Esse é o Cérebro de Pessoas Com Altas Habilidades — Transcript
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- 0:00Em 1955, poucas horas depois da morte de
- 0:03Albert Einstein, [música] o patologista
- 0:05Thomas Harvey retirou o seu cérebro
- 0:08durante a autópsia, sem autorização da
- 0:10família, que veio só depois. Harvey
- 0:12acreditava que aquele órgão poderia
- 0:14explicar fisicamente a genialidade.
- 0:17Talvez fosse um cérebro maior, talvez
- 0:19tivesse mais neurônios, talvez existisse
- 0:22ali alguma estrutura completamente
- 0:23diferente do cérebro de uma pessoa
- 0:25comum. Ele cortou o cérebro do Einstein
- 0:27em aproximadamente 240 blocos e passou
- 0:31décadas distribuindo esses blocos para
- 0:33pesquisadores. Só que o grande segredo
- 0:36não apareceu. O cérebro do Einstein não
- 0:39era gigantesco. Não tinha uma peça nova
- 0:41ali dentro. Se não fosse considerar sua
- 0:43idade avançada, inclusive parecia um
- 0:45cérebro tanto menor do que o esperado. A
- 0:49resposta não tava no tamanho, mas num
- 0:52detalhe até então nunca valorizado pelos
- 0:55neurocientistas. Em 1984,
- 0:59a neurocientista Maryan Diamond recebeu
- 1:02quatro blocos desse cérebro. O trabalho
- 1:04dela transformaria ela numa celebridade.
- 1:07Comparando os resultados com amostras de
- 1:11controle, o laboratório dela descobriu
- 1:13algo que mudaria a neurociência. O
- 1:15Einstein tinha uma proporção muito
- 1:17diferente de células gliliais muito
- 1:20maiores numa determinada área, a área 39
- 1:24esquerda. Essa área era relacionada com
- 1:27cálculo. Até então, essas células gliais
- 1:30eram subestimadas. Achava-se que a
- 1:33inteligência dependia exclusivamente do
- 1:36número de neurônios e a Diamond provou
- 1:38que as células da glia eram fundamentais
- 1:41pro suporte, pro metabolismo e pra
- 1:44comunicação entre os neurônios. Isso
- 1:46derrubou o mito da genialidade inata e
- 1:50sugeriu algo revolucionário pra época,
- 1:52que um estímulo intelectual constante
- 1:55poderia fomentar a proliferação dessas
- 1:58células gliis. A investigação de Marian
- 2:01não parou no Einstein. Ela realizou
- 2:03experimentos com ratos, expondo eles a
- 2:06ambientes enriquecidos, cheios de
- 2:09desafios. E o resultado foi que os
- 2:11roedores, expostos a estímulos
- 2:13cognitivos apresentavam um aumento real
- 2:16na espessura do córtex cerebral.
- 2:18Conclusão, o cérebro não é estático e
- 2:21foi a primeira prova anatômica disso.
- 2:23Esses estudos levaram ela a comprovar
- 2:25neuroanatomicamente,
- 2:27ou seja, de forma empírica, um conceito
- 2:29de William James. William James é um
- 2:31psicólogo que usou o termo plasticidade
- 2:34aplicada ao sistema nervoso pela
- 2:36primeira vez em 1890. A capacidade do
- 2:40cérebro de se modificar, modificar sua
- 2:42própria estrutura e suas funções em
- 2:44resposta às experiências. [música]
- 2:46Antes disso, se pensava que o cérebro
- 2:48adulto era um órgão fixo que atinge o
- 2:50seu limite e para. A Diamond provou o
- 2:53contrário. O cérebro tem capacidade de
- 2:55evoluir e melhorar dia após dia em
- 2:57resposta ao ambiente certo. E o que foi
- 2:59mais interessante foi o papel dessas
- 3:01células gliis até então ignoradas. Mas
- 3:04nenhuma dessas descobertas explicou
- 3:06totalmente o Einstein. Isso criou um
- 3:09problema maior. Talvez a inteligência
- 3:10não dependa de ter mais cérebro. Talvez
- 3:13dependa de como o indivíduo lida com o
- 3:16seu talento e organiza aquilo que ele
- 3:18tem. Então, hoje, nesse vídeo, a gente
- 3:20vai ver porque as pessoas mais
- 3:22inteligentes podem gastar menos glicose
- 3:25para resolver determinadas tarefas.
- 3:27Porque o cérebro inteligente e o cérebro
- 3:29altamente criativo em alguns momentos
- 3:31parecem funcionar de maneiras opostas.
- 3:34Por que que algumas pessoas criativas
- 3:36deixam entrar tanta informação que a
- 3:39maioria dos cérebros descarta que se
- 3:41sentem sobrecarregadas e não sabem o que
- 3:43fazer? E por que em casos raros uma
- 3:45demência pode fazer uma produção
- 3:47artística desaparecer de repente? E o
- 3:49que que isso tem a ver com a
- 3:50criatividade e com você? E no final
- 3:52desse vídeo você vai ter um insight
- 3:54poderoso sobre você e seus talentos e
- 3:56capacidades que ainda não estão
- 3:58utilizadas. Existe uma ideia ligando
- 4:00tudo isso. No final, você vai entender
- 4:02porque uma pessoa pode resolver um
- 4:04problema altamente complexo, com
- 4:05facilidade, mas se sentir sobrecarregada
- 4:08por ruídos, por detalhes e tarefas
- 4:10repetitivas e pela quantidade de ideias
- 4:13dentro da própria cabeça. Primeiro mito,
- 4:16mais inteligência é igual a mais
- 4:18atividade. Existe uma imagem popular do
- 4:20cérebro inteligente. Ele seria um
- 4:22cérebro maior, mais potente,
- 4:25permanentemente mais aceso. Quanto mais
- 4:27inteligência, mais atividade, mais
- 4:30esforço, mais energia. Parece algo
- 4:32lógico. Só que em 1988,
- 4:35Richard Heyer, um neurocientista,
- 4:37colocou jovens num aparelho de pet
- 4:39enquanto resolviam problemas de
- 4:41raciocínio abstrato. O aparelho de pet
- 4:43permite observar o metabolismo de
- 4:45glicose em regiões do cérebro. E a
- 4:48previsão deles era simples. Quem
- 4:50resolvesse melhor os problemas deveria
- 4:52apresentar mais atividade cerebral na
- 4:55área responsável por resolver esses
- 4:57problemas. Mas aconteceu o contrário. Em
- 4:59várias regiões, as pessoas com melhor
- 5:01desempenho apresentavam menor consumo de
- 5:04glicose. Isso pareceu meio absurdo.
- 5:07Então, alguns anos depois, o Heyer fez
- 5:09outro experimento. Dessa vez, as pessoas
- 5:11treinaram tetres durante semanas. O
- 5:14desempenho aumentou mais de sete vezes,
- 5:17mas enquanto elas ficavam melhores no
- 5:18jogo, determinadas regiões do cérebro
- 5:21passavam a consumir menos energia.
- 5:23Guarde isso, porque aqui começa a
- 5:25primeira inversão do nosso vídeo.
- 5:27Aprender não faz o cérebro trabalhar
- 5:29cada vez mais. Aprender faz o cérebro
- 5:32trabalhar menos. E isso é porque ele
- 5:34para de ficar testando caminhos inúteis.
- 5:37Pensa alguém aprendendo a dirigir. No
- 5:39começo, a pessoa precisa pensar
- 5:41conscientemente em tudo. No espelho, no
- 5:44pedal, na marcha, na distância, no carro
- 5:46do lado, na velocidade, nas placas, o
- 5:49tempo inteiro. Só que depois de um
- 5:51tempo, grande parte disso acontece com
- 5:53muito menos esforço consciente e a
- 5:56pessoa consegue, por exemplo, ficar
- 5:57conversando enquanto dirige. Ela faz
- 6:00mais porque otimizou melhor e o cérebro
- 6:04dela trabalha menos. Essa é a hipótese
- 6:06da eficiência neural. Em determinadas
- 6:09tarefas, um cérebro mais eficiente
- 6:11reconhece relações com mais rapidez,
- 6:15recruta as regiões necessárias para
- 6:17processar aquilo e evita gastar energia
- 6:19com operações que não precisa fazer. Só
- 6:22que isso não significa que pessoas
- 6:24inteligentes usem de fato menos o
- 6:26cérebro o tempo todo. Isso porque diante
- 6:29de um problema realmente novo, realmente
- 6:31desafiador, aí sim essas pessoas podem
- 6:34recrutar mais recurso, tem mais robustez
- 6:36para sustentar mais variáveis, explorar
- 6:39mais possibilidades e assim gastar mais
- 6:42energia de fato. Então a diferença não é
- 6:44um motor eternamente mais econômico, é
- 6:47um motor potente, robusto e que sabe
- 6:50trocar de marcha na hora certa. Então
- 6:52agora aparece a primeira informação que
- 6:54explica algumas coisas na sua vida.
- 6:56Talvez você já tenha resolvido algo
- 6:58super difícil e pensado: "Nossa, como as
- 7:00outras pessoas não estão conseguindo
- 7:02perceber isso aqui?" Só que em outra
- 7:03situação você tinha que resolver algo
- 7:06simples, uma tarefa repetitiva e se
- 7:08sentido e aí você não conseguiu. Só que
- 7:10complexidade e esforço não andam sempre
- 7:13juntos. Uma tarefa complexa pode
- 7:15encontrar um sistema todo motivacional,
- 7:18rotas muito bem estabelecidas e
- 7:20organizadas no seu cérebro. Só que uma
- 7:22tarefa simples, sem novidade, sem valor,
- 7:24pode exigir que você mantenha uma
- 7:26estrutura gigantesca de motivação
- 7:29consciente. E é um sistema que não quer
- 7:31estar ali, é um sistema que não quer
- 7:33permanecer ali. E o cérebro não responde
- 7:36apenas à dificuldade, ao desafio. Ele
- 7:39responde ao valor também. A inteligência
- 7:42não é uma área, é uma rede. Mas e se não
- 7:45existe uma região da genialidade? Então
- 7:48aonde ela está? Em 2007, o Hex Junk e o
- 7:51Richard Heyer reuniram dezenas de
- 7:53estudos de neuroimagem e propuseram a
- 7:55teoria da integração Pareto Frontal,
- 7:57conhecida como o modelo Pfit. Eu falo
- 8:00dele aqui na internet desde 2021 e é um
- 8:02modelo neurocientífico para explicar a
- 8:05inteligência. Segundo esse modelo,
- 8:07regiões que recebem informações,
- 8:09registram imagens, som, palavras,
- 8:11memórias, quantidades. As regiões
- 8:13parietais aproximam essas informações,
- 8:16encontram relações entre elas. É como se
- 8:18integrassem essas informações. Depois,
- 8:21regiões frontais, fazem simulações,
- 8:23hipóteses, descartam alguma coisa,
- 8:26escolhem, fazem inibição, fazem ação,
- 8:29planejam. Então, é como se fosse os
- 8:31mensageiros que trazem as cartas, o
- 8:34painel aonde tem uma estante gigantesca
- 8:37onde se organizam essas cartas e se
- 8:39classificam essas cartas, que seria o
- 8:41parietal, e a sala do chefe, que é onde
- 8:44se decide as coisas, aonde as pessoas
- 8:46levam essas cartas para o chefe decidir
- 8:48o que fazer com elas. E aqui tem uma
- 8:50ressalva importante. Esse modelo não
- 8:52explica genialidade. Esse modelo não foi
- 8:54feito para estudar superdotados, pessoas
- 8:57super inteligentes. Esse modelo foi
- 8:59simplesmente cruzar testes de QI com
- 9:03modelos de imagem de ressonância
- 9:05magnética, de pet, enfim, imagens do
- 9:08cérebro com teste de QI para tentar
- 9:10entender se existe uma relação onde mais
- 9:12inteligência tem mais robustez dessa
- 9:15área pareto frontal. E o que eles viram
- 9:17é que existe uma relação muito grande
- 9:19entre o aumento da inteligência e a
- 9:21robustez dessas áreas. E aí tem duas
- 9:24coisas. Você tem a substância branca e a
- 9:26substância cinza. A substância cinza eu
- 9:29ensino como se fossem cidades populosas.
- 9:32Ou você pode pensar em uma copa da
- 9:36árvore, né? A copa da árvore é o córtex,
- 9:38é a massa cinzenta. E a substância
- 9:41branca são os neurônios que conectam
- 9:43essas áreas, que são os galhos. Então
- 9:45pense dessa forma. A substância branca é
- 9:48feita para conectar diferentes regiões
- 9:50do cérebro, transmitir informação de uma
- 9:52área para outra e as a substância cinza
- 9:55processa essas informações que foram
- 9:58mandadas de outras áreas. Por isso que a
- 10:00inteligência não é simplesmente ter
- 10:02regiões maiores dentro do cérebro, é ter
- 10:04uma eficiência entre essas redes, é ter
- 10:07rotas eficientes, é o cérebro saber qual
- 10:10rota usar. E por isso que o treino, a
- 10:13repetição tem tudo a ver com a
- 10:15genialidade, porque Einstein não tinha
- 10:17mais células gliis lá naquela área
- 10:20relacionada ao cálculo à toa. Ele tinha,
- 10:23porque isso era uma coisa que ele
- 10:24treinou muito e ele fazia muito. Esse
- 10:27pensamento, esse raciocínio é uma coisa
- 10:29que ele fazia bastante. Então,
- 10:32provavelmente seu cérebro causa uma
- 10:34neuroplasticidade muito grande naquela
- 10:37área e para ele fica cada vez mais fácil
- 10:39ativar aquela aptidão que ele já tem e
- 10:42utilizar aquela aptidão que ele já tem.
- 10:44E aí você deve estar se perguntando qual
- 10:46é a minha aptidão e como que eu descubro
- 10:49isso. Bom, eu vou tratar disso mais
- 10:51nesse canal aqui. Bom, agora a gente tem
- 10:53um personagem interessante, o CTEX
- 10:56préfrontal. Pensa nele como se fosse um
- 10:58editor. Sabe quando o editor vai
- 11:00escolher uma obra para publicar? Esse
- 11:03editor pega um manuscrito e se pergunta:
- 11:05"Isso aqui é bom? Isso aqui é
- 11:06interessante? Isso aqui resolve algum
- 11:08problema? Isso vai vender?" Só que
- 11:09existe um problema. Essa mesma estrutura
- 11:11do editor, o córtex préfrontal, pode
- 11:14impedir uma ideia, antes de ela chegar à
- 11:17consciência, uma ideia boa. Ela pode
- 11:19eliminar uma ideia interessante. E é
- 11:21aqui que o cérebro inteligente começa a
- 11:23se separar um pouco do cérebro criativo.
- 11:26A inteligência costuma ser medida pela
- 11:28capacidade de chegar a uma resposta
- 11:30adequada. E a criatividade começa quando
- 11:32não existe uma resposta adequada.
- 11:34Criatividade opera num mundo amplo, mais
- 11:38caótico. A inteligência opera num mundo
- 11:40circunscrito. Talvez por isso a gente
- 11:42associa tanto a inteligência com coisas
- 11:44mais certas, como a matemática. E as
- 11:47pessoas artísticas vão para um campo
- 11:50mais caótico, como a arte. Para resolver
- 11:53um problema lógico, você precisa reduzir
- 11:56possibilidades. Para criar algo novo,
- 11:58primeiro você precisa aumentar as
- 12:00possibilidades. A inteligência
- 12:02seleciona, já a criatividade antes de
- 12:05selecionar precisa permitir. Em 2010, o
- 12:08Hex e Jung e colaboradores observaram
- 12:11que o maior desempenho em pensamento
- 12:14divergente estava associado a uma
- 12:16organização diferente da substância
- 12:19branca numa região frontal inferior do
- 12:22cérebro. O que esse estudo sugeriu é que
- 12:24em determinadas regiões ligadas ao
- 12:26controle, filtros menos rígidos podem
- 12:30deixar associações improváveis
- 12:33sobreviverem por mais tempo. Um
- 12:35pensamento que parecia inútil, uma
- 12:38relação que nos primeiros segundos
- 12:39parece meio absurda. O cérebro
- 12:41inteligente pergunta rapidamente: "Para
- 12:44que que isso funciona? Para que que isso
- 12:46serve? Qual é a resposta correta?" O
- 12:48cérebro criativo precisa suportar outra
- 12:50pergunta. E se a resposta errada tiver
- 12:53algo interessante? E se a resposta
- 12:55errada estiver escondendo alguma coisa
- 12:58valiosa, alguma coisa nova, alguma coisa
- 13:00relevante? E agora vem o detalhe
- 13:02decisivo. A criatividade não é deixar
- 13:04esse editor morrer ou não convocar ele
- 13:07paraa reunião, é conseguir manejar ele,
- 13:10mandar ele embora na hora certa e fazer
- 13:12ele voltar na hora certa. Se o editor
- 13:15nunca sai, talvez você produz coisas que
- 13:18vão ser corretas, organizadas e
- 13:20previsíveis e talvez nada de novo. Mas
- 13:23se o editor nunca volta, você produz
- 13:26possibilidades infinitas, possibilidades
- 13:29sem forma, ideias sem conclusões,
- 13:32projetos que nunca acabam, projetos que
- 13:34nunca terminam. A criatividade real
- 13:37depende de desses dois movimentos
- 13:39opostos. depende de você manejar essas
- 13:42redes diferentes do cérebro e isso exige
- 13:45um treino. Talvez por isso você vê no
- 13:47meu último vídeo tantas pessoas
- 13:49criativas se autodestruindo, porque elas
- 13:52não tiveram uma certa educação emocional
- 13:55e psicológica para lidar com a forma
- 13:58como elas funcionam. As pessoas
- 13:59criativas precisam disciplinar a própria
- 14:02cabeça e treinar essas redes neurais
- 14:05para fazer esse jogo. Caso contrário,
- 14:07elas vão ficar com esse mundo de
- 14:09possibilidades sempre abertas e não vão
- 14:11conseguir terminar. Essa capacidade de
- 14:13alternância é muito mais importante do
- 14:15que ficar inspirado. E talvez isso
- 14:18explique porque muitas pessoas comecem
- 14:2050 ideias e terminem duas. Deve ser por
- 14:24alguma dificuldade de recuperar esse
- 14:26editor, de chamar esse editor de volta
- 14:29paraa sala. As três redes da
- 14:31criatividade. Durante muito tempo, a
- 14:33criatividade foi explicada como se fosse
- 14:35apenas uma redução de controle mental,
- 14:39como se criar fosse desligar o
- 14:41pré-frontal e deixar o inconsciente
- 14:43fazer o resto. Mas os estudos mais
- 14:45recentes complicam um pouco essa tese.
- 14:48Roger Beauty e outros pesquisadores
- 14:50observaram que o pensamento criativo e o
- 14:53desempenho criativo envolve cooperação
- 14:56entre redes que normalmente não
- 14:58trabalham juntas. A primeira é a famosa
- 15:00rede de modo padrão, a DMN, a rede da
- 15:03divagação mental, a rede do pensamento
- 15:07distraído. Ela participa da imaginação,
- 15:10da memória autobiográfica. Ela simula
- 15:13cenários sociais. Ela constrói cenas
- 15:15internas e comparações de experiências
- 15:18distantes. Pensa nela como uma sala de
- 15:21roteiristas. É ali que aparecem os
- 15:23personagens, as lembranças, as imagens,
- 15:26as possibilidades, as conexões que
- 15:28ninguém pediu. É a rede da divagação
- 15:30mental, que se liga quando você está
- 15:32fazendo nada. A segunda é a rede
- 15:34executiva, que mantém o objetivo,
- 15:36verifica se a ideia funciona, transforma
- 15:39uma ideia numa possibilidade realizável,
- 15:42num plano, é o editor. E a terceira rede
- 15:44é a rede de saliência. Ela ajuda o
- 15:46cérebro a perceber qual estímulo,
- 15:48sensação, o pensamento merece prioridade
- 15:52para capturar isso e usar naquele
- 15:53momento. É como se fosse um porteiro que
- 15:56decide quem entra na sala e quem sai
- 15:58quando o editor precisa ser chamado.
- 16:01Agora pensa comigo, se a sala de
- 16:03roteiristas funciona sem editor, surgem
- 16:06muitas associações, muitas ideias, só
- 16:08que poucas obras. Se o editor trabalha
- 16:11sem roteirista, ele corrige muito bem
- 16:14uma página vazia. A criatividade não é o
- 16:17domínio de uma rede sobre outras. Ela é
- 16:20mais como se fosse uma conversa
- 16:21improvável entre essas redes. A rede, de
- 16:24modo padrão, propõe a ideia, a rede
- 16:26executiva testa a ideia, a rede de
- 16:28saliência muda o foco entre uma e outra.
- 16:32Por isso, uma pessoa altamente criativa
- 16:33não precisa ser alguém com pouco
- 16:36controle. Pode ser alguém capaz de
- 16:39variar o controle. Em um momento
- 16:41permitir que a mente se distraia, se
- 16:43afaste da tarefa e no outro permitir que
- 16:45ela volte, escolha uma possibilidade e
- 16:48elenque o trabalho necessário para
- 16:50terminar aquilo. Só que essa mudança de
- 16:52estado não acontece bem quando o cérebro
- 16:55está obrigado a responder a alguma coisa
- 16:57o tempo inteiro. E isso nos leva a algo
- 17:00muito sério que tá acontecendo e que
- 17:02mata sua criatividade na sua vida. Em
- 17:042003, Anne Date propõe a hipótese da
- 17:08hipofrontalidade transitória. Esse termo
- 17:11parece complexo, mas descreve uma
- 17:13experiência comum. Em certos estados,
- 17:16algumas funções frontais de controle e
- 17:19monitoramento perdem temporariamente a
- 17:22dominância. O córtex pré-frontal não
- 17:24desliga completamente, mas o editor
- 17:27baixa a voz. E quando isso acontece,
- 17:29associações que seriam eliminadas
- 17:31imediatamente conseguem aparecer. É por
- 17:34isso que tantas ideias surgem durante
- 17:36uma caminhada, durante um banho,
- 17:38dirigindo ou poucos minutos antes de
- 17:40dormir. Não porque a água do banho ativa
- 17:43um centro de genialidade, mas porque
- 17:45você parou de exigir uma resposta
- 17:47imediata consciente. Primeiro você
- 17:49trabalha num problema, lê, pesquisa,
- 17:51tenta, erra, fica preso e depois se
- 17:54afasta dele. E nesse intervalo, o
- 17:57cérebro deixa de repetir conscientemente
- 17:59a mesma estratégia, ao mesmo estímulo, e
- 18:02outras combinações ganham espaço. Esse é
- 18:04o processo chamado de incubação. Só que
- 18:07a incubação não é descansar antes de
- 18:10começar ou descansar sem ter colocado
- 18:13coisas dentro da sua cabeça. É descansar
- 18:15depois de alimentar o problema, depois
- 18:17de você se encher com insumos. Você
- 18:20precisa colocar material dentro do
- 18:22sistema para permitir que ele se
- 18:24organize e que a incubação aconteça. E
- 18:26agora vem uma parte desconfortável.
- 18:28Talvez você esteja sem criatividade, não
- 18:31por falta de informação, capacidade ou
- 18:33de ser criativo, mas talvez você tenha
- 18:36uma falta de intervalo entre as
- 18:38informações. Como assim, já? Durante
- 18:40muito tempo, o nosso cotidiano tinha
- 18:42pequenos espaços vazios. A espera no
- 18:45elevador, caminhar até algum lugar,
- 18:47ficar esperando no carro, olhar pela
- 18:49janela, esperar na caixa do
- 18:51supermercado, tomar um banho sem ouvir
- 18:53nada. Só que hoje qualquer intervalo é
- 18:56preenchido automaticamente. Uma
- 18:58mensagem, um vídeo, outro vídeo, uma
- 19:00nota notificação, uma atualização, uma
- 19:02ligação. O cérebro nunca chega ao vazio.
- 19:06Ele sempre troca um estímulo por outro e
- 19:09você vai descansar para consumir alguma
- 19:11coisa. Você descansa consumindo alguma
- 19:14coisa, você descansa colocando mais
- 19:16informação. O Rex Jung levantou uma
- 19:18hipótese de que manter esse sistema
- 19:21frontal permanentemente ocupado reduz os
- 19:24períodos de desinibção necessários para
- 19:27a criatividade se aflorar. Se todo
- 19:30espaço de baixa exigência recebe uma
- 19:32nova informação, sobra menos
- 19:34oportunidade para que informações
- 19:36antigas se encontrem, se entrelacem,
- 19:39façam a incubação e venham até a
- 19:41consciência. Muitas vezes você não
- 19:43precisa estudar mais, pensar mais, você
- 19:45só precisa parar e fazer nada. Por isso
- 19:48que tem tanto vídeo das pessoas
- 19:50colocando a pessoa contra a parede e
- 19:52falando a técnica mais brutal para a
- 19:54criatividade ficar contra a parede 10
- 19:57minutos. Você não precisa ficar contra a
- 19:59parede 10 minutos. Você precisa
- 20:01simplesmente parar de usar seu celular,
- 20:03parar de usar sua rede social, parar de
- 20:05usar qualquer coisa por 10 minutos.
- 20:07Experimente fazer isso quando você tá em
- 20:09filas, observar as coisas onde você tá,
- 20:12na natureza, enfim, permitir esse espaço
- 20:15de incubação. Você vai ver como a sua
- 20:17criatividade vai começar a voltar. E
- 20:19agora a gente vai entender porque que as
- 20:20pessoas criativas têm estímulos demais.
- 20:23É um cérebro que descarta de menos. O
- 20:26cérebro não registra tudo com a mesma
- 20:28intensidade. Ele aprende a ignorar
- 20:30aquilo que parece irrelevante. O barulho
- 20:33constante do ar condicionado, a sensação
- 20:35da roupa na pele, uma placa que você
- 20:38passa todos os dias no seu trânsito.
- 20:40Depois de um tempo, esses estímulos
- 20:41parecem ocupar nada. Esse é um filtro
- 20:44necessário. Sem esse filtro, qualquer
- 20:47detalhe disputaria sua atenção com
- 20:49aquilo que realmente importa. Só que em
- 20:512003, Shirley Carlson, Jordan Peterson e
- 20:55Daniel Higgins encontraram uma
- 20:56associação entre menor inibição latente,
- 21:00que eu vou explicar já o que é, e maior
- 21:02realização criativa em pessoas de auto
- 21:04funcionamento cognitivo. Inibição
- 21:06latente é justamente essa tendência a
- 21:08parar de responder a coisas que parecem
- 21:11irrelevantes. Só que uma pessoa com
- 21:14menor inibição latente pode continuar
- 21:17registrando detalhes que outras pessoas
- 21:19já descartaram. Um som, uma expressão no
- 21:22rosto de alguém, uma palavra fora de
- 21:24contexto, a roupa, né, a etiqueta, uma
- 21:28mudança pequena no ambiente. Isso
- 21:30oferece mais matériapra para combinações
- 21:33criativas novas, mas também cobra um
- 21:36preço. Deixa a cabeça mais cheia. Você
- 21:38parece receber mais informações e parece
- 21:41às vezes não saber o que fazer com elas.
- 21:43Você tem menos filtro. Então, menos
- 21:46filtro, mais memória de trabalho, mais
- 21:48repertório e mais controle é a receita
- 21:51para a eminência criativa. Esse artigo
- 21:54do Jordan Peterson e da Shelly fala que
- 21:57essas pessoas têm sete vezes mais a
- 22:00chance de ser eminentes criativos, ou
- 22:03seja, pessoas de sucesso criativo tendo
- 22:05essas características. Só que o menos
- 22:08filtro sem controle pode produzir
- 22:10distração, exaustão e caos. E é aqui que
- 22:14você é taxado com um TDH e te receitam
- 22:17medicação de TDH porque acham que você é
- 22:20distraído. Aqui existe uma correção
- 22:22importante. Uma pessoa criativa não
- 22:24precisa necessariamente ouvir
- 22:27frequências que ninguém ouve, enxergar
- 22:29detalhes fisicamente invisíveis pros
- 22:31outros. Muitas vezes ela detecta os
- 22:33mesmos estímulos, só que o cérebro dela
- 22:35demora mais para colocar eles no fundo
- 22:38ou para descartar eles. Então a
- 22:40diferença talvez não esteja na entrada,
- 22:42pode estar até no processamento dessas
- 22:45informações. Essas pessoas podem sofrer
- 22:47muito em ambientes muito cheios, com
- 22:50muito ruído, muito estímulo. A abertura
- 22:53que alimenta a criação também pode
- 22:56aumentar a sobrecarga. Só que isso ainda
- 22:59não explica o caso mais estranho de
- 23:01todos. O que acontece quando o editor
- 23:04não sai por alguns minutos, mas começa a
- 23:07ser destruído por uma doença quando a
- 23:10demência parece liberar a arte. Em 1998,
- 23:14o neurologista Bruce Miller e seus
- 23:16colaboradores descreveram cinco
- 23:19pacientes que começaram a produzir arte
- 23:22visual do nada nos estágios iniciais de
- 23:26uma demência frototemporal. Pessoas que
- 23:29nunca tinham demonstrado aquela produção
- 23:31artística antes. Essa história parece
- 23:33confirmar uma ideia sedutora que a
- 23:35doença destruiu uma parte do cérebro,
- 23:39mas liberou a criatividade escondida.
- 23:42Mas não foi isso que aconteceu. A
- 23:44demência não aumentou a inteligência
- 23:46geral dessas pessoas ou aumentou a
- 23:48criatividade dessas pessoas, nem
- 23:50construiu um cérebro maior, melhor ou
- 23:52maior. Haviam capacidades que estavam
- 23:54sendo perdidas. O que pode ter
- 23:56acontecido é uma mudança no equilíbrio
- 23:59entre sistemas, entre redes cerebrais.
- 24:01Com a perda de certas funções
- 24:03linguísticas, sociais ou inibitórias, as
- 24:06habilidades visuais, que antes
- 24:08permaneciam mais silenciosas foram
- 24:09ganhando mais espaço. O editor
- 24:12enfraqueceu e algumas imagens começaram
- 24:15a atravessar. Pensa numa cidade no qual
- 24:18uma barreira caiu. Agora, certas pessoas
- 24:20conseguem passar pro outro lado, que era
- 24:22um caminho que antes estava fechado. Só
- 24:24que ao mesmo tempo, outros bairros
- 24:27estavam desaparecendo. A cidade não
- 24:29ficou melhor, ela ficou diferente. Esses
- 24:31casos não reproduzem uma criatividade
- 24:34saudável, mas expõe de forma extrema a
- 24:36importância do equilíbrio entre a
- 24:38abertura e o controle. Às vezes uma
- 24:41capacidade aparece não porque o cérebro
- 24:43ganhou mais alguma coisa, mas porque um
- 24:45sistema de controle perdeu força. Só que
- 24:49a criatividade saudável exige que esse
- 24:52controle volte. A obra não nasce apenas
- 24:54da abertura, ela nasce da abertura
- 24:57seguida da organização. E o que que se
- 24:59explica na sua vida? Agora a gente pode
- 25:01fechar o primeiro loop. O Thomas Harver,
- 25:04que retirou o cérebro do Einstein,
- 25:06estava esperando encontrar uma peça
- 25:08física da genialidade. Mas a
- 25:09neurociência encontrou algo menos
- 25:11cinematográfico, mas muito mais
- 25:14interessante. Um cérebro inteligente não
- 25:16é simplesmente um cérebro maior ou um
- 25:18cérebro permanentemente mais ativo. Em
- 25:20determinadas tarefas, ele consome menos
- 25:23energia porque encontrou uma rota mais
- 25:25eficiente. Ele integra informações,
- 25:27reconhece padrões e reduz tentativas
- 25:30inúteis. Mas o cérebro criativo precisa
- 25:32fazer quase o movimento contrário. Ele
- 25:35precisa afrouxar filtros, tolerar
- 25:37associações improváveis, permitir que
- 25:40algo aparentemente irrelevante permaneça
- 25:43vivo por mais alguns segundos. Então, a
- 25:45inteligência e a criatividade não são a
- 25:47mesma coisa. Elas podem cooperar, mas
- 25:49existem momentos de instintos e
- 25:52diferentes. A inteligência ajuda a
- 25:54escolher, a criatividade ajuda a
- 25:56produzir aquilo que pode ser escolhido.
- 25:58E isso pode explicar uma experiência
- 26:00muito comum em pessoas altamente
- 26:03inteligentes e altamente criativas. Você
- 26:06consegue aprender rapidamente um
- 26:08problema difícil, mas trava diante de
- 26:10uma tarefa simples. Você percebe
- 26:12relações que ninguém percebe, mas também
- 26:15nota ruídos, detalhes e coisas que
- 26:17gostaria de ignorar. Você tem melhores
- 26:20ideias quando se afasta do trabalho, mas
- 26:23tenta produzir, mantendo o cérebro sob
- 26:25controle o tempo inteiro. Você começa
- 26:27muitos projetos porque a fase de
- 26:29abertura funciona muito bem, você se
- 26:31empolga, só que você sofre em terminar
- 26:33eles porque parece uma possibilidade de
- 26:36regulação que nunca acontece. Parece
- 26:38quase como uma amputação. Você sente que
- 26:40tá arrancando um membro em matar um dos
- 26:43seus projetos. Talvez você não tenha
- 26:45pouca inteligência, nem pouca
- 26:46criatividade. Talvez você esteja
- 26:48tentando usar um único estado cerebral
- 26:51para todas essas etapas. Só que existe
- 26:54todo um trabalho para você conseguir
- 26:56usar toda essa orquestra ao mesmo tempo.
- 26:59Primeiro você absorve, depois você se
- 27:01afasta, primeiro você deixa as ideias
- 27:03entrarem, depois você escolhe uma.
- 27:06Primeiro você suspende o julgamento,
- 27:08depois você julga com rigor, ou seja, o
- 27:11editor precisa sair, o editor precisa
- 27:14voltar, porque uma mente completamente
- 27:16fechada repete o que já existe, mas uma
- 27:19mente permanentemente aberta se perde em
- 27:23tudo que poderia existir. A inteligência
- 27:26não está em manter o cérebro acelerado.
- 27:29A criatividade não está em viver no
- 27:32caos. A real potência é conseguir
- 27:35atravessar esses dois estados sem ficar
- 27:37preso em nenhum deles. E talvez seja
- 27:40isso que o cérebro do Einstein nunca
- 27:42revelou. A gente saberia, talvez, se
- 27:45estudasse uma biografia dele, ou como
- 27:48que ele lidava com os próprios talentos,
- 27:50quais eram as decisões e como era a
- 27:53ética de trabalho dele. Talvez a
- 27:55resposta não estava num pedaço do
- 27:58cérebro, estava na forma como os pedaços
- 28:01trabalhavam juntos. na capacidade de
- 28:03mudar a configuração neural quando o
- 28:06problema exigia. No meu próximo vídeo,
- 28:08eu vou falar sobre o fim do
- 28:09especialista. Durante toda a sua vida,
- 28:11alguém te disse a mesma frase de formas
- 28:13diferentes. Escolhe uma coisa, foca numa
- 28:16coisa, você só se dispersa, você tem
- 28:19potencial, mas não vai fundo. E você
- 28:21acreditou? Todo mundo acreditou. Eu
- 28:23também acreditei. E foi por isso que
- 28:25você chegou até aqui, carregando a
- 28:27sensação de que sua mente é um defeito
- 28:29de fábrica, uma máquina potente que
- 28:31poderia te entregar, mas que não vai a
- 28:33lugar nenhum. E se eu te disser que essa
- 28:35regra do foque numa coisa estava certa,
- 28:38só que antigamente, agora ela não está
- 28:41mais. Ela é para um mundo que já acabou.
- 28:44O mundo antigo precisava de
- 28:46profundidade. Pagava por profundidade. A
- 28:49profundidade era escassa, porque a
- 28:52informação era escassa. Exigia
- 28:54bibliotecas, professores, décadas de
- 28:56estudo. O acesso à informação era
- 28:58difícil. Quem cavava um único poço de
- 29:01conhecimento muito fundo virava a única
- 29:03pessoa capaz de fazer aquela tarefa, de
- 29:06trazer aquela água. E era racional e era
- 29:08certo te mandar escolher uma coisa só.
- 29:12Era o melhor conselho disponível. Só que
- 29:14hoje a profundidade não está tão difícil
- 29:17de acessar, porque a informação não está
- 29:20tão difícil de acessar. Veja pessoas
- 29:22como professores de Harvard, Stanford e
- 29:25n universidades que botam as suas aulas
- 29:28disponíveis no YouTube. Já parou para
- 29:30pensar o quão maluco é isso? O poço mais
- 29:32fundo está a um prompt, a um clique de
- 29:35distância e fica mais fundo a toda
- 29:37semana. A quantidade de conteúdo
- 29:39produzido pelo ser humano é absurda. O
- 29:41que ficou escasso foi outra coisa, a
- 29:44capacidade de olhar dois campos que
- 29:46ninguém colocou lado a lado, cruzar
- 29:48informações de duas áreas que ninguém
- 29:50tinha cruzado e enxergar o ponto entre
- 29:53elas. O especialista era muito bom numa
- 29:55coisa só. Uma máquina interpreta
- 29:58brilhantemente dentro de um domínio. Ela
- 30:00é treinada para prever o próximo passo
- 30:02dentro de um território conhecido. Só
- 30:03que o que ainda ela não faz bem é o
- 30:06salto lateral. E é exatamente isso que
- 30:08você faz o dia todo. Você pega coisas de
- 30:11diferentes campos e fica cruzando.
- 30:13Talvez não seja que as pessoas ficaram
- 30:16menos inteligentes. Talvez as pessoas
- 30:18que têm mais contribuição para essa nova
- 30:21era estão travadas, se sentindo
- 30:23inadequadas, se sentindo pressionadas,
- 30:26se sentindo estranhas, se sentindo não
- 30:29pertencentes. Então, o que sobrou foi um
- 30:31mundo cheio de pessoas distribuídas em
- 30:34escritórios, salas de aulas,
- 30:36consultórios se sentindo defeituosas.
- 30:38Gente que sabe muito de muita coisa, mas
- 30:41que enxerga conexões que ninguém pediu e
- 30:44que aprendeu a chamar isso tudo de falta
- 30:46de foco. Isso é um tamanho desperdício.
- 30:49E não é desperdício de talento, é o
- 30:50desperdício de função. Porque a
- 30:52diferença entre uma mente dispersa e um
- 30:54polímata nunca foi a quantidade de
- 30:56coisas que a pessoa sabe. É o alvo da
- 30:59inteligência, o alvo da atenção. O
- 31:01especialista recebe o alvo pronto, o
- 31:03campo dele já está definido e é uma boa
- 31:05pergunta. E ele responde aquela
- 31:07pergunta: "O generalista precisa
- 31:09construir o próprio alvo, só que nunca
- 31:12ensinou ele nem a gerenciar a própria
- 31:13atenção. Foi mandado que ele escolhesse
- 31:15uma coisa só, sendo que não é assim que
- 31:18ele funciona." As grandes contribuições
- 31:20do século passado foram feitas por
- 31:22pessoas que cavaram um poço muito fundo
- 31:24em uma área só. As grandes contribuições
- 31:27de agora vão ser feitas por pessoas que
- 31:29conseguem dominar múltiplos campos e
- 31:32usar a tecnologia e as informações que
- 31:35estão disponíveis agora. Esse é o
- 31:37conteúdo do meu próximo vídeo. Até lá. E
- 31:39se você não ouviu ainda o meu conteúdo
- 31:41sobre porque as pessoas criativas se
- 31:43autodestróem, assista que tá muito bom.
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This page contains the full transcript of Esse é o Cérebro de Pessoas Com Altas Habilidades by Jean Alessandro, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 4,776 words across 784 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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