André Ventura: «Luís Neves não tem nenhumas condições para continuar como ministro» — Transcript
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- 0:00até uma
- 0:02breve declaração para uma declaração que
- 0:05era esperada há muito tempo, eh, mas que
- 0:09mereceria pelo seu conteúdo,
- 0:12eh, uma reação do partido que desde o
- 0:14início exigiu que os esclarecimentos
- 0:16fossem dados e que a verdade fosse
- 0:18reposta.
- 0:20Vou começar por dizer o que me parece
- 0:22evidente. Esta foi uma das conferências
- 0:24de imprensa mais sofríveis dos últimos
- 0:27tempos, mas também acho que foi das mais
- 0:32sofríveis para a nossa democracia
- 0:34enquanto democracia.
- 0:36E a forma como alguém,
- 0:39de forma absolutamente
- 0:42ostensiva, quase contigos de impunidade
- 0:45e de soberba,
- 0:47fazia declarações sobre coisas graves e
- 0:50sérias de forma absolutamente
- 0:52rudimentar, autoritária, respondendo ao
- 0:55que queria e não ao que era perguntado,
- 0:58mas que poderia ao menos ter tido uma
- 1:00função, a de esclarecer aquilo que
- 1:03estava e está a investigação. há algum
- 1:06tempo.
- 1:08É preciso recuar muito tempo na história
- 1:10das conferências de imprensa para ouvir
- 1:12alguém dizer várias vezes não cometi
- 1:14qualquer ilegalidade, mas referir várias
- 1:17que cometeu na mesma intervenção em que
- 1:21está a dizer que não cometeu qualquer
- 1:23ilegalidade.
- 1:27Não entreguei declarações de rendimentos
- 1:29porque ninguém me aspediu.
- 1:31Esta ficará para os anais da história
- 1:33democrática.
- 1:35Porque significa que alguém que tutela a
- 1:38transparência de outros não entrega uma
- 1:41declaração de rendimentos e património,
- 1:43porque diz que o Tribunal Constitucional
- 1:46não lhe pediu,
- 1:48mas depois já não era porque não lhe
- 1:49pediu, mas porque havia ameaças em
- 1:52revelar a sua morada.
- 1:58Estou na vida pública há alguns anos.
- 2:01Fui candidato a presidente da República
- 2:02duas vezes. Sou líder do maior partido
- 2:06da oposição.
- 2:09A política traz-nos dissabores,
- 2:12insegurança e ameaças. Não é por isso
- 2:15que não podemos deixar que podemos
- 2:16deixar de entregar declarações de
- 2:19rendimentos do património, seja com
- 2:21morada ou não, porque os candidatos a
- 2:24presidente da república têm que o fazer,
- 2:26os primeiros ministros têm que o fazer,
- 2:28os líderes da oposição têm que os fazer.
- 2:31Não há razão nenhuma para que outro
- 2:33titular não o tenha que fazer.
- 2:36Há ameaças sobre magistrados, sobre
- 2:40políticos, sobre líderes da oposição,
- 2:42sobre primeiros ministros que têm que
- 2:44entregar declaração de rendimentos.
- 2:47Aliás, o percurso de outros diretores
- 2:51que garantiram publicamente que não só
- 2:53entregaram as suas declarações, como
- 2:54todos os seus membros entregaram e
- 2:57alertaram de que a própria Polícia
- 2:59Judiciária alertava para a necessidade
- 3:01de entregar essas declarações.
- 3:04É um pouco sufrível ver um ministro da
- 3:06administração interna dizer que a culpa
- 3:08afinal é do Tribunal Constitucional que
- 3:10não o notificou de que tinha durante
- 3:13anos e anos e anos que entregar essas
- 3:14declarações. Mas isso juntamente
- 3:18com outras questões que evidentemente
- 3:21hoje só ficaram piores do ponto de vista
- 3:23da explicação,
- 3:25serão questões que a justiça e outras
- 3:28entidades terão que avaliar.
- 3:32A explicação dada para o outro lado não
- 3:35é sofrível, é perigosa pela sua falta de
- 3:39sentido e cabimento e pela sua falta de
- 3:41qualquer sentido de racionalidade. Vamos
- 3:43ver um material que, segundo o próprio
- 3:46ministro, era muito caro destruir por
- 3:50duas razões, pela sua dimensão e
- 3:52quantidade. O a razão pela qual se tinha
- 3:55que pagar tanto para destruir este
- 3:56material perigoso era suscito, dimensão
- 4:00e quantidade. Portanto, muito material
- 4:02perigoso e em grande dimensão. Vai daí o
- 4:05que é que se lembra o então diretor da
- 4:07Polícia Judiciária. Apesar do material
- 4:08ser muito e perigoso, porque é que não
- 4:11fica com ele um amigo dele que tem um
- 4:12atrelado, que tem uma empresa de
- 4:14construção? E então, apesar de ser um
- 4:16material perigoso, que era muito caro
- 4:17destruir, ficou na rua à frente de
- 4:20todos, com perigo real para as pessoas
- 4:22durante sabe quanto tempo. Ou seja, a
- 4:27assunção de um material absolutamente
- 4:28perigoso, que era até para destruir
- 4:30caríssimo, acaba por ser levianamente
- 4:32posto numa entidade que o próprio, por
- 4:35acaso, conhece e ali fica a pôr o a
- 4:37risco todas as outras pessoas durante
- 4:39não sei quanto tempo.
- 4:42É uma coisa um pouco incompreensível. E
- 4:44se tiver acontecido mais vezes, é muito
- 4:46grave. E significa que esta forma de
- 4:49decisão, como o Chega sempre disse, tem
- 4:50que ter escrutínio e tem que ter
- 4:52escrutínio parlamentar, porque a
- 4:55acontecer mais vezes, o que pode até nem
- 4:58ter acontecido e haver aqui alguma
- 5:00relação especificamente privilegiada,
- 5:03mas não deixa de ser um enorme risco
- 5:04para a segurança pública, que eu acho
- 5:06que ninguém compreendeu.
- 5:08mais a tentativa de mandar culpas para
- 5:10os atuais funcionários da PJ ou
- 5:12anteriores ou antigos dirigentes dizendo
- 5:15quem lá está agora é que tem que
- 5:16explicar essa matéria. Eu só disse que
- 5:18era para fazer assim, ou seja, eu só
- 5:20disse que era para cometer uma
- 5:21ilegalidade. O resto alguém tratou e é
- 5:24com esses que têm que se ver agora.
- 5:28A valentia não é só estar à frente de
- 5:30jornalistas, falar alto, dizer quem fala
- 5:32e quem não fala. A valentia é assumir
- 5:34responsabilidades quando é preciso
- 5:35assumir responsabilidades. Não é tirar
- 5:38culpas para os funcionários da PJ, para
- 5:40os inspetores da PJ ou para aqueles que
- 5:42por ordem sua, acabaram por ter que
- 5:44fazer esta decisão claramente ilegal e
- 5:46evidentemente desconexa e irresponsável.
- 5:50Na verdade, se tudo tivesse sido feito
- 5:52legalmente e o senhor ministro não quis
- 5:54responder a isto porque não estava a
- 5:56decisão no processo. Resposta do
- 5:57ministro. Isso é uma mera
- 5:59irregularidade. Não é aí que o problema
- 6:00está.
- 6:02Pergunto, a que outro político
- 6:03permitíamos isto? A que outro, a que
- 6:06outro político permitíamos que dissesse
- 6:08assim: "Isso é uma mera pequena
- 6:10ilegalidade, irregularidade, não é aí
- 6:11que o problema está? Cal-se e deixe-me
- 6:13continuar". A que outro permitiríamos?
- 6:15Porque é que permitimos a este? Porque é
- 6:18que permitimos que isto continue nestes
- 6:21termos?
- 6:23Finalmente, se a Polícia Judiciária
- 6:26sabia do outro lado e tinha sido uma
- 6:28decisão legal, porque o foi lá apreender
- 6:31quando soube que afinal o outro lado lá
- 6:32estava. Se era tudo legal e tinha tudo
- 6:35enquadramento normativo interno externo,
- 6:39então porque iria a correr a Polícia
- 6:41Judiciária apreender esse atrelado se
- 6:43ele estava devidamente, ilegalmente
- 6:45decidido e determinado?
- 6:49O resto ficará para os anais da história
- 6:51dos pagamentos em dinheiro feitos de
- 6:53forma fasiada, igualmente ilegal, porque
- 6:55a lei assim o determina, lei que este
- 6:57próprio governo, aliás, tem no seu site.
- 6:59Recomendo todos a verem para verificar
- 7:02que lá fica muito claro que não se podem
- 7:04fazer pagamentos acima de 3.000 € mesmo
- 7:07de forma faseada em numerário. É uma
- 7:10ilegalidade claríssima assumida pelo
- 7:13ministro à frente de um país inteiro.
- 7:16Depois o senhor ministro penso que se
- 7:18referia à nossa comissão parlamentar de
- 7:21inquérito dizendo que tem um legado para
- 7:22defender e o que o defenderá. Estou
- 7:24certo que houve coisas boas. Estou certo
- 7:27eh que houve dedicação, como diz o
- 7:29próprio, ao serviço público, mas isso
- 7:32não apaga nem pode apagar a
- 7:34responsabilização que também tem que
- 7:37existir e que só pode existir,
- 7:39percebemos agora, com os esclarecimentos
- 7:41que têm que ser dados de forma clara,
- 7:43precisa e onde não poderá mandar calar
- 7:45os seus interlocutores, criar problemas
- 7:47no microfone ou na audição ou outro tipo
- 7:50de condicionamentos. Acho que
- 7:54esta foi francamente das piores
- 7:56conferências de imprensa que eu como
- 7:58líder da oposição e como líder político
- 8:00tive que assistir, mas tive por dever de
- 8:02ofício, mas acho que não foi nem o Chega
- 8:05que perdeu. Acho que foi o país que
- 8:07perdeu uma oportunidade de
- 8:08esclarecimento
- 8:09e o governo que perdeu uma oportunidade
- 8:11de decência. Permitam-me isto que não é
- 8:13de nenhuma conversa. É mesmo só uma
- 8:16intuição que tenho. Acho que o
- 8:18presidente da República deve estar
- 8:20arrepiado, arrepiado depois de ouvir
- 8:23esta conferência de imprensa. E acho que
- 8:25todos devem pôr a mão na consciência de
- 8:27porque é que chegamos aqui e permitimos
- 8:28que isto continue, o senhor
- 8:30primeiro-ministro, o líder do Partido
- 8:31Socialista,
- 8:33porque é que permitem que isto continue?
- 8:36Acho que os esclarecimentos vão
- 8:37continuar a ter que ser exigidos, como
- 8:38tivemos hoje a oportunidade de
- 8:39esclarecer a todos. deu entrada no
- 8:41parlamento hoje uma comissão de
- 8:43inquérito que se iniciará já no início
- 8:46dos trabalhos e esta comissão
- 8:48parlamentar deverá esclarecer eh muitas
- 8:51destas questões que hoje deveriam ter
- 8:53sido esclarecidas e não foram
- 8:54esclarecidas.
- 8:57André Ventura disponível agora para
- 8:58questões a confirmar chega já de entrada
- 9:01com esse pedido par olhado para esta
- 9:04conferência de imprensos pode dizer a
- 9:05menos que esteja politicamente
- 9:06completamente envisado, pode dizer o
- 9:09senhor ministro depois do que disse hoje
- 9:10tem continu condições para continuar a
- 9:12ser ministro da administração interna.
- 9:14Acho que foi tão eh eh
- 9:17inusitado, às vezes a rçar um pouco o
- 9:20ridículo, mas no que ao fundo diz
- 9:22respeito, com uma total falta de de de
- 9:25capacidade de explicação de coisas que,
- 9:27na verdade, se calhar eh não tem
- 9:28explicação. Há há depois outro nível de
- 9:31coisas que não é só a falta de
- 9:32explicação, é o que é grave, a tentativa
- 9:34de tirar responsabilidades para outros
- 9:35de uma coisa que ele próprio decidiu. a
- 9:38tentativa de dizer que as outras
- 9:39instituições é que falharam não foi ele
- 9:41próprio, foi o tribunal que não o
- 9:42notificou que tinha que ser feito assim.
- 9:45Tudo isto é um filme de muito má
- 9:46qualidade, muito, muito má qualidade
- 9:48para a nossa democracia. Por isso é que
- 9:49eu falei da mão da consciência. Eh,
- 9:51francamente, eu não gosto de de porque
- 9:54cada um tem que assumir as suas
- 9:55responsabilidades e as pessoas falam se
- 9:56quiserem e quando quiserem. Mas eu penso
- 9:59que está a chegar o tempo em que o
- 10:01senhor presidente da República tem que
- 10:02ter aqui uma tem que ter aqui uma
- 10:03palavra, visto que parece que o
- 10:05primeiro-ministro não a quer ter e
- 10:07parece que e enfim para lá do líder da
- 10:10oposição ninguém a quer ter. Penso que o
- 10:12senhor presidente da República,
- 10:13francamente terá que ter aqui uma
- 10:14palavra de de determinação num cenário
- 10:17que eu sinceramente acho que é
- 10:20desprestígio absoluto da nossa da nossa
- 10:22da nossa democracia. Pergunto-lhe se
- 10:25André Ventura irá. Vimos hoje José Luís
- 10:27Carneiro em São Bento. Pergunto-lhe se
- 10:29brevemente André Ventura também irá a
- 10:32São Bento e eventualmente a Belém para
- 10:34falar presidente da República. Eu já
- 10:35falei com o senhor presidente da
- 10:36República sobre isto. Eh, não há
- 10:38necessário, não penso que não há
- 10:39necessidade de uma reunião presencial
- 10:42para dizer ao primeiro-ministro,
- 10:43francamente o que eu estou a dizer aqui
- 10:45e o que eu já disse ao país todo. Acho
- 10:47que não havia nenhumas condições e até
- 10:49como o líder do PS reconheceu hoje
- 10:50ligeiramente, finalmente, ao fim deste
- 10:52tempo todo, a autoridade do do senhor
- 10:55ministro está altamente fragilizada e o
- 10:58prestígio das instituições está
- 10:59irremediavelmente em em curso. O grave
- 11:01disto, francamente, não é o ministro ou
- 11:05a pessoa, Luís Neves, o grave disto é o
- 11:07lodo em que isto coloca a democracia, a
- 11:09falta de critério, a falta de exigência,
- 11:12em que a partir daqui tudo é possível.
- 11:14Tudo é possível. Eh, acho que nessas
- 11:18condições, não é preciso que eu diga
- 11:19mais nada ao primeiro, ao senhor
- 11:20primeiro-ministro, que não isto sequer
- 11:22ainda salvar a decência das
- 11:23instituições, tem que tomar uma decisão.
- 11:25E volto a dizê-lo também, e volto a
- 11:28dizê-lo nesta circunstância
- 11:30ainda mais séria para nós. Não se pode
- 11:33ter medo de nenhum poder em democracia,
- 11:35em nenhum. E o seu primeiro-ministro tem
- 11:37que ter a capacidade de perceber que é o
- 11:39seu governo todo que tá a ser arrastado
- 11:41para uma situação e inexplicável.
- 11:44e tem que tomar uma decisão. Portanto,
- 11:45acho que não preciso nenhuma reunião
- 11:46para lhe dizer o óbvio. Este este senhor
- 11:48ministro não tem nenhumas condições para
- 11:50continuar e penso que se continuar vai
- 11:52continuar a destruir a imagem e do
- 11:55estado. Essa inquérito e será
- 11:58>> uma questão em relação a
- 12:00>> nós ainda não fechamos o roll de pessoas
- 12:04a ouvir por uma razão. Agora a lei prevê
- 12:06que depois de entregue ela seja aceito,
- 12:08deferida pelo presidente da assembleia e
- 12:10depois haverá tempo para a fazer esse
- 12:13rol de pessoas a ser ouvidas. eh, ainda
- 12:16não está terminada. Era importante
- 12:17definir o objeto desta comissão de
- 12:19inquérito. Isso foi feito já neste texto
- 12:21cuidadoso, como podem como podem ver.
- 12:23Eh, foi importante porque uma das
- 12:26questões que se levantava ou se levanta
- 12:28é precisamente eh a possibilidade de que
- 12:31algumas decisões tenham sido
- 12:32politicamente condicionáveis ou
- 12:34influenciáveis. E isso tinha que estar
- 12:36também no na comissão do inquérito. Eh,
- 12:38por isso, tivemos que ter esse cuidado.
- 12:40Haverá tempo, penso que após o
- 12:41deferimento, eh, da comissão de
- 12:43inquérito, para se definir exatamente
- 12:45quem eh é que é que tem que ser ouvido.
- 12:47E aí penso que os contributos da
- 12:48sociedade civil também serão
- 12:49importantes.
- 12:52>> Sim, temos uma lista de nomes, mas quer
- 12:54tal como vos indiquei esta comissão o
- 12:56texto, gostaria de indicá-la quando já
- 12:58tivermos o o a lista fechada, até porque
- 13:00ela para ela não ser um cálculo fechado
- 13:02de uma coisa que depois ainda pode
- 13:04evoluir. Só essa razão.
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