A virada fora das câmeras: um papo sobre força, perdas e propósito | Fabiola Andrade #60 — Transcript
Full transcript
- 0:07Olá, olá. Seja muito bem-vindo a mais um
- 0:10episódio do Neurotalx, o seu podcast de
- 0:13autocuidado, saúde mental e prevenção de
- 0:16burnout.
- 0:17Hoje eu trouxe aqui uma amiga muito
- 0:21querida. Eh, ela é um pouquinho
- 0:24ciumenta. Ela é daquelas que quando eu
- 0:26falo que eu tenho outra melhor amiga,
- 0:28ela fica num nervo. Pensa uma mulher
- 0:31nervosa.
- 0:32Ela é convencida porque ela é mineira. E
- 0:35aí ela fala assim: "Bom, eu não falo que
- 0:37eu não que eu sou mineira, que é para
- 0:38não me gabar". Ela
- 0:41é uma mulher que muita gente conhece da
- 0:44televisão, jornalista, apresentadora,
- 0:47comentarista de esportes, de futebol.
- 0:50Com certeza você já viu a carinha dela.
- 0:53E eu tenho a sorte de chamar de amiga,
- 0:55minha linda, querida, Fabula Andrade.
- 1:00>> Agora você solta as palminhas, por
- 1:02favor. [risadas]
- 1:04Bate palma, Paulo, por favor.
- 1:06Seja bem. Nossa, que apresentação, que
- 1:10honra, delícia tá aqui, né, pra gente
- 1:12bater papo, que a gente faz sempre, né,
- 1:14delícia gravando aí compil falei vamos
- 1:18sair de trás, né, das câmeras e vamos
- 1:20falar [risadas] pro povo ver como é que
- 1:21a gente bate papo bem, porque a gente
- 1:23solta,
- 1:23>> a gente é boa de papo,
- 1:24>> solta aqui a língua, né?
- 1:25>> Boa de papo, ó, já vou costurar aqui, já
- 1:27tô [risadas] pegando a agulha, ó.
- 1:29Minha querida, eu queria primeiro
- 1:31agradecer a tua presença aqui. A Fabiola
- 1:34agora tá em novos projetos aí
- 1:37profissionais e eu sei que ela tá com
- 1:39com a agenda bem cheia de gravar uma
- 1:41hora aqui, uma hora ali. Primeiro eu
- 1:43queria que você começasse falando pra
- 1:45gente, você ficou muitos anos na Globo,
- 1:48né, no Sportv e agora você mudou. É,
- 1:51>> conta como que tá essa nova fase aí.
- 1:53Então, eh, dentro desse podcast, né, que
- 1:56fala de estress, de desgaste, enfim,
- 2:01emocional e de trabalho, eu fiquei 15
- 2:04anos na TV Globo aqui em São Paulo, no
- 2:05Sportv.
- 2:07Fui muito feliz, sou muito grata à Globo
- 2:09e ao Sportv por tudo que eu vivi lá
- 2:11dentro. Mas, eh, chega uma hora, amiga,
- 2:14que você também sabe, eu passei por um
- 2:16momento pessoal muito difícil e
- 2:19transformador, né? E aí eu virei uma
- 2:21outra pessoa, né? Você sabe que uma vez
- 2:24me falaram assim, um médico me falou:
- 2:25"Você nunca mais vai ser igual". Mas eu
- 2:27gostava tanto de quem eu era e eu não
- 2:29gostei dele falar isso. Eu falei: "Eu
- 2:30vou voltar a ser assim, eu vou voltar."
- 2:32Bom, só para poder fazer sentido, eu
- 2:34perdi meu meu marido. Eh, ele partiu e
- 2:37aí o médico falou: "Você nunca mais vai
- 2:39ser igual". E eu achei aquilo péssimo.
- 2:41Eu falei: "Eu quero ser igual, sim. Eu
- 2:43gosto da Fabíula e tal". E agora eu
- 2:45entendo. Não tem como ser igual. você
- 2:48vive um nível, né, de perda dessa, eh,
- 2:51desse nível e você não pode nunca mais
- 2:53ser igual. Mas eu me, eu fui melhor, eu
- 2:56fiquei melhor, né? A gente a gente pode
- 3:00mudar e deve mudar. Hoje eu sou super a
- 3:01favor de mudanças, tá? Super a favor. A
- 3:04gente pode mudar e pode ser melhor.
- 3:06>> Você se imaginava saindo daquele
- 3:08trabalho, por exemplo, há há 5 anos
- 3:11atrás, né? Você ali numa TV aberta
- 3:15fazendo e, né? às vezes e e, né? Não sei
- 3:18se se é na fechada, se é na aberta, uma
- 3:21época
- 3:22e
- 3:23>> muita exposição e muita exposição. Você
- 3:26fica famosa, quer dizer, as pessoas te
- 3:27reconhecem, tem ali um um um ego
- 3:31envolvido, né? Porque por mais por mais
- 3:34que que você tenha o pé no chão, e eu
- 3:36sei que a Fabíula tem,
- 3:38>> eh você tá exposto numa TV eh e
- 3:41semanalmente maior empresa da América
- 3:43Latina de comunicação, né? Existe uma um
- 3:45um uma grande questão de ego envolvida,
- 3:47né? Você se imaginava saindo por
- 3:49espontânea vontade? Quer dizer, né? Não
- 3:52foi alguém que chegou para você e
- 3:54>> é não não imaginava mesmo. Aliás, é CLT
- 3:58é uma co é um é uma das melhores coisas
- 4:00que o que o Ministério do Trabalho já
- 4:02inventou, né? Que o Jetúlio Vargas
- 4:04instituiu. É bem é muito estável, né? É
- 4:07muito
- 4:09eh
- 4:11é muito confortável,
- 4:13>> né? Essa é a palavra. Mas tem uma frase
- 4:15que eu amo hoje que diz assim: "A paz
- 4:18faz escolhas que meu ego jamais
- 4:20aceitaria".
- 4:21>> Hum.
- 4:22>> E quando você não está feliz, gente, por
- 4:25Deus, isso é uma isso é regra de vida.
- 4:28Assim, quando você não está feliz, mude,
- 4:32pense, amadureça. Não tô falando para
- 4:34agir na impulsividade,
- 4:36>> mas amadureça.
- 4:38Se ouça, né? Escute. Por que que eu não
- 4:40tô feliz? O que que tá errado, né?
- 4:43E e mude, mude por você, né? Então
- 4:46>> isso vale para tudo, né? Para
- 4:48relacionamento, para trabalho, tudo
- 4:50tudo,
- 4:51>> para tudo, né? Amizade.
- 4:53>> Às vezes você tá com uma amizade, gente,
- 4:55alguma coisa não tá fluindo, tá
- 4:57esquisito, isso não tá, não tá dando
- 4:59certo.
- 4:59>> Eu tô indo, eu tô indo e a pessoa não,
- 5:01não retribui que às vezes tem isso, né?
- 5:03Às vezes você vai para um lado, a pessoa
- 5:04vai pro outro, você fala: "É, amizade é
- 5:07um relacionamento humano, né, como
- 5:09casamento. E eu acho que serve para
- 5:11tudo, gente. Não tá feliz, mude, busca
- 5:14outro caminho. A gente tem tantas
- 5:16oportunidades, não, o universo vai te
- 5:18proporcionando, peça, fale com ele,
- 5:20conversa e aí as coisas vão aparecendo
- 5:23naturalmente. E nesse percurso então
- 5:25você se desligou, né? E aí você agora tá
- 5:30no É, hoje eu sou hoje eu não tenho
- 5:33exclusividade, né? Que eu tinha na
- 5:34Globo, porque a Globo exige
- 5:36exclusividade. Então hoje eu consigo
- 5:39fazer mil coisas em muitos lugares,
- 5:42coisas diferentes que eu tô aprendendo
- 5:44demais, né? como tá aqui no nosso
- 5:46neurotal, tá aqui, posso fazer muitas
- 5:48coisas diferentes, conhecer pessoas
- 5:51muito diferentes e fazer trabalho
- 5:53diferentes. Então, eh, tô adorando essa
- 5:56fase nova. Eh, não vou dizer que não deu
- 5:59medo. Óbvio que deu, né? Você sai 15
- 6:02anos de uma empresa CLT, mas eu sabia
- 6:05que era hora, assim, eu não sei te
- 6:07explicar como, mas eu sabia que era a
- 6:08hora para mudar tudo. E eu tô feliz
- 6:11assim, o universo ainda vai me dar muita
- 6:12coisa, porque eu converso com ele o
- 6:14tempo todo, falo: "Ó, [risadas]
- 6:15vamos por aqui, vamos por ali, a gente
- 6:16vai conversando." Eh, ainda bem muita
- 6:19coisa boa aí que eu sei que tá guardado.
- 6:21>> Ai, que demais, que demais. A gente
- 6:23[risadas] adora porque Fá, você eh tem
- 6:26uma uma carreira dentro do esporte super
- 6:29consolidada, né? Aí eu vou contar aqui
- 6:32uma coisa para vocês. Quando eu eu
- 6:34conheci a Fabíola numa viagem super
- 6:38assim maravilhosa. A gente foi fazer uma
- 6:40viagem pra Chapada Diamantina, um grupo
- 6:42de mulheres, uma coisa meio aí de
- 6:44autoconhecimento e tal. Foi muito, muito
- 6:48legal. Mas eu não achei que eu fosse
- 6:50sair daquela viagem com uma amiga, irmã,
- 6:53assim, que nem aconteceu a nossa, a
- 6:56nossa o nosso encontro, né, minha amiga?
- 6:58E a Fá tava vivendo uma fase muito
- 7:01delicada de de do luto, né, que a gente
- 7:04vai falar um pouquinho daqui a pouco.
- 7:06Eh, e logo depois, né, eu conversando
- 7:09com amigos que eu tenho, amigos meus,
- 7:12amigos do meu marido e tal, e e as
- 7:15pessoas viam a gente em foto em e mas
- 7:19você é amiga da Fabíula, você
- 7:21principalmente os homens que amam
- 7:23futebol, é amiga Fabíula Andrade é sua
- 7:26amiga? Não, não é possível. traz essa
- 7:28mulher aqui, a gente precisa conversar
- 7:29com ela. Então, Fá, você tem um
- 7:32reconhecimento
- 7:33>> que é muito legal, assim, é é legal,
- 7:36principalmente no mundo tão masculino,
- 7:39né, do futebol.
- 7:40>> E, e como que foi assim, eh, eh, eh,
- 7:44porque, gente, não é fácil, né, chegar a
- 7:46postar. hoje em dia, ela coloca lá uma
- 7:49foto, um comentário de futebol, tem um
- 7:50monte de comentários de pessoas
- 7:53admirando, aplaudindo, seguindo eh eh
- 7:57acompanhando a mudança dela de carreira.
- 7:59Mas eu imagino que lá atrás, onde tudo
- 8:01era,
- 8:02>> nossa nossa. [risadas]
- 8:03Você sabe que quando foi foi muito
- 8:04dolorido, mas eu eu achava que a minha
- 8:07dor era a maior do mundo, né? Falava:
- 8:10"Nossa, eu fui trabalhar com futebol,
- 8:14uma mulher isso no início dos anos 2000.
- 8:16né? Falava: "Nossa, eu sou incrível
- 8:19mesmo, né? Que guerreira, gente.
- 8:22Desafio, dor e pa e porrada e pa
- 8:25porrada. Pode falar, pode falar e
- 8:27paulada. Todo mundo toma na vida o tempo
- 8:30todo, sabe, amiga? É difícil para todo
- 8:32mundo. É, eu vivo no ambiente masculino,
- 8:35foi super super pesado. É, fui pra casa
- 8:40infinitas vezes chorando, falando que eu
- 8:42ia largar aquilo. Mas todo mundo tem,
- 8:46né? Então, a pessoa que levanta 4 horas
- 8:48da manhã, que pega transporte público,
- 8:50que se que fica espremido ali para poder
- 8:53ir trabalhar. A dor dessa pessoa também
- 8:54é grande. Ela também tá muito cansada,
- 8:56ela também tem, pode se ter bornout, ela
- 8:59também, né? pode ter um nível eh de
- 9:01estress altíssimo. Aliás, ela tem um
- 9:03nível de estress altíssimo na vida dela.
- 9:05>> Com certeza pode sofrer num ambiente
- 9:07também machista, que não só o do
- 9:09futebol, né?
- 9:10>> Super. Exato. Então, eu entendi que a
- 9:12que é legal, eu sou apaixonada pelo meu
- 9:14trabalho, mas as dores são iguais, todo
- 9:17mundo sofre igual. E assim, quando eu me
- 9:20formei, Ana, eu em jornalismo, eu queria
- 9:23ser jornalista de política da Folha de
- 9:26São Paulo. Era para mim o que havia de
- 9:28mais chique nesse mundo. E claro,
- 9:30obviamente com 20 e poucos anos eu
- 9:32achava que eu ia transformar o Brasil,
- 9:33né? Claro, eu ia falar: "Não, eu vou
- 9:35denunciar tudo". E esse país era outro
- 9:37antes AF e DF, antes da Fabíula e depois
- 9:40da Fabía, lá que mandou foi mais ou
- 9:41menos o que aconteceu quando eu fui
- 9:43secretária de saúde. Exato.
- 9:44>> Eu ia mudar a saúde pública do Brasil e
- 9:47do mundo.
- 9:48>> Exato. E aí nem emprego na Folha de São
- 9:51Paulo eu consegui. Tentei. Agora eu tô
- 9:54no grupo, graças a Deus eu consegui
- 9:56realizar esse sonho. Agora eu tô no al
- 9:58que é do grupo. Mas nem na nem a Folha
- 10:00de São Paulo quis me contratar. E aí eu
- 10:02fui pro esporte e eu eu sempre nadei,
- 10:05sempre frequentei estádio de futebol
- 10:07desde
- 10:07>> Cabaila é nadadora profissional.
- 10:09>> Não, não, não sou não. Já fui. Hoje eu
- 10:12gosto da piscina, já fui.
- 10:14>> E aí, como o esporte era algo que tava
- 10:16na minha vida desde sempre, eh, ah, tem
- 10:18uma vaga aqui de produtora de esporte,
- 10:20você quer? Fala, ó, gente, acabei de
- 10:22formar, quero qualquer coisa.
- 10:24Sirvo café, eu limpo eh sapato, no
- 10:28>> eu vou no cartório, busco papel no
- 10:30almoçorrifado, o que você precisar. E aí
- 10:33eu nunca saí do esporte, Ana, vê se isso
- 10:35não é uma coisa que que tava escrito
- 10:37assim, nunca me apaixonei de vez assim,
- 10:40falei: "É isso, isso aqui é minha vida".
- 10:41E nunca sai
- 10:42>> e mas foi a coisa foi entrando assim ou
- 10:44você teve que teve que estudar muito
- 10:47>> muito, muito
- 10:49>> futebol e as pessoas acham que é muito
- 10:51simples, né? né? São muitos treinadores,
- 10:53milhões de treinadores.
- 10:54>> Eu que não entendo nada de futebol,
- 10:55achei que fosse uma coisa assim que
- 10:57fosse entrando por osmosees, sabe? É
- 10:59claro que eu sou uma consumidora de
- 11:01futebol desde sempre. Eu a primeira vez
- 11:03que eu pisei no estádio, eu tinha 3 anos
- 11:04de idade.
- 11:05>> É, sempre fui pro estádio, né? né?
- 11:07Sempre frequentei o Mineirão, mas eh
- 11:10como consumidora, como todas as pessoas
- 11:12que assistem futebol, né, que a gente
- 11:14tem eh 200 milhões de técnicos no
- 11:16Brasil, [risadas]
- 11:18mas eh quando você vai falar
- 11:21profissionalmente, aí você tem que
- 11:23estudar muito, tem que estudar mesmo e
- 11:25estudar além, né, amiga, das regras
- 11:27também, das quatro linhas. Você vai
- 11:29estudar sobre política, você vai estudar
- 11:31sobre relação humana, você vai estudar
- 11:33muita coisa para entender psicologia.
- 11:36Importantíssimo
- 11:38a psicologia dentro do esporte,
- 11:40>> a saúde mental dos atletas que tá,
- 11:42>> nossa senhora,
- 11:43>> cada vez mais em pauta, né, Fabiá?
- 11:46>> E muito bom de ser dito, né? Agora o
- 11:48Tit, o trein ex-treinador da seleção
- 11:51brasileira, foi convidado pelo
- 11:52Corinthians para poder há pouco tempo
- 11:54ele falou assim: "Eu não tenho condição
- 11:55de assumir o Corinthians.
- 11:57>> Olha,
- 11:57>> eu não tenho condição emocional onde eu
- 11:59tô tô me tratando. Tô fazendo tratamento
- 12:01>> de saúde mental.
- 12:02>> De saúde mental.
- 12:03>> Que incrível!
- 12:04>> Porque assim, amiga, o nível de estreia
- 12:07de um treinador de futebol é algo assim
- 12:11que eu não sei nem mensurar. Talvez você
- 12:12que é uma especialista possa dizer
- 12:14melhor assim, se você convivesse ali, é,
- 12:17você vai de burro a gênio em horas,
- 12:21poucas horas ali, às vezes uma hora você
- 12:24é e você sendo massacrado às vezes,
- 12:28sabe? É muito cruel o que se faz com
- 12:31treinador, com jogador de futebol. Aí o
- 12:34argumento mais pobre que existe é: "Mas
- 12:37eles ganham milhões para isso,
- 12:39>> gente?" Eles gan eles ganham milhões
- 12:41porque eles promovem um sistema de
- 12:44milhões
- 12:45>> que arrecada milhões e e por isso a
- 12:47pessoa pode ficar doente, pode ser
- 12:49massacrada, pode ser humilhada, pode ser
- 12:50perseguida. O presidente do Vasco, o
- 12:53Pedrinho, ele foi ameaçado de morte.
- 12:56Então assim, é um nível assim
- 12:59>> desumano mesmo, de pressão dentro do
- 13:01futebol especial.
- 13:02>> E os jogadores também, né, fal assim,
- 13:04além do além do
- 13:05>> atleta de uma maneira geral, de alta
- 13:06performance. É, é,
- 13:08>> é, eu, eu acho o esporte a coisa mais
- 13:09linda do mundo, mas eh esporte de alto
- 13:14nível é a coisa menos saudável que
- 13:15existe.
- 13:16>> Cada vez mais tem atletas e eh indo a
- 13:19público, né, dizer que sofrem ou estão
- 13:22sofrendo ou se afastam. Gabriel Medina
- 13:25já aconteceu. Eh, grandes ginastas,
- 13:28>> não, Simone, Simone Bos, assim, o o
- 13:30grande e símbolo, eu acho, disso, né?
- 13:33Que menina corajosa.
- 13:35>> Simone Bos foi incrível. numa Olimpíada,
- 13:38cara, ela é simplesmente a maior ginasta
- 13:40da história do planeta Terra, só isso.
- 13:43>> Terra.
- 13:43>> E ela não a prestes a a disputar uma
- 13:46Olimpíada pelos Estados Unidos, quer
- 13:48dizer que é um país de uma potência
- 13:50olímpica absurda, que lá existe mesmo
- 13:53essa cobrança, né?
- 13:55>> Ela era a grande favorita,
- 13:56>> a ela é ainda, né? Ela é um gênio. E aí
- 13:59ela falou: "Eu não vou porque eu não
- 14:01tenho condição psicológica".
- 14:02>> Ela já tava lá, não tava? Ela tava e ela
- 14:05não competiu algum, pois ela voltou, o
- 14:09que é mais maravilhosa,
- 14:11>> mais corajoso ainda, né? E a gente
- 14:13imagina o tamanho da doressa menina
- 14:15naquele momento para ter tomado essa
- 14:17atitude. E que importante, já que a
- 14:19gente tá falando da Simone, eh, imagino
- 14:22que a dor dela tenha sido absurda
- 14:24naquele momento, mas que importante ela
- 14:27ter aceito naquele momento que o limite
- 14:31era aquele.
- 14:32>> E foi execrada pela sociedade americana,
- 14:34né? Os Estados Unidos, todos os os
- 14:37habitantes dos Estados Unidos acharam
- 14:39aquilo absurdo. Não vou dizer todos, né?
- 14:41Fui agora, fui generalista, mas eh ela
- 14:43não teve apoio para poder tomar essa
- 14:45atitude, né? E e a torcida americana
- 14:48revoltada. Como assim? A nossa medalha
- 14:50de ouro garantida. Não vai disputar a
- 14:52Olimpíada? Deixa para resolver isso
- 14:54depois da Olimpíada.
- 14:55>> Mas como é importante? Não tem como
- 14:57concorrer, competir naquele nível com a
- 15:00cabeça ruim, né?
- 15:01>> E colocar e e aceitar a nossa
- 15:04humanidade, que é uma coisa que a gente
- 15:06fala tanto, né? aceitar que somos seres
- 15:09humanos. Por mais que você seja uma
- 15:11Simone Bos dentro daquilo que você faz,
- 15:14tomara que você seja. Eh, eh, eh, mas
- 15:18por mais que você tenha uma carreira
- 15:21brilhante, as pessoas que entram em
- 15:22burnout, né, eh, muita gente tem tá
- 15:27muito bem na carreira, muito bem
- 15:29profissionalmente,
- 15:31são pessoas muito engajadas, são pessoas
- 15:34de de alto rendimento na na sua
- 15:36profissão. E por conta disso é muito
- 15:39difícil aceitar que tem que parar,
- 15:42admitir que tá doente e pior é uma
- 15:45doença mental. Quer dizer, então aí você
- 15:47foi fraco de verdade.
- 15:49>> É isso. É muito, é muito, eh, desumano
- 15:52essa comparação eh da doença mental com
- 15:56a fraqueza,
- 15:57sendo que você a partir do momento que
- 15:59você reconhece a sua limitação, é que
- 16:01você é forte, ali tá a sua fortaleza,
- 16:04né? Ali tá a sua inteligência, a sua
- 16:06sabedoria. fala: "Pera aí, aqui eu não
- 16:08dou conta mais, eu preciso de ajuda,
- 16:10né?" E hoje é muito legal porque eu vejo
- 16:12jogadores de futebol que é um ambiente
- 16:15sem informação. Gente, o futebol,
- 16:17infelizmente, é um ambiente consumido
- 16:19por todo mundo, por todas as classes,
- 16:22gente que tem formações e e e mestrado e
- 16:27doutorado, mas também gente que não tem
- 16:29formação nenhuma, gente completamente
- 16:32ignorante no sentido de ignorar as
- 16:34coisas. Humum.
- 16:35>> E aí quando um jogador de futebol fala:
- 16:37"Sem a minha psicóloga não teria dado
- 16:39conta, eu preciso fazer terapia para
- 16:42poder conseguir dar conta." Aí todo
- 16:44mundo, ah, miimimi. É, esse é o termo do
- 16:46futebol, né? Que o futebol adora,
- 16:48mimimi.
- 16:49>> E que bom que muitos atletas estão eh
- 16:53falando sobre isso e tem maturidade e
- 16:55sabedoria para falar sobre isso, né?
- 16:56Quem sabe que já que esse mimimi tem
- 17:00sido cada vez mais frequente, quem sabe
- 17:03daqui a pouco, daqui uns cinco anos, sei
- 17:05lá, talvez isso seja mais normalizado,
- 17:08né, Fabula?
- 17:10o
- 17:12do do do psicólogo ou de repente, já que
- 17:15você leva o médico do time ali, né? É um
- 17:18médico geralmente ortopedista, eu tenho
- 17:20grandes amigos que são médicos de
- 17:22grandes clubes, eh dos maiores clubes,
- 17:26eh, porque eles são todos ortopedistas
- 17:28ou médicos do esporte, só que o médico
- 17:30do esporte ele estuda o quê?
- 17:32>> Rendimento.
- 17:33>> Rendimento. É, é sistema cardiovascular,
- 17:35né?
- 17:35>> Quer fazer a máquina render mais, quer
- 17:37fazer a máquina trabalhar mais.
- 17:39trabalhar mais a cabeça não aguenta. É,
- 17:42e aí tem a psicologia, claro, né, que
- 17:45geralmente tem um psicólogo também à
- 17:46disposição, mas por que não também a
- 17:49psiquiatria? Quer dizer, o médico que
- 17:51também tem que entender quando, por
- 17:53exemplo, o jogador e ou atleta tiver um
- 17:58um sintoma ali de pânico, eh, ele
- 18:00precisa ser medicado, ele precisa ser
- 18:02acolhido da forma adequada, né?
- 18:05>> Aliás, eu não conheço psiquiatra. Você
- 18:07vê os clubes estão ricos, né? com
- 18:09equipes multidisciplinares, né? Não,
- 18:12não, não vejo psiquiatras.
- 18:14>> Então, mas hoje você concorda que hoje
- 18:16seria super necessário?
- 18:18>> Super necessário.
- 18:19>> Aliás, o psiquiatra é um é um é uma é
- 18:21uma especialidade, né? Eu fiz a pós
- 18:23agora e tinha 150 pessoas na minha turma
- 18:26de pós. Eh, eh, é uma é uma área que tá
- 18:29crescendo muito, né? E o espí doença
- 18:32mental é a doença do do nosso tempo, né?
- 18:34Certeza.
- 18:35>> Então, eh, por favor, por mais
- 18:38psiquiatras competentes e talentosos
- 18:40como você para poder nos ajudar, né,
- 18:42nesse mundo que é um mundo que te
- 18:44contamina o tempo todo, né? A gente tava
- 18:47falando antes de entrar no ar aqui que o
- 18:49cérebro é o único órgão que quer mandar
- 18:51em você. Quando eu entendi isso, minha
- 18:52vida foi que ficou resolvida, né? Porque
- 18:55eu achava que o que eu pensava, aquela
- 18:57maquininha achava que era eu. Não,
- 19:00Fabíola, seu cérebro é seu cérebro, você
- 19:02é você. Então assim, o coração é uma
- 19:05gracinha. Ele trabalha sozinho lá, faz o
- 19:06trabalhinho dele. Às vezes a gente força
- 19:08ele um pouquinho, mas ele vai lá, ele dá
- 19:09conta. Graças a Deus, tá dando conta até
- 19:11hoje. O o a bexiga, o fígado, todo mundo
- 19:15trabalha ali bonitinho, o pulmão, todo
- 19:16mundo sabe a sua função. O cérebro não,
- 19:18ele para, não faz isso, Fabula. Na
- 19:20natação a gente, o esporte também ensina
- 19:22muito isso, porque quantas vezes meu
- 19:24cérebro me obrigava a parar no nadando.
- 19:28Não, não vai. É perigoso porque você
- 19:31sabe muito melhor do que eu do que a
- 19:33gente, né? Ele tem um sistema de defesa,
- 19:35né? Quando ele se sente ameaçado, ele
- 19:38vai te forçar a parar, fazer aquilo. Só
- 19:39que para mim era prazer. Eu sabia que
- 19:41para mim aquilo era uma barreira que eu
- 19:43precisava passar, que eu precisava
- 19:45vencer. E aí eu falei para ele:
- 19:47"Silêncio, silêncio, que aqui eu que
- 19:49mando e eu vou fazer sim e vai dar tudo
- 19:52certo". E deu, sabe?
- 19:53>> Aliás, vocês não viram essa mulher
- 19:55nadando. Bom, [risadas]
- 19:57estávamos lá, vou contar. Estávamos
- 20:00estávamos na Chapada Diamantina na
- 20:03Bahia, que é um lugar que quem não
- 20:05conhece conheça, porque a gente, né, a
- 20:09nossa síndrome de viraata, a gente
- 20:11valoriza tudo que tá fora do país e vai
- 20:13paraa Disney e vai, porque o Disney
- 20:15agora não tanto porque o dólar tá muito
- 20:17caro, mas quem tem condição viaja muito
- 20:20para fora e não conhece o nosso país e
- 20:22pelo amor de Deus, né? Viagem
- 20:24>> cachoeira é inesquecível,
- 20:25>> pelo amor de Deus. E a gente foi, né,
- 20:28fez uma um dos passeios lá na Chapada.
- 20:31Como é que chamava aquela?
- 20:32>> Poxa, tô tentando lembrar aqui o nome da
- 20:34cachoeira.
- 20:35>> É do
- 20:35>> ela é marav lá é um, né? Tudo é gigante,
- 20:38>> tudo é dragão. Enfim, é uma coisa
- 20:41maravilhosa, gente.
- 20:42>> Gigante.
- 20:43>> 90 m de queda.
- 20:44>> 90 m de queda. A gente chegou lá em
- 20:46cima, enxergou aquilo e uau, meu Deus,
- 20:49que coisa maravilhosa. Tiramos foto. Eu
- 20:51com medo, meu medo de altura, tava lá
- 20:53vencendo os meus fantasmas. também é
- 20:56legal de contar.
- 20:57>> É, foi muito legal. Foi um um foi foi um
- 21:00grande avanço ali para mim, mas a gente
- 21:03fez ali depois a trilha e descemos, né?
- 21:05E aí quando a gente chegou lá embaixo,
- 21:08eh, a Mari tava conduzindo ali o nosso
- 21:11grupo e, eh, ela falou: "Olha, gente,
- 21:15aqui a gente vai nadar por aqui, né?
- 21:17Tínhamos o guia lá local, o Van,
- 21:21queridíssimo Van. Beijo, Van."
- 21:24E aí da Aventuras Viagem, aliás, uma
- 21:26agência super bacana, séria. Se você for
- 21:29para pra Chapada, eh eh
- 21:31>> procure aventuras. Eh e aí o Van falou:
- 21:36"Olha, nós vamos juntos, nós vamos nadar
- 21:38junto até ali, vamos, né? Todo mundo
- 21:42junto." Aí a Fabiola
- 21:44Van.
- 21:45>> Ah,
- 21:45>> posso indo?
- 21:46>> Me deixa,
- 21:47>> deixa. [risadas]
- 21:49Fabíola. Fabíola, isso é perigoso,
- 21:52Fabula. Não, Van, tá tranquilo aqui. A
- 21:55gente achando que a Fabíola era uma
- 21:56nadadora normal, igual todo mundo, né,
- 22:00>> gente? A hora que a gente olha, a mulher
- 22:02já tava
- 22:03>> contra correnteza,
- 22:04>> contra correnteza, mas nadando, nadando
- 22:08maravilhosa ali. E a gente meio
- 22:10preocupada e ela lá com uma cara
- 22:13maravilhosa, ela não, gente, me deixa
- 22:15que eu tô aqui, né, com os meus com os
- 22:18meus guias todos e manjar me me
- 22:21abençoando. E eu tô lá oxum, oxum das
- 22:24águas Oxum. E ela tava lá linda,
- 22:27maravilhosa, nadando. Vocês não tm ideia
- 22:29do que essa mulher nadando.
- 22:30>> Não, não é verdade. Eu nado, gosto. Ali
- 22:32que ali é meu lugar. Assim, se eu se
- 22:34alguém me perguntasse que que você quer
- 22:36ser quando você crescer, eu quero ser um
- 22:38bicho que vive dentro d' água. Eu quero,
- 22:39[risadas]
- 22:40quero ser uma baleia, um tubarão, um
- 22:42peixe, um golfinho. É isso que eu
- 22:43queria. Eu queria ficar na água 24 horas
- 22:45por dia, mas o meu sistema
- 22:46>> E aí? Ah, e tinha essa também aí. Vamos
- 22:48embora, pessoal. Vamos embora.
- 22:50>> Vamos embora. Só falta a Fabíola para ir
- 22:51pro próximo passeio. Cadê Fabila? Cadê
- 22:53Fabila? Fabila não saia da água.
- 22:55>> Não saia da água. Os dedinhos sabe
- 22:56quando fica tudo enrugadinho. Adoro
- 22:58[risadas] o dedinho tudo
- 22:59>> embaixo da cachoeira. Água gelada. Todo
- 23:01mundo querendo
- 23:02>> rapidinho. Só só ficar um pouco e água,
- 23:05água. Eu tenho uma conexão com a água
- 23:06muito inexplicável assim de paixão,
- 23:08desde criança também. Mas é legal você
- 23:11contar. Você tem medo de caverna? De
- 23:13qual que é a fobia? Lugar fechado.
- 23:15Fobia. Poxa, você também ali você virou
- 23:17pro seu cérebro igual eu falei.
- 23:19>> Você virou ela: "Não, eu tenho medo e
- 23:21tal, não sei quê."
- 23:21>> Eu falei: "Não vou de jeito nenhum". E
- 23:23ela virou pro cérebro dela em um momento
- 23:24e falou: "Eu vou, você se vira com seu
- 23:28medo que eu vou descer".
- 23:29>> Foram, foram dois, é, duas grandes
- 23:32vitórias ali, né? Foi, foi o rapel que
- 23:35eu desci.
- 23:35>> É rapel
- 23:36>> que eu, Imagina, jamais eu não faria
- 23:39rapel dessa parede assim, não. É
- 23:41verdade, gente. Eu eu eu tenho um medo
- 23:43de altura de 1 grau que vocês não tm
- 23:45ideia. Essa parede talvez eu não
- 23:46descesse. É.
- 23:48>> Eh,
- 23:48>> e ela desceu a cachoeira. desci a
- 23:50cachoeira e entrei na caverna, que para
- 23:52mim que eh era era também uma coisa
- 23:55assim que jamais jamais entraria. E eu
- 23:59entrei, para mim também ali foi um uá
- 24:02uma catástrofa.
- 24:02>> É, não e você chega lá embaixo, tem um
- 24:04lago azul de um azul que não tem
- 24:07explicação. Essa coisa meus que coisa
- 24:09maravilhosa. Não, visite, visitem a
- 24:11chapada. E além de tudo me deu essa
- 24:13lindeza de presente que é mineira, mas
- 24:16não fala que é mineira.
- 24:17>> Não vou me gabar, né, gente? Vocês vão
- 24:18achar que eu sou antipática. Fala:
- 24:20"Nossa, ela [risadas] fica falando o
- 24:21tempo todo que é mineira". Fal não.
- 24:22Então não vou nem contar que eu sou
- 24:23mineira para não me gar.
- 24:26>> Ai ai. Ô Fá, agora me conta uma coisa.
- 24:28Eu acho que algumas pessoas já conhecem
- 24:31a tua história, outras e ainda não. Eh,
- 24:35além do futebol que a gente falou,
- 24:38>> detalhe importante, eh, lá na Chapada
- 24:41saiu a matéria do All minha perda, a
- 24:44partida do meu marido. Foi tudo muito
- 24:45louco, gente. Essa viagem foi muito
- 24:47louca, né? Exato, exato. Estávamos lá,
- 24:51estávamos lá. Ela tinha dado uma
- 24:52entrevista pro Hall e não sabia ao certo
- 24:55quando sairia e saiu quando a gente
- 24:57estava lá.
- 24:58>> E aí conta pra gente então eh eh como é
- 25:02que foi essa história da perda do Edu,
- 25:04que foi tão marcante assim, porque eu
- 25:06lembro muito que lá você acho que se
- 25:08permitiu
- 25:10>> Uhum.
- 25:10>> Eh, sentir o o luto, né? Eu lembro de
- 25:14você em alguns momentos assim bastante
- 25:16quietinha, isolada
- 25:18>> ou só olhando
- 25:20>> para um para uma determinada paisagem e
- 25:23nitidamente sentindo
- 25:25>> o que tava acontecendo, a tua dor, a
- 25:27perda e também outros momentos de você
- 25:30chorando muito, como se tudo tivesse
- 25:32acontecido naquele momento. Eh, então
- 25:36conta pra gente como é que foi essa
- 25:37pena.
- 25:38>> É, é, eu vivi um um pesadelo, né? Uma
- 25:41hora a vida virou e falou assim: "Vou
- 25:43tirar seu tapete aqui para ver se você
- 25:44sabe dançar, né? Vamos ver se é boa de
- 25:47dança mesmo, né?" E aí o amor da minha
- 25:50vida, que que é o Edu até hoje, eh, tem
- 25:56a gente vai completar 3 anos que ele foi
- 25:58diagnosticado de glioblastoma,
- 26:01que é o câncer no cérebro, né?
- 26:04>> É o pior câncer que existe.
- 26:05>> Pior grau quatro. E eu não esqueço
- 26:08também eh da gente na van, a gente
- 26:10chegando na viagem e tal, não sei quê.
- 26:12Ah, e você, as meninas, todo mundo
- 26:14conversando, você é casada, você não sei
- 26:16qu, você tem filho e você, né? E você?
- 26:18Eu falei: "Ah, eu sou viúva. Tem pouco
- 26:20tempo, tinha meses, né, que o Edu tinha
- 26:22partido. E aí você falou: "Ah, é, seu
- 26:25marido partiu que e eu não sabia que
- 26:26você era neurologista".
- 26:28>> Aí eu falei: "É, ele teve um
- 26:29glioblastoma". A Ana ela ficou assim,
- 26:32ela ficou paralisada, né?
- 26:34>> Eu fiquei sem reação assim.
- 26:38O tamanho daquilo que você tinha
- 26:40enfrentado, né?
- 26:41>> É. Você sabia que é o câncer no cérebro
- 26:43grau quatro, que é violentíssimo.
- 26:44>> A forma que a pessoa vai embora, né?
- 26:46Fala,
- 26:46>> é. É. Ela vai acabando, né? É, é muito
- 26:49triste. É um
- 26:50>> Eduardo é um homem onde ele tiver. Ele é
- 26:53um homem de 1,91 m, fortíssimo atleta,
- 26:57coisa linda de Deus, assim, eh, todo
- 27:01preocupado, não bebia para poder não
- 27:03estragar o fígado, comia bem, não sei
- 27:05quê, todo vaidoso, né, e preocupado com
- 27:07a saúde mesmo assim. E aí, por ironia do
- 27:10destino, ele tem um câncer no cérebro
- 27:12que não tem explicação, ninguém sabe,
- 27:14nenhum médico soube me explicar, um
- 27:16falou que era que era azar, né? Não tem
- 27:18causa no fundo. Eu acho que eu sei a
- 27:20causa que é emocional para mim. Eu sei
- 27:24as explicações aqui no meu cantinho aqui
- 27:26no meu coração, que é totalmente
- 27:28emocional assim. Foi foi a vida que
- 27:31levou ele a um câncer no cérebro. Gente,
- 27:33se cuidem, por favor. Procurem
- 27:35psiquiatra, procurem médicos, cuidem da
- 27:38saúde mental de verdade, porque
- 27:40>> existem estudos que mostram que que
- 27:43relacionando, né, eh, emoções negativas.
- 27:47Uhum. guardadas, principalmente
- 27:50>> com o desenvolvimento de câncer, né?
- 27:53>> Porque o problema da emoção eh
- 27:57tudo bem a gente sentir emoção negativa,
- 27:59quer dizer, tudo bem a gente ter
- 28:02tristeza,
- 28:03frustração,
- 28:05raiva, eh rejeição, se sentir rejeitado,
- 28:10ter medo, tudo bem. O problema é você
- 28:15evitar
- 28:16>> sentir, é jogar a sujeira embaixo do
- 28:19tapete. Sabe aquela história do não
- 28:21quero ver, prefiro não olhar para isso.
- 28:25>> Eh,
- 28:26isso é o que de pior você pode fazer com
- 28:29as tuas emoções assim, né? Então, sentir
- 28:32não é o problema. O problema é não
- 28:34querer sentir,
- 28:34>> é fingir que nada tá acontecendo.
- 28:37>> E algum lugar dentro de mim me dizia
- 28:39isso, que eu tinha que viver meu luto,
- 28:41que eu tinha que chorar, que eu tinha,
- 28:42que você falou que me via chorando e
- 28:43tal. Eu eu chegava às vezes, gente, de
- 28:46manhã, eu falava, eu não aguento mais
- 28:48chorar, tipo, não tem mais água dentro
- 28:50de mim. Eh, mas eu sabia que aquilo ali
- 28:54era muito importante para eu hoje tá
- 28:56aqui forte falando disso, né? em algum
- 28:58algum lugar dentro de mim me falava que
- 29:00eu tinha que viver isso. E eu fui eu fiz
- 29:02essa viagem exatamente para viver o
- 29:04luto, exatamente para poder encontrar
- 29:06respostas para eu seguir minha vida, né?
- 29:08E tive todas as respostas lá na Chapada.
- 29:11Eh, mas aí é isso. Ele foi diagnosticado
- 29:13com gleoblastoma. Em 8 meses ele partiu.
- 29:16A gente fez duas cirurgias no cérebro, a
- 29:19gente fez radioterapia, a gente fez
- 29:21quimioterapia, o que você puder
- 29:22imaginar, a gente lutou. E o tumor só
- 29:25continuava crescendo. Ele não, em nenhum
- 29:27momento ele falou: "Vou dar uma trégua
- 29:30aqui". Eu lembro eu, com esse meu ímpeto
- 29:32pela vida, que eu sou uma apaixonada
- 29:34pela vida, eu brincava assim, falava:
- 29:36"Esse tumor mexeu com a pessoa errada,
- 29:38porque aqui não, violão, aqui não, a
- 29:41gente, eu vou vencer você, eu vou vencer
- 29:43você". E eu me, eu potencializei isso
- 29:46assim, né? Eu fiz tudo que eu pude, que
- 29:48eu não podia, assim, eu fiz, eu não sei
- 29:50onde eu arrumei tanta energia para
- 29:52lutar. E no final realmente era tava
- 29:55escrito, tem coisa, gente, a o
- 29:59imponderável, né? A a beleza da vida
- 30:02também é sobre isso. A gente não
- 30:04consegue controlar nada que não é para
- 30:06ser controlado. A gente consegue alguma
- 30:07coisa, um pouquinho, mas a maioria a
- 30:09gente não consegue controlar. E isso não
- 30:11tava a meu alcance, não. Por mais
- 30:13energia que eu colocasse, ele partiu. E
- 30:15aí o Globastoma é isso. Ele primeiro
- 30:17parou de andar, aí ele perdeu o controle
- 30:21e da, como fala?
- 30:22>> Dos esfos. Sfinhink,
- 30:23>> sphinctter
- 30:24>> sphinctters. É só,
- 30:25>> éctter urinário, fecal, né? Então vai
- 30:28tendo incontinência.
- 30:29>> É. E aí assim, você imagina um homem de
- 30:3147 anos, lindo, poderoso, grande, que
- 30:33viu o mundo inteiro o tempo todo de
- 30:35cima. Olha como a vida é sábia.
- 30:39Homem primeiro ele senta, ele só
- 30:41consegue ver a vida
- 30:42>> de cima para baixo. Foi a primeira coisa
- 30:45que aconteceu com ele. Um homem que a
- 30:46vida inteira viu de 1,91 m. Ele sempre
- 30:48viu o mundo de cima. Eu não, eu sou um
- 30:50anão. Eu, eu a vida inteira tive que
- 30:52olhar para cima. Eu tô acostumada, mas
- 30:54ele, primeira coisa, a vida botou ele
- 30:56sentado. Primeira coisa. E tem muita
- 30:58sabedoria nisso, gente. Se você for
- 31:00olhar, claro, no meio de tanta dor, de
- 31:03tanto sofrimento, você consegue
- 31:04aprender,
- 31:05>> né? Então aí depois um homem jovem,
- 31:08bonito, dono da vida dele, do destino,
- 31:10ele começa a depender totalmente de mim
- 31:12para tudo, gente, para tudo. E eu com
- 31:16todo o meu amor, eu tava ali para ele,
- 31:17ele sabe disso. Mas ele se sentia
- 31:20humilhado, talvez, né? Essa é a palavra.
- 31:23>> Sim, sim.
- 31:24>> Até que ele foi foi foi fo foi foi
- 31:27depois ele perdeu a visão. Aí ele depois
- 31:30não conseguia mais falar. Enfim, quando
- 31:31ele parte ele tá totalmente imóvel na
- 31:33cama, parado assim. Mas ele tava ali um
- 31:36dia antes, eu fiquei com ele sozinho o
- 31:39dia inteiro na na cama ali no quarto e
- 31:42ele ficava assim, ó. Hum.
- 31:44Ele tava conversando comigo. Eu: "Oi,
- 31:46amor, tô aqui. Eu tô aqui." Pegava,
- 31:49beijava ele. Ele tava ali o tempo todo.
- 31:51Até a hora que ele foi embora de mão
- 31:53dada comigo. Ele esperou chegar para
- 31:56poder partir.
- 31:57>> Ele partiu com você
- 31:58>> de mão dada, como eu prometi para ele.
- 32:01Falei, a gente vai de mão dada, ninguém
- 32:02larga a mão de ninguém. E fomos, ele foi
- 32:05embora de mão dada comigo.
- 32:06>> A minha mãe também partiu de mão dada
- 32:08comigo e falam, né, que
- 32:11>> que é um privilégio,
- 32:11>> que é um grande privilégio e e que o
- 32:14momento, a Ana Cláudia Quintana que
- 32:16fala, né, que o momento da partida, da
- 32:19morte é o momento de de maior conexão e
- 32:23intimidade que você pode ter com alguém.
- 32:25É verdade. E eu vivi momentos eh mágicos
- 32:29com ele. Eu sei que às vezes a pessoa
- 32:30que não viveu a morte tão perto pode
- 32:33parecer loucura, mas eu vivi momentos
- 32:36muito extraterrenos,
- 32:39é, muito além da matéria com Edu, assim,
- 32:42conversas
- 32:43>> de nível espiritual, porque a gente
- 32:44tinha uma conexão fortíssima espiritual,
- 32:48a gente tem essa conexão porque ainda
- 32:50falo com ele, ele responde. [risadas]
- 32:54Mas eh eu tive momentos e de coragem,
- 32:58né? Todo mundo que fala do luto e hoje
- 33:00também que bom que a gente pode falar
- 33:02sobre isso também, porque as pessoas
- 33:04morrem de medo de falar de morte. Ai,
- 33:06vamos mudar de assunto. Ai, que papo
- 33:08ruim. Vamos mudar de assunto. Não é ruim
- 33:09não, viu, gente? É papo de sabedoria, de
- 33:12inteligência para viver. É sobre vida. A
- 33:15gente fala da morte para saber viver.
- 33:17>> Exatamente,
- 33:18>> né? A gente fala da morte. Então assim,
- 33:20tive conversas com Edu, que eu nunca
- 33:23imaginei ter na minha vida com ser
- 33:25humano falando para ele que eu desejei
- 33:27muito com ele. Desejei mesmo. Quando eu
- 33:30tive o diagnóstico que ele virou
- 33:31paciente paleativo, que não tinha mais o
- 33:33que fazer, eu falei: "Eu quero ir
- 33:34embora". E eu tenho uma filha ainda para
- 33:36criar. Eu falei: "Quero ir embora.
- 33:38Geovana vai ficar bem. O pai dela cuida
- 33:40dela, minha família cuida dela. Eu quero
- 33:42ir embora. Não tenho o que fazer aqui
- 33:43sem o Edu. Quero ir embora. desejei
- 33:45muitas vezes ir embora com ele. Até que
- 33:47eu fui entendendo ali que a partida dele
- 33:51era para mim um processo de
- 33:52transformação nessa vida. Eu tinha que
- 33:54me transformar nessa vida para viver
- 33:57aqui, para ficar aqui, para ainda tentar
- 33:59transformar algo em torno de mim, né?
- 34:02>> Uau! [risadas]
- 34:04É, é, é, é.
- 34:06>> Mas aí vem todas essas mudanças juntos,
- 34:08vem toda essa, essa mudança junto aí. Aí
- 34:11eu falo, não me cabe mais o meu trabalho
- 34:12também. Eu trabalho agora depois que eu
- 34:14me recuperei, que eu fiquei forte,
- 34:16falei: "Não me cabe mais aqui também.
- 34:18Tá, tá apertado essa caixinha tá
- 34:20apertada. Eu quero voar."
- 34:22>> Aí fui. Tô aí, gente. Tô voando.
- 34:24>> Nossa, Fabula, eu eh eu já te falei
- 34:26isso, né? Que assim, a gente a gente não
- 34:28consegue imaginar, né? Uma uma dor
- 34:31dessa. Eh,
- 34:32>> e cada dor é uma, sabe, amiga, desculpa
- 34:34te interromper. Às vezes você fala
- 34:35assim: "Não, mas se ela sentar ao lado
- 34:37de uma mulher que perdeu o marido de
- 34:39gleobastoma, a história vai ser
- 34:41diferente."
- 34:41>> Claro.
- 34:42>> Não tem história igual, gente,
- 34:43>> né? Não tem história igual.
- 34:44>> Com certeza não. Com certeza. A perda, o
- 34:46luto, ele é a a única coisa que eu quero
- 34:50reforçar de novo, né? Assim, a gente
- 34:51precisa viver as dores.
- 34:54>> Eh, óbvio que você não precisa ter uma
- 34:56dor tão grande quanto a da Fabíula, que
- 34:59é uma das piores que tem. Acho que
- 35:01talvez a pior seja perda de um filho,
- 35:03mas
- 35:04>> eh eh,
- 35:06>> né, talvez a da Fabiola esteja aí num
- 35:08segundo lugar eh junto com a minha, né,
- 35:11que também perdi minha mãe, partiu do de
- 35:14mandada comigo. Mas eh
- 35:18viva a sua dor,
- 35:19>> né? Viva a sua dor, para de colocar a
- 35:22sujeira embaixo do tapete, porque os
- 35:25transtornos mentais, né, já que a gente
- 35:27fala disso, eh eles eles são gerados
- 35:31muito a partir de sensações e
- 35:35sentimentos que a gente não viveu
- 35:38adequadamente, que a gente não se
- 35:40permitiu experimentar, né? Então assim,
- 35:43tá passando uma fase difícil na vida, tá
- 35:46sentindo tristeza, vontade de chorar,
- 35:48raiva, medo, senta com cada uma dessas
- 35:52emoções, sabe? Toma uma xícara de chá
- 35:56>> do lado de cada uma delas, né?
- 35:58>> Eu fazia muito isso de manhã para me
- 35:59ouvir, assim, eu ficava parada,
- 36:01sentadinha, chorava, chorava, falava:
- 36:04"Por que que você tá chorando? Você tá
- 36:05com saudade? Normal, eu converso comigo,
- 36:08né? Eu vou conversando. Normal ter
- 36:10saudade. Você vai sentir saudade sempre
- 36:12dele. Hoje eu tô falando dele, tô com
- 36:13saudade aqui, né? Você vai sentir
- 36:16saudade. Por que que você tá chorando
- 36:17agora? Ah, porque minha vida virou de
- 36:19cabeça para baixo. Parabéns, você tá
- 36:21vivendo. Porque todo mundo tem em algum
- 36:23momento a vida sendo virada de cabeça
- 36:25para baixo, né?
- 36:27>> Eh, ah, porque eu não merecia isso. Ah,
- 36:31por eu? As pessoas perguntam.
- 36:32>> Ah, sim. Porque eu a Anne falou isso. A,
- 36:35>> eu adoro essa frase. Por que não eu?
- 36:38Exato.
- 36:38>> O que que você tem de especial que todo
- 36:41mundo sofre você? Não. Que isso, gente?
- 36:44Por que não eu? Eu sim, porque eu tô
- 36:46aqui para poder vivenciar,
- 36:48>> porque eu tô viva. E e o sofrimento e as
- 36:51perdas fazem parte da vida, né?
- 36:53>> Uhum. Mas isso precisa de muita
- 36:55sabedoria para aceitar isso, né?
- 36:57>> É, a gente vai amadurecendo, né, amiga?
- 37:00A idade chega. [risadas]
- 37:01>> É. Não, com certeza. Com certeza. E e
- 37:05você acha que
- 37:08que essa perda, né, eh,
- 37:11tudo isso que você viveu, te transformou
- 37:14também como profissional?
- 37:16>> Ah, transformou.
- 37:17>> Em que aspecto?
- 37:19>> Transformou disso assim, porque eu já
- 37:20tava me sentindo sem caber ali, né,
- 37:24naquele lugar, eh, fazendo coisas que eu
- 37:27não tava feliz.
- 37:28>> Uhum. E aí essa ânsia por viver, essa
- 37:33essa essa ânsia por não perder tempo,
- 37:36falar: "Eu não sei se amanhã eu tô
- 37:37aqui".
- 37:38>> Uhum.
- 37:38>> E aí eu vou embora pensando que eu não
- 37:41tava feliz numa área da minha vida. Por
- 37:43quê?
- 37:44>> Se se todo dia a gente tem oportunidade,
- 37:45você abre o olho, gente, olha aqui,
- 37:47gente, olha eu perfeita, meus bracinhos,
- 37:49minhas perninhas, eu tô respirando, meu
- 37:50coraçãozinho tá funcionando. Todos os
- 37:52dias eu tenho uma oportunidade de ser
- 37:55feliz em todas as áreas. Ah, claro. Tem
- 37:57momento que a área aqui tá meio torta.
- 37:59Outra área aqui, meu casamento não tá
- 38:01tão bom, normal. A vida não não é, né?
- 38:04Você vai tentando equilibrar os
- 38:05pratinhos, mas você tem que tentar
- 38:08equilibrar os pratinhos bem, né? Então,
- 38:11se tem alguma coisa que tá lá embaixo,
- 38:13tá errado. E eu estava infeliz no meu
- 38:15ambiente de trabalho. Então, quando eu
- 38:17pensei assim, falei: "Gente, se amanhã
- 38:19não tiver aqui". Aí eu fui embora e
- 38:21falei: "Tava infeliz no meu trabalho,
- 38:23uma coisa que eu amo, a minha profissão
- 38:25é o que eu sou, né?" né? Eu sou
- 38:27jornalista esportiva desde que eu me
- 38:28entendo como profissional.
- 38:30>> Sim, sim.
- 38:31>> E eu aí foi isso. Tava infeliz. Falei:
- 38:33"Não, Fabio, lá, ó, passou. Vamos,
- 38:35vamos, segue o jogo, vamos pensar em
- 38:38novas possibilidades." Ai que medo. A
- 38:40primeira coisa, né? Ai, que medo. Tem
- 38:42uma filha, eu tenho que pagar a
- 38:43faculdade da minha filha. Hoje eu sou
- 38:44sozinha, tem que pagar a conta. Boleto
- 38:46tá chegando. Eu: "Ai, que medo. Ai, que
- 38:48medo." Mas vai com medo mesmo, filha.
- 38:51Vai com medo mesmo, do jeito que tá, vai
- 38:53com medo. E claro, fazendo umas coisas
- 38:56que para uma geminiana é difícil, gente,
- 38:58planejamento não é o meu forte, né? Eu
- 39:01você fala assim: "Vai no podcast, vou, é
- 39:03na hora. Não vou também, não vou também
- 39:06não. É, ninguém, eu não penso [risadas]
- 39:08para poder tomar decisões. Nunca pensei.
- 39:10Eu sou extremamente impulsiva. Aliás, é
- 39:12um é um defeito que eu tenho.
- 39:13>> Eu sou também, não sei se é do
- 39:14escorpião, mas eu sou também assim.
- 39:16>> É. E aí, mas aí como, né, você atinge a
- 39:19maturidade, você fala: "Fabíula, pera
- 39:21aí, pensa, como é que você vai fazer
- 39:22esse processo?" E aí eu comecei a
- 39:24conversar com outras empresas, comecei a
- 39:26visitar amigos, né, no meu network,
- 39:29vendo se se o mercado me absorvia, se eu
- 39:31tinha espaço. Eu falei: "Eu mercado,
- 39:33especificamente de imprensa esportiva tá
- 39:36num processo de ebulição, porque é muita
- 39:40gente falando de esporte, trabalhando
- 39:42com esporte, transmitindo jogos, não
- 39:44existe mais o monopólio da Globo." Então
- 39:46assim, é um mercado que tá bombando, né?
- 39:49E eu falei: "Ai, acho que eu vou pegar
- 39:51essa onda aí, gente". Aí fui. [risadas]
- 39:54>> Você sabe que eu também fiquei muito
- 39:56transformada, né? Acho que todo mundo
- 39:57que passa por um processo de luto
- 39:59importante, assim, intenso, se
- 40:01transforma, né? E eu quando perdi minha
- 40:04mãe, eu passei um bom tempo, assim, acho
- 40:07que até hoje, mas um bom tempo eu passei
- 40:10eh com uma sensação assim de
- 40:15tipo, já perdi minha mãe, o que que pode
- 40:16acontecer agora
- 40:18>> de de pior, sabe?
- 40:20>> Não tem, não tem. Então assim, eu
- 40:22pensava
- 40:24quando aconteceu alguma coisa que não
- 40:25era legal na minha vida, sabe essas
- 40:27coisinhas do dia a dia que a gente dá
- 40:29uma importância que agora você que tá
- 40:32ouvindo, que tá assistindo, você deve
- 40:33estar com uma dor de barriga qualquer
- 40:35aí, seja de grana, que brigou com
- 40:37alguém, tá desempregado, ouviu uma
- 40:40resposta atravessada de alguém, teve um
- 40:42conflito, tá por um qualquer, sei lá,
- 40:44uma doença, qualquer coisa.
- 40:46>> Eh, e você tá aí super enc. Eu eu
- 40:49acontecia comigo, aí eu falava, mas
- 40:52>> nossa,
- 40:53>> o que que de pior pode acontecer,
- 40:55>> né? Então esse treino do que o que de
- 40:58pior pode acontecer é muito
- 41:00interessante, né? Então e a gente a a
- 41:04gente relativiza de uma forma bastante
- 41:06diferente, né? Depois de uma perda
- 41:08dessa. Mas Fá, eu queria trazer um um
- 41:11outro assunto aqui para você e aí se
- 41:15você de repente não se sentir
- 41:16confortável. Adoro falar de tudo
- 41:18>> que me que me me surgiu agora.
- 41:22>> Eh, e e
- 41:24de repente, se você não se sentir
- 41:26confortável, a gente até corta.
- 41:27[risadas]
- 41:28>> Atenção, gente. Prepara aí que eu vou a
- 41:30gente vai cortar, porque eu também na
- 41:31hora eu falo, não vou falar ou vou
- 41:33falar.
- 41:34>> É que é o seguinte, eu como profissional
- 41:36de saúde,
- 41:37>> eh, não posso me omitir a polêmica das
- 41:41bets,
- 41:42>> tá? Vamos falar. Bora.
- 41:44>> Você acha complexo falar disso? não tem
- 41:45opinião formada já.
- 41:47>> Eh, e eu particularmente me incomoda
- 41:50demais, né,
- 41:52>> ver o tanto de propaganda que é feito na
- 41:56TV aberta, principalmente nos jogos de
- 41:59futebol, já que eles patrocinam os
- 42:02clubes e patrocinam aquela, como é que
- 42:04chama aquele negócio da lateral? as
- 42:06placas, as publicidades, ou seja,
- 42:10>> um monte de gente aí perdendo,
- 42:12>> patrocina campeonato, o principal
- 42:14campeonato do Brasil, campeonato
- 42:15brasileiro é patrocinado por uma base.
- 42:17>> Ah, isso eu não sabia. Eh, então assim,
- 42:19a gente vê, eh, eu mesma no meu
- 42:22Instagram, que não é nada, né? Não tenho
- 42:25100.000 seguidores, toda hora tem um um
- 42:27uma sugestão ali, uma de alguém querendo
- 42:30que eu faça propaganda. Imagina uma
- 42:32médica. Mas tudo bem, o pessoal não tem
- 42:34mais critério. A médica de saúde mental,
- 42:36eles não têm mais critério, né? Mas
- 42:38enfim, eh, e me incomoda muito, sabe?
- 42:42Porque eu acho que tudo bem, a gente não
- 42:44vai conseguir extinguir, né? Mas tem
- 42:46pessoas muito adoecidas com isso,
- 42:49perdendo muito saúde financeira,
- 42:52perdendo grana e com isso dando e
- 42:54entrando em falência, enfim.
- 42:57>> Sim.
- 42:58>> Você entra, você fica num conflito ético
- 43:01com isso.
- 43:01>> Total, total. Eu não sou patrocinada,
- 43:04não, eh, não faço propaganda paraa Bet,
- 43:07eh, até porque a Globo não autorizava e
- 43:10eu tô nesse mercado novo aí e ainda não
- 43:13tive opinião formada sobre isso.
- 43:16Primeiro eu queria dizer que um colega
- 43:18nosso, jornalista que não é da Globo,
- 43:19não vou citar o nome dele, obviamente,
- 43:21por questões éticas, mas ficou internado
- 43:25com vício em já consequência internado.
- 43:28Ele ele pegou licença do trabalho. Um
- 43:31jornalista
- 43:32>> de televisão
- 43:33>> ficou internado por vício em jogos.
- 43:36>> Já consequência dessa onda aí que a
- 43:39gente tá vivendo. É muito complexo, é
- 43:41muito delicado e é muito sério, é muito
- 43:44perigoso.
- 43:44>> Muito, muito.
- 43:45>> Eh, como eh você disse, Ana, é
- 43:49impossível ignorar. Ah, vamos cancelar e
- 43:52eliminar todas as betes. É impossível. é
- 43:54muito dinheiro envolvido. Então assim,
- 43:57acho que agora o pensamento é o que
- 43:59precisamos fazer para que as pessoas
- 44:02brinquem, joguem com saúde, né? O que
- 44:05que o Ministério do Trabalho, o que que
- 44:08o o governo federal, estadual, municipal
- 44:11pode fazer para garantir a saúde das
- 44:13pessoas, inclusive as empresas de Bet,
- 44:16porque se elas geram eh essa doença nas
- 44:19pessoas, elas têm que também fazer
- 44:21campanhas, elas têm que
- 44:23>> É como é como a uma empresa de cigarro.
- 44:25>> Exatamente. É, ela tem que colocar e ela
- 44:28ganha muito dinheiro, ela tem que
- 44:30colocar dinheiro na saúde pública
- 44:32também. ela tem que investir nisso, ela
- 44:34é a consequência dela, do que ela tá
- 44:36causando na sociedade. Então assim, é um
- 44:39é um boom assim de um tamanho, porque
- 44:42elas patrocinam televisões, elas
- 44:45patrocinam campeonatos, elas patrocinam
- 44:47times de futebol, elas patrocinam
- 44:49pessoas, colegas meus sérios, idôneos,
- 44:52jornalistas com credibilidade
- 44:55fazem propaganda
- 44:56>> para pras bets, para alguma bet. Então,
- 44:59amiga, eu acho que a questão é onde
- 45:02vamos, quando e onde vamos cuidar das
- 45:04pessoas, né? Eh, existe aí um novo
- 45:07cenário, a gente tá num mundo em que
- 45:08tudo transforma o tempo todo, a cada 5
- 45:10minutos a gente tem uma transformação. E
- 45:12não adianta ficar brigando, ai eu não
- 45:14gosto de ar, de inteligência artificial,
- 45:16desculpa. Então, você vai morar em
- 45:17Marte, vê se o Elon Musk te dá uma
- 45:19carona e você consegue mudar para outro
- 45:21planeta. Porque aqui, cara, a Iá já
- 45:23manda no pedaço. Então, ah, eu não
- 45:26concordo com a Bet, sinto muito você não
- 45:28concordar. Elas estão em todos os
- 45:29lugares e o dinheiro é muito forte, é
- 45:32muito grande, é muito poderoso. Elas
- 45:34estão e vão ficar. Agora, eh, acho que
- 45:38existe, temos que debater aí temos como
- 45:41sociedade, jornalistas, médicos, todos
- 45:44nós consumidores, o que precisamos fazer
- 45:47para cuidar da saúde das pessoas para
- 45:49que isso não se torne uma epidemia, né?
- 45:52Porque tá com cara de epidemia
- 45:54>> caminhando e tá caminhando para isso,
- 45:55né, Fab? infelizmente tá caminhando para
- 45:57isso. E e eu imagino o te conhecendo e
- 46:02sabendo da tua ética, imagino que não
- 46:04deve ser fácil para você,
- 46:06>> não. Porque você também, você imagina
- 46:07agora eu vou colocar
- 46:07>> porque é o teu meio. É o teu meio. Como
- 46:09é que você vira e fala assim: "Não
- 46:11trabalho mais agora, então também não
- 46:12gosto, não gosto de bet, não concordo
- 46:15não vai fazer nada porque a televisão
- 46:16que eu vou trabalhar ou a internet que
- 46:18eu vou trabalhar, o veículo que eu vou
- 46:19trabalhar é patrocinado pela B. Os
- 46:20>> seus colegas,
- 46:21>> meus colegas fazem,
- 46:22>> fazem propaganda ou estão jogando ou,
- 46:24né? É
- 46:25>> exato. Então é é muito complicado.
- 46:27Realmente foi uma coisa que tomou conta,
- 46:29né?
- 46:29>> É. E e essa internação do nosso amigo,
- 46:32que é uma pessoa maravilhosa, um
- 46:34jornalista incrível, talentosíssimo.
- 46:37A internação dele é algo que pegou forte
- 46:39na gente, no nosso meio assim de
- 46:41jornalista, sabe?
- 46:42>> Da galera parar também e pensar que que
- 46:44eu tô fazendo, né? também, talvez,
- 46:46porque eu acho que se muita gente que
- 46:49influencia pessoas pelo menos revê
- 46:54>> eh eh o que tá fazendo, quer dizer, será
- 46:57que esses milhões que eu ganho de
- 46:59propaganda tá fazendo tanta diferença
- 47:00assim na minha vida? Porque pelo que a
- 47:02gente vê são pessoas já muito bem
- 47:04estabelecidas nas suas profissões. Quer
- 47:06dizer, será que ganhar 1 milhão para
- 47:09alguém que já fatura 30 no ano?
- 47:11>> É, o problema é que assim, eh, existem
- 47:13pessoas e pessoas, né? Então tem
- 47:15influenciadores que não t critério
- 47:17nenhum. O o objetivo é ganhar dinheiro e
- 47:20aí
- 47:20>> quanto mais melhor
- 47:21>> quanto mais melhor. Não tem menor
- 47:23preocupação com aquilo ali, né?
- 47:24>> Do que que tá divulgando, né? Então, mas
- 47:26aí eu acho que paraas pessoas de de bom
- 47:29senso, para as pessoas, né, assim, acho
- 47:31que começar a entender o que de fato
- 47:33você tá patrocinando, talvez lá no
- 47:35começo as pessoas não tinham ideia do
- 47:38que isso ia se tornar, né? Então, houve
- 47:41sim muito patrocínio, eh, e muita gente
- 47:43fazendo propaganda, né, assim, ah, eu
- 47:46recebi uma proposta legal, interessante,
- 47:48né, tipo pousar na Playboy, vamos lá. E
- 47:51>> é, pousaria, tá, Playboy? Pousa,
- 47:53[risadas] eu pousaria esse tipo de coisa
- 47:55que eu faria.
- 47:57Se quiser chamar meu contato no
- 47:59WhatsApp. [risadas]
- 48:00>> É, é, eu hoje tenho dúvida porque minhas
- 48:02filhas ainda estão com 13, mas se ela
- 48:03daqui uns 5 anos elas com 18, eu
- 48:06pousaria também.
- 48:07>> Me esperem aí 5 anos, depois vocês me
- 48:09chamam. Nem sei. Tem Playboy ainda?
- 48:11>> Eu a revista não, mas deve ter ensai
- 48:13virtual. Maurício, você respondeu
- 48:15rápido, hein, Maurí?
- 48:16>> Virtual. Tá vendo?
- 48:17>> Tem mercado. Temos mercado. Quem gosta
- 48:20de mulheres mais maduras. [risadas]
- 48:23>> O amigo da Mauri falou para ele que tem
- 48:24virtual, tá?
- 48:25>> Quem gosta de mulheres lindas, perfeitas
- 48:27e maduras somos nós.
- 48:28>> Pois é. Pois é, com certeza. Então, o
- 48:30que acontece? Eh, eu imagino, né? Eu
- 48:33quero acreditar que muita gente entrou
- 48:35ali no início meio sem saber. Ah, é uma
- 48:37é uma empresa que de jogos, tá? Jogo, eu
- 48:41adoro bingo. Eu adoro bingo, mas bingo
- 48:43para mim é aquele bingo de domingo à
- 48:45tarde
- 48:46>> que ganha lá o o liquidificador,
- 48:49entendeu? Aprenda da festa junina. Amo.
- 48:52Eu ficaria, eu ficaria jogando bingo a
- 48:55semana inteira. Você acha chato? Amo.
- 48:57Amo. Roda, espera cair a bolinha. Ave
- 49:00Maria.
- 49:01>> Amo, amo. Aí vem a coisa da internet com
- 49:04essa velocidade do dedinho nervoso ali,
- 49:07né? E aí, gente, isso vira esse e esse
- 49:12bom e as e aconteceu eh a primeira vez
- 49:15que eu tive ideia do que tinha
- 49:17acontecido, as bets tinham entrado, sei
- 49:20lá, há uns quro meses regulamentação
- 49:22antes tinha entrado há uns 4 meses e o
- 49:26meu irmão
- 49:28dentista tinha um ajudante, o Jorginho,
- 49:31você conhece, eh, um ajudante no
- 49:33laboratório dele de prótese que era um
- 49:36um menino super querido. que trabalhava
- 49:39com a gente lá muito tempo já, que meu
- 49:41consultório junto com ele e ele era um
- 49:44faz tudo assim pro meu irmão, sabe? Um
- 49:46menino muito querido, ganhava pouco, mas
- 49:49enfim, né? Tava começando a vida.
- 49:51menino, acho que tinha 19 anos
- 49:54e ele começou a pedir dinheiro pro meu
- 49:56irmão, adiantamento e tal, vinha com
- 49:59umas histórias, sabe, um pouco estranha,
- 50:03atravessada,
- 50:05que tava devendo não sei para quem, que
- 50:07tinha que pegando quando a gente foi
- 50:09descobrir,
- 50:11ele tava com uma dívida, ele tava
- 50:13ameaçado de morte.
- 50:15Porque ele fica tinha ficado devendo
- 50:17para umas pessoas que não podia e já
- 50:20tinha vendido micro, sabe? Comportamento
- 50:22de viciado, de craque de cocaína assim.
- 50:25Então ele já tinha vendido microondas da
- 50:27casa, a casa dele já tava sem nada.
- 50:30>> E ali eu falei: "Ah, meu Deus! Então
- 50:33isso aqui
- 50:35>> é,
- 50:35>> nós estamos lidando, eu com minha com
- 50:37meu olhar já da saúde pública, falei:
- 50:39"Pera aí, opa, isso aqui não é bobagem,
- 50:42não,
- 50:42>> não, é gravíssim".
- 50:43>> E aí eu comecei a ouvir aqui, aqui, ali.
- 50:45Então assim, gente, isso é muito sério.
- 50:47Então eu espero que agora pelo menos as
- 50:49pessoas aí eh que tenham, né, um pouco
- 50:53mais de discernimento, não continuem
- 50:56fazendo esse tipo de propaganda. Eu sei
- 50:58que dinheiro no bolso é bom, eu também
- 51:00adoro, mas pensem que você tá
- 51:03contribuindo para um um um mercado que é
- 51:07muito perverso, né?
- 51:08>> É mais do que isso, Ana. Eu acho que nós
- 51:10como sociedade devemos nos eh
- 51:14unir e debater e falar e encontrar uma
- 51:18alternativa, sabe? Porque os
- 51:20influenciadores não vão parar de fazer
- 51:21propaganda, eles não vão parar de
- 51:23patrocinar o futebol, el não eu não luto
- 51:26com o que tá estabelecido. Acho muito
- 51:28difícil eh ficar lutando, dando murro em
- 51:31ponta de faca, como dizia minha avó.
- 51:32Então, eu acho mais inteligente a gente
- 51:35criar congressos dentro da medicina, nós
- 51:38jornalistas
- 51:39debatermos, falarmos, enfim, sociedade,
- 51:42acho mais inteligente a gente se
- 51:45mobilizar. É isso. Para poder orientar,
- 51:48para poder falar, ó, esses R$ 10 não vão
- 51:50virar R$ 10.000. Esqueça, isso é lenda,
- 51:53isso é mentira, sabe? Então, eh,
- 51:57>> porque é feito de um jeito, né? né? O
- 51:59vício ali já falando aqui desse assunto,
- 52:03eh a plataforma ela é feita de um jeito,
- 52:05eu vi um especialista falando que não é
- 52:07que você entra com 10 e já perde, não.
- 52:10Eles fazem você ganhar. No começo você
- 52:12tem alguns ganhos, então entre várias
- 52:15perdas, você tem alguns ganhos começo.
- 52:18>> Só que só que aquilo faz você falar:
- 52:20"Não, pera aí, se eu ganhei ali, eu
- 52:22apostei 10, ganhei 100. Ah, meu Deus,
- 52:25então eu vou apostar 100 para ganhar
- 52:261000. Só que e aí e aí que a coisa vai,
- 52:29né?
- 52:30>> E olha que absurdo, dando um depoimento
- 52:31até pessoal que você falou do Jorginho,
- 52:33do seu irmão. A minha funcionária tem um
- 52:36filhinho de 3 anos de idade. 3 anos de
- 52:39idade. E aí ela contando, rindo,
- 52:42falando: "Pois é, o Lorenzo me falou
- 52:45ontem: "Mamãe, vamos apostar no Santos.
- 52:48Ah,
- 52:48>> ele tem três
- 52:50anos de idade."
- 52:52>> Meu Deus. Aí eu parei e falei com ela:
- 52:55"Pelo amor de Deus, uma criança não pode
- 52:57falar isso. Uma criança não pode saber
- 52:59nem que isso existe."
- 53:00>> Pois é,
- 53:01>> por favor, isso é gravíssimo. Eu fiquei
- 53:04preocupadíssima. Ele é uma criança de
- 53:05três. Então assim, o ambiente que ele tá
- 53:08inserido fala disso e joga. E ele tá
- 53:10vendo que isso é natural, acha, né, que
- 53:13isso é normal, que isso é legal.
- 53:15>> Meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus,
- 53:16meu Deus.
- 53:18Ah, isso realmente é muito preocupante,
- 53:21mas
- 53:23ai que pena que a gente tá chegando ao
- 53:25fim do podcast. Maurício, é Maurício,
- 53:27né? Solta agora a Mauri. Ama solta
- 53:30aquele dos Soares. Ah,
- 53:33>> que peninha. Bom, pelo menos eu trouxe
- 53:36aqui para vocês terem uma palinha do que
- 53:39é esse espetáculo de mulher por trás das
- 53:41câmeras.
- 53:42>> É amiga, hein, gente? Ó, é amiga
- 53:43falando.
- 53:44>> Eu sou, eu sou amiga convencida. Ela é
- 53:46ciumenta. Eu sou convencida.
- 53:48As minhas amigas, as que eu amo de
- 53:49verdade, que nem a fá, eh, eu elevo
- 53:53assim lá para cima, sabe essa história
- 53:55de que mulher tem que encher a bola de
- 53:57mulher? Eu sou dessas.
- 53:59>> E a Fabíola é isso, assim, isso é um
- 54:00tantinho assim que vocês viram. Uma
- 54:02mulher leal, pensa uma mulher que a hora
- 54:04que aperta o calo, ela tá lá para você e
- 54:07ela segurou várias ondas minhas já. Essa
- 54:10mulher é fenomenal. Amo você, minha
- 54:12querida. Fica uma honra tá aqui. Que bom
- 54:15que você
- 54:15>> quero você sempre na minha vida. Ah,
- 54:17para sempre, para sempre. [risadas] Pode
- 54:19chamar quando você quiser, tiver outros
- 54:20assuntos.
- 54:20>> Linda. E vamos voltar a gravar de novo.
- 54:22Com certeza.
- 54:23>> Vamos falar de outros assuntos aqui.
- 54:24>> Com certeza. A Fabila volta depois para
- 54:26contar de onde ela tá, o que que ela
- 54:28anda fazer.
- 54:28>> Posso contar hoje quando eu ficar muito
- 54:30rica e muito famosa. [risadas] Aí eu vou
- 54:32voltar para como você conseguiu isso?
- 54:34Como você dando cursos de enriquecimento
- 54:38maravilhoso.
- 54:38>> Curso de enriquecimento com Fabil
- 54:39Andrade.
- 54:40>> Maravilhoso.
- 54:41>> Traga o seu amor em três dias também.
- 54:42Pode [risadas] me chamar que eu resolvo.
- 54:45>> Linda. Obrigada, minha querida. E se
- 54:48você curtiu esse episódio, gostou ainda
- 54:50mais dessa mulher que você já segue e já
- 54:53gosta,
- 54:54>> curte, compartilha, comenta aqui e eu te
- 54:58espero no próximo episódio. Չ다.
About this transcript
This page contains the full transcript of A virada fora das câmeras: um papo sobre força, perdas e propósito | Fabiola Andrade #60 by Dra. Ana Paula Peña, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 9,657 words across 1,480 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
What you can do with it
Use the transcript to take notes, quote the speaker, build a study guide, generate a summary with ChatGPT or Claude via the YouTube Summary tool, or export it as a timed subtitle file with YouTube to SRT. You can also re-open it in the transcriber to translate the transcript into 100+ languages.
Free YouTube transcript tool
YouTube2Text is a free YouTube transcript generator — no signup, no daily limit. Paste any YouTube link and get the full transcript instantly, with timestamps, click-to-jump, translation to 100+ languages, AI prompts for ChatGPT, Claude, and Gemini, and exports to TXT, SRT, VTT, or Markdown.