2) Tratamentos: pacientes com dor crônica — Transcript
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- 0:01Os sejam muito bem-vindas.
- 0:03Então, hoje a gente vai dar sequência do
- 0:04nosso treinamento e a gente vai abordar
- 0:07especificamente o tratamento da dor
- 0:09crônica. Antes de mais nada, alguns
- 0:12recadinhos. Então, primeiramente, pra
- 0:14gente já começar, né, não se esqueçam
- 0:17deixar um like aqui nesse vídeo, certo?
- 0:19E quem não é inscrito, se inscreva no
- 0:21meu canal, assim vocês sempre vão ficar
- 0:22por dentro, ok? Bom, e vamos lá. Então,
- 0:26a aula de hoje também vai ter um e-book,
- 0:28ele vai ser enviado apenas nos grupos de
- 0:30WhatsApp, OK? Então, no nosso primeiro
- 0:32dia, a gente falou sobre a terapia
- 0:34comportamental dialética, sobre manejo
- 0:36da regulação emocional. Ah, amanhã a
- 0:38gente vai abordar TCC clássica e
- 0:40ativação comportamental. Especificamente
- 0:42hoje a gente vai abordar a dua crônica,
- 0:44que é o manejo dela na perspectiva da
- 0:46terapia comportamental de perdão, na
- 0:49terapia de citação, compromisso, a ART,
- 0:51fazendo desde já uma ressalva que alguns
- 0:53estudos novos estão saindo, né, ã, com
- 0:56algumas novidades em relação também dor
- 0:58crônica, não somente na ACT, mas na TCC
- 1:00clássica, mas especificamente hoje a
- 1:03gente vai abordar a ACT, que também tem
- 1:04alta eficácia pra dor crônica, certo?
- 1:08Muito bem. Então, bom, eh, pra gente
- 1:11começar, né, eu sempre gosto de lembrar
- 1:14para todo psicólogo que normalmente o
- 1:16psicólogo, ah, às vezes o psicólogo diz:
- 1:18"Poxa, mas eu não quero atender dor
- 1:21crônico, né? Não é uma coisa presente no
- 1:23meu consultório, mas aí que tá, né? Eh,
- 1:27provavelmente a dor crônica, né, vai tá
- 1:30presente no seu consultório
- 1:33inevitavelmente.
- 1:34Por quê? Bom, a dor crônica ela afeta
- 1:37cerca de 20 a 40% da população mundial.
- 1:40Então, imaginem só como todas as pessoas
- 1:43no mundo hoje em que vivem com algum
- 1:44tipo de dor. E no Brasil
- 1:46especificamente, a gente tá falando de
- 1:47mais de 60 milhões de pessoas com dor
- 1:49persistente. Ah, e isso significa que,
- 1:52independentemente da sua especialidade,
- 1:53se você atende, ah, não sei, depressão,
- 1:57ansiedade, né? H, seja você um psicólogo
- 1:59clínico, hospitalar, você vai encontrar
- 2:02pessoas comor crônica, quer queira, quer
- 2:05não. Então, me pensem comigo, né? OK.
- 2:09Inevitavelmente eu eu vou atender um
- 2:11paciente que tem dor crônica como queixa
- 2:13principal. Olha, eu vim buscar terapia
- 2:14porque eu tenho dor crônica ou
- 2:16alternativamente, né, eu vou me deparar
- 2:18com um paciente que talvez me procurou
- 2:19porque tem depressão, né, mas aparece
- 2:22ali a dor como fator secundário e que
- 2:25mantém, né, fator fator de manutenção
- 2:27dessa depressão. Mas e aí? Mas e você,
- 2:31você tá preparado? Se amanhã esse
- 2:33paciente chegar no seu consultório, você
- 2:35tem treinamento? Você realmente tá
- 2:37pronto para atender esse paciente? Você
- 2:40foi treinado em como manejar, aplicar
- 2:42esse protocolo.
- 2:44A pessoa chega no seu consultório e
- 2:45fala: "Psicólogo, psicóloga,
- 2:48olha, eu tenho dor já faz 10 anos,
- 2:52tentei de tudo e nada funciona." Que que
- 2:55você vai fazer? Aplicar TCC clássica, as
- 2:58técnicas de relaxamento, encaminha.
- 3:02Bom, então isso é um ponto importante,
- 3:04né? Ah, a dor crônica afeta uma um
- 3:07grande número de pessoas.
- 3:09Inevitavelmente a gente vai se deparar
- 3:11com ela no consultório. E ela é uma
- 3:14epidemia silenciosa que cada vez mais
- 3:16cresce no mundo, cada vez mais ela é um
- 3:19dos motivos de incapacitação para as
- 3:21atividades diária, causa de afastamento
- 3:23do trabalho e também causa, né? Vamos
- 3:26colocar entre aspas, porque nenhum
- 3:28transforme mental é causado
- 3:29especificamente por um único fator, mas
- 3:31ela tá diretamente relacionada a
- 3:32depressão e ansiedade também. Então,
- 3:35independentemente de qualquer
- 3:36circunstância, você vai se deparar com a
- 3:38dor crônica, né? E o risco do psicólogo
- 3:40hoje não saber lidar com dor crônica é
- 3:43imenso, né? Ã, vejam só o que que pode
- 3:46acontecer. Imagina que o paciente vem e
- 3:49você não domina essa abordagem. Então,
- 3:51sendo brutalmente sincera com você, você
- 3:54não ser capaz de abordar a dor crônica,
- 3:57você vai reforçar a evitação dessa
- 3:58pessoa, piorar o quadro dela. você pode
- 4:02perder aqueles pacientes que te
- 4:04procuraram por ansiedade, depressão,
- 4:06outra questão, e que tem ali, né, talvez
- 4:07como comoridade um tipo de dor crônica,
- 4:10ah, você vai se sentir inseguro,
- 4:12impotente diante do sofrimento e você
- 4:14vai acabar encaminhando todos esses
- 4:15pacientes, né, que você poderia
- 4:18facilmente, talvez, transformar a dor
- 4:20dele, transformar em uma outra coisa.
- 4:22Bom, então, ã, é importante, né, que
- 4:26você tenha ferramentas adequadas para
- 4:28dar com esses pacientes, porque eles são
- 4:29inúmeros, né, eles vêm são numerosos nos
- 4:32nossos consultórios. E quando a gente
- 4:34fala de dor, às vezes a gente associa
- 4:36muito com a fibromialgia, né, mas na
- 4:38verdade não. O fato é que a dor crônica
- 4:41ela afeta de ela tem vários quadros que
- 4:43são associados a ela. A gente pode
- 4:45pensar em mulheres com endometriose, ah,
- 4:48em pessoas que tem alguma questão dor
- 4:49lombar, ã, hérneas, enfim. né? Além
- 4:52também das doenças crônicas, certo?
- 4:55Então, necessariamente a gente tem que
- 4:57estar preparado, a gente tem que tá
- 4:59pronto para lidar com esse paciente. Mas
- 5:01aí eu pergunto para vocês, né? Eh, que
- 5:05que a gente faz, então, como que a gente
- 5:07lida com essa questão da dor? Como é que
- 5:09eu vou lidar com aquele paciente que
- 5:11chega ali com o impacto psicológico
- 5:14devastador, né? Dor crônica, ela não é
- 5:17só física, isso é importante. Por que
- 5:19que psicólogo trabalha com dor crônica?
- 5:21Porque ela não é só física, ela rouba a
- 5:23identidade do paciente. Olha, eu era
- 5:26saudável, agora eu sou doente. Ela
- 5:28destrói relacionamentos, deixa a pessoa
- 5:30em evitação, me esquiva, ela aniquila a
- 5:34autoestima. Eu sou um peso, eu sou um
- 5:37fardo pra minha família, ela gera
- 5:39desesperança.
- 5:41Então, imagina só se depois de hoje
- 5:44vocês pudessem de algum modo ter mais
- 5:47recursos, mais habilidades para ajudar
- 5:49aquele paciente com dor a voltar a
- 5:51trabalhar, a pesar da dor, a ver aquele
- 5:54senhor talvez com artrite eh reumatoide,
- 5:57brincando com os netos dele de novo,
- 5:59transformar vidas que estão paradas há
- 6:01anos. E a s a vai se resar, vai te dar
- 6:03exatamente isso, algumas principais
- 6:05ferramentas, né? Nenhuma promessa vazia
- 6:08de eliminador, porque nem sempre é
- 6:09possível e não era da nossa competência,
- 6:11mas ajudar as pessoas a viverem
- 6:13plenamente, mesmo com dor. E aqui que
- 6:16entra a terapia de aceitação e
- 6:19compromisso. Vocês conhecem ela? Sim.
- 6:24Não? Comentem aqui no chat. Quero saber.
- 6:30Muito bem. Pessoal, então, em primeiro
- 6:32lugar, a ACT, ela não é só uma técnica,
- 6:35né? Ela não é uma técnica, ela é uma
- 6:37mudança completa de paradigma. Enquanto
- 6:40as outras abordagens teóricas elas
- 6:42tentam eliminar a dor de algum lugar,
- 6:44seja porque eu tô ansiosa, porque eu tô
- 6:47tendo aquele pensamento, né? ou tô
- 6:49deprimida porque eu não vejo valor em
- 6:51mim mesma. A AT te ensina, na verdade, a
- 6:54viver plenamente
- 6:56apesar de qualquer tipo de dor. Seja uma
- 6:59dor que acontece baixo da sua pele
- 7:00emocional ou seja uma dor física, né?
- 7:04Então eu pergunto para vocês, vocês
- 7:06estão prontas? E aí, estão preparados
- 7:08para aprender uma abordagem teórica que
- 7:10vai revolucionar não só o tratamento da
- 7:12dor, mas também a sua compreensão do
- 7:14sofrimento humano? Porque o que eu vou
- 7:16ensinar hoje não é só sobre dor, é sobre
- 7:17a condição humana. É como a gente pode
- 7:20ter uma vida significativa, mesmo quando
- 7:23a cura não é possível, mesmo sem
- 7:24conseguir eliminar o sofrimento. E
- 7:26spoiler, todo mundo aqui em algum
- 7:30momento vai precisar dessas habilidades
- 7:34para nosso paciente, pros nossos entes
- 7:36queridos ou pra gente. Então vamos
- 7:39começar.
- 7:40Muito bem, pessoal. Então, antes de mais
- 7:43nada, né, a terapia deção em
- 7:45compromisso, ela vai chamar a gente para
- 7:47olhar pro sofrimento humano, né? O que
- 7:50que isso significa? Ah, se a gente parar
- 7:52para pensar, a nossa vida, ela é um
- 7:54acúmulo de experiências opostas,
- 7:57polarizadas e dicotômicas, né? Ah, ela
- 8:01vai ser a soma de coisas
- 8:02extraordinárias, incríveis, ah,
- 8:05entrelaçadas de uma forma ali
- 8:07inseparáveis, né? Eh, mas ao mesmo tempo
- 8:11a nossa vida também vai ter por outro,
- 8:13por um outro lado, em um outro polo, uma
- 8:15grande carga de sofrimento. A vida de
- 8:17todo mundo vai ser assim. Então, ao
- 8:19longo da vida, a gente pode experimentar
- 8:22a alegria de ter um sucesso
- 8:23profissional, eh, a satisfação, a
- 8:26felicidade, né, o coração quentinho de
- 8:27acordar do lado da pessoa que a gente
- 8:29ama. A gente vai ter momentos de conexão
- 8:31profunda com a família, com os amigos,
- 8:34com o cachorro. A gente vai ter
- 8:36felicidade de fazer viagens descobertas.
- 8:39Mas é a vida da gente. A gente também
- 8:42vai experimentar coisas ruins. Seja
- 8:45talvez um fracasso financeiro, a prega
- 8:48de um grande amor, um luto que parece
- 8:51insuperável, solidão, vê as pessoas que
- 8:54a gente ama morrendo. Então, se você é
- 8:57uma pessoa normal, se você respira, você
- 9:00já passou por coisas terríveis, tristes,
- 9:04devastadoras e ao mesmo tempo
- 9:06extraordinárias. Mas vejam só, olhar
- 9:10essa verdade inconveniente sobre a vida
- 9:13que a gente não consegue separar a nossa
- 9:15vida do sofrimento, eliminar o
- 9:17sofrimento dela,
- 9:19é o que ajuda a gente entender que ao
- 9:21mesmo tempo que viver é terrível, também
- 9:24é incrível. É uma síntese dialética. A
- 9:27nossa vida carrega duas verdades
- 9:29opostas. E entender isso e mudar nossa
- 9:32relação com o sofrimento ajuda a gente
- 9:34também se orientar melhor em relação à
- 9:36vida. Então, observe uma coisa, quase
- 9:39tudo que torna a nossa vida
- 9:41significativa vem com um lado muito
- 9:44doloroso. Por exemplo, quero ganhar
- 9:47dinheiro. É bom ganhar dinheiro, sim,
- 9:49mas eu preciso trabalhar, estudar. Para
- 9:52isso, eu vou ter que abrir mão de
- 9:53momentos de lazer com a família. OK? Eu
- 9:57quero talvez, ã, não sei, eh, parar de
- 10:01fumar, OK? vai me trazer saúde, vai me
- 10:04trazer economia, mas ao mesmo tempo eu
- 10:07vou ter abestinência, talvez algum
- 10:08prejuízo social. Então, inevitavelmente
- 10:11tudo na vida da gente vem com um lado
- 10:13muito doloroso, certo? E principalmente
- 10:16quando não são pequenas coisas, como
- 10:17fumar, talvez, mas coisas
- 10:19significativas. Então, o fato é que
- 10:22viver e principalmente ser feliz causa
- 10:25muita dor para todo mundo. E vejam só,
- 10:29né?
- 10:30Não tem como ser de outro jeito. E aí,
- 10:32né, que que eu faço? Como que eu lido
- 10:34com isso? É aí então que a ACT, a
- 10:37terapia de citação em compromisso, ela
- 10:40entra.
- 10:46Bom, então o que que a ACT propõe pra
- 10:48gente, né? É exatamente aqui que ela
- 10:50entra. Ela reconhece que o sofrimento
- 10:52humano, ele faz parte da nossa
- 10:54existência e ele tenta e ela tenta
- 10:56ajudar a gente a conduzir a vida apesar
- 10:59do sofrimento e das dificuldades
- 11:01inerentes a ela. Afinal, se por em uma
- 11:04mão a gente carrega sofrimento, na outra
- 11:06a gente também tem possibilidade de
- 11:07carregar felicidade. Então a ACT
- 11:10reconhece que uma parte significativa do
- 11:12nosso sofrimento, ela vem também de
- 11:14emoções dolorosas, ela vem de
- 11:16pensamentos. Imagine só que no dia mais
- 11:18feliz da sua vida, talvez no seu
- 11:20casamento, na sua formatura, você tá lá,
- 11:23está feliz. Mas por um momento, se você
- 11:26pensa, poxa, eh, é o dia mais feliz da
- 11:29minha vida e eu queria que talvez um
- 11:31ente querido, minha avó, meu avô que
- 11:34faleceu, tivesse aqui e não tá, então
- 11:37automaticamente a sua cabeça, sua mente,
- 11:40ela é capaz de gerar dor. Então,
- 11:43inevitavelmente, né, a gente precisa
- 11:45aprender, então, como não eliminar esses
- 11:47pensamentos, que não é possível, mas
- 11:49como reduzir a influência que eles têm,
- 11:51né, ah, sobre a nossa vida, já que eles
- 11:54são inevitáveis, já que a nossa cabeça,
- 11:56a nossa mente é capaz de gerar dor o
- 11:57tempo todo. E o convite da Arte é que a
- 12:00gente possa então reconhecer que alegria
- 12:02e uma vida significativa, elas coexistem
- 12:05com sofrimento. Mas mais que isso, ela
- 12:07quer colocar o paciente em contato com
- 12:09aquilo que realmente importa na vida
- 12:11dele, certo? a gente vai entender isso
- 12:13um pouquinho melhor, tá? Mas como que
- 12:16então isso vai tá alinhado com a questão
- 12:18da dor, né? Eh, isso vai fazer sentido.
- 12:22Então, vamos lá. Primeiramente, eh, a
- 12:25arte, ela não tem como objetivo, como
- 12:27propósito, eliminadoa. Ao contrário da
- 12:30maioria das abordagens teóricas que
- 12:31tentam eliminar, curar, tratar a dor, o
- 12:35objetivo dela, que na verdade é mudar a
- 12:37relação que a paciente tem com a dor,
- 12:40certo? Então, normalmente a gente vive
- 12:43na psicologia na premissa lógica de que
- 12:46a gente precisa controlar e eliminar a
- 12:48dor. E faz sentido de uma certa forma.
- 12:51Afinal de contas, é lógico, se uma coisa
- 12:53tá causando sofrimento, o instinto é
- 12:55combater aquilo, é resolver aquilo. Mas
- 12:58aqui que tá o problema. Presta atenção,
- 13:00porque isso é fundamental.
- 13:03Eh, vejam só o que que a gente vê, na
- 13:05verdade é que normalmente tentar
- 13:09controlar e tentar eliminar a dor é o
- 13:12que gera mais sofrimento. Pensem na dor
- 13:14crônica. Ela é uma coisa que pode ser
- 13:16gerenciada, mas não curada. Mas quais
- 13:20são os defeitos adversos dela na minha
- 13:21vida? Bom, eu vou talvez então parar de
- 13:25brincar com os meus netos, vou me isolar
- 13:27em casa, ficar quietinho, porque eu
- 13:29tenho dor. Mas percebem que quanto mais
- 13:31eu tento controlar aquilo, eu não
- 13:32somente não sou capaz, talvez, mas isso
- 13:35me gera mais dor, não talvez do ponto de
- 13:37vista físico, ou talvez até que sim, mas
- 13:40do ponto de vista também daquilo, porque
- 13:42me tira aquilo que importa para mim,
- 13:43certo? Então, o que que a gente faz com
- 13:46uma coisa que não pode ser totalmente
- 13:47controlada? Pensa comigo, se uma coisa
- 13:50não pode ser controlada, o sofrimento, a
- 13:52dor, e mais você tenta controlar, é como
- 13:54se você tivesse tentando segurar água,
- 13:56né, com suas mãos abertas. Quanto mais
- 13:59você coloca a mão, água na sua mão e
- 14:00tenta apertar os dedos, mais a água vai
- 14:03escapar entre eles. Quanto mais você
- 14:05força, mais frustração você sente, mais
- 14:07energia você gasta e menos água você
- 14:09consegue manter. Então, a proposta da
- 14:11ACT é que parece contrainttuitivo, mas a
- 14:14ideia é que a gente consiga mudar a
- 14:16relação com a dor. Então, ao invés de
- 14:18focar na eliminação da dor, o objetivo
- 14:21da ACE é ajudar o paciente com dor
- 14:24crônica a ter uma vida rica e
- 14:26significativa
- 14:28com a dor presente.
- 14:30Que que isso parece para vocês? Faz
- 14:33sentido? Ana, você tá doida? Como assim?
- 14:36E aí, comentem aqui no chat.
- 14:43Bom, então quando eu digo para vocês,
- 14:45né, que existe uma diferença na forma
- 14:48com que arte aborda, vejam só, vocês
- 14:51ouviram certo? a gente espera que o
- 14:53paciente ele viva com a dor e não
- 14:55somente apesar da dor. Essa pequena
- 14:58diferença de preposição, ela vai
- 15:00carregar uma mudança filosófica
- 15:02profunda. Quando a gente fala apesar da
- 15:04dor, a gente ainda tá colocando a dor
- 15:06como uma inimiga, como uma coisa que tem
- 15:09que ser vencida para que a vida então
- 15:11aconteça. Mas quando a gente fala com a
- 15:14dor, a gente tá reconhecendo que a vida
- 15:17e a dor elas podem consistir e que uma
- 15:20não precisa eliminar a outra. Então,
- 15:22centenas de estudos mostram pra gente
- 15:24que a aceitação, né, eu aprender a viver
- 15:27com a dor, ah, vai me ajudar muito mais
- 15:30a não limitar minha vida e melhorar
- 15:32minha relação com a minha própria
- 15:33percepção de dor. Então, não tô dizendo
- 15:35que a dor vai necessariamente diminuir
- 15:37com tratamento psicológico. Às vezes
- 15:39diminui, às vezes não, mas o que muda é
- 15:42a relação, é a vida da pessoa com essa
- 15:44dor. Imaginem só por um momento.
- 15:46iniciador, né? Ao invés de ser o final
- 15:48da estrada do paciente, pudesse se
- 15:50tornar o combustível para ele ter uma
- 15:51jornada totalmente diferente. E se nós
- 15:53psicólogos, ao invés da gente ficar
- 15:56tentando, né, gastar nossa energia, os
- 15:58nossos recursos, tentando apagar o fogo,
- 16:00a gente aprende a usar esse fogo então
- 16:02para aquecer como se fosse uma lareira,
- 16:04né, iluminando o caminho do paciente.
- 16:07Então essa mudança de paradigma, sair da
- 16:09perspectiva de uma terapia que vai
- 16:11tentar curar, tratar dessa forma, né,
- 16:13eliminar a dor para uma perspectiva na
- 16:16qual a gente vai tentar lidar com a dor,
- 16:18conviver com a dor, ela tem explicações
- 16:21práticas profundas da forma que então eu
- 16:23vou conduzir meu tratamento. E a gente
- 16:25deixa de lado um modelo de diagnóstico,
- 16:27sintoma e cura. E a gente abraça então o
- 16:29modelo no qual a gente vê pessoa,
- 16:32contexto e funcionamento. E aqui tá a
- 16:35beleza da arte, gente. Quando a gente
- 16:37para de lutar uma guerra que é
- 16:39impossível,
- 16:42a gente não tem como vencer, certo? A
- 16:45gente consegue então liberar recurso,
- 16:47energia para lucar com o paciente,
- 16:49batalhas que realmente importam. Faz
- 16:51sentido para vocês?
- 16:54Sim.
- 16:55Não, também tem aqui. Muito bem, vamos
- 16:59então entrar na AT. Que que isso quer
- 17:01dizer?
- 17:06Então, esse que vocês estão vendo aqui
- 17:07no meus slides, meu slide, é o exaflex,
- 17:10é o hexágono de flexibilidade
- 17:12psicológica. É assim que a ACT entende o
- 17:14paciente. E o que que isso significa?
- 17:17Vejam só,
- 17:20flex, ele vai representar, ele é
- 17:21representado por esses seis processos
- 17:22centrais, né, que eles representam
- 17:24flexibilidade psicológica. Ah, então
- 17:27quando eu falo que eles são centrais,
- 17:29que que isso significa? Que esses
- 17:31processos eles vão ser o motor de
- 17:33mudança na ACT, né? Aquilo que vai ser o
- 17:36principal ponto de mudança ali para essa
- 17:38abordagem teórica. E no centro desses
- 17:41três processos, quando eles estão aqui,
- 17:42né, nesse hexágono, a gente tem o que se
- 17:44chama flexibilidade psicológica. E ela,
- 17:47por sua vez, é a capacidade que o
- 17:49paciente tem de entrar em contato com o
- 17:51momento presente, de forma plena, como
- 17:53um ser humano consciente e persistindo,
- 17:56dar o comportamento dele a favor daquilo
- 17:58ali que importa, serviço daquilo que
- 17:59importa. Complexo?
- 18:02OK. Vamos destrinchar isso aqui um
- 18:04pouquinho. Então, primeiramente, nesse
- 18:06exágono a gente tem a aceitação. O que
- 18:09que é aceitação, né? Eh, vamos lá, né?
- 18:13Na ACT, aceitação não é resignação
- 18:15passiva, não é ai, tá aquela frase que a
- 18:18gente fala, ai, fazer o quê? Aceita que
- 18:20dói menos. Ã, não, não é isso, né?
- 18:23Definitivamente não. Na ACT, aceitação é
- 18:26o abraço, né? consciente das
- 18:29experiências privadas, daquelas coisas
- 18:30que acontecem embaixo da minha pele, que
- 18:32são desconfortáveis, aqueles pensamentos
- 18:34que pesam, aquelas emoções
- 18:35desconfortáveis,
- 18:37ã, tudo aquilo ali que é desconfortável.
- 18:39Quando eu me abro e abraço isso, aceito
- 18:42que aquilo faz parte da minha história,
- 18:43da minha vida, sem tentativa de mudar
- 18:46sua frequência, sua forma, eu tô em
- 18:47aceitação. Por exemplo, imaginem vocês
- 18:51que vocês estão dirigindo, dirigindo pro
- 18:53trabalho e vocês ficam presos num
- 18:55congestionamento. Terrível, né? Tem duas
- 18:58opções. Primeiramente, vocês podem
- 19:00passar 50 minutos buzinando, xingando,
- 19:03trocando de faixa, desesperadamente,
- 19:05portando outro carro, porque acha, ah,
- 19:06de carro vai mais rápido, car mais
- 19:07devagar, se estressando, gastando uma
- 19:09energia enorme, tentando controlar uma
- 19:11coisa que tá fora do seu controle
- 19:15ou alternativamente
- 19:18aceitar que o trânsito tá parado, ligar
- 19:20um podcast interessante, respirar fundo
- 19:23e usar esse tempo de uma forma
- 19:24diferente. Então, a aceitação é o
- 19:27reconhecer que, ok, essa é a realidade.
- 19:30Agora, eu não gosto,
- 19:33eu não escolhi, mas eu mas ela tá aqui.
- 19:37Então, como que eu vou me relacionar com
- 19:38ela de uma forma que não piore a minha
- 19:40situação? Percebam? Isso aqui é uma
- 19:43escolha ativa, corajosa,
- 19:46inteligente. Então quando aqui é quando
- 19:48a gente de repente não consegue
- 19:50controlar o contexto, mas a gente de
- 19:52repente consegue mudar a nossa relação
- 19:55com ele, certo? E no contexto da dor
- 19:57crônica, que a gente pode pensar?
- 20:00Imaginem só um paciente com fibromialgia
- 20:02que acorda com dor. Esse paciente,
- 20:05talvez uma moça, ela pode passar o dia
- 20:07inteiro lutando mentalmente contra a
- 20:09dor. Por que eu?
- 20:12Poxa vida, por que que isso tá
- 20:14acontecendo comigo?
- 20:16Eu não aguento mais. Eu quero que essa
- 20:18dor pare agora. Eu não suporto mais
- 20:20isso. Isso queria uma camada adicional
- 20:23de sofrimento.
- 20:24Percebem? Além da dor física, existe uma
- 20:27dor emocional também.
- 20:30Mas e se essa pessoa, se essa moça, ela
- 20:32fosse capaz de mudar a relação dela com
- 20:34essa dor que é crônica e talvez pensar:
- 20:37"Tá, eu acordei, a dor ela tá aqui hoje
- 20:40mais uma vez, eu não gosto disso."
- 20:44Mas, sei lá, talvez enquanto eu luto
- 20:47contra ela, eu perco energia que eu
- 20:49poderia estar usando para fazer outras
- 20:50coisas, coisas mais significativas,
- 20:54mesmo com a dor presente.
- 20:56Então, ah, muitas vezes os pacientes
- 20:58eles a gente tem essa possibilidade,
- 21:01talvez a gente não vai eliminar a dor,
- 21:04na verdade não, mas a gente consegue
- 21:06ajudar essa outra perspectiva, essa
- 21:08outra possibilidade. Ao invés de tentar
- 21:11desligar a sensação constante, né, a
- 21:14percepção constante de poxa, tô com dor,
- 21:16deixa eu prestar atenção nisso, deixa eu
- 21:17ficar o tempo inteiro concentrada na
- 21:19minha dor e como eu não suporto isso, a
- 21:21gente pode redirecionar a atenção dele
- 21:24ou ensiná-lo a fazer isso, certo? Muito
- 21:27bem. Processo número dois, desfusão
- 21:30cognitiva.
- 21:31Então, a desfusão cognitiva, ela vai
- 21:34basicamente envolver, alterar algumas
- 21:37funções indesejadas dos nossos
- 21:38pensamentos, não a forma do pensamento
- 21:40ou a frequência que eles aparecem. que
- 21:43eu quero que meu paciente aqui na
- 21:45desfusão, ele observe os pensamentos
- 21:47dele apenas como um pensamento, como um
- 21:50evento mental e não como uma verdade
- 21:52absoluta sobre a realidade. Por exemplo,
- 21:55se eu tiver o pensamento eu sou
- 21:57incompetente, a fusão cognitiva, oposto
- 22:00de fusão, seria eu reagir a esse
- 22:02pensamento como ele se for como ele,
- 22:03como se ele fosse um fato. Que que isso
- 22:05significa? Eu penso que eu sou
- 22:07incompetente, então eu passo a me
- 22:09comportar como se eu realmente fosse
- 22:11incompetente. Eu começo a evitar
- 22:13desafios, hã, eu procrastino, eu me
- 22:16isolo. E a desfusão, por outro lado,
- 22:19seria eu reconhecer. Eu tô tendo o
- 22:22pensamento de que eu sou incompetente. É
- 22:24diferente eu pensar, eu estou tendo um
- 22:27pensamento de eu sou incompetente.
- 22:29Percebem isso? No primeiro caso, eu sou
- 22:32o pensamento. Já no segundo, eu tenho
- 22:35pensamento. Faz sentido para vocês? É a
- 22:39diferença de você tá dentro de um carro
- 22:40em movimento versus você tá no, de
- 22:43repente tá do lado de de fora desse
- 22:45carro simplesmente vendo ele passar. E a
- 22:47desfusão na arte, as estratégias de
- 22:49desfusão cognitiva, elas elas visam
- 22:51criar uma distância saudável para
- 22:54permitir que a gente escolha o que como
- 22:55responder esses pensamentos que surgem.
- 22:58E no contexto da dor crônica, a gente
- 22:59pode pensar, por exemplo, eh, numa
- 23:02pessoa com dor lombar crônica, né, e que
- 23:05constantemente pensa:
- 23:09"Minha coluna tá destruída, qualquer
- 23:12movimento vai piorar tudo." Então,
- 23:15quando eu tô fundido com esse
- 23:17pensamento, né, a pessoa ela para de se
- 23:19movimentar completamente. Ela começa de
- 23:22repente a ter medo do movimento. E a
- 23:24desfusão seria então ela reconhecer, eu
- 23:27estou tendo pensamento catastrófico
- 23:28sobre a minha coluna, é um pensamento,
- 23:31não necessariamente é um fato médico,
- 23:32conforme o médico já me orientou, né? E
- 23:35isso permite que a pessoa ela consegue
- 23:37fazer movimentos graduais, seguros,
- 23:39quebrando o ciclo do medo, evitação e
- 23:42incapacidade, certo? Bom, a gente também
- 23:46tem então o terceiro processo que a
- 23:47gente chama de mindfulness. E o que que
- 23:49seria mindfulness? Vocês sabem?
- 23:56E aí, comenta aqui no chat que é
- 23:57mindfulness.
- 24:04Bom, mindfulness significa você tá com
- 24:07atenção presente, ã, conectado com a
- 24:10experiência no momento, né? Não
- 24:12significa você não ter memórias, não
- 24:14fazer plano pro futuro, não se
- 24:16programar, mas significa você ter
- 24:17capacidade de direcionar sua atenção
- 24:19plenamente para onde você tá aqui agora.
- 24:22eh, quando isso for útil, né? Ou seja,
- 24:24vou planejar o futuro, vou vou
- 24:25direcionar minha atenção para lá, porque
- 24:27eu preciso me planejar. Imaginem uma
- 24:29pessoa, por exemplo, tentando ter uma
- 24:30conversa importante com o filho, mas
- 24:32enquanto mentalmente pensando numa
- 24:35discussão que teve com o chefe, né?
- 24:37Então, ao mesmo tempo também essa pessoa
- 24:39tá preocupada com uma apresentação no
- 24:40trabalho que ela tem que fazer amanhã.
- 24:42Essa pessoa não tá presente, ela tá
- 24:44perdendo a oportunidade de conectar
- 24:46genuinamente com o filho no momento
- 24:48único que existe, que é agora. Já no
- 24:50contexto da dor crônica, o que que a
- 24:52gente pode pensar, né? Eh, imaginem só
- 24:55uma pessoa com enxaqueca, uma pessoa que
- 24:58tem crises constantes de enxaqueca. Ela
- 25:00tá ali durante um jantar importante para
- 25:02ela, um jantar em família e mentalmente
- 25:05ela tá se comparando. Poxa, eh, há 5
- 25:09anos antes do testador eu conseguia
- 25:11aproveitar, eu conseguia ser mais feliz
- 25:14aqui. Eh, ah, e que droga, né? Eh,
- 25:18amanhã essa minha dura ainda pode
- 25:19piorar. Será que eu vou conseguir
- 25:21trabalhar? Será que eu vou conseguir tá
- 25:23bem? Poxa, como é que vai ser o meu
- 25:24futuro? Como é que vão ser os outros
- 25:26momentos que a minha família vai ser
- 25:26sempre assim? Vou tá sempre com dor?
- 25:28Então, vejam só, enquanto essa pessoa tá
- 25:31ruminando o passado ou pensando sobre um
- 25:34futuro, né, catastrófico, ela perde o
- 25:37momento presente, ela perde a relação
- 25:40com a família, as conversas, sorrisa,
- 25:42conversa.
- 25:44Bom, a dor tá lá, é fato, mas ao mesmo
- 25:48tempo tem vida que tá acontecendo agora
- 25:50no momento presente. É nesse momento que
- 25:52a gente quer que o paciente esteja em
- 25:53contato for útil e importante. OK? Bom,
- 25:58a gente também tem um processo que se
- 25:59chama self como contexto ou enfim, né?
- 26:03ou eu como contexto. Esse processo, por
- 26:06sua vez, pessoal, presta atenção, ele
- 26:08ajuda a gente experimentar a distinção
- 26:11entre um pensamento e uma emoção
- 26:13observado e a pessoa que observa. É a
- 26:16diferença entre eu sou ansioso e eu sou
- 26:21alguém que está sentindo ansiedade
- 26:24agora. Percebem a diferença? Bom, é como
- 26:27se fosse o céu, né? Eu sempre gosto de
- 26:29trazer analogia paraos meus alunos, né?
- 26:32Ah, a gente imaginem só o céu, a gente
- 26:34tá, o céu tá lá, né? A gente não pode
- 26:36tocar, encostar porque não é uma coisa
- 26:38material concreta, que tem o céu. A
- 26:41gente tem estrelas, tem nuvens, a gente
- 26:43tem o clima que muda o tempo inteiro,
- 26:45mas o céu, independentemente da estação
- 26:47do ano, independentemente do clima, ele
- 26:49sempre continua sendo o céu. Que que
- 26:52isso quer dizer? Os pensamentos, as
- 26:54emoções, as sensações que a gente sente,
- 26:57elas são como o clima. Às vezes uma
- 26:58tempestade violenta, às vezes nublado,
- 27:00às vezes um sol radiante, mas o céu não.
- 27:04O céu, o clima muda, o céu não. O céu
- 27:06permanece, o céu contém o clima. Ou
- 27:10seja, vocês ou os pacientes de vocês não
- 27:13são as experiências temporárias, a
- 27:15ansiedade, o luto, a raiva, a tristeza.
- 27:17Vocês são o espaço consciente onde essas
- 27:20experiências acontecem. E no contexto da
- 27:22dor crônica, muitas pessoas com dor
- 27:24crônicas, com dor crônica, dizem: "Eu
- 27:28sou um paciente com dor. Eu sou uma
- 27:29pessoa incapaz, eu sou uma pessoa
- 27:31talvez, né, de fal muito pejorativa,
- 27:34muito triste, inválida. Eu não sou como,
- 27:36eu não sou o que eu fui. Mas vejam só, a
- 27:39dor acaba se sonhando. Então, a
- 27:41identidade completa daquele paciente,
- 27:43mas ele é muito mais que isso. Ele é
- 27:46alguém que, dentre muitas outras
- 27:48experiências de vida, tá experimentando
- 27:51a dor. Mas ele não é só isso. É como se
- 27:54a dor fosse uma nuvem cheia, uma
- 27:56tempestade passando pelo céu, intensa,
- 27:59desconfortável, mas não define o céu.
- 28:02Aquela nuvem, ela vai passar também. e
- 28:04ela não define quem a pessoa é, certo? E
- 28:07a gente também tem mais um processo que
- 28:10são os valores. Vejam só o que que são
- 28:13valores. Essencialmente eles são como
- 28:15direções livremente escolhidas, né? Ah,
- 28:19eventualmente que guiam as nossas ações,
- 28:21nossos comportamentos. Eles são como
- 28:24pontos numa búsula. Bom, a gente sempre
- 28:26pode ir pro norte, né? A gente sempre
- 28:28pode caminhar naquela direção. Então, os
- 28:30valores eles guiam a gente, eles não são
- 28:32objetivos. Por exemplo, eu posso me
- 28:34dirigir para uma cidade ao norte, certo?
- 28:37Se eu for para uma cidade, se você sair
- 28:39da sua casa e fala: "OK, vou paraa
- 28:40primeira cidade ao norte da minha
- 28:42cidade", enfim, você consegue? Sim, isso
- 28:46é um objetivo. Mas o valor, né, seria
- 28:49como algo muito maior do que isso. Seria
- 28:52como você se direcionar pro norte. O
- 28:53norte não tem fim, isso é algo maior,
- 28:55isso é uma direção, mas ir para uma
- 28:58cidade especificamente que fica ao
- 29:00norte, isso é um objetivo. Te aproxima
- 29:03do valor, daquilo que é maior, mas não é
- 29:05ah o objetivo, o valor em si mesmo, o
- 29:08norte em si mesmo, ser para próxima
- 29:09cidade. Faz sentido isso para vocês?
- 29:11Contem aqui no chat.
- 29:15Por exemplo,
- 29:16se alguém valoriza eh ser uma mãe
- 29:19presente, isso não significa que é algo
- 29:21que você conquista e sei lá, agora hoje
- 29:25eu fui uma mãe presente, então eu vou lá
- 29:26agora, risco isso da minha lista,
- 29:28consegui. Então, né? É uma coisa que
- 29:30você expressa através de vários
- 29:32comportamentos específicos, dia após
- 29:33dia, situação após situação. E cada
- 29:35conversa com seus filhos, cada jogo,
- 29:38cada momento de escuta genuína, enfim,
- 29:40tudo isso é uma expressão desse valor,
- 29:42né? Cada pequeno objetivo dentro disso é
- 29:45uma expressão desse valor. Então os
- 29:47objetivos eles são finitos, eles
- 29:48terminam, mas os valores não, eles são
- 29:52infinitos, né? Então vamos pensar, por
- 29:54exemplo, uma pessoa, um paciente no
- 29:57contestador crônica, um indivíduo com
- 29:59dor neuropática, né? Talvez ele pode
- 30:01valorizar se era um avô, uma avó
- 30:04participativa. Poxa, antes eu jogava
- 30:06futebol com os meus netos, mas com a dor
- 30:08isso ficou impossível, né? Então o valor
- 30:11continua ser um avô, uma avó
- 30:13participativa continua presente. Só que,
- 30:16né, essa pessoa a partir do momento que
- 30:18ela teve, ela passou a experimentar dor,
- 30:20o que que aconteceu? Ela teve
- 30:21comportamentos na direção oposta desse
- 30:23valor. Percebem? Com isso, minha com
- 30:26minha dor, isso ficou impossível. Então,
- 30:29ah, o que que a gente pode pensar diante
- 30:31disso? Existem formas diferentes, já que
- 30:33o valor de lidar com isso, já que a dor
- 30:35valor continua. Agora, talvez essa
- 30:37pessoa ela possa ensinar, talvez eu não
- 30:40consiga mais na arquibancada jogar
- 30:42futebol, jogar bola com ele no campo,
- 30:44né? Mas eu consigo talvez jogar xadrez
- 30:47com sentado, contar histórias, assistir
- 30:49de repente eh com ele alguma gravação do
- 30:54jogo, eu vou estar presente, vou ser
- 30:55participativo de outras formas. Então o
- 30:58valor ele é uma búscula que ajuda o
- 31:00paciente a encontrar outros caminhos
- 31:02para aquele norte, para aquela direção,
- 31:05quando as outras estradas, os outros
- 31:06caminhos pro norte, pra direção, eles
- 31:08estão bloqueados pela dor. Então, se o
- 31:10seu objetivo é pro norte e a primeira
- 31:12cidade ah que fica ao norte da sua
- 31:15própria cidade tá com caminho bloqueado,
- 31:17você pode pegar um desvio, mas como seu
- 31:19objetivo não é ir para aquela cidade,
- 31:20mas sempre pro norte, você pode ir pro
- 31:21outro desvio e assim sempre se
- 31:23direcionar pro norte, certo? E por
- 31:26último, mas não menos importante, temos
- 31:29então a ação comprometida. Que que é
- 31:31isso? Ação comprometida é como é
- 31:34escolher o curso de uma ação, qual como
- 31:36eu vou me comportar a partir dos meus
- 31:39valores e persistir mesmo quando surgem
- 31:42barreiras internas. Seja um pensamento
- 31:44difícil, uma emoção desconfortável, seja
- 31:47uma sensação desagradável ou seja alguma
- 31:49coisa externa, um obstáculo prático,
- 31:51falta de recurso.
- 32:00É a diferença entre, ah, eu vou fazer
- 32:03atividade física só quando eu tiver
- 32:05motivado e eu vou fazer exercício físico
- 32:08porque eu valorizo a saúde,
- 32:09independentemente de como eu me sinto
- 32:11hoje. Então, a primeira perspectiva, ela
- 32:14é sobre estados internos variáveis. O
- 32:16dia que eu tiver motivada eu faço. Já a
- 32:17segunda eu vou fazer, porque um dos meus
- 32:20valores é saúde. Ela é guiada, é uma
- 32:22ação guiada por uma coisa mais profunda
- 32:24e consistente, certo? Bom, já no
- 32:27contexador crônico, como que a gente
- 32:29observa isso? Por outro lado, vai ser a
- 32:32diferença entre, ah, eu vou à
- 32:34fisioterapia quando eu não tiver com
- 32:35dor, o que pode significar talvez nem
- 32:37nunca ir. E talvez eu vou à fisioterapia
- 32:40porque eu valorizo minha minha
- 32:41mobilidade, a minha independência, mesmo
- 32:44nos dias de dor nível seis, oito, eu vou
- 32:48caminhar por 10 minutos mesmo com dor no
- 32:50quadril, porque o médico determinou, não
- 32:53somos nós psicólogunos que determinamos
- 32:55o que o paciente pode ou não pode fazer
- 32:56do ponto de vista físico, pessoal. Mas
- 32:58enfim, então o médico me liberou, disse
- 33:00que era importante eu caminhar mesmo
- 33:01comor no quadril, porque o valorismo me
- 33:03manter ativo, em vez de esperar o dia
- 33:06mítico no qual eu vou estar sem dor, né,
- 33:09para finalmente poder ir. Faz sentido
- 33:11isso para vocês? Tá claro?
- 33:14OK, entendidos os seis processos. Bom,
- 33:18vamos falar então de desesperança
- 33:19criativa, né? Hã, prestem muita atenção.
- 33:23Ela é um processo, ela é um processo
- 33:25terapêutico absolutamente necessário. E
- 33:27eu quero que também que vocês entendam
- 33:28que não, isso não significa que a gente
- 33:31tá criando desesperança no paciente
- 33:32sobre a vida para nada disso. Bom, o que
- 33:35que a gente quer aqui? Na verdade, na
- 33:37com na desesperança criativa, a gente tá
- 33:40ajudando o paciente a reconhecer com
- 33:42compaixão profunda, ah, que as
- 33:44estratégias antigas de controle que ele
- 33:46utilizava para evitar dor, sofrimento,
- 33:49elas não funcionaram até aqui. A
- 33:51desesperança com as estratégias que ele
- 33:52já usou e que foram ineficazes. Ah, e
- 33:57não só isso, que essas estratégias elas
- 33:58também não são compatíveis com uma vida
- 34:00significativa.
- 34:02Uma analogia, uma metáfora que a gente
- 34:04sempre gosta de usar com esses pacientes
- 34:06é: ã imaginem só vocês, né, nessa
- 34:08metáfora que de repente você cai num
- 34:10buraco profundo e aí você se desespera.
- 34:13Poxa, como é que eu vou sair daqui? E aí
- 34:16você olha pro lado, vê que ali dentro
- 34:17tem uma pá e pensa: "Nossa, eu vou então
- 34:20cavar para tentar sair daqui". Faz
- 34:22sentido, certo? Mas quanto mais você
- 34:26cava tentando subir, mais fundo o buraco
- 34:30fica.
- 34:32Então, o primeiro passo pra gente
- 34:33encontrar uma solução ideal real é parar
- 34:36de cavar, largar a pá. A pá, por sua
- 34:39vez, representa todas as tentativas
- 34:41desesperadas que o paciente tem para
- 34:43tentar controlar a dor e que não
- 34:45funcionaram. Eu não vou mais sair de
- 34:47casa, eu não vou mais me relacionar com
- 34:48as pessoas, eu vou me isolar, já que eu
- 34:50sou um fardo. E às vezes a solução não é
- 34:54fazer mais daquilo que não funciona com
- 34:56intensidade, com mais intensidade. A
- 34:59solução, na maioria das vezes, é fazer
- 35:00uma coisa completamente diferente. Só
- 35:02que para isso, a gente precisa primeiro
- 35:05reconhecer honestamente o que a gente
- 35:07estava fazendo que não tá funcionando.
- 35:09Então, como que é o tratamento? Como que
- 35:11a gente vai manejar isso?
- 35:14Bom, vamos falar então do protocolo de
- 35:16tratamento. Em primeiro lugar, a gente
- 35:18não trata dor crônica sozinho. Eu não
- 35:20posso falar pro meu paciente que é
- 35:22seguro ele fazer tal movimento e tudo
- 35:23mais, apesar da dor, se o médico
- 35:25fisioterapeuta ele não deu orientações
- 35:27em relação a isso, certo? Ã, mas de modo
- 35:30geral, o que que eu preciso então,
- 35:32idealmente? Primeiramente, né, o ideal é
- 35:35que esse paciente ele esteja numa equipe
- 35:36multidisciplinar, que ele tenha um
- 35:38psicólogo ACT para atendê-lo, o
- 35:40fisioterapeuta tratando essa dor, né? H,
- 35:43também o médico que seja atendendo esse
- 35:44paciente, acompanhando essa dor dele, as
- 35:46causas dela, enfim. E a gente também,
- 35:48né, se for possível, dependendo do caso,
- 35:50né, se for necessário um enfermeiro ou
- 35:52até um e ou um terapeuta ocupacional,
- 35:54eventualmente para adaptar alguma coisa
- 35:56que esse paciente necessite, certo? E o
- 35:58tratamento ele vai ter uma estrutura
- 36:01organizada da seguinte forma. Bom,
- 36:04essencialmente ele vai ser ali acontecer
- 36:06em torno de oito sessões
- 36:07aproximadamente, certo? Claro, ele pode
- 36:10variar com uma para algumas sessões a
- 36:12mais, porque como eu disse para vocês na
- 36:14nosso primeiro encontro, ah, eu preciso
- 36:16sempre entender, né, como eu vou
- 36:18adaptar, um dos pilares da psicologia
- 36:19baseada em evidências é adaptar o
- 36:21tratamento, o protocolo pro paciente que
- 36:23tá diante de mim. E alguns pacientes,
- 36:24sim, vão precisar de mais intervenções,
- 36:26de mais técnicas, de mais sessões para
- 36:28fazer alguma coisa que foi muito difícil
- 36:30para ele. Mas via de regra, a gente
- 36:32conta ali com cerca de oito sessões
- 36:34aproximadamente individuais. E essas
- 36:37sessões, pessoais, e essas sessões,
- 36:39pessoal, elas vão ter duração aproximada
- 36:42de 90 minutos, certo? E vão ser
- 36:44realizada semanalmente. E por que isso?
- 36:49Normalmente, né, ah, elas acontecem
- 36:52nesse período, elas acontecem com essa
- 36:54duração superior às outras terapias
- 36:55normalmente, porque a ACT é uma terapia
- 36:58experiencial. A gente precisa de tempo
- 37:01suficiente, não só para explicar os
- 37:03conceitos. Eu vou lá e falo esse
- 37:05conceito é isso, tá? agora vai para casa
- 37:07e faz. Não, né? A gente precisa ajudar o
- 37:09paciente a vivenciar aquilo
- 37:11profundamente durante uma sessão. Então,
- 37:13a sessão de 50 minutos, ela não é
- 37:15suficiente para esse trabalho que a
- 37:16gente tá fazendo na dor crônica, OK?
- 37:19Bom, e também existem intervenções no
- 37:21formato grupal que a gente não vai
- 37:22abordar hoje, ã, mas que também são alt
- 37:27eficazes, né? Normalmente conentes com
- 37:29sessões até de 2 horas me semanais
- 37:32durante oito semanas. Normalmente esse
- 37:34formato ele tem vantagens. O paciente
- 37:36ele percebe que ele não tá sozinho, que
- 37:38tem outras pessoas que também tm aquela
- 37:40luta, aquela experiência, ã, mas ao
- 37:42mesmo tempo é limitada porque não tem
- 37:44menos tempo individual, não tem como
- 37:46manejar questões individuais, né? E ao
- 37:48mesmo tempo pacientes com comorbidades,
- 37:50como depressão, algum transtorno de
- 37:52ansiedade, ah, ou algum outro transtorno
- 37:54como personalidade e tudo mais, eles não
- 37:57são ideais para esse tipo de formato,
- 37:59certo? Então, idealmente a gente conduz
- 38:01ali, né, com a TCC individual. Beleza?
- 38:04Tá fazendo sentido até aqui para vocês?
- 38:07Comentem aqui.
- 38:09E aí, quem entrou atrasado já deixa like
- 38:13aqui no vídeo.
- 38:16Muito bem. Vamos então falar do
- 38:19protocolo de tratamento, certo? Bom, o
- 38:22que que eu faço então nas minhas
- 38:23primeiras sessões com esse paciente?
- 38:26Bom, na sessão um, inicialmente, eu vou
- 38:29construir a relação terapêutica e fazer
- 38:31uma avaliação funcional desse paciente.
- 38:34Nessa primeira sessão ACT, né, da dor
- 38:37crônica, ela é completamente diferente
- 38:39de uma sessão tradicional de CCC
- 38:40clássica. A gente começa, né,
- 38:42primeiramente com o que eu chamo de
- 38:43honestidade radical. Não é só uma
- 38:45estratégia terapêutica, é uma postura
- 38:47ética fundamental com paciente com a
- 38:49crônica. Eh, o que que eu costumo, eu,
- 38:51Anne, né, terapeuta, costumo falar pro
- 38:53meu paciente, olha, ã, eu sei que você
- 38:55já tentou muita coisa para controlar a
- 38:57sua dor. Eu sei que você já gastou
- 38:59dinheiro, tempo, energia, né? Talvez
- 39:02mais doloroso que isso, você já gastou
- 39:04esperança também. E eu não vou mentir
- 39:06para você prometendo que eu vou eliminar
- 39:09sua dor. Isso seria desonesto da minha
- 39:11parte e até cruel. Eu não sou capaz
- 39:13disso, mas eu vou te prometer uma coisa
- 39:16que talvez seja muito mais valiosa. Eu
- 39:18quero te ajudar a construir uma vida
- 39:20rica e significativa, mesmo com a dor
- 39:23presente. Que que vocês acham disso?
- 39:29Que que sugeria em vocês? Comentem aqui
- 39:32no chat. Mais esperança, desespero que
- 39:36aí.
- 39:38E por que que a gente começa assim?
- 39:40Primeiro, essa abertura, ela quebra
- 39:43imediatamente a expectativa de mais um
- 39:47tratamento milagroso mais uma vez. Isso
- 39:50previne a frustração, previne o abandono
- 39:52posterior durante a terapia, após a alta
- 39:55e, segundo, estabelece credibilidade
- 39:57através de honestidade. O paciente
- 39:59percebe que a gente não tá pegando
- 40:01esperança miraculosa igual fazem os
- 40:04coaches.
- 40:06Enfim, terceiro, né, isso já introduz
- 40:09também sutilmente o conceito central de
- 40:11que o objetivo da terapia não é
- 40:13eliminador, mas o funcionamento do
- 40:15paciente, apesar dela, né, e também vai
- 40:17criar uma diferenciamento, uma
- 40:18diferenciação de tratamentos anteriores
- 40:21que ele já pode ter tentado gerando
- 40:22curiosidade, certo? E nessa sessão
- 40:25também, além disso, a gente faz uma
- 40:27avaliação funcional, né? Que que isso
- 40:29quer dizer? A gente tá interessado não
- 40:31só na história da dor, né? Mas em como a
- 40:35dor reorganizou completamente, modificou
- 40:37a vida desse paciente, dessa pessoinha.
- 40:40A gente pode perguntar especificamente:
- 40:43"Olha, me conta tudo sobre a dor, né?
- 40:45Eh, mas mais importante, como que ela
- 40:47afeta cada área da sua vida?"
- 40:49E a gente quer entender o que que essa
- 40:50pessoa parou de fazer por causa da dor,
- 40:53o que que mudou nos relacionamentos dela
- 40:54por causa disso, como que a rotina dela
- 40:57mudou, quais sonhos essa pessoa
- 40:59abandonou, quais tratamentos ela já
- 41:02tentou e o que que aconteceu com cada
- 41:03um. Se a dor desaparecesse magicamente
- 41:06amanhã, o que que essa pessoa faria de
- 41:08diferente? O que que ela iria mudar?
- 41:11Certo? Mas a pergunta mais crucial de
- 41:15toda a primeira sessão é essa. Depois de
- 41:18todos esses tratamentos, todos esses
- 41:20anos de esforço, todo esse dinheiro,
- 41:23essa energia investida, você sente que
- 41:25você ganhou a guerra contra a dor?
- 41:29Essa pergunta, ela tem com objetivo
- 41:31plantar a semente da desesperança
- 41:33criativa [roncando] que a gente vai
- 41:35desenvolver na sessão seguinte, certo?
- 41:40fez sentido para vocês aqui?
- 41:44Bom, um dos inventários que a gente
- 41:46utiliza nessa sessão é o inventário da
- 41:48luta, né? A gente pede pro paciente
- 41:51listar absolutamente tudo que ele já
- 41:53tentou usar para controlar a dor,
- 41:55reduzir ou eliminar ela. Medicação,
- 41:57terapia física, cirurgia, mudança de
- 41:59dieta, suplementa com pintura, massagem,
- 42:02coach quântico, heik com cavalos, enfim,
- 42:05né? Não existem limites paraa
- 42:07criatividade humana para as pessoas que
- 42:08invess tratamentos. né? Mas vamos lá,
- 42:11né? A gente vai tentar entender tudo que
- 42:13ele já fez, até mesmo uma mudança de
- 42:15emprego, parar de frequentar academia,
- 42:18rituais de distração, tudo,
- 42:20absolutamente tudo. Depois, para cada
- 42:22estratégia, a gente vai avaliar três
- 42:25aspectos que são cruciais. A eficácia
- 42:27dessas coisas que ele tentou no longo
- 42:28prazo, funcionou.
- 42:30O custo total disso, quanto que custou
- 42:33em dinheiro, em tempo, em carga, energia
- 42:36emocional? E qual que foi o impacto
- 42:38disso na qualidade de vida dele? Se dor
- 42:40ficou melhor ou mais restrita com essas
- 42:42coisas que você tentou? E esse
- 42:44exercício, gente, é muito bacana, porque
- 42:47normalmente ele gera listas que são
- 42:48realmente impressionantes, né? Vocês vão
- 42:50ficar surpresas quando vocês aplicarem
- 42:52ele. Ã, e não só isso, né? Eh, eu já vi
- 42:56pacientes, por exemplo, que já listaram
- 42:5850 estratégias diferentes com custos que
- 43:01que passavam assim centenas de milhares
- 43:04de reais, né? pessoas que pararam de
- 43:06fazer coisas que a gente nunca imaginava
- 43:08por causa da dor.
- 43:10E o que a gente quer aqui não é criticar
- 43:13os esforços do paciente. O objetivo, na
- 43:16verdade, é criar uma visão clara e
- 43:17objetivo do padrão que não tá
- 43:19funcionando, certo? Então a gente se
- 43:22aprofunda nessas estratégias. vocês, a
- 43:25gente termina também a sessão também
- 43:27sempre validando profundamente. Olha
- 43:29quanto esforço você já investiu. Você
- 43:32incrivelmente corajoso, corajosa,
- 43:34persistente, determinado. Você não
- 43:36desistiu fácil. Isso mostra o quanto que
- 43:39você valoriza sua vida e realmente quer
- 43:41viver plenamente, mesmo com a Luna,
- 43:43certo? Bom,
- 43:47a gente se dirige então depois pra
- 43:49sessão dois. O que que a gente vai fazer
- 43:51na sessão dois especificamente?
- 43:54H, talvez ela seja a mais delicada e
- 43:57crucial de todo o protocolo. É aqui que
- 44:00a gente cria o momento de abertura uma
- 44:02abordagem completamente diferente. Mas
- 44:04cuidado, gente, desesperança criativa
- 44:08não é desencorajar o paciente a a fazer
- 44:11ele desistir da vida, não é isso. Certo?
- 44:15Aqui a gente quer criar desesperança em
- 44:18relação às estratégias que ele já usou e
- 44:19que não funcionaram. entrei no
- 44:21consultório nosso. Hoje a gente quer
- 44:23abrir espaço para uma coisa nova, que
- 44:25ele esteja preparado para abrir mão
- 44:27dessas coisas que ele já tentou e não
- 44:28funciona, não do tratamento médico,
- 44:31deixando isso claro, né? Mas talvez,
- 44:34poxa, eu não vou, eu vou me isolar, vou
- 44:37parar de conviver com os meus amigos por
- 44:38causa dor. Não funcionou, certo? Então,
- 44:42a gente vai começar visitando, revisando
- 44:44o questionário, né, o inventário da luta
- 44:46da sessão anterior, ã, e falando: "Olha,
- 44:49ah, olha essa lista incrível com tudo
- 44:51que você já tentou. Olha quanto esforço,
- 44:53quanto dinheiro, quanta energia
- 44:55emocional você já investiu. Você é
- 44:57realmente é uma pessoa corajosa,
- 44:58determinada." Mas me responde com total
- 45:01honestidade. Depois de todos esses anos,
- 45:04de todo esse esforço, todo esse
- 45:05tratamento, você ganhou a guerra contra
- 45:08dor? E a resposta é sempre não. Até hoje
- 45:12ninguém me respondeu que sim, senão
- 45:14possivelmente não estaria no consultório
- 45:15para tratar dor crônica. E geralmente ah
- 45:18essa resposta ela é sensível, ela vem
- 45:21acompanhada de alguma emoção intensa,
- 45:23tristeza, frustração, às vezes até
- 45:25raiva.
- 45:29E é neste momento, então, que a gente
- 45:31aplica a desesperança criativa de uma
- 45:33forma compassiva e direcionada. A gente
- 45:36não tá só criando uma desesperança sobre
- 45:38a vida, ai nada vai funcionar a
- 45:40possibilidade de felicidade dessa
- 45:42pessoa, não, né? Na verdade, a gente
- 45:45quer abrir espaço para outras coisas. A
- 45:48gente quer criar, na verdade,
- 45:50desesperanças sobre estratégias de
- 45:52controle que até aqui foram ineficazes.
- 45:55E aí uma metáfora muito legal pra gente
- 45:57usar é da areia movediça. Imagina só,
- 46:00né? Você tá caminhando numa trilha muito
- 46:03bonita num dia, está feliz. E de repente
- 46:07você cai numa areia movediça, em areias
- 46:09movediças.
- 46:11Seu instituo natural, completamente
- 46:13compreensível é lutar com todas as
- 46:16forças para sair. É tentar se puxar, se
- 46:18mover dali. Você se debate, você tenta
- 46:21nadar, qualquer coisa, você se esforça
- 46:23ao máximo. Mas o que que acontece quando
- 46:26a gente cai na areia movediça?
- 46:28Vocês sabem?
- 46:31Quanto mais você luta, mais rápido você
- 46:34vai afundar.
- 46:36E a solução contrainttuitiva seria
- 46:37exatamente o oposto. Ã, na verdade, né,
- 46:41seria você parar de lutar, relaxar o seu
- 46:45corpo, distribuir o peso e flutuar. Não
- 46:48é que você desiste de ser removediça,
- 46:51mas você para de fazer aquilo que piora
- 46:53a situação. Talvez até alguém te
- 46:55resgatar, alguém te ajudar também.
- 46:57Certo?
- 46:59Muito bem. Eu vou compartilhar com vocês
- 47:01agora um role playay eh da metáfora do
- 47:04cabo de guerra. a aplicação dela com uma
- 47:06paciente fictícia, certo? Muito bem. Uma
- 47:10paciente que vocês já conhecem de outros
- 47:11carnavais, Ana Laura. Muito bem, então
- 47:14vamos lá. Ã, Ana, você comentou que você
- 47:18passa o dia inteiro lutando contra a
- 47:19dor, tentando controlar ela de todas as
- 47:21formas possíveis, mas conta para mim
- 47:23como é que tem sido essa batalha.
- 47:26Então, tem sido bem exaustível, na
- 47:28verdade, eu acordo já pensando em como
- 47:30que eu vou gerenciar a dor durante o
- 47:32dia. Eu tomo remédios, evito movimentos,
- 47:35cancelo compromissos, mas a dor sempre
- 47:39vence.
- 47:40>> Ana, eu quero que então você imagine o
- 47:43seguinte, vamos usar uma metáfora aqui,
- 47:45né? Eh, imagina que você tá segurando
- 47:48uma corda e do outro lado dessa corda
- 47:50tem um monstro enorme, que no caso é sua
- 47:52dor crônica. E entre vocês dois tem um
- 47:55buraco profundo, né? Conta para mim
- 47:57então o que que você tem feito? Como é
- 47:59que tá essa batalha? Você é de um lado
- 48:01com a corda, esse monstro do outro com a
- 48:02corda.
- 48:05>> Ah, acho que eu tô puxando a corda, né?
- 48:07Com toda a minha força. Eu tô, sei lá,
- 48:09tentando derrotar ali a dor.
- 48:11>> Perfeito. E quando você puxa, o que que
- 48:14o monstro faz?
- 48:16H, ele puxa de volta e às vezes até com
- 48:19mais força.
- 48:20>> Perfeito. Perfeito. Enquanto vocês estão
- 48:23nesse cabo de guerra, onde que tá sua
- 48:24energia? Como é que tá sua vida?
- 48:28>> Hã, toda focada nessa luta,
- 48:31>> tá, Ana? E se a gente pensasse, né, será
- 48:34que se a gente dissesse que tem uma
- 48:36terceira opção? Eh, talvez uma opção que
- 48:39não seja nem vencer e nem perder,
- 48:44>> não? Não sei ali. Não consigo nem pensar
- 48:47assim qual seria.
- 48:49>> E se você soltasse, largasse essa corda?
- 48:53>> Mas se eu soltar, daí a dor vai vencer.
- 48:56>> Vence o qu, Ana? Exatamente o quê? Se
- 48:59você não tá mais no jogo do carro de
- 49:01guerra, o que que ela vence? Pensa
- 49:03comigo, quando você solta a corda, o
- 49:05ainda tá lá?
- 49:08>> Sim, sim. Imagino que sim.
- 49:10>> Tá, mas você tá mais livre para fazer o
- 49:12quê?
- 49:16Ah, para
- 49:18sei para viver, para fazer outras coisas
- 49:22que não seja lutar ali com o monstro.
- 49:25>> Perfeito. Que mais?
- 49:29>> Hã, se eu não tô puxando a corda, eu
- 49:32posso usar minha minhas mãos para outras
- 49:34coisas, né? Eu posso me mover mesmo com
- 49:38um monstro ali perto de mim.
- 49:41>> Perfeito, Ana. Eh, e o monstro sem você
- 49:44do outro lado puxando, que que acontece
- 49:45com ele?
- 49:48>> Ah, ele fica ali. Acho que talvez ele
- 49:51até pare de puxar tanto porque ele não
- 49:54vai sentir mais nenhuma resistência do
- 49:55outro lado, né?
- 49:57>> Perfeito. Perfeito. Ana, você tá
- 49:59percebendo que a intensidade dessa
- 50:01experiência vem justamente da sua luta?
- 50:05>> Assim, eu nunca tinha pensado desse
- 50:07jeito, para ser bem sincera. Até porque
- 50:09é assustador soltar, né? Porque e se a
- 50:12dor piorar?
- 50:14>> Ótima, ótima pergunta, né? Eh, Ana, mas
- 50:17veja só, soltar a corda não significa
- 50:20ignorar a dor ou não cuidar de você,
- 50:22significa parar de organizar toda a sua
- 50:24vida em função dessa batalha. Você ainda
- 50:26pode tomar medicação quando necessário,
- 50:29óbvio, fazer fisioterapia, descansar,
- 50:31mas sem transformar todo dia seu numa
- 50:34guerra, sem deixar de fazer outras
- 50:35coisas na sua vida por causa da dor, sem
- 50:38parar de viver por causa dela.
- 50:41>> Ah, é como se eu pudesse coexistir com a
- 50:44dor sem que ela seja a minha inimiga
- 50:46principal.
- 50:47>> Exato. Exato. E quando você era mais
- 50:50adversária da dor, quem que você poderia
- 50:52ser?
- 50:54Ah, aí eu posso voltar a ser mãe, amiga,
- 50:58a pessoa que gosta de pintar. Faz tanto
- 51:00tempo que eu não penso em mim além da
- 51:02dor.
- 51:03>> Muito bem, pessoal.
- 51:06Bom, vamos então falar agora das sessões
- 51:08três e quatro, especificamente da sessão
- 51:11três. Como que ela é exatamente, né? Que
- 51:14que a gente deveria fazer? Sessão três,
- 51:16a gente vai trabalhar com aquele
- 51:17processo de aceitação. Lembram dele?
- 51:19Bom, a terceira sessão, ela vai marcar a
- 51:21transição daquilo que não funciona para
- 51:24aquilo que a gente pode tentar de
- 51:25diferente a partir de agora. Então aqui
- 51:27a gente vai introduzir o conceito de
- 51:29aceitação, mas de forma experiencial e
- 51:32não teórica conceitual, né? A gente vai,
- 51:35por exemplo, começar com uma
- 51:37brincadeira, na verdade não é uma
- 51:39brincadeira, né? Mas com uma
- 51:40demonstração física poderosa que torna o
- 51:43conceito tangível. Lembram que eu falei
- 51:45para vocês que a actal?
- 51:47Bom, que que isso quer dizer? Então, né?
- 51:50Então, forma da gente demonstrar isso
- 51:52pro paciente de forma experiencial, ao
- 51:53invés de sempre contar para ele o que
- 51:55que é aceitação e tudo mais, é usando a
- 51:57técnica do objeto pesado. Então, o que
- 51:59que a gente faz? H, você pede, né, pro
- 52:02paciente segurar um objeto pesado,
- 52:04qualquer coisa que seja, uma garrafa de
- 52:05água de 2 L, né, que tenha um peso ali
- 52:08significativo com braço completamente
- 52:10esticado, né, segurando paraa frente. Aí
- 52:13você fala: "Olha, segura aqui então". Ã,
- 52:16e me diz, né? Quando começar a ficar
- 52:18difícil, geralmente, né? Ali com um
- 52:21minuto para aproximadamente o paciente
- 52:22já tá com braço tremendo, né? Tentem,
- 52:25vocês, façam isso, peguem um objeto e
- 52:28segurem, estiquem ele e vejam quanto
- 52:31tempo vocês conseguem ficar com ele ali
- 52:33esticado até o verso começar a tremer.
- 52:36Vamos testar, vamos fazer essa experi,
- 52:41hein?
- 52:43Preparados?
- 52:46Sim. Então, tem que ser uma coisa
- 52:47ligeiramente pesada, pelo menos uns 2
- 52:50kg.
- 52:51Muito bem. Então, vamos lá. Segurem aí.
- 52:54Estiquem e continuem.
- 52:58Quando der um minuto eu falo para vocês.
- 53:01Muito bem.
- 53:03Vão observando essa sensação. Continuem
- 53:06segurando mesmo tão desconfortável.
- 53:11Continuem.
- 53:14Mais um pouquinho. Já foi metade do
- 53:16tempo.
- 53:20Muito bem.
- 53:22Mais um pouquinho.
- 53:25Como que vocês estão se sentindo?
- 53:28Tá doendo? Tá pesado? Agora eu queria
- 53:30que vocês pegassem esse objeto que tá
- 53:32distante e trouxesse para perto do
- 53:34peito.
- 53:36Relaxa o ombro, descansa o cotovelo.
- 53:39Vejam só quando isso acontece, quando
- 53:41vocês trazem o objeto para perto e
- 53:43relaxam.
- 53:46Instantaneamente tem alívio. O objeto
- 53:48ficou mais leve?
- 53:50Não, ele continuou tendo o mesmo peso de
- 53:52antes, não ficou mais leve, mas ele
- 53:56ficou mais fácil de carregar, muito mais
- 53:58fácil. Concordam? Então essa é a
- 54:01diferença que a gente quer estar pro
- 54:02paciente entre resistir à dor e aceitar
- 54:07a dor. O peso, a intensidade da dor pode
- 54:10não mudar. Esse paciente ele pode
- 54:12continuar, vai continuar provavelmente
- 54:15tendo essa dor. No entanto, o que que
- 54:17acontece, né? a gente vai mudar a forma
- 54:20com que ele carrega a relação que ele
- 54:23tem com essa dor. Isso pode transformar
- 54:25completamente a experiência dele. Então,
- 54:27quando você resiste à dor, né, a gente
- 54:29diz pro paciente, é como segurar o peso
- 54:32longe do corpo, você gasta energia, eh,
- 54:34você fica, isso fica insustentável
- 54:37rapidamente, mas quando você aceita que
- 54:40você não pode se livrar daquilo e que o
- 54:42peso é aquele mesmo, é como trazer o
- 54:44peso para perto do peito. Ainda tá lá,
- 54:47ainda existe. mas de forma que você pode
- 54:49carregar por muito mais tempo. Bom, faz
- 54:52sentido para vocês? Sim. Não.
- 54:57Muito bem. Bom, existe um outro
- 55:00exercício também muito importante, né,
- 55:02que é o exercício que é a técnica da
- 55:04expansão. E como que ela funciona? Eh, é
- 55:07um dos exercícios mais importantes dessa
- 55:09sessão. A gente convida o paciente ali
- 55:11para fechar os olhos, né? Eh, a gente
- 55:13quer que ele experimente pela primeira
- 55:15vez a aceitação radical eh dessa dor,
- 55:18né? Uma relação completamente diferente,
- 55:19na verdade, radicalmente diferente com
- 55:21essa dor. Ah, e que que eu quero, né,
- 55:23que ele mude a relação dele com essa
- 55:25dor. Então, a gente fala para ele, feche
- 55:27seus olhos, ã, e confortavelmente faça
- 55:30algumas respirações profundas. Eh, agora
- 55:33faça um escaneamento suave pelo seu
- 55:35corpo. Observe onde que a dor tá
- 55:37localizada nesse momento. Não precisa
- 55:39procurar a pior dor. Só observa, né?
- 55:42Olha como você sente esse desconforto
- 55:44agora quando você encontrar me avisa.
- 55:48Bom, então ao invés de tentar empurrar
- 55:50essa sensação para longe, vamos fazer
- 55:52uma coisa diferente. Vamos observar essa
- 55:54dor com curiosidade, como se a gente
- 55:56fosse um cientista ahã estudando um
- 55:59fenômeno interessante. Que forma que
- 56:01essa dor tem? Então, o paciente continua
- 56:03de olhos fechados. Se essa dor fosse uma
- 56:05cor, como que seria a forma dela? Como
- 56:08que se qual qual qual qual que seria se
- 56:10essa dor tivesse uma cor? Qual seria a
- 56:11cor dela? Se ela tivesse uma forma, qual
- 56:13seria essa?
- 56:15Ela é quente, ela é fria? Se tivesse uma
- 56:19textura, é lisa, é áspera?
- 56:24Como que é? Ela se movimenta, ela é
- 56:26pulsante
- 56:28sem tentar mudar nada. Só observa.
- 56:33Agora a gente vai criar um espaço ao
- 56:35redor dessa sensação. Imagina que você
- 56:38tá respirando diretamente para essa área
- 56:41como se você tivesse inflando um balão
- 56:44muito gentilmente ao redor da dor, não
- 56:47para empurrá-la para longe, mas para
- 56:50criar o espaço para ela existir. Então,
- 56:52respire fundo para essa área, criando um
- 56:55espaço, permitindo que a dor esteja lá.
- 56:59Faz sentido para vocês?
- 57:03Então, vejam só, esse exercício ele é
- 57:06frequentemente bastante transformador
- 57:07pro paciente com dor crônica. muitos
- 57:09pacientes eles experimentaram pela
- 57:11primeira vez, né, eh, uma forma de ver
- 57:15sua dor em anos de dor. Eh, não
- 57:17necessariamente uma redução da
- 57:18intensidade, eh, não uma diminuição,
- 57:22acabar com ela, mas talvez uma forma
- 57:24diferente da tensão secundária, da
- 57:26resistência que aquilo ali de que lutar
- 57:28contra aquilo vai se amplificando o
- 57:30sofrimento, certo? Bom, eu vou convidar
- 57:33vocês também para verem agora um vídeo
- 57:36muito importante que eu sempre gosto de
- 57:38compartilhar com os meus pacientes nessa
- 57:40sessão.
- 57:41Ã, é a metáfora do convidado indesejado.
- 57:44Vamos lá, só um minutinho.
- 57:54Vamos lá então.
- 58:24After a while, everyone you're expecting
- 58:27arrived and you're having a really good
- 58:28time. Then the doorbell goes and you
- 58:31think, I wonder who that is. Must be
- 58:33someone I've forgotten about.
- 58:36And it is someone who you definitely did
- 58:39not want at the party. It's your
- 58:41neighbor, Brian.
- 58:43Brian has to be one of the most annoying
- 58:44people you know. He's rude, grumpy, he
- 58:48mo a lot and he's not so flash on
- 58:50personal hygiene. He's the last person
- 58:53you wanted to paron.
- 58:56But before you know it, he goes straight
- 58:58inside without even saying hello.
- 59:03He goes up to your guests and he's rude.
- 59:06He helps himself to drink some food
- 59:11and he generally acts a little weird
- 59:14towards your friends.
- 59:19And understandably, you feel pretty
- 59:21upset, embarrassed, and angry.
- 59:24And before long, you over to Brian and
- 59:26tell him, "That's it. It's time for you
- 59:28to go." And you throw him out of your
- 59:30party.
- 59:31Once he's gone, you feel relieved. You
- 59:34go back to the party and start to enjoy
- 59:36yourself. But after a while, you hear
- 59:38the doorbell again. And when you go to
- 59:40check who it is, you realise Brian has
- 59:42come back.
- 59:46And before you can stop him, he opens
- 59:48the door, races back into the party.
- 59:52So, you go out and get him and throw him
- 59:54out again. This time though, you decide
- 59:57you're going to make sure he doesn't
- 59:59come back. So, you decide to stand by
- 1:00:01the door and make sure he can't get back
- 1:00:03in. And this works fine. Brian can't get
- 1:00:06back in and you feel good about this.
- 1:00:08Trouble is you realise that all the
- 1:00:10while you're missing out on the party.
- 1:00:12You can hear everyone else outside
- 1:00:14having a good time. You want to be out
- 1:00:16of the party too. But because you can't
- 1:00:19stand Brian, you can't risk him coming
- 1:00:21back in again. And you don't know what
- 1:00:23to do. You really want to enjoy the
- 1:00:25party, but the thought of Brian being
- 1:00:27there really gets to you. After a while,
- 1:00:31you realise that actually this party is
- 1:00:33pretty important to you and you want to
- 1:00:35be with your friends and the very least
- 1:00:37just to make sure they're ok. So you
- 1:00:39decide to go back out and you say to
- 1:00:41yourself, "If Brian comes out, that's
- 1:00:43how it goes." And sure enough, after a
- 1:00:45couple of minutes, Brian comes back in
- 1:00:47and starts being annoying again. But
- 1:00:49this time, something's different. You
- 1:00:51don't ignore him because he's pretty
- 1:00:53hard to ignore, but you decide just to
- 1:00:55get on with a party and talk with your
- 1:00:56friends and you start to notice some
- 1:00:58interesting things. First, you find that
- 1:01:01even though Brian is still there, you're
- 1:01:03actually having an OK time. Sure, it
- 1:01:05would be better if you went home, but at
- 1:01:07least you're not stuck at the door
- 1:01:09missing out on the party. Second, you
- 1:01:11notice that when you're not trying to
- 1:01:12get rid of him all the time, he calms
- 1:01:14down a little bit. He's still a pain and
- 1:01:17still smells, but he's not so rowy. And
- 1:01:20then after that, you start to notice
- 1:01:22some other things about Brian you hadn't
- 1:01:24actually seen beforable. Like, has a
- 1:01:26quirky sense of humor, even though it's
- 1:01:28buried pretty deep. It even makes a
- 1:01:30couple of friends of your life.
- 1:01:33And you wonder what you do next time you
- 1:01:36have a party.
- 1:01:41Muito bem, pessoal.
- 1:01:43Muito bem.
- 1:01:45Bom, vamos retomar então
- 1:01:50só um minuto.
- 1:01:57Vamos ver meus slides.
- 1:02:00Muito bem. Bom, ã, então a gente vai
- 1:02:04falar agora da sessão quatro, certo? E
- 1:02:07como que ela funciona, qual o objetivo
- 1:02:09dela? Aqui a gente começa então a
- 1:02:10trabalhar a questão da desfusão
- 1:02:12cognitiva. Aqui eu já quero mudar a
- 1:02:14relação do paciente com os pensamentos
- 1:02:16dele. A quarta sessão, ela é focada
- 1:02:18nessa relação que ele tem, né, com esses
- 1:02:20pensamentos, especificamente em com
- 1:02:23esses pensamentos ligados à dor. Então,
- 1:02:25a gente vai junto ajudar o paciente a
- 1:02:27trabalhar esses pensamentos que ele
- 1:02:28trouxe a à luz de uma nova perspectiva.
- 1:02:31com dor crônica, tipicamente eles
- 1:02:33desenvolvem padrões de pensamento
- 1:02:34extremamente rígidos, fusionados e que
- 1:02:36mantém eles ali com vários
- 1:02:39comportamentos funcionais ativos. Então,
- 1:02:41a nossa meta não é mudar o pensamento,
- 1:02:43assim como a gente faz a ser clássica,
- 1:02:45mas a gente quer mudar essa relação com
- 1:02:47eles. Por exemplo, né? Uma das técnicas
- 1:02:50que a gente pode trabalhar com esse
- 1:02:51paciente é a técnica de repetição de
- 1:02:53palavras ou folhas no rio, né? Que que
- 1:02:55isso significa? Eu quero tirar o peso, o
- 1:02:57sentido daquilo ali. Eu vou demonstrar
- 1:02:59isso para vocês agora para ficar um
- 1:03:01pouco mais claro. Um roleplay também com
- 1:03:03a Ana para que vocês possam entender. Só
- 1:03:07um minuto.
- 1:03:14Bom, Ana, você mencionou que você pensa
- 1:03:17com frequência que você é uma péssima
- 1:03:19psicóloga, né? E eu queria explorar esse
- 1:03:23pensamento com você hoje, mas de uma
- 1:03:25maneira um pouco diferente, né?
- 1:03:29Que que você acha?
- 1:03:40>> Eu não sei se vai ajudar, Jane, porque
- 1:03:42não é só um pensamento, eu me sinto
- 1:03:45mesmo uma péssima psicóloga,
- 1:03:47[suspirando]
- 1:03:47>> tá? Isso é muito importante, Ana. Se
- 1:03:50sente isso profundamente como se fosse
- 1:03:51uma verdade absoluta. É, e eu entendo.
- 1:03:54Mas eu quero te fazer uma pergunta.
- 1:03:56Quando você pensa, eu sou uma péssima
- 1:03:58psicóloga, né? [roncando] De onde que
- 1:04:00você acha que esse pensamento vem? Esse
- 1:04:02é o reflexo exato da realidade ou será
- 1:04:05que pode ser uma história que a sua
- 1:04:07cabeça inventou para tentar te proteger
- 1:04:09de alguma coisa?
- 1:04:12>> Eh, eu nunca pensei nisso assim. é que
- 1:04:15parece tão real assim que eu nem sei.
- 1:04:19Isso faz outro sentido, né? Porque
- 1:04:21assim, a nossa cabeça, ela sempre tá
- 1:04:22contando histórias pra gente. Ela
- 1:04:25inventa histórias sobre a gente, ela
- 1:04:26inventa histórias sobre o mundo, sobre
- 1:04:28as outras pessoas, né? Mas aí que tá,
- 1:04:30Ana, essas histórias que a nossa cabeça
- 1:04:32fica criando, que a nossa mente fica
- 1:04:34formulando, não é porque eu pensei algo
- 1:04:37que eu inventei uma história que ela
- 1:04:38seja verdadeira, né? Então vamos olhar
- 1:04:42com cuidado para essa história e para
- 1:04:44essa ideia, para esse pensamento que
- 1:04:45você me trazendo eu sou uma péssima
- 1:04:46psicóloga, né? Não como a verdade, mas
- 1:04:50como uma coisa que a sua mente tá
- 1:04:51produzindo e que não necessariamente
- 1:04:54você precisa viver daquela forma como se
- 1:04:57fosse estudante da arte. A gente pode
- 1:04:59tentar isso juntas.
- 1:05:02Sei Ane, isso parece bem estranho.
- 1:05:05>> E tá tudo bem parecer estranho, tá? Mas
- 1:05:08vamos olhar para isso como uma
- 1:05:09oportunidade da gente experimentar uma
- 1:05:10coisa nova na terapia, né? Às vezes sair
- 1:05:12da rigidez, aquele aquela forma de
- 1:05:14pensar é o que pode permitir que a gente
- 1:05:17uma forma diferente de relacionar com
- 1:05:19nossos pensamentos, né? Então vamos
- 1:05:21começar observando como que esse
- 1:05:23pensamento surge quando você pensa: "Eu
- 1:05:26sou uma péssima psicóloga". Que que
- 1:05:28acontece na sequência? Como que se
- 1:05:30impacta? O que que você faz? O que que
- 1:05:32você sente? Eu
- 1:05:36me sinto paralisada. Eu começo a lembrar
- 1:05:39de todas as vezes que eu acho que eu
- 1:05:40paguei com os meus pacientes, como
- 1:05:43quando eu não soube o que dizer ou
- 1:05:45quando achei que não fiz, né, diferença
- 1:05:47nenhuma na vida deles. Daí eu evito
- 1:05:51buscar novos casos ou me aprofundar
- 1:05:53mesmo nos casos atuais.
- 1:05:56Ana, e parece que esse pensamento não só
- 1:05:58te machuca, mas parece que ele também
- 1:06:00rouba a tua capacidade de agir, de fazer
- 1:06:02escolhas alinhadas com que é importante
- 1:06:04para você como profissional. Então, eu
- 1:06:07quero te propor uma coisa. Ao invés de
- 1:06:09dizer, eu sou uma péssima psicóloga,
- 1:06:12vamos tentar falar, eu estou tendo
- 1:06:14pensamento de que eu sou uma péssima
- 1:06:15psicóloga. Você pode repetir isso para
- 1:06:17mim?
- 1:06:18>> Ah, eh, eu estou tendo pensamento de que
- 1:06:22eu sou uma péssima psicóloga. E aí, como
- 1:06:25é que isso sua para você?
- 1:06:27Estranho, né? Parece menos, não sei,
- 1:06:30definitivo, mas ainda tá ali.
- 1:06:33>> Uhum. E é normal, tá, Ana? Separar-se do
- 1:06:36pensamento não significa que ele vai
- 1:06:39aparecer de imediato, mas que você tá
- 1:06:41começando a vê-lo pelo que ele realmente
- 1:06:43é um evento mental, né? O pensamento
- 1:06:46pode estar ali, mas ele não é você.
- 1:06:49Certo? Vamos fazer então um pequeno
- 1:06:51experimento. Eu queria agora que você
- 1:06:53fechasse os olhos. Pode ser? E que você,
- 1:06:56vou até pegar meu celular e que você
- 1:06:57repetisse a segunda frase em voz alta
- 1:07:02por alguns instantes.
- 1:07:04Vamos lá.
- 1:07:06Ã, primeiramente, né, deixa eu só pegar
- 1:07:08meu celular para marcar aqui o tempo.
- 1:07:11Beleza.
- 1:07:12Certo. Então, vamos lá, né? H, eu queria
- 1:07:16que você então feche, fechasse os olhos
- 1:07:18e falasse assim para você: "Eu tenho um
- 1:07:20sofá na minha cabeça.
- 1:07:23Tenho um sofá na minha cabeça.
- 1:07:25>> Tá.
- 1:07:27O que que isso parece para você? Como é
- 1:07:29que vocês sou?
- 1:07:31>> Meio bobo. [risadas]
- 1:07:33>> Claro. Tá. E quando você falou isso,
- 1:07:37parte sua acreditou realmente que você
- 1:07:39[limpando a garganta] tinha um sofá na
- 1:07:39cabeça?
- 1:07:41>> Não, claro que não.
- 1:07:42>> Por quê?
- 1:07:44Porque é só uma frase, não tem nada a
- 1:07:46ver com a realidade,
- 1:07:48>> certo? E olha só, e sabe qual que é a
- 1:07:51diferença entre isso e a frase eu sou
- 1:07:52uma péssima psicóloga? Entre: "Eu tenho
- 1:07:54um sofá na minha cabeça, eu sou uma
- 1:07:55péssima psicóloga". É a mesma coisa. É
- 1:07:58feita da mesma substância, do mesmo
- 1:07:59conteúdo. É só uma frase na sua cabeça,
- 1:08:02são só palavras, sons, imagens, são só
- 1:08:06eventos mentais. Mas por que que a
- 1:08:08primeira toque em alguma coisa? Como a
- 1:08:10primeira toca é uma coisa que você
- 1:08:11valoriza muito, a sua mente transforma
- 1:08:13algo imenso
- 1:08:15em algo em algo imenso quase
- 1:08:17indiscutível. O que que isso te diz
- 1:08:19então sobre seus pensamentos?
- 1:08:22E eles podem fazer reais, mas não
- 1:08:25necessariamente são leais.
- 1:08:28>> Isso. Então, o pensamento, eu sou uma
- 1:08:30péssima psicóloga, não precisa ser
- 1:08:32tratado talvez como uma sentença, mas
- 1:08:34como uma coisa que a sua cabeça produziu
- 1:08:36no momento de insegurança e de
- 1:08:38autocrítica.
- 1:08:40Sim. Certo. Vamos dar então um passo a
- 1:08:42lei. Eh, imagina que pensamento. Eu sou
- 1:08:45uma péssima psicóloga como uma frase
- 1:08:47escrita numa folha de papel. Você
- 1:08:49consegue visualizar essa folha agora?
- 1:08:52Feche os olhos, por favor.
- 1:08:55>> Acho que sim. Ela tá ali bem clara.
- 1:08:58Perfeito. Ã, agora imagina essa folha
- 1:09:02ali, né, que você coloca ela num rio que
- 1:09:05ela começa fluir, ela começa a descer
- 1:09:08lentamente com correnteza, está na
- 1:09:10margem, está observando. E o que que
- 1:09:12acontece com a folha, Ana?
- 1:09:15>> Ah, ela vai embora devagar, lentamente,
- 1:09:19mas desaparece por completo de imediato.
- 1:09:23>> Certo. E o que que isso significa?
- 1:09:27Eh, acho que eu consigo ver que é só uma
- 1:09:30frase, eh, algo que passa e que não
- 1:09:34precisa realmente ficar comigo.
- 1:09:37>> Uhum. Certo.
- 1:09:39Então, veja só, o pensamento ele pode
- 1:09:42então continuar existindo, mas você não
- 1:09:44precisa carregá-lo como se fosse uma
- 1:09:46verdade, com uma folha no rio. O rio
- 1:09:48continua vai levando ele embora enquanto
- 1:09:51você segue sua vida na margem. Certo?
- 1:09:55Bom, agora eu queria tentar uma coisa
- 1:09:57diferente com você, né? Vamos tentar. Eu
- 1:10:01queria que você repetisse essa frase. Eu
- 1:10:03sou uma péssima psicóloga em voz alta
- 1:10:07repetidamente por 30 segundos. Você
- 1:10:10topa? E eu quero que você só repita e
- 1:10:13observe enquanto você repete.
- 1:10:18Eh, pode começar.
- 1:10:21>> Uhum.
- 1:10:22>> Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:23péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:25psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:27Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:28péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:30psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:32Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:34péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:35psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:38Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:39péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:41psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:44Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:46péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:48psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:50Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:52péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:53psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
- 1:10:56Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
- 1:10:57péssima psicóloga. Sou uma péssima
- 1:10:58psicóloga. É. Tá ótimo. Muito bem.
- 1:11:03Que que aconteceu? Como que foi isso
- 1:11:06para você?
- 1:11:07>> Parece meio sem sentido assim, como se
- 1:11:10fosse só palavras.
- 1:11:12>> Exato. Isso mesmo, Ana. Olha só. Então,
- 1:11:15quando a gente repete uma coisa, a gente
- 1:11:17começa a perceber que é só uma
- 1:11:19construção mental, né? Uma sequência de
- 1:11:22sons, de símbolos, não é uma ordem que
- 1:11:24você tem que obedecer, não é uma verdade
- 1:11:27absoluta e que nunca vai mudar, né? Pelo
- 1:11:29contrário. Então, o que que você
- 1:11:31percebeu sobre esse pensamento que você
- 1:11:33trouxe hoje no começo da sessão? Eu sou
- 1:11:35uma péssima psicóloga,
- 1:11:37>> tá? Ele não precisa ser tão forte quanto
- 1:11:40eu achava. Ele ainda tá ali, mas ele não
- 1:11:44parece mais tão tão sufocante.
- 1:11:46>> Uhum. Percebe? Isso é um avanço muito
- 1:11:48importante. O objetivo daão é fazer
- 1:11:51esse, não é fazer o pensamento
- 1:11:53desaparecer, não é buscar uma outra
- 1:11:55verdade, mas a gente quer o quê? Reduzir
- 1:11:57o poder que aquele pensamento tem sobre
- 1:11:59você. Então, quando ele voltar, ele vai
- 1:12:02voltar naturalmente. Eu quero que você
- 1:12:04se lembra, eu sou a pessoa na margem, eu
- 1:12:06sou a pessoa que tá observando a folha
- 1:12:08no rio. Eu não sou eu, eu não sou a
- 1:12:11folha no rio. Percebe a diferença? E aí
- 1:12:14eu quero te perguntar, né? O que que
- 1:12:16você, o que que você quer fazer como
- 1:12:18psicóloga mesmo? Quero focar em ajudar
- 1:12:21os meus pacientes sem me punir tanto.
- 1:12:25>> Isso é muito importante. Então, quando
- 1:12:27você deixa de investir o seu tempo
- 1:12:29lutando contra esse pensamento e se foca
- 1:12:32naquilo que é valoroso, aquilo que é
- 1:12:34realmente importante para você, você
- 1:12:35começa uma vida mais alinhada com a
- 1:12:37pessoa que você quer ser. Você começa a
- 1:12:38criar uma vida do jeito que você uma
- 1:12:41vida que vale a pena ser vida, né? Então
- 1:12:44vamos continuar praticando isso juntas.
- 1:12:45Pode ser?
- 1:12:47>> Pode ser sim.
- 1:12:48>> Então tá bom. Muito obrigada. A N.
- 1:12:54Muito bem, pessoal.
- 1:12:57Vamos retomar então.
- 1:13:00Bom, vocês gostam de roleplay? É legal?
- 1:13:04Contem aqui. Mantenham pra próxima aula?
- 1:13:07Não, mantenham? Que que vocês acham?
- 1:13:09Vocês mandam muito bem. Vamos falar
- 1:13:12então agora das sessões cinco e seis,
- 1:13:14certo?
- 1:13:16Hã, muito bem. Então, bom, então a
- 1:13:19sessão cinco e seis, ela vai também
- 1:13:21entrar numa outra perspectiva do
- 1:13:23tratamento. A gente vai sair então agora
- 1:13:25defusão e entrar numa num outro momento.
- 1:13:28Aqui é quando a gente vai começar então
- 1:13:30trabalhar com valores. A gente quer
- 1:13:32ajudar o paciente a se rec todo porque
- 1:13:34ela reconecta o paciente com aquilo que
- 1:13:35dá sentido pra vida dele. E muitos
- 1:13:38pacientes passaram tanto tempo focado em
- 1:13:40controlador que eles perderam
- 1:13:41completamente o contato com aquilo que
- 1:13:43era fundamental para ele. a gente começa
- 1:13:46com uma metáfora, né, que é a festa dos
- 1:13:48anos 80. A gente normalmente fala pro
- 1:13:50paciente, bom, eh, então imagina só que
- 1:13:53você vai viver agora, ah, talvez até os
- 1:13:57seus 80 anos, né? Sua família organiza
- 1:14:00uma grande festa de aniversário para
- 1:14:02comemorar sua vida. Três pessoas que
- 1:14:04você amam profundamente vão fazer um
- 1:14:05discurso sobre você. Mas e aí, que que
- 1:14:08você gostaria que cada uma dessas
- 1:14:09pessoas dissesse? não sobre suas
- 1:14:11conquistas profissionais, dinheiro,
- 1:14:13realizações externas, mas que tipo de
- 1:14:15pessoa que você foi, né? H, que
- 1:14:18qualidades que você demonstrou ou como
- 1:14:20que você tratava as pessoas ao seu
- 1:14:21redor? E as respostas raramente inclu
- 1:14:24nesse momento, ah, ela raramente sentiu
- 1:14:27dor. Ah, ele foi produtivo no trabalho.
- 1:14:29Normalmente foi incluir coisas como, ah,
- 1:14:31eh, eu era uma mãe carinhosa, super
- 1:14:33presente, eu sempre tava disponível
- 1:14:36quando, eh, minha esposa precisava de
- 1:14:38ajuda. Ah, essa pessoa entou dificuldade
- 1:14:41com coragem e dignidade, eh, era
- 1:14:43generoso com o tempo dela e atenção, eh,
- 1:14:46fazia as pessoas se sentirem
- 1:14:47valorizadas, amadas. Então, a gente quer
- 1:14:50trazer essa perspectiva
- 1:14:52justamente a perspectiva dos valores pro
- 1:14:53paciente. E aqui também a gente vai
- 1:14:55trabalhar com uma coisa muito
- 1:14:57importante, certo? Que é a questão da
- 1:14:59exploração dos 10 domínios de valores.
- 1:15:03Vocês vão receber essa técnica ã nos
- 1:15:05ebooks de vocês, que o objetivo aqui
- 1:15:07basicamente é, né? Vocês vão poder
- 1:15:09explorar um pouquinho mais. O que que a
- 1:15:11gente faz nesses 10 domínios? A gente
- 1:15:13vai usar um questionário que cobre 10
- 1:15:15áreas importantes da vida do paciente.
- 1:15:17Relacionamentos familiares,
- 1:15:18relacionamento amoroso, conjugal,
- 1:15:20parentalidade, amizade, trabalho,
- 1:15:23carreira, educação, desenvolvimento
- 1:15:24pessoal, ã, lazer, recreação, diversão,
- 1:15:27espiritualidade,
- 1:15:29saúde, cuidado pessoal, cuidado pessoal,
- 1:15:32envolvimento no comunitária e cidadania.
- 1:15:34Então, nesse questionário, a gente
- 1:15:36sempre vai trabalhar com o paciente
- 1:15:38tentando entender um pouquinho mais, né,
- 1:15:40eh, como que ele gostaria de ser nessa
- 1:15:41área, quais qualidades que ele gostaria
- 1:15:43de expressar e se ele tivesse liberdade
- 1:15:45total, como que ele se comportaria, né?
- 1:15:48E a gente também faz uma pergunta
- 1:15:49crucial para esse paciente. Se você
- 1:15:51nunca se livrasse da dor, esses valores
- 1:15:53deixariam de ser importantes para você?
- 1:15:55Como que seria isso? Bom, vocês vão ter
- 1:15:57a oportunidade de ver um pouquinho mais
- 1:15:59essa técnica numa no ebook que vocês vão
- 1:16:01receber essa essa aula, certo? Muito
- 1:16:04bem, vamos falar então da sexta sessão
- 1:16:07agora. Qual que é o objetivo? Qual que é
- 1:16:09a finalidade dela? Afinal de contas, ã,
- 1:16:12aqui especificamente a gente vai
- 1:16:14trabalhar com que talvez seja um dos
- 1:16:15processos mais profundos da arte, né? Eu
- 1:16:18quero ajudar o meu paciente a conquistar
- 1:16:21uma perspectiva dele mesmo que é maior,
- 1:16:24mais estável que qualquer experiência
- 1:16:26temporária, incluindo a dor, né? Então,
- 1:16:29a gente começa aqui com o exercício do
- 1:16:30eu observador. E essa aqui é uma
- 1:16:32distinção muito importante, né? Eh, os
- 1:16:35pacientes eles passam tanto tempo
- 1:16:36identificados com aquela dor, eu sou uma
- 1:16:38pessoa com dor, eu sou limitado, eu tô
- 1:16:41quebrado, que eles perdem o contato com
- 1:16:44um observador, a parte deles que é
- 1:16:47maior, mais estável e mais constante que
- 1:16:49qualquer experiência particular. E essa
- 1:16:52experiência, essa perspectiva, ela
- 1:16:53permite uma relação radicalmente
- 1:16:55diferente com a dor. Em vez de eu sou
- 1:16:57uma pessoa destruída pela dor, né, que
- 1:16:59uma fusão total dessa identidade se
- 1:17:01torna, eu sou alguém que entre muitas
- 1:17:04outras experiências está experienciando
- 1:17:06a dor crônica um contexto muito mais
- 1:17:08amplo e flexível, certo? E para isso eu
- 1:17:12vou chamar a Ana Laura novamente, vou
- 1:17:14reproduzir para vocês um videozinho no
- 1:17:16qual a gente simula um roleplay dessa
- 1:17:18técnica especificamente. Preparados?
- 1:17:21Vamos lá, Ana. Hoje eu quero explorar
- 1:17:23com você como é que você percebe a dor.
- 1:17:25Pode parecer uma pergunta estranha, mas
- 1:17:27confia no processo.
- 1:17:30>> Quem percebe? É eu.
- 1:17:34>> Tá, mas vamos lá. Esse eu, ele é a mesma
- 1:17:37coisa que a dor.
- 1:17:40>> Desculpa, eu não entendi. Anne.
- 1:17:43>> É, vamos por partes. Eh, fecha os seus
- 1:17:45olhos e eu queria que você percebesse a
- 1:17:47dor no seu ombro. Agora você consegue?
- 1:17:51Sim, hoje mesmo ela tá bem presente.
- 1:17:54>> Perfeito. Então agora perceba que você
- 1:17:57tá percebendo a dor. Existe a dor que tá
- 1:18:01aí, existe uma parte sua observando essa
- 1:18:04dor. Você consegue notar a diferença,
- 1:18:06Ana?
- 1:18:08>> Olha, eu acho que sim. É como se eu
- 1:18:12estivesse vendo a dor, mas eu não sou
- 1:18:14ela.
- 1:18:15>> Exato. Exato. Agora me fala, né? Ahã.
- 1:18:19Você já teve 10 anos, certo? Você lembra
- 1:18:22de uma memória marcante de quando você
- 1:18:24tinha 10 anos?
- 1:18:27Hã, eu lembro do dia que eu ganhei o meu
- 1:18:31primeiro cavalete de pintura.
- 1:18:33>> Perfeito. Perfeito. Ana, e esse corpo
- 1:18:36que você tinha quando você era criança,
- 1:18:37quando você tinha 10 anos de idade, é o
- 1:18:39mesmo corpo de hoje?
- 1:18:41>> Claro que não.
- 1:18:43>> Perfeito. E os pensamentos que você
- 1:18:45tinha naquela época, eles são os mesmos?
- 1:18:48Ah, não. Completamente diferentes.
- 1:18:50>> E as emoções
- 1:18:52>> também mudaram muito, Anne.
- 1:18:54>> Certo. Mas pensa comigo, ah, quem quem é
- 1:18:58que tava lá aos 10 anos de idade? É a
- 1:19:00mesma pessoa que tá agora lembrando da
- 1:19:02desse desse desse momento?
- 1:19:06>> Hã,
- 1:19:08eu, né? Eu é quem estava lá. Mas um eu
- 1:19:11diferente, um eu que observa.
- 1:19:14Perfeito. Então tem uma parte sua que
- 1:19:17tem estado presente na sua vida toda
- 1:19:19observando. Observou Ana criança, a Ana
- 1:19:22adulta saudável, a Ana com dor. E essa
- 1:19:25parte observadora tá machucada?
- 1:19:30>> Não, [limpando a garganta]
- 1:19:31ela só observa.
- 1:19:34>> E se você pudesse se posicionar no lugar
- 1:19:36de observador agora, como que seria
- 1:19:37olhar pra Ana que tem dor?
- 1:19:41Ah, [limpando a garganta] estranho. Eu
- 1:19:43vejo uma mulher sofrendo, mas eu não sou
- 1:19:45só isso. Eu também eh sou quem vê.
- 1:19:50>> E nesse lugar de observadora, o que mais
- 1:19:52que você vê além da dor?
- 1:19:56>> Hã, eu vejo uma mulher forte que está
- 1:19:59aqui tentando, que não desistiu. Vejo
- 1:20:02alguém que ainda tem sonhos, mesmo com
- 1:20:05dor.
- 1:20:06>> Ana, isso é ótimo. Percebe?
- 1:20:09Quando você se identifica só com a dor,
- 1:20:11ela te define, mas e quando você se
- 1:20:14posiciona como observadora?
- 1:20:17Ah, [limpando a garganta] a dor é algo
- 1:20:19que acontece comigo, mas não é tudo o
- 1:20:22que eu sou. Isso é libertador de certa
- 1:20:25forma e assustador ao mesmo tempo.
- 1:20:28>> Por que assustador?
- 1:20:31Porque significa que eu posso escolher
- 1:20:32como responder. Eu não posso mais só
- 1:20:34poupar a dor por tudo.
- 1:20:36>> Isso te empodera de alguma forma, Ana?
- 1:20:40>> H, eu posso observar que a dor, observar
- 1:20:43a dor e ainda assim escolher agir
- 1:20:45segundo os meus valores. Uma observador
- 1:20:48em mim não, ela não tá machucada.
- 1:20:50>> Muito bem, muito bem, muito bem,
- 1:20:54pessoal.
- 1:20:56Bom, vamos seguir um pouquinho mais,
- 1:20:58então. Ah, bem, na nossa próxima sessão,
- 1:21:01então, a gente vai abordar na sessão
- 1:21:03sete, especificamente, ação comprometida
- 1:21:06e a manutenção dos resultados, dos
- 1:21:07ganhos que a gente, que o paciente teve
- 1:21:09até aqui, certo? Ah, especificamente,
- 1:21:12né, o que que a gente vai trabalhar essa
- 1:21:14sessão em diante? Primeiramente, né, a
- 1:21:16sétima sessão é onde toda a preparação
- 1:21:18emocional e cognitiva das sessões
- 1:21:20anteriores, elas vão se traduzir em
- 1:21:22mudanças comportamentais concretas,
- 1:21:24ações alinhadas com valores, né? E esse
- 1:21:27momento é onde a gente testa se o
- 1:21:29paciente ele realmente internalizou os
- 1:21:31seis os processos da ACT ou se a gente
- 1:21:33só ficou no nível conceitual, naquela
- 1:21:36coisa teórica.
- 1:21:37H, a gente começa sempre reconectando
- 1:21:39com os valores e clarificando, né,
- 1:21:41aquilo que a gente seou na sessão cinco.
- 1:21:44Olha, fulano, você lembra dos valores
- 1:21:45que a gente identificou como mais
- 1:21:47importantes para você? Vamos agora
- 1:21:49transformar esses valores abstratos em
- 1:21:51ações concretas que você pode fazer
- 1:21:52nessa semana, mesmo com a dor presente?
- 1:21:55A gente desenvolve então objetivos para
- 1:21:57essa etapa que seguem critérios muito
- 1:21:59específicos, né? Eh, e o aspecto crucial
- 1:22:02dessa sessão é o planejamento bem
- 1:22:04meticuloso das barreiras, né? A gente
- 1:22:07sabe que a muita coisa pode acontecer
- 1:22:10para dificultar o que a gente combinou
- 1:22:11com o paciente, mas o aspecto mais
- 1:22:14crucial aqui dessa sessão é o
- 1:22:15planejamento delas. Que que pode
- 1:22:17acontecer? Que que isso quer dizer? A
- 1:22:19gente tenta antecipar com o paciente
- 1:22:21tudo que pode dar errado, absolutamente
- 1:22:24tudo, né? Eh, seja eventualmente, ah, eu
- 1:22:27não vou ter tal comportamento, não vou
- 1:22:29ver os jogos, os jogos do meu neto hoje,
- 1:22:31ah, eu não vou sair com as minhas amigas
- 1:22:34hoje por causa dor, né? Eh, justamente
- 1:22:36porque por causa de, sei lá, vou passar
- 1:22:37vergonha, eh, ah, vou sentir ansiedade,
- 1:22:41tô me sentindo ansiosa, qualquer coisa.
- 1:22:43Então, para cada ação, né, a gente
- 1:22:45sempre vai ter ali com o paciente
- 1:22:47desenvolvido uma resposta específica
- 1:22:49baseada nos processos da que a gente
- 1:22:50també aqui com ele, OK? Se a dor
- 1:22:53aumentar durante a atividade, né, a
- 1:22:55situação comprometida com o valor, a
- 1:22:56gente vai trabalhar com técnicas de
- 1:22:58aceitação, de expansão e tudo mais. Se
- 1:23:00pareceu o pensamento, vou passar
- 1:23:01vergonha. Eh, disfusão cognitiva,
- 1:23:03rotação do pensamento. Ah, se surgir
- 1:23:06ansiedade antecipatória, né, mindfulness
- 1:23:09ancoragem no momento presente. Ah, se os
- 1:23:11meus familiares falarem: "Ai, não faz
- 1:23:13isso, não, vai ficar ruim para você,
- 1:23:15você tá, você tá com dor, deixa para
- 1:23:17lá". Aí eu vou trabalhar comunicando de
- 1:23:19forma assertiva os meus valores,
- 1:23:21estabelecendo limites saudáveis, né?
- 1:23:23Então, uma das sessões mais importantes
- 1:23:25aqui pra gente e nós também trabalhamos
- 1:23:28com meta objetivos smart totalmente
- 1:23:30focados em valores. E agora eu vou
- 1:23:33demonstrar para vocês nesse último
- 1:23:34homepay de hoje como que é a
- 1:23:36implementação desses dessas metas,
- 1:23:38desses objetivos smartes. OK?
- 1:23:41Preparados? Vamos lá então. Ana, vamos
- 1:23:44então transformar os seus valores em
- 1:23:46ações concretas. Você mencionou que você
- 1:23:48valoriza, por exemplo, criar, né, criar
- 1:23:51coisas bonitas. Como que a gente pode
- 1:23:53então tornar isso real, mesmo com as
- 1:23:55dificuldades que você tem hoje por causa
- 1:23:56da dor?
- 1:23:59>> Hã, ah, [limpando a garganta] eu queria
- 1:24:01voltar a pintar, mas acho que isso é
- 1:24:03vago demais, né? E quando eu penso
- 1:24:05nisso, eu já desisto, porque eu não sei
- 1:24:07se eu vou conseguir como eu fazia antes,
- 1:24:10>> tá? Vamos a uma estrutura então que
- 1:24:12talvez possa ajudar primeiro, né? Vamos
- 1:24:14pensar numa coisa específica.
- 1:24:16Exatamente. O que que você quer fazer?
- 1:24:20Pintar aquarelas, talvez é mais leve do
- 1:24:24que óleo.
- 1:24:25>> Perfeito. Agora vamos pensar em como
- 1:24:28tornar isso mensurável. Como que você
- 1:24:30saberia que você tá conseguindo atingir
- 1:24:32esse objetivo?
- 1:24:35>> Não sei, Ane. Qualquer coisa parece
- 1:24:38demais. E
- 1:24:39>> se a gente começasse com uma coisa bem
- 1:24:41pequena, tipo uma aquarela por semana?
- 1:24:45>> Por semana? Eu pensava que tinha que ser
- 1:24:48diário para valer alguma coisa.
- 1:24:50>> Não, não. Isso é perfeccionismo.
- 1:24:52Falando, vamos focar numa coisa agora
- 1:24:54alcançável, né? Ã, coçador atual, quanto
- 1:24:57tempo que você acha que você consegue
- 1:24:59pintar confortavelmente?
- 1:25:01>> Ã, talvez uns 20 minutos, se eu fizer
- 1:25:04pausa.
- 1:25:05>> Perfeito. Então, criar uma pequena
- 1:25:07aquarela de 20 minutos uma vez por
- 1:25:09semana, isso é relevante pros seus
- 1:25:11valores?
- 1:25:13>> Sim, sim. que seria voltar a criar,
- 1:25:15expressar. Beleza.
- 1:25:17>> Perfeito. E o prazo, vamos pensar num
- 1:25:20prazo específico. Quando que você quer
- 1:25:21começar?
- 1:25:23>> Ah, dessa semana. Não, não, espera. Acho
- 1:25:26que isso [limpando a garganta] me
- 1:25:26assusta um pouco, porque isso eu não
- 1:25:28consegui.
- 1:25:30>> Que que te assusta mais? Tentar adaptar
- 1:25:32ou continuar talvez para sempre sem
- 1:25:35pintar?
- 1:25:38>> É, continuar sem pintar, tá bom? Essa
- 1:25:40semana, [limpando a garganta]
- 1:25:42quinta-feira, que é quando eu geralmente
- 1:25:44me sinto melhor.
- 1:25:45>> Perfeito, Ana. Então, a gente acabou de
- 1:25:47criar um objetivo Smart, né? Ã, mas eu
- 1:25:50quero adicionar uma coisa. E se a dor
- 1:25:52forte na quinta? Se ela tiver lá o pior
- 1:25:55dia?
- 1:25:56>> Ah, aí eu disse isso de tudo, como
- 1:25:58sempre.
- 1:25:59>> E se a gente bem?
- 1:26:02>> Como assim?
- 1:26:03>> Tá, vamos pensar assim. Se a sua dor
- 1:26:05chegar acima de sete, você pode fazer um
- 1:26:07esboço de 5 minutos. Se tiver
- 1:26:09insuportável, você pode olhar para
- 1:26:11aquela, você pode olhar com elas online,
- 1:26:13talvez por 10 minutos se inspirando. Ã,
- 1:26:17ainda assim, honra o valor, né? Mas
- 1:26:19respeita o seu corpo, respeita a
- 1:26:20limitação naquele momento. Já é um
- 1:26:22começo.
- 1:26:24>> É diferente, né? Isso muda, muda tudo,
- 1:26:27na verdade, porque daí não é tudo ou
- 1:26:29nada.
- 1:26:30>> Exato. Vamos então criar mais um
- 1:26:32objetivo agora pra parte, pra conexão
- 1:26:34social.
- 1:26:37Um café com uma amiga uma vez por
- 1:26:39semana? Não, muito ambicioso.
- 1:26:43Quinzenalmente. Que que você acha que dá
- 1:26:44certo para você?
- 1:26:48>> Quinzenalmente,
- 1:26:50uma hora na cafeteria perto de casa. Se
- 1:26:53a dor tiver forte, talvez 30 minutos. E
- 1:26:56se estiver insuportável, aí uma
- 1:26:59videochamada de 20 minutos.
- 1:27:01>> Perfeito. Você pegou super rápido. Tá
- 1:27:03vendo? Você tá criando objetivos.
- 1:27:05específicos, né, importantes paraos seus
- 1:27:07valores, mas que também são compassivos
- 1:27:09e flexíveis. Faz sentido?
- 1:27:12>> Faz. É estranho eh ter esperança de
- 1:27:15novo, né? É pequena a esperança, mas ela
- 1:27:18tá ali.
- 1:27:19>> Muito bem.
- 1:27:20Muito bem, pessoal. Então, a gente tem
- 1:27:23desenvolve ali objetivos Smart baseados
- 1:27:25em valores. No passo um, o objetivo que
- 1:27:27seja específico, certo? Desde vou passar
- 1:27:29mais tempo com a família, eu vou levar
- 1:27:31uma neta no parque do bairro, eh, sábado
- 1:27:349 horas da manhã, né? Que seja algo
- 1:27:36mensurável, temporal, que eu possa
- 1:27:39medir, né, o meu sucesso, se eu
- 1:27:40conseguir ou não fazer aquilo e
- 1:27:42temporalmente relevante também e algo
- 1:27:45alinhado e realista, né? Eh, porque eu
- 1:27:48valorizo profundamente se valor, um avô
- 1:27:49presente e tudo mais. Beleza? Bom, vamos
- 1:27:53então falar agora da nossa oitava e
- 1:27:55última sessão, certo? Aqui é onde a
- 1:27:58gente vai progressivamente trabalhar a
- 1:28:00integração e prevenção de recaída. A
- 1:28:02gente vai consolidar todas as
- 1:28:04transformação que aconteceu até aqui. E
- 1:28:06essa sessão final normalmente, né, ela é
- 1:28:08uma celebração do quanto que o terreno
- 1:28:10já foi percorrido e de forma cuidadosa
- 1:28:13pros objetivos, pros desafios futuros.
- 1:28:15Então é crucial que o paciente ele saia
- 1:28:17daqui com ferramentas claras para manter
- 1:28:19os ganhos, para lidar com a recaídas que
- 1:28:22vão acontecer, né? Aí a gente começa com
- 1:28:24uma revisão então completa da jornada.
- 1:28:27Olha, fulano, lembra quando você chegou
- 1:28:29aqui, como é que você tava, né, na
- 1:28:31primeira sessão? Como que era, quanto
- 1:28:33que a sua vida era controlada pela dor
- 1:28:35naquele momento, quanto tempo e energia
- 1:28:37que você gastava tentando eliminar a dor
- 1:28:39e agora? Dor aumentou, diminuiu
- 1:28:41significativamente, como que foi? E a
- 1:28:43sua qualidade de vida como que tá? E a
- 1:28:45resposta dos pacientes normalmente é
- 1:28:46honesta, né? A dor talvez não diminuiu,
- 1:28:49ou talvez até pode ter diminuído um
- 1:28:50pouco, mas ah dele, né, eh, é mais ativa
- 1:28:55agora, né? Então, olha pra sua vida,
- 1:28:57quantas atividades importantes que você
- 1:28:59recuperou, quantos relacionamentos se
- 1:29:02quais relacionamentos se fortaleceram,
- 1:29:03que momentos de alegria genuína que você
- 1:29:05experimentou nos últimos tempos, sua
- 1:29:06vida aumentou, expandiu? Então, a gente
- 1:29:09também desenvolve com esse paciente um
- 1:29:11sistema detalhado eh de sinais de
- 1:29:13alertas para reconhecer quantos velhos
- 1:29:14padrões de evitação tão voltando, né,
- 1:29:17quando a gente vai de alitoterapia,
- 1:29:18sinais comportamentais, né, tipo
- 1:29:20cancelar por causa da dor, um
- 1:29:22compromisso, uma atividade importante
- 1:29:24repetidamente, aumentar as estratégias
- 1:29:26de controle da dor, evitar socialização
- 1:29:29ou sinais cognitivos também, né? Seja
- 1:29:31talvez o retorno de um pensamento tipo:
- 1:29:33"Ai, para que tentar? Ai, tá piorando
- 1:29:35só, tá piorando ainda mais, ai, não
- 1:29:36adianta". enfim, né? Ou eventualmente
- 1:29:39sinais emocionais, eh uma irritabilidade
- 1:29:42acessível com familiares, perda de
- 1:29:43interesse nas atividades prazerosas.
- 1:29:46Então, a gente quer sempre também
- 1:29:47retomar os sinais relacionados aos
- 1:29:49valores, que eles estejam presentes após
- 1:29:51a alta. Eh, poxa, será que eu tô
- 1:29:53perdendo o contato com aquilo que
- 1:29:54realmente importa? Eu tô tomando
- 1:29:56decisões com base na dor e não com base
- 1:29:58nos meus valores? E aí a gente cria
- 1:30:00juntos então uma prática, um plano de
- 1:30:02uma prática sustentável que vai incluir
- 1:30:04ali 5 minutos de maio. A gente fornece
- 1:30:05toda manhã, eh, para ele conhecer,
- 1:30:07começar o dia centrado, presente. A
- 1:30:10gente trabalha também nos objetivos, a
- 1:30:12revisão semanal desses valores, né? E
- 1:30:15ele vai se perguntar como que eu vivi os
- 1:30:16meus valores essa última semana, que que
- 1:30:18eu posso ajustar? Uma avaliação mensal,
- 1:30:20mas eu tô quão opinhada que a vida dele
- 1:30:22tá com os valores importantes, né? Eh,
- 1:30:25então, e por fim, ã, a gente então
- 1:30:28encoraja que esse paciente mantenha esse
- 1:30:30estudo, a gente fornece para ele
- 1:30:31materiais, encoraja que ele anote e tudo
- 1:30:33mais e a gente fecha esse momento, essa
- 1:30:36abordagem, esse dessa oitava sessão com
- 1:30:39uma declaração, né? O paciente ele vai
- 1:30:42então fazer uma declaração de um
- 1:30:44compromisso da seguinte forma. eu, né?
- 1:30:46Ele vai escrever com as próprias
- 1:30:47palavras, com anjo e tal, me comprometo
- 1:30:49a viver guiado pelos meus valores, que
- 1:30:52são eles, os valores dele, mesmo quando
- 1:30:55eu experienci a dor intensa, mesmo
- 1:30:57quando a minha mente me disser que eu
- 1:30:59não sou capaz, mesmo quando tiver medo
- 1:31:01do que os outros possam pensar, eu me
- 1:31:03comprometo a comprometome comprometo-me
- 1:31:06a carregar a minha dor como carrego o
- 1:31:09meu amor, como outra parte essencial de
- 1:31:11estar vivo e profundamente engajado com
- 1:31:13aquilo que realmente importa na vida.
- 1:31:15Veja só. Então essa declaração ela não é
- 1:31:19só simbólica, ela é um lembrete concreto
- 1:31:21pros momentos de dificuldade, uma
- 1:31:24bússola para quando o paciente se sentir
- 1:31:26perdido, um compromisso dele com ele
- 1:31:28mesmo sobre o tipo de vida que ele
- 1:31:30escolheu conscientemente viver. E o
- 1:31:32protocolo não vai terminar com a
- 1:31:34promessa irrealista de que, olha, eu não
- 1:31:35vou nunca mais sentir dor, mas com a
- 1:31:37certeza de que dá pra gente ter, dá pro
- 1:31:39paciente ter uma vida significativa,
- 1:31:41profundamente satisfatória. E não, não é
- 1:31:44só possível, é provável mesmo na
- 1:31:46presença de sofrimento físico
- 1:31:48persistente. Essa é uma promessa
- 1:31:50realista e profunda da ACT, certo? Muito
- 1:31:55bem, pessoal. Espero que tenha feito
- 1:31:57sentido para vocês essa aula. Agradeço a
- 1:32:00presença de vocês. Boa noite. Mais uma
- 1:32:02vez obrigada e até amanhã.
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This page contains the full transcript of 2) Tratamentos: pacientes com dor crônica by Ane Vaz, PhD | @dra.anevaz, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 14,718 words across 2,312 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.
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