Andre Lara Resende Responde: O Fiscal brasileiro é tão ruim assim? — Transcript
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- 0:00A taxa de juros no Brasil é alta, porque
- 0:02o Banco Central mantém a taxa de juros
- 0:03alta. Só, só por isso.
- 0:07Essa taxa quem fixa é o Banco Central e
- 0:10fixa exclusivamente isso. Agora não, mas
- 0:14a taxa não, essa taxa precisa dessa taxa
- 0:16para impedir a inflação. Isso [música]
- 0:19eu acho que é um equívoco. Não existe a
- 0:23inflação não responde diretamente à taxa
- 0:27básica de juro.
- 0:30É assim que é ensinado e que é pensado o
- 0:32tempo todo a questão de crédito. E não é
- 0:34verdade. Não é assim.
- 0:36Mas é muito difícil vencer as ideias
- 0:39estabelecidas.
- 0:42A China multiplicou sua renda per capita
- 0:44por mais de 20 vezes, perto de 25 vezes
- 0:47e o Brasil dobrou.
- 0:50Por que que a Índia agora cresce como tá
- 0:52crescendo? O as economias do set
- 0:55[música] asiático cresceram e o Brasil
- 0:56não. Cada um tem a sua resposta.
- 0:57Prefeito. Qual é a sua?
- 1:00A economia brasileira hoje é pensada
- 1:03pela Receita Federal
- 1:05e e a Receita Federal só pensa em
- 1:07aumentar a arrecadação.
- 1:10>> E qual é a participação pública privada?
- 1:12Qual é o mix público privado que você
- 1:13acha adequado com economia como o
- 1:15Brasil?
- 1:21>> [música]
- 1:26>> Bom dia, boa tarde, boa noite. Estamos
- 1:27aqui para mais um Café com Kineia e como
- 1:29sempre trazendo gente que mudou o
- 1:31Brasil, gente que trabalhou para um
- 1:32Brasil melhor, que trazemos aqui hoje o
- 1:34criador da URV. Você lembra da ORV do
- 1:36Plano Real ali de 1994? Se você usou o
- 1:39RV, estava lá naquela época, eu estava a
- 1:42pessoa que criou esse mecanismo, tá aqui
- 1:44com a gente hoje, André Lara Rezende, tá
- 1:46um dos uma das pessoas, não, um dos
- 1:48maiores economistas do Brasil, uma das
- 1:49grandes mentes pensadoras intelectuais
- 1:52do Brasil em economia, que se dá o
- 1:54direito de pensar diferente quando
- 1:55necessário, que traz ideias inovadores e
- 1:58que mudou o Brasil na no sistema público
- 2:00e no privado, tá? Eh, André Lara foi um
- 2:03dos criadores do Plano Real, ex-diretor
- 2:05do Banco Central, ex-presidente do BNDS,
- 2:06foi uma pessoa que aquela nossa dívida
- 2:08externa que teve ser negociada ali em
- 2:101994, o governo Fernando Henrique, quem
- 2:13tava ali André Lara Rezende ajudando o
- 2:15país. André, muito obrigado pela sua
- 2:17participação aqui nesse café com Kineia.
- 2:19>> Obrigado ao convite para vocês.
- 2:21>> Tá bom. Perfeito. André, você já falou,
- 2:23você falou já extensivamente em várias
- 2:26em várias programas sobre o Plano Real,
- 2:28né? Sobre o seu legado do Plano Real.
- 2:29você até recomendou ler a revista Piauí,
- 2:31que tem ali um artigo maravilhoso seu,
- 2:34né? Eh, sobre eh sobre o Plano Real,
- 2:37você podia eh não querendo voltar ali no
- 2:39plano, mas a gente podia você podia dar
- 2:41uma ideia pra gente o que como é que
- 2:42você vê a economia brasileira desde
- 2:44daquela daquela daquele começo ali do
- 2:47plano real e como é que a coisa tem se
- 2:48desenvolvido dentro? O que que você vê
- 2:50positivamente? Que que você vê
- 2:51negativamente? Qual é o teu, a tua visão
- 2:54da economia brasileira ao longo das
- 2:55últimas décadas?
- 2:58fazer um [roncando]
- 3:00o
- 3:02eu comecei a estudar economia na
- 3:05graduação na PUC do Rio, depois farei
- 3:07mestrado na EPG, escola de pós-graduação
- 3:10em economia da formação Vargas no Rio,
- 3:12na época dirigida pelo Carlos Langone,
- 3:14mas sempre foi criada e dirigida pelo
- 3:16Mar Henrique Simon assim quando eu
- 3:17entrei ele, Marenrique Simon, era
- 3:19ministro e o grande problema do Brasil
- 3:23que me parecia
- 3:25vinha nesse período
- 3:27de de governo militar, já nos esttores
- 3:31do governo militar, era a inflação.
- 3:33>> Uhum.
- 3:35>> A,
- 3:36voltando ainda um pouquinho atrás,
- 3:39a inflação bateu 100% logo antes do do
- 3:44golpe militar de 64. Houve um grande
- 3:46programa de estabilização e de
- 3:47modernização muito importante feito em
- 3:4964 65
- 3:51com
- 3:53Roberto Campos
- 3:55Bulhões e Mar Henrique Simon. Sim.
- 3:59E a inflação baixou, mas nunca baixou
- 4:02além de 20%, 15% ao ano. e se criaram
- 4:06mecanismos de indexação
- 4:09com a, o sistema financeiro da
- 4:11habitação,
- 4:13porque foi um grande programa
- 4:14modernizador em 64, 65 e que deu uma
- 4:20origem a um período de crescimento
- 4:23rápido do do governo militar, que chegou
- 4:26a ser chamado de o milagre brasileiro.
- 4:28>> Uhum.
- 4:28>> Né? Mas a inflação persistia, continuava
- 4:32e ameaçava sempre esse esse quadro. Eu
- 4:34quando comecei como estudante de
- 4:36economia, a inflação era uma grande eh
- 4:38era um grande tema e um tema que sempre
- 4:41me deixou curioso, me e interessado em
- 4:45entender o processo, o processo
- 4:47inflacionário.
- 4:49Eh, o processo inflacionário,
- 4:52a essa época, como era ensinado e era
- 4:55ligado inflação era sempre excesso de
- 4:58emissão monetária, né? E esta visão,
- 5:02embora não não fosse eh adotada
- 5:05integralmente por uma visão
- 5:07latino-americana que era considerada
- 5:09estruturalista, dominava as ideias.
- 5:14Bom, eh,
- 5:19[limpando a garganta] lembro, eu preciso
- 5:20lembrar que grande parte das pessoas que
- 5:22participaram do do Plano Real, inclusive
- 5:24eu, tínhamos participado também do plano
- 5:27cruzado.
- 5:29Então, nós tivemos a experiência de eh
- 5:33ver o como é que um programa bem
- 5:36concebido pode ser distorcido e levado
- 5:39ao ao fracasso por razões políticas.
- 5:43Eh,
- 5:47o
- 5:48em 1984,
- 5:52eh, quando
- 5:54tava claro que o o governo militar
- 5:57acabou, havia eleição, houve a eleição
- 5:59do do Tanquero Neves, então tinha uma
- 6:02ideia de
- 6:04ah nós que um grupo de economistas que
- 6:08estava na PUC do Rio de Janeiro tinham
- 6:09escrito muito sobre a ideia é em
- 6:12contraponto a uma visão mais eh ortodoxa
- 6:16ou de economistas que estavam
- 6:19basicamente na Fundação Túlio Vargas do
- 6:22lá do do Rio de Janeiro, onde eu tinha
- 6:23estudado, feito meu mestrado. Depois eu
- 6:24fui pro MIT fazer o doutorado e voltei.
- 6:27E [limpando a garganta]
- 6:29esse grupo que se juntou na PUC do Rio,
- 6:33eh,
- 6:35criou uma tese de uma ideia de que,
- 6:37olha, a inflação que existe no Brasil
- 6:39hoje tem uma enorme resistência a
- 6:41baixar. Os fatores originais da inflação
- 6:45podem ter sido superados, mas ela fica
- 6:48onde estava, ela não baixa, né, é muito
- 6:50difícil de baixar. As razões que nós
- 6:53eram várias, denominamos isso uma
- 6:55inércia da inflação e que isto quando
- 6:59você tentasse fazer um programa de de de
- 7:03[suspirando] estabilização para reduzir
- 7:05a inflação, você conseguia grandes
- 7:08efeitos recessivos e muito poucos ganhos
- 7:10do ponto de vista da inflação,
- 7:13por causa da questão da inércia. E nós
- 7:16eh tínhamos, escrevemos muito sobre
- 7:18isso, todo esse grupo de economistas que
- 7:20estavam na PUC.
- 7:22Quando
- 7:25no com o fim do regime militar e da
- 7:28eleição de Tancredo Neves, houve uma
- 7:30discussão um pouco na PUC entre nós de
- 7:32que olha, agora nós precisamos, não
- 7:35basta dizer porque que não funciona um
- 7:36problema de estabilização ortodoxos,
- 7:38precisamos dizer então o que que deve
- 7:39ser feito, né?
- 7:42E eh
- 7:45a visão mais ortodoxa
- 7:48do monetarismo ortodoxo sempre foi de,
- 7:50olha, nunca funcionou porque na verdade
- 7:51nunca se fez uma uma verdadeira n
- 7:54>> estabilização monetária. Tem que fazer
- 7:56um choque, um choque ortodoxo, um choque
- 7:59de parar de emissão completamente.
- 8:03Francisco Lopes, então professor da PUC,
- 8:05meu colega, tinha sido meu professor na
- 8:07EPGE antes, eh propôs então o que ele
- 8:11chamou de um choque heterodoxo,
- 8:15que era uma ideia de um congelamento de
- 8:17preços e salários. Eu essa época já
- 8:20trabalhava no mercado financeiro e
- 8:23disse: "Olha, isso seria um desastre,
- 8:26um congelamento de preço salários, entre
- 8:28outras coisas, provocará
- 8:31sérias transferências de rendas de de de
- 8:35[limpando a garganta]
- 8:37devedores para para credores e pode
- 8:40criar uma crise, inclusive, uma crise
- 8:41financeira. Essa e me ocorreu então a
- 8:46alternativa que era uma transição mais
- 8:49menos traumática
- 8:52através da emissão de uma moeda indexada
- 8:55durante um período em que você essa
- 8:58moeda indexada a inflação corrente seria
- 9:00uma uma unidade de valor, unidade de
- 9:03conta estável durante um certo período e
- 9:05depois essa essa essa moeda eh se
- 9:08transformaria na nova moeda. é uma forma
- 9:12de o título original do artigo que eu
- 9:15escrevi é uma moeda indexada, uma
- 9:18proposta para eliminar a inflação
- 9:19inercial. Eu já pressupunha dizia, olha,
- 9:22suponha-se que os fatores primários da
- 9:25inflação, o déficit público e e tenha já
- 9:29e preços distorcidos já tenham sido
- 9:31resolvidos, que era um pouco a hipótese
- 9:34que se achava naquela época, que era
- 9:36defendido naquela época, eh, inclusive
- 9:39pelo Delfi Neto, que era o ministro
- 9:41>> da fazenda do Planejamento no Milamb,
- 9:43exatamente na época.
- 9:44Então, supondo isso, mas agora para
- 9:47eliminar esse esse resto dessa inflação
- 9:49inercial, a ideia é criar uma moeda
- 9:51indexada que as pessoas pudessem
- 9:53escolher eh optar por ela.
- 9:57Eh, esse essa moeda indexada,
- 10:02sua proposta de moeda indexada, embora
- 10:04foi elogiada pelo Mar Henrique Sim,
- 10:05provocou enorme controvérsia
- 10:08e eh
- 10:11foi muito mais combatida do que
- 10:12defendida, embora o Mário Henrique
- 10:14Simons não tenha tenha tenha elogiado e
- 10:16ele é uma pessoa de grande prestígio.
- 10:18Ele convocou inclusive uma reunião na
- 10:21ABI, assambras no Rio de Janeiro, no
- 10:24prédio do Banjo no Rio de Janeiro, onde
- 10:25eu fui eh expor a ideia e eu então já
- 10:29tinha escrevi um segundo artigo chamado
- 10:30a moeda indexada, nem mágica nem
- 10:33panaceia, onde eu de certa forma tentava
- 10:35explicar e respondia aos críticos de um
- 10:38lado e de outro, que ela foi criticada
- 10:39tanto pela visão ortodoxa monetarista
- 10:42como pela visão heterodoxa
- 10:44estruturalista,
- 10:46como a ideia de que poderia provocar uma
- 10:47hiperinflação. etc.
- 10:50Eh, [limpando a garganta][tosse]
- 10:53no entanto, a ideia era muito poderosa.
- 10:57Um colega nosso tinha sido professor na
- 11:00PUC do Rio, John Williamson, que é um
- 11:02inglês também foi do que foi do MIT, mas
- 11:05tinha ido para Washington,
- 11:08eh, ser um membro lá, pesquisador do, a
- 11:12época se chamava Instituto eh
- 11:15[limpando a garganta]
- 11:15de Economia Internacional International
- 11:17Economics. hoje eh se chama o Peterson
- 11:22Institute, ainda muito relevante,
- 11:25influente. Eh, ele estava lá e me ligou
- 11:30perguntando se eu não queria apresentar
- 11:31essas ideias em Washington para um grupo
- 11:34de de acadêmicos importantes e disse:
- 11:37"Você podia se unir ao Pércio Aida, que
- 11:39estão mesmo, as ideias estão parecidas.
- 11:41O Psico, um grande amigo meu, foi meu
- 11:43colega, tinha proposto uma coisa eh mais
- 11:46ou menos na mesma linha, não é?
- 11:48indexação, total indexação da economia.
- 11:51Fui para Washington
- 11:53e numa noite, um dia, uma tarde e uma
- 11:57noite, escrevemos a quatro mãos,
- 11:59literalmente no escritório do PES, que
- 12:01já estava em Oston, no Moodral Wilson
- 12:05Center, como pesquisador visitante.
- 12:07o artigo que apresentamos no dia
- 12:09seguinte para eh uma plateia de
- 12:13ilustres, inclusive vários professores
- 12:15nossos, como Franco Modigliani, e
- 12:20Philips [limpando a garganta] Kagan,
- 12:21Rudiger Dormson, Stanley Fischer, entre
- 12:24muitos outros.
- 12:26>> E o Rodriger Dorm, tinha sido meu
- 12:28professor e do Pérscio e orientador de
- 12:31tese, etc. muito foi muito cáustico,
- 12:35crítico e que cunhou com um certo uma
- 12:38certa ironia a proposta de Larida pro
- 12:41Poço.
- 12:43Mas a ideia foi poderosa. Eh,
- 12:49passa o tempo foi Tancredo e morreu,
- 12:53assumiu José Sarnei, mudou o Ministério
- 12:55da Economia que era do Dorneles, passou
- 12:57para o Funaro e a presidência do Banco
- 12:59Central saiu o Antônio Carlos Lengruber
- 13:02e entrou o o Fernando Bracha. E Fernando
- 13:06Bracha eh me chamou para ser diretor.
- 13:09Hoje seria de política monetária do
- 13:10Banco Central, mas a época era diretor,
- 13:13chamava diretoria de de
- 13:17dívida pública e mercado aberto no Rio
- 13:20de Janeiro. E eu fui ser diretor de
- 13:23política monetária do Banco Central essa
- 13:24época.
- 13:27extraordinariamente jovem, que eu tinha
- 13:2933 anos de idade, hoje eu acho até uma
- 13:30irresponsabilidade, um país que tem
- 13:32essa.
- 13:34[limpando a garganta]
- 13:34E lá
- 13:36acabamos montando uma equipe que eh
- 13:39caminou para um programa de
- 13:40estabilização.
- 13:42Então, estávamos nessa época, eu perso,
- 13:44estava no Ministério do Planejamento com
- 13:46João Saiad,
- 13:48havia o Edmar Baixo estava era o
- 13:50presidente do IBGE
- 13:52e eh tínhamos ainda o Beluso, João
- 13:57Manuel, Andreia Calab e um grupo de
- 14:00pessoas que começaram a pensar o
- 14:01programa de estabilização e e
- 14:03especialmente PSO. Trabalhamos muito na
- 14:05ideia, então, de propor a introdução do
- 14:09que depois virou ser URV, da moeda
- 14:11indexada para a transição.
- 14:13Não foi aceita porque o advogado eh
- 14:18geral da União na época disse: "Olha,
- 14:19essa proposta juridicamente é inviável,
- 14:22muito complexa". Então, se adotou a a
- 14:26alternativa de fazer uma usar tablitas
- 14:29que se usado na Argentina para
- 14:30deflacionar os os contratos financeiros.
- 14:32Não vale a pena entrar. Por quê? por
- 14:34disso. O, e sobre isso foi sobreposto na
- 14:37última hora um congelamento de preços,
- 14:39uma pressão política para isso. E esse
- 14:42congelamento de preço qual eu sempre fui
- 14:44radicalmente contra desde a da discussão
- 14:45com com Francisco Lopes. Eh,
- 14:50o Dilson Funar, com que eu estabeleci
- 14:52uma muito boa relação, não conhecia
- 14:54antes, mas tive muito boa relação, me
- 14:56garantiu que o congelamento de preço
- 14:58seria por um período curto de tempo, no
- 14:59máximo 90 dias. Quando chegou os 90
- 15:02dias, ele me disse: "Olha, infelizmente
- 15:03não vai dar, não vai dar para para
- 15:05suspender o congelamento e o presidente
- 15:08quer que continue e evidentemente o
- 15:11congelamento de preço com pressão de
- 15:13todos os lados. o depois de um sucesso
- 15:17inicial estrondoso
- 15:20do cruzado, foi um fracasso ainda mais
- 15:23estrondoso. Bom, eh
- 15:27mas eu sempre estive continuei muito
- 15:29convencido de que a ideia da um período
- 15:32de transição voluntário e sem imposição,
- 15:36sem pacotes impositivos de surpresa,
- 15:39seria a solução para a inflação.
- 15:43E e acabamos fazendo isso com quando
- 15:47Fernando Henrique foi pro Ministério da
- 15:48Fazenda com o Itamar Franco, presidente
- 15:50da República, alguns anos depois.
- 15:53Mas voltando a sua pergunta, acabo dando
- 15:56uma volta grande. Eh,
- 16:00eu sempre achei que uma vez vencido o
- 16:04problema da inflação, que era o problema
- 16:07maior do Brasil, o Brasil poderia se
- 16:09dedicar a outras questões, crescer
- 16:11rapidamente e resolver grandes dos seus
- 16:13problemas, educação, saúde, saneamento,
- 16:16a grande desigualdade de renda e riqueza
- 16:19do país educacional, etc. e que isso
- 16:23praticamente seria quase que automático,
- 16:26né? E
- 16:28infelizmente
- 16:30não a verdade não é, não foi assim. Nós
- 16:32continuamos com os problemas e com
- 16:34graves problemas, apesar de termos
- 16:35avançado muito. [roncando]
- 16:38Esse é um resumo dessa história desde do
- 16:43real para cá. E a gente uma coisa que
- 16:46André que sempre você sempre fala muito
- 16:48com relação ao ao plano real que
- 16:50aconteceu no plano real, você falou: "A
- 16:52gente não acertou várias coisas na
- 16:53economia que eu gostaria de passar com
- 16:54alguma delas com você". Mas uma coisa
- 16:56que você sempre teve uma palavra sobre,
- 16:59uma opinião forte sobre foi o fato de
- 17:01que o real desde a sua incepção, né?
- 17:03Desde que você eh estabilizou a moeda no
- 17:06Brasil, a gente sempre viveu com um
- 17:08regime de juros muito altos no Brasil,
- 17:10né? foi esse juros reais muito alto que
- 17:14por chegou a 40% e e você teve
- 17:17diferentes estágios dele, mas sempre
- 17:20presente ali, um fiscal frouxo, um
- 17:21monetário apertado. Eh, e na sua
- 17:24concepção vi algumas entrevistas suas
- 17:25limitando a capacidade de crescimento do
- 17:27Brasil. Como é que você vê essa questão?
- 17:28Como é que você analisa essa questão?
- 17:31É, é verdade. E eu e eu mudei um pouco
- 17:34muito meu entendimento sobre isso,
- 17:36aliás, como eu mudei meu meu
- 17:39entendimento sobre grande parte da
- 17:42teoria macroeconômica e em particular
- 17:45sobre a teoria monetária,
- 17:47>> macroeconômica monetária,
- 17:49>> eh,
- 17:51primeiro, a taxa de quando quando o real
- 17:54foi introduzido, a que a taxa de juros
- 17:58interna básica fosse muito alta,
- 18:02era relativamente
- 18:04previsível e compreensível. O Brasil
- 18:07tava saindo de uma de um período,
- 18:10lembre-se, tinha acabamos eu tinha
- 18:13acabado de de de assinar o acordo de com
- 18:17os credores externos saindo da moratória
- 18:19em dezembro
- 18:20>> de [limpando a garganta] 93, né?
- 18:24E o o Brasil ainda era um país meio
- 18:28traumatizado por pelas pelas restrição
- 18:30externa, por falta de divisas, né? Não
- 18:34tinha reserva suficiente, etc. Então, e
- 18:36de certa forma era era importante
- 18:39garantir que não você tivesse um fluxo
- 18:42de financeiro de capitais que entrasse
- 18:43pro Brasil ou pelo menos que não saísse
- 18:45da do Brasil. Então, a taxa de juros eh
- 18:50alta doméstica faria esse papel. De
- 18:53certa forma, no paper, eh, Pérsilo, eu,
- 18:58o Larida, discute-se um pouco o que
- 19:01queria ancorar a nova moeda. E essa
- 19:04ancoragem lá ele discute uma ancoragem
- 19:07vixeliana que dera a ancoragem através
- 19:11da taxa de juros que faria essa essa
- 19:13estabilização. Isso lá atrás. Então,
- 19:16claramente você saísse do período de no
- 19:20período inicial, onde você a moeda, a
- 19:23nova moeda, a URV se transformasse no
- 19:27real e você tivesse um período de taxa
- 19:29de juros alta, era previsível e
- 19:33razoável.
- 19:35E tanto que assim saiu, a taxa de juros
- 19:37brasileiro era tão alta que teve um tal
- 19:38influxo de capitais que o e deixou a o o
- 19:41real eh flutuar em relação ao dólar e o
- 19:45real se valorizou e passou a valer eh
- 19:49[limpando a garganta] mais do que dó, se
- 19:51não me engano, chegou até R 83 centavos
- 19:53de reais por dólar, né? Ah, então isso
- 19:58tinha uma funcionalidade, a taxa básica
- 20:00de juros alta de muito tempo. Segundo,
- 20:03embora o Brasil nunca tenha sido uma
- 20:05economia que se dolarizou, onde as
- 20:07pessoas usassem o dólar como referência
- 20:10de preços de contratos, por exemplo, ao
- 20:12contrário da Argentina, onde isso foi
- 20:15era muito marcado e continua, eh, já
- 20:19havia sinais grandes de alguns contratos
- 20:21em dólares, etc. E a quando o real se
- 20:25valorizou em relação ao dólar,
- 20:27imediatamente as pessoas trocaram os
- 20:29contratos em dólar por contratos em
- 20:31reais, que foi aumentou muito assim a
- 20:35confiança do real nesse período. Então a
- 20:37taxa de uso muito alta
- 20:40era compreensível e de certa forma
- 20:42justificada, né? Bom, o prolongamento de
- 20:46uma taxa de jos, real muito alta por
- 20:48todos esses anos que nós estamos falando
- 20:50agora de 30 anos,
- 20:53é uma pergunta é extraordinariamente.
- 20:56Olha, por que isso?
- 20:58Ah,
- 21:00inicialmente a minha a minha resposta é
- 21:04para mim era a resposta tradicional,
- 21:08eh, que o Brasil precisa de uma taxa de
- 21:11uso muito alta porque a taxa de poupança
- 21:15do do Brasil é muito baixa, a taxa de
- 21:18poupança privada é baixa, esse é um vai
- 21:21dar um dado. E a taxa de poupança do
- 21:23setor público é negativo. O setor
- 21:25público é deficitário.
- 21:27Então você precisa de uma taxa de juros
- 21:28muito alta para induzir essa poupaça e e
- 21:33eh viabilizar
- 21:35não que não o Brasil não tenha problema
- 21:37de excesso de demanda e que a inflação
- 21:38volte.
- 21:40Eu acho que isso hoje eu acho que isso é
- 21:42um é um erro, é um equívoco, não é
- 21:44verdade, né? Eh, a taxa de a taxa de
- 21:49juros no Brasil é alta porque o Banco
- 21:51Central mantém a taxa de juros alta. Só
- 21:53só por isso. E preciso dizer o que que é
- 21:55a taxa de juros. Já escrevi sobre isso
- 21:56várias vezes, existem muitas taxas de
- 21:58juros. Então, se falar, a taxa de juros
- 22:00é alta porque o spread bancário é alto,
- 22:02porque o sistema é isso, são outras
- 22:04coisas. A taxa na ponta do crédito é uma
- 22:05coisa, nós estamos falando da taxa
- 22:07básica da economia, a taxa que é paga
- 22:11pelo Banco Central nas reservas
- 22:14bancárias, a chamada taxa Selic, tá?
- 22:18Essa taxa quem fixa é o Banco Central e
- 22:21fixa exclusivamente isso. Agora não, mas
- 22:25a taxa ele essa taxa precisa dessa taxa
- 22:28para impedir a inflação. Isso eu acho
- 22:31que é um equívoco. Não existe a a
- 22:35inflação não responde diretamente à taxa
- 22:38básica de juros.
- 22:43Eh, sem ficar eh exageradamente chato e
- 22:48acadêmico,
- 22:50o mecanismo de transmissão tradicional é
- 22:53sobe a taxa de juros, a taxa de juros
- 22:55sobe a taxa de juros, cai o dispêndio,
- 22:58investimento e e consumo, a economia
- 23:01fica com capacidade ociosa, capacidade
- 23:04provoca desemprego, o desemprego baixa a
- 23:05inflação através da cura de Philips.
- 23:08>> Uhum. tradicional desde dos anos 50, que
- 23:10essa a macroeconomia que se ensina nas
- 23:13escolas de economia, é feito pelo menos
- 23:16nos cursos de graduação, quase que até
- 23:18hoje. Primeiro, a curva de Philips, a
- 23:20relação inversa entre desemprego e
- 23:22inflação desapareceu.
- 23:24Já já desapareceu uns 20, 20 e poucos
- 23:27anos. Ficou completamente horizontal.
- 23:30Por quê? Existem várias explicações.
- 23:32Algumas, olha, o emprego formal
- 23:34reduziu-se muito.
- 23:35>> Hum. O poder dos sindicatos e dos
- 23:39contratos, grandes contratos de de
- 23:41emprego desapareceu e hoje a relação
- 23:44entre desemprego e inflação inversa da
- 23:47curva de Philips é muito fraca ou
- 23:51inexistente, né? Então, como é que a
- 23:54taxa de juros afeta o dispêndio e a e a
- 23:57economia?
- 23:59Olha, não se sabe. Por canais diversos
- 24:02não especificados, etc. Juro faz a
- 24:05economia despender menos.
- 24:08>> Você acha que no Brasil o desemprego
- 24:09cai? Porque a gente olhou alguns dados
- 24:10disso, o desemprego cai depois da
- 24:12recessão e não antes da recessão aqui no
- 24:15Brasil. Normalmente a gente olha os
- 24:16dados. A coisa mais difícil de ceder
- 24:18aqui no Brasil é o desemprego subir.
- 24:20Normalmente acontece depois da crise,
- 24:21não antes da crise, porque se
- 24:23>> isso só isso só reforça algum.
- 24:24>> Exatamente. Eu tô reforçando algum tá
- 24:26dizendo, olha, além de não responder o
- 24:27desemprego, a recessão não provoca
- 24:29desemprego imediatamente no Brasil. Tem
- 24:31uma recessão. Eh, mas sim. provoca
- 24:34desemprego, né? E agora e
- 24:36>> mas é muito legging, né? No Brasil é
- 24:38muito leg. É,
- 24:40>> eu sei quanto quanto você você sabe
- 24:43quanto cada vez mais a gente, como a
- 24:45gente sabe, o emprego formal,
- 24:47>> eh, o emprego CLT
- 24:49>> tem perdido espaço na economia. E o e
- 24:51não é só não é só por causa da
- 24:55informalidade, não, por causa hoje da
- 24:57toda hoje todo mundo funcionando como
- 24:59como um autônomo prestador de serviço,
- 25:01né? E isso é verdade em todo o mundo.
- 25:07E eu, um ponto que causa enorme
- 25:11polêmica, mas eu acho impressionante que
- 25:13não se entenda isso, é que,
- 25:18[suspirando] deixa eu, deixa eu dar uma
- 25:20parada e dizer o seguinte, eh, para mim
- 25:23ficou claro, eu em 2017 interrompi,
- 25:27tirei um tempo e fui ser professor
- 25:29visitante na Universidade de Colúmbia.
- 25:31Meu objetivo era
- 25:34fazer um ensaio sobre a evolução da
- 25:37teoria e da prática monetária
- 25:39no mundo e a sua aplicação no Brasil
- 25:41desde os anos 50, desde desde o período
- 25:44de a tentativa de estabilização de
- 25:46Eugênio Gudan no início dos anos 50 até
- 25:48chegar ao réal. e eh fui eu tinha ficado
- 25:53um pouco afastado assim da do da do
- 25:57parte acadêmica em teoria monetária. Fui
- 26:00relêo o o que se escreveu nesse período
- 26:04sobre teoria monetária para entender
- 26:07inclusive como é que se passou daquilo
- 26:10que todo mundo achava que a teoria
- 26:12monetária era é a teoria quantitativa da
- 26:14moeda. existe uma relação proporcional
- 26:17ante quantidade de moeda, emissão de
- 26:19moeda e preços e inflação. Isso
- 26:21desapareceu e a teoria monetária a
- 26:24partir do final dos anos 90, sobretudo
- 26:26no início do do do século XX, a teoria
- 26:30monetária não falava mais nem os modelos
- 26:32macroeconômicos não falavam mais nem em
- 26:34moeda. A moeda não existia. tem a taxa
- 26:36de juros e você a taxa de juros afeta
- 26:40expectativas e expectativas afeta
- 26:42diretamente a inflação.
- 26:44Como é que se como é que se passou de
- 26:46uma coisa para outra sem se dizer, olha,
- 26:50aquilo tava errado ou aquilo tava certo?
- 26:52Uhum.
- 26:52>> Uhum. E
- 26:56claramente primeiro aquilo tava
- 26:58flagrantemente errado, porque o Banco
- 27:00Central não controla a quantidade de
- 27:02moeda, não controla a base monetária.
- 27:04Fit algo que qualquer pessoa que passou
- 27:07por uma uma experiência prática no Banco
- 27:09Central sabe disso. Um instrumento de
- 27:12política monetária do Banco Central, que
- 27:14deveria ser chamado de política de
- 27:15juros, não política monetária, é a taxa
- 27:18básica de juros. Hum.
- 27:20>> [limpando a garganta]
- 27:20>> Se ele tentar eh controlar a quantidade,
- 27:23a base monetária, que as reservas
- 27:25bancárias, ele vai provocar uma crise de
- 27:27liquidez gigantesca ou vai fazer
- 27:29colapsar a taxa de juros para zero.
- 27:31>> Uhum.
- 27:32>> Então ele controla é a taxa básica de
- 27:35juros. Isso que a teoria
- 27:39a partir dos anos 90 eh
- 27:43eh
- 27:45incorporou,
- 27:47mas sem explicar que não, alguma coisa
- 27:50aconteceu, mudou, mas não tá erado, não
- 27:52tava errado o que estava falando lá
- 27:54atrás sobre sobre moeda, mas o fato é
- 27:57que eh
- 28:01tá muito claro que não só o Banco
- 28:03Central não controla a base monetária,
- 28:06Como a moeda é criada não só pelo Banco
- 28:10Central, mas pelo sistema bancário.
- 28:13>> Banco emite moeda, banco comercial emite
- 28:16moeda,
- 28:17>> tá? Banco não é como se como se se
- 28:20aprende nas nos nos cursos ao menos de
- 28:23graduação de economia.
- 28:25>> [roncando]
- 28:25>> O banco não é um intermediário entre
- 28:28aqueles que tem excesso de de poupança,
- 28:32ou seja, que tem poupança, tem mais
- 28:34renda do que tem que tem dispêndios.
- 28:36Então ele criou um um uma poupança.
- 28:39Então o banco ele é intermediado pelo
- 28:41sistema bancário para aqueles que querem
- 28:42ter mais dispêndio do que tiveram renda,
- 28:45seja para investir ou seja para
- 28:46consumir. É assim que é ensinado e que é
- 28:48pensado o tempo todo a questão de
- 28:50crédito. E não é verdade, não é assim.
- 28:52Banco não precisa de depósito para
- 28:54emprestar, ele empresta.
- 28:57>> Perfeito. Aliás, isso é um, já falei com
- 29:00vários homens práticos de banco, como eu
- 29:01trabalhei em banco a vida toda, para mim
- 29:03já vi dos dois lados, não do banco
- 29:04central e nos banco privado, né? O banco
- 29:06empréstica quando você tem um, olha, eu
- 29:08tenho um bom risco, eu tenho um bom
- 29:09tomador, depois assim, mas você não
- 29:11pergunta, não liga pr pra tesouraria,
- 29:13tem um CDB suficiente para emprestar?
- 29:16Não, você empréfta, depois você vai
- 29:18captar e você vai captar, entre outras
- 29:19coisas, você capta como capta é eh
- 29:23usando o seu colchão que você tem de
- 29:25títulos públicos, você ficou com menos
- 29:27reservas do que você precisa, você vai
- 29:29lá e capta no Banco Central. Então é
- 29:31assim que funciona.
- 29:33>> Você cria o depósito, né? Você dá o
- 29:35depósito.
- 29:35>> Quando quando você quando o ban, o banco
- 29:38dá o crédito, ele cria o depósito.
- 29:40>> Ele cria, cria de do ar, ele cria na
- 29:42hora.
- 29:42>> Ha, na hora. Perfeito. Bom, mas isso não
- 29:44é assim que é ensinado e as pessoas
- 29:45ficam com isso na com isso na cabeça.
- 29:47Então, ou seja,
- 29:49>> a macroeconomia convencional
- 29:52até muito recentemente, até hoje ainda
- 29:54em grande parte dela, eh não leva em
- 29:57consideração a noção de crédito, a noção
- 30:00de que uma economia para investir, para
- 30:02consumir, investir, não precisa de
- 30:05poupança, de renda gerada e não
- 30:09dispendida. Como você acha? Ela não
- 30:11basta ter crédito. Algo que dentre os
- 30:14economistas do século XX, quem chamou
- 30:17atenção disso claríssimamente dis:
- 30:19"Olha, o capitalismo é crédito e
- 30:21inovação. É Joseph Schun Peter.
- 30:25Não diz: "Olha, a economia é capitalista
- 30:28contemporânea, financeira, é crédito e
- 30:31inovação tecnológica".
- 30:33Hum. E o o outro macroeconomista que
- 30:37mostrou a a segunda faceta dessa dessa
- 30:41economia é eh é o Minsk. E diz: "Olha, e
- 30:44essa esse essa economia tem uma
- 30:46transação, ela expande crédito demais,
- 30:48tem uma crise, tem uma um crash e depois
- 30:52volta." Muito bem, muito diferente da
- 30:55macroeconomia convencional ensinada, né?
- 31:00Eh,
- 31:04esse, mas é muito difícil vencer
- 31:08o as ideias estabelecidas,
- 31:11que é muito curioso que são ideias
- 31:13estabelecidas. Essas ideias que parecem
- 31:15ser contracorrente ou heterodoxas não
- 31:17são ideias novas. Isso é uma discussão
- 31:19que vem desde o século XVI.
- 31:24A ideia de que, de novo, Chun Peter como
- 31:26autor da grande história do pensamento
- 31:28econômico desclassificou de duas visões
- 31:31da moeda, tá? A visão da moeda eh como
- 31:36crédito e a visão da moeda com uma coisa
- 31:39de transações. Rodou a visão da moeda
- 31:42com mercadoria e a moeda com unidade de
- 31:45crédito, unidade de conta. E a moeda
- 31:48contemporânea
- 31:51é uma moeda, é uma unidade de conta, uma
- 31:53unidade de crédito.
- 31:55Ela não tem valor intrínseco desde que
- 31:57acabou com Bratton Woods.
- 31:59>> Já quase toda base monetária é crédito,
- 32:01né? As pessoas não sabem crédit crédito.
- 32:03É um A base monetária é um crédito.
- 32:06Uhum.
- 32:07>> Tá. É o que que é. E quando quando o
- 32:11Banco Central, o tesouro gasta, ele cria
- 32:14poder aquisitivo e necessariamente
- 32:16emite. Ele vem, ele emitiu. Depois o
- 32:19Banco Central ele vai lá, diz: "Olha,
- 32:21para você, a gente organizou
- 32:22institucionalmente que quando você
- 32:24separou o Banco Central do Tesouro, que
- 32:26aliás no Brasil não era separado, foi
- 32:28quando eu estava lá que nós foi criada a
- 32:30secretaria do tesouro e acabou a conta
- 32:31movimento.
- 32:33>> Eu consegui explicar pro Dilson Funaro
- 32:35que que era conta movimento.
- 32:37ficou assim assustado. E aí eh se criou
- 32:42a Secretaria do Tesouro. [roncando] Bom,
- 32:45mas a separação, então você diz, olha, o
- 32:46Tesouro ele gastou, então ele precisa
- 32:49para ele gastar, ele precisa assim de
- 32:50quanto é que ele precisa, vai precisar
- 32:51de como é que ele faz isso? Ele não pode
- 32:52mandar o Banco Central emite, ele tem
- 32:54que vender títulos para receber esses
- 32:57esse esse esse dinheiro. Mas ele ao
- 32:59gastar ele já emitiu o dinheiro. Fez, só
- 33:01que ele tem que vender título. É uma
- 33:03questão contábil de organização
- 33:04institucional que exige dele. Mas o o o
- 33:08governo gasta emitiu. E o Banco Central
- 33:11é a mesma coisa. O Banco Central quando
- 33:12qualquer coisa que ele que ele quando
- 33:15ele credita reservas no sistema, por
- 33:17qualquer razão, ele emitiu. Hum. Quando
- 33:20alguém houve uma houve uma eh
- 33:26com houve uma entrada de de de divisas
- 33:28de velho estrangeiro, houve uma grande
- 33:31os portadores fecharam o câmbio, ele
- 33:33compra os dólares e emite moeda.
- 33:36Perfeito. É exatamente isso. Aí como é
- 33:39que ele retira essa moeda que ele emitiu
- 33:41essa emissão? Retira hoje em dia, em
- 33:43grande parte através de operações
- 33:45compromissadas.
- 33:46>> Uhum.
- 33:48que são que é poderiam ser substituída
- 33:51por um depósito remunerado do Banco
- 33:53Central, como é no Fed hoje.
- 33:55>> Uhum. Que simplesmente reduziria, como
- 33:57isso é mais ou menos uns 18, 20% da
- 33:59dívida pública, reduziria a dívida
- 34:01pública brasileira em 20%. O valor com o
- 34:03valor que você vê lá. Então, em vez de
- 34:06ser 80, a dívida bruta ser 83%, não sei
- 34:11quant tá do PIB, seria
- 34:13eh 65%
- 34:15do PIB. Não mudou nada substantivamente.
- 34:18Perfeito. Mas não é para vou entender
- 34:20como estuda a minha contabilidade
- 34:23e e
- 34:26e onde eu queria chegar, o ponto é que
- 34:28tá muito claro e já tem muita gente hoje
- 34:30começando a entender isso, é que
- 34:34política monetária e política fiscal
- 34:37não são apenas indissociáveis, não podem
- 34:41ser conduzidas
- 34:43>> eh de forma eh contraditórias. Mas mais
- 34:46do que isso, política monetária e
- 34:48política fiscal a mesma coisa. Política
- 34:51monetária é política fiscal. Política
- 34:53monetária no economia fiduciária é
- 34:56política fiscal. Por quê? Toda expansão
- 34:58de moeda é um gasto do setor público,
- 35:01consolidado. Sempre, sempre.
- 35:05Isso ficou muito claro com quantitative
- 35:07nos Estados Unidos, né? quando o Banco
- 35:09Central expandiu, comprou títulos
- 35:12públicos e monetizou o grande parte da
- 35:15dívida para evitar uma um uma um crash
- 35:18financeiro e expandiu a base monetária
- 35:22na em 2000 2008 e por seis a sete vezes
- 35:27o que era. Então multiplicou por seis ou
- 35:29sete. A teoria tradicional diria, olha,
- 35:33vamos ter uma explosão inflacionária.
- 35:36Que aconteceu? Nada. Pelo contrário, nós
- 35:38passamos eh
- 35:41mais de 10 anos até até a pandemia,
- 35:44depois da pandemia, beirando a deflação
- 35:47no mundo todo, conjuros reais negativos,
- 35:50>> e conjuros reais negativos
- 35:51>> e conjuros reais próximos de zero ou
- 35:53negativo. Então, olha, alguma coisa tá
- 35:56profundamente errada naquela teoria,
- 35:58>> não precisa ser um um gênio para isso.
- 36:01Agora é impressionante como a porque eu
- 36:04disse isso, escrevi isso de algumas
- 36:06coisasão, eu fui considerado um heree.
- 36:10É assim, é um herege, mas eu e os
- 36:13economistas ainda se pretendem
- 36:16eh cientistas
- 36:19que olham a realidade e com com
- 36:21confirmam os fatos. Olha, é tão
- 36:24flagrantemente falso que não é possível.
- 36:28Aí fala: "Não, mas tem sempre uma
- 36:29explicação. Não, quant não é bem
- 36:32expansão da base nãode caiu?
- 36:35>> A base caiu houve houve umação. A
- 36:37verdade a base caiu não é possível. Não
- 36:39dá para dizer que a base caiu.
- 36:41>> A velocidade não, mas a velocidade
- 36:43velocidade quando no que os meus
- 36:46professores noem eram muito críticos,
- 36:47muito discutivos, eram muito críticos da
- 36:49do monetarismo meio simplista de
- 36:51Chicago, Alam Milton Friedman, etc. E o
- 36:54Franco Modigliani, que depois também
- 36:56ganhou o prêmio Nobel,
- 36:59contava uma história que eu achei muito
- 37:01interessante sobre a teoria quantitativa
- 37:02da moeda. Ele dizia: "Olha, a teria a
- 37:05base, a velocidade que é relação MV
- 37:07igual a PY, quer dizer V, que é
- 37:10velocidade,
- 37:11é constante. É constante exatamente como
- 37:14a como a relação de uma antena de um
- 37:17carro em velocidade e em relação ao
- 37:19carro. É constante enquanto não tenta
- 37:21segurar o carro pela antena.
- 37:23tentar segurar o carro pela antena.
- 37:26Então, olha, ela é constante, mas não é
- 37:29não é não é passível de ser usada
- 37:31operacionalmente. Então, se você faz uma
- 37:33coisa, a velocidade cai, se você faz
- 37:34outra, ela aumenta. Então,
- 37:36>> ela não é constante,
- 37:38>> não tem. E
- 37:40essa essa essa essa visão, essa essa
- 37:44negação da realidade tem uma outra
- 37:46coisa. O Milton Fer é um abilidosíssimo,
- 37:49inteligentíssimo,
- 37:50eh, homem de marketing, de retórica. E
- 37:54uma das coisas extraordinárias, a
- 37:56inflação é é sempre em qualquer toda
- 37:59parte um fenômeno monetário. Que quer
- 38:00dizer isso?
- 38:03entende o que você quiser. Perfeito.
- 38:04Depois ele falou: "Não, olha, o problema
- 38:06é que a relação entre moeda e inflação,
- 38:10eh,
- 38:11a relação entre moeda e inflação, ela
- 38:13funciona com eh defasagem, legs longos e
- 38:18variáveis.
- 38:20Quando você diz que uma coisa funciona
- 38:21com com defasagens longas e variáveis,
- 38:24você tá dizendo assim: "Eu não tem menor
- 38:26ideia como é que elas funcionam". É
- 38:27sempre possível. Não, não, não. A
- 38:28defazagem de agora é maior, não
- 38:30funcionou.
- 38:32mais long vai só vai aparecer daqui a 10
- 38:35anos. Olha, isso é a coisa menos
- 38:36científica do mundo. Se uma se uma
- 38:38relação não é estável, ela é longa e
- 38:41variável, ela não é científica, ela não
- 38:43pode ser não pode usar isso como
- 38:45evidência de nada, obviamente. Perfeito.
- 38:47Então isso tá errado, profundamente
- 38:49errado. Eh,
- 38:52hoje,
- 38:54primeiro, a ideia de que o Banco Central
- 38:56não controla a base monetária ficou
- 38:57claro nos anos 90. O Ben Bernank, nós
- 39:00somos colegas noil, ele entrou junto
- 39:02comigo, saiu junto comigo lá no no o Ben
- 39:05Bernank, que estudou teoria monetária,
- 39:08fez incl sobre a crise na crise de 30,
- 39:11etc. Foi o primeiro que começou a
- 39:13mostrar isso claramente. Olha, o Banco
- 39:14Central não controla eh a base
- 39:18monetária. Depois, vários outros eh
- 39:23economistas, macroeconomistas começaram
- 39:25a mostrar isso com toda a clareza.
- 39:28Eh, mas
- 39:31o hoje até essa visão pós macroeconomia
- 39:37de agregados monetários, que é a
- 39:40macroeconomia sem agregados monetários,
- 39:42que que é basicamente a macroeconomia do
- 39:45modelo de
- 39:47dynamicastic general equilibrium DS G
- 39:52models.
- 39:54Também está anacrônica. feito. Ela não
- 39:58não funciona mais. E nós precisamos
- 40:01entender o que tá disso, porque ao
- 40:02contrário de houve um certo momento em
- 40:05que essa essa organização mental de
- 40:08macroeconomia com isso foi funcional,
- 40:10ajudou a a a
- 40:15organizar melhor a macroeconomia.
- 40:19Por onde e onde é que está aí dizendo,
- 40:21ao dizer isso, eu interrompo essa longa
- 40:23exposição.
- 40:25Eh,
- 40:27onde é que está o X da questão?
- 40:30A moeda é
- 40:32um passivo do setor público do estado. A
- 40:36moeda fiduciária é só um passivo do
- 40:37estado. Então, ela é dívida pública. A
- 40:40única única diferença entre a moeda e
- 40:42dívida pública, como como se entende,
- 40:45era que a dívida era mais longa.
- 40:49pagava juros, tinha e era resgatável e
- 40:52não tinha liquidez, porque você não
- 40:54tinha liquidez em dívida pública. O
- 40:55comprador era o comprador final da
- 40:57dívida.
- 40:59>> A partir do século XX, que você passou a
- 41:01ter mercados muito líquidos de dívida
- 41:03pública, eh, a distinção de liquidez
- 41:07acabou. Toda a dívida pública é
- 41:09perfeitamente líquida. Vocês que
- 41:11trabalham no mercado financeiro, eu
- 41:13imagino, sabe que você vende e compra um
- 41:15título público assim com
- 41:17>> um spread nenhum exót
- 41:20>> de mínimos de bases point. Então a
- 41:23dívida pública é perfeitamente líquida.
- 41:25Então qual é a diferença entre uma
- 41:27dívida e um e a moeda? A moeda é uma
- 41:30perpetuidade que não paga juros, mas não
- 41:32é uma dívida do governo. E uma
- 41:34perpetuidade que não paga juros, mais ou
- 41:36menos não não paga juros enquanto você
- 41:38não tá com ela em depósito, porque hoje
- 41:39em todos os depósitos ela paga juros.
- 41:41>> Uhum.
- 41:41>> Né?
- 41:42>> Então é só a moeda física, mas a moeda
- 41:44física tá desaparecendo. Tá aqui o tá o
- 41:47Pix, as moedas digitais, nós estamos
- 41:49estamos na nova revolução da moeda. E a
- 41:52teoria monetária não se atualizou, não
- 41:56se atualizou para entender o que que
- 41:57isso significa. Quais são as
- 41:59implicações? As implicações disso? Eu
- 42:02acho, portanto, que você vai você vê
- 42:04como é que é ensinado isso até hoje nas
- 42:07escolas de economia. É, é um, de acordo
- 42:11com um modelo conceitual, que, como eu
- 42:14digo, tenho dito muito, é um modelo de
- 42:16matemática, né, de segunda linha. Dis,
- 42:20olha, você quer ser matemática aplicada
- 42:23fraca, não, que não serve para nada.
- 42:26Você sai de lá, não serve para nada.
- 42:28Absolutamente nada.
- 42:29>> Aí o que que os economistas passaram a
- 42:31dizer? A única coisa que, como eu digo
- 42:33hoje, não sei porque que você estuda
- 42:34economia. A única coisa que o economista
- 42:37tem precisa dizer hoje é saber se o se
- 42:39as contas públicas estão em equilíbrio
- 42:40ou não.
- 42:42>> O que é uma simplificação
- 42:45absurda?
- 42:47Não é verdade que equilibrar o caixa do
- 42:50do tesouro é não é uma condição nem
- 42:53suficiente nem necessária para funcionar
- 42:55bem a política monetária e a política
- 42:56fiscal.
- 42:58Como já sabia desde o início do século
- 43:00XX, isso é, essa é a visão chamada visão
- 43:02do tesouro, Treasury View na Inglaterra,
- 43:04criticada por Kes, por vários outros,
- 43:06por João Peter, por tudo, todo mundo
- 43:08sabe disso. Mas o que que você precisa?
- 43:12Como a moeda é fiduciária, o governo não
- 43:15existe redução técnica, ou seja, natural
- 43:19a emissão pelo pelo governo. Exatamente
- 43:22porque não existe emissão técnica, eh
- 43:25restrição técnica, uma limitação técnica
- 43:27natural. Essa restrição precisa ser
- 43:31construída institucionalmente,
- 43:34juridicamente.
- 43:35Como é que se organiza isso? Como é que
- 43:37se faz isso? do durante muito tempo você
- 43:40usou a a ideia de que olha é o é a
- 43:44teoria quantitativa da moeda, o governo
- 43:46não pode emitir base, não foi
- 43:47desmistificado. Depois diz: "Não, não,
- 43:49não, a dívida pública não pode superar
- 43:51um certo percentual do PIB foi
- 43:54totalmente desmistificado. Tá aí o Japão
- 43:56com 230% de dívida do PIB, tá os Estados
- 43:59Unidos com 120%.
- 44:01Então o tal 90 do The Heinr e e Rogof
- 44:07foi desmistificado.
- 44:08Então o
- 44:11qual é como é que se qual é qual é o o
- 44:14qual é o não vou usar a palavra feia
- 44:15arcabolso, qual é o o a estrutura
- 44:18institucional e legal que se deveria
- 44:20usar para isso? Política monetária e
- 44:22política fiscal é a mesma coisa. Quando
- 44:24o Banco Central gasta, isso é política
- 44:26fiscal. Quando o Banco Central paga
- 44:28juros, é isso que eu quero chegar, ele
- 44:30está pagar juros, juros é uma despesa,
- 44:34uma despesa fiscal. Então, quando o
- 44:36Banco Central sobe a taxa de juros, ele,
- 44:41vamos pegar a dívida, a dívida pública
- 44:43brasileira hoje, 80% do PIB tem custado
- 44:47anualmente, perto de 9 a 10% do PIB o
- 44:51serviço da dívida, o pagamento de juros
- 44:53da dívida.
- 44:559 a 10% do PIB ao ano,
- 44:59porque é todo o nosso déficit nominal
- 45:00praticamente, que é praticamente todo o
- 45:02nosso déficit nominal, né? Porque o
- 45:04déficit primário é pequenininho, né? O
- 45:05défit não exatamente imagina você tem
- 45:08você tem e como é possível você dizer se
- 45:11você tem uma taxa de juros real, vamos
- 45:12lá, você tem uma taxa de juros real hoje
- 45:14tem 15% de taxa básica,
- 45:17botar, vamos botar para baixo, 14, tá?
- 45:19Tem 14% de taxa básica. O país cresce
- 45:23três, você tem 14,5 e o país cresce 3,5.
- 45:26Então você tem 9% de juro real. É a mais
- 45:28alta taxa de juro real do mundo, taxa
- 45:30básica do mundo. Quanto cresce o país
- 45:34otimistamente?
- 45:37Eh, desculpa, eu fi, eu falei errado, eu
- 45:39falei, você tem 15% de de taxa básica,
- 45:43de taxa básica, tem 5% de inflação, tô
- 45:46botando para cima. Você tem 10%.
- 45:49Eh, o agora então você tem um juro real
- 45:52de 10%. O país cresce 3,5, significa que
- 45:56a dívida cresce. Se não tiver déficit
- 45:59primário, vai ser nem superável, a
- 46:01dívida cresce a 10% ao ano. O e o PIB, o
- 46:05PIB cresce a três.
- 46:07>> Uhum.
- 46:08>> É óbvio que vai explodir. Fit. Olha, não
- 46:10precisa mais nada.
- 46:11Não precisa, não precisa pensar muito.
- 46:13Não precisa pensar muito.
- 46:15>> Então assim, quando você olha para isso,
- 46:17a primeira coisa você fala assim: "O que
- 46:18que está errado?" Tá errado a taxa de
- 46:21juros.
- 46:23Ah, mas não pode baixar a taxa de juros
- 46:24porque baixa a taxa de juro, a inflação,
- 46:26a inflaução explode. Já já baixou para
- 46:29ver ela alguma vez de ela, ela ela
- 46:32baixou quando você subiu a taxa de juro?
- 46:36E o e esse o que depois se se chamou de
- 46:38perto de dominância fiscal.
- 46:41O mundo todo funciona sempre em
- 46:42dominância fiscal.
- 46:45A política de juros é uma política
- 46:47fiscal.
- 46:49Quando você aumenta a taxa de juros, os
- 46:51detentores de dívida pública é outra
- 46:53coisa que as pessoas não não adianta, eu
- 46:56já falei isso mil vezes, pessoas depois
- 46:58esquece. A dívida pública brasileira é
- 47:01uma dívida denominada em reais.
- 47:04>> Uhum.
- 47:05>> Detida essencialmente por brasileiros.
- 47:0797% por brasileiros. Perfeito. Então,
- 47:11ela é uma dívida pública interna
- 47:13denominada em reais. Quando o governo
- 47:16paga esses 15% ao ano ou eh 10% do PIB
- 47:23de juros, isto é uma transferência
- 47:27do Estado brasileiro para um setor
- 47:30privado brasileiro. Para quem? O setor
- 47:33privado brasileiro de pessoas que são
- 47:36superavitárias.
- 47:38Não é pessoas, pessoas, instituições, o
- 47:40que for, enfim. Então, quando eu chamei
- 47:43isso de bolsa financista, eu sei que tá
- 47:46dando uma certa um pouco, estou sendo um
- 47:48pouquinho demagógico. Perfeito, mas é
- 47:49exatamente isso. Isso é uma bolsa
- 47:52financista. Quem compra título público
- 47:55no Brasil e tá no CDI, não é investidor,
- 47:58certo? É rentista.
- 48:01Aí eu chamei de bolsa rentista, aliás, é
- 48:03rentista, não é não é exatamente
- 48:05investidor, tá? Então você está
- 48:07transferindo e quando se diz, olha, a
- 48:09dívida pública é um ônus para as
- 48:12próximas gerações, como a dívida pública
- 48:14é um ativo do setor privado brasileiro,
- 48:18é um ativo.
- 48:20Com um economista famoso, muito amigo
- 48:22meu, que teve no real que eu discuti
- 48:24isso comigo, eu falei assim, vem cá,
- 48:26suponha que a gente conseguisse acabar
- 48:27com a dívida pública brasileira em 5
- 48:30anos, você teria empobrecido o setor, o
- 48:33setor privado brasileiro em 80% do PIB.
- 48:36Isso é a maior rejeção do mundo que você
- 48:38vai provocar.
- 48:41Suspõe que eu cancele a dívida pública
- 48:42brasileira.
- 48:45Acabou, não tem mais dívida pública.
- 48:47Quem é que mais perdeu? Foram as
- 48:48gerações futura ou as gerações de hoje
- 48:51que tão igual tem. Olha uma rejeção
- 48:54brutal. Brutal.
- 48:58dívida pública. Dívida pública é dívida
- 49:00do Estado com o setor privado. É óbvio
- 49:03que tem que ter uma proporção entre é o
- 49:05ativo, teoricamente a dívida pública,
- 49:08inclusive é o ativo sem risco,
- 49:12do de um sistema financeiro de uma de um
- 49:14país, de uma economia que tem a moeda
- 49:16fiduciária.
- 49:18É óbvio que a dívida pública comparada
- 49:20com proporção do demais ativos
- 49:23financeiros, que é um ativo financeiro
- 49:25do setor privado, com os demais ativos
- 49:27financeiros, tem que ter uma proporção.
- 49:30Se a dívida pública começar a ser 70% de
- 49:33todas o o os ativos financeiros do país,
- 49:36alguma coisa tá profundamente errado.
- 49:38Hum. Mas a comparação de dívida pública,
- 49:41como fosse algo que você tem que pagar,
- 49:42que é uma ameaça às próximas gerações, é
- 49:44uma estupidez, é uma transposição
- 49:48equivocada do conceito de quando você
- 49:51tem dívida externa.
- 49:54O e o chamado problema da transferência
- 49:56foi analisado por Kees a partir depois
- 49:58do do acordo de Versa depois da Primeira
- 50:01Guerra com a Alemanha, foi imposição
- 50:03reparações de guerra da Alemanha,
- 50:04Alemanha tinha que transferir recursos
- 50:06reais para fora para pagar reparações de
- 50:08guerra. Este problema é um problema
- 50:10muito sério. Então, quando um país tem
- 50:12que adquirir divisas, ou seja, tem que
- 50:14ter superável de vendas posterior para
- 50:17pagar dívida externa, esse é um problema
- 50:19de esse é um problema sério. Agora,
- 50:21quando o país tem dívida interna consigo
- 50:24mesmo, com seus próprios próprio setor
- 50:27privado, então você está usando uma
- 50:30lógica que faz sentido de dívida
- 50:34externa, que exige transferência de
- 50:35recursos reais posterior para ser
- 50:37servido. uma com uma dívida que é
- 50:39interna, que é do estado brasileiro com
- 50:43o setor privado brasileiro.
- 50:46A tudo tá tão errado, tão equivamente
- 50:49concebido que agora então, mas não
- 50:53adianta, porque como as pessoas
- 50:54aprenderam isso e repetem, hã, a nós
- 50:58somos todos que nem papagai, que nem
- 50:59criança. Você gosta de ouvir a história
- 51:01que me contaram quando eu era criança,
- 51:03né? Se se eu ouço outra, eu fico meio
- 51:05irritado, meio meio meio indignado.
- 51:08Depois depois esqueço e passo volto na
- 51:10historinha do passado. Mas André, qual
- 51:11seria qual seria o o sistema de
- 51:13equilíbrio aqui? Porque olha só, deixa
- 51:14eu só botar algumas alguns temas para
- 51:16você poder debater. A gente tentou
- 51:18baixar as taxas no tombini e a gente
- 51:21acabou batendo nos problemas.
- 51:24Eu deix bom, termina as duas.
- 51:25>> Só terminar a segunda parte. Segunda
- 51:27parte que a gente tentou baixar o os o
- 51:29juros ano passado e o dólar disparou.
- 51:31Eh, qual como é como é que isso fica no
- 51:33seu framework? E mais importante para
- 51:35mim, eu queria saber qual você acha
- 51:36seria o framework correto pro Brasil?
- 51:38>> Vamos lá. Primeiro, toda vez que se cita
- 51:40isso, cita o o caso do Tombini.
- 51:43>> O caso do Tombini é um caso que eu não
- 51:45sei se é verdade ou não, perfeito, se
- 51:46foi assim ou não, mas fui entendido à
- 51:49época e continua sendo entendido como
- 51:51tendo sido uma pressão política espúria.
- 51:54>> Uhum.
- 51:54>> Da Dilma com Presidente da República
- 51:56sobre o Banco Central.
- 51:57Claramente todo um sistema que é
- 52:00fiduciário depende de confiança.
- 52:03A moeda é fiduciária depende de
- 52:04confiança. Se eu se eu entendo que o
- 52:07Banco Central não é dígno de confiança,
- 52:10porque ele responde a a a pressões
- 52:12políticas espúrias, não legítimas, é
- 52:15claramente eu vou sair, vou ter uma, vai
- 52:17ter uma fuga da moeda. Então, não tem
- 52:20dúvida nenhuma sobre isso. É, quando o
- 52:22Tombini baixou os juros, não teve
- 52:24aumento de inflação,
- 52:27não é? Só ele baixou e
- 52:33logo em seguida teve um uma pequena alta
- 52:35e depois a quando você inflação é uma
- 52:38coisa muito estável, inflação é muito
- 52:39mais estável, fora para inflação
- 52:41inflação muito mais estável que as
- 52:42pessoas imaginam. A inflação é o que é,
- 52:45até porque as pessoas e o ideal que você
- 52:47deve buscar é uma inflação quando que
- 52:49todo mundo, uma inflação abaixo de 3 4%
- 52:52ao ano, as pessoas não pensam em
- 52:54inflação. E isso é o que você basta
- 52:57buscar. Quando a inflação fica muito
- 52:58alta, as pessoas passam a olhar se
- 53:01preços de referência.
- 53:02>> Que preços de referência são esses? No
- 53:04passado foram os preços de acordo
- 53:06salariais, por isso da cor de física.
- 53:08Hoje não foram preço de energia, até
- 53:12hoje é um pouco. Foram e cada vez mais
- 53:15são o câmbio.
- 53:17>> Uhum. É um preço de referência.
- 53:19>> Isso é muito importante pro Brasil, né?
- 53:20Quando a gente baixa juro, geralmente o
- 53:22câmbio sobe, né?
- 53:25>> Eh, por se você tá dependendo muito de
- 53:28carry trade
- 53:29>> Uhum. Ora, obviamente, se você tem um,
- 53:31se você tem um juro real de 9% ao ano,
- 53:33você imagina a festa do japonês
- 53:35>> Uhum.
- 53:36>> com car trade no Brasil. né?
- 53:38[limpando a garganta] Porque olha, todo
- 53:39mundo tem juros baixos, investe aqui,
- 53:41sai e vai. E depois quando baixou os
- 53:44juros, ele fala: "Vai, baixou os juros,
- 53:45você sai." Quando você sai, tem um um
- 53:47movimento de natural de saída.
- 53:51>> Mas não é verdade. Quer dizer, um grande
- 53:53a grande questão, se baixar o o grande
- 53:55problema se baixar os juros, o o a moeda
- 53:58vai desvalorizar, né? Eh, o ano passado
- 54:03>> a inflação viria disso, a inflação viria
- 54:05da depreciação da moeda.
- 54:06>> Esse, esse esse é um canal de
- 54:07transmissão claramente paraa inflação, o
- 54:09câmbio paraa inflação.
- 54:10>> Uhum. [limpando a garganta] Mas o ano
- 54:12passado você teve uma teve um um câmbio
- 54:15que se desvalorizou sem nenhuma. Isso
- 54:17não foi porque o o juro só tava subindo.
- 54:19>> Uhum.
- 54:20>> F. Então, não existe uma relação clara e
- 54:22unívica entre isso. Não existe. E se a
- 54:27Então você me perguntou qual era o qual
- 54:28é o qual é como é que deveria ser
- 54:30estruturado correto isso no Brasil? Um,
- 54:33eu sempre disse, você deveria ter o
- 54:36ideia de que em vez de você ter um um
- 54:38copom de política monetária, você devia
- 54:40ter um comitê de política fiscal e
- 54:42monetária coordenado. A política fiscal
- 54:45deveria claramente, com uma certa
- 54:46independência, inclusive eh
- 54:48independência operacional, eh,
- 54:51diretamente do executivo, deveria
- 54:54definir um programa de investimento de
- 54:56longo prazo. A ideia que seria deveria
- 54:58ser de 5 anos,
- 55:00>> porque para não coincidir com o mandato
- 55:02presidencial, esses programas de
- 55:04investimento devia ser aprovado e
- 55:06implementado sujeito a permanente
- 55:10revisões de custo de e de taxa de custo
- 55:12e de retorno.
- 55:14Esses investimentos não precisam ser eh
- 55:19fundados em em arrecadação fiscal, tá?
- 55:24Por quê? Porque por definição, se o
- 55:26retorno deles é superior a ao custo eh
- 55:30da dívida da dívida pública, ele vai a
- 55:33relação dívida PIB que você tá olhando
- 55:35vai cair. O que você quer que seja,
- 55:38tenha que ser coberto integralmente por
- 55:40por recursos fiscais, tributários, é com
- 55:44certeza o gasto operacional do governo,
- 55:47porque você quer que isso seja
- 55:49racionalizado o menor possível e também
- 55:52os gastos de transferência, né, que são
- 55:54muitos hoje no Brasil, muito altos,
- 55:56inclusive a começar pelo previdenciário,
- 55:58que é um gasto de transferência, porque
- 55:59o sistema não é sempre deficitário,
- 56:03>> né, do payas e Gol. Então, eh, mas aí,
- 56:08ah, isso é inviável, porque você vai,
- 56:11tudo vai ser definido como investimento.
- 56:13Vamos dizer que usar que investimento,
- 56:14então, para poder bypassar. Olha, se
- 56:17você pressupõe que não há eh boa fé eh
- 56:22na gestão das políticas públicas, não
- 56:25tem saído.
- 56:26>> Uhum.
- 56:26>> Né? E não adianta não, mas é muito
- 56:29melhor você ter algumas regras claras e
- 56:31que não pode mudar, como por exemplo a
- 56:34regra de ouro, como o teto dos gastos.
- 56:37Primeiro que os políticos sempre mudam.
- 56:40Se quiser mudar um, muda outro, como tá
- 56:42demonstrado. Segundo que essas regras
- 56:45são,
- 56:46tudo bem, você põe uma regra que é
- 56:48profundamente irracional e inviabiliza o
- 56:52crescimento do país. A pergunta é por
- 56:54que nos últimos 40 anos a China
- 56:58multiplicou sua renda per capta por mais
- 56:59de 20 vezes, perto de 25 vezes, e o
- 57:02Brasil dobrou?
- 57:05Por que que a Índia agora cresce como tá
- 57:08crescendo? O as economias do setro
- 57:10asiático cresceram e o Brasil não. Cada
- 57:11um tem a sua resposta. Perfeito. Mas tá,
- 57:13>> qual é a sua,
- 57:14>> qual é a sua?
- 57:15>> A a minha é que o Brasil, como que é
- 57:17título de meu do meu último livro, é,
- 57:21como disse, o Brasil é a economia
- 57:24brasileira é hoje eh está eh
- 57:27[limpando a garganta][tosse]
- 57:29está presa uma camisa de força
- 57:30ideológica. Ideológica. Não tô usando
- 57:32sentido esquerda ou direita. Uhum.
- 57:34>> de concepção de ideias, uma camisa de
- 57:36força teórica equivocada, macroeconômica
- 57:39equivocada.
- 57:41E isso e deve e a você precisa ver
- 57:44quebrar essa camisa de força eh
- 57:46conceitual para ousar fazer um programa
- 57:51de longo prazo de investimentos em dizer
- 57:54definir quais são as áreas que têm de
- 57:56fato retorno,
- 57:58de retorno em termos de produtividade e
- 57:59bem-estar.
- 58:02fazer esse esses esses programas
- 58:05investir corretamente. O o grande
- 58:08problema de investimentos públicos não é
- 58:10não é a falta de dinheiro no porque o
- 58:13dinheiro sempre existe, a falta de bons
- 58:15projetos. Você tem que ter o projeto
- 58:16certo e implementação certa. Esse aqui é
- 58:19o coro. E se o ao contrário do que
- 58:22também ensina a teoria convencional de
- 58:25que existe um um estoque de poupança, se
- 58:27o se o estado investe muito, sobra
- 58:30menos, é um tradeoff pro setor privado
- 58:32investir. É isso não é verdade.
- 58:35O investimento público é complementar
- 58:37com o investimento privado. sem você se
- 58:40você o o investimento privado aumenta e
- 58:43vem quando você tem um investimento
- 58:45produtivo, bem feito e infraestrutura e
- 58:49infraestrutura lata o senso em todo
- 58:52sentido, educação, saneamento, eh eh eh
- 58:56infraestrutura de portos, eh hoje em dia
- 58:59de data centers, que o Brasil não tá nem
- 59:03pensando nisso.
- 59:05Essa a ideia de data centers é
- 59:07impressionante. Brasil hoje por causa
- 59:08das das restrições de de tarifárias que
- 59:12o Brasil impõe sobre importações de de
- 59:16todo o equipamento, como é que chama, de
- 59:18tips, e de todo mais pro Brasil, o
- 59:20Brasil processa seus dados nos Estados
- 59:21Unidos.
- 59:23Então, eh, tá errado, tá tudo errado.
- 59:26Mas por que não? Mas não pode, não
- 59:28podemos abrir, não podemos reduzir as
- 59:29tarifas. A, a pressão absurda do dos
- 59:32Estados Unidos agora de Trump sobre o
- 59:34Brasil. Portanto, tarifar o Brasil com
- 59:36essa tarifa absurda, com uma visão dita
- 59:40por eles, política, de interferência
- 59:42política no país. Mas é ainda assim
- 59:45seria uma ótima oportunidade para dizer
- 59:47para nós vamos rever nosso sistema de
- 59:49proteção absurdo que a gente tem de
- 59:52tarifar, vamos racionalizar a questão da
- 59:54questão de de tarifa de importação e mas
- 59:59não, isso não se abre. Como disse, o
- 1:00:01Brasil hoje a a economia brasileira hoje
- 1:00:06é pensada pela Receita Federal
- 1:00:09e e a Receita Federal só pensa em
- 1:00:11aumentar a arrecadação. Então, olha,
- 1:00:14você de aumentar a arrecadação e
- 1:00:15aumentar a arrecadação, você vai matar o
- 1:00:17a galinha dos ovos de ouro.
- 1:00:20O que o o que vai bem no Brasil hoje? o
- 1:00:23agrobusiness que tem taxação zero.
- 1:00:28[roncando] O que vai mal? A indústria
- 1:00:31que já respondeu por 30 a 35% do PIB,
- 1:00:33hoje responde por 11 do PIB no na em
- 1:00:37valor agregado e responde por 40% da
- 1:00:40arrecadação. Olha, é óbvio que está
- 1:00:43errado,
- 1:00:45óbvio.
- 1:00:47Mas você vê 95%
- 1:00:51dos analistas e economistas que aparecem
- 1:00:54na mídia, os pandits dizend: "Não, o
- 1:00:57problema é fiscal, o problema brasileiro
- 1:00:59é fiscal". O que que é o problema
- 1:01:00fiscal? Que como eu disse, olha, qual é
- 1:01:02o e o e o o Brasil tá sempre à beira do
- 1:01:05precipício fiscal? Que que beira do que
- 1:01:07precipício fiscal?
- 1:01:10O Brasil gasta mal, o Estado brasileiro
- 1:01:12gasta mal e muito e mal, especialmente
- 1:01:14na sua própria operação. Claro, o estado
- 1:01:16é é tomado por forças patrimonialistas,
- 1:01:20quer dizer, em benefício próprio do
- 1:01:21ocupante do Estado, não há menor dúvida,
- 1:01:23tá aí em todos, todas todo executivo,
- 1:01:26legislativo e o judiciário. O, a questão
- 1:01:29das emendas parlamentares, especialmente
- 1:01:31das emendas de relator, que não tem
- 1:01:33nenhuma transparência, é um absurdo?
- 1:01:35Claro que é um absurdo, mas é isso que
- 1:01:37precisa se ver. e não asfixiar o país
- 1:01:40com aumento de impostos e taxa de juros
- 1:01:42na Lua. A combinação de taxa de juros, a
- 1:01:45maior taxa de juros real do mundo e uma
- 1:01:49carga tributária eh não apenas muito
- 1:01:52alta, como com um custo de compliance
- 1:01:56burocrático extraordinariamente alto, é
- 1:01:59uma forma de inviabilizar a economia.
- 1:02:02E o surpreendente é que a economia ainda
- 1:02:05funcione.
- 1:02:06>> Você sempre diferencia, né, André, a
- 1:02:08questão do de quem é rentista, de quem é
- 1:02:10investidor, né? Nem todo mundo é
- 1:02:11investidor. A maioria das pessoas são
- 1:02:13rentistas, só estão buscando o retorno
- 1:02:14sobre capital que eles têm. A sua
- 1:02:16concepção é, se você baixasse os juros,
- 1:02:19você teria menos rentista, você teria
- 1:02:21mais investidor no Brasil. E você também
- 1:02:23tem a visão, me cor se eu tiver errado,
- 1:02:25tá? que necessita uma participação
- 1:02:28pública privada nos projetos de autor
- 1:02:30retorno.
- 1:02:32>> Primeiro, eu não tenho nenhuma, eu sou
- 1:02:34rentista feito, acho que é legítimo ser
- 1:02:37rentista e que o os rentistas são parte
- 1:02:42importante da do bom funcionamento de
- 1:02:44uma economia capitalista moderna. Uhum.
- 1:02:46[limpando a garganta]
- 1:02:47O problema é que chamar, não distinguir,
- 1:02:51chamar de investidor, quem tem dinheiro
- 1:02:53aplicado no sistema financeiro, é feito,
- 1:02:55tá errado. Investidor é quem investe em
- 1:02:59um projeto novo. Quando você constrói,
- 1:03:02quando você faz um projeto, você faz uma
- 1:03:04startup e põe dinheiro na startup ou
- 1:03:07quando você faz uma fábrica. Hoje em dia
- 1:03:08não se faz muita f, mas quando você cria
- 1:03:10um data center, quando você cria um um
- 1:03:12um faz um co de armazéns, quando você eh
- 1:03:16cria uma empresa nova, isso você isso é
- 1:03:18um investimento, né?
- 1:03:21Investidor é quem põe dinheiro em equity
- 1:03:24num projeto novo.
- 1:03:25>> Uhum.
- 1:03:26>> Né? Esse investidor você pode até nem
- 1:03:28impor em equity. Eu posso, quem financia
- 1:03:30um um um
- 1:03:33>> um projeto novo, ainda que com crédito,
- 1:03:36eu diria é investidor.
- 1:03:37>> Uhum.
- 1:03:38>> Não, ele tá querendo mais o certo em
- 1:03:40equity. Esse é o investidor. O outro é
- 1:03:43um rentista.
- 1:03:45Eu tô vivendo de renda,
- 1:03:46>> tá? E o que faz o país crescer? O o
- 1:03:50investimento é o investimento em
- 1:03:52projetos novos
- 1:03:54que aumenta a produtividade. É só é
- 1:03:57simplesmente isso. E qual é a
- 1:03:59participação pública privada? Qual é o
- 1:04:00mix público privado que você acha
- 1:04:02adequado para uma economia como o
- 1:04:03Brasil?
- 1:04:05>> Eu acho sempre que a economia o a
- 1:04:06participação privada na minha eu sou eu
- 1:04:08sou pode surpreender, mas eu sou um
- 1:04:10liberal.
- 1:04:11>> Então eu acho que o o público vai ser o
- 1:04:13mínimo mínimo possível. Portanto, o
- 1:04:17mínimo indispensável,
- 1:04:19o mínimo indispensável é o público deve
- 1:04:21estar corretamente nas áreas onde o
- 1:04:24setor privado não vai investir, em todas
- 1:04:26tudo que é bem público. Então, clássico,
- 1:04:30segurança, primeira primeira de tudo é
- 1:04:34discutível, mas eu acho que eh o público
- 1:04:37deveria estar em saúde, ou pelo menos na
- 1:04:40saúde básica, com toda certeza, e na
- 1:04:42educação básica. O público, toda a
- 1:04:44infraestrutura de de estradas,
- 1:04:49eh eh ruas, portos, aeroportos,
- 1:04:53é público. O pode até ser concessão eh
- 1:04:57privada, mas é público, né? É parte do
- 1:05:00Então esse esse esse eu acho que grande
- 1:05:04parte do ciência e tecnologia eh mesmo
- 1:05:08na aplicação de ciência e tecnologia,
- 1:05:10não pesquisa pura, é essencialmente
- 1:05:12pública.
- 1:05:13>> Hum. Porque o setor privado não tem
- 1:05:14apetite para risco para isso. Então é
- 1:05:17público feito sempre foi assim. Nos
- 1:05:18Estados Unidos é assim, tudo quant é
- 1:05:20lugar assim. Mas é o essencial. Tudo que
- 1:05:25o estado, o o setor privado pode fazer,
- 1:05:28melhor que o público se abstenha de
- 1:05:30fazer. Que proporção é essa? Vamos ver.
- 1:05:35>> Perfeito. André, se a gente a gente vai
- 1:05:37ter que ir pro pro para fechar o
- 1:05:38programa, tá? Eu queria só uma pergunta
- 1:05:40ou duas duas ou três coisas importantes
- 1:05:43para fechar o programa. A primeira
- 1:05:45delas, se eu te desse a cadeira e a
- 1:05:46caneta em 2027, quais são as três coisas
- 1:05:49fundamentais que você faria no Brasil?
- 1:05:54>> [risadas]
- 1:05:57>> 10 tá esclarecido. Poder absoluto.
- 1:06:01>> Eh,
- 1:06:02você precisaria me você precisar me
- 1:06:04daria uma varinha de condão mágica para
- 1:06:06eu transformar a mentalidade das pessoas
- 1:06:08todo mundo no Brasil e entender um cons
- 1:06:10que você precisa realmente eh pensar com
- 1:06:16a porque hoje não é não é só isso. Nós
- 1:06:18estamos em a questão,
- 1:06:21nós estamos numa séria séria, o limear
- 1:06:25de uma séria crise sobre a democracia da
- 1:06:27democracia representativa, como nós
- 1:06:29conhecemos no século passado, né? Então
- 1:06:31[limpando a garganta]
- 1:06:32não existe eh e eu não acredito em em
- 1:06:36ditador esclarecido,
- 1:06:37>> tá? senão você me diz: "Não, você é o
- 1:06:40ditador esclarecido e impõe: "Não, não
- 1:06:41acredito, isso não funciona." Então você
- 1:06:43precisa mudar o, como dizia Alexis de
- 1:06:46Toqueville, você precisa eh mudar os
- 1:06:50lemur, quer dizer, é os os costumes, a
- 1:06:52forma de entendimento da vida. Você
- 1:06:54precisa, você precisa de um país precisa
- 1:06:57de civilidade.
- 1:06:59>> Uhum.
- 1:07:00>> Civilidade da do relacionamento entre as
- 1:07:02pessoas, de educação. Educação no
- 1:07:05sentido de de gentileza. eh de de
- 1:07:09preocupação com o outro, de e
- 1:07:13de um valores éticos no sentido, olha,
- 1:07:16eu
- 1:07:18todo mundo se beneficia
- 1:07:20eh de se todos forem honestos, e nós
- 1:07:24estamos caminhando no sentido contrário
- 1:07:27e, infelizmente com o nosso grande
- 1:07:28exemplo, os Estados Unidos, liderando o
- 1:07:31mau exemplo hoje,
- 1:07:33assim, vou vou terminar com isso. Tem,
- 1:07:36eu tô sempre fui muito interessado em
- 1:07:38moedas privadas digitais, porque é uma
- 1:07:40parte do entendimento disso, os stable
- 1:07:43coins, o o o genus act, vocês viram o
- 1:07:47Dinus Act nos Estados Unidos?
- 1:07:48>> Não. Ah, não vi, desculpa, vi
- 1:07:50>> que que que [limpando a garganta]
- 1:07:55é como se diz isso?
- 1:07:57regulariz table coins, os tablecoins,
- 1:08:01eh, proíbe que os stable coins pague eh
- 1:08:06juros ou qualquer tipo de remuneração
- 1:08:08para o detentor de moedas de transação
- 1:08:11e eh ou seja,
- 1:08:14o o essa isso é o senhor, que é por
- 1:08:18essência
- 1:08:19a um uma arrecadação, um direito do
- 1:08:24emissor da moeda fiduciária.
- 1:08:26É, ele tá privatizando o direito do
- 1:08:29senhorá, mas não tá privatizando para
- 1:08:30quem detenha a moeda, que não vai poder
- 1:08:32pagar, para quem fez a a empresa que
- 1:08:35emite essa stable coin. Senadores e
- 1:08:39deputados não podem ter donos de de
- 1:08:41stablec, mas o presidente da república
- 1:08:42pode. O que que ele acabou de fazer
- 1:08:43antes de ser eleito com com os filhos
- 1:08:45dele? criou uma stable coin. Então diz o
- 1:08:48seguinte: "Olha, o senhor dessa stable
- 1:08:50coin não pode repassar moedas de
- 1:08:53transação
- 1:08:54para transacionais não podem pagar
- 1:08:56juros, nem dividendo, nem nenhuma
- 1:08:58generação paraos seus detentores
- 1:09:00[suspirando] e proíbe os Estados Unidos
- 1:09:03de terem uma moeda eh nacional, um
- 1:09:06central bank eh digital currency, uma CD
- 1:09:09eh CDBC, né, CBDC.
- 1:09:14Olha,
- 1:09:16garante, portanto, o o o monopólio de
- 1:09:20algumas empresas privadas que vão ganhar
- 1:09:22o vão foi privatizaram o senhor para os
- 1:09:27as empresas emissoras de stable coin,
- 1:09:29não pros detentores de stable coin. É um
- 1:09:32>> é um escândalo, feito. É um escândalo.
- 1:09:35Não, é considerado normal, mas são
- 1:09:38tantos os escândalos hoje em dia que
- 1:09:42>> André, uma uma um pr pra garotada mais
- 1:09:45nova, pras pessoas que estão entrando na
- 1:09:47profissão, então querem mudar o Brasil,
- 1:09:49querem ter uma participação relevante no
- 1:09:51Brasil, como você teve, quais são os
- 1:09:53conselhos que você dá hoje em dia e que
- 1:09:54livros ler e o que e que fontes buscar?
- 1:09:58Eu
- 1:10:01eu eu eu disse isso uma foi falar alguns
- 1:10:05alguns dias atrás, algumas semanas
- 1:10:06atrás. Digo seg um, a a o conselho que
- 1:10:10eu dou é pense por conta própria. Não vá
- 1:10:13procurar em livro nenhum um um a a
- 1:10:16fórmula. A única coisa que certa é
- 1:10:19assim, tudo você tem que pensar por
- 1:10:21conta prova. você precisa ler e e e
- 1:10:24conhecer o que foi dito, o que foi
- 1:10:26escrito, o que foi pensado, porque isso
- 1:10:28te ajuda a pensar por conta própria, mas
- 1:10:30não você ficar prisioneiro de alguém que
- 1:10:32que lê alguma coisa ou outra. Então eu
- 1:10:35sempre digo: "Olha, pense por conta
- 1:10:36própria, ou pensar por conta própria."
- 1:10:40É preciso pensar por conta própria, é
- 1:10:42difícil por duas razões. Primeiro porque
- 1:10:43dá trabalho e as pessoas, nós somos
- 1:10:45preguiçosos, né? É muito mais fácil
- 1:10:47repetir uma frase que você leu, que
- 1:10:50alguém fala, que todo mundo fala, etc.
- 1:10:53Segundo, pensar por conta própria te faz
- 1:10:55você não ser parte de uma turma. E se
- 1:10:58você não é parte de uma turma, você não
- 1:11:00é insider, você tende a ser
- 1:11:02discriminado. Porque as pessoas, a forma
- 1:11:05direta de saber o seguinte: você tá
- 1:11:06comigo ou contra mim? Você é corintiano
- 1:11:09ou você é palmeirense? É assim, as
- 1:11:12pessoas não pensam, as pessoas eh eh
- 1:11:16como se diz, classificam por
- 1:11:19estereótipos, que é uma forma preguiçosa
- 1:11:22de classificar. Não, não. Eu sei que ele
- 1:11:25é um cara legal e ele é palmeirense.
- 1:11:28[limpando a garganta]
- 1:11:29Eu não, eu não me dei o trabalho de
- 1:11:31conversar com você, ouvir você, pensar
- 1:11:33sobre você, etc. E isso vale para
- 1:11:36qualquer coisa. Então você não vá, se
- 1:11:39você for pro, você quer, olha, eu
- 1:11:41estudei economia, agora quero ir
- 1:11:42trabalhar no mercado financeiro. Você
- 1:11:43vai uma entrevista, a primeira coisa que
- 1:11:45vão te perguntar o seguinte, que que
- 1:11:46você acha do déficit público? Você acha,
- 1:11:50você é a favor do você acha que o
- 1:11:52governo tá gastando muito? Se você
- 1:11:54disser: "Não, ele depende se ele pode
- 1:11:55gastar bem ou mal, você tá você não é
- 1:11:57contratado.
- 1:11:59Você não é contratado nem para
- 1:12:01jornalista de de finanças e economia
- 1:12:04hoje no Brasil e nenhum dos veículos.
- 1:12:07E se você disser todos os chavões
- 1:12:10repetidos
- 1:12:12assim de forma
- 1:12:15enojante
- 1:12:17sobre eh o déficit fiscal e que o
- 1:12:20problema é é é equilibrar o orçamento e
- 1:12:23reduzir a dívida público, a dívida
- 1:12:25pública e o déficit, você imediatamente
- 1:12:27não precisa nem mais saber, esse cara é
- 1:12:29bom de economia. Eu eu sempre disse:
- 1:12:31"Olha, para que que você vai estudar
- 1:12:32economia?" Eu
- 1:12:34tô falando de macroeconomia porque tem
- 1:12:36outra tem na microeconomia tem um de
- 1:12:38coisas interessantes, especialmente na
- 1:12:40na
- 1:12:42em economia comportamental, na fronteira
- 1:12:44com psicologia, tem coisas muito
- 1:12:46interessantes, mas a macroeconomia
- 1:12:48virou uma uma coisa completamente
- 1:12:50irrelevante.
- 1:12:52Ou seja, pense por conta própria.
- 1:12:54>> Pense por conta própria. Então a gente
- 1:12:56vai fechar o programa com esse
- 1:12:57pensamento, né, com André Lara Rezende e
- 1:13:00o direito de pensar por contra o dever
- 1:13:02de pensar com contra, o
- 1:13:03>> dever, porque o direito não existe,
- 1:13:06todo dever de pensar conta próprio, é
- 1:13:08isso que faz a gente, né, diferente,
- 1:13:10aliás, mercado financeiro, que é o que
- 1:13:11eu trabalho, né, não sou economista como
- 1:13:14André Valente, mas sou uma pessoa do um
- 1:13:17praticante do mercado financeiro. A
- 1:13:19coisa que eu mais preciso é pensar por
- 1:13:20contra própria, né? A única maneira de
- 1:13:22você ter retorno no mercado é pensando
- 1:13:24contra a própria. Fica essa ideia aqui
- 1:13:26para vocês, pra garotada, para pessoas
- 1:13:28mais velhas como eu. Vamos pensar por
- 1:13:30contrapria. Gente, muitíssimo obrigado,
- 1:13:32André, muitíssimo obrigado pela sua
- 1:13:33presença, por todo o conhecimento, pela
- 1:13:35aula de macroeconomia. E gente, a gente
- 1:13:38volta no próximo programa, no próximo
- 1:13:39mês, com outro super convidado. E não
- 1:13:42deixa de seguir a gente nas redes
- 1:13:43sociais, que não é investimentos sempre,
- 1:13:45tá? Que não é Investimentos Instagram,
- 1:13:46que não é Investimentos Nikedin, que não
- 1:13:47é Investimento YouTube. Gostou? Dá um
- 1:13:50like, segue o canal, recomendo pros
- 1:13:51amigos, tá? Quine Investimentos, nossa
- 1:13:53comunidade de WhatsApp, blog da Kineia,
- 1:13:55tá no Kine Investimentos na internet,
- 1:13:58tá? Segue a gente para com mais
- 1:13:59conteúdo. Um super prazer tá aqui com
- 1:14:02André e até a próxima, até o próximo
- 1:14:04mês. Um grande abraço.
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