A História Sombria de um Jogo que não existe — Transcript
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- 0:02Um corpo ajoelha-se ao lado de um poço.
- 0:06Hipnotizado pelo reflexo de sua carne
- 0:09viva. Ele se pergunta o que poderia ter
- 0:12sido feito e o que pode estar sendo
- 0:15feito. Enquanto a lua brilhar, a
- 0:18frágilusão prevalecerá.
- 0:22Qual carne é a sua carne?
- 0:27Durante esse início é colocado extrema
- 0:30ênfase na nossa carne. O jogo não se
- 0:32refere ao personagem como alguém que
- 0:34existe no mundo e você apenas o
- 0:36controla. Ele cita o personagem como uma
- 0:39carne, algo que você irá habitar, algo
- 0:42que você escolhe para vestir. E assim
- 0:45ele pergunta para nós: "Qual é a sua
- 0:48carne? Vermes". É um jogo que não existe
- 0:52e o seu mundo está morrendo. Um manual
- 0:55sobre um jogo que nunca foi feito
- 0:57detalhando o seu mundo através de
- 1:00pequenas brechas de informações que nos
- 1:02eram entregues sobre ele. Quais
- 1:05personagens você pode usar? Quais deuses
- 1:07permeiam esse mundo? E quais inimigos
- 1:10andam por essas terras devastadas? Eu
- 1:13sou obsecado por Dark Fantasy, assim, a
- 1:15série Souls, sendo uma das minhas
- 1:17favoritas, obviamente eu queria jogar
- 1:20esse jogo, mas eu não podia. Vermes é um
- 1:22jogo que não existe, então eu li, eu li
- 1:26Vermes inteiro e eu encontrei dentro
- 1:29dele uma história que precisa ser dita a
- 1:33todos. Uma história sobre perda,
- 1:35sofrimento, autorreflexão e um
- 1:39inacreditável plot twist. Por isso eu
- 1:42preciso contar essa história para vocês.
- 1:45Vermes é uma história contada através de
- 1:48um livro de capa dura, que inclusive
- 1:50pode ser comprado de forma física na
- 1:52Europa e custa uma montanha de dinheiro
- 1:54em real. Dentro desse livro você
- 1:56encontra um manual, um manual bem no
- 1:59estilo daqueles jogos de 8 bits que
- 2:02vinham com o Super Nintendo ou até mesmo
- 2:05o Nintendinho, quando o tamanho do
- 2:07cartucho era tão pequeno que cada bit de
- 2:11informação custava tempo de
- 2:14desenvolvimento e o que você podia
- 2:16fisicamente colocado dentro do jogo.
- 2:18Então, qualquer coisa que não fosse
- 2:20utilizado diretamente pra gam play e pro
- 2:23tempo de jogo era um desperdício. Então,
- 2:26para economizar esses preciosos bits, os
- 2:30desenvolvedores colocavam manuais nas
- 2:32caixas que vinham junto com o jogo.
- 2:35Esses manuais, na minha opinião, eram
- 2:37incríveis. Eles tinham curiosidades,
- 2:40histórias, fatos, todo tipo de
- 2:42informação que um desenvolvedor sentia
- 2:44que necessitava estar no jogo, mas que
- 2:46ele não conseguia colocar, estava ali no
- 2:49manual. Vermes segue o mesmo padrão, só
- 2:52que para um jogo que nunca vai existir e
- 2:55muito mais detalhado do que qualquer
- 2:58outro manual que venha a existir. Ele
- 3:01segue uma linha tênue entre tentar
- 3:03emular esse estilo de manual e contar a
- 3:05história que está sendo desenvolvida e
- 3:09desenrolando durante a jornada do
- 3:11personagem. Só que assim como um jogo
- 3:13Souls, suas informações são mostradas,
- 3:16por mais irônico que seja, em descrições
- 3:18de itens e diálogos de personagens. Por
- 3:21isso, além de contextualizar a história
- 3:24de vermes, eu vou fazer um resumo
- 3:27completo do livro, do início ao fim,
- 3:29para vocês também terem a experiência
- 3:32completinha. Então, somos inseridos ao
- 3:35resumo dos personagens e alinhamentos de
- 3:38bom e ma. Conceitos de bondade e maldade
- 3:41são presentes em vermes e eles têm uma
- 3:43definição bem parecida com D e D, por
- 3:46exemplo. Basicamente, o bem existe como
- 3:49uma esperança a todo momento e o mal
- 3:52como uma inevitabilidade devido à
- 3:55existência da bondade. É uma famosa
- 3:58dinâmica que funciona muito bem. Você
- 4:01sempre tem que ter esperança, mesmo nos
- 4:04piores momentos, mas eles vão chegar e
- 4:07você não pode impedir.
- 4:11[Música]
- 4:13Isso nos leva aos personagens. Todos têm
- 4:16uma back story muito bem estabelecida.
- 4:18Alguns têm objetivos concretos e outros
- 4:20são apenas arruaceiros andando por aí
- 4:22sem um rumo. Porém, garanto que nenhum é
- 4:25desinteressante. Só para dar alguns
- 4:27exemplos, esse aqui é o tolo
- 4:29amaldiçoado. Ele carrega o pedaço de uma
- 4:32antiga estátua que é apenas a boca dela.
- 4:35Essa boca, no entanto, está sempre
- 4:37sussurrando objetivos inalcançáveis que
- 4:40levariam o tolo a chegar nos seus
- 4:43maiores desejos. Ele, portanto, vaga as
- 4:46terras em busca desses objetivos para
- 4:49saciar suas vontades. Esse aqui é o
- 4:52prego da princesa, um cavaleiro devoto a
- 4:55uma princesa do reino que apenas segue
- 4:57as ordens dela para cumprir seus
- 5:00desejos. Todos os pregos da princesa
- 5:03carregam em suas espadas uma mecha do
- 5:05cabelo dela para que possam sentir o seu
- 5:08amor durante as batalhas. Destaque pro
- 5:10homem rato, que é apenas homem rato.
- 5:15Entende o que eu tô falando? Tudo é
- 5:16muito bem pensado, até os mínimos
- 5:18detalhes. Certo? Agora que escolhemos
- 5:21uma carne, precisamos conhecer os deuses
- 5:24de vermes.
- 5:28Os grandes seres são deidades
- 5:32fora de nosso crescimento, que demandam
- 5:36devoção,
- 5:37punição ou sacrifício.
- 5:41Alguns são mais velhos que o tempo,
- 5:44outros ainda se sentam em tronos e
- 5:49outros são invisíveis para nossos olhos.
- 5:55Todos eles moldaram o mundo.
- 5:59Vermes tem seis deuses conhecidos. Gilc,
- 6:03Dorvus, Murgo, Gurvek, Marco e Ketterf.
- 6:09Esses deuses vão ser cruciais no
- 6:11entendimento de alguns aspectos da
- 6:13história, indo mais para frente. Só que
- 6:16no momento essas são as únicas
- 6:18informações que possuímos deles. Deuses
- 6:21no mundo de vermes são bastante
- 6:24presentes, por assim dizer. É tipo uma
- 6:26mitologia grega, onde Zeus, apesar de
- 6:29ser um deus, também era só um brother
- 6:31que podia aparecer do nada e bater um
- 6:33papo contigo se ele tivesse afim e
- 6:35depois disso dá uns pega na sua esposa.
- 6:38Ui! Os deuses de verme seguem uma linha
- 6:41parecida, fora a parte da esposa, pelo
- 6:43menos até onde eu saiba, eles moldaram o
- 6:46mundo como é conhecido e são os pilares
- 6:48da criação em vermes.
- 6:58Nossa aventura começa em Greenrave, uma
- 7:01pequena cripta isolada na densa floresta
- 7:05e cidade do local. Essa cidade na parte
- 7:08externa da capital, onde está o corpo de
- 7:11Gek, o grande. Sim, isso mesmo. Metade
- 7:14da montanha onde reside a cidade é o
- 7:16corpo de um dos deuses conhecidos. Isso
- 7:19faz do local uma terra sagrada para
- 7:22muitos. Alguns citam como a presença do
- 7:24corpo de Gveck faz com que todos da
- 7:27cidade vivam muito mais do que a
- 7:29expectativa média. Quando eu disse que
- 7:30os deuses eram presentes, eu estava
- 7:33falando sobre isso. Logo no início, a
- 7:35gente tropeçou no esqueleto de um. A
- 7:38capital, que está à nossa frente é uma
- 7:40zona de guerra. A capital está consumida
- 7:43pelo caos em uma constante guerra por
- 7:45tolos e mentirosos cegos pelo brilho de
- 7:48suas próprias coruas. Fé, sangue e ouro.
- 7:52Cada um acha que sua causa é a correta.
- 7:54Eles acham que cada sacrifício os deixa
- 7:57mais próximos da morte de seus inimigos.
- 8:00Com esse cenário pintado, o livro
- 8:02prossegue com as informações da nossa
- 8:04primeira área, a cripta isolada. Aqui
- 8:07nós temos uma pequena demonstração dos
- 8:09inimigos que deveríamos encontrar ao
- 8:12explorar essa parte da floresta.
- 8:14Basicamente tudo esqueleto fantasma. Uh,
- 8:17Crazy Bones.
- 8:20Vermis também faz algumas paradas para
- 8:22descrever itens especiais que podemos
- 8:24encontrar na jornada, como essa espada
- 8:26aqui, morte sussurrante, porque ela faz
- 8:28um som distinto quando corta o ar.
- 8:30Teremos algumas outras paradas assim
- 8:32durante a história para enriquecer ainda
- 8:34mais os locais. Saindo da cripta, damos
- 8:38de cara com a escada guardada por
- 8:40estátuas de duas figuras com grandes
- 8:43mantos. Essa que leva a um nível acima
- 8:46no cemitério. Logo em seguida, damos de
- 8:48cara com o nosso primeiro NPC. Eles
- 8:51serão encontros passageiros e bastante
- 8:53apreciados durante a nossa jogatina. O
- 8:56cavaleiro solitário é um homem que já
- 8:58perdeu sua luta. Derrotado pela perda de
- 9:00sua outra metade, ele se mantém na
- 9:03cripta.
- 9:05Estás entre os vivos?
- 9:07Se sim, este não é um local para ti.
- 9:11Eu não acho que isso deva preocupar um
- 9:14estranho nem um pouco. Eu estou apenas
- 9:18oferecendo
- 9:19minha companhia a um companheiro.
- 9:22Seguindo o nosso caminho, nós
- 9:24encontramos uma entrada secreta para uma
- 9:26catacumba escondida. Essas são as
- 9:29catacumbas de Palpers, nossa primeira
- 9:31dungeon.
- 9:37Depois de resolver alguns puzzles e
- 9:39derrotar inimigos, damos de cara com
- 9:41cavaleiro utilizando uma armadura de
- 9:43sapo. Ele fala para si mesmo: "Antigos
- 9:46deuses, socorro!
- 9:49O horror!
- 9:50Eu não consigo nem olhar para eles,
- 9:53todos podres, desmembrados,
- 9:56desfigurados e ainda e ainda por cima,
- 10:00de pé, me olhando de volta. Vai embora.
- 10:05Eu não consigo te ajudar.
- 10:07Pare, parecura.
- 10:10Em um cenário normal de Sus Like, o
- 10:12manual nos diz que se voltarmos aqui
- 10:14depois de algumas horas, a gente vai
- 10:16encontrar o soldado morto num canto,
- 10:18porque ele não aguentou os terrores da
- 10:20catacumba. E sim, nós podemos lutear a
- 10:23armadura dele. Dentro da manopla tem um
- 10:26pedaço de pano escrito:
- 10:29"Seja lá quem foi esse cavaleiro sapo,
- 10:32alguém vai morrer por causa da falha
- 10:34dele."
- 10:36Nós seguimos desvendando as catacumbas
- 10:38até próxima saída encontrarmos o
- 10:40primeiro chefe do jogo.
- 10:51O campeão pútrido, uma massa desforme de
- 10:53carne, ossos e insetos, tentando imitar
- 10:56o que antes era o formato de um corpo
- 10:58humano, mas que agora não passa de uma
- 11:00criatura amaldiçoada. É dito que o seu
- 11:03fedor é insuportável e que para lutar
- 11:06com ele é necessário manter a distância
- 11:08ou ir para algum lugar aberto onde o
- 11:10vento trabalha ao seu favor. Isso indica
- 11:13que provavelmente uma mecânica
- 11:14envolvendo algum status de fedor estaria
- 11:17no jogo também. Essa provavelmente é a
- 11:19criatura que o cavaleiro sapo tinha
- 11:21tanto medo e que matou ele. Derrotando-o
- 11:24ou fugindo do campeão púrido, nós damos
- 11:27de cara com o pântano prateado.
- 11:32[Música]
- 11:35O livro nos dá uma descrição perfeita
- 11:37dessa área. Os tijolos de pedra no chão
- 11:40afundam nas águas peroladas do pântano
- 11:43enquanto o caminho se estende à sua
- 11:45frente você só consegue distinguir uma
- 11:48paisagem plana coberta por águas
- 11:50nubladas e salgueiros baixos, todos
- 11:53envolvos em um espesso vel de neva. A
- 11:56calmaria é quase assombrosa. Caminhamos
- 11:59um pouco pelos caminhos cobertos pelas
- 12:02águas brancas até encontrarmos com
- 12:04pequeno cavaleiro companheiro. Ele nos
- 12:06chama para embaixo de uma árvore. Aqui,
- 12:08meu caro. Chega mais.
- 12:12Eu eu não esperava encontrar alguém em
- 12:14um lugar como este. No entanto, eu devo
- 12:17avisá-lo sobre o pântano. Bom, pode
- 12:20parecer uma paisagem tranquila e
- 12:22pacífica para passear, explorar. No
- 12:25entanto, está longe disso, meu receio.
- 12:29Uma vez que você entra na névoa, não tem
- 12:32saída. Você pode se perder, ou pior,
- 12:36pode cair no sono. O que significa morte
- 12:39certa? Bruxaria, eu suponho, vai saber.
- 12:43Mas se você procura um lugar para
- 12:45descansar os seus ossos, este é um lugar
- 12:48perfeito, perto o suficiente para
- 12:50aproveitar a isca sem cair na armadilha.
- 12:53Mas se o que você deseja estar entre
- 12:55aquelas águas encantadas, não vou
- 12:58impedi-lo. Descansamos um pouco ao lado
- 13:00do nosso recém- conhecido, mas se existe
- 13:03uma regra nessa jornada que não deve ser
- 13:05quebrada, é que ela deve continuar.
- 13:08Levantamos, sacudimos a poeira e
- 13:10seguimos em frente.
- 13:14Ei, parceiro, já que está indo, leve
- 13:17isso.
- 13:20Talvez te ajude no caminho. Boa sorte na
- 13:22sua jornada.
- 13:24A caminhada pelo pântano é difícil, mas
- 13:26não por motivos normais. Seus pés
- 13:29envoltos em águas mornas, o silêncio é
- 13:31apenas quebrado quando passos encostam
- 13:34na água e seus olhos começam a pesar.
- 13:37Por azar ou por sorte, antes de
- 13:39conseguir fechar completamente os olhos,
- 13:42as aparições começam a surgir. Fantasmas
- 13:44e espíritos de todo o tipo são o que
- 13:48despertam tentando contra a sua vida.
- 13:50Dentro da névoa, seus ouvidos não
- 13:52escutam nada além de seus passos, mas
- 13:55seus olhos conseguem distinguir
- 13:58silhuetas sutis se movendo ao seu redor.
- 14:01Se você caminhar até elas, pode acabar
- 14:04encontrando nada além de sussurros.
- 14:07Então garanta que nunca vire as costas
- 14:09para as.
- 14:12Sua caminhada pelo pântano se torna um
- 14:14ciclo de enfrentar os inimigos que você
- 14:16nem tem certeza se estão realmente ali.
- 14:18E o sono. O cogomelo que o amigo de
- 14:21antes lhe entregou te ajuda a ficar
- 14:22acordado por mais tempo. Você também
- 14:24morre de sua língua e se belisca
- 14:27periodicamente, evitando a todo custo
- 14:29pegar no sono. Em sua frente, no
- 14:32entanto, uma figura sombria aparece.
- 14:35Esse você tem certeza, ele é real.
- 14:40Ele cita um mantra: "Meu caminho é
- 14:43escrito, minha espada é inquebrável".
- 14:47Outro viajante, assim como você, ele te
- 14:49confunde com uma das aparições e te
- 14:51ataca ferozmente. Mas na tentativa do
- 14:54primeiro golpe, ele tropeça e cai
- 14:56adormecido nas águas pálidas. Ele
- 14:59sussurra. Por que minha armadura é tão
- 15:01pesada?
- 15:04As dúvidas começam a pairar. Talvez você
- 15:07esteve confundindo todas as criaturas
- 15:09até agora e na verdade eles eram outros
- 15:12viajantes. Será? Você fez isso mesmo?
- 15:18Seu caminhar passa a ficar automático. O
- 15:21sono já viram uma sensação permanente e
- 15:23você já não sabe o que é a realidade.
- 15:26Com pouco de lucidez que lhe sobra, você
- 15:28se encosta numa árvore. Então, sono.
- 15:33Dentro do sonho, você percebe que seus
- 15:35arredores mudaram drasticamente.
- 15:38Onde antes estava o branco confortante,
- 15:42agora está o vazio escuro, uma baía de
- 15:46areia preta coberta por esqueletos,
- 15:49águas escurecidas na distância e uma
- 15:53grande lua minguante paira no céu.
- 15:57Se você olhar para baixo, perceberá que
- 15:59a paisagem se tornou um aterro macabro,
- 16:03um mar de corpos até onde os olhos
- 16:05enxergam, se quebrando em cada passo
- 16:08seu. Nesse cenário desconhecido,
- 16:11uma figura surge nas sombras.
- 16:19Esse é o aspecto do sonho e ele é a
- 16:22nossa batalha de chefe dessa área.
- 16:31Com sua rapieira em movimentos
- 16:33inumanamente rápidos, ele é aquela
- 16:36batalha no meio do jogo que serve para
- 16:38separar os desistentes dos
- 16:40perseverantes. É clara a mensagem de que
- 16:43tudo além daqui será mais difícil do que
- 16:47isso. Então você supere ou saia.
- 16:52Ninguém nunca acordou do sonho. Não
- 16:56resista em sua cálica vanita para que
- 17:01então sua alma possa se descansar
- 17:05das águas pacíficas
- 17:09junto com tantas outras.
- 17:16Sendo derrotado contra o aspecto, você
- 17:18perecerá no sonho e se tornará parte da
- 17:21Bahia. Apenas mais um esqueleto jogado
- 17:24nas areias.
- 17:27Prevalecendo e o derrotando, você acorda
- 17:30no sonho. Dessa vez sem névoa
- 17:33misteriosa. Ao seu lado, a rapieira do
- 17:36aspecto é sua recompensa. Imagino que
- 17:38seja ótima para builds de destreza e
- 17:41inteligência.
- 17:46[Música]
- 17:53O novo ambiente, apesar de mais
- 17:56convidativo,
- 17:57não é nem um pouco mais amigável. Uma
- 18:00floresta que se estende até onde sua
- 18:02vista alcança, com enormes árvores
- 18:05repletas de buracos. O vento, ao sibilar
- 18:08por essas árvores, encontra seus
- 18:10buracos, fazendo assim um som.
- 18:13característico de flauta. Essas são as
- 18:17flutárvores. Todo local possui uma
- 18:19melodia única, se formando aos poucos,
- 18:22quando cada vento de cada velocidade
- 18:25passa por cada buraco de tamanho
- 18:28diferente. Essa floresta, no entanto, é
- 18:31território de Murgo, o imparável. Aqui
- 18:34descobrimos que ele é o criador de tudo
- 18:36que não é humano, ou seja, as árvores, a
- 18:40grama, verduras, legumes. Tudo isso
- 18:43surgiu da criação de Murgo e seus
- 18:45adoradores buscam se manter em linha com
- 18:48essa noção, já que arrancam seus
- 18:51próprios intestinos de forma mortal e
- 18:55param de se alimentar. Suas vidas sendo
- 18:58mantidas apenas pela fé. Em murgo, os
- 19:02deuses de vermes retornam à devoção,
- 19:05contanto que ela seja mantida sempre.
- 19:08Sábios de murgo continuarão vivos até
- 19:12suas fés falharem. Dessa forma, por toda
- 19:15a floresta encontramos dezenas de
- 19:17altares de adoração para murgo, com
- 19:20sementes e folhas oferecidas. Custa
- 19:23muito pouco também deixar sua prece em
- 19:25busca de uma passagem pacífica. Andando
- 19:28mais algumas horas, nos damos de cara
- 19:31com uma cena inesperada, uma cabana no
- 19:34meio da floresta, um local perfeito para
- 19:36descansar. Com calma e precaução
- 19:39deliberada, você analisa a possibilidade
- 19:42de ter alguém dentro da casa.
- 19:45Sem respostas, você abre a porta e o
- 19:48cenário é promissor. A falta de janelas
- 19:50da cabana garante que a melodia
- 19:51ensurdecedora da floresta que vem
- 19:53tocando em seus ouvidos até agora será
- 19:56cessada. A cabana realmente parece
- 19:58abandonada. Restos de trigo apodrecido
- 20:01em alguns sacos jogados ao canto. Uma
- 20:04chaminé com cinzas velhas e muita poeira
- 20:07por cima de tudo. Ninguém vem aqui há
- 20:09muito tempo. Você resolve fazer fogo
- 20:12para se aquecer durante a noite? Um
- 20:14momento de sossego, como não havia tido
- 20:17desde que subiu aquela cripta
- 20:19misteriosa. É algo que precisa ser
- 20:22aproveitado. O silêncio da cabana é
- 20:24confortante e na cama você finalmente
- 20:27dorme de forma voluntária.
- 20:30Seu sonho é estranho, porém não devido a
- 20:34influências externas, é apenas um sonho
- 20:36normal. Terras anciãs que você nunca
- 20:38viu, um céu azul brilhante e águas
- 20:41correntes cristalinas. O ambiente te
- 20:44traz conforto e você descansa pela
- 20:46primeira vez. Mas no mundo de vermes não
- 20:49existe descanso de verdade. De repente
- 20:52você acorda suado, respirando forte, com
- 20:55a sensação estranha no peito. Ao seu
- 20:57redor, cânticos soam e ficam cada vez
- 21:00mais fortes. Alguém está recitando um
- 21:03feitiço. Se levantando, você percebe que
- 21:06seu corpo, quando a luz da fogueira
- 21:08bate, você não está produzindo sombra
- 21:10alguma. Agora você tem certeza, é uma
- 21:14maldição. Alguém está tentando te
- 21:16amaldiçoar para continuar naquele lugar
- 21:19para sempre. Se você escutar o canto por
- 21:22muito tempo, a maldição terá sucesso. O
- 21:25portador de uma maldição sofre um
- 21:27destino pior do que a morte e
- 21:29provavelmente irá continuar carregando
- 21:31essa maldição enquanto aquele que lançou
- 21:34ela assim o deseja. Antes que se torne
- 21:37permanente, você corre com as forças que
- 21:39te restam até a direção da porta e a
- 21:41derruba. Já é dia. A luz do sol
- 21:43interrompe os cânticos e você percebe
- 21:45que escapou do seu destino. Olhando para
- 21:49trás, a fogueira não está mais acesa.
- 21:52Algo muito errado aconteceu durante essa
- 21:54noite. Porém, ainda assim você está
- 21:57descansado. Enquanto espacciona a
- 21:59fogueira, você pode perceber um forte
- 22:01odor vindo da chaminé. Não olha para
- 22:04cima.
- 22:09Agora descansados podemos seguir nossa
- 22:13jornada.
- 22:22Andando duas noites pacatas ao norte,
- 22:25você permanece na floresta. Porém, agora
- 22:28uma grande clareira se abriu. Dentro
- 22:30dela grandes ruínas, anciães, tão
- 22:33antigas quanto a própria floresta.
- 22:36Parece um resto de um grande reino que
- 22:38outrora fora próspero. Você explora
- 22:41buscando algo de valor para ajudar na
- 22:43sua aventura, porém nada se revela. A
- 22:46sua frente, a entrada de um mausoléu.
- 22:48Essas são as ruínas do Sol Verde, o
- 22:51local onde um dia existiu a princesa
- 22:54goblin, que teve sua vida ceifada por
- 22:56uma rara doença. Junto com ela, toda a
- 22:59ordem dos goblins sucumbiu também.
- 23:02Mazoléo foi construído justamente para
- 23:04manter preservado o pouco dessa cultura
- 23:07que ainda perdura, já que poucos goblins
- 23:09do antigo mundo ainda existem e eles
- 23:12protegem o corpo da sua amada princesa.
- 23:15Andando em direção à entrada do local,
- 23:17até que um som abafado pode ser ouvido
- 23:19na distância. Um cavaleiro com a mão na
- 23:22barriga, escorido.
- 23:26Ele diz: "Acho que não vou morrer
- 23:30sozinho."
- 23:31Bem, isso é um alívio.
- 23:35É engraçado como como até mesmo um
- 23:39estranho pode trazer conforto
- 23:43quando alguém está consumido pelo
- 23:45desespero.
- 23:47Não sou o primeiro que não é voltar
- 23:49dessas florestas.
- 23:52No entanto, pensei que seria diferente
- 23:55para mim.
- 23:57Pequei por impertinência.
- 24:01Ah,
- 24:02você faria um favor a um homem morto?
- 24:07Traga para mim a caixa. Ele aponta para
- 24:11a entrada do mausoléu, onde você avista
- 24:14ao longe um esqueleto guardando a porta.
- 24:17Só que esse possui uma coloração
- 24:18carmesin muito forte. Você sabe
- 24:21instintivamente que esse esqueleto é
- 24:24mais forte do que os que você enfrentou
- 24:27até agora. Porém, ainda assim ele não é
- 24:29pário. Nós derrotamos o esqueleto e
- 24:32descemos pela entrada. Agora em busca da
- 24:35caixa. Depois de alguns encontros dentro
- 24:37da masmorra, você vê um baú marfim que
- 24:40deve conter o tesouro do cavaleiro. Ao
- 24:42tentar abri-lo, o chão se abre aos seus
- 24:45pés, criando um vão enorme que irá lhe
- 24:48jogar nos fundos desse calabolço. Opa,
- 24:51pequena pausa aqui na narração, porque a
- 24:53referência é bacana, viu? Lendo o livro,
- 24:55eu percebi que esse baú aqui tem uma
- 24:57corrente do lado virada de uma forma bem
- 24:59específica. Essa corrente tá na exata
- 25:02mesma orientação que as correntes que
- 25:03ficam nos baús de mímico do Dark Souls.
- 25:07Aqui tem uma imagem comparando. Olha, a
- 25:09imagem está flutuando na minha mão. Você
- 25:10tem o baú normal e você tem o baú
- 25:13mímico, que a corrente tá virada pra
- 25:15frente exatamente do mesmo jeito que tá
- 25:17virada no livro. Então, se a gente fosse
- 25:21jogar o jogo, se o jogo existisse e a
- 25:23gente fosse jogar, a gente ia ver isso
- 25:25aqui, ó, 1 km de distância, rapaz. Aqui
- 25:28é jogador de Dark Souls, porém ele não
- 25:31reparou. E agora estamos no fundo da
- 25:33masmorra. O chão é irregular e o local
- 25:36fede a podridão. Afino final de contas,
- 25:39você está em um poço de armadilha, o
- 25:41chão são ossos e uma grande fera de
- 25:44olhos esbugalhados aguarda pela próxima
- 25:47entrega de comida. você.
- 25:54O manual nos dá informações muito
- 25:56importantes, como o fato de que não
- 25:57podemos olhar para os olhos dessa fera
- 25:59ou seremos petrificados. Petrificação é
- 26:03maldição um pouco diferente em vermes,
- 26:05já que não parece te transformar em
- 26:07pedra, mas apenas te paralisar no local.
- 26:10Assim, o mastrengo consegue te comer à
- 26:12vontade. Seguindo a dica que nos foi
- 26:14dada e não olhando para os olhos do
- 26:17monstro, nós conseguimos triunfar e
- 26:19seguir o caminho. Subindo por uma clara
- 26:21boia, damos de cara com um longo
- 26:23corredor repleto de pilastras. Atrás
- 26:25delas, pequenas criaturas, goblins. Os
- 26:29goblins estão chocados de ver alguém
- 26:31saindo do poço, paralisados de medo,
- 26:35fracos e velhos. Nenhum sequer ousaria
- 26:38enfrentar o guerreiro que derrotou a
- 26:40fera. Você pode apenas seguir para a
- 26:42próxima sala, coberto com o sangue deles
- 26:45ou não. Tudo depende do caminho que
- 26:47decidi escolher. Nesse ponto, Vermed
- 26:49deixa claro que é nossa escolha matar ou
- 26:52não os goblins. Eu, pessoalmente, nunca
- 26:55mato o que não é hostil contra mim em
- 26:58jogos souls. Então, vamos manter isso
- 27:01aqui também.
- 27:02Caminhamos pelo corredor a fundo em
- 27:05busca de uma pequena luz no fim do
- 27:07túnel. Enquanto caminhamos, uma voz
- 27:09delicada sussurra nos corredores. Por
- 27:12favor, deixe-nos em paz. Esse não é o
- 27:15local para o seu povo. Vai embora, eu
- 27:18imploro. Seguindo em frente, chegamos em
- 27:21outro local. Essa é uma sala maior com a
- 27:23porta do outro lado e em frente à porta
- 27:26um grande guerreiro de armadura. Ela é
- 27:28verde e quem a veste tem uma estatura
- 27:31muito maior do que vimos até agora. Esse
- 27:34é o nosso chefe dessa masmorra, o
- 27:36cavaleiro Goblin.
- 27:47A batalha é árdua e demanda muito mais
- 27:49esforço do que outras até agora. Ele não
- 27:52é um inimigo a ser vencido com força
- 27:54bruta. Ele precisa ser cansado e ferido
- 27:57aos poucos. Em momentos cruciais da
- 28:00batalha, você percebe que o cavaleiro
- 28:02olha para o corredor atrás dele, sempre
- 28:05com pressa e conforme a luta vai se
- 28:07estendendo, pesar. Ele dá uma última
- 28:11olhada para trás, que não deve ter
- 28:13durado mais do que um segundo, mas para
- 28:15vocês dois foram horas. Ao retornar o
- 28:18semblante, você percebe sua fúria. O
- 28:21cavaleiro goblin grita enquanto o sangue
- 28:24jorra por suas feridas. Entrando em modo
- 28:27bezerque, ele está com destino definido
- 28:30e em poucos segundos cai ao chão morto.
- 28:35O cavaleiro cai em uma poça do próprio
- 28:37sangue, parando de se mover quase
- 28:40imediatamente, como se drenado de cada
- 28:43grão de energia. A longa luta está
- 28:46acabada. Você não consegue remover sua
- 28:48armadura e seus machados são pesados
- 28:51demais para serem utilizados, mas ao
- 28:54remover o topo do seu capacete, você tem
- 28:57a revelação. Ele é um mano. Entrando
- 29:00pela porta que estava guardada pelo
- 29:02cavaleiro goblin, encontramos ela
- 29:04finalmente, a sepultura da princesa.
- 29:10O local está no mais absoluto silêncio e
- 29:13as luzes que adentram são escassas. Você
- 29:16sente a tensão no ar enquanto anda pelo
- 29:19corredor com a sensação de estar fazendo
- 29:21algo errado e correto ao mesmo tempo. O
- 29:24desconforto te persegue durante todo o
- 29:26percurso. Chegando até o caixão da
- 29:28princesa, lá está seu corpo preservado
- 29:31segurando uma pequena caixa de bronze.
- 29:34Bom, dá para assumir que essa é a caixa
- 29:36que o nosso querido do lado de fora
- 29:38estava pedindo. Então, bora lá completar
- 29:41a quest. Saindo da câmara e voltando à
- 29:43sala onde estava o cavaleiro, você
- 29:45consegue ver uma mulher pálida, com
- 29:47expressão triste, ajoelhada ao lado do
- 29:49corpo do cavaleiro goblin. Ela é
- 29:52translúcida e o seu cabelo flutua e ao
- 29:55piscar, ela some da sua vista. Saindo da
- 29:59masmorra e encontrando o cavaleiro
- 30:01ferido novamente, ele nos diz: "Não
- 30:04consigo acreditar nos meus olhos.
- 30:08Obrigado, você é um santo. Existe uma
- 30:11escolha aqui de entregar a caixa a ele
- 30:13ou não. Em nosso playthrough, entregamos
- 30:16a caixa. O cavaleiro segura a caixa
- 30:19nervosamente.
- 30:21Ele pega uma chave de um dos seus bolsos
- 30:24e utiliza para abrir ela. Dentro ele
- 30:28encontra um brilhante anel verde. O
- 30:31cavaleiro segura esse anel e subitamente
- 30:34entra em combustão, se tornando uma
- 30:37grande fogueira.
- 30:39Quando o fogo apaga, apenas cinzas estão
- 30:43no local. Por mais bizarro e sem
- 30:45explicação que isso tenha sido, nós
- 30:48sabemos o nosso mantra. A jornada deve
- 30:53continuar.
- 30:57Passando da ruína dos goblins, nós
- 31:00chegamos nas florestas da montanha. O ar
- 31:03é frio, ele preenche seus pulmões
- 31:05enquanto as flutárvores praticamente
- 31:08gritam com os ventos mais fortes.
- 31:11Conforme você vai subindo, o cenário
- 31:13atrás de você se forma. Um pô do sol
- 31:16espelhado no rio quebra a paisagem em
- 31:19dois, enquanto você chega perto de uma
- 31:21frágil ponte de madeira. É aqui que a
- 31:24jornada começa a se tornar um peso real.
- 31:26A grande dúvida do seu objetivo pesa em
- 31:30suas costas. Por que você está fazendo
- 31:33isso? Onde você está indo? Que jornada é
- 31:36essa que você deve continuar a todo
- 31:40custo? Destino ou livre arbítrio, qual
- 31:43você está seguindo nesse exato momento?
- 31:46Dúvidas essas que não serão respondidas
- 31:49porque não há ninguém para respondê-las.
- 31:51A caminhada é longa e você deve
- 31:54continuar. Perto da ponte também está
- 31:56uma velhinha, estatura baixa e rosto
- 31:58praticamente momificado. Ela na verdade
- 32:02está em um disfarce. Não tema, viajante.
- 32:06Apesar da aparência, eu não sou uma
- 32:07bruxa. Me chamo Vícora, filha de Durna.
- 32:11Normalmente não utilizo essas vestes,
- 32:14mas as bruxas sequestraram o meu irmão
- 32:17mais novo e eu pretendo resgatá-lo e
- 32:21filtrando sua seita. Não é um plano
- 32:24perfeito, mas estou te contando porque
- 32:26preciso que alguém siga na frente e
- 32:30limpe o caminho. Eu seria extremamente
- 32:33grata. Se muitas escolhas seguimos em
- 32:36frente, já íamos fazer isso de qualquer
- 32:38forma. A bruxa não nos segue
- 32:40diretamente, mas se moverá depois de
- 32:42limparmos a área em seguida. Só que ao
- 32:44pisar na ponte, vemos na sua outra
- 32:47metade um grande cavaleiro com um grande
- 32:49machado. Ele é praticamente um gigante,
- 32:52estatura muito mais avantajada do que a
- 32:54sua. Sua postura imponente e seu machado
- 32:56pronto para te atacar. Você se mantém
- 32:58firme no aguardo do conflito até que
- 33:01suas vistas ajustam e você percebe que o
- 33:03gigante agora está caindo penhasco
- 33:05abaixo. As tábuas de madeira velha não
- 33:07aguentaram o peso dele e cederam assim
- 33:09te poupando de um conflito. Seu objetivo
- 33:12agora é com cuidado, atravessar a ponte.
- 33:15Do outro lado da ponte se percebe que a
- 33:18grande floresta de flutárvores é
- 33:21substituída por um céu claro e colinas
- 33:24cheias de cedros. Uma brisa gentil sopra
- 33:27ao seu redor. Depois de tanto tempo
- 33:30andando na companhia da música das
- 33:32frutárvores, a falta do assobil cria um
- 33:35silêncio divino indescritível.
- 33:39E no horizonte, tal qual um grande
- 33:41monólito, está uma estrutura gigantesca
- 33:44que parece ser um templo ao sol. Sua
- 33:47estatura megalomaníaca garante que é um
- 33:50ponto de interesse, ou seja, seu próximo
- 33:53destino. Os morros são uma subida
- 33:55desafiadora, mas você está descansado.
- 33:58Com um cenário pacífico desses, nada te
- 34:01abalaria. Excepto um esqueleto rebolando
- 34:04pros crias.
- 34:06Desculpe quebrar o clima, mas eu
- 34:08precisava fazer isso. Olha para esse
- 34:09cara rebolando certinho. Mas além de
- 34:12rebolar corretíssimo, ele também guarda
- 34:15o portão desse templo. Em suas costas,
- 34:17uma escuridão profunda e verdadeira.
- 34:21Existe uma distinção entre escuridões e
- 34:23a que está atrás do esqueleto, que não
- 34:26possui forma ou movimento. É apenas
- 34:28preto, como se a luz não conseguisse
- 34:31sequer tocar. O vazio do inexistente. Ao
- 34:35tentar olhar para os lados, você percebe
- 34:37que sua visão começa a enfraquecer e uma
- 34:39pressão toma conta de sua cabeça. O
- 34:41esqueleto não quer que você desvie o
- 34:43olhar. Sua concentração agora tem que
- 34:45permanecer nele. Depois de alguns
- 34:48momentos fixos, olhando para o
- 34:50esqueleto, ele começa a se mover,
- 34:52colocando suas duas mãos abertas na sua
- 34:54frente, cada uma com uma moeda. Na mão
- 34:57direita você tem a moeda de prata e na
- 35:00esquerda uma moeda de lama. O manual nos
- 35:02avisa que ao tentar pegar qualquer uma
- 35:05dessas moedas, irá fazer tanto o
- 35:07esqueleto quanto o templo desaparecer em
- 35:10um piscar de olhos, sem deixar rastros
- 35:12para trás. O que nós temos que fazer
- 35:14aqui é colocar a moeda correta na mão
- 35:17correta do esqueleto. Nesse caso, a
- 35:20moeda está relacionada ao seu status de
- 35:23vontade, se ela é de luz ou trevas nesse
- 35:26momento do jogo. Falhar em escolher
- 35:28corretamente imediatamente te marca com
- 35:31a maldição, que o manual não revela a
- 35:33severidade. Mas nós já sabemos que
- 35:35maldições nesse jogo não são algo a se
- 35:39brincar. Nós obviamente escolhemos
- 35:42correto e depositamos a moeda. O
- 35:45esqueleto entra na escuridão e nos dá
- 35:48caminho. Agora temos o portão para o
- 35:50santuário das sombras. Um longo corredor
- 35:54com mil olhos te recebe. O ar preenchido
- 35:58por um odor distinto de pedra úmida e
- 36:01fria. Seus olhos demoram alguns minutos
- 36:04para se acostumar a um ambiente
- 36:06completamente escuro. Os olhos são de
- 36:09pequenas estátuas no chão, todas elas
- 36:12com olhos carvados, estômagos abertos.
- 36:16Apesar de não estarem vivos, você
- 36:18entende? Aquilo não é algo normal. O
- 36:20santuário é um labirinto que você ainda
- 36:23não sabe como decifrar. Segundo o
- 36:25manual, ainda existem camadas que não
- 36:27foram encontradas ainda e o fundo do
- 36:30labirinto permanece um mistério. Andando
- 36:32pelos corredores, você encontra deitado
- 36:34dentro de uma abertura na parede, um
- 36:36cavaleiro de armadura opulenta, repleta
- 36:39de esmeraldas caras. Ele percebe sua
- 36:42aproximação e diz: "Alguém, por favor,
- 36:46me liberte dos correntes dessa maldição
- 36:48terrível. O medo. Minha mente está voada
- 36:52pela morte. Eu não consigo pensar ou
- 36:55agir. Por quê? Porque eu deveria
- 36:58continuar lutando. Todos nós estamos
- 37:01condenados a virar nossos esquecidos.
- 37:04Não temos muito como ajudá-lo. Apenas
- 37:06pegamos sua tocha que está derrubada num
- 37:08canto e seguimos caminho. Ela vai ser
- 37:10útil na nossa jornada por esse Bru.
- 37:13Continuamos em frente. A jornada deve
- 37:16continuar. O caminho pelo santuário é
- 37:18tortuoso. Diversas salas contêmores que
- 37:21não vimos anteriormente em tal
- 37:22magnitude. Chefes, segredos e perigos.
- 37:26Mas a que mais chama a nossa atenção é
- 37:29um corredor. Ao andar nele, você percebe
- 37:31que é um local anormalmente longo.
- 37:34Apesar da estatura megalomaniaca
- 37:37desse templo. Você caminha pelo que
- 37:39parecem horas ou foram dias? Seus
- 37:42sentidos te enganam da pior forma
- 37:44possível. Gradualmente você começa a
- 37:47ouvir passos nas suas costas, te
- 37:49seguindo. Se você parar de caminhar, os
- 37:51passos também param. Ao se virar com sua
- 37:54tocha, uma sombra rapidamente se
- 37:56esconde, fugindo para o conforto da
- 37:59escuridão. Se você fizer isso o
- 38:02suficiente, ela vai te olhar de volta
- 38:04lhe confrontando. Que coisinha irritante
- 38:10essa sua luz trêmula.
- 38:13Já consideraste juntar-te às sombras? Um
- 38:18ar quente e confortável,
- 38:20independentemente do que possa parecer.
- 38:24És bem-vindo aqui, viajante perdido.
- 38:28Apaga a tua chama e junta-te
- 38:32ao nosso lar.
- 38:34Aceitando o convite, apagando nossa
- 38:37tocha, entramos na escuridão infinita.
- 38:40Nunca seremos sozinhos de novo e nosso
- 38:42corpo não terá mais limites. Basicamente
- 38:45tu morre. Mas se você recusar com
- 38:47educação, obviamente ele irá aceitar a
- 38:50sua refusa e apenas ir embora sem dizer
- 38:54nada mais. A ilusão então se desfaz e o
- 38:57portão no final do corredor é mostrado.
- 38:59A sala em nossa frente é mais baixa, com
- 39:01água cobrindo o chão. Conforme você vai
- 39:04descendo, o local vai se tornando
- 39:06coberto pela água. Os corredores já não
- 39:08são mais os mesmos e você sente uma
- 39:11sensação estranha entrando nesse andar.
- 39:14A água alcança seus joelhos e atrapalha
- 39:17seu caminhar. Através dos corredores,
- 39:20você ouve ecos perturbadores de algo se
- 39:23movendo na distância. Você alcança uma
- 39:26sala grande com diversos outros
- 39:28corredores indo em direções distintas.
- 39:31No final desses corredores, sempre estão
- 39:33corpo apodrecendo com a roupa
- 39:36cerimonial. todos inflados pela água
- 39:39estagnada. Até que você chega numa sala
- 39:41que não tem isso, mas sim um poço.
- 39:48Entrar nessa sala te dá um aperto no
- 39:49coração. Ela é diferente das outras. O
- 39:53poço lhe puxa. Curiosidade mórbida te
- 39:56faz atropelar qualquer instinto de
- 39:58autopreservação.
- 40:00Você se ajoelha ao lado do poço e olha
- 40:04para dentro, observando o seu reflexo.
- 40:07Você não sabe quem é esse. Olhos
- 40:10estranhos que você não reconhece te
- 40:13olham de volta e a imagem do poço te
- 40:16enche de pavor e então a ilusão falha.
- 40:20Uma frágil ilusão se desfaz em silêncio.
- 40:24O vazio te envolve suavemente,
- 40:27dando-te as boas vindas de volta. Uma
- 40:30vida foi vivida e o sonho já não existe
- 40:34mais. Os velhos ossos agora repousam,
- 40:38aguardando a lua brilhar mais uma vez.
- 40:42[Música]
- 40:52Vermes é uma obra extremamente
- 40:56interpretativa. Além do formato de mídia
- 40:59que o autor escolheu para contar a
- 41:01história não ser usual, a história em si
- 41:04carrega diversos temas que você pode
- 41:07interpretar de várias formas diferentes,
- 41:09tal qual uma história vinda direto de um
- 41:12Souls Like. Esse foi um vídeo
- 41:13experimental para mim. Eu nunca tinha
- 41:15feito nada desse tipo e dependendo da
- 41:18resposta de vocês, eu provavelmente
- 41:20nunca mais faça. Mas eu tô feliz por ter
- 41:22feito, por ter corrido atrás dessa
- 41:24expressão de apreço por um livro e um
- 41:27tema que é tão pouco comentado a
- 41:29respeito, principalmente aqui no Brasil.
- 41:31E eu também fico muito feliz que você
- 41:33tenha gostado. E também não se esqueça
- 41:36de se manifestar, de ter chegado no
- 41:38final do vídeo. Deixa aquele like,
- 41:40aquele comentário, por favor, e se
- 41:43inscreve se você não fori inscrito aía.
- 41:45Por que que você não não é inscrito? É
- 41:46um botão, cara. Me ajuda aí, vá. Me
- 41:48ajude, me ajude aí de ajudar. Mas é
- 41:50sério, comentários e tudo que vocês
- 41:53falam é o que é a lenha na fogueira do
- 41:56meu coração para fazer vídeo. Então, se
- 41:58manifeste. Se você chegou aqui, você
- 42:00gostou, se manifeste. Eu amo ler os
- 42:03comentários de vocês. Então é isso, eu
- 42:05espero que você tenha um ótimo dia. Até
- 42:08uma próxima e tchau.
- 42:17[Música]
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