8. Como começar a questionar e flexibilizar nossas crenças? — Transcript
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- 0:00Então, seguimos com o nosso método. A
- 0:02gente já falou aqui sobre o que são
- 0:04crenças, como as crenças se formam, como
- 0:06a nossa história de vida, as nossas
- 0:07referências, as pessoas ao nosso redor
- 0:10tem um impacto muito grande nisso tudo.
- 0:12E agora a gente vai falar sobre como
- 0:13flexibilizar essas crenças para que a
- 0:16gente não seja refém delas. Então isso é
- 0:18um ponto importante, porque muitas vezes
- 0:20não é que a gente vai deixar de ter
- 0:21essas crenças, elas vão continuar ali,
- 0:24porque por definição, crenças são o
- 0:27nível de pensamento mais enraizado,
- 0:29universal e hipergeneralizado que a
- 0:32gente tem. Consequentemente, são as mais
- 0:34difíceis, as mais demoradas de serem
- 0:37flexibilizadas. E por isso, inclusive, a
- 0:40terapia é um processo de médio e longo
- 0:42prazo, né? qualquer bom terapeuta e
- 0:44qualquer pessoa que entende sobre o
- 0:46funcionamento cerebral sabe que a gente
- 0:48não muda um cérebro, o funcionamento de
- 0:51um cérebro em uma semana ou um mês. Só
- 0:53relembrando, então, uma das formas mais
- 0:55simples de entender quais são as nossas
- 0:57crenças e começar a entrar em contato
- 0:59com elas, é mapeando elas, né? Então,
- 1:02anotando em algum lugar, seja de forma
- 1:03física ou digital, ao longo da semana,
- 1:06ao longo do mês. E aí você vai ter um
- 1:08padrão, você vai perceber uma forma de
- 1:11pensar muito enraizada. Então, alguns
- 1:13pensamentos vão aparecer mais do que
- 1:15outros. E aí a gente tá falando já de
- 1:17crenças, né, que vem de uma forma tão
- 1:19automática, tão robotizada, que a gente
- 1:22nem para para se questionar no dia a dia
- 1:25de tanto que a gente acredita nelas, né,
- 1:27e de tanto que a gente tem evidências e
- 1:30justificativas para acreditar naquilo
- 1:32que a gente acredita. Uma coisa
- 1:34importante também é se atentar para
- 1:36definição de níveis de cognição. Então,
- 1:39quando a gente fala de cognição, ou
- 1:40seja, tudo aquilo que o nosso cérebro
- 1:42processa, a gente tem três níveis
- 1:44cognitivos: crença central ou crenças
- 1:47nucleares, crenças intermediárias,
- 1:50geralmente vem em formato de regras e
- 1:52pressupostos, e pensamentos automáticos,
- 1:55né, que são aqueles pensamentos que vem
- 1:56de uma forma muito simples no dia a dia.
- 1:59Então, a crença central, por definição,
- 2:02é o nível de crença mais enraizado, mais
- 2:04generalizado e universal que a gente
- 2:07tem, por isso é o mais difícil de ser
- 2:09mudado. As crenças intermediárias, que é
- 2:11ali o segundo nível, geralmente elas
- 2:13aparecem no nosso dia a dia em formato
- 2:15de regras e pressupostos. Então, quando
- 2:17tem aquelas frases do tipo si, três
- 2:20pontinhos, então logo três pontinhos.
- 2:23Então, se fulano faz tal coisa, logo ele
- 2:26não me ama, logo ele não me valoriza e
- 2:29por aí vai. E como último, como terceira
- 2:32instância, a gente tem aí os pensamentos
- 2:34automáticos, que são pensamentos mais
- 2:36superficiais, né, que aparecem no dia a
- 2:38dia, mas uma coisa tá conectada na
- 2:40outra. Então, muitas vezes, por meio dos
- 2:42pensamentos automáticos, a gente
- 2:44consegue acessar as crenças
- 2:45intermediárias e a gente consegue
- 2:46acessar, consequentemente as crenças
- 2:48centrais ou nucleares. Então, na
- 2:51prática, as crenças acabam servindo como
- 2:53se fossem um óculos pelos quais a gente
- 2:55enxerga a realidade. Então, eu costumo
- 2:57falar que a gente não olha pro mundo do
- 2:59jeito que o mundo é, a gente olha pro
- 3:01mundo do jeito que a gente enxerga, né?
- 3:04do jeito que a gente tem essa percepção
- 3:07que a gente tem do mundo. Então, aquela
- 3:10frase também, né, que é muito clássica,
- 3:11muito comum em terapia, na psicologia,
- 3:14de que quando Pedro me diz algo sobre
- 3:17Paulo, eu sei mais de Pedro do que de
- 3:19Paulo. Porque o que o Pedro fala sobre
- 3:21Paulo diz mais respeito à percepção que
- 3:25Pedro tem de Paulo do que de fato quem
- 3:27Paulo é. Porque essa percepção de quem é
- 3:30o Paulo vai depender muito de quem está
- 3:33vendo, de quem está enxergando e de quem
- 3:35eh em quais parâmetros você está se
- 3:39amparando. E isso, de novo, tem a ver
- 3:40com a nossa história de vida e etc, né?
- 3:43Então aqui entra essa diferenciação e
- 3:46muitas vezes, depois a gente vai falar
- 3:48sobre distorões cognitivas, mas muitas
- 3:50vezes entra aquilo que a gente comenta
- 3:52também muito em terapia e trabalha isso
- 3:54com os clientes, que é muito muitas
- 3:56vezes e na grande maioria das vezes não
- 3:59é pessoal, né? Tá todo mundo fazendo o
- 4:01melhor que pode com recursos que tem. Só
- 4:03que é isso, a gente faz com poucos
- 4:05recursos, né? porque a gente não aprende
- 4:07nada disso ao longo do nosso
- 4:08desenvolvimento. Então, se as cliências
- 4:10funcionam na nossa vida como se fossem
- 4:12óculos, muitas vezes esses óculos podem
- 4:15estar com grau errado ou um pouquinho
- 4:17sujos e a gente vai lá e limpa, né? Mas
- 4:21a questão dos óculos é que eles não são
- 4:23irreversíveis, né? As crenças elas podem
- 4:25ser um pouco mais difíceis de serem
- 4:27lidadas e serem flexibilizadas. Elas
- 4:30levam sim um certo tempo. Elas têm uma,
- 4:34elas precisam de compromisso, né? e
- 4:36repetição para serem modificadas ao
- 4:38longo da nossa história, mas é possível,
- 4:40né? E considerando que a gente ainda tem
- 4:42muita vida pela frente, muitos anos de
- 4:44vida pela frente, por que não olhar para
- 4:46isso, né? Porque é uma coisa é fato, em
- 4:48qualquer situação que a gente esteja,
- 4:49para qualquer lugar que a gente vá, o
- 4:51nosso corpo, a nossa cabeça, o nosso
- 4:54cérebro vai estar lá junto com conosco.
- 4:57Então, se a gente não está lidando com
- 4:59isso de uma forma saudável, a gente vai
- 5:02continuar sofrendo, a gente vai
- 5:03continuar sendo saudável. Toda vez que a
- 5:06gente fala de crenças, a gente também
- 5:08entra em contato com toda uma história
- 5:10de vida da pessoa. Porque, de novo,
- 5:12ninguém pensa e se comporta do jeito que
- 5:15pensa e se comporta à toa, né? As
- 5:17pessoas têm toda uma, não é nem uma
- 5:18justificativa, mas é uma história de
- 5:20vida mesmo, uma história de
- 5:21desenvolvimento que ampara isso. Então,
- 5:24uma coisa interessante sobre crenças é
- 5:26que muitas vezes quando a gente começa a
- 5:28acessar elas e começa a chegar mais
- 5:31perto, a encarar elas de frente,
- 5:33primeiro ponto aqui, a gente costuma ter
- 5:35reações emocionais mais intensas. Então,
- 5:37quando a gente acessa crenças
- 5:39disfuncionais e que geram sofrimento, a
- 5:41gente tende a ter reações emocionais
- 5:43mais intensas. Então, a gente chora, a
- 5:45gente sua frio, enfim, né? Porque a
- 5:48gente não gosta de entrar em contato com
- 5:51isso e por isso geralmente a gente não
- 5:53entra em contato com as crenças centrais
- 5:55no dia a dia, né? E por isso vem as
- 5:57crenças intermediárias e os pensamentos
- 5:59automáticos, de certa forma encobrindo
- 6:01as crenças centrais que a gente tem. Mas
- 6:03além da questão da reação emocional
- 6:06intensa que a gente tem, a gente tem
- 6:08também eh uma questão importante que é
- 6:10tendo uma crença, a gente vai estar
- 6:12sempre buscando mecanismos de
- 6:14confirmação para confirmar aquela crença
- 6:18e fortalecer ela. Ou seja, a partir do
- 6:20momento que a gente tem uma crença, a
- 6:22gente olha pro mundo e pras situações de
- 6:24forma a confirmar aquilo que a gente que
- 6:26a gente já acredita. Porque lembra, o
- 6:29nosso cérebro ele já ele automatiza essa
- 6:32forma de pensar para facilitar o
- 6:34trabalho dele, porque pensar e repensar
- 6:36a todo momento gasta muita energia. E de
- 6:39novo, vale lembrar que essa crença em
- 6:41algum momento da sua vida, em algum
- 6:42momento da sua história, ela já foi
- 6:43funcional, ela já te ajudou. eh, a gente
- 6:46tende a olhar pro mundo do jeito, não do
- 6:49jeito que o mundo é, mas do jeito de
- 6:50acordo com o nosso olhar. Só que além
- 6:52disso, a gente tende a olhar pro mundo
- 6:55de forma a confirmar as crenças que a
- 6:57gente já tem. E aí, se a gente tem
- 6:59crenças disfuncionais e que geram
- 7:01sofrimento, geralmente a gente vai
- 7:03captar mais aquelas situações que
- 7:07fortalecem essa crença e que torna eh a
- 7:10gente vai colocar isso, essa nova
- 7:12situação, como mais uma evidência de que
- 7:14a gente tá certo. E aí vem muitas vezes
- 7:16naquelas frases do tipo: "Tá vendo,
- 7:18fulana, eu falei para você, tá vendo? Eu
- 7:21estava certo sobre isso, porque aquela
- 7:23pessoa que ela já tem uma crença, uma
- 7:25definição muito enraizada e tudo que
- 7:28acontece, ela vai encaixando, né, nessa
- 7:30caixinha de ó lá, bate com a minha
- 7:32crença. Ó lá, tá vendo como eu não tava
- 7:34errado? Ó lá, tá vendo como eu não sou
- 7:36louco, louca de alguma forma. Ao mesmo
- 7:38tempo, conforme a gente vive, a gente
- 7:40tem situações que não só confirmam nossa
- 7:42crença, mas que vão ao contrário dela,
- 7:45né? Então, muitas situações positivas,
- 7:47inclusive que a gente poderia estar
- 7:49enxergando e nem sempre a gente enxerga.
- 7:51Então, vamos supor que a crença ela é
- 7:54esse pedaço. Então, tudo que acontece,
- 7:56que confirma ou que vai de encontro com
- 7:58a minha crença, eu encaixo nisso aqui,
- 8:01né? É, é como se fosse realmente um
- 8:03quebra-cabeças. Então, ela consegue
- 8:05encaixar perfeitamente, né? essa
- 8:07situação consegue encaixar perfeitamente
- 8:09na crença que eu já tenho. Porém,
- 8:11todavia, contudo, conforme a gente vai
- 8:13vivendo e se relacionando com as pessoas
- 8:14no dia a dia, a gente tem acesso a
- 8:17situações que não são só ruins, né, e
- 8:19que confirmam as nossas crenças
- 8:21automáticas e as nossas crenças
- 8:22centrais. A gente tem acesso também a
- 8:25situações boas que refutam, que batem de
- 8:28frente com as nossas crenças. Então, a
- 8:31gente tem alguns movimentos. Nós temos a
- 8:33crença central. Quando acontece alguma
- 8:35situação que confirma essa crença, a
- 8:37gente vai lá e encaixa isso, né? E
- 8:40geralmente a gente pontua isso paraa
- 8:42pessoa. Olá, fulana, tá vendo? Eu não
- 8:44tava louco, né? Tá vendo como exatamente
- 8:47isso eu tinha falado para você? Eu sabia
- 8:49que isso ia acontecer. Então é aquela
- 8:50certeza, é aquela garantia que a gente
- 8:53tem das coisas. E quando acontece alguma
- 8:55situação no dia a dia, a gente usa isso
- 8:57para reforçar e usar como mais uma
- 9:00evidência de que essa crença de fato
- 9:01estava certa. E aqui a gente tá
- 9:03reforçando a nossa crença, que muitas
- 9:04vezes pode ser disfuncional ou estar
- 9:06gerando algum sofrimento. Percebe? Aí a
- 9:09gente tem também situações no dia a dia
- 9:11que não são exatamente ruins, né? Que
- 9:14não geram sofrimento, mas então elas
- 9:17refutam, elas batem de frente com a
- 9:19crença que a gente já tem. E aí a gente
- 9:21tem dois movimentos aqui, né? duas
- 9:24reações psicológicas muito comuns, que é
- 9:26ou a gente ignora essa situação, ou
- 9:28seja, isso não está no nosso radar, a
- 9:30gente não traz isso pro nosso modelo
- 9:32cognitivo, pro nosso modelo mental, ou
- 9:35então a gente pega essa situação e a
- 9:37gente distorce. E é daí que vem o termo
- 9:41distorões cognitivas. E existem vários
- 9:43mecanismos, né, pelos quais a gente faz
- 9:45isso. Então, a gente pode pegar essa
- 9:47situação e distorcer ela para aquilo
- 9:50então ficar um pouquinho mais próximo da
- 9:52minha crença e aí eu consigo encaixar na
- 9:54crença que eu já tenho. Vou dar um
- 9:55exemplo prático aqui para ficar mais
- 9:56fácil de todo mundo entender. Então eu
- 9:59vou trazer um exemplo agora de um livro
- 10:01que é clássico para quem trabalha com o
- 10:03TCC, que é esse livro aqui escrito pela
- 10:06Judit Beck, que é a filha do Aron Beck,
- 10:08que é o criador da TCC, né, que é o
- 10:10terapia cognitivo comportamental. E esse
- 10:13livro é voltado para os terapeutas.
- 10:15Então não te aconselho, né, a comprar
- 10:17desse livro porque ele é muito, ele tem
- 10:18uma linguagem mais técnica. Então para
- 10:20quem é leigo nem precisa, né, desse
- 10:22nível de profundidade. Mas vamos lá. Eu
- 10:24quero trazer um exemplo. Quando eu falo
- 10:26de pecinha de quebra-cabeça, é mais ou
- 10:28menos isso aqui que eu quero dizer, ó.
- 10:30Tá vendo? Aqui é a crença e aqui é a
- 10:33partezinha de encaixar, né? As
- 10:35evidências que sustentam essa crença.
- 10:38Então, como eu sei que vocês não
- 10:39conseguem ler, depois eu posso até
- 10:41disponibilizar pelo menos essa parte
- 10:44para vocês. E aí me falem, né? Me deem
- 10:45um feedback ali, seja aqui nos
- 10:47comentários ou lá no WhatsApp, se vocês
- 10:49querem isso também. O exemplo de crença
- 10:51que ele dá aqui é: "Sou incompetente". E
- 10:53aí tem, por exemplo, uma situação no dia
- 10:55a dia que a pessoa tem dificuldade de
- 10:57ler um texto. E aí, geralmente, qual que
- 10:59vai ser a fala dela, a percepção dela? Ó
- 11:01lá, Gabriela, tá vendo? Esse texto é
- 11:03muito difícil. Eu não consigo entender.
- 11:05Eu já li 500.000 vezes e ainda assim eu
- 11:07não captei, eu não retive a informação.
- 11:10Tá vendo? Eu sou muito incompetente nas
- 11:12coisas que eu faço. De novo, aquela
- 11:13sensação de que eu não dou conta do
- 11:15recado, percebe? Então, é uma situação
- 11:17do dia a dia que reforça uma crença que
- 11:19já está ali. Outra situação de exemplo,
- 11:22tô pensando em pedir um empréstimo do
- 11:24banco, ó lá. Mas tá vendo? Se eu tô
- 11:25precisando pedir um empréstimo do banco,
- 11:28é porque eu não dei conta de lidar com
- 11:30isso, com isso daqui que eu tenho, né? É
- 11:33porque eu não dei conta das minhas
- 11:35finanças, é porque eu não me organizei
- 11:36direito, tá vendo? Eu sou incompetente.
- 11:39Outra situação, sessões com cliente
- 11:41correram bem. Vamos supor aqui que a
- 11:43pessoa trabalha com concessão ou até
- 11:45psicólogo mesmo. Então aconteceu ali a
- 11:48situação de eh essa pessoa ter sessões
- 11:50com cliente e as sessões foram muito
- 11:52bem. Só que ele não reconhece isso
- 11:54porque daí ele pensa: "Tá, correram bem,
- 11:56mas é porque essa pessoa tá tentando me
- 11:58enganar. A pessoa fala que ela gostou
- 12:00ali do meu trabalho, da minha proposta
- 12:02na hora, só que depois, Gabriela, eu sei
- 12:04o que que ela faz. Ela some, né? Eu
- 12:06mando mensagem no WhatsApp, ela não
- 12:08responde a minha mensagem, ela não
- 12:09responde a minha proposta. Tá vendo? Sou
- 12:12incompetente. Então, perceba aqui, a
- 12:14pessoa pegou uma situação positiva do
- 12:16dia a dia, uma coisa que foi bacana, ou
- 12:18seja, você conseguiu conduzir muito bem
- 12:20a sessão, só que a pessoa distorce isso,
- 12:22ela diminui isso para que isso consiga
- 12:25caber na crença de que ela é uma
- 12:26incompetente. Outro exemplo, né, que ele
- 12:29traz aqui, a mesma coisa. Terminei a
- 12:31leitura do texto, né, um texto difícil,
- 12:33um texto acadêmico, um texto muito
- 12:35técnico, um texto cheio de dados.
- 12:37consegui terminar esse texto. Ah, mas eu
- 12:40demorei muito tempo, então não é válido,
- 12:42né? Eu eu deveria ter lido em menos
- 12:44tempo. As pessoas conseguem ler em menos
- 12:46tempo, eu não. Tá vendo? Isso prova que
- 12:48eu sou incompetente. Eh, e aí ele dá
- 12:51duas outras situações aqui. Por exemplo,
- 12:53ah, terminei a papelada, uma situação,
- 12:55né, do dia a dia, terminei a papelada
- 12:57que eu precisava terminar. Só que aí a
- 12:59pessoa nem reconhece isso, ela nem
- 13:00enxerga isso, né? E principalmente ela
- 13:03não enxerga isso como uma conquista,
- 13:05como um ganho, porque percebe que ela
- 13:07não está com um radar pressionado para
- 13:09isso. E aí eu acho muito legal o jeito
- 13:11que o livro coloca isso, ó, essas duas
- 13:14últimas situações, porque a situação ela
- 13:16bate na crença e volta, ou seja, a gente
- 13:19ignora completamente. Então, quando a
- 13:21gente fala que as crenças elas
- 13:23determinam muitas vezes a forma que a
- 13:26gente olha pro mundo e que a gente não
- 13:28olha pro mundo do jeito que a gente é,
- 13:30mas do jeito que a gente enxerga as
- 13:32coisas, é disso que a gente tá falando.
- 13:34Então, existem situações no dia a dia
- 13:36que vão confirmar ou confrontar as
- 13:39nossas crenças. E quanto mais consciente
- 13:41disso a gente tá e desse mecanismo e de
- 13:43quais são as nossas crenças centrais,
- 13:46mas a gente consegue também ampliar esse
- 13:48radar para começar a questionar e para
- 13:50começar a entender se de fato essa
- 13:53situação é tão ruim ou se de fato essa
- 13:55crença que tá vindo à tona ela é
- 13:57verdadeira, ela é realista ou então se
- 13:59ela é 100% realista, porque muitas vezes
- 14:01ela tem um fundo de verdade. De novo, a
- 14:04nossa crença em algum momento da vida,
- 14:05ela foi funcional para alguma coisa, só
- 14:07que pode ser que nesse momento ela não
- 14:09seja mais. E aí, se a gente não estiver
- 14:11atento a isso, consciente disso, e
- 14:13perceba a palavra que eu tô usando,
- 14:15consciente, não é em estado de alerta,
- 14:16que isso também é um erro muito comum
- 14:18quando a gente começa na terapia com a
- 14:20TCC, porque a gente acha que a gente tem
- 14:22que ficar o tempo todo em estado de
- 14:24alerta para pegar a crença, para não
- 14:26errar nunca ou para est sempre ali
- 14:28flexibilizando. E não é essa proposta. a
- 14:30gente entrar em estado de alerta é
- 14:32diferente da gente estar mais
- 14:34observador, estar mais consciente do
- 14:37nosso funcionamento psicológico. E aí
- 14:38então, sabendo tudo isso sobre crenças e
- 14:40agora de uma forma muito mais
- 14:41aprofundada, uma forma pela qual a gente
- 14:44consegue flexibilizar elas é fazendo uma
- 14:46estratégia que a gente usa na clínica,
- 14:48inclusive é o que guia a terapia e que o
- 14:50terapeuta geralmente maneja muito bem,
- 14:53que é a técnica do questionamento
- 14:54socrático. Então eu vou fazer um outro
- 14:56vídeo agora pr esse daqui não ficar tão
- 14:58longo, explicando o que que é o
- 15:00questionamento Socrático e como você
- 15:01pode aplicar isso aí na sua casa.
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