Coragem de viver depois da dor e o poder invisível das relações | Neurotalks com Anne Lottermann #56 — Transcript
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- 0:00Olá,
- 0:02[Música]
- 0:08olá, seja muito bem-vindo a mais um
- 0:10episódio do Neurotalks, o seu podcast de
- 0:14saúde mental, prevenção de burnout e
- 0:16autocuidado. E hoje eu tenho a alegria,
- 0:20a honra de receber essa maravilhosa
- 0:23minha amiga, jornalista, apresentadora,
- 0:27host do podcast Danice, youtuber, divina
- 0:32mãe Anne Lotterman. E isso é muita coisa
- 0:36lorão, lã linda.
- 0:38>> Como é que você dá conta de tudo? Eu
- 0:39faço tudo atropelado mesmo, gente.
- 0:41>> Maravilhosa, maravilhosa. Seja
- 0:43bem-vinda. Obrigada por ter vindo.
- 0:45>> Eu tô reestreando, né, esse podcast que
- 0:48já a gente já gravou aí mais ou menos 50
- 0:50episódios. Agora a gente tá voltando
- 0:52>> e eu quis nesse primeiro dia aqui de
- 0:54gravação trazer pessoas muito especiais
- 0:56assim, sabe? E fiquei muito feliz de
- 0:59você ter aceito esse convite.
- 1:02>> Primeira pergunta, já que eu te
- 1:03apresentei com tantas coisas aí que você
- 1:06faz, né, Anne? E e como é que a gente,
- 1:09nós mulheres, né, como é que a gente
- 1:11equilibra esses pratinhos todos?
- 1:13>> Nossa Senhora, que pergunta maravilhosa.
- 1:15Sabe por? Eu vim no carro pensando
- 1:17nisso, eu falei: "Gente, a gente, né, a
- 1:19gente se cobra tanto e eu sempre fui
- 1:20essa pessoa que me cobrei muito durante
- 1:22muito tempo, né? Porque tem que
- 1:23trabalhar, tem que estar bem de saúde,
- 1:25tem que est com corpo em dia, tem que
- 1:26ser uma boa mãe, tem que ser uma boa
- 1:27amiga. Eu tô naquele momento, Ana, que
- 1:30eu deixei todos os pratinhos, ó, caírem.
- 1:33Maravilhoso,
- 1:34>> gente. Que delícia que é deixar prato
- 1:36cair. Deixei todos os pratos caírem.
- 1:38Todos. Todos. Que eu acho que eh acho
- 1:40que os dois últimos anos para mim eh
- 1:43estão sendo anos muito intensos
- 1:46emocionalmente e psicologicamente,
- 1:48porque eu tô num processo realmente de
- 1:51autoconhecimento, de introspecção, de
- 1:53entender quem é a Anne, de de saber o
- 1:56que eu faço daqui pra frente, sabe? E eu
- 1:58acho que a idade, os 40 anos trazem
- 2:00muito isso. Então acho que como dar
- 2:02conta, acho que é primeiro deixar os
- 2:04pratinhos todos caírem, porque tem um
- 2:06momento que a gente precisa real deixar
- 2:08os pratos caírem para manter a saúde
- 2:11mental em dia. E aí escolheu o pratinho
- 2:13que você quer pegar de novo. Porque
- 2:15assim, o que que é realmente importante
- 2:17que a gente vai carregando e de repente
- 2:18você olha, mas por que que eu tô
- 2:19carregando tudo isso?
- 2:21>> Por quê? Não faz sentido mais eu
- 2:22carregar isso. Então, cara, tô naquela
- 2:24fase tipo, uh, leve, porque eu deixei
- 2:28tudo cair e agora eu tô só olhando os
- 2:30pratinhos assim, acho que esse pratinho
- 2:32aqui eu vou pegar, acho que esse
- 2:33pratinho eu não quero mais, esse
- 2:34pratinho eu vou colar de novo, vou
- 2:36tentar equilibrar e tá tudo certo.
- 2:38>> Não, maravilhoso. E você sabe que me
- 2:39perguntam isso também, né? Às vezes o
- 2:41pessoal me vê nos stories, né, no balé,
- 2:43no sapateado, não sei aonde, aí minha
- 2:44mãe ficou doente, aí as crianças em
- 2:46casa, não sei o que. Ana, como é que
- 2:48você dá conta de tudo? falou: "Não dou,
- 2:50não dando conta,
- 2:51>> não me obrigando a dar conta", né? É
- 2:54justamente isso, porque o a gente se
- 2:57cobrar de que tem que dar conta é a
- 2:59maior piração que existe, né? Hoje em
- 3:01dia.
- 3:01>> É. E eu tava eh eu tenho estudado
- 3:03bastante psicologia.
- 3:04>> Aliás, a Anne está fazendo faculdade de
- 3:06psicologia. Teremos uma nova psicóloga
- 3:09maravilhosa por aí. Lindo,
- 3:10>> gente, feliz da vida. Aquela aquele
- 3:13sonho de criança, de menina que eu tô
- 3:15com 41 anos conseguindo realizar, sabe?
- 3:17Você vai ser uma psicóloga tão incrível.
- 3:19>> Ah, eu amo a psicologia.
- 3:20>> Eu vou encaminhar um monte de paciente
- 3:22você.
- 3:22>> Ai, manda a calma. Eu vou começar esse
- 3:24semestre estágio já. Olha que
- 3:26maravilhoso.
- 3:26>> Pronto, daqui a pouco eu vou mandar.
- 3:28>> Mas você sabe que eu tava lendo Jung e
- 3:30aí tem uma uma das frases que são, né, o
- 3:32Jung tem várias frases conhecidas, mas
- 3:34uma frase que fala assim: "O mundo vai
- 3:37te perguntar quem você é?" E se você não
- 3:39souber, o mundo vai dizer. E isso eu
- 3:42fiquei me deu, fiquei um tempo pensando
- 3:44nisso. Falei: "Cara, quando a gente é
- 3:45criança e mulher, né, principalmente
- 3:47você é a é a Anne do papai, é a Anne da
- 3:50mamãe, depois você casa, aí você é a
- 3:53Anne do marido e aí depois de um tempo
- 3:55>> a Anne da TV,
- 3:56>> a Anne da Globo." É, então assim,
- 3:58durante muito tempo eu apresentei assim,
- 4:00quem quem que Anne? A Anne da Globo,
- 4:02depois que Anne a Anne do Faustão, sabe?
- 4:06>> Depois eu fui a Anne do Faustão. Então,
- 4:08pela primeira vez, quem é a Anne? É a
- 4:10Anne da Anne, é a Anne Lotterman, é a
- 4:12Anne do Danice. Falei: "Gente, que
- 4:14delícia! Pela primeira vez na vida, tô
- 4:16podendo ser eu." E acho que por isso
- 4:17também eu me permiti largar os
- 4:19pratinhos. E é contraditório porque
- 4:21durante toda a minha vida, mesmo sendo a
- 4:23Anne da Globo, mesmo sendo a Anne do
- 4:25Faustão, mesmo sendo a Anne do marido,
- 4:27mesmo sendo a Anne do papai, da mamãe,
- 4:29aquela coisa, a gente batia no peito, eu
- 4:31batia no peito e precisava da chancela
- 4:33deles para dizer: "Não, mas eu posso, eu
- 4:35consigo, eu não preciso de ajuda, não
- 4:36preciso de você. E agora que eu tô
- 4:39conseguindo ser eu, eu peço ajuda.
- 4:41>> Perfeito.
- 4:42>> Pela primeira vez eu falo: "Não, eu sou
- 4:44a Anne da Anne, eu sou a Anne Lot, sou a
- 4:46Anne do Danice e eu recebo ajuda, eu me
- 4:49permito receber ajuda, sabe? Então isso
- 4:51tá sendo assim incrível na minha vida.
- 4:53>> Nossa, fantástico. E o teu projeto
- 4:55Danice, né, Anne? Que eu fui lá atrás no
- 4:57comecinho, aliás, tô louca para voltar.
- 4:59me chamar agora na cafeteria
- 5:01maravilhosa.
- 5:02>> Eh,
- 5:03ele ele traz mulheres, né, para para
- 5:06debater comportamento feminino, né? Fala
- 5:09um pouquinho disso, assim, para quem
- 5:11ainda não conhece, tem que seguir,
- 5:13porque é maravilhoso. Inclusive, tem até
- 5:15uma playlist que eu que eu ouço no
- 5:18Spotify que eu amo
- 5:19>> Spotify de músicas do Danice. Eh, eu
- 5:22acho que sempre tem música só de
- 5:23mulheres, inclusive dá para acrescentar
- 5:25música, tá gente? Eu deixei aberto. Se
- 5:26você gosta de alguma música, pode
- 5:27colocar essa música também lá. Então,
- 5:29Ana, o Danis, ele nasceu nesse momento
- 5:31que eu já tinha trabalhado na Globo 10
- 5:34anos, já tinha, né, no jornalismo, eu já
- 5:38falei: "Bom, cheguei no Jornal Nacional,
- 5:39que mais que eu posso conseguir na vida,
- 5:41>> né? Aquele lugar, você fala: "Bom, todo
- 5:43mundo quer chegar no Jornal Nacional".
- 5:44Consegui. Bom, cheque. Cheguei, provei
- 5:47que eu era capaz, provei que eu era que
- 5:48eu era boa. Depois eu fui pro
- 5:50entretenimento trabalhar com Faustão.
- 5:51Falei, gente, tive o padrinho Lian Bon,
- 5:53depois tive um outro padrinho, né?
- 5:55padrinho, né, que que
- 5:56>> trabalhava diretamente ali com o Faustão
- 5:59>> e eu trabalhei no entretenimento. Falei:
- 6:01"Bom, dei dois grandes cheques na vida".
- 6:03Eu falei: "Tá, e agora? O que que você
- 6:05quer? Que que você quer de verdade?"
- 6:08Foi aí que surgiu o Danice, que foi o
- 6:11momento que conspirou com uns 40 anos,
- 6:14no momento de renovação, que eu não
- 6:16queria mais viver o que eu tava vivendo
- 6:17daquele jeito, daquela loucura toda, e
- 6:20buscando quem era Anne de verdade e o
- 6:23que que me fazia, o que tocava dentro de
- 6:25mim.
- 6:25>> Uhum.
- 6:26>> E eu sempre amei. Eu tenho grandes
- 6:28mulheres que fizeram e que fazem
- 6:31diferença na minha vida. Eh, e mulheres
- 6:34que se identificam comigo pela força,
- 6:36pela coragem, pela luta e tudo mais. Eu
- 6:39falei: "Cara, eu preciso falar com essa
- 6:40mulher". E sabe aquele sexto sentido,
- 6:42aquela vozinha de bruxa que a gente tem?
- 6:44Fala com a mulher, conversa com a mulher
- 6:46e não sei o quê. E aí eu assisti a coisa
- 6:48da EB. Eu falei: "Cara, a EB é incrível,
- 6:49queria ser com uma EB, eu quero ser com
- 6:51uma EB". Eu falei: "Bom, vou receber
- 6:53mulheres, por que não, né? Eh, como a
- 6:56EB, eu vou, sempre usei a EB como
- 6:57inspiração na minha vida."
- 6:59E aí surgiu Danice. Então assim, eu
- 7:02queria algo que tivesse o meu nome,
- 7:04Anne, dentro do meu canal. Ah, o canal
- 7:05da Anne, não, não era isso que eu
- 7:07queria. Era um grande Danice mesmo que
- 7:09eu tava.
- 7:10>> Danice foi um Da onde surgiu, que dia
- 7:11que foi assim, você tava tomando banho?
- 7:13Tava fazendo o quê?
- 7:14>> Porque foi incrível assim esse nome.
- 7:16>> Eu tenho um namorado noivo que é
- 7:18publicitário. Sim,
- 7:20>> e a gente fez uma reunião
- 7:23>> e falei: "Bom, precisamos escolher o
- 7:25nome do canal". Eu falei, aí eu botei
- 7:27tudo isso para fora. Eu falei: "Olha,
- 7:28quero um nome que tenha meu nome
- 7:29dentro." E a gente começou a criar,
- 7:31pensar em várias palavras. A gente deu
- 7:33Google, Anne, não sei o quê, palavras
- 7:35que tem um an do da palavra e tal.
- 7:38>> E aí veio o Danice. Falei: "Nossa, tem
- 7:40Danice, é bom, hein?
- 7:41>> Maravilhoso.
- 7:43>> Pode ser bom, mas não é um Danice
- 7:44normal. Então vamos botar um Danice." E
- 7:46aí no início eu falava o da Anice,
- 7:48>> que era o jeito da Anne de ser. Aí eu
- 7:50falei que da Anice? O qu era de Danice?
- 7:53Eu quero que dane se o que o povo vai
- 7:55achar, o que não vai achar.
- 7:57>> E aí foi uma libertação aos poucos
- 7:59assim, definitivamente, né, ser um
- 8:02grande danice.
- 8:03>> E foi uma uma descoberta muito feliz
- 8:06assim para mim assim como mulher, poder
- 8:09conversar com outras mulheres, eh poder
- 8:12falar com a mulher, poder me aprofundar
- 8:14nesse assunto mulher, poder me aproximar
- 8:17e ao mesmo tempo dessa busca do
- 8:19autoconhecimento. Então as mulheres,
- 8:21cada mulher que vai no Danice me cura de
- 8:24alguma ferida e isso é muito incrível.
- 8:27Então assim, hoje eu sou uma mulher
- 8:29completamente diferente, muito mais
- 8:31curada, muito mais com a terapia em dia
- 8:34também. Então todas as mulheres que
- 8:36passaram pelo Danice de alguma forma me
- 8:38inspiraram, me ensinaram
- 8:40>> fazendo essa construção, né?
- 8:41>> Nossa, e construíram a mulher que eu sou
- 8:42hoje. Então isso não tem preço assim. É
- 8:44muito incrível.
- 8:45>> Que legal. E essa tua conexão com o
- 8:47feminino, né? você chegou a falar pra
- 8:49gente no último podcast que a gente
- 8:51gravou juntas, né, o quanto isso tem
- 8:53contribuído pra tua formação atualmente,
- 8:56né,
- 8:57>> e nossa, e refletir também daqui pra
- 9:00frente, né, Ana, eu acabei de gravar o
- 9:02episódio número 100 e aí número 100,
- 9:05episódio 100. Eu tava achando que eu
- 9:06tava arrasando aqui, Luana, que eu tinha
- 9:09gravado 50. Que que é isso, Brasil?
- 9:11>> É episódio número 100. E aí a gente
- 9:13falou sobre a importância das da amizade
- 9:15feminina. E aí a gente ficou refletindo,
- 9:18porque quando você pergunta pro homem
- 9:21quem vai cuidar de você quando você
- 9:23envelhecer, o homem fala: "Ah, minha
- 9:25esposa, minha mulher, minha filha".
- 9:27Sempre tem uma mulher na jogada, né?
- 9:29>> Quando se pergunta pra mulher, "Quem vai
- 9:32cuidar de você quando você envelhecer?"
- 9:34>> A mulher geralmente pensa aí, quem vai
- 9:37cuidar de você quando você envelhecer?
- 9:38Mulher, a gente tende a falar duas
- 9:41coisas. Primeiro eu vou cuidar de mim.
- 9:43>> Uhum.
- 9:43>> Né? Porque ou alguma amiga vai cuidar de
- 9:46mim.
- 9:46>> Uhum.
- 9:47>> Nunca é não. Meu marido vai cuidar de
- 9:49mim. Os meus filhos vão cuidar de mim.
- 9:51Nunca é sempre uma outra mulher que vai
- 9:53nos ajudar. E aquilo, eu falei, gente,
- 9:56tá vendo como é incrível? E a gente não
- 9:58é incentivada a manter as amizades, né?
- 10:00>> A gente a gente estuda tanto, estuda
- 10:03não, né? Se aprofunda e debate eh tanto
- 10:06sobre o relacionamento amoroso, afetivo,
- 10:09né? E a gente fala pouco sobre
- 10:11relacionamento de amizade, né? Ontem
- 10:14mesmo atendi uma uma paciente que tá em
- 10:18recuperação, né, de de burnout e tal, e
- 10:20ela tá passou muito tempo isolada, né,
- 10:23por conta do transtorno,
- 10:25casada e atualmente ela tá se
- 10:28recuperando e ela comentou assim comigo,
- 10:31eh, ai, doutora, eu eu vejo seus
- 10:33stories, eu te acompanho e tal. E eu
- 10:36acho tão bacana que você tem tantas
- 10:38amigas, você cada hora tá com um grupo
- 10:41de amigas diferente. Então, uma hora da
- 10:43faculdade, uma hora as meninas da TV
- 10:45falou até de você, né? Você da Isa, da
- 10:48Pan. Eh, eh, eu acho tão legal o jeito
- 10:50que você tem as amigas do balé. Eh, ela
- 10:53falou: "Eu não tenho amigas e eu sinto
- 10:55falta". E aí eu fiz uma reflexão com ela
- 10:58e até dei algumas dicas para ela
- 11:00resgatar algumas amizades, né? que
- 11:02assim, Anne, amizade precisa de
- 11:06dedicação
- 11:07>> total,
- 11:08>> dá trabalho. Quer dizer, é é é se
- 11:10colocar disponível.
- 11:12Eu quero te ouvir, vem cá. Você foi uma
- 11:15super parceira no momento que eu
- 11:16precisei muito recentemente. Quer dizer,
- 11:19ó, vou sair aqui da minha casa numa
- 11:20quarta-feira com frio para ir jantar com
- 11:22você, porque você tá precisando e eu vou
- 11:24te falar algumas coisas legais. E a
- 11:26partir dali você ganhou meu coração,
- 11:28minha filha. que você precisar, eu vou
- 11:29com você pro inferno.
- 11:32Então assim, eh eh é isso. A gente eh a
- 11:36a amizade ela precisa ser regada, ela
- 11:38precisa de dedicação, de entrega, né?
- 11:40>> Mas isso não é incentivado na gente, né?
- 11:43Porque assim, o que que é incentivado
- 11:44socialmente na mulher? Você tem que
- 11:47primeiro, é também primeiro você tem que
- 11:48cuidar da família, cuidar do marido,
- 11:50cuidar dos filhos. Aí você tem que
- 11:52cuidar do corpo, aí você tem que cuidar
- 11:53da casa, aí você tem que cuidar. A
- 11:55amizade da mulher vai ficando lá para
- 11:58trás. Quando você tem tempo, um
- 11:59pouquinho, você fala: "Gente, eu só
- 12:01quero dormir,
- 12:02>> não amiga, vamos sair não, pelo amor de
- 12:03Deus, eu tô muito cansada, não dá, eu
- 12:05não consigo, né?" Então assim, e a
- 12:08competição,
- 12:09>> porque se parar para pensar, as mulheres
- 12:11antigamente elas se juntavam para fazer
- 12:14crochê, para cozinhar, para fazer
- 12:17qualquer coisa, para costurar, né? Para
- 12:20bordar. E aquilo ali, bem ou mal, elas
- 12:23davam apoio uma paraa outra.
- 12:25>> Sim.
- 12:25>> Às vezes podia não falar muita coisa,
- 12:27né? Porque era difícil até abrir
- 12:29situações difíceis dentro da família.
- 12:31>> Eh, mas elas se apoiavam, tinha esse
- 12:33apoio, era presença ali, né? Hoje em dia
- 12:36a gente perdeu muito isso, né? esses
- 12:38encontros de mulheres, essa coisa de
- 12:40você ter um lugar onde a gente sabe que
- 12:42que fosse no sábado à tarde na na no
- 12:46clube da vilinha, no clube da
- 12:48cidadezinha, todas as mulheres iam se
- 12:49encontrar naquele lugar, a gente perdeu
- 12:51muito isso. Então, de alguma forma a
- 12:53gente precisa resgatar. E eu acho que a
- 12:55competição realmente surgiu justamente
- 12:58para afastar esse poder da mulher que
- 13:00gente, mulher junto
- 13:02>> ninguém segura,
- 13:03>> ninguém segura, ninguém segura. Porque
- 13:05eu até brinquei, eu eu brinquei, não, eu
- 13:07falei uma coisa muito séria, que a
- 13:08fraternidade, né, que em latim o frater
- 13:11é irmã Uhum.
- 13:13>> A união dos irmãos.
- 13:15>> Então se parar até na na nas revoluções,
- 13:17Revolução Francesa, igualdade, liberdade
- 13:19e fraternidade. A mulher já era excluída
- 13:22de cara, de todas as situações, né?
- 13:24>> Depois surgiu a sororidade. Sorô, que é
- 13:26de irmãs. Então assim, é a união das
- 13:29irmãs,
- 13:30>> a sororidade entre as mulheres que
- 13:32também vem do latim. Sim, eu falei, é
- 13:34isso. A mulher tem que ser, tem que ter
- 13:35sororidade uma com a outra.
- 13:38>> Perfeito, perfeito. E se dedicar e
- 13:39torcer pela outra, vibrar e e e tá ali
- 13:44disponível, né? E perder ali um tempinho
- 13:48do seu dia em ouvir alguém que tá
- 13:49precisando. E e gente, isso é tão
- 13:52importante assim, eu sou uma pessoa que
- 13:54me dedico muito às minhas amizades. E aí
- 13:57tem gente, nossa, você tem tantos
- 13:59amigos, você agrega tanto? Sim, porque
- 14:02há muitos anos eu me dedico a isso,
- 14:04porque me faz bem.
- 14:05>> Sim. E tem que se dedicar aos amigos. A
- 14:08gente tem que se dedicar. E mesmo
- 14:10aquelas amizades, eh, porque mulher tem
- 14:13isso? Brigou uma vez, não quer falar
- 14:14nunca mais, né? Nossa, pega ranço da
- 14:17amiga e não quer falar nunca mais, não.
- 14:18Porque ela foi uma escrota comigo.
- 14:20Calma, porque assim, pensa nos homens.
- 14:22Os homens têm essa capacidade de brigar
- 14:24um dia e no dia seguinte tá tudo bem,
- 14:25tão tomando cervejinha deles lá de boa.
- 14:28>> Então assim, será que a sua amiga não
- 14:29merece também uma segunda chance? Não
- 14:31merece, amiga, vamos sentar aqui, vamos
- 14:33lá, vamos ser honesta uma com a outra,
- 14:35né? Tipo, vamos conversar, vamos se
- 14:37acertar,
- 14:38>> porque a gente precisa de
- 14:39>> A gente faz isso em relacionamento
- 14:41amoroso,
- 14:41>> pô. A gente só faz, né? A gente tá
- 14:43sempre perdoando,
- 14:44>> a gente tá sempre dando uma outra
- 14:45chance,
- 14:46>> sempre perdoando o traste e não vai
- 14:48perdoar, amiga. Exato. O traste pode,
- 14:50né, Mauri? Pelo amor de Deus. Porque eh
- 14:53eh o vínculo, a criação de vínculo, ela
- 14:55dá trabalho, né, Anne? A gente vai
- 14:57conhecendo as camadas do outro, né? E a
- 15:00gente eh esbarra com muitas coisas que
- 15:04nos às vezes nos assustam, nos ferem.
- 15:07Então, eh, eu dou uns passinhos para
- 15:09trás, mas depois respira. E se são, se
- 15:12eu tenho ali diante de mim uma pessoa
- 15:14que eu que eu amo, que eu gosto, que me
- 15:16faz bem, eu acho que sim, vale a pena.
- 15:19Vale, porque a gente briga com marido, a
- 15:21gente briga com filho, a gente briga com
- 15:22mãe, briga com pai.
- 15:24>> Por que não vai brigar comig? Não vai
- 15:26desistir. Não tem que, acho que não tem
- 15:27que desistir das amigas.
- 15:28>> E tem muita gente legal por aí, muita
- 15:30gente incrível e que realmente são
- 15:33pessoas que nos dão suporte no momento
- 15:35em que tudo parece que desaba, né?
- 15:38>> Mas isso geralmente acontece mais também
- 15:40com aí vai ter muito falando: "Ah, mas
- 15:43eu briguei com a minha amiga, foi
- 15:44escrota". Gente, eu acho que o tempo vai
- 15:46mostrando quem realmente tem que ficar
- 15:48na sua vida e quem vai sair da sua vida.
- 15:51Eh, hum. E e acho que quando você chega
- 15:54de novo aos 40 anos, você já sabe tudo
- 15:57que você conquistou na vida e você já
- 15:58sabe que você vai conquistar ainda, que
- 16:00você não vai conquistar mais, né?
- 16:03>> Então, acho que a gente sempre trabalhou
- 16:04na escassez, porque de novo socialmente
- 16:06foi nos imposto a escassez, né? a gente
- 16:08tinha que correr atrás do marido, a
- 16:10gente tinha que manter aquela relação, a
- 16:12gente tinha que ter a chancela do
- 16:13marido, a gente tinha que ter um monte
- 16:15de coisa. E aí isso prejudicou muito, eu
- 16:18acho, esse processo nosso e
- 16:20>> de excluir as amigas, de excluir a
- 16:22mulher da nossa vida, mas achim assim,
- 16:24acho que chega realmente um momento que
- 16:26você fala: "Nossa, eu preciso das
- 16:27mulheres". E é tão bom chegar nesse
- 16:30momento da vida que você fala: "Nossa,
- 16:32eu posso ter as mulheres com minhas
- 16:34grandes parceiras de vida, né? Pesso
- 16:36mulheres que vão me ajudar. que vão me
- 16:38incentivar, que vão me levantar. E eu tô
- 16:41muito feliz porque eu tô podendo
- 16:42realmente aprender com muitas mulheres e
- 16:45poder dar mão para muitas e falar assim:
- 16:47"Vai, esse é seu palco, vai o Dan, é seu
- 16:49palco, fala o que você quiser e ajuda
- 16:51outras mulheres também a se curarem, a a
- 16:54e e saírem nesse lugar ruim que tem
- 16:56muitas,
- 16:56>> porque o projeto ele é muito nesse
- 16:58sentido, ele ajuda muita gente e a tua
- 17:01história de vida ela é muito
- 17:02inspiradora, né, Anne? Porque você tem
- 17:04uma história de força, né, assim, a
- 17:07questão do luto, né, de ter enfrentado o
- 17:10luto com dois filhos pequenos. Quer
- 17:12dizer, é uma história de uma superação
- 17:13absurda. Eu sei que você não escolheu
- 17:14nada disso, que se você pudesse
- 17:16escolher, você não ergueria essa
- 17:18bandeira jamais. Mas infelizmente foi o
- 17:21que aconteceu, foi o que a vida colocou
- 17:23e aquilo que você falou para mim, né,
- 17:25minha amiga, você não tem escolha,
- 17:27>> você não tem escolha,
- 17:27>> então segue, né, vai em frente.
- 17:29>> Opção, tem opção, pode voltar atrás,
- 17:31pode não viver isso,
- 17:33>> não, não tem opção. Então o que que você
- 17:35vai fazer, né? Você tem que ter força e
- 17:37tirar forças e a mulher, cara, a mulher
- 17:39tem força,
- 17:40>> você descobre uma força dentro de você
- 17:42em situações extremas, né? Você fala:
- 17:45"Da onde veio isso?" Hoje eu olho para
- 17:46trás, Ana. Olha, falou, olha, falou
- 17:47assim, gente, ia te perguntar, você,
- 17:49você acredita que foi você que passou
- 17:51tudo isso? Não. Eu olho para trás,
- 17:53falou: "Gente, como é que eu consegui?
- 17:55Como é que eu suportei tudo isso? Como é
- 17:57que eu consegui tudo isso?" Eh, e aí eu
- 18:00falou: "Gente, eu acho que muito da
- 18:02minha força vem da roça, sabia? É porque
- 18:04eu sou da vim da roça, gente. Eu vim da
- 18:06roça. Roça
- 18:07>> essa loira linda com essa cara de
- 18:09princesa,
- 18:10tá gente? Maravilhosa. Sim, ela veio da
- 18:13roça.
- 18:13>> Eu vim da roça. Eu
- 18:14>> o que faz ela mais linda ainda.
- 18:16>> Eu vim da roça. Eu mori na roça até os
- 18:19meus 17 anos quando eu vim morar em São
- 18:21Paulo. Então eu acho que eu aprendi
- 18:23muito com a roça. E eh assim, acho que a
- 18:26a o tempo da espera da de plantar, de
- 18:29preparar terra, de plantar, de colher,
- 18:31de comer, de entender de estações do ano
- 18:34e saber que em determinada época,
- 18:37dezembro, no verão vai dar melancia, mas
- 18:40que no inverno vai ter a laranja, que o
- 18:42frio vai deixar a fruta mais doce. Então
- 18:43assim, é entender que tem tempo para
- 18:46tudo, né? E tem tempo da laranja e tem
- 18:48tempo da melancia, e tem tempo da
- 18:50alegria e tem tempo da tristeza. Tudo no
- 18:52seu tempo e você saber respeitar.
- 18:55e esperar
- 18:57tudo passar e aproveitar os momentos
- 18:59felizes. Eu acho que eu aprendi muito
- 19:01isso na roça, assim, eu acho essa força,
- 19:04mas eu não sei como como é. É fácil
- 19:07falar, né, gente?
- 19:09É fácil falar, mas viver é muito mais
- 19:11difícil, né? Viver é difícil,
- 19:13>> não. Total, total. essa essa força vinda
- 19:16da roça me eh me deixou aqui reflexiva.
- 19:20A gente que eu ia te perguntar da onde
- 19:23vem sua força, né, Anne? E e acho que é
- 19:26da natureza, né? É da mãe natureza e do
- 19:29ambiente onde você foi criada,
- 19:31>> gerada, criada. Você nasceu lá?
- 19:34>> Eu nasci lá. Eu nasci lá e no interior
- 19:36do Rio Grande do Sul, numa cidade
- 19:38chamada Giruá. Uhum.
- 19:40>> Que é uma cidade que tem 6, 7.000
- 19:41habitantes. É muito pequenininha. Depois
- 19:44eu fui morando em vários outros lugares
- 19:46também ali do Rio Grande do Sul. Morei
- 19:47em Cândido Godói, Santo Antônio das
- 19:49Missões, eh, Garruxos, Cândido Godói,
- 19:53que é uma cidade que eu amo de paixão
- 19:55também, Santa Rosa, que é onde meus pais
- 19:57vivem hoje também. Eh, morei lá, tá,
- 20:00também. Então, assim, você vê, já tava
- 20:02no meu DNA essa coisa do bota na mala e
- 20:04vai, né?
- 20:05>> Então, assim, eu nunca tive dificuldade
- 20:08de mudar, de fazer mudanças na minha
- 20:10vida. cabe na mala, então vai, vai ver
- 20:13qual é, sabe? Então assim, eu nunca tive
- 20:15medo do desconhecido, nunca tive medo do
- 20:18novo. Eu sabia que de alguma forma eu ia
- 20:21me adaptar. E eu acho que isso veio da
- 20:22minha infância, de tantas mudanças de
- 20:24cidade, eu falei: "Nossa, ali eu
- 20:25aprendi".
- 20:26>> Então, quando eu vim para São Paulo, eu
- 20:27não sabia o que eu ia encontrar,
- 20:29>> mas eu sabia que de alguma forma eu ia
- 20:31me adaptar à aquela situação.
- 20:32>> Uhum.
- 20:33>> Então, acho que isso foi um grande
- 20:34ensaio pro que vinha pra minha vida,
- 20:36sabe? Então, assim, como é que você vai
- 20:37aguentar? Eu não sei como que eu vou
- 20:39aguentar, mas de alguma forma eu vou
- 20:41achar uma solução para ela me adaptar
- 20:43aquela situação.
- 20:43>> Uhum.
- 20:44>> Então eu acho que foi muito disso assim
- 20:46também, sabe, de de não ter medo do
- 20:49desconhecido. Quando surge alguma coisa
- 20:52nova, dá aquele frio na barriga e o que
- 20:54para muita gente trava, né? Muita gente
- 20:56trava com uma coisa nova ou
- 20:58desconhecido, eu já tipo
- 21:01algo novo vindo aí, sabe? Eu me abro pro
- 21:04novo e e eu acho que a minha vida
- 21:08>> é uma eterna abertura de portas.
- 21:10>> Não, maravilhoso. E agora fazendo
- 21:12psicologia, quer dizer, daqui a pouco
- 21:14você tá clinicando aí. Que
- 21:16>> nossa, meu sonho,
- 21:17>> que coisa incrível, Ane. Sonho,
- 21:19>> meu Deus.
- 21:20>> Meu sonho. É muita coisa, né?
- 21:22>> Não, não,
- 21:22>> é muita coisa. Eu entrevistei a a filha
- 21:25do Raul Seixas, a Vivi Seixas, né? eh,
- 21:28que esse ano vai fazer 36 anos que o
- 21:30Raul Seixas faleceu. E aí eu falei,
- 21:32Vivi, quando foi que a gente se
- 21:33encontrou pela última vez? Ela falou:
- 21:35"Nossa, An, foi em 2016 no Rocking
- 21:37Hill". Falei: "20". Eu falei: "Meu Deus,
- 21:402016, tem 9 anos, 8, 9 anos". Ela falou
- 21:43assim: "É". Eu falei: "Cara, minha vida
- 21:45mudou completamente vivida aquele rock
- 21:47ril onde eu te encontrei, minha vida,
- 21:49tipo, eu sou outra pessoa."
- 21:51>> Olá era vivo.
- 21:52>> O Flávio era vivo. Eu tava lá
- 21:54trabalhando na Globo, já me achando no
- 21:56topo do da montanha. Falou: "Tô aqui
- 21:58maravilhosa, Globo, dois filhos, não sei
- 22:00o quê". Tá tudo certo na minha vida. E
- 22:02de repente veio um vend, um vendaval me
- 22:07derrubou e eu tô aqui.
- 22:09>> E tá aí, linda. E
- 22:10>> eu tô aqui. Falei: "Meu Deus, que
- 22:12loucura, né? Acho que 9 anos. Isso que
- 22:15eu já tinha dois filhos. Eu vivi o que
- 22:16era para ser vivido uma vida inteira
- 22:18assim.
- 22:19>> Que coisa doida. Outra coisa que eu
- 22:21queria te perguntar, você atualmente
- 22:23coloca muito ali na no teu no teu
- 22:24Instagram e trechinhos de você correndo,
- 22:27né? Você sempre correu ou você começou a
- 22:29correr agora,
- 22:30>> Ana? Eu comecei a correr no Rio, quando
- 22:32eu ainda morava no Rio. Foi um ano mais
- 22:34ou menos e depois da
- 22:38depois que o Flávio desencarnou, eh, eu
- 22:41descobri um câncer de pele.
- 22:43>> Ah,
- 22:44>> o E aí aquilo me deu um desespero. Eu
- 22:46tive que ir pro centro cirúrgico, fazer
- 22:48tratamento, não sei o quê. Eu falei:
- 22:50"Cara, eu não posso ficar doente. Eu
- 22:52preciso cuidar dos meus filhos de alguma
- 22:54forma. Eu preciso cuidar dos meus
- 22:54filhos, então eu não posso ficar doente.
- 22:56E eu botei na minha cabeça, você não vai
- 22:57ficar doente. Você vai ficar bem e tá
- 22:59tudo certo, vida que segue. Não vai
- 23:00ficar, dá uma de louca aí, fica doente.
- 23:02Não dá uma de louca e fica doente.
- 23:05E aí eu falei: "Bom, eu preciso fazer
- 23:07alguma coisa para me cuidar, cuidar da
- 23:09minha cabeça e e ficar bem". E aí um dia
- 23:13eu resolvi correr, falei: "Vou correr,
- 23:15vou correr que eles pá se não vou
- 23:17explodir, vou correr e tô correndo até
- 23:19hoje." Tipo Forest Gump, né? Começou a
- 23:21correr, não parou nunca mais. E foi
- 23:23quase isso. Foi assim,
- 23:24>> eu acho que é um super estímulo assim,
- 23:26você correndo ali, eu acho tão legal o
- 23:27que você coloca. Eu acho que você
- 23:31estimula mesmo as pessoas que te seguem
- 23:33a a praticar uma. Eu acho, eu tenho essa
- 23:36impressão. Às vezes eu tô eu vou te
- 23:38falar por mim assim, às vezes eu tô com
- 23:41preguiça de fazer qualquer coisa
- 23:43>> e aí
- 23:44>> vou te mandar foto minha correndo todos
- 23:45os dias. Então pode ser foto velha,
- 23:47antiga, mas eu vou mandar foto para ela
- 23:49só para estimular ela. Linda. Não, mas
- 23:50aí a hora que você coloca que você tá
- 23:53correndo e você tá refletindo e às vezes
- 23:55tá garoando e às vezes tá o tempo bom.
- 23:57Mas eu acho legal assim, eu acho que
- 24:00você muita gente que te segue, que tá lá
- 24:03eh, né, com bumbum na cadeira,
- 24:05provavelmente tem ali um, nossa, vamos
- 24:08lá, vamos fazer, sabe? Eu curto assim.
- 24:11>> Ah, mas é difícil sair mesmo da cadeira,
- 24:13né? Tem mais gostosinho, dá mais inverno
- 24:15agora ficar no calorzinho. Mas cara,
- 24:17quando você termina, eu pelo menos a
- 24:18corrida, quando eu termino a corrida, eu
- 24:20nunca me arrependi de ter sair de casa
- 24:22para correr. Nunca, nunca me arrependi
- 24:24de ter ficado sentada no sofá, fala:
- 24:26"Poxa, por que que eu não fui?"
- 24:27>> Não. Sim. Então, e o benefício que isso
- 24:28que isso traz, né, pra tua pra tua pra
- 24:31tua vida, pra tua saúde, né? Pros teus
- 24:34pensamentos. E aí quando você traz
- 24:36aquelas reflexões, né, do que penso
- 24:38enquanto corro, eh, são insightes mesmo,
- 24:42né?
- 24:42>> É. É. E é muito doido. E foi muito, eu
- 24:45não engraçado nessa coisa. Ah, o Daniice
- 24:47vem muito de uma forma meio orgânica na
- 24:49minha vida. Agora tô fazendo fé, café e
- 24:52um danice também que eu gravo os vídeos
- 24:55de de que também com alguma mensagem eh
- 24:58eh pra galera para ajudar de alguma
- 25:00forma, né? E é sempre algo que tá
- 25:01acontecendo na minha vida assim. Uhum.
- 25:04>> O
- 25:06é sempre alguma coisa que tá acontecendo
- 25:07na minha vida. Nunca é indireta, não, tá
- 25:09gente? Nunca é nunca dou indireta. faz
- 25:11gravar coisa que penso quanto corro. Ai
- 25:13amiga escr não é isso. Às vezes tá
- 25:16acontecendo até alguma coisa com
- 25:19não faç ou alguém falou alguma coisa, ou
- 25:22alguma amiga tá passando por uma
- 25:23situação, eh, e aí eu vou pegando essas
- 25:26informações, um insight um filme que eu
- 25:28assisto, falo: "Nossa, que profunda se
- 25:30aí que ela falou". Sabe? Então assim, às
- 25:32vezes tô no carro, aí eu gravo para não
- 25:33esquecer, eu gravo não sei o quê. Baá,
- 25:36tá? Porque eu esqueço, depois eu não
- 25:38gravar eu esqueço. E aí esses insites eu
- 25:41vou guardando. E aí depois na hora de de
- 25:42gravar eu falo: "Puta, aquele aquilo que
- 25:44eu falei, aquele dia que eu pensei, eu
- 25:46falei: "Vou gravar isso".
- 25:47>> Uhum.
- 25:47>> Então é foi muito, eu lembro da primeira
- 25:50vez que eu fiz, eu foi muito, sei lá,
- 25:52não sei, falei: "Ah, e tava realmente,
- 25:55sabe aquela corrida que você tá
- 25:56refletindo, pensando?" Eu falei: "Ai,
- 25:58coisas que penso enquanto corro, que que
- 26:00eu pensei hoje enquanto corria?"
- 26:01>> Aham.
- 26:02>> Então, foi muito natural, assim, não foi
- 26:04uma coisa pensada, programada. falou,
- 26:06vamos criar alguma coisa de coisas que p
- 26:09não não tem nada disso, é tipo, vai e
- 26:11fala,
- 26:11>> acho. super legal assim, porque eu acho
- 26:13que o tipo de você é uma influenciadora,
- 26:16né, hoje assim, eh, você tem um uma um
- 26:18papel de influenciadora, mas eu acho que
- 26:20você é uma influenciadora total do bem,
- 26:22assim, acho que você traz mensagens
- 26:24muito positivas para nós mulheres, para
- 26:27quem busca uma forma de se conhecer
- 26:30melhor, de ter eh um discernimento
- 26:33quando tá passando alguma dificuldade de
- 26:36de encontrar mais força mesmo, né,
- 26:38quando as coisas estão ali em ruínas. É,
- 26:41o meu medo às vezes é virar meio que
- 26:43aquele autoajuda tóxica, sabe?
- 26:45>> Ah, não. Mas você tá longe disso, né,
- 26:47amiga?
- 26:47>> Não quero ser isso. Não quero ser. Você
- 26:49tá muito longe disso. Não, você você é
- 26:51uma autoajuda. Não é autoajuda, não
- 26:53gosto dessa palavra também, mas você
- 26:55traz um lance muito pé no chão, Anne.
- 26:58Você não você não, você não fica, né,
- 27:01com aquelas, eu acho também tenho
- 27:03compromisso de postar, tipo, coisa que
- 27:05penso quant cor. Tem um tempo que eu já
- 27:07não posto. Eu falei assim, cara, não tô
- 27:09com tô com inspiração,
- 27:11>> não tô pensando nada. A gente até essa.
- 27:13Falei, falei, vou gravar coisa que
- 27:14pensando com a gente. Hoje não pense em
- 27:15nada. Hoje não pense em nada e e tô de
- 27:18saco cheio, entendeu? Tô de saco cheio
- 27:20de ter que ficar postando coisa aqui
- 27:21para vocês. Não quero postar nada.
- 27:23>> E acho que essa obrigação me incomoda,
- 27:26sabe? Eh,
- 27:28>> e perco muita gente às vezes no
- 27:30Instagram que vão embora, outros entram,
- 27:32outros chegam, outros vão, outros
- 27:33chegam, outros. Eu falei: "Ah, mas tá
- 27:34tudo bem, eu quero estar em paz comigo.
- 27:36Eu não quero ser exemplo para ninguém.
- 27:37Eu quero ser exemplo paraos meus filhos
- 27:39e só
- 27:40>> sabe? O meu compromisso é com os meus
- 27:41filhos, com mais ninguém. Se eu puder de
- 27:44alguma forma ajudar outras pessoas,
- 27:46maravilha. Mas vai ser até isso é legal.
- 27:49Até isso é legal. Se você, né, tá ali e
- 27:53hoje você tá, gente, olha, eu tô
- 27:55correndo aqui e não tô com saco de
- 27:57gravar nada. Então, olha, gente, hoje eu
- 27:59não pensei em nada. Eu já pensei na
- 28:00lista do supermercado enquanto eu
- 28:01corria. Tá bom. E acabou. Acou
- 28:04>> porque muita gente se reconhece nisso
- 28:06também, né? Muita gente que tá se
- 28:08obrigando a fazer qualquer tipo de
- 28:10atividade pro outro também se permite
- 28:14dar uma pausa e falar: "Não tô legal
- 28:16hoje para fazer isso, né?
- 28:18>> Legal". Ah, e a gente não tá legal, né?
- 28:19A gente tá todo mundo meio doido assim,
- 28:21tá todo mundo meio f
- 28:22>> Semana passada eu postei um uns stories,
- 28:24né? Tô passando um um uma questão
- 28:27delicada em casa e tal. E aí eu postei
- 28:29uns stories que eu tinha acabado de
- 28:30chorar e aí eh tava com a cara bem
- 28:34inchada assim e eu e eu fiz questão de
- 28:36postar eh não para fazer drama assim,
- 28:39né? Mas pro povo não achar que tudo é só
- 28:42aquela
- 28:43>> alegria,
- 28:43>> alegria, né? né? E aí eu postei e postei
- 28:45uma foto do lado assim do corretivo que
- 28:48virou um grande amigo recentemente que
- 28:50eu choro, limpo a cara e arrumo e tá
- 28:52tudo certo.
- 28:53>> E aí recebi um monte de mensagens assim:
- 28:56"Ai, não chora não, não, você é muito
- 28:58linda para chorar e não sei o quê. Você
- 29:01não foi feita para chorar". Fal, gente,
- 29:03eu fui feita para chorar assim,
- 29:04>> que delícia chorar.
- 29:05>> Que delícia, né?
- 29:06>> Nossa, eu amo chorar.
- 29:08>> Que bom a gente se permitir. Pois é,
- 29:10>> chorar. Eu amo chorar. E é engraçado
- 29:12você falar isso. Eu não pareço, tá
- 29:14gente? Todo mundo fala: "Nossa, que você
- 29:15é dura, que você é não sei o que lá".
- 29:16Mas eu sou manteiga derretida e e assim
- 29:19qualquer coisa fala alguma coisa comigo
- 29:20já com meu olho, começa a sentir de
- 29:22lágrimas, dá vontade de chorar. E semana
- 29:24passada eu tava assim, aí eu falei
- 29:26assim: "Sabe quando tem um oceano dentro
- 29:27de você?" Eu falei: "Gente, eu tô
- 29:29sentindo que tem um oceano dentro de
- 29:30mim, eu preciso esvaziar, eu preciso
- 29:32chorar". E aí alguém olhava para mim, já
- 29:34começava a chorar. Eu falou assim: "Não
- 29:35me deixa, o que que tá acontecendo? Tá
- 29:36acontecendo nada". Mas por que que você
- 29:38tá chorando? Eu falei: "Tô chorando por
- 29:39nada, mas tô chorando por tudo. Então
- 29:42deixa eu chorar por tudo, porque senão
- 29:44eu não vou conseguir nada". Então deixa
- 29:47eu chorar por tudo. Sabe que você vai
- 29:48enchendo, enchendo tem uma hora que você
- 29:49tá cheia. Você fala: "Gente, onde é que
- 29:50eu jogo todo esse oceano de lágrima aqui
- 29:52dentro de mim?
- 29:53>> Joga para fora."
- 29:54>> Exato.
- 29:55>> Joga para fora.
- 29:56>> Joga para fora para não virar sintoma,
- 29:57né? A Anne que tá agora, né? Se formando
- 30:00psicóloga. É isso. Assim, se porque se
- 30:02você fica ali segurando, né? Porque não
- 30:05pode demonstrar ou porque tem que manter
- 30:08um, é óbvio que se eu tô atendendo um
- 30:10paciente durante o atendimento, eu tento
- 30:13minimamente ali segurar a onda. Se a
- 30:15Anne for apresentar o Dani, se ela vai
- 30:17tentar segurar, mas nos intervalos, no
- 30:20banheiro, na no quarto, na cama, entre
- 30:23um paciente e outro, choro sim. E
- 30:26choramos, né, minha amiga? E aí a gente
- 30:28limpa a sua o nariz, passa um corretivo,
- 30:31né, um um grande aliado aí nosso e vida
- 30:35que segue e tá tudo bem, né? E a gente
- 30:38não é eh menos profissional ou menos eh
- 30:43mulher por conta disso, né?
- 30:45>> Não, eu acho que chorar é mostra o quão
- 30:47forte nós somos. Porque, cara, se
- 30:49permitir chorar hoje em dia é tão
- 30:51difícil, né, gente? aguentando. Não
- 30:52posso, não posso, não posso sentir, não
- 30:54posso, não posso. Tem que ser forte, tem
- 30:56que ser durona, tem que ser não sei o
- 30:58quá. E você vai virando um trator e você
- 31:01vai passando, você vai destruindo. E eu
- 31:03fui esse trator durante muito tempo. Eu
- 31:05não consegui chorar durante muito tempo.
- 31:07Então fui acumulando muito, gente, né,
- 31:10Anne? Você meio que num instinto de
- 31:12proteção, né?
- 31:13>> Total, total.
- 31:15>> Uma criança de dois, uma criança de 4
- 31:17anos, você não tinha muita escolha, né?
- 31:19>> É, eu tive que atropelar. eu tive que
- 31:21atropelar. E aí eu foquei total, lembro
- 31:23que eu foquei total no trabalho e na
- 31:25época eu trabalhava na Globo e na época
- 31:27eles foram muito incríveis comigo, assim
- 31:28de tipo, Anne, volta quando você quiser,
- 31:31tem o tempo que você precisar, eh, não
- 31:33se sinta pressionada ou ter que voltar a
- 31:35trabalhar, não, seu lugar seu e tá tudo
- 31:38certo. Quando você ficar bem, você
- 31:40volta. Eles foram realmente incríveis.
- 31:43Eh, e aí, mas logo eu falei: "Não, eu
- 31:44preciso voltar. Eu preciso voltar porque
- 31:46eu não posso sentir.
- 31:48Eu preciso voltar porque eu não quero
- 31:49chorar. Eu preciso voltar porque senão
- 31:51eu vou cair, não vou conseguir me
- 31:53levantar nunca mais. E aí eu fui pum pum
- 31:56pum pum pum pum fui fui fui fui fui
- 31:58foquei no trabalho e só olhava pr os
- 32:00meninos estão bem estão bem então vai
- 32:01também e aí quando eu sai da Globo eu
- 32:04fui trabalhar com Faustão e aí logo
- 32:06depois de uma pandemia e aí foi também
- 32:08falei não, agora não, agora não, agora
- 32:10não, amor. Quando acabou Globo, quando
- 32:12acabou Faustão, foi assim ó daqui
- 32:15>> veio
- 32:16>> foguete não dá ré, eu dei ré, mas eu dei
- 32:19ré de bico assim, não foi nem tem nem
- 32:22ré, ele foi assim, aí falei bum. Eu caí
- 32:25de bico num buraco, mas num buraco tão
- 32:29escuro, tão ruim, que eu falei: "Gente,
- 32:31como é que eu saio daqui agora?" Mas aí
- 32:33veio tudo. Tá chorando pelo quê? Tô
- 32:34chorando por tudo. Tô chorando por nada,
- 32:36mas tô chorando por tudo. Porque eu tava
- 32:38chorando por tudo. Falei: "Gente, não
- 32:39consigo sair de casa. Teve meses que eu
- 32:41não conseguia sair de casa, que eu tive
- 32:43que levantar o tapete, tirar tudo
- 32:44debaixo do tapete e aí eu tirei o luto.
- 32:47Eu tirei o luto do do marido que tinha
- 32:49que eu tinha perdido. Eu tirei o luto da
- 32:51Globo, eu tirei o luto do Faustão, eu
- 32:53tirei tudo. Fui tirando tudo. Falei:
- 32:55"Nó, agora vou ter que olhar para esse
- 32:56negócio todo". Falei: "Meu Deus do céu,
- 32:59vamos embora. Vai dar trabalho, vai dar
- 33:01trabalho, então vai, você vai sentir,
- 33:02você vai olhar, mas você vai se curar".
- 33:05E por isso que o Danis foi tão
- 33:06importante na minha vida, porque aí li
- 33:08foi o meu processo de cura. E toda
- 33:10semana que tinha uma entrevista nova e
- 33:11que eu vi uma mulher falando do quanto
- 33:13ela se ferrou também para est onde ela
- 33:16tava, eu falei: "Nossa, sou eu nossa, eu
- 33:17tô nesse processo".
- 33:20Então foi incrível nesse sentido. Então
- 33:22eu fui, cheguei no, por isso que eu
- 33:23falo, os dois últimos anos foram os anos
- 33:26mais difíceis da minha vida, porque eu
- 33:28realmente eu tive que olhar para todos
- 33:30os buracos que tinham aqui dentro, todas
- 33:32as feridas dentro de mim e me
- 33:35reconstruir e cuidar das minhas feridas
- 33:37e cuidar dos meus buracos e mas não
- 33:40tinha jeito, eu precisava em algum
- 33:42momento fazer isso. Vai, a conta ia
- 33:44chegar em algum momento e a conta chegou
- 33:46e vai chegar em algum momento para todo
- 33:48mundo.
- 33:48>> Se você pudesse
- 33:50falar com a Anne lá de trás de quando
- 33:52perdeu o Flávio com as duas crianças
- 33:54pequenas, o que que você falaria? O que
- 33:57que você talvez fizesse de diferente do
- 33:59que você fez? Hum. Se permite sofrer.
- 34:04Acho que eu teria me permitido mais
- 34:05sofrer. Eu teria buscado a terapia
- 34:09na época com mais intensidade, porque eu
- 34:12achava que
- 34:12>> você não chegou a fazer.
- 34:13>> Eu fiz na época um pouco de terapia, mas
- 34:15logo eu eu falei: "Não, não quero tocar
- 34:17nisso, porque você era que era uma
- 34:18filha, dói muito, eu não quero mexer no
- 34:20que dói, então deixa como tá que eu tô
- 34:22aqui, ó, tô tô forte, tô bem, tô forte,
- 34:25tava nada. Eh, e eu acho que eu teria
- 34:28dado mais atenção para mim, eu teria
- 34:31aceitado mais ajuda, porque aí veio a
- 34:34guerreira Anne, bate no peito, fala: "Eu
- 34:35consigo, eu cuido dos meus filhos
- 34:37sozinha, eu me banco, eu trabalho, eu
- 34:39faço, eu aconteço." Falando nó que
- 34:43pesado que ficou, sabe? Tem uma hora que
- 34:44ficou muito pesado. Então, acho que eu
- 34:46teria aceitado mais ajuda da galera
- 34:48assim, eu acho que sim. Acho que eu
- 34:49deveria ter pedido mais ajuda. Eu
- 34:51poderia ter sido mais frágil.
- 34:54frágil não, mas eh
- 34:56>> mostrar vulnerabilidade.
- 34:58>> Mostrar vulnerabilidade. Eu poderia ter
- 34:59mostrado mais o que eu tava sentindo,
- 35:02sabe?
- 35:02>> Aham. É, é porque é justamente isso, né?
- 35:05A gente confunde a a que a nossa
- 35:08maravilhosa Bren Brown que fala, né? A
- 35:10gente confunde mostrar a nossa
- 35:12vulnerabilidade com fraqueza.
- 35:15>> E não tem nada de fraqueza, tem muito de
- 35:17força, né? quando eu mostro a minha
- 35:19vulnerabilidade,
- 35:21eh, eu tô me fortalecendo, né, Anne?
- 35:23Assim, então, eh, eu, eu passei
- 35:26>> pelo luto da minha mãe o ano passado, tá
- 35:28fazendo um ano agora, né? Minha mamãe
- 35:30foi em cuidado paliativo 25 dias apenas
- 35:33entre o diagnóstico do câncer e o e o e
- 35:35o óbito. Ela morreu em casa comigo, de
- 35:38mão dada comigo e foi um processo muito
- 35:41difícil, muito dolorido. E eu acabei até
- 35:44compartilhando alguns momentos eh, né,
- 35:47na internet e tal. E eu sei que eu
- 35:49ajudei muita gente com isso, foi muito
- 35:50bacana. E e eu fiquei muito vulnerável e
- 35:54e mostrando isso pras pessoas e me fez
- 35:57muito bem isso e e isso não me fez
- 36:01mais fraca, né?
- 36:03>> Eh, acho que isso me fortaleceu. Eu
- 36:05acabei saindo mais fortalecido.
- 36:07>> Acho sim. E toda vez, hoje em dia, toda
- 36:09vez que eu falo, e eu demorei muito para
- 36:11falar sobre o luto, que eu não conseguia
- 36:12falar, era uma dor tão grande que quando
- 36:14a pessoa falava, já começava a chorar.
- 36:16Então, assim, eu não conseguia falar.
- 36:18Então, assim, cara, já vai fazer. Tem 8
- 36:22anos já que o Flávio se foi e agora que
- 36:24eu consigo elaborar e agora que eu
- 36:26consigo falar sobre com mais
- 36:28tranquilidade de um lugar mais de paz
- 36:30assim. Eh, então acho que eu não
- 36:33precisava demorar esse tempo todo, né? A
- 36:36gente sabe que não tem tempo do luto,
- 36:38existe o tempo que você tem que ter para
- 36:39você sair daquela situação e
- 36:41ressignificar a dor toda.
- 36:43>> Mas eu acho que eu eu eu não precisava
- 36:45ter esperado tanto tempo para buscar
- 36:47ajuda e e para ressignificar essa dor
- 36:50dentro de mim, porque a dor também me
- 36:52alimentava, aquela aquela dor me dava
- 36:54força, aquela dor me colocava no lugar
- 36:56de enfrentamento e num momento que
- 36:58talvez eu precisava também desse
- 37:00enfrentamento. Então, hoje eu fiz as
- 37:01pazes com isso, porque naquele momento
- 37:04eu precisei ser forte daquele jeito e e
- 37:06me levou para lugares também que foram
- 37:08legais e e que eu me dediquei, que eu
- 37:10ralei, que eu fui, que fui firme e e
- 37:15consegui chegar onde eu cheguei
- 37:16profissionalmente, porque eu tava
- 37:17carregando essa dor dentro de mim, essa
- 37:19vontade de vencer, essa vontade de
- 37:20provar que eu era capaz sozinha.
- 37:22>> Uhum.
- 37:23>> Eh, mas eu cheguei estrupada,
- 37:26aquela nossa, mas você tava tão linda
- 37:28falei: "Maquiagem, gente".
- 37:29>> Sim, sim. E por dentro eu tava
- 37:31completamente destruída, eu estava
- 37:33estrupada por dentro. E aí uma vez eu vi
- 37:36isso de uma de uma pessoa muito querida,
- 37:38muito importante na minha vida, que ela
- 37:39falou assim: "Ani, você chega onde você
- 37:40quiser. Você já percebeu? Você chega
- 37:42onde você quiser, mas você não precisa
- 37:44chegar estrupada". Eu falou assim: "É
- 37:46verdade. Eu chego destruída, eu chego
- 37:47estrupeiada, chego e falou assim: "Meu
- 37:48Deus, carreguei um mundo, carreguei um
- 37:51saco de cimento esse tempo todo nas
- 37:52costas, chega aqui, não tem mais força.
- 37:54Você chega assim com o último suspiro,
- 37:56fal não precisa disso." Eu falei: "Ah,
- 37:58não preciso disso. Você pode receber
- 38:00ajuda, você fala." E aí você fala:
- 38:02"Nossa, mas como é mesmo assim? Até hoje
- 38:04é difícil para mim pedir ajuda. Tipo, me
- 38:07ajuda,
- 38:08>> você pode me ajudar com o negócio aqui
- 38:09rapidinho? Eu não consigo, tenho
- 38:11dificuldade ainda. Com algumas coisas eu
- 38:14melhorei, mas para outras coisas eu
- 38:16ainda.
- 38:17>> É um grande aprendizado, né?
- 38:19>> É um grande aprendizado,
- 38:21>> porque imagino que junto com a com o
- 38:23luto, com a tristeza e claro e com a
- 38:26falta que você sentia, vinha também
- 38:28muito sentimento eh eh de raiva, de se
- 38:32sentir injustiçada. Você não sentia
- 38:34isso?
- 38:35>> De putz, por que comigo? Eh,
- 38:38>> falar que não. As pessoas na época eu
- 38:40lembro que quando o Flávio tava no
- 38:41hospital, as pessoas falavam assim:
- 38:43"Não, Anne, não, mas cara, Deus não vai
- 38:46fazer isso com vocês". Aí eu ficava
- 38:48olhando pra pessoa e falava assim: "Por
- 38:50que não?" Falei: "Imagina vocês, família
- 38:52tão linda, dois filhos pequenos, uma
- 38:55tanta coisa para viver". Eu falei: "Tá,
- 38:57mas por que que eu sou diferente dos
- 38:59outros? Eu não tenho nada diferente de
- 39:01ninguém. Por que não comigo? Se eu fosse
- 39:04com a mulher ali da esquina, podia. Mas
- 39:05como você me conhece? Você gosta de mim?
- 39:07Comigo não. Era o contrário. Eu falou
- 39:09assim: "Não, pode acontecer comigo sim.
- 39:11Pode e talvez aconteça." E aí eu falei:
- 39:14"Tá, é, pode acontecer comigo sim. Você
- 39:16não é diferente de ninguém."
- 39:17>> Uhum. E aconteceu. Eu falei assim:
- 39:19"Nossa, aconteceu". Então assim, de
- 39:21alguma forma, eu assim, eu tenho total
- 39:24certeza que que o Flávio foi um anjo na
- 39:26minha vida que surgiu e que me deu dois
- 39:29anjos lindos também, que são, né, o Gael
- 39:31e o Léo. E ele me preparou para viver o
- 39:34que eu tô vivendo hoje. De alguma forma
- 39:36ele sempre me colocou ali na frente, que
- 39:37ele sempre foi um cara que me
- 39:38incentivou,
- 39:39>> te empurrou assim,
- 39:40>> ele me empurrou pro mundo. Ele falou
- 39:41assim, aí eu falava, ai, não sei se eu
- 39:43consigo. Ele falou: "Claro que você
- 39:44consegue". Óbvio que você consegue. Ele
- 39:45sempre foi esse cara que me colocava na
- 39:47frente. Vai na frente, vai que você
- 39:49consegue, vai que por que que você não
- 39:51tá não sei o que lá. Ele me desafiava de
- 39:52uma certa forma para eu avançar, sabe?
- 39:56>> Então quando tudo aconteceu, eu falei:
- 39:58"Nossa, você tava me preparando, né,
- 40:00para isso, porque eu precisava viver
- 40:02sozinha". Eu falei: "Entendi então agora
- 40:03eu vou viver por mim e por você e pelo
- 40:06Gael e pelo Léo e vou fazer a vida valer
- 40:09a pena". Então assim, fazer a vila, a
- 40:11vida vale a pena. É você viver também de
- 40:14uma forma intensa tudo que é que te que
- 40:17te colocam à disposição, né? Abrir uma
- 40:20porta, vou, vou não sei o quê, vou, eu
- 40:22sou a pessoa, ai, vamos ver o nascer do
- 40:24sol, não sei, eu sou a primeira a
- 40:25acordar, não sei que, vamos ver o nascer
- 40:27do sol, vamos ver o poro do sol, vamos
- 40:28ver o Porto do sol. Então assim,
- 40:30>> eu tenho uma ânsia de viver por mim e
- 40:33por quem não tá aqui e e poder fazer a
- 40:35vida valer a pena, não só por mim, mas
- 40:37por pelos meus filhos, pela minha
- 40:39família, pelo Flávio também e tudo mais.
- 40:41e hoje é um lugar muito de paz dentro de
- 40:43mim, muito gostoso
- 40:45>> e que eu olho com carinho e que eu falo:
- 40:46"Nossa, obrigada, obrigada por você ter
- 40:48vindo, né, ter vivido do meu lado tanto
- 40:51tempo. Foram 12 anos mega intensos e e
- 40:56por você ter me preparado para viver
- 40:58tudo isso." Então, assim, só agradeço a
- 41:01ele, assim, é, é incrível, né? Como a
- 41:02gente vai mudando também essa dor dentro
- 41:04da gente. É, é louco, mas é maravilhoso.
- 41:07>> Ai, que lindo. Eu fiquei emocionada
- 41:09aqui.
- 41:11Linda a história dela, né?
- 41:12>> É. E, e assim, e tem pessoa e aí eu falo
- 41:15assim: "Nossa, mas você passou por tudo
- 41:17isso sozinha?" Não, a meu minha minha
- 41:19família eh meu pai e minha mãe moram no
- 41:22Sul até hoje, então eles têm dificuldade
- 41:24de vir para cá, é mais difícil para eles
- 41:26e tal. Eh, e aí a minha família acabou
- 41:28sendo os pais dele, né? Então, até hoje
- 41:32mesmo, depois de tanto tempo, ela virou
- 41:35eh uma segunda mãe, o meu sogro
- 41:37>> que já foi no Danice,
- 41:39>> que já foi no Danice. O meu sogro virou
- 41:41o segundo pai, uma referência também
- 41:43pros meninos, né, de de homem masculino.
- 41:47E
- 41:49e aí a gente tem vivido um amparando o
- 41:51outro, um ajudando o outro assim, né?
- 41:53Uhum.
- 41:54>> E essa coisa engraçado, agora eu lembrei
- 41:55de um negócio que uma vez também me
- 41:57falaram assim, eu falei: "Nossa, mas
- 41:58como é que eu vou fazer para criar dois
- 42:00meninos sem um pai, sem uma referência
- 42:02masculina?" Ela falou assim: "Ane, você
- 42:05já se percebeu, você já se tocou que
- 42:07talvez esse masculino que a gente tem
- 42:10hoje na sociedade, que você tem dentro
- 42:12de mim, dentro de você, do que é ser um
- 42:15homem masculino, talvez esse tipo de
- 42:17referência não sirva mais?
- 42:19Então, dê paz pro seu coração, porque
- 42:21assim, os teus filhos, eles vão buscar
- 42:23as referências masculinas que eles
- 42:24precisam como inspiração para atender o
- 42:28que eles têm necessidade dentro deles.
- 42:30Então, assim, calma,
- 42:32>> calma,
- 42:32>> calma. Nem todo pai vira referência pros
- 42:34filhos. Às vezes é o professor, às vezes
- 42:36é o o cara do do kungfu, avutio, avô,
- 42:40padrinho. Então, assim, tem muitos
- 42:42homens na família também, né? e que
- 42:45podem servir de referência para eles e
- 42:47eles vão buscar referência que eles
- 42:48querem que eles escolherem como
- 42:51>> como eles vão se identificar mais, né?
- 42:53Como
- 42:53>> são meninos lindos, especiais.
- 42:55>> Eu sou suspeita, né?
- 42:57>> Ai, queridíssima. E agora tem cacau
- 42:59também, né? Que chegou a família.
- 43:00>> Agua. Gente, que loucura que é ter
- 43:02cachorro. Que coisa maravilhosa. Como
- 43:04pude demorar tanto tempo para ter uma
- 43:07cachorra em casa.
- 43:09>> É uma coisa. É uma coisa dela.
- 43:11>> Delícia. Que delícia. Bom, tomara que
- 43:12Cacau não faça xixi cocô no tapete novo,
- 43:15>> pelo amor de Deus. Você contou que
- 43:16chegou hoje, né?
- 43:17>> Chegou já, já peguei ela, já falei cacau
- 43:19aqui? Não,
- 43:20>> por favor, tenha uma conversa séria com
- 43:22ela, senão você ponha na terapia.
- 43:23>> Na minha casa é assim, muitos problemas
- 43:25vai direto pra terapia.
- 43:28>> A dona vai pra terapia, né? Que
- 43:30>> a dona faz, a dona faz terapia há 30
- 43:32anos, né? Então se qualquer vaciladinha
- 43:35maior vai pra terapia.
- 43:38>> Muito bom. Muito bom,
- 43:39>> minha querida. Obrigada. Obrigada por
- 43:41ter vindo.
- 43:42>> É, pois é, a gente já tá, é, passou
- 43:45super rápido. Eh, Anne, a gente aonde
- 43:49que encontra o Danice? O qual que é o
- 43:51Instagram do Danice?
- 43:53>> O Danice é Danice oficial. Eh, bom, pode
- 43:56procurar o meu Instagram que é o Anne
- 43:57com dois Ns, Lotterman com dois Ts e
- 43:59dois N.
- 44:00>> Linda, maravilhosa.
- 44:01>> Eh, o Danice que é o D, tracinho Anne
- 44:05com dois Ns. Ã, C oficial. Então tá
- 44:08super fácil de achar, apesar do nome ser
- 44:10difícil, mas se colocar lá Danice com
- 44:13dois ns,
- 44:13>> a gente vai marcar aqui no no na na
- 44:16descrição do vídeo. Obrigada. Aquela.
- 44:18>> Obrigada, meu amor.
- 44:21>> Prazer,
- 44:23amei, amei. Obrigada por tudo que você
- 44:26tem feito por nós mulheres, por mim, Ana
- 44:29Paula. Você é uma amiga querida, uma
- 44:31grata surpresa dos meus últimos meses
- 44:34aí, anos. Obrigada, viu?
- 44:35>> Eu quero estar na sua vida para sempre.
- 44:37E mulheres se unam, por favor se unam,
- 44:41porque mulheres unidas nós podemos fazer
- 44:43uma revolução e tá precisando de uma
- 44:45revolução mais ainda feminina, né? Cada
- 44:48vez mais.
- 44:48>> Maravilhos. Arrasou.
- 44:50>> E se você curtiu esse vídeo, eh,
- 44:52compartilha, comenta aqui e não se
- 44:55esqueça de nos seguir aqui no YouTube e
- 44:59também no Instagram, Neurotalks. Até
- 45:01mais, até a próxima. M.
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This page contains the full transcript of Coragem de viver depois da dor e o poder invisível das relações | Neurotalks com Anne Lottermann #56 by Dra. Ana Paula Peña, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 8,882 words across 1,303 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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