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8. Como começar a questionar e flexibilizar nossas crenças? — Transcript

by Gabriela Macedo · 2,887 words · 413 segments · language en · Watch on YouTube

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  1. 0:00Então, seguimos com o nosso método. A
  2. 0:02gente já falou aqui sobre o que são
  3. 0:04crenças, como as crenças se formam, como
  4. 0:06a nossa história de vida, as nossas
  5. 0:07referências, as pessoas ao nosso redor
  6. 0:10tem um impacto muito grande nisso tudo.
  7. 0:12E agora a gente vai falar sobre como
  8. 0:13flexibilizar essas crenças para que a
  9. 0:16gente não seja refém delas. Então isso é
  10. 0:18um ponto importante, porque muitas vezes
  11. 0:20não é que a gente vai deixar de ter
  12. 0:21essas crenças, elas vão continuar ali,
  13. 0:24porque por definição, crenças são o
  14. 0:27nível de pensamento mais enraizado,
  15. 0:29universal e hipergeneralizado que a
  16. 0:32gente tem. Consequentemente, são as mais
  17. 0:34difíceis, as mais demoradas de serem
  18. 0:37flexibilizadas. E por isso, inclusive, a
  19. 0:40terapia é um processo de médio e longo
  20. 0:42prazo, né? qualquer bom terapeuta e
  21. 0:44qualquer pessoa que entende sobre o
  22. 0:46funcionamento cerebral sabe que a gente
  23. 0:48não muda um cérebro, o funcionamento de
  24. 0:51um cérebro em uma semana ou um mês. Só
  25. 0:53relembrando, então, uma das formas mais
  26. 0:55simples de entender quais são as nossas
  27. 0:57crenças e começar a entrar em contato
  28. 0:59com elas, é mapeando elas, né? Então,
  29. 1:02anotando em algum lugar, seja de forma
  30. 1:03física ou digital, ao longo da semana,
  31. 1:06ao longo do mês. E aí você vai ter um
  32. 1:08padrão, você vai perceber uma forma de
  33. 1:11pensar muito enraizada. Então, alguns
  34. 1:13pensamentos vão aparecer mais do que
  35. 1:15outros. E aí a gente tá falando já de
  36. 1:17crenças, né, que vem de uma forma tão
  37. 1:19automática, tão robotizada, que a gente
  38. 1:22nem para para se questionar no dia a dia
  39. 1:25de tanto que a gente acredita nelas, né,
  40. 1:27e de tanto que a gente tem evidências e
  41. 1:30justificativas para acreditar naquilo
  42. 1:32que a gente acredita. Uma coisa
  43. 1:34importante também é se atentar para
  44. 1:36definição de níveis de cognição. Então,
  45. 1:39quando a gente fala de cognição, ou
  46. 1:40seja, tudo aquilo que o nosso cérebro
  47. 1:42processa, a gente tem três níveis
  48. 1:44cognitivos: crença central ou crenças
  49. 1:47nucleares, crenças intermediárias,
  50. 1:50geralmente vem em formato de regras e
  51. 1:52pressupostos, e pensamentos automáticos,
  52. 1:55né, que são aqueles pensamentos que vem
  53. 1:56de uma forma muito simples no dia a dia.
  54. 1:59Então, a crença central, por definição,
  55. 2:02é o nível de crença mais enraizado, mais
  56. 2:04generalizado e universal que a gente
  57. 2:07tem, por isso é o mais difícil de ser
  58. 2:09mudado. As crenças intermediárias, que é
  59. 2:11ali o segundo nível, geralmente elas
  60. 2:13aparecem no nosso dia a dia em formato
  61. 2:15de regras e pressupostos. Então, quando
  62. 2:17tem aquelas frases do tipo si, três
  63. 2:20pontinhos, então logo três pontinhos.
  64. 2:23Então, se fulano faz tal coisa, logo ele
  65. 2:26não me ama, logo ele não me valoriza e
  66. 2:29por aí vai. E como último, como terceira
  67. 2:32instância, a gente tem aí os pensamentos
  68. 2:34automáticos, que são pensamentos mais
  69. 2:36superficiais, né, que aparecem no dia a
  70. 2:38dia, mas uma coisa tá conectada na
  71. 2:40outra. Então, muitas vezes, por meio dos
  72. 2:42pensamentos automáticos, a gente
  73. 2:44consegue acessar as crenças
  74. 2:45intermediárias e a gente consegue
  75. 2:46acessar, consequentemente as crenças
  76. 2:48centrais ou nucleares. Então, na
  77. 2:51prática, as crenças acabam servindo como
  78. 2:53se fossem um óculos pelos quais a gente
  79. 2:55enxerga a realidade. Então, eu costumo
  80. 2:57falar que a gente não olha pro mundo do
  81. 2:59jeito que o mundo é, a gente olha pro
  82. 3:01mundo do jeito que a gente enxerga, né?
  83. 3:04do jeito que a gente tem essa percepção
  84. 3:07que a gente tem do mundo. Então, aquela
  85. 3:10frase também, né, que é muito clássica,
  86. 3:11muito comum em terapia, na psicologia,
  87. 3:14de que quando Pedro me diz algo sobre
  88. 3:17Paulo, eu sei mais de Pedro do que de
  89. 3:19Paulo. Porque o que o Pedro fala sobre
  90. 3:21Paulo diz mais respeito à percepção que
  91. 3:25Pedro tem de Paulo do que de fato quem
  92. 3:27Paulo é. Porque essa percepção de quem é
  93. 3:30o Paulo vai depender muito de quem está
  94. 3:33vendo, de quem está enxergando e de quem
  95. 3:35eh em quais parâmetros você está se
  96. 3:39amparando. E isso, de novo, tem a ver
  97. 3:40com a nossa história de vida e etc, né?
  98. 3:43Então aqui entra essa diferenciação e
  99. 3:46muitas vezes, depois a gente vai falar
  100. 3:48sobre distorões cognitivas, mas muitas
  101. 3:50vezes entra aquilo que a gente comenta
  102. 3:52também muito em terapia e trabalha isso
  103. 3:54com os clientes, que é muito muitas
  104. 3:56vezes e na grande maioria das vezes não
  105. 3:59é pessoal, né? Tá todo mundo fazendo o
  106. 4:01melhor que pode com recursos que tem. Só
  107. 4:03que é isso, a gente faz com poucos
  108. 4:05recursos, né? porque a gente não aprende
  109. 4:07nada disso ao longo do nosso
  110. 4:08desenvolvimento. Então, se as cliências
  111. 4:10funcionam na nossa vida como se fossem
  112. 4:12óculos, muitas vezes esses óculos podem
  113. 4:15estar com grau errado ou um pouquinho
  114. 4:17sujos e a gente vai lá e limpa, né? Mas
  115. 4:21a questão dos óculos é que eles não são
  116. 4:23irreversíveis, né? As crenças elas podem
  117. 4:25ser um pouco mais difíceis de serem
  118. 4:27lidadas e serem flexibilizadas. Elas
  119. 4:30levam sim um certo tempo. Elas têm uma,
  120. 4:34elas precisam de compromisso, né? e
  121. 4:36repetição para serem modificadas ao
  122. 4:38longo da nossa história, mas é possível,
  123. 4:40né? E considerando que a gente ainda tem
  124. 4:42muita vida pela frente, muitos anos de
  125. 4:44vida pela frente, por que não olhar para
  126. 4:46isso, né? Porque é uma coisa é fato, em
  127. 4:48qualquer situação que a gente esteja,
  128. 4:49para qualquer lugar que a gente vá, o
  129. 4:51nosso corpo, a nossa cabeça, o nosso
  130. 4:54cérebro vai estar lá junto com conosco.
  131. 4:57Então, se a gente não está lidando com
  132. 4:59isso de uma forma saudável, a gente vai
  133. 5:02continuar sofrendo, a gente vai
  134. 5:03continuar sendo saudável. Toda vez que a
  135. 5:06gente fala de crenças, a gente também
  136. 5:08entra em contato com toda uma história
  137. 5:10de vida da pessoa. Porque, de novo,
  138. 5:12ninguém pensa e se comporta do jeito que
  139. 5:15pensa e se comporta à toa, né? As
  140. 5:17pessoas têm toda uma, não é nem uma
  141. 5:18justificativa, mas é uma história de
  142. 5:20vida mesmo, uma história de
  143. 5:21desenvolvimento que ampara isso. Então,
  144. 5:24uma coisa interessante sobre crenças é
  145. 5:26que muitas vezes quando a gente começa a
  146. 5:28acessar elas e começa a chegar mais
  147. 5:31perto, a encarar elas de frente,
  148. 5:33primeiro ponto aqui, a gente costuma ter
  149. 5:35reações emocionais mais intensas. Então,
  150. 5:37quando a gente acessa crenças
  151. 5:39disfuncionais e que geram sofrimento, a
  152. 5:41gente tende a ter reações emocionais
  153. 5:43mais intensas. Então, a gente chora, a
  154. 5:45gente sua frio, enfim, né? Porque a
  155. 5:48gente não gosta de entrar em contato com
  156. 5:51isso e por isso geralmente a gente não
  157. 5:53entra em contato com as crenças centrais
  158. 5:55no dia a dia, né? E por isso vem as
  159. 5:57crenças intermediárias e os pensamentos
  160. 5:59automáticos, de certa forma encobrindo
  161. 6:01as crenças centrais que a gente tem. Mas
  162. 6:03além da questão da reação emocional
  163. 6:06intensa que a gente tem, a gente tem
  164. 6:08também eh uma questão importante que é
  165. 6:10tendo uma crença, a gente vai estar
  166. 6:12sempre buscando mecanismos de
  167. 6:14confirmação para confirmar aquela crença
  168. 6:18e fortalecer ela. Ou seja, a partir do
  169. 6:20momento que a gente tem uma crença, a
  170. 6:22gente olha pro mundo e pras situações de
  171. 6:24forma a confirmar aquilo que a gente que
  172. 6:26a gente já acredita. Porque lembra, o
  173. 6:29nosso cérebro ele já ele automatiza essa
  174. 6:32forma de pensar para facilitar o
  175. 6:34trabalho dele, porque pensar e repensar
  176. 6:36a todo momento gasta muita energia. E de
  177. 6:39novo, vale lembrar que essa crença em
  178. 6:41algum momento da sua vida, em algum
  179. 6:42momento da sua história, ela já foi
  180. 6:43funcional, ela já te ajudou. eh, a gente
  181. 6:46tende a olhar pro mundo do jeito, não do
  182. 6:49jeito que o mundo é, mas do jeito de
  183. 6:50acordo com o nosso olhar. Só que além
  184. 6:52disso, a gente tende a olhar pro mundo
  185. 6:55de forma a confirmar as crenças que a
  186. 6:57gente já tem. E aí, se a gente tem
  187. 6:59crenças disfuncionais e que geram
  188. 7:01sofrimento, geralmente a gente vai
  189. 7:03captar mais aquelas situações que
  190. 7:07fortalecem essa crença e que torna eh a
  191. 7:10gente vai colocar isso, essa nova
  192. 7:12situação, como mais uma evidência de que
  193. 7:14a gente tá certo. E aí vem muitas vezes
  194. 7:16naquelas frases do tipo: "Tá vendo,
  195. 7:18fulana, eu falei para você, tá vendo? Eu
  196. 7:21estava certo sobre isso, porque aquela
  197. 7:23pessoa que ela já tem uma crença, uma
  198. 7:25definição muito enraizada e tudo que
  199. 7:28acontece, ela vai encaixando, né, nessa
  200. 7:30caixinha de ó lá, bate com a minha
  201. 7:32crença. Ó lá, tá vendo como eu não tava
  202. 7:34errado? Ó lá, tá vendo como eu não sou
  203. 7:36louco, louca de alguma forma. Ao mesmo
  204. 7:38tempo, conforme a gente vive, a gente
  205. 7:40tem situações que não só confirmam nossa
  206. 7:42crença, mas que vão ao contrário dela,
  207. 7:45né? Então, muitas situações positivas,
  208. 7:47inclusive que a gente poderia estar
  209. 7:49enxergando e nem sempre a gente enxerga.
  210. 7:51Então, vamos supor que a crença ela é
  211. 7:54esse pedaço. Então, tudo que acontece,
  212. 7:56que confirma ou que vai de encontro com
  213. 7:58a minha crença, eu encaixo nisso aqui,
  214. 8:01né? É, é como se fosse realmente um
  215. 8:03quebra-cabeças. Então, ela consegue
  216. 8:05encaixar perfeitamente, né? essa
  217. 8:07situação consegue encaixar perfeitamente
  218. 8:09na crença que eu já tenho. Porém,
  219. 8:11todavia, contudo, conforme a gente vai
  220. 8:13vivendo e se relacionando com as pessoas
  221. 8:14no dia a dia, a gente tem acesso a
  222. 8:17situações que não são só ruins, né, e
  223. 8:19que confirmam as nossas crenças
  224. 8:21automáticas e as nossas crenças
  225. 8:22centrais. A gente tem acesso também a
  226. 8:25situações boas que refutam, que batem de
  227. 8:28frente com as nossas crenças. Então, a
  228. 8:31gente tem alguns movimentos. Nós temos a
  229. 8:33crença central. Quando acontece alguma
  230. 8:35situação que confirma essa crença, a
  231. 8:37gente vai lá e encaixa isso, né? E
  232. 8:40geralmente a gente pontua isso paraa
  233. 8:42pessoa. Olá, fulana, tá vendo? Eu não
  234. 8:44tava louco, né? Tá vendo como exatamente
  235. 8:47isso eu tinha falado para você? Eu sabia
  236. 8:49que isso ia acontecer. Então é aquela
  237. 8:50certeza, é aquela garantia que a gente
  238. 8:53tem das coisas. E quando acontece alguma
  239. 8:55situação no dia a dia, a gente usa isso
  240. 8:57para reforçar e usar como mais uma
  241. 9:00evidência de que essa crença de fato
  242. 9:01estava certa. E aqui a gente tá
  243. 9:03reforçando a nossa crença, que muitas
  244. 9:04vezes pode ser disfuncional ou estar
  245. 9:06gerando algum sofrimento. Percebe? Aí a
  246. 9:09gente tem também situações no dia a dia
  247. 9:11que não são exatamente ruins, né? Que
  248. 9:14não geram sofrimento, mas então elas
  249. 9:17refutam, elas batem de frente com a
  250. 9:19crença que a gente já tem. E aí a gente
  251. 9:21tem dois movimentos aqui, né? duas
  252. 9:24reações psicológicas muito comuns, que é
  253. 9:26ou a gente ignora essa situação, ou
  254. 9:28seja, isso não está no nosso radar, a
  255. 9:30gente não traz isso pro nosso modelo
  256. 9:32cognitivo, pro nosso modelo mental, ou
  257. 9:35então a gente pega essa situação e a
  258. 9:37gente distorce. E é daí que vem o termo
  259. 9:41distorões cognitivas. E existem vários
  260. 9:43mecanismos, né, pelos quais a gente faz
  261. 9:45isso. Então, a gente pode pegar essa
  262. 9:47situação e distorcer ela para aquilo
  263. 9:50então ficar um pouquinho mais próximo da
  264. 9:52minha crença e aí eu consigo encaixar na
  265. 9:54crença que eu já tenho. Vou dar um
  266. 9:55exemplo prático aqui para ficar mais
  267. 9:56fácil de todo mundo entender. Então eu
  268. 9:59vou trazer um exemplo agora de um livro
  269. 10:01que é clássico para quem trabalha com o
  270. 10:03TCC, que é esse livro aqui escrito pela
  271. 10:06Judit Beck, que é a filha do Aron Beck,
  272. 10:08que é o criador da TCC, né, que é o
  273. 10:10terapia cognitivo comportamental. E esse
  274. 10:13livro é voltado para os terapeutas.
  275. 10:15Então não te aconselho, né, a comprar
  276. 10:17desse livro porque ele é muito, ele tem
  277. 10:18uma linguagem mais técnica. Então para
  278. 10:20quem é leigo nem precisa, né, desse
  279. 10:22nível de profundidade. Mas vamos lá. Eu
  280. 10:24quero trazer um exemplo. Quando eu falo
  281. 10:26de pecinha de quebra-cabeça, é mais ou
  282. 10:28menos isso aqui que eu quero dizer, ó.
  283. 10:30Tá vendo? Aqui é a crença e aqui é a
  284. 10:33partezinha de encaixar, né? As
  285. 10:35evidências que sustentam essa crença.
  286. 10:38Então, como eu sei que vocês não
  287. 10:39conseguem ler, depois eu posso até
  288. 10:41disponibilizar pelo menos essa parte
  289. 10:44para vocês. E aí me falem, né? Me deem
  290. 10:45um feedback ali, seja aqui nos
  291. 10:47comentários ou lá no WhatsApp, se vocês
  292. 10:49querem isso também. O exemplo de crença
  293. 10:51que ele dá aqui é: "Sou incompetente". E
  294. 10:53aí tem, por exemplo, uma situação no dia
  295. 10:55a dia que a pessoa tem dificuldade de
  296. 10:57ler um texto. E aí, geralmente, qual que
  297. 10:59vai ser a fala dela, a percepção dela? Ó
  298. 11:01lá, Gabriela, tá vendo? Esse texto é
  299. 11:03muito difícil. Eu não consigo entender.
  300. 11:05Eu já li 500.000 vezes e ainda assim eu
  301. 11:07não captei, eu não retive a informação.
  302. 11:10Tá vendo? Eu sou muito incompetente nas
  303. 11:12coisas que eu faço. De novo, aquela
  304. 11:13sensação de que eu não dou conta do
  305. 11:15recado, percebe? Então, é uma situação
  306. 11:17do dia a dia que reforça uma crença que
  307. 11:19já está ali. Outra situação de exemplo,
  308. 11:22tô pensando em pedir um empréstimo do
  309. 11:24banco, ó lá. Mas tá vendo? Se eu tô
  310. 11:25precisando pedir um empréstimo do banco,
  311. 11:28é porque eu não dei conta de lidar com
  312. 11:30isso, com isso daqui que eu tenho, né? É
  313. 11:33porque eu não dei conta das minhas
  314. 11:35finanças, é porque eu não me organizei
  315. 11:36direito, tá vendo? Eu sou incompetente.
  316. 11:39Outra situação, sessões com cliente
  317. 11:41correram bem. Vamos supor aqui que a
  318. 11:43pessoa trabalha com concessão ou até
  319. 11:45psicólogo mesmo. Então aconteceu ali a
  320. 11:48situação de eh essa pessoa ter sessões
  321. 11:50com cliente e as sessões foram muito
  322. 11:52bem. Só que ele não reconhece isso
  323. 11:54porque daí ele pensa: "Tá, correram bem,
  324. 11:56mas é porque essa pessoa tá tentando me
  325. 11:58enganar. A pessoa fala que ela gostou
  326. 12:00ali do meu trabalho, da minha proposta
  327. 12:02na hora, só que depois, Gabriela, eu sei
  328. 12:04o que que ela faz. Ela some, né? Eu
  329. 12:06mando mensagem no WhatsApp, ela não
  330. 12:08responde a minha mensagem, ela não
  331. 12:09responde a minha proposta. Tá vendo? Sou
  332. 12:12incompetente. Então, perceba aqui, a
  333. 12:14pessoa pegou uma situação positiva do
  334. 12:16dia a dia, uma coisa que foi bacana, ou
  335. 12:18seja, você conseguiu conduzir muito bem
  336. 12:20a sessão, só que a pessoa distorce isso,
  337. 12:22ela diminui isso para que isso consiga
  338. 12:25caber na crença de que ela é uma
  339. 12:26incompetente. Outro exemplo, né, que ele
  340. 12:29traz aqui, a mesma coisa. Terminei a
  341. 12:31leitura do texto, né, um texto difícil,
  342. 12:33um texto acadêmico, um texto muito
  343. 12:35técnico, um texto cheio de dados.
  344. 12:37consegui terminar esse texto. Ah, mas eu
  345. 12:40demorei muito tempo, então não é válido,
  346. 12:42né? Eu eu deveria ter lido em menos
  347. 12:44tempo. As pessoas conseguem ler em menos
  348. 12:46tempo, eu não. Tá vendo? Isso prova que
  349. 12:48eu sou incompetente. Eh, e aí ele dá
  350. 12:51duas outras situações aqui. Por exemplo,
  351. 12:53ah, terminei a papelada, uma situação,
  352. 12:55né, do dia a dia, terminei a papelada
  353. 12:57que eu precisava terminar. Só que aí a
  354. 12:59pessoa nem reconhece isso, ela nem
  355. 13:00enxerga isso, né? E principalmente ela
  356. 13:03não enxerga isso como uma conquista,
  357. 13:05como um ganho, porque percebe que ela
  358. 13:07não está com um radar pressionado para
  359. 13:09isso. E aí eu acho muito legal o jeito
  360. 13:11que o livro coloca isso, ó, essas duas
  361. 13:14últimas situações, porque a situação ela
  362. 13:16bate na crença e volta, ou seja, a gente
  363. 13:19ignora completamente. Então, quando a
  364. 13:21gente fala que as crenças elas
  365. 13:23determinam muitas vezes a forma que a
  366. 13:26gente olha pro mundo e que a gente não
  367. 13:28olha pro mundo do jeito que a gente é,
  368. 13:30mas do jeito que a gente enxerga as
  369. 13:32coisas, é disso que a gente tá falando.
  370. 13:34Então, existem situações no dia a dia
  371. 13:36que vão confirmar ou confrontar as
  372. 13:39nossas crenças. E quanto mais consciente
  373. 13:41disso a gente tá e desse mecanismo e de
  374. 13:43quais são as nossas crenças centrais,
  375. 13:46mas a gente consegue também ampliar esse
  376. 13:48radar para começar a questionar e para
  377. 13:50começar a entender se de fato essa
  378. 13:53situação é tão ruim ou se de fato essa
  379. 13:55crença que tá vindo à tona ela é
  380. 13:57verdadeira, ela é realista ou então se
  381. 13:59ela é 100% realista, porque muitas vezes
  382. 14:01ela tem um fundo de verdade. De novo, a
  383. 14:04nossa crença em algum momento da vida,
  384. 14:05ela foi funcional para alguma coisa, só
  385. 14:07que pode ser que nesse momento ela não
  386. 14:09seja mais. E aí, se a gente não estiver
  387. 14:11atento a isso, consciente disso, e
  388. 14:13perceba a palavra que eu tô usando,
  389. 14:15consciente, não é em estado de alerta,
  390. 14:16que isso também é um erro muito comum
  391. 14:18quando a gente começa na terapia com a
  392. 14:20TCC, porque a gente acha que a gente tem
  393. 14:22que ficar o tempo todo em estado de
  394. 14:24alerta para pegar a crença, para não
  395. 14:26errar nunca ou para est sempre ali
  396. 14:28flexibilizando. E não é essa proposta. a
  397. 14:30gente entrar em estado de alerta é
  398. 14:32diferente da gente estar mais
  399. 14:34observador, estar mais consciente do
  400. 14:37nosso funcionamento psicológico. E aí
  401. 14:38então, sabendo tudo isso sobre crenças e
  402. 14:40agora de uma forma muito mais
  403. 14:41aprofundada, uma forma pela qual a gente
  404. 14:44consegue flexibilizar elas é fazendo uma
  405. 14:46estratégia que a gente usa na clínica,
  406. 14:48inclusive é o que guia a terapia e que o
  407. 14:50terapeuta geralmente maneja muito bem,
  408. 14:53que é a técnica do questionamento
  409. 14:54socrático. Então eu vou fazer um outro
  410. 14:56vídeo agora pr esse daqui não ficar tão
  411. 14:58longo, explicando o que que é o
  412. 15:00questionamento Socrático e como você
  413. 15:01pode aplicar isso aí na sua casa.

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This page contains the full transcript of 8. Como começar a questionar e flexibilizar nossas crenças? by Gabriela Macedo, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 2,887 words across 413 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.

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