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Esse é o Cérebro de Pessoas Com Altas Habilidades — Transcript

by Jean Alessandro · 4,776 words · 784 segments · language pt · Watch on YouTube

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  1. 0:00Em 1955, poucas horas depois da morte de
  2. 0:03Albert Einstein, [música] o patologista
  3. 0:05Thomas Harvey retirou o seu cérebro
  4. 0:08durante a autópsia, sem autorização da
  5. 0:10família, que veio só depois. Harvey
  6. 0:12acreditava que aquele órgão poderia
  7. 0:14explicar fisicamente a genialidade.
  8. 0:17Talvez fosse um cérebro maior, talvez
  9. 0:19tivesse mais neurônios, talvez existisse
  10. 0:22ali alguma estrutura completamente
  11. 0:23diferente do cérebro de uma pessoa
  12. 0:25comum. Ele cortou o cérebro do Einstein
  13. 0:27em aproximadamente 240 blocos e passou
  14. 0:31décadas distribuindo esses blocos para
  15. 0:33pesquisadores. Só que o grande segredo
  16. 0:36não apareceu. O cérebro do Einstein não
  17. 0:39era gigantesco. Não tinha uma peça nova
  18. 0:41ali dentro. Se não fosse considerar sua
  19. 0:43idade avançada, inclusive parecia um
  20. 0:45cérebro tanto menor do que o esperado. A
  21. 0:49resposta não tava no tamanho, mas num
  22. 0:52detalhe até então nunca valorizado pelos
  23. 0:55neurocientistas. Em 1984,
  24. 0:59a neurocientista Maryan Diamond recebeu
  25. 1:02quatro blocos desse cérebro. O trabalho
  26. 1:04dela transformaria ela numa celebridade.
  27. 1:07Comparando os resultados com amostras de
  28. 1:11controle, o laboratório dela descobriu
  29. 1:13algo que mudaria a neurociência. O
  30. 1:15Einstein tinha uma proporção muito
  31. 1:17diferente de células gliliais muito
  32. 1:20maiores numa determinada área, a área 39
  33. 1:24esquerda. Essa área era relacionada com
  34. 1:27cálculo. Até então, essas células gliais
  35. 1:30eram subestimadas. Achava-se que a
  36. 1:33inteligência dependia exclusivamente do
  37. 1:36número de neurônios e a Diamond provou
  38. 1:38que as células da glia eram fundamentais
  39. 1:41pro suporte, pro metabolismo e pra
  40. 1:44comunicação entre os neurônios. Isso
  41. 1:46derrubou o mito da genialidade inata e
  42. 1:50sugeriu algo revolucionário pra época,
  43. 1:52que um estímulo intelectual constante
  44. 1:55poderia fomentar a proliferação dessas
  45. 1:58células gliis. A investigação de Marian
  46. 2:01não parou no Einstein. Ela realizou
  47. 2:03experimentos com ratos, expondo eles a
  48. 2:06ambientes enriquecidos, cheios de
  49. 2:09desafios. E o resultado foi que os
  50. 2:11roedores, expostos a estímulos
  51. 2:13cognitivos apresentavam um aumento real
  52. 2:16na espessura do córtex cerebral.
  53. 2:18Conclusão, o cérebro não é estático e
  54. 2:21foi a primeira prova anatômica disso.
  55. 2:23Esses estudos levaram ela a comprovar
  56. 2:25neuroanatomicamente,
  57. 2:27ou seja, de forma empírica, um conceito
  58. 2:29de William James. William James é um
  59. 2:31psicólogo que usou o termo plasticidade
  60. 2:34aplicada ao sistema nervoso pela
  61. 2:36primeira vez em 1890. A capacidade do
  62. 2:40cérebro de se modificar, modificar sua
  63. 2:42própria estrutura e suas funções em
  64. 2:44resposta às experiências. [música]
  65. 2:46Antes disso, se pensava que o cérebro
  66. 2:48adulto era um órgão fixo que atinge o
  67. 2:50seu limite e para. A Diamond provou o
  68. 2:53contrário. O cérebro tem capacidade de
  69. 2:55evoluir e melhorar dia após dia em
  70. 2:57resposta ao ambiente certo. E o que foi
  71. 2:59mais interessante foi o papel dessas
  72. 3:01células gliis até então ignoradas. Mas
  73. 3:04nenhuma dessas descobertas explicou
  74. 3:06totalmente o Einstein. Isso criou um
  75. 3:09problema maior. Talvez a inteligência
  76. 3:10não dependa de ter mais cérebro. Talvez
  77. 3:13dependa de como o indivíduo lida com o
  78. 3:16seu talento e organiza aquilo que ele
  79. 3:18tem. Então, hoje, nesse vídeo, a gente
  80. 3:20vai ver porque as pessoas mais
  81. 3:22inteligentes podem gastar menos glicose
  82. 3:25para resolver determinadas tarefas.
  83. 3:27Porque o cérebro inteligente e o cérebro
  84. 3:29altamente criativo em alguns momentos
  85. 3:31parecem funcionar de maneiras opostas.
  86. 3:34Por que que algumas pessoas criativas
  87. 3:36deixam entrar tanta informação que a
  88. 3:39maioria dos cérebros descarta que se
  89. 3:41sentem sobrecarregadas e não sabem o que
  90. 3:43fazer? E por que em casos raros uma
  91. 3:45demência pode fazer uma produção
  92. 3:47artística desaparecer de repente? E o
  93. 3:49que que isso tem a ver com a
  94. 3:50criatividade e com você? E no final
  95. 3:52desse vídeo você vai ter um insight
  96. 3:54poderoso sobre você e seus talentos e
  97. 3:56capacidades que ainda não estão
  98. 3:58utilizadas. Existe uma ideia ligando
  99. 4:00tudo isso. No final, você vai entender
  100. 4:02porque uma pessoa pode resolver um
  101. 4:04problema altamente complexo, com
  102. 4:05facilidade, mas se sentir sobrecarregada
  103. 4:08por ruídos, por detalhes e tarefas
  104. 4:10repetitivas e pela quantidade de ideias
  105. 4:13dentro da própria cabeça. Primeiro mito,
  106. 4:16mais inteligência é igual a mais
  107. 4:18atividade. Existe uma imagem popular do
  108. 4:20cérebro inteligente. Ele seria um
  109. 4:22cérebro maior, mais potente,
  110. 4:25permanentemente mais aceso. Quanto mais
  111. 4:27inteligência, mais atividade, mais
  112. 4:30esforço, mais energia. Parece algo
  113. 4:32lógico. Só que em 1988,
  114. 4:35Richard Heyer, um neurocientista,
  115. 4:37colocou jovens num aparelho de pet
  116. 4:39enquanto resolviam problemas de
  117. 4:41raciocínio abstrato. O aparelho de pet
  118. 4:43permite observar o metabolismo de
  119. 4:45glicose em regiões do cérebro. E a
  120. 4:48previsão deles era simples. Quem
  121. 4:50resolvesse melhor os problemas deveria
  122. 4:52apresentar mais atividade cerebral na
  123. 4:55área responsável por resolver esses
  124. 4:57problemas. Mas aconteceu o contrário. Em
  125. 4:59várias regiões, as pessoas com melhor
  126. 5:01desempenho apresentavam menor consumo de
  127. 5:04glicose. Isso pareceu meio absurdo.
  128. 5:07Então, alguns anos depois, o Heyer fez
  129. 5:09outro experimento. Dessa vez, as pessoas
  130. 5:11treinaram tetres durante semanas. O
  131. 5:14desempenho aumentou mais de sete vezes,
  132. 5:17mas enquanto elas ficavam melhores no
  133. 5:18jogo, determinadas regiões do cérebro
  134. 5:21passavam a consumir menos energia.
  135. 5:23Guarde isso, porque aqui começa a
  136. 5:25primeira inversão do nosso vídeo.
  137. 5:27Aprender não faz o cérebro trabalhar
  138. 5:29cada vez mais. Aprender faz o cérebro
  139. 5:32trabalhar menos. E isso é porque ele
  140. 5:34para de ficar testando caminhos inúteis.
  141. 5:37Pensa alguém aprendendo a dirigir. No
  142. 5:39começo, a pessoa precisa pensar
  143. 5:41conscientemente em tudo. No espelho, no
  144. 5:44pedal, na marcha, na distância, no carro
  145. 5:46do lado, na velocidade, nas placas, o
  146. 5:49tempo inteiro. Só que depois de um
  147. 5:51tempo, grande parte disso acontece com
  148. 5:53muito menos esforço consciente e a
  149. 5:56pessoa consegue, por exemplo, ficar
  150. 5:57conversando enquanto dirige. Ela faz
  151. 6:00mais porque otimizou melhor e o cérebro
  152. 6:04dela trabalha menos. Essa é a hipótese
  153. 6:06da eficiência neural. Em determinadas
  154. 6:09tarefas, um cérebro mais eficiente
  155. 6:11reconhece relações com mais rapidez,
  156. 6:15recruta as regiões necessárias para
  157. 6:17processar aquilo e evita gastar energia
  158. 6:19com operações que não precisa fazer. Só
  159. 6:22que isso não significa que pessoas
  160. 6:24inteligentes usem de fato menos o
  161. 6:26cérebro o tempo todo. Isso porque diante
  162. 6:29de um problema realmente novo, realmente
  163. 6:31desafiador, aí sim essas pessoas podem
  164. 6:34recrutar mais recurso, tem mais robustez
  165. 6:36para sustentar mais variáveis, explorar
  166. 6:39mais possibilidades e assim gastar mais
  167. 6:42energia de fato. Então a diferença não é
  168. 6:44um motor eternamente mais econômico, é
  169. 6:47um motor potente, robusto e que sabe
  170. 6:50trocar de marcha na hora certa. Então
  171. 6:52agora aparece a primeira informação que
  172. 6:54explica algumas coisas na sua vida.
  173. 6:56Talvez você já tenha resolvido algo
  174. 6:58super difícil e pensado: "Nossa, como as
  175. 7:00outras pessoas não estão conseguindo
  176. 7:02perceber isso aqui?" Só que em outra
  177. 7:03situação você tinha que resolver algo
  178. 7:06simples, uma tarefa repetitiva e se
  179. 7:08sentido e aí você não conseguiu. Só que
  180. 7:10complexidade e esforço não andam sempre
  181. 7:13juntos. Uma tarefa complexa pode
  182. 7:15encontrar um sistema todo motivacional,
  183. 7:18rotas muito bem estabelecidas e
  184. 7:20organizadas no seu cérebro. Só que uma
  185. 7:22tarefa simples, sem novidade, sem valor,
  186. 7:24pode exigir que você mantenha uma
  187. 7:26estrutura gigantesca de motivação
  188. 7:29consciente. E é um sistema que não quer
  189. 7:31estar ali, é um sistema que não quer
  190. 7:33permanecer ali. E o cérebro não responde
  191. 7:36apenas à dificuldade, ao desafio. Ele
  192. 7:39responde ao valor também. A inteligência
  193. 7:42não é uma área, é uma rede. Mas e se não
  194. 7:45existe uma região da genialidade? Então
  195. 7:48aonde ela está? Em 2007, o Hex Junk e o
  196. 7:51Richard Heyer reuniram dezenas de
  197. 7:53estudos de neuroimagem e propuseram a
  198. 7:55teoria da integração Pareto Frontal,
  199. 7:57conhecida como o modelo Pfit. Eu falo
  200. 8:00dele aqui na internet desde 2021 e é um
  201. 8:02modelo neurocientífico para explicar a
  202. 8:05inteligência. Segundo esse modelo,
  203. 8:07regiões que recebem informações,
  204. 8:09registram imagens, som, palavras,
  205. 8:11memórias, quantidades. As regiões
  206. 8:13parietais aproximam essas informações,
  207. 8:16encontram relações entre elas. É como se
  208. 8:18integrassem essas informações. Depois,
  209. 8:21regiões frontais, fazem simulações,
  210. 8:23hipóteses, descartam alguma coisa,
  211. 8:26escolhem, fazem inibição, fazem ação,
  212. 8:29planejam. Então, é como se fosse os
  213. 8:31mensageiros que trazem as cartas, o
  214. 8:34painel aonde tem uma estante gigantesca
  215. 8:37onde se organizam essas cartas e se
  216. 8:39classificam essas cartas, que seria o
  217. 8:41parietal, e a sala do chefe, que é onde
  218. 8:44se decide as coisas, aonde as pessoas
  219. 8:46levam essas cartas para o chefe decidir
  220. 8:48o que fazer com elas. E aqui tem uma
  221. 8:50ressalva importante. Esse modelo não
  222. 8:52explica genialidade. Esse modelo não foi
  223. 8:54feito para estudar superdotados, pessoas
  224. 8:57super inteligentes. Esse modelo foi
  225. 8:59simplesmente cruzar testes de QI com
  226. 9:03modelos de imagem de ressonância
  227. 9:05magnética, de pet, enfim, imagens do
  228. 9:08cérebro com teste de QI para tentar
  229. 9:10entender se existe uma relação onde mais
  230. 9:12inteligência tem mais robustez dessa
  231. 9:15área pareto frontal. E o que eles viram
  232. 9:17é que existe uma relação muito grande
  233. 9:19entre o aumento da inteligência e a
  234. 9:21robustez dessas áreas. E aí tem duas
  235. 9:24coisas. Você tem a substância branca e a
  236. 9:26substância cinza. A substância cinza eu
  237. 9:29ensino como se fossem cidades populosas.
  238. 9:32Ou você pode pensar em uma copa da
  239. 9:36árvore, né? A copa da árvore é o córtex,
  240. 9:38é a massa cinzenta. E a substância
  241. 9:41branca são os neurônios que conectam
  242. 9:43essas áreas, que são os galhos. Então
  243. 9:45pense dessa forma. A substância branca é
  244. 9:48feita para conectar diferentes regiões
  245. 9:50do cérebro, transmitir informação de uma
  246. 9:52área para outra e as a substância cinza
  247. 9:55processa essas informações que foram
  248. 9:58mandadas de outras áreas. Por isso que a
  249. 10:00inteligência não é simplesmente ter
  250. 10:02regiões maiores dentro do cérebro, é ter
  251. 10:04uma eficiência entre essas redes, é ter
  252. 10:07rotas eficientes, é o cérebro saber qual
  253. 10:10rota usar. E por isso que o treino, a
  254. 10:13repetição tem tudo a ver com a
  255. 10:15genialidade, porque Einstein não tinha
  256. 10:17mais células gliis lá naquela área
  257. 10:20relacionada ao cálculo à toa. Ele tinha,
  258. 10:23porque isso era uma coisa que ele
  259. 10:24treinou muito e ele fazia muito. Esse
  260. 10:27pensamento, esse raciocínio é uma coisa
  261. 10:29que ele fazia bastante. Então,
  262. 10:32provavelmente seu cérebro causa uma
  263. 10:34neuroplasticidade muito grande naquela
  264. 10:37área e para ele fica cada vez mais fácil
  265. 10:39ativar aquela aptidão que ele já tem e
  266. 10:42utilizar aquela aptidão que ele já tem.
  267. 10:44E aí você deve estar se perguntando qual
  268. 10:46é a minha aptidão e como que eu descubro
  269. 10:49isso. Bom, eu vou tratar disso mais
  270. 10:51nesse canal aqui. Bom, agora a gente tem
  271. 10:53um personagem interessante, o CTEX
  272. 10:56préfrontal. Pensa nele como se fosse um
  273. 10:58editor. Sabe quando o editor vai
  274. 11:00escolher uma obra para publicar? Esse
  275. 11:03editor pega um manuscrito e se pergunta:
  276. 11:05"Isso aqui é bom? Isso aqui é
  277. 11:06interessante? Isso aqui resolve algum
  278. 11:08problema? Isso vai vender?" Só que
  279. 11:09existe um problema. Essa mesma estrutura
  280. 11:11do editor, o córtex préfrontal, pode
  281. 11:14impedir uma ideia, antes de ela chegar à
  282. 11:17consciência, uma ideia boa. Ela pode
  283. 11:19eliminar uma ideia interessante. E é
  284. 11:21aqui que o cérebro inteligente começa a
  285. 11:23se separar um pouco do cérebro criativo.
  286. 11:26A inteligência costuma ser medida pela
  287. 11:28capacidade de chegar a uma resposta
  288. 11:30adequada. E a criatividade começa quando
  289. 11:32não existe uma resposta adequada.
  290. 11:34Criatividade opera num mundo amplo, mais
  291. 11:38caótico. A inteligência opera num mundo
  292. 11:40circunscrito. Talvez por isso a gente
  293. 11:42associa tanto a inteligência com coisas
  294. 11:44mais certas, como a matemática. E as
  295. 11:47pessoas artísticas vão para um campo
  296. 11:50mais caótico, como a arte. Para resolver
  297. 11:53um problema lógico, você precisa reduzir
  298. 11:56possibilidades. Para criar algo novo,
  299. 11:58primeiro você precisa aumentar as
  300. 12:00possibilidades. A inteligência
  301. 12:02seleciona, já a criatividade antes de
  302. 12:05selecionar precisa permitir. Em 2010, o
  303. 12:08Hex e Jung e colaboradores observaram
  304. 12:11que o maior desempenho em pensamento
  305. 12:14divergente estava associado a uma
  306. 12:16organização diferente da substância
  307. 12:19branca numa região frontal inferior do
  308. 12:22cérebro. O que esse estudo sugeriu é que
  309. 12:24em determinadas regiões ligadas ao
  310. 12:26controle, filtros menos rígidos podem
  311. 12:30deixar associações improváveis
  312. 12:33sobreviverem por mais tempo. Um
  313. 12:35pensamento que parecia inútil, uma
  314. 12:38relação que nos primeiros segundos
  315. 12:39parece meio absurda. O cérebro
  316. 12:41inteligente pergunta rapidamente: "Para
  317. 12:44que que isso funciona? Para que que isso
  318. 12:46serve? Qual é a resposta correta?" O
  319. 12:48cérebro criativo precisa suportar outra
  320. 12:50pergunta. E se a resposta errada tiver
  321. 12:53algo interessante? E se a resposta
  322. 12:55errada estiver escondendo alguma coisa
  323. 12:58valiosa, alguma coisa nova, alguma coisa
  324. 13:00relevante? E agora vem o detalhe
  325. 13:02decisivo. A criatividade não é deixar
  326. 13:04esse editor morrer ou não convocar ele
  327. 13:07paraa reunião, é conseguir manejar ele,
  328. 13:10mandar ele embora na hora certa e fazer
  329. 13:12ele voltar na hora certa. Se o editor
  330. 13:15nunca sai, talvez você produz coisas que
  331. 13:18vão ser corretas, organizadas e
  332. 13:20previsíveis e talvez nada de novo. Mas
  333. 13:23se o editor nunca volta, você produz
  334. 13:26possibilidades infinitas, possibilidades
  335. 13:29sem forma, ideias sem conclusões,
  336. 13:32projetos que nunca acabam, projetos que
  337. 13:34nunca terminam. A criatividade real
  338. 13:37depende de desses dois movimentos
  339. 13:39opostos. depende de você manejar essas
  340. 13:42redes diferentes do cérebro e isso exige
  341. 13:45um treino. Talvez por isso você vê no
  342. 13:47meu último vídeo tantas pessoas
  343. 13:49criativas se autodestruindo, porque elas
  344. 13:52não tiveram uma certa educação emocional
  345. 13:55e psicológica para lidar com a forma
  346. 13:58como elas funcionam. As pessoas
  347. 13:59criativas precisam disciplinar a própria
  348. 14:02cabeça e treinar essas redes neurais
  349. 14:05para fazer esse jogo. Caso contrário,
  350. 14:07elas vão ficar com esse mundo de
  351. 14:09possibilidades sempre abertas e não vão
  352. 14:11conseguir terminar. Essa capacidade de
  353. 14:13alternância é muito mais importante do
  354. 14:15que ficar inspirado. E talvez isso
  355. 14:18explique porque muitas pessoas comecem
  356. 14:2050 ideias e terminem duas. Deve ser por
  357. 14:24alguma dificuldade de recuperar esse
  358. 14:26editor, de chamar esse editor de volta
  359. 14:29paraa sala. As três redes da
  360. 14:31criatividade. Durante muito tempo, a
  361. 14:33criatividade foi explicada como se fosse
  362. 14:35apenas uma redução de controle mental,
  363. 14:39como se criar fosse desligar o
  364. 14:41pré-frontal e deixar o inconsciente
  365. 14:43fazer o resto. Mas os estudos mais
  366. 14:45recentes complicam um pouco essa tese.
  367. 14:48Roger Beauty e outros pesquisadores
  368. 14:50observaram que o pensamento criativo e o
  369. 14:53desempenho criativo envolve cooperação
  370. 14:56entre redes que normalmente não
  371. 14:58trabalham juntas. A primeira é a famosa
  372. 15:00rede de modo padrão, a DMN, a rede da
  373. 15:03divagação mental, a rede do pensamento
  374. 15:07distraído. Ela participa da imaginação,
  375. 15:10da memória autobiográfica. Ela simula
  376. 15:13cenários sociais. Ela constrói cenas
  377. 15:15internas e comparações de experiências
  378. 15:18distantes. Pensa nela como uma sala de
  379. 15:21roteiristas. É ali que aparecem os
  380. 15:23personagens, as lembranças, as imagens,
  381. 15:26as possibilidades, as conexões que
  382. 15:28ninguém pediu. É a rede da divagação
  383. 15:30mental, que se liga quando você está
  384. 15:32fazendo nada. A segunda é a rede
  385. 15:34executiva, que mantém o objetivo,
  386. 15:36verifica se a ideia funciona, transforma
  387. 15:39uma ideia numa possibilidade realizável,
  388. 15:42num plano, é o editor. E a terceira rede
  389. 15:44é a rede de saliência. Ela ajuda o
  390. 15:46cérebro a perceber qual estímulo,
  391. 15:48sensação, o pensamento merece prioridade
  392. 15:52para capturar isso e usar naquele
  393. 15:53momento. É como se fosse um porteiro que
  394. 15:56decide quem entra na sala e quem sai
  395. 15:58quando o editor precisa ser chamado.
  396. 16:01Agora pensa comigo, se a sala de
  397. 16:03roteiristas funciona sem editor, surgem
  398. 16:06muitas associações, muitas ideias, só
  399. 16:08que poucas obras. Se o editor trabalha
  400. 16:11sem roteirista, ele corrige muito bem
  401. 16:14uma página vazia. A criatividade não é o
  402. 16:17domínio de uma rede sobre outras. Ela é
  403. 16:20mais como se fosse uma conversa
  404. 16:21improvável entre essas redes. A rede, de
  405. 16:24modo padrão, propõe a ideia, a rede
  406. 16:26executiva testa a ideia, a rede de
  407. 16:28saliência muda o foco entre uma e outra.
  408. 16:32Por isso, uma pessoa altamente criativa
  409. 16:33não precisa ser alguém com pouco
  410. 16:36controle. Pode ser alguém capaz de
  411. 16:39variar o controle. Em um momento
  412. 16:41permitir que a mente se distraia, se
  413. 16:43afaste da tarefa e no outro permitir que
  414. 16:45ela volte, escolha uma possibilidade e
  415. 16:48elenque o trabalho necessário para
  416. 16:50terminar aquilo. Só que essa mudança de
  417. 16:52estado não acontece bem quando o cérebro
  418. 16:55está obrigado a responder a alguma coisa
  419. 16:57o tempo inteiro. E isso nos leva a algo
  420. 17:00muito sério que tá acontecendo e que
  421. 17:02mata sua criatividade na sua vida. Em
  422. 17:042003, Anne Date propõe a hipótese da
  423. 17:08hipofrontalidade transitória. Esse termo
  424. 17:11parece complexo, mas descreve uma
  425. 17:13experiência comum. Em certos estados,
  426. 17:16algumas funções frontais de controle e
  427. 17:19monitoramento perdem temporariamente a
  428. 17:22dominância. O córtex pré-frontal não
  429. 17:24desliga completamente, mas o editor
  430. 17:27baixa a voz. E quando isso acontece,
  431. 17:29associações que seriam eliminadas
  432. 17:31imediatamente conseguem aparecer. É por
  433. 17:34isso que tantas ideias surgem durante
  434. 17:36uma caminhada, durante um banho,
  435. 17:38dirigindo ou poucos minutos antes de
  436. 17:40dormir. Não porque a água do banho ativa
  437. 17:43um centro de genialidade, mas porque
  438. 17:45você parou de exigir uma resposta
  439. 17:47imediata consciente. Primeiro você
  440. 17:49trabalha num problema, lê, pesquisa,
  441. 17:51tenta, erra, fica preso e depois se
  442. 17:54afasta dele. E nesse intervalo, o
  443. 17:57cérebro deixa de repetir conscientemente
  444. 17:59a mesma estratégia, ao mesmo estímulo, e
  445. 18:02outras combinações ganham espaço. Esse é
  446. 18:04o processo chamado de incubação. Só que
  447. 18:07a incubação não é descansar antes de
  448. 18:10começar ou descansar sem ter colocado
  449. 18:13coisas dentro da sua cabeça. É descansar
  450. 18:15depois de alimentar o problema, depois
  451. 18:17de você se encher com insumos. Você
  452. 18:20precisa colocar material dentro do
  453. 18:22sistema para permitir que ele se
  454. 18:24organize e que a incubação aconteça. E
  455. 18:26agora vem uma parte desconfortável.
  456. 18:28Talvez você esteja sem criatividade, não
  457. 18:31por falta de informação, capacidade ou
  458. 18:33de ser criativo, mas talvez você tenha
  459. 18:36uma falta de intervalo entre as
  460. 18:38informações. Como assim, já? Durante
  461. 18:40muito tempo, o nosso cotidiano tinha
  462. 18:42pequenos espaços vazios. A espera no
  463. 18:45elevador, caminhar até algum lugar,
  464. 18:47ficar esperando no carro, olhar pela
  465. 18:49janela, esperar na caixa do
  466. 18:51supermercado, tomar um banho sem ouvir
  467. 18:53nada. Só que hoje qualquer intervalo é
  468. 18:56preenchido automaticamente. Uma
  469. 18:58mensagem, um vídeo, outro vídeo, uma
  470. 19:00nota notificação, uma atualização, uma
  471. 19:02ligação. O cérebro nunca chega ao vazio.
  472. 19:06Ele sempre troca um estímulo por outro e
  473. 19:09você vai descansar para consumir alguma
  474. 19:11coisa. Você descansa consumindo alguma
  475. 19:14coisa, você descansa colocando mais
  476. 19:16informação. O Rex Jung levantou uma
  477. 19:18hipótese de que manter esse sistema
  478. 19:21frontal permanentemente ocupado reduz os
  479. 19:24períodos de desinibção necessários para
  480. 19:27a criatividade se aflorar. Se todo
  481. 19:30espaço de baixa exigência recebe uma
  482. 19:32nova informação, sobra menos
  483. 19:34oportunidade para que informações
  484. 19:36antigas se encontrem, se entrelacem,
  485. 19:39façam a incubação e venham até a
  486. 19:41consciência. Muitas vezes você não
  487. 19:43precisa estudar mais, pensar mais, você
  488. 19:45só precisa parar e fazer nada. Por isso
  489. 19:48que tem tanto vídeo das pessoas
  490. 19:50colocando a pessoa contra a parede e
  491. 19:52falando a técnica mais brutal para a
  492. 19:54criatividade ficar contra a parede 10
  493. 19:57minutos. Você não precisa ficar contra a
  494. 19:59parede 10 minutos. Você precisa
  495. 20:01simplesmente parar de usar seu celular,
  496. 20:03parar de usar sua rede social, parar de
  497. 20:05usar qualquer coisa por 10 minutos.
  498. 20:07Experimente fazer isso quando você tá em
  499. 20:09filas, observar as coisas onde você tá,
  500. 20:12na natureza, enfim, permitir esse espaço
  501. 20:15de incubação. Você vai ver como a sua
  502. 20:17criatividade vai começar a voltar. E
  503. 20:19agora a gente vai entender porque que as
  504. 20:20pessoas criativas têm estímulos demais.
  505. 20:23É um cérebro que descarta de menos. O
  506. 20:26cérebro não registra tudo com a mesma
  507. 20:28intensidade. Ele aprende a ignorar
  508. 20:30aquilo que parece irrelevante. O barulho
  509. 20:33constante do ar condicionado, a sensação
  510. 20:35da roupa na pele, uma placa que você
  511. 20:38passa todos os dias no seu trânsito.
  512. 20:40Depois de um tempo, esses estímulos
  513. 20:41parecem ocupar nada. Esse é um filtro
  514. 20:44necessário. Sem esse filtro, qualquer
  515. 20:47detalhe disputaria sua atenção com
  516. 20:49aquilo que realmente importa. Só que em
  517. 20:512003, Shirley Carlson, Jordan Peterson e
  518. 20:55Daniel Higgins encontraram uma
  519. 20:56associação entre menor inibição latente,
  520. 21:00que eu vou explicar já o que é, e maior
  521. 21:02realização criativa em pessoas de auto
  522. 21:04funcionamento cognitivo. Inibição
  523. 21:06latente é justamente essa tendência a
  524. 21:08parar de responder a coisas que parecem
  525. 21:11irrelevantes. Só que uma pessoa com
  526. 21:14menor inibição latente pode continuar
  527. 21:17registrando detalhes que outras pessoas
  528. 21:19já descartaram. Um som, uma expressão no
  529. 21:22rosto de alguém, uma palavra fora de
  530. 21:24contexto, a roupa, né, a etiqueta, uma
  531. 21:28mudança pequena no ambiente. Isso
  532. 21:30oferece mais matériapra para combinações
  533. 21:33criativas novas, mas também cobra um
  534. 21:36preço. Deixa a cabeça mais cheia. Você
  535. 21:38parece receber mais informações e parece
  536. 21:41às vezes não saber o que fazer com elas.
  537. 21:43Você tem menos filtro. Então, menos
  538. 21:46filtro, mais memória de trabalho, mais
  539. 21:48repertório e mais controle é a receita
  540. 21:51para a eminência criativa. Esse artigo
  541. 21:54do Jordan Peterson e da Shelly fala que
  542. 21:57essas pessoas têm sete vezes mais a
  543. 22:00chance de ser eminentes criativos, ou
  544. 22:03seja, pessoas de sucesso criativo tendo
  545. 22:05essas características. Só que o menos
  546. 22:08filtro sem controle pode produzir
  547. 22:10distração, exaustão e caos. E é aqui que
  548. 22:14você é taxado com um TDH e te receitam
  549. 22:17medicação de TDH porque acham que você é
  550. 22:20distraído. Aqui existe uma correção
  551. 22:22importante. Uma pessoa criativa não
  552. 22:24precisa necessariamente ouvir
  553. 22:27frequências que ninguém ouve, enxergar
  554. 22:29detalhes fisicamente invisíveis pros
  555. 22:31outros. Muitas vezes ela detecta os
  556. 22:33mesmos estímulos, só que o cérebro dela
  557. 22:35demora mais para colocar eles no fundo
  558. 22:38ou para descartar eles. Então a
  559. 22:40diferença talvez não esteja na entrada,
  560. 22:42pode estar até no processamento dessas
  561. 22:45informações. Essas pessoas podem sofrer
  562. 22:47muito em ambientes muito cheios, com
  563. 22:50muito ruído, muito estímulo. A abertura
  564. 22:53que alimenta a criação também pode
  565. 22:56aumentar a sobrecarga. Só que isso ainda
  566. 22:59não explica o caso mais estranho de
  567. 23:01todos. O que acontece quando o editor
  568. 23:04não sai por alguns minutos, mas começa a
  569. 23:07ser destruído por uma doença quando a
  570. 23:10demência parece liberar a arte. Em 1998,
  571. 23:14o neurologista Bruce Miller e seus
  572. 23:16colaboradores descreveram cinco
  573. 23:19pacientes que começaram a produzir arte
  574. 23:22visual do nada nos estágios iniciais de
  575. 23:26uma demência frototemporal. Pessoas que
  576. 23:29nunca tinham demonstrado aquela produção
  577. 23:31artística antes. Essa história parece
  578. 23:33confirmar uma ideia sedutora que a
  579. 23:35doença destruiu uma parte do cérebro,
  580. 23:39mas liberou a criatividade escondida.
  581. 23:42Mas não foi isso que aconteceu. A
  582. 23:44demência não aumentou a inteligência
  583. 23:46geral dessas pessoas ou aumentou a
  584. 23:48criatividade dessas pessoas, nem
  585. 23:50construiu um cérebro maior, melhor ou
  586. 23:52maior. Haviam capacidades que estavam
  587. 23:54sendo perdidas. O que pode ter
  588. 23:56acontecido é uma mudança no equilíbrio
  589. 23:59entre sistemas, entre redes cerebrais.
  590. 24:01Com a perda de certas funções
  591. 24:03linguísticas, sociais ou inibitórias, as
  592. 24:06habilidades visuais, que antes
  593. 24:08permaneciam mais silenciosas foram
  594. 24:09ganhando mais espaço. O editor
  595. 24:12enfraqueceu e algumas imagens começaram
  596. 24:15a atravessar. Pensa numa cidade no qual
  597. 24:18uma barreira caiu. Agora, certas pessoas
  598. 24:20conseguem passar pro outro lado, que era
  599. 24:22um caminho que antes estava fechado. Só
  600. 24:24que ao mesmo tempo, outros bairros
  601. 24:27estavam desaparecendo. A cidade não
  602. 24:29ficou melhor, ela ficou diferente. Esses
  603. 24:31casos não reproduzem uma criatividade
  604. 24:34saudável, mas expõe de forma extrema a
  605. 24:36importância do equilíbrio entre a
  606. 24:38abertura e o controle. Às vezes uma
  607. 24:41capacidade aparece não porque o cérebro
  608. 24:43ganhou mais alguma coisa, mas porque um
  609. 24:45sistema de controle perdeu força. Só que
  610. 24:49a criatividade saudável exige que esse
  611. 24:52controle volte. A obra não nasce apenas
  612. 24:54da abertura, ela nasce da abertura
  613. 24:57seguida da organização. E o que que se
  614. 24:59explica na sua vida? Agora a gente pode
  615. 25:01fechar o primeiro loop. O Thomas Harver,
  616. 25:04que retirou o cérebro do Einstein,
  617. 25:06estava esperando encontrar uma peça
  618. 25:08física da genialidade. Mas a
  619. 25:09neurociência encontrou algo menos
  620. 25:11cinematográfico, mas muito mais
  621. 25:14interessante. Um cérebro inteligente não
  622. 25:16é simplesmente um cérebro maior ou um
  623. 25:18cérebro permanentemente mais ativo. Em
  624. 25:20determinadas tarefas, ele consome menos
  625. 25:23energia porque encontrou uma rota mais
  626. 25:25eficiente. Ele integra informações,
  627. 25:27reconhece padrões e reduz tentativas
  628. 25:30inúteis. Mas o cérebro criativo precisa
  629. 25:32fazer quase o movimento contrário. Ele
  630. 25:35precisa afrouxar filtros, tolerar
  631. 25:37associações improváveis, permitir que
  632. 25:40algo aparentemente irrelevante permaneça
  633. 25:43vivo por mais alguns segundos. Então, a
  634. 25:45inteligência e a criatividade não são a
  635. 25:47mesma coisa. Elas podem cooperar, mas
  636. 25:49existem momentos de instintos e
  637. 25:52diferentes. A inteligência ajuda a
  638. 25:54escolher, a criatividade ajuda a
  639. 25:56produzir aquilo que pode ser escolhido.
  640. 25:58E isso pode explicar uma experiência
  641. 26:00muito comum em pessoas altamente
  642. 26:03inteligentes e altamente criativas. Você
  643. 26:06consegue aprender rapidamente um
  644. 26:08problema difícil, mas trava diante de
  645. 26:10uma tarefa simples. Você percebe
  646. 26:12relações que ninguém percebe, mas também
  647. 26:15nota ruídos, detalhes e coisas que
  648. 26:17gostaria de ignorar. Você tem melhores
  649. 26:20ideias quando se afasta do trabalho, mas
  650. 26:23tenta produzir, mantendo o cérebro sob
  651. 26:25controle o tempo inteiro. Você começa
  652. 26:27muitos projetos porque a fase de
  653. 26:29abertura funciona muito bem, você se
  654. 26:31empolga, só que você sofre em terminar
  655. 26:33eles porque parece uma possibilidade de
  656. 26:36regulação que nunca acontece. Parece
  657. 26:38quase como uma amputação. Você sente que
  658. 26:40tá arrancando um membro em matar um dos
  659. 26:43seus projetos. Talvez você não tenha
  660. 26:45pouca inteligência, nem pouca
  661. 26:46criatividade. Talvez você esteja
  662. 26:48tentando usar um único estado cerebral
  663. 26:51para todas essas etapas. Só que existe
  664. 26:54todo um trabalho para você conseguir
  665. 26:56usar toda essa orquestra ao mesmo tempo.
  666. 26:59Primeiro você absorve, depois você se
  667. 27:01afasta, primeiro você deixa as ideias
  668. 27:03entrarem, depois você escolhe uma.
  669. 27:06Primeiro você suspende o julgamento,
  670. 27:08depois você julga com rigor, ou seja, o
  671. 27:11editor precisa sair, o editor precisa
  672. 27:14voltar, porque uma mente completamente
  673. 27:16fechada repete o que já existe, mas uma
  674. 27:19mente permanentemente aberta se perde em
  675. 27:23tudo que poderia existir. A inteligência
  676. 27:26não está em manter o cérebro acelerado.
  677. 27:29A criatividade não está em viver no
  678. 27:32caos. A real potência é conseguir
  679. 27:35atravessar esses dois estados sem ficar
  680. 27:37preso em nenhum deles. E talvez seja
  681. 27:40isso que o cérebro do Einstein nunca
  682. 27:42revelou. A gente saberia, talvez, se
  683. 27:45estudasse uma biografia dele, ou como
  684. 27:48que ele lidava com os próprios talentos,
  685. 27:50quais eram as decisões e como era a
  686. 27:53ética de trabalho dele. Talvez a
  687. 27:55resposta não estava num pedaço do
  688. 27:58cérebro, estava na forma como os pedaços
  689. 28:01trabalhavam juntos. na capacidade de
  690. 28:03mudar a configuração neural quando o
  691. 28:06problema exigia. No meu próximo vídeo,
  692. 28:08eu vou falar sobre o fim do
  693. 28:09especialista. Durante toda a sua vida,
  694. 28:11alguém te disse a mesma frase de formas
  695. 28:13diferentes. Escolhe uma coisa, foca numa
  696. 28:16coisa, você só se dispersa, você tem
  697. 28:19potencial, mas não vai fundo. E você
  698. 28:21acreditou? Todo mundo acreditou. Eu
  699. 28:23também acreditei. E foi por isso que
  700. 28:25você chegou até aqui, carregando a
  701. 28:27sensação de que sua mente é um defeito
  702. 28:29de fábrica, uma máquina potente que
  703. 28:31poderia te entregar, mas que não vai a
  704. 28:33lugar nenhum. E se eu te disser que essa
  705. 28:35regra do foque numa coisa estava certa,
  706. 28:38só que antigamente, agora ela não está
  707. 28:41mais. Ela é para um mundo que já acabou.
  708. 28:44O mundo antigo precisava de
  709. 28:46profundidade. Pagava por profundidade. A
  710. 28:49profundidade era escassa, porque a
  711. 28:52informação era escassa. Exigia
  712. 28:54bibliotecas, professores, décadas de
  713. 28:56estudo. O acesso à informação era
  714. 28:58difícil. Quem cavava um único poço de
  715. 29:01conhecimento muito fundo virava a única
  716. 29:03pessoa capaz de fazer aquela tarefa, de
  717. 29:06trazer aquela água. E era racional e era
  718. 29:08certo te mandar escolher uma coisa só.
  719. 29:12Era o melhor conselho disponível. Só que
  720. 29:14hoje a profundidade não está tão difícil
  721. 29:17de acessar, porque a informação não está
  722. 29:20tão difícil de acessar. Veja pessoas
  723. 29:22como professores de Harvard, Stanford e
  724. 29:25n universidades que botam as suas aulas
  725. 29:28disponíveis no YouTube. Já parou para
  726. 29:30pensar o quão maluco é isso? O poço mais
  727. 29:32fundo está a um prompt, a um clique de
  728. 29:35distância e fica mais fundo a toda
  729. 29:37semana. A quantidade de conteúdo
  730. 29:39produzido pelo ser humano é absurda. O
  731. 29:41que ficou escasso foi outra coisa, a
  732. 29:44capacidade de olhar dois campos que
  733. 29:46ninguém colocou lado a lado, cruzar
  734. 29:48informações de duas áreas que ninguém
  735. 29:50tinha cruzado e enxergar o ponto entre
  736. 29:53elas. O especialista era muito bom numa
  737. 29:55coisa só. Uma máquina interpreta
  738. 29:58brilhantemente dentro de um domínio. Ela
  739. 30:00é treinada para prever o próximo passo
  740. 30:02dentro de um território conhecido. Só
  741. 30:03que o que ainda ela não faz bem é o
  742. 30:06salto lateral. E é exatamente isso que
  743. 30:08você faz o dia todo. Você pega coisas de
  744. 30:11diferentes campos e fica cruzando.
  745. 30:13Talvez não seja que as pessoas ficaram
  746. 30:16menos inteligentes. Talvez as pessoas
  747. 30:18que têm mais contribuição para essa nova
  748. 30:21era estão travadas, se sentindo
  749. 30:23inadequadas, se sentindo pressionadas,
  750. 30:26se sentindo estranhas, se sentindo não
  751. 30:29pertencentes. Então, o que sobrou foi um
  752. 30:31mundo cheio de pessoas distribuídas em
  753. 30:34escritórios, salas de aulas,
  754. 30:36consultórios se sentindo defeituosas.
  755. 30:38Gente que sabe muito de muita coisa, mas
  756. 30:41que enxerga conexões que ninguém pediu e
  757. 30:44que aprendeu a chamar isso tudo de falta
  758. 30:46de foco. Isso é um tamanho desperdício.
  759. 30:49E não é desperdício de talento, é o
  760. 30:50desperdício de função. Porque a
  761. 30:52diferença entre uma mente dispersa e um
  762. 30:54polímata nunca foi a quantidade de
  763. 30:56coisas que a pessoa sabe. É o alvo da
  764. 30:59inteligência, o alvo da atenção. O
  765. 31:01especialista recebe o alvo pronto, o
  766. 31:03campo dele já está definido e é uma boa
  767. 31:05pergunta. E ele responde aquela
  768. 31:07pergunta: "O generalista precisa
  769. 31:09construir o próprio alvo, só que nunca
  770. 31:12ensinou ele nem a gerenciar a própria
  771. 31:13atenção. Foi mandado que ele escolhesse
  772. 31:15uma coisa só, sendo que não é assim que
  773. 31:18ele funciona." As grandes contribuições
  774. 31:20do século passado foram feitas por
  775. 31:22pessoas que cavaram um poço muito fundo
  776. 31:24em uma área só. As grandes contribuições
  777. 31:27de agora vão ser feitas por pessoas que
  778. 31:29conseguem dominar múltiplos campos e
  779. 31:32usar a tecnologia e as informações que
  780. 31:35estão disponíveis agora. Esse é o
  781. 31:37conteúdo do meu próximo vídeo. Até lá. E
  782. 31:39se você não ouviu ainda o meu conteúdo
  783. 31:41sobre porque as pessoas criativas se
  784. 31:43autodestróem, assista que tá muito bom.

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