4. Sempre se ampare na base - SPEC — Transcript
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- 0:00Então agora vamos falar sobre um
- 0:02conceito que todo mundo que tá na
- 0:03terapia sabe praticamente ali de core,
- 0:06principalmente se você faz terapia há um
- 0:07bom tempo, né? Que é o conceito do spec.
- 0:10O spec na verdade qual que é, quais são
- 0:13as iniciais dele, né? Então S, P e C, S
- 0:17de situações, P de pensamentos, E de
- 0:20emoções e C de comportamentos. Porque na
- 0:23TCC a gente tem aquele pressuposto,
- 0:25aquele conceito inicial de que não é a
- 0:28situação em si que gera o nosso
- 0:30sofrimento, mas a forma que a gente
- 0:32pensa, que a gente interpreta essa
- 0:34situação, que vai impactar diretamente
- 0:36na forma que a gente se sente e se
- 0:38comporta. Se você for procurar na
- 0:40literatura mais séria, mais científica
- 0:42da TCC, você não vai achar esse nome. O
- 0:45nome que você vai achar é modelo ABC,
- 0:47que é um dos principais modelos. E é daí
- 0:50que veio o spec. Mas basicamente o que
- 0:52eu fiz foi traduzir isso pro português e
- 0:54colocar em colunas para facilitar a
- 0:56aplicação por parte dos clientes. Uma
- 0:58coisa importante aqui é notar as
- 1:01palavras que a gente usa. Eu brinco com
- 1:03os meus clientes que eu sou muito, eu
- 1:04tenho um preciosismo muito grande com as
- 1:06palavras que eu uso e com a comunicação,
- 1:08porque isso é bastante importante. A
- 1:10gente não está falando aqui que o
- 1:12pensamento determina a forma que a gente
- 1:14se sente e a forma que a gente se
- 1:16comporta, mas ele impacta, ele
- 1:17influencia diretamente nessas outras
- 1:20instâncias. Tá? E por que que eu tô
- 1:22falando que isso é muito importante?
- 1:23Porque lá no começo da TCC a gente
- 1:25acreditava que o o pensamento, a partir
- 1:28do momento que a gente muda o
- 1:29pensamento, a gente muda todo o resto. E
- 1:31quem faz terapia sabe muito bem que não
- 1:33é tão automático e tão mágico desse
- 1:35jeito. Quem dera se fosse. Então, é
- 1:37bastante importante a gente usar as
- 1:39palavras corretas até para colocar metas
- 1:41mais realistas e mais fidedignas na
- 1:44nossa cabeça e não ficar se cobrando por
- 1:46uma coisa que a gente acha que é aquilo,
- 1:49mas na verdade não é. Se a gente for
- 1:51parar para pensar, para analisar mais a
- 1:53fundo, é fácil entender o por que esse
- 1:56pensamento, esse pressuposto, ele é
- 1:58aplicado e a gente parte dele como base
- 2:00da TCC. Porque quando a gente pensa numa
- 2:04numa situação, as pessoas não reagem e
- 2:07não se sentem da mesma forma perante a
- 2:09mesma situação. Então, se uma situação
- 2:12gera emoções e comportamentos
- 2:14diferentes, distintos para cada pessoa,
- 2:16existe alguma coisa aí no meio que
- 2:18talvez a gente não está conseguindo
- 2:20acessar. Existe alguma coisa aí no meio
- 2:22que talvez esteja também diferindo de
- 2:24pessoa para pessoa que às vezes a gente
- 2:26não tem acesso, que justamente é o
- 2:28pensamento, ou seja, a mensagem que
- 2:31passou na cabeça da pessoa, o
- 2:32pensamento, a lembrança, a memória, a
- 2:36imagem mental, a hipótese que ela tem.
- 2:39Então, tudo isso que eu tô falando aqui,
- 2:41toda essa listinha de coisas, né? Então,
- 2:43o que o nosso cérebro processa, o que
- 2:45passa pela nossa cabeça, a gente
- 2:47basicamente chama, coloca ali na coluna
- 2:49coluna de pensamentos e a gente vai
- 2:51chamar de cognição. Eu não vou falar
- 2:52sobre processos cognitivos agora. A
- 2:54gente tem uma lista de processos
- 2:55cognitivos, como memória, linguagem,
- 2:58etc. Não vou entrar nesse mérito, tá? É,
- 3:01é muito aprofundado, é muito técnico
- 3:02porque a gente quer fazer aqui, tá? Mas
- 3:05é é bom que vocês saibam que tudo que o
- 3:06nosso cérebro processa, tudo que passa
- 3:08pela nossa cabeça, a gente coloca nessa
- 3:10parte de pensamento. Então o pensamento
- 3:12ele não é só a frase pronta, ele também
- 3:15é imagem, hipóteses. Então hipóteses
- 3:18sobre o futuro. Quem é ansioso sabe
- 3:20muito bem disso. Memórias do passado que
- 3:22a gente fica ruminando e revisitando a
- 3:24todo momento e tá fixo, preso naquilo.
- 3:26Quem tem depressão costuma ter bastante
- 3:29esse modelo cognitivo, esse modelo
- 3:30mental. Então, a forma de pensar, ela
- 3:33também vai impactar diretamente na forma
- 3:35que a gente se sente e na forma que a
- 3:36gente se comporta. E aqui um adendo
- 3:39interessante também de fazer é que cada
- 3:41transtorno, cada questão psicológica,
- 3:43né, e mesmo que você não tenha o
- 3:45transtorno, diagnóstico em si, você pode
- 3:47ter traços de, né, então,
- 3:49características ali mais associados a um
- 3:51transtorno ou outro. Mesmo que você não
- 3:53feche diagnóstico, é interessante a
- 3:55gente entender qual que é o seu modelo
- 3:57cognitivo, a forma de você pensar e
- 3:59quais são as suas tendências. Porque
- 4:01você entendendo isso, você consegue
- 4:03identificar na hora que aparece e mudar
- 4:05em tempo real. E é assim que a mudança
- 4:07acontece. O autoconhecimento,
- 4:09autoconsciência, ela vem em primeiro
- 4:12lugar, ela vem antes da mudança, porque
- 4:14é por meio dessa autoconsciência, por
- 4:15meio de entender os meus padrões que eu
- 4:17consigo identificar quando eles vêm e
- 4:19mudar eles em tempo real. Quando a gente
- 4:22fala de modelo cognitivo, a gente tá
- 4:24falando basicamente sobre toda essa gama
- 4:27de pensamentos e tendências que a pessoa
- 4:29tem de interpretação sobre ela, sobre as
- 4:32pessoas e sobre o mundo. Então, a gente
- 4:34sempre olha para esse tripé, a gente
- 4:35chama de modelo cognitivo, esse tripé
- 4:38que a gente sempre vai analisando e
- 4:39ajudando o cliente a mapear ao longo da
- 4:41terapia de quais são as principais
- 4:43crenças, regras, pressupostos,
- 4:46pensamentos automáticos que eu tenho a
- 4:48respeito de mim, das pessoas e sobre o
- 4:50mundo. Então, vou pegar um exemplo aqui.
- 4:52Uma pessoa que tem uma tendência mais
- 4:54melancólica, mais depressiva, ela tende
- 4:56a ter um modelo cognitivo mais voltado
- 4:59pro pessimismo, mais voltado pra
- 5:00melancolia, mais voltado para aquilo que
- 5:02está dando errado. Não é que a pessoa
- 5:04ela quer ser assim, mas ela já se
- 5:06acostumou a ser assim, seja por conta da
- 5:09história de vida, seja pelo ambiente que
- 5:11ela tá inserida, seja por todos os as
- 5:13influências que ela teve e talvez
- 5:15continua tendo ao longo da vida. Fato é,
- 5:18essa pessoa ela tem um modelo cognitivo,
- 5:21uma percepção muito característica da
- 5:23depressão. Assim como a pessoa ansiosa,
- 5:26ela tem eh bastante medo e bastante
- 5:29dúvidas, bastante questionamentos sobre
- 5:31o futuro. Ela tem uma necessidade de
- 5:34garantia sobre o que vai acontecer,
- 5:36precisa ter dados, ferramentas, eh, é é
- 5:39é muito difícil ela operar com ideias
- 5:42apenas, né? ou então ela fica se
- 5:44preocupando, ruminando aquela
- 5:45preocupação. Então vira uma preocupação
- 5:47crônica, uma preocupação ao longo de 24
- 5:50horas, né? E não apenas 1 hora, 2 horas
- 5:53que ela senta para se planejar, para
- 5:54programar. Então ela estende aquela
- 5:57preocupação por muito mais tempo e aí
- 5:59pode estender também para diversas áreas
- 6:01da vida, não para uma só. Então, a gente
- 6:03tem características aí mais ansiosas de
- 6:05uma pessoa que já tem uma tendência
- 6:07maior para ansiedade. Então, dito esses
- 6:10conceitos, agora eu quero mostrar na
- 6:11prática e de uma forma mais lúdica, de
- 6:13uma forma mais aplicada como que a gente
- 6:16observa isso e como você também pode
- 6:18fazer essa autoanálise aí desse outro
- 6:20lado. Então, vamos lá. M.
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