Defesa O Caso dos Exploradores de Caverna — Transcript
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- 0:02[Música]
- 0:33[Música]
- 0:44nosso advogado de defesa fazer a
- 0:46exonação para absolver os os acusados.
- 0:49Boa noite, excelência. Boa noite,
- 0:51promotora, os nobres jurados, os
- 0:53presentes aqui nessa corte. Antes de eu
- 0:56começar a expor os motivos pelos quais
- 0:58eu tenho certeza que os réus devem ser
- 1:02absolvidos, eu gostaria de lembrar aos
- 1:05senhores jurados que de acordo com o
- 1:07artigo 5º, inciso 38 da nossa
- 1:10Constituição Federal, que instituiu o
- 1:12Tribunal do Júri, para que desse ao
- 1:15cidadão julgado a oportunidade de ser
- 1:18julgado pelos seus
- 1:20semelhantes, caso como esses trazido a
- 1:23baila aqui neste tribunal,
- 1:25É indispensável dar ao cidadão, ao réu,
- 1:28a condição de que ele seja lhe seja
- 1:31feito justiça, tanto no aspecto legal
- 1:34quanto no aspecto
- 1:35moral, para que vocês jurados possam
- 1:38julgá-los de acordo com as suas
- 1:40convicções e as suas consciências.
- 1:44Poderíamos ter aqui nesse tribunal, no
- 1:45lugar dos senhores, magistrados,
- 1:48operadores do direito, funcionários do
- 1:50direito, advogados, mas não. O Tribunal
- 1:53do Júri é composto pela sociedade para
- 1:57que membros da sociedade possam aferir
- 2:01justiça nesse
- 2:03julgamento. E mesmo que tivéssemos que
- 2:05seguir a letra fria da lei, nós
- 2:08poderíamos invocar aqui o artigo 25 do
- 2:12nosso Código Penal, que prevê a legítima
- 2:16defesa da vida e da honra. Poderíamos
- 2:19invocar também que os réus agiram sob
- 2:21violenta emoção previsto no artigo 65 do
- 2:25nosso Código Penal. Poderíamos alegar
- 2:28que estavam eles no estado de
- 2:30necessidade extrema, também previsto no
- 2:32artigo 24 do nosso Código Penal. Mas
- 2:35não. Nós temos aqui uma pluralidade, uma
- 2:39diversidade de pensamentos e opiniões
- 2:42para que seja feito justiça ao invés de
- 2:47ser feita a vingança, como defende a
- 2:50promotoria. No tribunal do Júri.
- 2:52Senhores, quem decide são vocês, é de
- 2:57vocês o veredito para absolver ou
- 3:00condenar os réus. Eu não me coloco aqui
- 3:03na minha tese a fazer uma contraposição
- 3:05entre o direito natural e o direito
- 3:06positivo, porque isso para nós já foi
- 3:09amplamente discutido e debatido. Esse
- 3:12conflito de opiniões não nos interessa
- 3:14nesse momento. É preciso que a gente
- 3:17analise o estado especial que esses
- 3:20homens estavam no interior daquela
- 3:22caverna.
- 3:25Se no nosso ordenamento jurídico, no
- 3:27nosso código penal fosse previsto a pena
- 3:31capital, eu não tenho dúvida que a
- 3:33promotoria estaria nesse momento pedindo
- 3:36que mandassem os réus ou pra forca ou
- 3:39pra cadeira elétrica, dando essa
- 3:43vingança como encerramento para esse
- 3:45caso. E digo vingança porque a
- 3:47promotoria tenta a todo custo impor a
- 3:51necessidade que seja feita a vingança ao
- 3:53invés da
- 3:54justiça. É extremamente, senhores, a
- 3:57gente entender o estado que esses bravos
- 4:00heróis passaram eh no interior daquela
- 4:04caverna. Não estavam eles ali fazendo um
- 4:07piquenique, promovendo um passeio
- 4:09ecológico, fazendo o seu lazer. estavam
- 4:13eles ali no interior da caverna, como
- 4:15bem nome, bem como o nome da ciência da
- 4:18qual eles fazem parte, eh, prevê que
- 4:21sejam feitos estudos para adquirir novos
- 4:24conhecimentos e através desses estudos,
- 4:26dessa otimização, dessa qualificação
- 4:29profissional, muitas vezes sabemos que
- 4:32esses estudos são responsáveis para que
- 4:35surjam aí novas técnicas, novos
- 4:37medicamentos, enfim, em benefício da
- 4:40humanidade, da sociedade. Eles ali
- 4:42arriscavam suas
- 4:44vidas a exercendo a sua atividade
- 4:47laborativa. Esses homens foram
- 4:49submetidos a condições subhumanas com o
- 4:52passar dos dias. Foram ficando cada vez
- 4:54mais fracos, sentiam vertigens, náusas,
- 4:58estavam perdendo o estado de sanidade, o
- 5:01perfeito estado de sanidade mental. A
- 5:04capacidade de raciocínio e discernimento
- 5:07era reduzida a cada dia que passava no
- 5:09interior daquela caverna. E durante o
- 5:12período que eles estiveram no
- 5:13subterrâneo daquela caverna, eles
- 5:17tiveram
- 5:18suspendidos o seu estado na o seu estado
- 5:21de direito, do qual o Estado lhe impõe
- 5:25certas obrigações, certas condutas e uma
- 5:29vez que suspenso o seu estado de
- 5:31direito, os seus atos ali não podem ser
- 5:33considerado legais, tão pouco ilegais,
- 5:37foi preciso estabelecer ali novas regras
- 5:40de conduta.
- 5:41regras de convivência, de comportamento
- 5:44e foi justamente um desses pactos
- 5:47celebrados no interior da caverna que
- 5:49trouxe esse caso a este
- 5:52tribunal. E eu faço um apelo que antes
- 5:55dos senhores julgá-los, que se coloquem
- 5:57nas mesmas condições que esses homens
- 5:59estiveram e façam justiça de acordo com
- 6:02as suas convicções e com e de acordo com
- 6:06com as suas consciências. Eles são tão
- 6:08vítimas quanto o Roger Guatem. Eles já
- 6:11pagaram duras penas trancafiados no
- 6:14interior daquela caverna. E permitam uma
- 6:16afirmação, senhores jurados. Eu não
- 6:19tenho a menor dúvida que tanto eu quanto
- 6:22qualquer um dos senhores que estivesse
- 6:25ali na faríamos as mesmas coisas,
- 6:28celebraríamos os mesmos pactos e os
- 6:30mesmos mesmos contratos, porque ali
- 6:33estaríamos numa
- 6:34busca pela nossa sobrevivência. tal qual
- 6:37eles
- 6:38tiveram. E busca essa que acabou vitando
- 6:43Roger Retol através desses
- 6:45contratos. E nenhum de nós em plena
- 6:49consciência, em san consciência dentro
- 6:51daquela caverna, naquelas condições,
- 6:53lembraríamosos de recorrer aos diversos
- 6:56artigos, parágrafos, incisos, a linhas
- 6:59do nosso Código Penal. Não teríamos
- 7:01condições psicológicas, discernimento e
- 7:04capacidade para
- 7:05isso. Gostaria de alertar aos senhores
- 7:08que as leis fora da caverna se modificam
- 7:11todos os
- 7:13dias. Eles estavam ali no estado
- 7:17sugenes fora da fora de alheio a
- 7:21qualquer modificação, a qualquer
- 7:22ordenamento
- 7:24jurídico aqui fora da caverna. muitas
- 7:26vezes o que era impossível semana
- 7:29passada, nessa semana se torna possível,
- 7:31legalmente permitido. Eu posso citar
- 7:34exemplos, por exemplo, eh, a união
- 7:37homoafetiva, que até bem pouco tempo era
- 7:39tratado como um desvio de conduta, um
- 7:42desvio de comportamento e hoje,
- 7:44jurisprudencialmente de uma decisão do
- 7:46nossa da nossa Suprema Corte, a união
- 7:49homoafetiva é legalmente permitida.
- 7:52Então, essas leis são modificadas todos
- 7:55os dias. Hoje nós discutimos abertamente
- 7:57sobre a discriminalização das drogas,
- 8:00sobre a redução da maioridade penal,
- 8:02sobre a possibilidade da legalização do
- 8:04aborto e por aí vai. As leis são
- 8:06mutáveis, são mutantes. Só que no
- 8:08interior da caverna existe um pacto
- 8:11alheio e averso a essas leis. Eu quero
- 8:13chamar a atenção dos
- 8:15senhores para uma recente pesquisa de
- 8:17opinião pública, amplamente divulgada na
- 8:20mídia, falada, escrita,
- 8:22televisada, onde 90% da população da
- 8:26sociedade, sociedade que os senhores
- 8:28fazem parte, os senhores jurados, 90%
- 8:32dos entrevistados absolveram esses réus.
- 8:35Os outros
- 8:3610%, 3% não souberam, não quiseram
- 8:39opinar e apenas
- 8:417% optaram pela condenação desses Gus.
- 8:46Não estamos aqui para ferir a
- 8:48popularidade desses senhores. Estamos
- 8:51citando esse caso para que a gente
- 8:53entenda que a sociedade da qual os
- 8:56senhores fazem parte já se encarregou de
- 8:59absorver absolver esses
- 9:01homens. E fatos e pactos são celebrados
- 9:05todos os dias. Eu posso citar
- 9:08historicamente Dom Pedro I, as margens
- 9:10do Ipiranga quando proclamou a
- 9:12independência do Brasil foi através de
- 9:14um pacto entre comandante, comandados e
- 9:17sociedade. Pacto que teve validade
- 9:20legal, tanto a validade quanto a lei
- 9:21positiva escrita. E não se tivesse tido,
- 9:25ainda hoje seríamos colônia de Portugal.
- 9:28lembraros por um outro fato, um outro
- 9:30pacto, um chamamento da sociedade, onde
- 9:33se conscientizou a população
- 9:35brasileira na década de 80, que
- 9:37precisávamos eleger uma constituinte,
- 9:40uma Câmara de Deputados constituinte que
- 9:42pudesse elaborar a Constituição Cidadã.
- 9:45E aquele chamamento, aquela
- 9:47conscientização, aquele pacto teve
- 9:49validade de lei, porque a população foi
- 9:51às urnas e escolheu da melhor forma
- 9:54deputados capacitados para eleger, para
- 9:57elaborar a
- 9:58Constituição. Eu gostaria de fazer um
- 10:00convite aos senhores
- 10:02jurados a viajarem no
- 10:05imaginário, a se colocarem nas mesmas
- 10:08condições que esses desafortunados
- 10:11orafamintos espereólogos passaram.
- 10:14Eles estiveram presos no subterrâneo de
- 10:17uma caverna, cobertos por toneladas de
- 10:19pedras, reduzidas à suas condições de
- 10:23discernimento, de raciocínio. E à medida
- 10:25que os dias passavam, as coisas
- 10:28pioravam. Estavam eles em condições
- 10:30adversas, insalubres, em lugar fétido,
- 10:33sem água, sem alimentação, sem qualquer
- 10:37condição de assepsia e higiene e, como
- 10:40disse o depoente, bebendo das suas
- 10:42próprias urinas.
- 10:44Aí eu pergunto aos senhores jurados, se
- 10:47chegasse eu nesse tribunal com copo de
- 10:50urina e oferecesse a cada um dos
- 10:52senhores, tenho certeza que me olhariam
- 10:54com a como,
- 10:57repugnância, porque todos aqui estamos
- 11:00saciados da sede da fome. Mas esse mesmo
- 11:04copo de orina negado neste momento, caso
- 11:07os senhores tivessem trancafiados 32
- 11:09dias naquela caverna, eu não tenho
- 11:12dúvida que seria considerado como a
- 11:14salvação para saciar a sede dos
- 11:16senhores. Imaginem também os senhores
- 11:19hipoteticamente numa outra posição, numa
- 11:21outra situação, numa embarcação em alto
- 11:24mar, o mar revolto e essa pequena
- 11:27embarcação que os sete jurados estavam
- 11:29eram eram os
- 11:31tripulantes. E na eminência de um
- 11:33naufrágio, momento derradeiro, os
- 11:35senhores têm que recorrer aos colhetes
- 11:37salvavidas. E naquele momento, os sete
- 11:40jurados, que na no momento seriam
- 11:42tripulantes, observam que só há seis
- 11:45colhetes salvavidas disponíveis daquela
- 11:48embarcação. Naquele momento do
- 11:51naufrágio, todos iriam correr para
- 11:54tentar se salvar, ignorando que um de
- 11:57vocês estaria condenado à morte, porque
- 12:00ali, naquela naufrágio, certamente seria
- 12:03impossível sobreviver em turbulentos
- 12:05mares. Seriam os senhores que
- 12:08conseguiram se salvar culpados pela
- 12:11morte desse único que não conseguiu
- 12:13colher de salvavida? Serão os senhores
- 12:16condenados por
- 12:18homicídio? É isso que a doa promotoria
- 12:20tenta impor nesse
- 12:22caso. Ele tenta imputar a esses réus o
- 12:24crime de homicídio
- 12:26doloso, do qual o pacto celebrado por
- 12:31Rogerm só teria apenas que lamentar a
- 12:34sua falta de sorte.
- 12:36Foi Roger que sugeriu que fosse feito o
- 12:39sorteio e era de Rogermore os dados que
- 12:43estavam na sua mochila e que serviram
- 12:45como instrumentos para aquele sorteio,
- 12:47para que esse fato, esse caso, tivesse o
- 12:49trágico fim que tomou.
- 12:53E eu deixei por último, senhores, mas
- 12:55tão importante quanto o destino que nós
- 12:57vamos dar a esses bravos
- 12:59sobreviventes é nós analisarmos quanto
- 13:02incoerência do
- 13:04estado. O estado que disponibilizou um
- 13:07enorme aparato do lado de fora da
- 13:10caverna, destinou milhões de reais em
- 13:14equipamentos, em pessoal na tentativa de
- 13:17salvar, de tirar daquela cadeia de
- 13:20pedras, tirar e salvar com vida os os
- 13:24sobreviventes. É o mesmo estado que
- 13:27deu-lhes a liberdade de tirá-los da
- 13:29cadeia de pedra, mas quer mandar-los
- 13:32para a cadeia de grades, onde nós
- 13:34sabemos que no Brasil o presídio é uma
- 13:37verdadeira diversidade do crime, não
- 13:40ressocializa ninguém e nem esse é o
- 13:41caso.
- 13:44É, senhores, é esse o local, o destino
- 13:47adequado que devemos dar a esses réus,
- 13:49condená-los ao convívio de latrocínio,
- 13:52traficantes,
- 13:55estrupadores. Seria justo trancafiá-los
- 13:57numa cadeia, uma vez que eles já foram
- 14:00condenados pelas condições perversas e
- 14:02desumanas que eles passaram do lado de
- 14:04fora da do lado de dentro da caverna.
- 14:07E eu deixei pro final, mas tão
- 14:10importante quanto esse destino, quanto o
- 14:12nosso julgamento, é avaliarmos um
- 14:15conjunto de fatores que foi determinante
- 14:18para que esse caso tivesse esse
- 14:21desfecho. Nós sabemos que no momento que
- 14:24os espeleiólogos conseguiram contato
- 14:26pelo rádio com o pessoal que estava do
- 14:28lado de fora da
- 14:30caverna, diversas autoridades estavam
- 14:33ali presentes. Sabemos que o prefeito,
- 14:36vereadores, governador, chefe da Defesa
- 14:39Civil, padres, pastores, lideranças
- 14:43eclesiásticas,
- 14:44religiosas, médicos, enfermeiros, todos
- 14:47estavam do lado de fora da caverna e
- 14:51todosam, todos negligenciaram um
- 14:53socorro, uma palavra de apoio, nem
- 14:56positivamente, pela proposta que foi
- 14:59colocada por Roger, tampouco
- 15:02negativamente. Serão essas autoridades,
- 15:04todas elas julgadas e condenadas como
- 15:07cúmplices, uma vez que eles tiveram a
- 15:10oportunidade de se pronunciar e mudar o
- 15:12o final dessa história, os mandatários
- 15:16de cargos eletivos ali presentes serão a
- 15:19eles imputado o crime de prevaricação
- 15:22previsto no artigo 319 do nosso Código
- 15:25Penal, uma vez que tiveram a
- 15:26oportunidade de se
- 15:29pronunciarem e se furtaram a isso,
- 15:32agravando essa omissão dos mandatários,
- 15:35eles ainda foram responsáveis pela ordem
- 15:38daquele resgate que vitimou uma dezena
- 15:40de homens. Teriam eles agido com
- 15:43negligência, tipificado no artigo 18,
- 15:46inciso 2º do nosso Código Penal, uma vez
- 15:49que
- 15:51conhecm, morreram 10 homens e mesmo
- 15:53assim continuaram com a operação do
- 15:55salva viida. médicos e enfermeiros ali
- 15:58presentes que se omitiram, se calaram
- 16:00quando Roger perguntou se seria possível
- 16:03que se comesse carne humana poderiam
- 16:06sobreviver. Médicos e enfermeiros se
- 16:08omitiram também e poderiam ter opinado,
- 16:11ter sugerido uma automutilação que
- 16:15qualquer um deles poderia cortar num de
- 16:16seus membros e comer. Por que não? Mas
- 16:19preferiram se calar. se omitiram e é
- 16:23omissão de socorro também prevista no
- 16:25nosso ordenamento jurídico no artigo 135
- 16:28do Código Penal. Nós sabemos que
- 16:30diversas lideranças religiosas, padres,
- 16:33pastores, todos ali presentes, também se
- 16:36omitiram. E a igreja no passado, e ela
- 16:39prega isso, diversas crenças, doutrinas
- 16:41religiosas pregam isso, que quando o
- 16:44necessitado pede ajuda, pede apoio, a
- 16:46igreja tem que intervir, tem que
- 16:47participar. Mas e padres, pastores e
- 16:49lideranças religiosas se metiram. Serão
- 16:52eles como no passado que algumas crenças
- 16:55religiosas pregavam apedrejamento em
- 16:57praça pública que fossem queimados
- 17:00aqueles que agissem contrário às regras
- 17:03da igreja. Sabemos da lei de italião e a
- 17:05igreja no passado não se opõe a
- 17:08ela. É, minha gente, a missão de todos
- 17:11ali presentes, todos que tiveram a
- 17:13oportunidade de dar aí uma sugestão de
- 17:16resolver os questionamentos Roger
- 17:18Watmone, foram
- 17:21responsáveis, eh, e foi determinante pro
- 17:24desfecho desse caso. Todos ali que se
- 17:26omitiram, se calaram, também podem ser
- 17:30considerados culpados, se é que eles são
- 17:32culpados.
- 17:34E eu não tenho dúvida que esse silêncio,
- 17:37essa omissão deu a legitimidade que os
- 17:41sobreviventes queriam e que precisavam
- 17:44para que dessem prosseguimento aí com
- 17:45seu plano de sobrevivência. Aquele
- 17:48contrato expressamente celebrado no
- 17:50interior da caverna, tácitamente
- 17:53entendido pelos sobreviventes como de
- 17:56acordo, vai em frente, sigam em frente.
- 17:59Tacitamente foi entendido que poderiam
- 18:02dar prosseguimento ao plano. Por isso eu
- 18:05peço a todos os senhores que julguem de
- 18:08acordo com as suas convicções, com as
- 18:10suas consciências e absolvam esses réus.
- 18:13E aqueles que ainda têm dúvida em
- 18:15relação a isso, eu invoco a máxima do
- 18:18direito penal, na dúvida pró. Muito
- 18:22obrigado, excelência. Peço aos senhores
- 18:24jurados que entendendo que os réus sejam
- 18:27absolvidos de acordo com a tese da
- 18:29defesa, vocês mostrem a placa com a face
- 18:32verde voltada para a frente. Por favor,
- 18:34elevem a bem para cima. E caso vocês
- 18:38considerem que os réus devam ser
- 18:39condenados por homicídio doloso, de
- 18:41acordo com a sustentação feita pela
- 18:44promotoria, que vocês mostrem a placa
- 18:46com a fase vermelha para
- 18:50considerando-se o resultado unânime
- 18:52desta votação realizada pelos jurados
- 18:54presentes neste tribunal, a juíza
- 18:56declarou os réus livres da acusação de
- 18:59homicídio doloso, de acordo com os sete
- 19:02votos a favor da absolção, contra nenhum
- 19:04voto favorável à condenação.
- 19:07declarando-os inocentes de acordo com a
- 19:09vontade da maioria absoluta dos jurados
- 19:12desta corte.
- 19:16[Música]
- 19:46[Música]
- 19:53Oh.
- 19:54[Música]
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