá olhando só para ele.
- 1:24:55Aí tu começou a mudar,
- 1:24:55>> maioria das pessoas é assim, né? De
- 1:24:57certa forma. Isso que você tava falando
- 1:24:58isso no início, cara. Por isso que tem
- 1:24:59essa epidemia de falta de sentido.
- 1:25:01É por isso no fundo, quer dizer, a falta
- 1:25:03de sentido, por quê? Porque não é um
- 1:25:04sentido pessoal, é um sentido de outro
- 1:25:06que às vezes não é nem do outro também,
- 1:25:07ele também tá um processo de mimetização
- 1:25:10até
- 1:25:10>> foi implantado na cabeça do cara.
- 1:25:13>> Lembra que eu falei duas coisas que me
- 1:25:14preocupam? Apatia e essa vida
- 1:25:16automatizada. Isso é o automatismo mais
- 1:25:18radical. Assim, o cara vai automatizando
- 1:25:20a ver se ele nunca para refletir quais
- 1:25:21são os valores, quais são os bens mesmo
- 1:25:24que eu busco no dia. Não é na vida não,
- 1:25:27a vida é um negócio muito extenso que a
- 1:25:28gente não consegue nem saber o que que
- 1:25:29é. Mas no dia, tem um dia, tem dois
- 1:25:32dias, tem três dias, tem uma semana, tem
- 1:25:34duas semanas, tem um mês, tem dois
- 1:25:36meses, tem um ano. [ __ ] a unidade
- 1:25:39mínima do tempo vital é o dia, né? Não é
- 1:25:42um minuto, não é um segundo, porque é
- 1:25:43muito pequeno, tu não consegue fazer
- 1:25:44nada em um segundo, né? Mas um dia
- 1:25:46>> é mais metrificável. É o dia, você tá
- 1:25:48morto, ressuscita e morre. Ele é como se
- 1:25:51fosse um símbolo do arco inteiro da tua
- 1:25:53vida, né? Tá morto, tá dormindo, né? Aí
- 1:25:56você pum, consciência, você tem um dia
- 1:25:57de vida, dorme. Acabou.
- 1:26:00>> Acho que era cênica, né? Que falava para
- 1:26:02>> Pode crer,
- 1:26:03>> enfrentar os dias como se fosse
- 1:26:04>> dia, como se fosse uma vida. Era o CEC.
- 1:26:07>> Eu não sei. Era um algum filósofo
- 1:26:09histórico, né?
- 1:26:11>> Pode ser. Agora me pegou.
- 1:26:13>> Tem um quadro, velho, que eu vi esses
- 1:26:15dias. É brutal, cara. É simplesmente um
- 1:26:18quadro onde tem 80 fileiras, 80 linhas
- 1:26:21na real, né? E aí cada linha tem 54
- 1:26:24quadradinhos,
- 1:26:25>> que é relativo a [ __ ] você vai viver
- 1:26:27mais ou menos 80 anos cada quadradinho é
- 1:26:29uma semana.
- 1:26:30>> Uma semana.
- 1:26:31>> E aí passou uma semana, pô, chegou no
- 1:26:33domingo, você vai e risca de preto um
- 1:26:35dos quadradinhos, velho. E aí você vai
- 1:26:37riscando, riscando e você vai vendo, vai
- 1:26:39vendo que, tipo assim, a vida, o seu
- 1:26:41final tá chegando, cara.
- 1:26:42>> Chegando. É maneiro, cara. Legal. Só que
- 1:26:44assim, não sei se
- 1:26:48aí que você entra nessa questão, né, de
- 1:26:50pensar da morte e o memento morre, né,
- 1:26:51velho? É,
- 1:26:52>> não sei se é tão fácil assim você
- 1:26:55enfrentar isso, cara.
- 1:26:56>> Pois é. Pois é. A gente falou, falei no
- 1:26:58início aí contigo, que é um exercício
- 1:26:59que eu passava para meus alguns alguns
- 1:27:01pacientes e paraos meus alunos, que é
- 1:27:02você se imaginar morto.
- 1:27:05Tem um outro que é maneiro, a lista de
- 1:27:07convidão, convidados, a lista de
- 1:27:08presença do teu velório. Não é quem tu
- 1:27:11vai convidar, não é quem vai.
- 1:27:14Quem vai? Se tu morrer numa terça-feira,
- 1:27:16essa é a pergunta. Tu vai ser enterrado
- 1:27:18na quarta, quem vai? Quem vai deixar de
- 1:27:20ir no trabalho, por exemplo?
- 1:27:22>> Mas é isso que importa, então?
- 1:27:24>> É, é, é uma pista, uma pista. Uma pista,
- 1:27:29uma pista. Eu teve uma pessoa na minha
- 1:27:31família que morreu recentemente, que eu
- 1:27:32não pude ir. Uma merda mesmo. Mas não
- 1:27:34pude ir. Agora não podia ir porque ele
- 1:27:36não era minha esposa. Se fosse minha
- 1:27:37esposa, eu teria ido.
- 1:27:38>> Éidente, atravessado o mundo.
- 1:27:40>> É, eu tava em Portugal. Exatamente isso.
- 1:27:43Daria tempo de pegar um voo, eu ia
- 1:27:45chegar assim, faltando um minuto,
- 1:27:47[risadas]
- 1:27:48mas você ia passar pelo caos todo só por
- 1:27:50causa que
- 1:27:51>> Mas então assim, claramente não deu para
- 1:27:52vir. Mas é porque não era minha esposa,
- 1:27:54nem meu filho. Se fosse minha esposa ou
- 1:27:56meu filho, eu teria vindo. É evidente,
- 1:27:59né? É, acho que espero que ninguém tenha
- 1:28:01dúvida disso. Era uma pessoa muito
- 1:28:02importante para mim, não é que era
- 1:28:04desimportante não, mas assim, não era
- 1:28:05minha esposa, nem meu filho, nem minha
- 1:28:07mãe, sei lá,
- 1:28:08né? Minha irmã.
- 1:28:12Então é isso.
- 1:28:13Para quem você é tão relevant, o que que
- 1:28:15is significa ser relevante, cara? É quem
- 1:28:17de fato você ajudou a construir a vida.
- 1:28:20Se quais pessoas a gente de fato ajudou
- 1:28:22a construir a vida delas, entendeu? Seja
- 1:28:24pela nossa presença, pelo nosso amor,
- 1:28:26pelo nosso cuidado, pelos conselhos que
- 1:28:27a gente deu, por alguma coisa que a
- 1:28:28gente ensinou e fez a manutenção. Eu
- 1:28:31acho que isso naquela hierarquia, isso
- 1:28:33tem um [ __ ] valor, né?
- 1:28:35>> Sim. Isso importa mesmo sabendo que a
- 1:28:38Terra vai ser engolida daqui 5 bilhões
- 1:28:40de anos e nada disso vai perpetuar para
- 1:28:43humanidade. Pois é, sei lá, cara. Eu sou
- 1:28:44muito tranquilo com essa [ __ ] Eu nem
- 1:28:45vou estar aqui, cara. Eu acho. Então,
- 1:28:47[ __ ] tá ligado? [risadas]
- 1:28:48>> Mas, pô, você não vai estar aqui, então.
- 1:28:51>> Pois é. Então, mas o como você já viu,
- 1:28:54os bens que eu tô caçando não dependem
- 1:28:57muito de matéria, né? Então meio que se
- 1:28:58acabar agora depois, [ __ ]
- 1:29:00>> Não, então, mas assim, fazendo um
- 1:29:02questionamento, cara, e [ __ ] acho que
- 1:29:03o que você faz é do [ __ ] [ __ ]
- 1:29:05ajudar as pessoas e tudo mais esse papo.
- 1:29:07Mas se você for olhar e fazer a pergunta
- 1:29:10do sentido, né, [ __ ] beleza, vamos
- 1:29:12falar que você ajudou centenas de
- 1:29:14milhares de pessoas e essas centenas de
- 1:29:16milhares de pessoas mudaram de vida e
- 1:29:18elas também vão mudar centenas de
- 1:29:20milhares de pessoas porque elas
- 1:29:21aprenderam coisas e aí vai ser um uma
- 1:29:23cascata infinita, certo? Uma bola de
- 1:29:25neve. Só que algum dia a humanidade vai
- 1:29:27ser extinta.
- 1:29:28>> Ah, vai.
- 1:29:28>> E perante o cosmos, o universo, isso não
- 1:29:31vai ser nada. Nada. Tô contigo.
- 1:29:33>> Mas é isso mesmo. Eu não acho. Lembra
- 1:29:35que eu falei da da
- 1:29:37>> Mas então existe sentido nisso? Você que
- 1:29:39algum dia vai acabar?
- 1:29:40>> Então eu não sou Deus.
- 1:29:42Então como uma criatura finita, os
- 1:29:46efeitos da minha das minha os efeitos
- 1:29:47das minhas ações, eles são finitos. Não
- 1:29:50tenho nenhuma pretensão de que eu tenha
- 1:29:51um efeito que seja infinito.
- 1:29:54Para mim tá bom. Se uma geração ficar
- 1:29:56melhor, não precisa nem ter o legado de,
- 1:29:59ah, vai repercutindo. Não, não esquece,
- 1:30:00pode repercutir. Eu ajudei uma criança
- 1:30:02na África que simplesmente tá melhor
- 1:30:04agora e ela não ajudou ninguém depois.
- 1:30:06Pô, já tá bom, cara. Para mim tá bom,
- 1:30:09né? Aquela coisa que eu lembro, falei da
- 1:30:11soberba.
- 1:30:12>> Uhum.
- 1:30:12>> Eh, que assim, tu achar que é Deus e
- 1:30:13pode fazer, pode reestruturar a ordem
- 1:30:16cósmica, cara, isso eu não, graças a
- 1:30:18Deus, eu me olho no espelho e falo: "É,
- 1:30:19cara, espero que Deus não tenha essa
- 1:30:20cara, né?" É assim,
- 1:30:23>> sim. É por isso que para mim, velho,
- 1:30:26quando assim você não acredita em Deus,
- 1:30:28realmente e apesar de que eu levo muitos
- 1:30:30convidados lá no no podcast, aqui no
- 1:30:33podcast, no caso,
- 1:30:34>> ah,
- 1:30:36>> a maioria das pessoas que são assim
- 1:30:38ateias, eles tem um sentido, cara.
- 1:30:41falou: "Pô, o sentido tá em viver e tal
- 1:30:43e o cara não fica neurótico assim nesse
- 1:30:45sentido. Acho que um ou dois convidados
- 1:30:46no máximo que foram lá, que são mais
- 1:30:48nilistas mesmo e falam: "Porra, por que
- 1:30:50acordar todos os dias sendo que a Terra
- 1:30:52vai ser engolida pelo Sol ou se a
- 1:30:54humanidade vai ser extinta? E esse papo,
- 1:30:56né,
- 1:30:56>> não obstante, ele foi no podcast, né? Eu
- 1:30:58acho essa [ __ ] muito maneira.
- 1:31:00>> Sim,
- 1:31:00>> é, é muito [ __ ]
- 1:31:01>> É uma luta, né, cara?
- 1:31:02>> É uma luta,
- 1:31:03>> é uma luta contra esse esse pensamento
- 1:31:05assim, né?
- 1:31:05>> Pois é. Eh, então assim, velho, eu eu
- 1:31:10gostaria de ter esse otimismo assim,
- 1:31:12sabe?
- 1:31:12>> Dá para ter,
- 1:31:14>> cara. Mas que como assim?
- 1:31:17>> Pois é, a gente foi falando aqui, cara.
- 1:31:20>> Tá beleza. Na teoria, mas e na prática?
- 1:31:22>> Queria não queria, queria, queria,
- 1:31:25queria não fazer as coisas só por dever,
- 1:31:28né? Quer dizer, não vai fazer, vai fazer
- 1:31:30as coisas porque tu tá buscando o
- 1:31:31sentido delas, né? O sentido último
- 1:31:34delas mesmo, olhar para as pessoas, você
- 1:31:37lembrar das relações primeiras que tu
- 1:31:39teve, sei lá, com a tua mãe, sacou? Tua
- 1:31:41mãe não te abortou, meu irmão. Podia ter
- 1:31:43te abortado, né? Cuidou de você. Ah, mas
- 1:31:46ela foi uma boa mãe. Eu duvido. Deve ter
- 1:31:48sido uma excelente mãe. Tu tá aí, [ __ ]
- 1:31:51no lugar, tocando tua vida, sacou? É.
- 1:31:55>> Uhum.
- 1:31:55>> Então assim, tem motivo para acreditar,
- 1:31:56pô. Todo mundo que tá vivo abortado e
- 1:32:00não teve a gargantinha estrangulada no
- 1:32:02berço escondido, né? Então, alguém te
- 1:32:04amou em algum momento, alguém te amou,
- 1:32:07né? Por algum momento, alguém te amou e
- 1:32:08te manteve na existência. Depois, claro,
- 1:32:11pode ter enchido a [ __ ] do saco, te deu
- 1:32:12um pé na bunda, o [ __ ] né? Se a
- 1:32:14gente conseguisse, supondo que a gente
- 1:32:16conseguisse ajudar a aumentar esse tempo
- 1:32:19de amor que as pessoas receberam,
- 1:32:23[ __ ] o mundo não tem a impressão de
- 1:32:24que ele se nós nos tratássemos como uma
- 1:32:27mãe que trata o seu filho,
- 1:32:29a gente não tem impressão, é só uma
- 1:32:30intuição. O mundo não seria um pouco
- 1:32:32melhor? Me parece que sim, [ __ ]
- 1:32:34>> Tá, eu vou te fazer uma pergunta mais
- 1:32:36objetiva, cara, em relação a isso. E
- 1:32:39bom, sabendo que para você o que importa
- 1:32:42é ajudar as pessoas, né?
- 1:32:45E aí eu acho que e esse essa linha de
- 1:32:47raciocínio vai ajudar também a pessoa
- 1:32:49que vai escutar isso daqui. E até no meu
- 1:32:51caso, né? A gente tem, como você falou,
- 1:32:54no dia 24 horas, né? E a gente tem que
- 1:32:56alocar, vamos falar que a gente tem 24
- 1:32:58fichas de pôker aqui. Cada ficha é uma
- 1:33:00hora.
- 1:33:01A gente tem 24 horas. A gente sabe ali
- 1:33:03que a gente tem que dormir pelo menos
- 1:33:06oito. Isso que falar tirar sete pro
- 1:33:07sono. 7, 8, 9 horas ali
- 1:33:10>> para dormir, né? E aí você tem
- 1:33:13transporte, você tem [ __ ] que cuidar de
- 1:33:15não sei o que e tal.
- 1:33:15>> Tira mais quatro assim lá.
- 1:33:17>> Exato. Aí tem o trabalho. Tira mais,
- 1:33:19>> tira mais oito. Sobou quatro.
- 1:33:22>> Exato.
- 1:33:23>> Vamos lá. Estamos, estamos indo pro
- 1:33:24street flash. Vai lá. Hã?
- 1:33:26>> O que que você faz? Wi vai.
- 1:33:27>> O que que você faz com essas 4 horas? E
- 1:33:30essas 4 horas devem ser depositadas
- 1:33:34na questão que a gente falou da alavanca
- 1:33:35antes para, por exemplo, as pessoas
- 1:33:39falam para seguir o caminho do meio, né,
- 1:33:40né, né? Então, [ __ ] não trabalhe
- 1:33:42muito, mas também não,
- 1:33:44>> enfim,
- 1:33:45>> em alguns momentos a gente tem que se
- 1:33:47extrapolar e [ __ ] trabalhar para
- 1:33:48[ __ ] né? Imagina que você passou por
- 1:33:50vários momentos, você trabalhava 18
- 1:33:51horas por dia,
- 1:33:52>> total 100%.
- 1:33:53>> Então, quer dizer, como identificar o
- 1:33:55momento de colocar essas fichas no sei
- 1:33:58lá, nos relacionamentos? esses movimento
- 1:34:00de colocar essas fichas no trabalho.
- 1:34:02Enfim, beleza. Eu sou um jogador de
- 1:34:04pôker, então calma lá. Pera aí. Tu me
- 1:34:05deixou só com quatro fichas para postar.
- 1:34:08Beleza.
- 1:34:10Não, não, não. A gente trabalha quantas
- 1:34:11horas? Tu falou oito. Eu vou botar mais
- 1:34:14oito fichas na mesa. Tenho 12 agora. Já
- 1:34:16te explico.
- 1:34:18E estão faltando quatro aqui que tu
- 1:34:19falou. Deslocamento, tal, tal, tal. Vou
- 1:34:21botar essas quatro. Eu vou descontar as
- 1:34:23do sono. Beleza. Então,
- 1:34:25>> que aí é innegociável.
- 1:34:26>> É negociável. Eu tenho 16 fichas, eu não
- 1:34:28tenho quatro. Essa é a primeira mudança
- 1:34:30de paradigma.
- 1:34:32O trabalho, o trabalho ele é o melhor
- 1:34:36lugar que a gente tem para encontrar
- 1:34:37sentido.
- 1:34:39Existe hoje, isso é muito moderno, hein,
- 1:34:41Cauê, a ideia da divisão entre vida e
- 1:34:43trabalho. Beleza? Isso é muito
- 1:34:46contemporâneo. Isso é uma maluquícia
- 1:34:47essa [ __ ] As famílias todas
- 1:34:49trabalhavam e conviviam juntas. Você
- 1:34:51imagina tua bisavó no campo. Tu é da
- 1:34:53onde? Tu é daqui do Tu é Tu é de São
- 1:34:55Paulo? Hoje eu moro lá em Santo André.
- 1:34:57>> A tua família é de onde? De origemente
- 1:34:59Prudente.
- 1:35:00>> Presente Prudente.
- 1:35:01>> Então tu imagina algum antepassado teu
- 1:35:03que tava trabalhando no campo, meu
- 1:35:04irmão, a família toda tava trabalhando
- 1:35:05junta, né? Quer dizer, a a ideia de
- 1:35:07divisão entre trabalho e família é uma
- 1:35:09construção pós-revolução industrial.
- 1:35:11Isso nem sempre foi assim, né? E tem uma
- 1:35:13[ __ ] de literatura sobre isso.
- 1:35:14Maneiração,
- 1:35:16é, pra gente é mesmo. O pessoal tá
- 1:35:18trabalhando aqui sem cantar. Ninguém tá
- 1:35:19cantando, estão trabalhando mesmo, né?
- 1:35:21Se esse sujeito ele trabalha
- 1:35:25por automatização, eu tô contigo. Tira
- 1:35:27essas oito fichas. Isso não tá no jogo.
- 1:35:29Eu perdi poder de aposta, né? Eu não
- 1:35:32faço isso. E quem eu ensino? Eu boto
- 1:35:34essas oito fichas e a gente tem que
- 1:35:35conseguir encontrar um sentido no nosso
- 1:35:37trabalho, sentido transcendental do
- 1:35:38nosso trabalho.
- 1:35:40Seja, o meu trabalho ele serve para
- 1:35:41ajudar alguém.
- 1:35:43Meu trabalho serve para ajudar alguém.
- 1:35:44Se se eu tô olhando, se eu tô olhando só
- 1:35:46para mim no meu trabalho, ele perdeu o
- 1:35:48sentido, porque o sentido é o salário
- 1:35:50que eu vou receber no final do mês.
- 1:35:53Então o sentido tá metrificado para uma
- 1:35:55quantidade de ouro.
- 1:35:56>> Sim.
- 1:35:57>> Que em geral vou achar que é menos do
- 1:35:58que eu mereço. Em geral a gente sempre
- 1:36:00acha que é menos do que a gente merece,
- 1:36:01né? Então fodeu. Tu tá jogando errado
- 1:36:04ponto de vista profissional, eu tô
- 1:36:05falando do ponto de vista existencial.
- 1:36:06Tu tá jogando errado. A primeira ciência
- 1:36:09é tu descobrir o valor transcendental do
- 1:36:10trabalho. O trabalho ele serve para tu
- 1:36:12botar ordem na vida de alguém.
- 1:36:14por exemplo, ajudar, facilitar o Uber
- 1:36:16que eu pego, eu não pego Uber, né? Mas o
- 1:36:17Uber que eu pego da minha casa para cá.
- 1:36:20[ __ ] bicho, esse sujeito, ele tem duas
- 1:36:22formas de encarar o trabalho dele. Ele
- 1:36:24pode imaginar aqui, [ __ ] pim, pingou
- 1:36:27um R$ 2 no final da corrida para ele. Ou
- 1:36:30ele pode imaginar assim, cara, esse
- 1:36:32senhor que tá, eu tô hoje, eu não tô de
- 1:36:34terno, né? Mas se um que tá de terno, se
- 1:36:35precisasse vir daqui até lá andando, ele
- 1:36:37ia chegar lá todo [ __ ] todo suado, ia
- 1:36:39ter que sair 40 minutos antes. Então,
- 1:36:41pelo meu trabalho, eu consigo dar um
- 1:36:43conforto, eu consigo agilizar a vida
- 1:36:44dele, eu faço a vida dele melhor.
- 1:36:46>> É um jeito de encarar o trabalho.
- 1:36:48Qualquer um, o cara do Uber, [ __ ] o
- 1:36:50entregador de pizza. Entregador de
- 1:36:52pizza. Ele pode mais assim, cara, eu tô
- 1:36:54indo lá entregar pizza para essa família
- 1:36:56porque provavelmente eles não podem sair
- 1:36:57de casa agora, tá chovendo, tem criança
- 1:36:59em casa, pô, o cara tá lá, né, passando
- 1:37:00a cantada na menina, se ele sair, pô,
- 1:37:02quebra o clima. Então ele pediu a pizza
- 1:37:03porque é o tempo, né, de pá, não é? É
- 1:37:06isso. Se você encara o teu trabalho
- 1:37:08assim, [ __ ] meu irmão,
- 1:37:09>> tu vai querer trabalhar.
- 1:37:11>> Aham.
- 1:37:11>> Esse é o jeito. Então, botei mais oito
- 1:37:12fichas, hein. E o que que eu faço com
- 1:37:14Então, a questão do sentido tá aqui, eu
- 1:37:17tenho quatro fichas. São as 4 horas que
- 1:37:19eu não tô trabalhando, não tô cagando e
- 1:37:21não tô dormindo, não é? Beleza.
- 1:37:25Essas 4 horas é o teu ócio, é o que a
- 1:37:27gente chama. Então a vida, a gente pode
- 1:37:29ela se divide entre negócio e óscio. Só
- 1:37:32para pensar, a rede etimológica de
- 1:37:34negócio, esse neg é negação, né?
- 1:37:38O negócio é quando você tá negando o
- 1:37:39ócio, né? Então tu tem o ócio e o
- 1:37:41negócio, beleza? Então no teu negócio é
- 1:37:43o teu trabalho, tal, não sei quê. No
- 1:37:45óscio, aí tu vai descobrir quem você é,
- 1:37:46[ __ ] É o tempo que você vai descobrir
- 1:37:49teus gostos mesmo. Quando enquanto você
- 1:37:51não sabe quais são teus gostos ou você
- 1:37:53depois de assistir o que a gente tá
- 1:37:54falando aqui, você começa a desconfiar.
- 1:37:55Será que o que eu gosto é o que tem
- 1:37:57valor?
- 1:37:58Esse é o momento de tu refletir,
- 1:37:59meditar, estudar, trocar ideia,
- 1:38:01conversar com os outros, eventualmente
- 1:38:03começar a praticar religião,
- 1:38:06né?
- 1:38:06>> É igual entrar na academia, [ __ ]
- 1:38:07Entrar na academia é o seguinte, cara,
- 1:38:08no início tu não vai ficar forte, nem
- 1:38:10magro, nem elástico, nem, sei lá, eh,
- 1:38:13com capacidade de cardiopulmonar, não é
- 1:38:15isso? Mas é uma promessa de tu entra na
- 1:38:17academia porque tu visualizou o alvo,
- 1:38:19vou ficar fortão, vou ficar magrinha,
- 1:38:21vou ficar elástico, vou, [ __ ] ter
- 1:38:23capacidade de pulmonar, sei lá, tu tem
- 1:38:25um alvo, por isso entra na academia.
- 1:38:27É hora de você fazer isso com a tua
- 1:38:28vida. Ou seja, qual é o alvo? Onde é que
- 1:38:29eu quero chegar? Aí tu pode descobrir
- 1:38:32>> a primeira pergunta é: onde você quer
- 1:38:34chegar.
- 1:38:35>> Isso. Onde eu quero chegar? Aí tu pode
- 1:38:37descobrir que tu não sabe,
- 1:38:40tu não sabe mesmo onde é que tu quer
- 1:38:41chegar. Assim, o que que de fato tem
- 1:38:43valor para você. É nessas quro horas que
- 1:38:45tu descobre.
- 1:38:48Tu descobre estudando, vou te falar,
- 1:38:49rezando. Ah, mas eu não tenho fé.
- 1:38:51[ __ ]
- 1:38:53Rezar não negócio de quem tem fé. Rezar
- 1:38:55é uma prática tão antiga quanto as
- 1:38:57civilizações todas que todo mundo sempre
- 1:38:59fez até 200 anos atrás e que pararam de
- 1:39:01fazer de 200 anos para cá. Nego tá
- 1:39:03doentão, né? Mais uma dessas porras. Não
- 1:39:05seria sensato praticar religião, mesmo
- 1:39:08que eu não acredito em [ __ ] nenhuma.
- 1:39:09Meio que como alguém que tá na academia,
- 1:39:12sei lá. Todo mundo sempre fez isso. Nego
- 1:39:14era menos doente, menos perdido, menos
- 1:39:16infeliz, seidava menos, tinha menos
- 1:39:18depressão, sei lá.
- 1:39:20Eh, para mim como
- 1:39:22>> se eu não me engano o Pascal falava
- 1:39:23isso, né, de você ir pra igreja mesmo,
- 1:39:25não acreditato porque é sensato.
- 1:39:27>> E tem uma coisa que a maioria das
- 1:39:28religiões fala também, a fé, pessoal,
- 1:39:31ah, não rezo porque eu não tenho fé,
- 1:39:32[ __ ] não me diga. As religiões, o que
- 1:39:34que elas falam é a fé, a esperança e a
- 1:39:36caridade, que são são três frutos.
- 1:39:40Esses são frutos da prática religiosa.
- 1:39:43Ou seja, tu só vai ter fé, esperança e
- 1:39:44caridade se tu praticar. Ou seja, tu não
- 1:39:47tem religião porque tu tem fé. Você não
- 1:39:48pratica deão que você tem fé. Você é
- 1:39:50coisa que nunca ouviu falar sobre essa
- 1:39:51[ __ ] e fica, sei lá, não entendeu a
- 1:39:53dinâmica. A fé, esperança e caridade,
- 1:39:55elas são fruto da prática. E a prática,
- 1:39:57bicho, é só um negócio que você tem que
- 1:39:58fazer. Você não precisa acreditar.
- 1:40:00>> Uhum.
- 1:40:01>> Você faz,
- 1:40:03>> né? Você faz meditação, oração, sei lá
- 1:40:06como é que é. Você faz 10 minutos em
- 1:40:08silêncio, tentando perceber a estrutura
- 1:40:11e material do mundo.
- 1:40:14Em algum momento e se Deus existisse,
- 1:40:16por que que eu falaria com ele?
- 1:40:18Tá, isso é oração, você precisa
- 1:40:20acreditar.
- 1:40:20>> Mas isso é considerado uma oração.
- 1:40:21>> Isso é oração. Isso é oração.
- 1:40:24>> Ponderar sobre tal. Esse
- 1:40:25>> é o início, não é oração perfeita, né?
- 1:40:27Porque a oração perfeita é cara agora de
- 1:40:30praticar talvez você consiga fazer
- 1:40:33render o fruto que é a fé. E a fé vai
- 1:40:36informar, vai te informar, vai te dar
- 1:40:38uma forma também que tu começa a
- 1:40:39conseguir conversar com Deus caso ele
- 1:40:41exista. Você não sabe se ele existe
- 1:40:42ainda, pô.
- 1:40:44Então, oração pá pá pá, né? Aí tu lê lá
- 1:40:47uns textos de religião de vez em quando,
- 1:40:4910 minutos por dia. Deixa eu ver, porque
- 1:40:50vamos lá, vamos supor só ler coisa de
- 1:40:52ciência contemporânea, beleza? Essa é
- 1:40:54parte,
- 1:40:54>> se expor várias ideias, né?
- 1:40:56>> Se expor as ideias, mas com método. Esse
- 1:40:57é o ponto, entendeu? Porque a religião
- 1:40:59igual academia, não adianta, tu vai na
- 1:41:00academia três vezes por ano, não
- 1:41:02adianta, tu não vai ter o resultado
- 1:41:03dela. Não é isso. Tem que todo dia, sei
- 1:41:04lá, cinco vezes por semana. A religião
- 1:41:06fala que é a mesma coisa. Você tem
- 1:41:08práticas diárias. Então assim, tempo que
- 1:41:10tu gasta lendo ciência contemporânea,
- 1:41:12não é ler a Bíblia, não, tá? digo aí os
- 1:41:15nossos amigos protestantes, eu não sei o
- 1:41:16que que eles vão falar disso, tal, não
- 1:41:17sei o quê, mas não é ler a Bíblia não. A
- 1:41:19Bíblia é pegar livro, livro de religião
- 1:41:21mesmo, são os clássicos da
- 1:41:22espiritualidade. E lê aquela [ __ ] por
- 1:41:25que que São Agostinho tá falando sabe
- 1:41:26isso aqui? São máximo confessor, sei lá,
- 1:41:28Thomas Camps, não sei o que tu vai ler
- 1:41:30essa [ __ ] Afonso Maria Ligório, tu liê
- 1:41:31aquela merda lá bem, foi o que eu fiz,
- 1:41:33né? Tempo que eu dedicava ao estudo da
- 1:41:35medicina, o estudo dessas porras
- 1:41:36ciências, será que não é sensato eu, sei
- 1:41:39lá, me expor uma outra parte do real
- 1:41:40também, sei lá, pessoas que estão
- 1:41:42tratando de outra parte do real. Ou
- 1:41:44também toda a história da filosofia, né?
- 1:41:46>> História da filosofia. É isso aí. Nessas
- 1:41:474 horas é de fazer isso para depois de
- 1:41:50um ano, dois anos, hein? Isso não é uma
- 1:41:51coisa rápida também. Tu não ficou bonito
- 1:41:54forte assim, [ __ ] em meio ano tu tá
- 1:41:56cuidando do teu corpo,
- 1:41:57>> tá?
- 1:41:58>> Pô, te elogiei, cara. Aceita aí, né? Mas
- 1:42:02Diego, tu tem que, né? Ter um cuidado,
- 1:42:04né? O ser ban lá, [ __ ] Maluc ficou
- 1:42:06daquele jeito em dois meses, o cara faz
- 1:42:08essa [ __ ] é 20 anos. Mas aí no caso, o
- 1:42:09cara que [ __ ] quer chegar no nível de
- 1:42:13montar uma empresa brutal, gigante e
- 1:42:15fazer, enfim, impactar a humanidade de
- 1:42:18certa forma nesse sentido, né? Ele vai
- 1:42:20ter que um pouco sacrificar essas 4
- 1:42:22horas para focar no negócio dele.
- 1:42:24>> Não, [ __ ] ele não tem 8 horas de
- 1:42:25trabalho já, 4 horas cagando, sacrifica
- 1:42:27as outras, [ __ ] Po, tá dormindo 8
- 1:42:29horas para quê?
- 1:42:31Tira duas horas e sono, entendeu?
- 1:42:35>> Essa daqui você não pode tirar. Ah,
- 1:42:37>> tira uma horinha para cá.
- 1:42:39Tô com 3 horas, meu irmão. Te garant 3
- 1:42:42horas de academia por dia, tu vai ficar
- 1:42:43forte, né? [risadas]
- 1:42:45É
- 1:42:47>> maneiro, cara.
- 1:42:48>> Maneiro.
- 1:42:49>> Velho, pra gente finalizar, eu queria te
- 1:42:50fazer uma pergunta assim,
- 1:42:53eh, que eu acho que define muito do que
- 1:42:56do que que a gente é, né?
- 1:42:58Eh, imagine que você está no hospital
- 1:43:02assim, [ __ ] você tá aqui, você
- 1:43:04desmaiou
- 1:43:05agora assim, velho, você vai pro
- 1:43:07hospital e aí lá você acorda, estava em
- 1:43:11coma, o médico chega assim para você e
- 1:43:13fala: "Velho, tenho ducia boa, uma
- 1:43:16notícia ruim para você". A má notícia
- 1:43:20é que você vai morrer eh daqui um tempo,
- 1:43:24né?
- 1:43:25daqui algum tempo e tal.
- 1:43:28Não, mentira, vou refazer. Ele chega com
- 1:43:30uma má notícia, vai falar: "Porra, você
- 1:43:32vai morrer daqui um tempo, velho. Uma
- 1:43:34uma um mês, duas, dois meses, você vai
- 1:43:36morrer". E é isso,
- 1:43:37>> tá?
- 1:43:37>> E aí, cara, você tá naquela situação
- 1:43:39deprimente, chega seus familiares
- 1:43:41chorando, todos sabem da notícia, tem
- 1:43:43aquela flor assim do lado morta,
- 1:43:46>> aquele cenário de hospital assim, aquela
- 1:43:49sopa do hospital que você tem que ficar
- 1:43:51comendo para ficar sobrevivendo.
- 1:43:53>> E aí, cara? Eh, beleza. Passa um tempo,
- 1:43:56o médico chega para você assim e fala:
- 1:43:58"Cara, eu tenho uma boa e uma má
- 1:43:59notícia".
- 1:44:02Eh, a má notícia é que você vai morrer
- 1:44:04daqui dois dias, velho. E a boa notícia
- 1:44:08é que deu os resultados aqui do exame,
- 1:44:09ó. E você tá curado, velho. Você pode
- 1:44:11sair do hospital, você tá saudável, você
- 1:44:13pode fazer o que você quiser morrer do
- 1:44:16dias e você vai morrer em dois dias,
- 1:44:17cara.
- 1:44:19>> Então, quer dizer, você saiu de uma
- 1:44:20situação que você não tinha esperança
- 1:44:22nenhuma.
- 1:44:22>> Sim. Não tinha nada, você não conseguia
- 1:44:24fazer nada. E aí você agora tem dois
- 1:44:26dias. O que exatamente você faz nessas
- 1:44:2948 horas, cara? Exatamente o que eu tô
- 1:44:31fazendo hoje. Mesma coisa.
- 1:44:35Igual
- 1:44:36fico com meus filhos no café da manhã,
- 1:44:38dou beijo neles, encho eles de beijo,
- 1:44:41olho no olho de cada um, que é
- 1:44:42exatamente o que eu faço hoje. Beijo
- 1:44:44minha esposa, né? fala lá com as meninas
- 1:44:47que trabalham em casa, vem pro trabalho,
- 1:44:49trabalho aqui tudo que eu tenho para
- 1:44:50trabalhar, volto para casa, fico com a
- 1:44:52minha nenenzinha, dou um beijo na minha
- 1:44:54esposa, durmo. Ia fazer isso por dois
- 1:44:55dias.
- 1:44:57Tô te falando, eu posso morrer hoje. Eu
- 1:44:59tô feliz, cara. Minha vida tem sentido.
- 1:45:03Eu já tô vivendo assim, como se eu
- 1:45:04pudesse morrer hoje.
- 1:45:05>> Hum.
- 1:45:10>> Nesse sentido, você não ficaria apenas
- 1:45:12com a sua esposa e com seus filhos.
- 1:45:15>> Bem, talvez. Talvez pode ser, mas acho
- 1:45:18que o pessoal aqui precisa de mim
- 1:45:19também. Não sei. Talvez, talvez ficasse
- 1:45:21com a minha esposa. Talvez f, talvez são
- 1:45:23dois dias, talvez fosse um final de
- 1:45:24semana, pronto. Talvez fosse um sábado e
- 1:45:25um domingo. Pronto.
- 1:45:27>> Pode ser. Talvez eu fizesse o que eu
- 1:45:28faço um sábado, domingo. Tá bom. Pode
- 1:45:30ser. Tô contigo. Tô contigo. Eu
- 1:45:33transformaria esses últimos dois dias no
- 1:45:34sábado, no domingo. Pronto. Iria a
- 1:45:36missa, né? Tá. Várias coisas que eu
- 1:45:37faço.
- 1:45:39>> E pensando hoje, então você vê que você
- 1:45:41tá no caminho certo.
- 1:45:42>> Tomara. Se eu tiver no caminho certo,
- 1:45:44que Deus me mantenha. Se eu não tiver,
- 1:45:46que ele me corrija.
- 1:45:52>> Valeu, Ítolo.
- 1:45:53Obrigado, cara.
- 1:45:54>> Obado. Obrigado pelo papo, velho.
- 1:45:56>> Valeu aí por ter me recebido aí. O
- 1:45:57pessoal todo da produção também.
- 1:45:59Obrigado.
- 1:45:59>> Valeu.
- 1:46:00>> E é isso, cara. Divulga aí sua suas
- 1:46:03redes pessoal nessa câmera aqui.
- 1:46:05>> Divulga boa. Então, olha só, pessoal,
- 1:46:07segue o Kaauê, beleza? Se você não tiver
- 1:46:10inscrito ainda no canal dele, se
- 1:46:11inscreva no canal, ative o sininho para
- 1:46:12receber notificações. É assim que fala,
- 1:46:14não é isso? Valeu, papo bom, valeu
- 1:46:16mesmo. Obrigado.
- 1:46:17>> Fechou, então.
- 1:46:18>> Fechou.
- 1:46:19>> É bom, se você assistiu até aqui,
- 1:46:20considere se inscrever aí no canal. Sua
- 1:46:22inscrição é muito importante para o
- 1:46:24podcast, nos ajuda sempre a trazer
- 1:46:26convidados de cada vez mais alto nível,
- 1:46:29como por exemplo foi o podcast de hoje.
- 1:46:31E parece que 73% das pessoas que
- 1:46:34assistem o podcast não estão inscritas.
- 1:46:36Então se inscreve aí, realmente é muito
- 1:46:38importante, ajuda de coração e agradeço
- 1:46:41a todos aí que assistem os podcasts,
- 1:46:44comentam, é muito importante mesmo.
- 1:46:45Beleza? E até o próximo episódio.
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This page contains the full transcript of Liberdade humana, egoísmo e sentido da vida | Podcast Cauê Santos entrevista Italo Marsili by Italo Marsili, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 22,769 words across 3,358 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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