GRA EDU Alfabetização 1: Aula 12 - Métodos dedutivos em alfabetização — Transcript
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- 1:10>> Olá, boa noite. Estamos começando a
- 1:13nossa penúltima [música]
- 1:14aula do semestre. A gente termina na
- 1:17semana que vem, já falando da AP2. A
- 1:20gente mal acabou de falar da AD2, já tá
- 1:22falando [música] da AP2. Não se fala de
- 1:23outra coisa nesse curso, se não em
- 1:25avaliação. É uma coisa estressante.
- 1:29Ah, meu Deus. Sei pra que tanta
- 1:30avaliação.
- 1:32É, [música] depois vocês me dão um
- 1:33retorno, ver se o o áudio tá chegando
- 1:35direitinho. Ele sai daqui direitinho,
- 1:37mas [música]
- 1:38tem uma coisinha piscando aqui que eu
- 1:40não sei se é do áudio, porque eu não
- 1:42enxergo. Um dia eu vou comprar uns
- 1:44óculos que me permitem enxergar aquela
- 1:46letra minúscula que tá ali.
- 1:48>> [música]
- 1:48>> Mas enfim, deve tá chegando aí sim. Se
- 1:50não, a Sílvia me avisa, ou então a
- 1:51Luciana. Luciana tá doentinha, tá com
- 1:53uma gripe fortíssima. Talvez ela nem
- 1:55esteja aqui conosco [música] hoje por
- 1:57conta desse problema, tá bom? Bem, que
- 1:59que a gente tem para hoje?
- 2:01Ah, eu queria antes de de de começar a
- 2:04aula [música] fazer uma observação muito
- 2:06legal. Ela é tão legal que eu vou trocar
- 2:07de câmera para poder falar de frente com
- 2:09vocês.
- 2:10Ah, eu desliguei a musiquinha, viu?
- 2:12Agora não tem mais.
- 2:13Eh, eu fiz uma avaliação, uma varredura
- 2:15nas notas das APs,
- 2:18que a AP 1, né, que vocês fizeram há
- 2:20algum tempo atrás, e achei os resultados
- 2:23muito muito satisfatórios. Bem um pouco
- 2:26acima da média das outras semestres.
- 2:27Então eu acho que a gente teve um
- 2:29semestre bastante produtivo. Eu
- 2:31introduzi, como vocês viram, a a a
- 2:33possibilidade de consulta nas provas,
- 2:35porque eu acho que esse é um modelo de
- 2:36avaliação que tende
- 2:38a se estabelecer agora mais eh eh
- 2:41ordinariamente por conta das
- 2:42circunstâncias tecnológicas que a gente
- 2:44vive hoje em dia.
- 2:45Não é possível a gente imaginar mais a a
- 2:48algum tipo de prova ou de avaliação que
- 2:50não envolva a a a consulta.
- 2:54Embora a gente precise precisa ainda
- 2:55utilizar algum tipo de recurso que nos
- 2:57iniba para a questão da inteligência
- 3:00artificial. Então vocês podem fazer
- 3:01qualquer tipo de consulta, inclusive na
- 3:03AP 2,
- 3:04desde que não seja através de
- 3:06instrumentos tecnológicos, ou celulares,
- 3:09computadores, etc.
- 3:10Não que isso não seja viável, não seja
- 3:13um bom instrumento de pesquisa. O
- 3:15problema é que algumas pessoas,
- 3:16inadvertidamente, acabariam utilizando a
- 3:20a tecnologia para responderem à prova,
- 3:22né? Enfim, ao invés de usarem o
- 3:24instrumento como fonte de consulta,
- 3:26utilizariam o instrumento para fazer a
- 3:27realizar a prova através da inteligência
- 3:29artificial. Então, enquanto a gente
- 3:31enquanto a gente ainda não tem um
- 3:32mecanismo para inibir esse tipo de
- 3:33sistema, a gente não pode permitir que
- 3:36vocês utilizem a a
- 3:39esses instrumentos tecnológicos, tá bom?
- 3:41Mas tirando isso, vocês podem usar levar
- 3:43os textos, podem usar o que vocês
- 3:44quiserem, tá? Bom,
- 3:46vamos passar para a aula de hoje.
- 3:49Na semana passada eu não pude dar aula
- 3:51porque eu estava fora do país, e estava
- 3:53em trânsito.
- 3:54Estava,
- 3:55enfim, concluindo um projeto de pesquisa
- 3:57que eu estou fazendo desde 2003, 2023.
- 4:02E eu fui lá concluir a última coleta de
- 4:04dados. E aí, eu estava em trânsito entre
- 4:07uma cidade e outra e não consegui dar
- 4:09aula por conta de questões
- 4:11tecnológicas, né? Não tinha internet
- 4:14com banda suficiente para poder dar aula
- 4:16para vocês. Mas eu deixei lá uma aula,
- 4:18a aula da do semestre passado, que
- 4:20versava sobre o mesmo tema e sobre o
- 4:22qual vou dar um pequeno, uma pequena
- 4:24pincelada hoje, só para recordar aquilo
- 4:26que a gente viu na semana passada. E aí
- 4:27entra no tema de hoje, que são os
- 4:29métodos dedutivos. Certo? Vou trocar de
- 4:31câmera de novo.
- 4:33Para a gente ir para essa câmera aqui,
- 4:34que eu fico bem pertinho de vocês,
- 4:38entendeu?
- 4:39Bem,
- 4:39ah,
- 4:41a gente está, neste exato momento,
- 4:43discutindo a questão das metodologias e
- 4:45dos métodos de trabalho na
- 4:47alfabetização.
- 4:49A gente começou discutindo o que que é
- 4:51método e o que que é metodologia. E
- 4:53agora, a gente está objetivamente
- 4:55estudando o quais são esses tipos de
- 4:57métodos.
- 4:59Especificamente, as aplicações dos
- 5:02métodos, vocês vão ver no semestre que
- 5:04vem, com alfabetização dois, com a
- 5:07professora Dina Pinho, que pega isso
- 5:09tudo que a gente viu aqui agora e vai
- 5:10operacionalizar na sala de aula com as
- 5:13práticas de alfabetização correntes.
- 5:15Então, isso vai ter uma pincelada
- 5:16teórica para compreender de onde é que
- 5:18saíram esses métodos. Temos que
- 5:20compreender que os métodos e as
- 5:21metodologias,
- 5:23elas estão associadas a algum tipo de
- 5:25corrente teórica.
- 5:27Por quê? Porque as correntes teóricas
- 5:29são justamente aquelas que apresentam
- 5:30hipóteses sobre como é que a mente
- 5:33humana funciona e como é que as pessoas
- 5:36utilizam essa mente para aprenderem ou
- 5:40para pensarem, etc., etc. Certo? Então,
- 5:43nos métodos da semana passada,
- 5:46a ênfase eram sobre os métodos
- 5:48indutivos.
- 5:51Métodos indutivos, o que é que é? São
- 5:53aqueles métodos que pressupõem
- 5:55metodologias
- 5:57sobre as quais eh reinam teorias de
- 6:00aprendizagem e que creem que as pessoas
- 6:02aprendem de maneira mais
- 6:05ah ah ah confortável, mais eficiente,
- 6:08quando elas conhecem a estrutura das
- 6:11coisas para depois
- 6:14compreenderem como é que as coisas
- 6:16funcionam. É como se a gente, por
- 6:17exemplo, tivesse primeiro um estudo
- 6:19sobre como é que funciona a estrutura
- 6:22dos quebra-cabeças, como é que as peças
- 6:25do quebra-cabeça se organizam, como é
- 6:27que são essas propriedades das peças que
- 6:29a gente pode levar em consideração na
- 6:31hora de de arrumá-las, para poder
- 6:34distribuí-las, né, para poder fazer
- 6:36hipóteses de como é que funcionam isso.
- 6:38E a partir desse conhecimento, você
- 6:40começa, portanto, a montar o
- 6:42quebra-cabeça, as suas partes, dando,
- 6:45portanto, uma utilização àquilo que
- 6:47seriam partes microscópicas, digamos
- 6:50assim.
- 6:51Os métodos indutivos
- 6:53são os métodos mais tradicionais, os
- 6:56métodos mais clássicos, justamente
- 6:59porque eles reproduzem, na prática, o
- 7:03modo de pensar que é mais semelhante ao
- 7:06do sujeito cartesiano.
- 7:09Dentre esses métodos, os que o que hoje
- 7:11mais se usa e que se que é mais falado
- 7:15são os métodos fônicos.
- 7:18Os métodos fônicos, como vocês viram na
- 7:20aula passada,
- 7:21eles têm, a priori,
- 7:23algumas virtudes
- 7:25e algumas desvantagens,
- 7:27certo? Vamos falar primeiro das
- 7:29desvantagens,
- 7:31que é o fato de que a premissa básica
- 7:34dos métodos fônicos é a de que
- 7:37exista
- 7:38equivalência entre a fala e a escrita.
- 7:42Então, eles estimulam sistematicamente,
- 7:45né, as práticas dos métodos fônicos e as
- 7:47pessoas encontrem dentro de si o
- 7:49conhecimento que trazem mentalmente
- 7:52sobre a sua língua falada
- 7:54e a partir desse conhecimento, eles
- 7:57transferem para a escrita.
- 8:00Essa é uma hipótese absolutamente
- 8:02equivocada, a gente já viu, né, porque a
- 8:03gente já viu que as línguas são
- 8:05distintas
- 8:06e a natureza dessas línguas é distinta.
- 8:09O que significa que os métodos fônicos
- 8:11são a priori
- 8:12um equívoco, porque as línguas escritas
- 8:15não tem fones.
- 8:18As línguas escritas tem grafemas e a
- 8:20relação entre os grafemas, as letras e
- 8:23os sons da fala
- 8:25é absolutamente aleatória.
- 8:28Entendeu? Tanto que se você transcrever
- 8:30ipsisliteris a sua fala
- 8:34tal como você a escuta, as pessoas vão
- 8:37escrever completamente diferente daquilo
- 8:39que é próprio da língua escrita.
- 8:41Entendeu? Até porque a gente já viu lá
- 8:43anteriormente, lá no processo de
- 8:45gramatização, que as línguas orais e as
- 8:48línguas as línguas escritas não foram
- 8:51concebidas na nossa sociedade a com a
- 8:55finalidade de reproduzir
- 8:57a fala, mas com a finalidade de dar a
- 9:00forma a fala uma forma gramatizada.
- 9:05O que significa uma forma como a leitura
- 9:10gramatical
- 9:11da fala.
- 9:12Então, isso é algo que a gente tem que
- 9:16levar em consideração.
- 9:17Do ponto de vista do efeito que os
- 9:19métodos fônicos provocam
- 9:22ele é mais complicado ainda.
- 9:24Porque as pessoas que tendem, que se
- 9:27alfabetizam com os métodos fônicos,
- 9:30tendem a ler
- 9:32da mesma forma como o processo induz a
- 9:35escrita.
- 9:37Picadinhos.
- 9:38Entendeu? Então é muito comum você pegar
- 9:40crianças que são capazes de soletrar a
- 9:43palavra,
- 9:44de falar, a a a juntar, p a pá, t a tá,
- 9:48p a tá,
- 9:49e no final você pergunta a ela: "O que
- 9:51que você leu?" Ela não junta.
- 9:54Ela não associa exatamente a forma que
- 9:56ela leu aquilo que ela compreende como
- 10:00significado da palavra. Por quê? Porque
- 10:02os métodos fônicos eles tendem a induzir
- 10:05as pessoas a centrarem-se no objeto da
- 10:08escrita que é a letra, o que eles chamam
- 10:11de fone, enfim, aquela coisa maluca.
- 10:14>> [risadas]
- 10:14>> Enfim, e isso provoca um leitor muito
- 10:17que a gente chama de leitor de de
- 10:18bitates. Ele lê tudo picadinho, tudo
- 10:20pedacinho, pedacinho, pedacinho e no
- 10:22final ele não junta nada.
- 10:25Ah, então vamos pegar os métodos fônicos
- 10:27e jogar todos fora.
- 10:29Não, claro que não, já falei 500 vezes
- 10:32que na alfabetização a gente não joga
- 10:33nada fora. Entendeu? Os métodos fônicos
- 10:36têm a vantagem
- 10:38de induzir,
- 10:40induzir
- 10:42os alfabetizandos
- 10:44a tomarem consciência de que a fala
- 10:47deles
- 10:48é permeada de unidades
- 10:51funcionais.
- 10:53É isso que nós chamamos de fonemas, tá?
- 10:56Essas unidades funcionais elas não ficam
- 10:59claras na cabeça das pessoas enquanto
- 11:02elas efetivamente não se alfabetizam. É
- 11:05é porque eu já tinha falado
- 11:07anteriormente isso, né? Que as pessoas
- 11:09têm formas distintas de perceber a fala.
- 11:12E uma dessas formas não
- 11:15discrimina as unidades individuais das
- 11:17das das da da da cadeia sonora da fala.
- 11:20Elas percebem a fala como uma
- 11:23prosódia, como uma melodia,
- 11:26não certo? E não tão nem aí se tem
- 11:28pedaço, se não tem pedaço, enfim, então.
- 11:31Ora,
- 11:33para uma pessoa que tem uma percepção
- 11:35das da das cutas da fala, que é
- 11:38melódica,
- 11:39perceber a relação entre essa melodia e
- 11:43aquelas unidades estanques que são os
- 11:45grafemas da língua escrita é muito
- 11:47complicado.
- 11:48Então, quando os métodos fônicos induzem
- 11:50a criança a perceber
- 11:52essas singularidades, essas unidades dos
- 11:55sons da fala, ela desperta na criança a
- 11:58ideia de que existe a possibilidade de
- 12:01associar esses sons
- 12:04a grafemas.
- 12:05Mas reparem,
- 12:07ela não descobre a relação entre o som e
- 12:09o grafema, porque a relação entre o som
- 12:11e o grafema é absolutamente
- 12:13aleatória
- 12:15e em muitos casos arbitrária.
- 12:17Entendeu? O que ela tem que perceber
- 12:19naquele momento é o fato de que aquelas
- 12:21letrinhas que são próprias da língua
- 12:23escrita, aqueles grafemas, eles são
- 12:26motivados pelo fato de que a própria
- 12:29fala tem unidades acústicas.
- 12:32E aí você vai, brinca com eles,
- 12:33entendeu? Então, essa é uma vantagem.
- 12:36Então, não jogue os métodos fônicos
- 12:38fora, utilize os métodos fônicos, mas
- 12:41complemente-os.
- 12:43Lembra que eu falei que a gente sempre
- 12:44fazia no no no short? Complemente os
- 12:48métodos fônicos com outras práticas de
- 12:51alfabetização
- 12:52que sejam de outra ordem. E aí
- 12:56superam-se as dificuldades e você atende
- 12:58a todas as crianças. Ok, tá? No caso do
- 13:02dia de hoje, a gente vai tratar de
- 13:04certos métodos que partem de outro tipo
- 13:06de hipótese.
- 13:08Também é uma hipótese do sujeito
- 13:10cartesiano, só que esse sujeito
- 13:12cartesiano, ele pensa de maneira
- 13:14diferente.
- 13:17Como assim?
- 13:18Entendi nada.
- 13:20O sujeito cartesiano dos métodos
- 13:21dedutivos, os da semana passada, é
- 13:24aquele sujeito que trabalha lá no
- 13:26laboratório,
- 13:27entendeu? Ele destrincha tudo o ele tem
- 13:29e ele vai
- 13:30tentar juntar os pedacinhos todos lá
- 13:33para entender como é que as coisas
- 13:35funcionam.
- 13:36Se ele não souber qual é a receita, ele
- 13:39fica enlouquecido, porque primeiro ele
- 13:40tem que descobrir qual é a receita do
- 13:41bolo para depois fazer o bolo.
- 13:44Não adianta dar o bolo na frente dele
- 13:45que ele diz: "Não, pera aí, esse bolo
- 13:46não, quero descobrir qual é o o qual é a
- 13:48receita que está atrás do bolo". Ele
- 13:49quer, portanto, as unidades.
- 13:56No final do século XIX e o início do
- 13:58século XX, olha a história, lá vem a
- 14:00história, como tem aquele programa da
- 14:02o programa da TV da TV Brasil, senta que
- 14:05lá vem história.
- 14:06>> [risadas]
- 14:07>> Eu gosto de puxar assim o casaco aqui
- 14:09porque ele vai subindo, daqui a pouco
- 14:10ele está aqui na minha cabeça. Bom,
- 14:12que que é a tal da história? No século
- 14:14XIX, entre o século XIX e o século XX,
- 14:18havia uma hipótese vigente, sobre a qual
- 14:20a gente já tinha falado anteriormente,
- 14:22que era a hipótese do behaviorismo.
- 14:24Lembra que eu falei de behaviorismo? E
- 14:25behaviorismo é a psicologia
- 14:27comportamental, que tinha por premissa o
- 14:30fato de que o mecanismo por excelência
- 14:32de aprendizagem humana era o mecanismo
- 14:35de imitação.
- 14:37Portanto, todas as práticas de
- 14:39ensino-aprendizagem trabalhavam com o
- 14:41princípio do condicionamento.
- 14:45Certo? Portanto,
- 14:47essa premissa,
- 14:48ela esvazia muito o potencial da se do
- 14:52ser humano enquanto sujeito intelectual
- 14:55e cognoscente. Afinal de contas, o ser
- 14:57humano, ele
- 14:59se esbanja de dizer que é o único ser
- 15:03racional da Terra. Então, como é que
- 15:04esse ser racional
- 15:06vai se estabelecer a partir de um
- 15:08mecanismo único de imitação?
- 15:11Então,
- 15:12na Europa,
- 15:14não nos Estados Unidos, mas na Europa,
- 15:17entendeu?
- 15:18Vários intelectuais das humanidades se
- 15:22interpuseram contra essa hipótese.
- 15:26Certo? E alguns deles
- 15:28que viviam mais na Europa
- 15:30ocidental,
- 15:32ou seja, particularmente entre a Suíça,
- 15:35a França e a Alemanha, certo?
- 15:38Eles
- 15:39passaram a investigar a possibilidade de
- 15:43comprovar
- 15:45que os seres humanos tinham dentro deles
- 15:48algum tipo de mecanismo que ainda não
- 15:52havia sido descoberto,
- 15:53mas que lhes permitia
- 15:55ter condições de sozinhos
- 15:58por conta própria e sem nenhum tipo de
- 16:01condicionamento ou de de estímulo
- 16:03externo, eles seriam capazes de
- 16:06desenvolver algum tipo de estratégia, ou
- 16:08seja, de conhecimento para dar conta
- 16:11de um determinado tipo de problema.
- 16:15Criou-se, portanto, um laboratório,
- 16:18certo? Um laboratório mesmo, entendeu?
- 16:20De investigações
- 16:22sobre essa virtude que havia dentro da
- 16:25cabeça da da das pessoas que permitiam
- 16:28fazer isso. Esses eram chamados
- 16:30laboratórios da inteligência, os
- 16:33laboratórios da aprendizagem, que se
- 16:35estabeleceram na Europa.
- 16:38Certo? Muita gente se formou nesses
- 16:41laboratórios, como o Piaget, como aqui
- 16:44no no no aqui mais
- 16:46na nossa conhecida aqui no Rio de
- 16:47Janeiro, a Helena Antipoff, vários,
- 16:49vários, tá? E os bam bam bans eram
- 16:53justamente os Binet e Simon, que eram
- 16:55aqueles que
- 16:56digamos assim, deram o nome aos
- 16:58laboratórios. Que que esses laboratórios
- 17:01descobriram?
- 17:02Descobriram que se você dá para uma
- 17:04pessoa
- 17:06uma atividade,
- 17:08entendeu? Um desafio,
- 17:10um quebra-cabeça. Olha só, eu vou te dar
- 17:12um quebra-cabeça diferente, entendeu?
- 17:15Mas eu não vou te dar dica nenhuma.
- 17:17Eu só vou te dar uma dica. Esse
- 17:19quebra-cabeça vai formar no final a
- 17:23imagem de um animal.
- 17:26Agora se vira.
- 17:27E aí eles começaram a observar como é
- 17:29que como é que as pessoas faziam.
- 17:31E reparem bem, eu não dei dica nenhuma
- 17:33de como é que aquilo funcionava.
- 17:35Ainda falei que era um quebra-cabeça
- 17:37diferente, portanto, as regras e os
- 17:39princípios que eles utilizavam
- 17:41anteriormente para dar conta dos
- 17:43quebra-cabeças, possivelmente não
- 17:44funcionavam aqui.
- 17:46Então,
- 17:47pela hipótese do behaviorismo,
- 17:50da teoria anterior, eles não seriam
- 17:52capazes de resolver porque eu não havia
- 17:55lhes dado nenhum tipo de instrução
- 18:00metodológica,
- 18:01certo? Para que eles pudessem resolver
- 18:03aquilo, mas não, larguei eles lá.
- 18:05Vai, vai, vai, vai.
- 18:08E eles observaram que
- 18:12às vezes um pouco mais lentos, às vezes
- 18:14um pouco mais rápidos, mas todos,
- 18:17todos conseguiam estabelecer algum tipo
- 18:20de conhecimento na sua cabeça
- 18:22que desse a eles a oportunidade de
- 18:24montar o quebra-cabeça
- 18:26sem que ninguém ensinasse.
- 18:28Então,
- 18:28esse tipo de experimento, somado a
- 18:31vários outros, naturalmente, prova
- 18:34por A mais B
- 18:35que as pessoas, por conta própria, são
- 18:38capazes de
- 18:39estabelecer algum tipo de conhecimento
- 18:42para dar conta de uma demanda externa.
- 18:45Certo?
- 18:47Mas o que vai ser mais interessante
- 18:51é o efeito disso.
- 18:53Porque veja bem, eles continuavam sem
- 18:55saber onde é que esse conhecimento tava.
- 18:57Eles sabiam que tava na nossa cabeça, no
- 19:00nosso corpo.
- 19:02Entendeu? Mas eles não sabiam exatamente
- 19:04onde onde é onde é que está.
- 19:08Entendeu?
- 19:11Acontece que o nosso corpo tende a dar
- 19:15uma resposta
- 19:19química na hora que a gente faz a
- 19:22descoberta.
- 19:24Na hora que você está lá, você fica "Meu
- 19:26Deus do céu,
- 19:28consegui!" Aquilo tem uma descarga de
- 19:31adrenalina, né? E aquilo provoca um
- 19:33prazer
- 19:36em você.
- 19:37Esse prazer, essa reação tão física
- 19:42foi a prova que eles buscavam
- 19:45de que
- 19:46há alguma coisa no meu corpo
- 19:50que pertence à minha biologia,
- 19:53à minha estrutura biológica, entendeu?
- 19:56Que me proporciona
- 19:58a possibilidade de
- 20:00estabelecer o o conhecimento. Entendeu?
- 20:03Isso foi revolucionário, gente? Foi. Pra
- 20:05gente hoje isso é uma coisa tão
- 20:06inessível, mas é óbvio, né? Essa coisa é
- 20:09a minha mente, né, que funciona, mas
- 20:12eles não tinham esse conceito no início
- 20:14do século XX.
- 20:15Só havia duas hipóteses.
- 20:17Ou você acreditava na hipótese
- 20:19fundamental, né, que era aquela de que
- 20:21você pensava a partir da vinculação
- 20:23essencial com Deus, a partir do espírito
- 20:26de Deus, ou você pensava na ausência
- 20:29desse espírito,
- 20:31entendeu? No esvaziamento desse
- 20:33conceito, você [roncando]
- 20:34pensava no behaviorismo. Não tinha outra
- 20:36alternativa. Mas eles apresentaram
- 20:39então a prova.
- 20:41Certo?
- 20:42Olha só.
- 20:44Isso, que até então era chamado de
- 20:46espírito,
- 20:48do ponto de vista da fé religiosa, pode
- 20:52ser explicado biologicamente,
- 20:55fisiologicamente.
- 20:58E é justamente isto que eu consigo
- 21:00perceber a partir da observação do
- 21:03comportamento das pessoas ao desenvolver
- 21:06experiências de aprendizagem.
- 21:09E daí, o que é que isso tem a ver com a
- 21:12alfabetização?
- 21:14Muito simples, entendeu?
- 21:15>> [limpando a garganta]
- 21:16>> Essa essa essa essa descoberta
- 21:20dos laboratórios de inteligência,
- 21:22elas proporcionaram uma revolução
- 21:25no conceito de ensino-aprendizagem
- 21:27escolar.
- 21:29Que até então
- 21:30a expectativa de ensino-aprendizagem era
- 21:32centrada na relação do professor, o
- 21:35ensinante,
- 21:36e o aluno respondente, aquele que
- 21:39aprendia o que o professor ensinava.
- 21:42Certo? Não havia nenhuma um nenhum
- 21:44protagonismo do aluno,
- 21:47ele próprio agindo como seu agente de
- 21:51ensino.
- 21:52Ele dependia de um agente terceiro.
- 21:55É por isso que a escola facilmente
- 21:57incorporou o behaviorismo, porque o
- 21:59behaviorismo tem o professor justamente
- 22:02como aquele gestor dos processos de
- 22:05condicionamento ou de de de
- 22:08de instrução.
- 22:10Na perspectiva que se dá agora,
- 22:12>> [roncando]
- 22:12>> se permitia pensar num modelo de
- 22:15educação escolar em que o aluno fosse
- 22:18protagonista. O aluno ele próprio fosse
- 22:22o ator
- 22:23das descobertas e das aprendizagens
- 22:27a partir de experiências
- 22:30de ensino.
- 22:32Certo?
- 22:33E
- 22:35como que isso pode agir? Né? Porque você
- 22:38imagina, estamos no início do século XX.
- 22:42Mais de 100 anos atrás.
- 22:44Entendeu? Como é que as pessoas vão
- 22:45acreditar nisso?
- 22:47Porque as pessoas vão
- 22:49E eles provavam, não
- 22:50não o meu corpo
- 22:53tem esse potencial.
- 22:55Certo?
- 22:56Se [roncando] eu estimular
- 22:59os mecanismos que o meu corpo tem
- 23:02de se interagir e se aperceber e se
- 23:06apropriar das experiências de
- 23:07aprendizagem,
- 23:09pode confiar que ele vai conseguir capaz
- 23:12de desenvolver o conhecimento.
- 23:15Isso vai, portanto, desenvolver
- 23:17naquilo que é chamado da teoria da
- 23:19Gestalt, que é a Gestalt, é esse orgasmo
- 23:23que
- 23:24descobri, [limpando a garganta]
- 23:26entendeu? Essa essa sensação deu o nome
- 23:29de uma teoria de aprendizagem que viria
- 23:32se contrapor ao behaviorismo, chamada
- 23:35teoria da da Gestalt. A Gestalt tem por
- 23:37base, aplicada à educação escolar, o
- 23:41princípio de que
- 23:43cabe ao agente
- 23:46escolar, ou seja, o professor,
- 23:48fundamentalmente,
- 23:49o papel de estimular o desenvolvimento
- 23:53do potencial
- 23:55perceptivo das pessoas.
- 23:58É como se eles imaginassem que a a os
- 24:00meus os meus sentidos, a visão, o tato,
- 24:04a audição,
- 24:06enfim, todos os os sentidos,
- 24:08fossem aquelas coisas que me permitissem
- 24:10como se fossem esponjas
- 24:12que me permitissem
- 24:15absorver as propriedades do mundo.
- 24:19Isso vai, portanto, fundar uma era
- 24:21em que
- 24:23você teria, dentro da escola, todo um
- 24:26movimento de estimulação
- 24:29sensório-motora.
- 24:32Entendeu? Uma estimulação a partir da
- 24:34música, a partir das da da da educação
- 24:38física, do corpo, da percepção da da
- 24:41estimulação das da percepção visual,
- 24:44enfim, todas essas coisas que levariam o
- 24:46ser humano a se desenvolver como uma
- 24:48esponja
- 24:50capaz de perceber tudo à sua volta e, a
- 24:53partir daí, ter essa compreensão.
- 24:58Tem que ter fé.
- 25:00Mas por que é que tem que ter fé? Porque
- 25:01você tem que acreditar
- 25:03que mesmo
- 25:04que quando você pro
- 25:06promove esse desenvolvimento sensório
- 25:09motor das pessoas, elas vão efetivamente
- 25:12ser capazes de construir e chegar ao
- 25:15conhecimento que a escola deseja ou que
- 25:18você deseja a partir da interação.
- 25:23Já viram onde é que ele vai chegar?
- 25:25Vamos pegar esse princípio,
- 25:28levar para a escola
- 25:31e particularmente dentro da escola,
- 25:34vamos colocar dentro da prática de
- 25:37alfabetização.
- 25:39Como será que a alfabetização teria
- 25:41absorvido essas teorias da da psicologia
- 25:45da Gestalt
- 25:46dentro das da da da no seu cotidiano?
- 25:51Muito simples.
- 25:53Essa essa teoria estimulou
- 25:57dentro da psicologia da aprendizagem
- 26:00a ideia de que é possível
- 26:04provocar
- 26:06o desenvolvimento de determinado tipo de
- 26:08conhecimento não a partir
- 26:11dos detalhes,
- 26:13não a partir das das pequenas
- 26:15estruturas, mas a partir do todo.
- 26:19Dá o quebra-cabeça na mão da criança
- 26:21e pergunta a ela para ela o contrário.
- 26:23Como é que esse quebra-cabeça foi feito?
- 26:28Você tá vendo o quebra-cabeça aí? Eu
- 26:29quero que você me diga como é que eu
- 26:30faço este quebra-cabeça.
- 26:34Olha como a pergunta é inversa. Eu antes
- 26:36dei tudo desmontado para que ele tivesse
- 26:38que analisar as partes, para depois
- 26:40chegar ao quebra-cabeça. Agora dei ao
- 26:42contrário.
- 26:43Eu falei para ele o seguinte:
- 26:45Olha, eu quero que você amanhã
- 26:49me faça
- 26:51um quebra-cabeça
- 26:53pra a brincar.
- 26:54Você é que vai fazer o quebra-cabeça.
- 26:57Entendeu?
- 26:58Ele vai falar: "Ah, mas eu não sei fazer
- 26:59quebra-cabeça". Ó, tem esse aqui.
- 27:01Tá montadinho.
- 27:03Descobre como é que o cara fez e aí
- 27:05amanhã a gente faz.
- 27:07E ele vai. Aí ele vai mexer, ele vai
- 27:09fazer, ele vai fazer
- 27:10O que que ele tá fazendo, portanto? Ao
- 27:12invés de ele partir das peças, ele tá
- 27:14partindo do quebra-cabeça pronto
- 27:18para se descobrir como ele funciona.
- 27:21Porque se ele descobrir
- 27:23como se fez aquele quebra-cabeça, ele
- 27:25faz qualquer outro.
- 27:27Entendeu? Porque ele vai usar o
- 27:28conhecimento para desenvolver o outro.
- 27:31Imagina, então, se ao invés de eu
- 27:33colocar o quebra-cabeça, eu colocar
- 27:36a língua escrita. Hum?
- 27:38Mas como?
- 27:39Pelas paredes, vou colocar as palavras
- 27:43nas paredes, eu vou colocar a língua
- 27:45escrita, encher a minha sala de aula de
- 27:47livros, eu vou encher
- 27:50tudo o que você possa colocar lá aqui
- 27:52dentro, vou botar.
- 27:53Entendeu?
- 27:55As práticas mais tradicionais
- 27:58faziam e ainda fazem da seguinte
- 28:00maneira:
- 28:01pega
- 28:02a palavra
- 28:05Entendeu? Conta uma história, pega a
- 28:06palavra, bota lá e circula a palavra
- 28:11com letra vermelha, com com caneta
- 28:14vermelha, esse bonito. Aí faz aquela
- 28:16coisa, todo mundo lembra disso da sua
- 28:18alfabetização. Fica lá aquela palavra
- 28:20bonita, destacada na sua forma. E aquilo
- 28:23que se destaca na forma
- 28:26é um preceito
- 28:28da psicologia da Gestalt, que diz assim:
- 28:31"Destaque a forma
- 28:34pros olhinhos da criança, do
- 28:37alfabetizando, perceberem
- 28:40os detalhes
- 28:43dos grafemas".
- 28:44E a sala fica entupida de fo de de de de
- 28:48de palavras. Então, para qualquer lugar
- 28:50que a criança ouça, ela
- 28:52ouça não, veja, ela está olhando a a a
- 28:54palavra. Então, essa
- 28:57esse é o princípio dos métodos
- 28:59dedutivos.
- 29:02Também chamado métodos por palavração.
- 29:05Ah,
- 29:06por que por palavração? Porque você
- 29:08parte da percepção da fala
- 29:12e incentiva o aluno a perceber o que que
- 29:16ela tem de comum.
- 29:19Entendeu? Uma das práticas mais
- 29:21interessantes dos métodos por palavração
- 29:26é uma que fala o seguinte: "Olha, hoje é
- 29:30faz de conta que é o dia da
- 29:33semana [limpando a garganta] o dia da
- 29:34árvore".
- 29:35E aí é a semana da árvore,
- 29:39entendeu?
- 29:40Aí você pega da árvore, arranca uma
- 29:42folha da árvore e fala assim: "Olha,
- 29:45isto aqui".
- 29:47Aí você conta a história da folha,
- 29:48aquilo rende horrores e aí você escreve
- 29:50a palavra folha.
- 29:53Entendeu? Nossa, mas folha tem uma
- 29:55dificuldade, não não não não tem essa
- 29:57coisa não não não não não.
- 29:59Não nos métodos por palavração não tem
- 30:01essa coisa de dificuldades não. É folha,
- 30:02é folha. Folha, tá lá,
- 30:05Aí você vai pedir a essa criança e falar
- 30:07assim: "Olha só,
- 30:09eu vou dar um prêmio
- 30:13para o primeiro que encontrar uma
- 30:15palavra que está aqui em volta da sala,
- 30:18entendeu? Que comece com o mesmo pedaço
- 30:22dessa palavra folha". E aí você está
- 30:24incentivando a criança a perceber as
- 30:27unidades
- 30:29da palavra, entendeu? E você jura de pé
- 30:31junto que ele leu a folha
- 30:35os pedacinhos, entendeu?
- 30:39Rodam rodam rodam rodam rodam rodam
- 30:43temos
- 30:44vários vão lá, "Que lindo, cheio, que
- 30:47legal". E o outro fica assim, "Tô
- 30:50sonhando". Eu vou dizer para vocês,
- 30:52estava na sua cara, você não estava
- 30:53vendo. Hum, hum, hum, hum, hum, não
- 30:56estou vendo.
- 30:58Tem um desenho da televisão, não sei se
- 31:00vocês já viram, do Johnny Bravo,
- 31:04>> [risadas]
- 31:06>> que pede para o Johnny Bravo encontrar
- 31:08na sala onde é que está o monstro
- 31:12que está, tem um monstro na sala,
- 31:13entendeu? E ele tem que procurar o
- 31:15monstro. E ele procura, procura, procura
- 31:17e o monstro está na cara dele. E ele
- 31:18levanta a cadeira do monstro e
- 31:21"Onde é que está o monstro?" Lá e o
- 31:22monstro "Ah".
- 31:23>> [risadas]
- 31:26>> É por quê? Porque [roncando] ele não,
- 31:28ele não está acostumado a olhar as
- 31:30unidades da sala e olhar a sala como um
- 31:33todo.
- 31:35Se ela tivesse feito a pergunta
- 31:37diferente,
- 31:39ia funcionar.
- 31:40Ela falasse para ele assim, ao invés de
- 31:42ela pedir para ele pegar o pedacinho da
- 31:44palavra folha,
- 31:46ela buscasse a palavra. Eu quero que
- 31:48você me ache essa palavra aqui.
- 31:52Essa criança que não achou o pedacinho
- 31:54da folha
- 31:56no fogão,
- 31:57entendeu? Ele vai achar a folha em um
- 31:59segundo. "Ah, aqui".
- 32:01Aí você fala, "Ah, espera aí".
- 32:04Como é que essa mulher que é capaz de
- 32:05achar a folha inteira, mas ele não é
- 32:07capaz de associar o fo da folha com o fo
- 32:10do fogão? Não entendi essa. Por quê?
- 32:14Ele não vê a folha
- 32:18nas suas unidades. Ele vê a folha como
- 32:21um bloco.
- 32:24Entendeu?
- 32:25>> [roncando]
- 32:26>> E aí, obviamente,
- 32:29não vai dar certo a alfabetização dessa
- 32:32maneira que a professora está pensando.
- 32:34Entendeu por quê? Porque ele não vê
- 32:37as a a a a escrita do mesmo modo como a
- 32:41professora gostaria que ele visse.
- 32:44Ele vê a forma, ele vê a escrita como um
- 32:47outro modo de pensar o mundo, outro modo
- 32:51narrativo.
- 32:54Este moleque
- 32:56vai ser um leitor excelente.
- 33:00Entendeu? Porque a gente não lê. Depois
- 33:02que você tá craque na leitura, você não
- 33:04lê palavrinha por palavrinha, você lê
- 33:08só no contorno do que tá por cima, você
- 33:10já leu todinho, entendeu? Você
- 33:13lê o contexto
- 33:15gráfico, não vê palavrinha e ou letrinha
- 33:18por letrinha. Ele faz isso em um
- 33:20segundão.
- 33:24Não escreve uma palavra.
- 33:27Como assim?
- 33:29Como é que pode ele ler e não escrever?
- 33:31Porque são habilidades diferentes.
- 33:34Ah!
- 33:35A leitura
- 33:37é uma habilidade mental
- 33:40diferente
- 33:42da habilidade da escrita. São duas
- 33:45coisas completamente diferentes. É por
- 33:47isso que na UERJ, no curso presencial,
- 33:49existe uma disciplina chamada formação
- 33:50de leitores e escritores.
- 33:54Entendeu?
- 33:55São formações distintas.
- 33:58Então, vamos juntar essas duas coisas.
- 34:02Imagine se você tem na sua prática de
- 34:05alfabetização uma conduta
- 34:10de método dedutivo.
- 34:12Portanto, você gosta da palavração.
- 34:16Entendeu? Ah, eu gosto, acho
- 34:19acho lúdico, entendeu? Porque aí eu
- 34:20posso fazer um contar uma história
- 34:22danada, eu faço, gosto de ficar
- 34:24colocando as coisas assim,
- 34:26fica legal.
- 34:28Você já sabe que você não Não chegar a
- 34:31todas as crianças.
- 34:32Entendeu? E sabe que se você não tomar
- 34:37algum tipo de providência, também não
- 34:39vai funcionar não, porque
- 34:41vou falar disso daqui a pouco. Mas e se
- 34:43eu pegar
- 34:44e falar: "Bom,
- 34:46apesar do adorar
- 34:49esse método por palavração,
- 34:51eu acho que eu caí".
- 34:55Não, voltei.
- 34:57Eu, hein, fica me assustando esse
- 34:58negócio.
- 35:00Ah, que horror.
- 35:03Estresse.
- 35:03>> [roncando]
- 35:03>> Vamos juntar as coisas aqui. Vamos pegar
- 35:05esse método da palavração
- 35:08e juntar com o
- 35:10dedutivo,
- 35:12com o indutivo, entendeu? Se eu juntar a
- 35:14palavração com o fônico,
- 35:16olha como é que vai ficar legal.
- 35:19Entendeu? Porque ao mesmo tempo que eu
- 35:21levo o sujeito a perceber a
- 35:23funcionalidade da escrita na construção
- 35:25da palavra
- 35:26inteira, entendeu?
- 35:28Eu também mostro para ele que essa
- 35:30palavra inteira tem um monte de
- 35:32pedacinho, entendeu? Aí você vai lá e
- 35:34pega, ó, pega.
- 35:35Olha, olha a letrinha, o tal do fonema
- 35:39que tem aqui associado. Aí você junta os
- 35:42dois.
- 35:44Isto vai funcionar.
- 35:48Entendeu? Porque você vai, além de
- 35:51atender às duas formas de pensar, a
- 35:55dedutiva e a indutiva, você também
- 35:58atende a dois modos distintos de pensar
- 36:01o mundo.
- 36:04Tá?
- 36:06Na próxima aula,
- 36:08a gente vai encerrar,
- 36:10entendeu?
- 36:11E começar a trazer todos os problemas.
- 36:14Ah, porque veja bem,
- 36:17essa história de método dedutivo e
- 36:20método indutivo
- 36:22já está rolando a longa data.
- 36:26Entendeu? Desde o início do século
- 36:28passado que o povo já faz isso. Então,
- 36:31tem mistério nenhum.
- 36:32Não tem mistério nisso.
- 36:36E ainda assim,
- 36:38a gente tem aqui no Brasil, em média, em
- 36:40média, agora caiu um pouquinho, a gente
- 36:43tem em média 30% de crianças em processo
- 36:46de alfabetização
- 36:48que não são
- 36:50bem sucedidas no período da
- 36:53alfabetização.
- 36:55Desses 30%, a gente vai encontrar uns
- 36:5920%, 25, 20, 20, 25% que conseguem
- 37:03chegar a bom termo na alfabetização
- 37:06quando você dá mais tempo para eles, o
- 37:08que é absolutamente normal, entendeu?
- 37:10Porque são justamente aquelas crianças
- 37:13que têm modos de pensar muito diferentes
- 37:16do modo como se pensou a escrita. Então
- 37:18elas dependem um pouco mais de tempo,
- 37:20não porque são burras.
- 37:22Não, entendeu? Porque elas precisam de
- 37:24mais tempo para aprenderem a pensar
- 37:27cartesiana mente e depois aprenderem a
- 37:29pensar cartesiana mente a escrita.
- 37:32Entendeu?
- 37:33Esse custo não é delas, esse custo é de
- 37:35uma sociedade que globalmente
- 37:39não cumpre o seu papel de cooperar com a
- 37:42formação das pessoas dando a elas também
- 37:44experiências cartesianas de mundo.
- 37:46Então, esse departamento.
- 37:48>> [roncando]
- 37:48>> Mas
- 37:50ainda assim, sobram cinco, entre cinco e
- 37:5310% de crianças
- 37:55que não se alfabetizam
- 37:59mesmo a longo prazo.
- 38:02Ou se alfabetizam de forma
- 38:04tão rudimentar,
- 38:05tão rudimentar que não se pode
- 38:07considerá-las plenamente alfabetizadas.
- 38:12Mas como?
- 38:13A gente não tem os métodos mais
- 38:15maravilhosos.
- 38:17A gente já não tem as teorias mais
- 38:19maravilhosas.
- 38:20Não, não tem. A gente tem os métodos e
- 38:23as teorias que sempre estiveram
- 38:25embasadas nos princípios de
- 38:27funcionamento do homem ocidental,
- 38:30cartesiano.
- 38:33Tudo que nós fazemos em alfabetização,
- 38:35concretamente, assim, isso que é formal
- 38:38na, nos métodos que a gente utiliza, é
- 38:41embasado em uma forma de pensar que é
- 38:43única
- 38:45e que é voltada a um tipo de sujeito
- 38:47social, intelectual,
- 38:50que não é universal.
- 38:53E é justamente por isso que quanto mais
- 38:57>> [roncando]
- 38:57>> fora desse, desse núcleo cultural
- 39:00cartesiano, você estiver, maior
- 39:04o seu custo de alfabetização.
- 39:06De forma que quando você tá muito
- 39:09afastado desse núcleo e você não tem
- 39:11nenhuma expectativa de interação com
- 39:14ele, a sua possibilidade de não se
- 39:16alfabetizar é imensa.
- 39:23Não é impossível.
- 39:26É imensa, mas vai.
- 39:29O problema é o custo.
- 39:32O custo.
- 39:34Ah, meu Deus.
- 39:37Nem todo mundo tá afim de bancar esse
- 39:39custo, não.
- 39:41Não nós, que a gente é obrigado a
- 39:42alfabetizar até o final, mas eu tô
- 39:44falando que nem todas as pessoas que
- 39:45estão nessa situação
- 39:48toleram isso.
- 39:49E são justamente essas que
- 39:51evadem.
- 39:53Ou evadem formalmente, porque eles saem
- 39:56da escola,
- 39:57o que no Brasil é muito mais raro, né,
- 39:59porque todas as crianças e adolescentes
- 40:01tendem a permanecer na escola por um
- 40:03longo período. A evasão vai se dar mais
- 40:05ao final do ensino, do ensino
- 40:07fundamental, a partir do, do, do oitavo
- 40:09e do nono anos.
- 40:11Mas
- 40:13mesmo quando não evade formalmente,
- 40:15evade informalmente.
- 40:18Ou seja, é aquela criança que está em
- 40:19sala,
- 40:21mas ela não está na condição de aluno.
- 40:24Ela tá ali.
- 40:26Entendeu?
- 40:27E aprender ou não aprender aquela
- 40:29escrita não lhe dá
- 40:32a menor importância.
- 40:35Entendeu? Essa é a pior evasão.
- 40:38Entendeu? Porque o sujeito que evade vai
- 40:40embora, ele te dá o sinal de que você
- 40:42tem que ir lá atrás dele, buscá-lo de
- 40:43volta. Essa criança que não te dá o
- 40:45sinal, que permanece em sala e que tá
- 40:48ali alienada, entendeu? Tá tá porque tem
- 40:50que ir, entendeu?
- 40:52Porque é melhor tá ali do que em casa.
- 40:54Esse
- 40:56é o pior.
- 40:57Porque a gente tende a colocá-lo na
- 40:59condição de de deficiente.
- 41:04Do sujeito do déficit de aprendizagem.
- 41:07Entendeu? E vai empurrando com a
- 41:10barriga. Esse é 100% o candidato à
- 41:12evasão a partir do sétimo período,
- 41:14sétimo ano do ensino fundamental. O que
- 41:16ele tá fazendo ali?
- 41:17Assim que ele consegue
- 41:19se perceber capaz de sobreviver sem a
- 41:22escola, ele vai embora.
- 41:24Esse custo
- 41:25é sempre nosso.
- 41:27Na próxima aula, a gente vai trazer este
- 41:29indivíduo.
- 41:31Esse sujeito.
- 41:33Porque é esse que nos torna professor
- 41:35mesmo.
- 41:36Entendeu? Essa a a a a
- 41:39o aluno que aprende normalmente, que é o
- 41:41nosso sonho de desejo, né? Meu Deus dos
- 41:44dois dos desejos dos sonhos a gente ter
- 41:46um aluno assim.
- 41:48Ele é ótimo, mas ele não nos desafia.
- 41:51O aluno que efetivamente nos torna
- 41:53professores mesmo é esse que a gente
- 41:55puxa
- 41:58e é capaz
- 41:59de formar.
- 42:01Vamos falar dele na próxima semana.
- 42:02Certo? Bom, gente, vou parando por aqui
- 42:05hoje.
- 42:06Lembrando que a gente só tem mais uma
- 42:07aula, tá? E a gente tem a na aula que
- 42:11vem, a gente vai fechar essa disciplina
- 42:14com essa discussão que eu tô trazendo
- 42:15agora, porque ela nos traz desde da
- 42:18primeira aula até hoje, tudo o que eu tô
- 42:20falando, a
- 42:21desde lá até aqui, é para chegar a esse
- 42:25aluno. Entendeu? Para a gente poder
- 42:27discutir um pouco como é que ele vai
- 42:28ser. Certo? Deixa eu ver se tem alguma
- 42:30pergunta aqui, alguma coisa. Eu tô com
- 42:31esses óculos, era para enxergar com
- 42:33esses. Reparem que eu eu ele é
- 42:34diferente, mas eu não enxergo nada com
- 42:36ele.
- 42:46É, olha só, algumas pessoas, eu vou eu
- 42:48vou falar, algumas pessoas tão se
- 42:50queixando porque eu não avisei que seria
- 42:52a prova com consulta, que haveria
- 42:54possibilidade com consulta. Há uma
- 42:56diferença entre prova com consulta
- 43:00e uma prova que pode ter consulta. Uma
- 43:03prova com consulta, ela obviamente tem
- 43:05que ter consulta. Então, eu deveria
- 43:07efetivamente ter avisado a vocês. A
- 43:09prova que pode ter consulta, ela não
- 43:11precisa necessariamente ter consulta.
- 43:15Ela pode ser feita sem consulta. Ela foi
- 43:17pensada
- 43:18para ser feita sem consulta. Qualquer um
- 43:20que tenha assistido às nossas aulas
- 43:22aqui,
- 43:23entendeu?
- 43:24Tudo que tá naquelas provas, a gente
- 43:26discute aqui nas nossas aulas, aqui na
- 43:28presencialmente. Os nossos textos, eles
- 43:31complementam as aulas, tá? Mas eles têm
- 43:33por finalidade, justamente, é consolidar
- 43:36conceitos, mas o que a gente fala até
- 43:37aqui dentro. O que significa que mesmo
- 43:40aqueles que não levaram material,
- 43:42poderiam ter feito a prova normalmente,
- 43:44tá? Agora, eu fui muito sensível a isso
- 43:48quando eu fiz o levantamento das notas.
- 43:51Eu observei que as pessoas que ficaram
- 43:53com uma nota inferior a cinco, não
- 43:55chegaram nem a 10%.
- 43:58O que significa que todo mundo, mesmo
- 44:00fazendo a consulta ou não fazendo a
- 44:02consulta, vai ter plena condição de lá
- 44:04no final re recuperar a nota antes da
- 44:08AP3, muito antes da AP3, para justamente
- 44:11fazendo as, as atividades de
- 44:13recuperação. Eu falei delas no início do
- 44:14ano, lembra que eu falei? Então, todo o
- 44:16final a gente tem umas atividades de
- 44:18reavaliação que podem conceder até
- 44:20quatro pontos para vocês na média.
- 44:22Pontos que podem entrar nas APs que
- 44:24valem mais, né? As APs têm um peso
- 44:26maior. Então, tá tudo coberto. Pode
- 44:29ficar tranquilo que ninguém, ninguém vai
- 44:31sair prejudicado daqui não. Certo?
- 44:34Fiquem com Deus. Beijo para vocês. Até
- 44:37semana que vem. Eu já estou com saudade
- 44:39de, de antemão, né? Porque a gente vai
- 44:41acabar lá. Eu estou tentando ligar aqui
- 44:44e o mouse dormiu de novo. Achei. Um
- 44:47beijo para vocês. Tchau, tchau. Até
- 44:48logo.
- 44:49Não, entrei na sala errada. Ah, entrei
- 44:51na sala errada de novo.
- 44:58>> [música]
- 45:30[música]
- 45:45[música]
- 45:52[música]
- 45:58[música]
- 46:10[música]
- 46:16[música]
- 46:21[música]
- 46:22>> É.
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This page contains the full transcript of GRA EDU Alfabetização 1: Aula 12 - Métodos dedutivos em alfabetização by Luiz Antonio Gomes Senna, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 5,968 words across 1,146 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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