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2) Tratamentos: pacientes com dor crônica — Transcript

by Ane Vaz, PhD | @dra.anevaz · 14,718 words · 2,312 segments · language en · Watch on YouTube

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  1. 0:01Os sejam muito bem-vindas.
  2. 0:03Então, hoje a gente vai dar sequência do
  3. 0:04nosso treinamento e a gente vai abordar
  4. 0:07especificamente o tratamento da dor
  5. 0:09crônica. Antes de mais nada, alguns
  6. 0:12recadinhos. Então, primeiramente, pra
  7. 0:14gente já começar, né, não se esqueçam
  8. 0:17deixar um like aqui nesse vídeo, certo?
  9. 0:19E quem não é inscrito, se inscreva no
  10. 0:21meu canal, assim vocês sempre vão ficar
  11. 0:22por dentro, ok? Bom, e vamos lá. Então,
  12. 0:26a aula de hoje também vai ter um e-book,
  13. 0:28ele vai ser enviado apenas nos grupos de
  14. 0:30WhatsApp, OK? Então, no nosso primeiro
  15. 0:32dia, a gente falou sobre a terapia
  16. 0:34comportamental dialética, sobre manejo
  17. 0:36da regulação emocional. Ah, amanhã a
  18. 0:38gente vai abordar TCC clássica e
  19. 0:40ativação comportamental. Especificamente
  20. 0:42hoje a gente vai abordar a dua crônica,
  21. 0:44que é o manejo dela na perspectiva da
  22. 0:46terapia comportamental de perdão, na
  23. 0:49terapia de citação, compromisso, a ART,
  24. 0:51fazendo desde já uma ressalva que alguns
  25. 0:53estudos novos estão saindo, né, ã, com
  26. 0:56algumas novidades em relação também dor
  27. 0:58crônica, não somente na ACT, mas na TCC
  28. 1:00clássica, mas especificamente hoje a
  29. 1:03gente vai abordar a ACT, que também tem
  30. 1:04alta eficácia pra dor crônica, certo?
  31. 1:08Muito bem. Então, bom, eh, pra gente
  32. 1:11começar, né, eu sempre gosto de lembrar
  33. 1:14para todo psicólogo que normalmente o
  34. 1:16psicólogo, ah, às vezes o psicólogo diz:
  35. 1:18"Poxa, mas eu não quero atender dor
  36. 1:21crônico, né? Não é uma coisa presente no
  37. 1:23meu consultório, mas aí que tá, né? Eh,
  38. 1:27provavelmente a dor crônica, né, vai tá
  39. 1:30presente no seu consultório
  40. 1:33inevitavelmente.
  41. 1:34Por quê? Bom, a dor crônica ela afeta
  42. 1:37cerca de 20 a 40% da população mundial.
  43. 1:40Então, imaginem só como todas as pessoas
  44. 1:43no mundo hoje em que vivem com algum
  45. 1:44tipo de dor. E no Brasil
  46. 1:46especificamente, a gente tá falando de
  47. 1:47mais de 60 milhões de pessoas com dor
  48. 1:49persistente. Ah, e isso significa que,
  49. 1:52independentemente da sua especialidade,
  50. 1:53se você atende, ah, não sei, depressão,
  51. 1:57ansiedade, né? H, seja você um psicólogo
  52. 1:59clínico, hospitalar, você vai encontrar
  53. 2:02pessoas comor crônica, quer queira, quer
  54. 2:05não. Então, me pensem comigo, né? OK.
  55. 2:09Inevitavelmente eu eu vou atender um
  56. 2:11paciente que tem dor crônica como queixa
  57. 2:13principal. Olha, eu vim buscar terapia
  58. 2:14porque eu tenho dor crônica ou
  59. 2:16alternativamente, né, eu vou me deparar
  60. 2:18com um paciente que talvez me procurou
  61. 2:19porque tem depressão, né, mas aparece
  62. 2:22ali a dor como fator secundário e que
  63. 2:25mantém, né, fator fator de manutenção
  64. 2:27dessa depressão. Mas e aí? Mas e você,
  65. 2:31você tá preparado? Se amanhã esse
  66. 2:33paciente chegar no seu consultório, você
  67. 2:35tem treinamento? Você realmente tá
  68. 2:37pronto para atender esse paciente? Você
  69. 2:40foi treinado em como manejar, aplicar
  70. 2:42esse protocolo.
  71. 2:44A pessoa chega no seu consultório e
  72. 2:45fala: "Psicólogo, psicóloga,
  73. 2:48olha, eu tenho dor já faz 10 anos,
  74. 2:52tentei de tudo e nada funciona." Que que
  75. 2:55você vai fazer? Aplicar TCC clássica, as
  76. 2:58técnicas de relaxamento, encaminha.
  77. 3:02Bom, então isso é um ponto importante,
  78. 3:04né? Ah, a dor crônica afeta uma um
  79. 3:07grande número de pessoas.
  80. 3:09Inevitavelmente a gente vai se deparar
  81. 3:11com ela no consultório. E ela é uma
  82. 3:14epidemia silenciosa que cada vez mais
  83. 3:16cresce no mundo, cada vez mais ela é um
  84. 3:19dos motivos de incapacitação para as
  85. 3:21atividades diária, causa de afastamento
  86. 3:23do trabalho e também causa, né? Vamos
  87. 3:26colocar entre aspas, porque nenhum
  88. 3:28transforme mental é causado
  89. 3:29especificamente por um único fator, mas
  90. 3:31ela tá diretamente relacionada a
  91. 3:32depressão e ansiedade também. Então,
  92. 3:35independentemente de qualquer
  93. 3:36circunstância, você vai se deparar com a
  94. 3:38dor crônica, né? E o risco do psicólogo
  95. 3:40hoje não saber lidar com dor crônica é
  96. 3:43imenso, né? Ã, vejam só o que que pode
  97. 3:46acontecer. Imagina que o paciente vem e
  98. 3:49você não domina essa abordagem. Então,
  99. 3:51sendo brutalmente sincera com você, você
  100. 3:54não ser capaz de abordar a dor crônica,
  101. 3:57você vai reforçar a evitação dessa
  102. 3:58pessoa, piorar o quadro dela. você pode
  103. 4:02perder aqueles pacientes que te
  104. 4:04procuraram por ansiedade, depressão,
  105. 4:06outra questão, e que tem ali, né, talvez
  106. 4:07como comoridade um tipo de dor crônica,
  107. 4:10ah, você vai se sentir inseguro,
  108. 4:12impotente diante do sofrimento e você
  109. 4:14vai acabar encaminhando todos esses
  110. 4:15pacientes, né, que você poderia
  111. 4:18facilmente, talvez, transformar a dor
  112. 4:20dele, transformar em uma outra coisa.
  113. 4:22Bom, então, ã, é importante, né, que
  114. 4:26você tenha ferramentas adequadas para
  115. 4:28dar com esses pacientes, porque eles são
  116. 4:29inúmeros, né, eles vêm são numerosos nos
  117. 4:32nossos consultórios. E quando a gente
  118. 4:34fala de dor, às vezes a gente associa
  119. 4:36muito com a fibromialgia, né, mas na
  120. 4:38verdade não. O fato é que a dor crônica
  121. 4:41ela afeta de ela tem vários quadros que
  122. 4:43são associados a ela. A gente pode
  123. 4:45pensar em mulheres com endometriose, ah,
  124. 4:48em pessoas que tem alguma questão dor
  125. 4:49lombar, ã, hérneas, enfim. né? Além
  126. 4:52também das doenças crônicas, certo?
  127. 4:55Então, necessariamente a gente tem que
  128. 4:57estar preparado, a gente tem que tá
  129. 4:59pronto para lidar com esse paciente. Mas
  130. 5:01aí eu pergunto para vocês, né? Eh, que
  131. 5:05que a gente faz, então, como que a gente
  132. 5:07lida com essa questão da dor? Como é que
  133. 5:09eu vou lidar com aquele paciente que
  134. 5:11chega ali com o impacto psicológico
  135. 5:14devastador, né? Dor crônica, ela não é
  136. 5:17só física, isso é importante. Por que
  137. 5:19que psicólogo trabalha com dor crônica?
  138. 5:21Porque ela não é só física, ela rouba a
  139. 5:23identidade do paciente. Olha, eu era
  140. 5:26saudável, agora eu sou doente. Ela
  141. 5:28destrói relacionamentos, deixa a pessoa
  142. 5:30em evitação, me esquiva, ela aniquila a
  143. 5:34autoestima. Eu sou um peso, eu sou um
  144. 5:37fardo pra minha família, ela gera
  145. 5:39desesperança.
  146. 5:41Então, imagina só se depois de hoje
  147. 5:44vocês pudessem de algum modo ter mais
  148. 5:47recursos, mais habilidades para ajudar
  149. 5:49aquele paciente com dor a voltar a
  150. 5:51trabalhar, a pesar da dor, a ver aquele
  151. 5:54senhor talvez com artrite eh reumatoide,
  152. 5:57brincando com os netos dele de novo,
  153. 5:59transformar vidas que estão paradas há
  154. 6:01anos. E a s a vai se resar, vai te dar
  155. 6:03exatamente isso, algumas principais
  156. 6:05ferramentas, né? Nenhuma promessa vazia
  157. 6:08de eliminador, porque nem sempre é
  158. 6:09possível e não era da nossa competência,
  159. 6:11mas ajudar as pessoas a viverem
  160. 6:13plenamente, mesmo com dor. E aqui que
  161. 6:16entra a terapia de aceitação e
  162. 6:19compromisso. Vocês conhecem ela? Sim.
  163. 6:24Não? Comentem aqui no chat. Quero saber.
  164. 6:30Muito bem. Pessoal, então, em primeiro
  165. 6:32lugar, a ACT, ela não é só uma técnica,
  166. 6:35né? Ela não é uma técnica, ela é uma
  167. 6:37mudança completa de paradigma. Enquanto
  168. 6:40as outras abordagens teóricas elas
  169. 6:42tentam eliminar a dor de algum lugar,
  170. 6:44seja porque eu tô ansiosa, porque eu tô
  171. 6:47tendo aquele pensamento, né? ou tô
  172. 6:49deprimida porque eu não vejo valor em
  173. 6:51mim mesma. A AT te ensina, na verdade, a
  174. 6:54viver plenamente
  175. 6:56apesar de qualquer tipo de dor. Seja uma
  176. 6:59dor que acontece baixo da sua pele
  177. 7:00emocional ou seja uma dor física, né?
  178. 7:04Então eu pergunto para vocês, vocês
  179. 7:06estão prontas? E aí, estão preparados
  180. 7:08para aprender uma abordagem teórica que
  181. 7:10vai revolucionar não só o tratamento da
  182. 7:12dor, mas também a sua compreensão do
  183. 7:14sofrimento humano? Porque o que eu vou
  184. 7:16ensinar hoje não é só sobre dor, é sobre
  185. 7:17a condição humana. É como a gente pode
  186. 7:20ter uma vida significativa, mesmo quando
  187. 7:23a cura não é possível, mesmo sem
  188. 7:24conseguir eliminar o sofrimento. E
  189. 7:26spoiler, todo mundo aqui em algum
  190. 7:30momento vai precisar dessas habilidades
  191. 7:34para nosso paciente, pros nossos entes
  192. 7:36queridos ou pra gente. Então vamos
  193. 7:39começar.
  194. 7:40Muito bem, pessoal. Então, antes de mais
  195. 7:43nada, né, a terapia deção em
  196. 7:45compromisso, ela vai chamar a gente para
  197. 7:47olhar pro sofrimento humano, né? O que
  198. 7:50que isso significa? Ah, se a gente parar
  199. 7:52para pensar, a nossa vida, ela é um
  200. 7:54acúmulo de experiências opostas,
  201. 7:57polarizadas e dicotômicas, né? Ah, ela
  202. 8:01vai ser a soma de coisas
  203. 8:02extraordinárias, incríveis, ah,
  204. 8:05entrelaçadas de uma forma ali
  205. 8:07inseparáveis, né? Eh, mas ao mesmo tempo
  206. 8:11a nossa vida também vai ter por outro,
  207. 8:13por um outro lado, em um outro polo, uma
  208. 8:15grande carga de sofrimento. A vida de
  209. 8:17todo mundo vai ser assim. Então, ao
  210. 8:19longo da vida, a gente pode experimentar
  211. 8:22a alegria de ter um sucesso
  212. 8:23profissional, eh, a satisfação, a
  213. 8:26felicidade, né, o coração quentinho de
  214. 8:27acordar do lado da pessoa que a gente
  215. 8:29ama. A gente vai ter momentos de conexão
  216. 8:31profunda com a família, com os amigos,
  217. 8:34com o cachorro. A gente vai ter
  218. 8:36felicidade de fazer viagens descobertas.
  219. 8:39Mas é a vida da gente. A gente também
  220. 8:42vai experimentar coisas ruins. Seja
  221. 8:45talvez um fracasso financeiro, a prega
  222. 8:48de um grande amor, um luto que parece
  223. 8:51insuperável, solidão, vê as pessoas que
  224. 8:54a gente ama morrendo. Então, se você é
  225. 8:57uma pessoa normal, se você respira, você
  226. 9:00já passou por coisas terríveis, tristes,
  227. 9:04devastadoras e ao mesmo tempo
  228. 9:06extraordinárias. Mas vejam só, olhar
  229. 9:10essa verdade inconveniente sobre a vida
  230. 9:13que a gente não consegue separar a nossa
  231. 9:15vida do sofrimento, eliminar o
  232. 9:17sofrimento dela,
  233. 9:19é o que ajuda a gente entender que ao
  234. 9:21mesmo tempo que viver é terrível, também
  235. 9:24é incrível. É uma síntese dialética. A
  236. 9:27nossa vida carrega duas verdades
  237. 9:29opostas. E entender isso e mudar nossa
  238. 9:32relação com o sofrimento ajuda a gente
  239. 9:34também se orientar melhor em relação à
  240. 9:36vida. Então, observe uma coisa, quase
  241. 9:39tudo que torna a nossa vida
  242. 9:41significativa vem com um lado muito
  243. 9:44doloroso. Por exemplo, quero ganhar
  244. 9:47dinheiro. É bom ganhar dinheiro, sim,
  245. 9:49mas eu preciso trabalhar, estudar. Para
  246. 9:52isso, eu vou ter que abrir mão de
  247. 9:53momentos de lazer com a família. OK? Eu
  248. 9:57quero talvez, ã, não sei, eh, parar de
  249. 10:01fumar, OK? vai me trazer saúde, vai me
  250. 10:04trazer economia, mas ao mesmo tempo eu
  251. 10:07vou ter abestinência, talvez algum
  252. 10:08prejuízo social. Então, inevitavelmente
  253. 10:11tudo na vida da gente vem com um lado
  254. 10:13muito doloroso, certo? E principalmente
  255. 10:16quando não são pequenas coisas, como
  256. 10:17fumar, talvez, mas coisas
  257. 10:19significativas. Então, o fato é que
  258. 10:22viver e principalmente ser feliz causa
  259. 10:25muita dor para todo mundo. E vejam só,
  260. 10:29né?
  261. 10:30Não tem como ser de outro jeito. E aí,
  262. 10:32né, que que eu faço? Como que eu lido
  263. 10:34com isso? É aí então que a ACT, a
  264. 10:37terapia de citação em compromisso, ela
  265. 10:40entra.
  266. 10:46Bom, então o que que a ACT propõe pra
  267. 10:48gente, né? É exatamente aqui que ela
  268. 10:50entra. Ela reconhece que o sofrimento
  269. 10:52humano, ele faz parte da nossa
  270. 10:54existência e ele tenta e ela tenta
  271. 10:56ajudar a gente a conduzir a vida apesar
  272. 10:59do sofrimento e das dificuldades
  273. 11:01inerentes a ela. Afinal, se por em uma
  274. 11:04mão a gente carrega sofrimento, na outra
  275. 11:06a gente também tem possibilidade de
  276. 11:07carregar felicidade. Então a ACT
  277. 11:10reconhece que uma parte significativa do
  278. 11:12nosso sofrimento, ela vem também de
  279. 11:14emoções dolorosas, ela vem de
  280. 11:16pensamentos. Imagine só que no dia mais
  281. 11:18feliz da sua vida, talvez no seu
  282. 11:20casamento, na sua formatura, você tá lá,
  283. 11:23está feliz. Mas por um momento, se você
  284. 11:26pensa, poxa, eh, é o dia mais feliz da
  285. 11:29minha vida e eu queria que talvez um
  286. 11:31ente querido, minha avó, meu avô que
  287. 11:34faleceu, tivesse aqui e não tá, então
  288. 11:37automaticamente a sua cabeça, sua mente,
  289. 11:40ela é capaz de gerar dor. Então,
  290. 11:43inevitavelmente, né, a gente precisa
  291. 11:45aprender, então, como não eliminar esses
  292. 11:47pensamentos, que não é possível, mas
  293. 11:49como reduzir a influência que eles têm,
  294. 11:51né, ah, sobre a nossa vida, já que eles
  295. 11:54são inevitáveis, já que a nossa cabeça,
  296. 11:56a nossa mente é capaz de gerar dor o
  297. 11:57tempo todo. E o convite da Arte é que a
  298. 12:00gente possa então reconhecer que alegria
  299. 12:02e uma vida significativa, elas coexistem
  300. 12:05com sofrimento. Mas mais que isso, ela
  301. 12:07quer colocar o paciente em contato com
  302. 12:09aquilo que realmente importa na vida
  303. 12:11dele, certo? a gente vai entender isso
  304. 12:13um pouquinho melhor, tá? Mas como que
  305. 12:16então isso vai tá alinhado com a questão
  306. 12:18da dor, né? Eh, isso vai fazer sentido.
  307. 12:22Então, vamos lá. Primeiramente, eh, a
  308. 12:25arte, ela não tem como objetivo, como
  309. 12:27propósito, eliminadoa. Ao contrário da
  310. 12:30maioria das abordagens teóricas que
  311. 12:31tentam eliminar, curar, tratar a dor, o
  312. 12:35objetivo dela, que na verdade é mudar a
  313. 12:37relação que a paciente tem com a dor,
  314. 12:40certo? Então, normalmente a gente vive
  315. 12:43na psicologia na premissa lógica de que
  316. 12:46a gente precisa controlar e eliminar a
  317. 12:48dor. E faz sentido de uma certa forma.
  318. 12:51Afinal de contas, é lógico, se uma coisa
  319. 12:53tá causando sofrimento, o instinto é
  320. 12:55combater aquilo, é resolver aquilo. Mas
  321. 12:58aqui que tá o problema. Presta atenção,
  322. 13:00porque isso é fundamental.
  323. 13:03Eh, vejam só o que que a gente vê, na
  324. 13:05verdade é que normalmente tentar
  325. 13:09controlar e tentar eliminar a dor é o
  326. 13:12que gera mais sofrimento. Pensem na dor
  327. 13:14crônica. Ela é uma coisa que pode ser
  328. 13:16gerenciada, mas não curada. Mas quais
  329. 13:20são os defeitos adversos dela na minha
  330. 13:21vida? Bom, eu vou talvez então parar de
  331. 13:25brincar com os meus netos, vou me isolar
  332. 13:27em casa, ficar quietinho, porque eu
  333. 13:29tenho dor. Mas percebem que quanto mais
  334. 13:31eu tento controlar aquilo, eu não
  335. 13:32somente não sou capaz, talvez, mas isso
  336. 13:35me gera mais dor, não talvez do ponto de
  337. 13:37vista físico, ou talvez até que sim, mas
  338. 13:40do ponto de vista também daquilo, porque
  339. 13:42me tira aquilo que importa para mim,
  340. 13:43certo? Então, o que que a gente faz com
  341. 13:46uma coisa que não pode ser totalmente
  342. 13:47controlada? Pensa comigo, se uma coisa
  343. 13:50não pode ser controlada, o sofrimento, a
  344. 13:52dor, e mais você tenta controlar, é como
  345. 13:54se você tivesse tentando segurar água,
  346. 13:56né, com suas mãos abertas. Quanto mais
  347. 13:59você coloca a mão, água na sua mão e
  348. 14:00tenta apertar os dedos, mais a água vai
  349. 14:03escapar entre eles. Quanto mais você
  350. 14:05força, mais frustração você sente, mais
  351. 14:07energia você gasta e menos água você
  352. 14:09consegue manter. Então, a proposta da
  353. 14:11ACT é que parece contrainttuitivo, mas a
  354. 14:14ideia é que a gente consiga mudar a
  355. 14:16relação com a dor. Então, ao invés de
  356. 14:18focar na eliminação da dor, o objetivo
  357. 14:21da ACE é ajudar o paciente com dor
  358. 14:24crônica a ter uma vida rica e
  359. 14:26significativa
  360. 14:28com a dor presente.
  361. 14:30Que que isso parece para vocês? Faz
  362. 14:33sentido? Ana, você tá doida? Como assim?
  363. 14:36E aí, comentem aqui no chat.
  364. 14:43Bom, então quando eu digo para vocês,
  365. 14:45né, que existe uma diferença na forma
  366. 14:48com que arte aborda, vejam só, vocês
  367. 14:51ouviram certo? a gente espera que o
  368. 14:53paciente ele viva com a dor e não
  369. 14:55somente apesar da dor. Essa pequena
  370. 14:58diferença de preposição, ela vai
  371. 15:00carregar uma mudança filosófica
  372. 15:02profunda. Quando a gente fala apesar da
  373. 15:04dor, a gente ainda tá colocando a dor
  374. 15:06como uma inimiga, como uma coisa que tem
  375. 15:09que ser vencida para que a vida então
  376. 15:11aconteça. Mas quando a gente fala com a
  377. 15:14dor, a gente tá reconhecendo que a vida
  378. 15:17e a dor elas podem consistir e que uma
  379. 15:20não precisa eliminar a outra. Então,
  380. 15:22centenas de estudos mostram pra gente
  381. 15:24que a aceitação, né, eu aprender a viver
  382. 15:27com a dor, ah, vai me ajudar muito mais
  383. 15:30a não limitar minha vida e melhorar
  384. 15:32minha relação com a minha própria
  385. 15:33percepção de dor. Então, não tô dizendo
  386. 15:35que a dor vai necessariamente diminuir
  387. 15:37com tratamento psicológico. Às vezes
  388. 15:39diminui, às vezes não, mas o que muda é
  389. 15:42a relação, é a vida da pessoa com essa
  390. 15:44dor. Imaginem só por um momento.
  391. 15:46iniciador, né? Ao invés de ser o final
  392. 15:48da estrada do paciente, pudesse se
  393. 15:50tornar o combustível para ele ter uma
  394. 15:51jornada totalmente diferente. E se nós
  395. 15:53psicólogos, ao invés da gente ficar
  396. 15:56tentando, né, gastar nossa energia, os
  397. 15:58nossos recursos, tentando apagar o fogo,
  398. 16:00a gente aprende a usar esse fogo então
  399. 16:02para aquecer como se fosse uma lareira,
  400. 16:04né, iluminando o caminho do paciente.
  401. 16:07Então essa mudança de paradigma, sair da
  402. 16:09perspectiva de uma terapia que vai
  403. 16:11tentar curar, tratar dessa forma, né,
  404. 16:13eliminar a dor para uma perspectiva na
  405. 16:16qual a gente vai tentar lidar com a dor,
  406. 16:18conviver com a dor, ela tem explicações
  407. 16:21práticas profundas da forma que então eu
  408. 16:23vou conduzir meu tratamento. E a gente
  409. 16:25deixa de lado um modelo de diagnóstico,
  410. 16:27sintoma e cura. E a gente abraça então o
  411. 16:29modelo no qual a gente vê pessoa,
  412. 16:32contexto e funcionamento. E aqui tá a
  413. 16:35beleza da arte, gente. Quando a gente
  414. 16:37para de lutar uma guerra que é
  415. 16:39impossível,
  416. 16:42a gente não tem como vencer, certo? A
  417. 16:45gente consegue então liberar recurso,
  418. 16:47energia para lucar com o paciente,
  419. 16:49batalhas que realmente importam. Faz
  420. 16:51sentido para vocês?
  421. 16:54Sim.
  422. 16:55Não, também tem aqui. Muito bem, vamos
  423. 16:59então entrar na AT. Que que isso quer
  424. 17:01dizer?
  425. 17:06Então, esse que vocês estão vendo aqui
  426. 17:07no meus slides, meu slide, é o exaflex,
  427. 17:10é o hexágono de flexibilidade
  428. 17:12psicológica. É assim que a ACT entende o
  429. 17:14paciente. E o que que isso significa?
  430. 17:17Vejam só,
  431. 17:20flex, ele vai representar, ele é
  432. 17:21representado por esses seis processos
  433. 17:22centrais, né, que eles representam
  434. 17:24flexibilidade psicológica. Ah, então
  435. 17:27quando eu falo que eles são centrais,
  436. 17:29que que isso significa? Que esses
  437. 17:31processos eles vão ser o motor de
  438. 17:33mudança na ACT, né? Aquilo que vai ser o
  439. 17:36principal ponto de mudança ali para essa
  440. 17:38abordagem teórica. E no centro desses
  441. 17:41três processos, quando eles estão aqui,
  442. 17:42né, nesse hexágono, a gente tem o que se
  443. 17:44chama flexibilidade psicológica. E ela,
  444. 17:47por sua vez, é a capacidade que o
  445. 17:49paciente tem de entrar em contato com o
  446. 17:51momento presente, de forma plena, como
  447. 17:53um ser humano consciente e persistindo,
  448. 17:56dar o comportamento dele a favor daquilo
  449. 17:58ali que importa, serviço daquilo que
  450. 17:59importa. Complexo?
  451. 18:02OK. Vamos destrinchar isso aqui um
  452. 18:04pouquinho. Então, primeiramente, nesse
  453. 18:06exágono a gente tem a aceitação. O que
  454. 18:09que é aceitação, né? Eh, vamos lá, né?
  455. 18:13Na ACT, aceitação não é resignação
  456. 18:15passiva, não é ai, tá aquela frase que a
  457. 18:18gente fala, ai, fazer o quê? Aceita que
  458. 18:20dói menos. Ã, não, não é isso, né?
  459. 18:23Definitivamente não. Na ACT, aceitação é
  460. 18:26o abraço, né? consciente das
  461. 18:29experiências privadas, daquelas coisas
  462. 18:30que acontecem embaixo da minha pele, que
  463. 18:32são desconfortáveis, aqueles pensamentos
  464. 18:34que pesam, aquelas emoções
  465. 18:35desconfortáveis,
  466. 18:37ã, tudo aquilo ali que é desconfortável.
  467. 18:39Quando eu me abro e abraço isso, aceito
  468. 18:42que aquilo faz parte da minha história,
  469. 18:43da minha vida, sem tentativa de mudar
  470. 18:46sua frequência, sua forma, eu tô em
  471. 18:47aceitação. Por exemplo, imaginem vocês
  472. 18:51que vocês estão dirigindo, dirigindo pro
  473. 18:53trabalho e vocês ficam presos num
  474. 18:55congestionamento. Terrível, né? Tem duas
  475. 18:58opções. Primeiramente, vocês podem
  476. 19:00passar 50 minutos buzinando, xingando,
  477. 19:03trocando de faixa, desesperadamente,
  478. 19:05portando outro carro, porque acha, ah,
  479. 19:06de carro vai mais rápido, car mais
  480. 19:07devagar, se estressando, gastando uma
  481. 19:09energia enorme, tentando controlar uma
  482. 19:11coisa que tá fora do seu controle
  483. 19:15ou alternativamente
  484. 19:18aceitar que o trânsito tá parado, ligar
  485. 19:20um podcast interessante, respirar fundo
  486. 19:23e usar esse tempo de uma forma
  487. 19:24diferente. Então, a aceitação é o
  488. 19:27reconhecer que, ok, essa é a realidade.
  489. 19:30Agora, eu não gosto,
  490. 19:33eu não escolhi, mas eu mas ela tá aqui.
  491. 19:37Então, como que eu vou me relacionar com
  492. 19:38ela de uma forma que não piore a minha
  493. 19:40situação? Percebam? Isso aqui é uma
  494. 19:43escolha ativa, corajosa,
  495. 19:46inteligente. Então quando aqui é quando
  496. 19:48a gente de repente não consegue
  497. 19:50controlar o contexto, mas a gente de
  498. 19:52repente consegue mudar a nossa relação
  499. 19:55com ele, certo? E no contexto da dor
  500. 19:57crônica, que a gente pode pensar?
  501. 20:00Imaginem só um paciente com fibromialgia
  502. 20:02que acorda com dor. Esse paciente,
  503. 20:05talvez uma moça, ela pode passar o dia
  504. 20:07inteiro lutando mentalmente contra a
  505. 20:09dor. Por que eu?
  506. 20:12Poxa vida, por que que isso tá
  507. 20:14acontecendo comigo?
  508. 20:16Eu não aguento mais. Eu quero que essa
  509. 20:18dor pare agora. Eu não suporto mais
  510. 20:20isso. Isso queria uma camada adicional
  511. 20:23de sofrimento.
  512. 20:24Percebem? Além da dor física, existe uma
  513. 20:27dor emocional também.
  514. 20:30Mas e se essa pessoa, se essa moça, ela
  515. 20:32fosse capaz de mudar a relação dela com
  516. 20:34essa dor que é crônica e talvez pensar:
  517. 20:37"Tá, eu acordei, a dor ela tá aqui hoje
  518. 20:40mais uma vez, eu não gosto disso."
  519. 20:44Mas, sei lá, talvez enquanto eu luto
  520. 20:47contra ela, eu perco energia que eu
  521. 20:49poderia estar usando para fazer outras
  522. 20:50coisas, coisas mais significativas,
  523. 20:54mesmo com a dor presente.
  524. 20:56Então, ah, muitas vezes os pacientes
  525. 20:58eles a gente tem essa possibilidade,
  526. 21:01talvez a gente não vai eliminar a dor,
  527. 21:04na verdade não, mas a gente consegue
  528. 21:06ajudar essa outra perspectiva, essa
  529. 21:08outra possibilidade. Ao invés de tentar
  530. 21:11desligar a sensação constante, né, a
  531. 21:14percepção constante de poxa, tô com dor,
  532. 21:16deixa eu prestar atenção nisso, deixa eu
  533. 21:17ficar o tempo inteiro concentrada na
  534. 21:19minha dor e como eu não suporto isso, a
  535. 21:21gente pode redirecionar a atenção dele
  536. 21:24ou ensiná-lo a fazer isso, certo? Muito
  537. 21:27bem. Processo número dois, desfusão
  538. 21:30cognitiva.
  539. 21:31Então, a desfusão cognitiva, ela vai
  540. 21:34basicamente envolver, alterar algumas
  541. 21:37funções indesejadas dos nossos
  542. 21:38pensamentos, não a forma do pensamento
  543. 21:40ou a frequência que eles aparecem. que
  544. 21:43eu quero que meu paciente aqui na
  545. 21:45desfusão, ele observe os pensamentos
  546. 21:47dele apenas como um pensamento, como um
  547. 21:50evento mental e não como uma verdade
  548. 21:52absoluta sobre a realidade. Por exemplo,
  549. 21:55se eu tiver o pensamento eu sou
  550. 21:57incompetente, a fusão cognitiva, oposto
  551. 22:00de fusão, seria eu reagir a esse
  552. 22:02pensamento como ele se for como ele,
  553. 22:03como se ele fosse um fato. Que que isso
  554. 22:05significa? Eu penso que eu sou
  555. 22:07incompetente, então eu passo a me
  556. 22:09comportar como se eu realmente fosse
  557. 22:11incompetente. Eu começo a evitar
  558. 22:13desafios, hã, eu procrastino, eu me
  559. 22:16isolo. E a desfusão, por outro lado,
  560. 22:19seria eu reconhecer. Eu tô tendo o
  561. 22:22pensamento de que eu sou incompetente. É
  562. 22:24diferente eu pensar, eu estou tendo um
  563. 22:27pensamento de eu sou incompetente.
  564. 22:29Percebem isso? No primeiro caso, eu sou
  565. 22:32o pensamento. Já no segundo, eu tenho
  566. 22:35pensamento. Faz sentido para vocês? É a
  567. 22:39diferença de você tá dentro de um carro
  568. 22:40em movimento versus você tá no, de
  569. 22:43repente tá do lado de de fora desse
  570. 22:45carro simplesmente vendo ele passar. E a
  571. 22:47desfusão na arte, as estratégias de
  572. 22:49desfusão cognitiva, elas elas visam
  573. 22:51criar uma distância saudável para
  574. 22:54permitir que a gente escolha o que como
  575. 22:55responder esses pensamentos que surgem.
  576. 22:58E no contexto da dor crônica, a gente
  577. 22:59pode pensar, por exemplo, eh, numa
  578. 23:02pessoa com dor lombar crônica, né, e que
  579. 23:05constantemente pensa:
  580. 23:09"Minha coluna tá destruída, qualquer
  581. 23:12movimento vai piorar tudo." Então,
  582. 23:15quando eu tô fundido com esse
  583. 23:17pensamento, né, a pessoa ela para de se
  584. 23:19movimentar completamente. Ela começa de
  585. 23:22repente a ter medo do movimento. E a
  586. 23:24desfusão seria então ela reconhecer, eu
  587. 23:27estou tendo pensamento catastrófico
  588. 23:28sobre a minha coluna, é um pensamento,
  589. 23:31não necessariamente é um fato médico,
  590. 23:32conforme o médico já me orientou, né? E
  591. 23:35isso permite que a pessoa ela consegue
  592. 23:37fazer movimentos graduais, seguros,
  593. 23:39quebrando o ciclo do medo, evitação e
  594. 23:42incapacidade, certo? Bom, a gente também
  595. 23:46tem então o terceiro processo que a
  596. 23:47gente chama de mindfulness. E o que que
  597. 23:49seria mindfulness? Vocês sabem?
  598. 23:56E aí, comenta aqui no chat que é
  599. 23:57mindfulness.
  600. 24:04Bom, mindfulness significa você tá com
  601. 24:07atenção presente, ã, conectado com a
  602. 24:10experiência no momento, né? Não
  603. 24:12significa você não ter memórias, não
  604. 24:14fazer plano pro futuro, não se
  605. 24:16programar, mas significa você ter
  606. 24:17capacidade de direcionar sua atenção
  607. 24:19plenamente para onde você tá aqui agora.
  608. 24:22eh, quando isso for útil, né? Ou seja,
  609. 24:24vou planejar o futuro, vou vou
  610. 24:25direcionar minha atenção para lá, porque
  611. 24:27eu preciso me planejar. Imaginem uma
  612. 24:29pessoa, por exemplo, tentando ter uma
  613. 24:30conversa importante com o filho, mas
  614. 24:32enquanto mentalmente pensando numa
  615. 24:35discussão que teve com o chefe, né?
  616. 24:37Então, ao mesmo tempo também essa pessoa
  617. 24:39tá preocupada com uma apresentação no
  618. 24:40trabalho que ela tem que fazer amanhã.
  619. 24:42Essa pessoa não tá presente, ela tá
  620. 24:44perdendo a oportunidade de conectar
  621. 24:46genuinamente com o filho no momento
  622. 24:48único que existe, que é agora. Já no
  623. 24:50contexto da dor crônica, o que que a
  624. 24:52gente pode pensar, né? Eh, imaginem só
  625. 24:55uma pessoa com enxaqueca, uma pessoa que
  626. 24:58tem crises constantes de enxaqueca. Ela
  627. 25:00tá ali durante um jantar importante para
  628. 25:02ela, um jantar em família e mentalmente
  629. 25:05ela tá se comparando. Poxa, eh, há 5
  630. 25:09anos antes do testador eu conseguia
  631. 25:11aproveitar, eu conseguia ser mais feliz
  632. 25:14aqui. Eh, ah, e que droga, né? Eh,
  633. 25:18amanhã essa minha dura ainda pode
  634. 25:19piorar. Será que eu vou conseguir
  635. 25:21trabalhar? Será que eu vou conseguir tá
  636. 25:23bem? Poxa, como é que vai ser o meu
  637. 25:24futuro? Como é que vão ser os outros
  638. 25:26momentos que a minha família vai ser
  639. 25:26sempre assim? Vou tá sempre com dor?
  640. 25:28Então, vejam só, enquanto essa pessoa tá
  641. 25:31ruminando o passado ou pensando sobre um
  642. 25:34futuro, né, catastrófico, ela perde o
  643. 25:37momento presente, ela perde a relação
  644. 25:40com a família, as conversas, sorrisa,
  645. 25:42conversa.
  646. 25:44Bom, a dor tá lá, é fato, mas ao mesmo
  647. 25:48tempo tem vida que tá acontecendo agora
  648. 25:50no momento presente. É nesse momento que
  649. 25:52a gente quer que o paciente esteja em
  650. 25:53contato for útil e importante. OK? Bom,
  651. 25:58a gente também tem um processo que se
  652. 25:59chama self como contexto ou enfim, né?
  653. 26:03ou eu como contexto. Esse processo, por
  654. 26:06sua vez, pessoal, presta atenção, ele
  655. 26:08ajuda a gente experimentar a distinção
  656. 26:11entre um pensamento e uma emoção
  657. 26:13observado e a pessoa que observa. É a
  658. 26:16diferença entre eu sou ansioso e eu sou
  659. 26:21alguém que está sentindo ansiedade
  660. 26:24agora. Percebem a diferença? Bom, é como
  661. 26:27se fosse o céu, né? Eu sempre gosto de
  662. 26:29trazer analogia paraos meus alunos, né?
  663. 26:32Ah, a gente imaginem só o céu, a gente
  664. 26:34tá, o céu tá lá, né? A gente não pode
  665. 26:36tocar, encostar porque não é uma coisa
  666. 26:38material concreta, que tem o céu. A
  667. 26:41gente tem estrelas, tem nuvens, a gente
  668. 26:43tem o clima que muda o tempo inteiro,
  669. 26:45mas o céu, independentemente da estação
  670. 26:47do ano, independentemente do clima, ele
  671. 26:49sempre continua sendo o céu. Que que
  672. 26:52isso quer dizer? Os pensamentos, as
  673. 26:54emoções, as sensações que a gente sente,
  674. 26:57elas são como o clima. Às vezes uma
  675. 26:58tempestade violenta, às vezes nublado,
  676. 27:00às vezes um sol radiante, mas o céu não.
  677. 27:04O céu, o clima muda, o céu não. O céu
  678. 27:06permanece, o céu contém o clima. Ou
  679. 27:10seja, vocês ou os pacientes de vocês não
  680. 27:13são as experiências temporárias, a
  681. 27:15ansiedade, o luto, a raiva, a tristeza.
  682. 27:17Vocês são o espaço consciente onde essas
  683. 27:20experiências acontecem. E no contexto da
  684. 27:22dor crônica, muitas pessoas com dor
  685. 27:24crônicas, com dor crônica, dizem: "Eu
  686. 27:28sou um paciente com dor. Eu sou uma
  687. 27:29pessoa incapaz, eu sou uma pessoa
  688. 27:31talvez, né, de fal muito pejorativa,
  689. 27:34muito triste, inválida. Eu não sou como,
  690. 27:36eu não sou o que eu fui. Mas vejam só, a
  691. 27:39dor acaba se sonhando. Então, a
  692. 27:41identidade completa daquele paciente,
  693. 27:43mas ele é muito mais que isso. Ele é
  694. 27:46alguém que, dentre muitas outras
  695. 27:48experiências de vida, tá experimentando
  696. 27:51a dor. Mas ele não é só isso. É como se
  697. 27:54a dor fosse uma nuvem cheia, uma
  698. 27:56tempestade passando pelo céu, intensa,
  699. 27:59desconfortável, mas não define o céu.
  700. 28:02Aquela nuvem, ela vai passar também. e
  701. 28:04ela não define quem a pessoa é, certo? E
  702. 28:07a gente também tem mais um processo que
  703. 28:10são os valores. Vejam só o que que são
  704. 28:13valores. Essencialmente eles são como
  705. 28:15direções livremente escolhidas, né? Ah,
  706. 28:19eventualmente que guiam as nossas ações,
  707. 28:21nossos comportamentos. Eles são como
  708. 28:24pontos numa búsula. Bom, a gente sempre
  709. 28:26pode ir pro norte, né? A gente sempre
  710. 28:28pode caminhar naquela direção. Então, os
  711. 28:30valores eles guiam a gente, eles não são
  712. 28:32objetivos. Por exemplo, eu posso me
  713. 28:34dirigir para uma cidade ao norte, certo?
  714. 28:37Se eu for para uma cidade, se você sair
  715. 28:39da sua casa e fala: "OK, vou paraa
  716. 28:40primeira cidade ao norte da minha
  717. 28:42cidade", enfim, você consegue? Sim, isso
  718. 28:46é um objetivo. Mas o valor, né, seria
  719. 28:49como algo muito maior do que isso. Seria
  720. 28:52como você se direcionar pro norte. O
  721. 28:53norte não tem fim, isso é algo maior,
  722. 28:55isso é uma direção, mas ir para uma
  723. 28:58cidade especificamente que fica ao
  724. 29:00norte, isso é um objetivo. Te aproxima
  725. 29:03do valor, daquilo que é maior, mas não é
  726. 29:05ah o objetivo, o valor em si mesmo, o
  727. 29:08norte em si mesmo, ser para próxima
  728. 29:09cidade. Faz sentido isso para vocês?
  729. 29:11Contem aqui no chat.
  730. 29:15Por exemplo,
  731. 29:16se alguém valoriza eh ser uma mãe
  732. 29:19presente, isso não significa que é algo
  733. 29:21que você conquista e sei lá, agora hoje
  734. 29:25eu fui uma mãe presente, então eu vou lá
  735. 29:26agora, risco isso da minha lista,
  736. 29:28consegui. Então, né? É uma coisa que
  737. 29:30você expressa através de vários
  738. 29:32comportamentos específicos, dia após
  739. 29:33dia, situação após situação. E cada
  740. 29:35conversa com seus filhos, cada jogo,
  741. 29:38cada momento de escuta genuína, enfim,
  742. 29:40tudo isso é uma expressão desse valor,
  743. 29:42né? Cada pequeno objetivo dentro disso é
  744. 29:45uma expressão desse valor. Então os
  745. 29:47objetivos eles são finitos, eles
  746. 29:48terminam, mas os valores não, eles são
  747. 29:52infinitos, né? Então vamos pensar, por
  748. 29:54exemplo, uma pessoa, um paciente no
  749. 29:57contestador crônica, um indivíduo com
  750. 29:59dor neuropática, né? Talvez ele pode
  751. 30:01valorizar se era um avô, uma avó
  752. 30:04participativa. Poxa, antes eu jogava
  753. 30:06futebol com os meus netos, mas com a dor
  754. 30:08isso ficou impossível, né? Então o valor
  755. 30:11continua ser um avô, uma avó
  756. 30:13participativa continua presente. Só que,
  757. 30:16né, essa pessoa a partir do momento que
  758. 30:18ela teve, ela passou a experimentar dor,
  759. 30:20o que que aconteceu? Ela teve
  760. 30:21comportamentos na direção oposta desse
  761. 30:23valor. Percebem? Com isso, minha com
  762. 30:26minha dor, isso ficou impossível. Então,
  763. 30:29ah, o que que a gente pode pensar diante
  764. 30:31disso? Existem formas diferentes, já que
  765. 30:33o valor de lidar com isso, já que a dor
  766. 30:35valor continua. Agora, talvez essa
  767. 30:37pessoa ela possa ensinar, talvez eu não
  768. 30:40consiga mais na arquibancada jogar
  769. 30:42futebol, jogar bola com ele no campo,
  770. 30:44né? Mas eu consigo talvez jogar xadrez
  771. 30:47com sentado, contar histórias, assistir
  772. 30:49de repente eh com ele alguma gravação do
  773. 30:54jogo, eu vou estar presente, vou ser
  774. 30:55participativo de outras formas. Então o
  775. 30:58valor ele é uma búscula que ajuda o
  776. 31:00paciente a encontrar outros caminhos
  777. 31:02para aquele norte, para aquela direção,
  778. 31:05quando as outras estradas, os outros
  779. 31:06caminhos pro norte, pra direção, eles
  780. 31:08estão bloqueados pela dor. Então, se o
  781. 31:10seu objetivo é pro norte e a primeira
  782. 31:12cidade ah que fica ao norte da sua
  783. 31:15própria cidade tá com caminho bloqueado,
  784. 31:17você pode pegar um desvio, mas como seu
  785. 31:19objetivo não é ir para aquela cidade,
  786. 31:20mas sempre pro norte, você pode ir pro
  787. 31:21outro desvio e assim sempre se
  788. 31:23direcionar pro norte, certo? E por
  789. 31:26último, mas não menos importante, temos
  790. 31:29então a ação comprometida. Que que é
  791. 31:31isso? Ação comprometida é como é
  792. 31:34escolher o curso de uma ação, qual como
  793. 31:36eu vou me comportar a partir dos meus
  794. 31:39valores e persistir mesmo quando surgem
  795. 31:42barreiras internas. Seja um pensamento
  796. 31:44difícil, uma emoção desconfortável, seja
  797. 31:47uma sensação desagradável ou seja alguma
  798. 31:49coisa externa, um obstáculo prático,
  799. 31:51falta de recurso.
  800. 32:00É a diferença entre, ah, eu vou fazer
  801. 32:03atividade física só quando eu tiver
  802. 32:05motivado e eu vou fazer exercício físico
  803. 32:08porque eu valorizo a saúde,
  804. 32:09independentemente de como eu me sinto
  805. 32:11hoje. Então, a primeira perspectiva, ela
  806. 32:14é sobre estados internos variáveis. O
  807. 32:16dia que eu tiver motivada eu faço. Já a
  808. 32:17segunda eu vou fazer, porque um dos meus
  809. 32:20valores é saúde. Ela é guiada, é uma
  810. 32:22ação guiada por uma coisa mais profunda
  811. 32:24e consistente, certo? Bom, já no
  812. 32:27contexador crônico, como que a gente
  813. 32:29observa isso? Por outro lado, vai ser a
  814. 32:32diferença entre, ah, eu vou à
  815. 32:34fisioterapia quando eu não tiver com
  816. 32:35dor, o que pode significar talvez nem
  817. 32:37nunca ir. E talvez eu vou à fisioterapia
  818. 32:40porque eu valorizo minha minha
  819. 32:41mobilidade, a minha independência, mesmo
  820. 32:44nos dias de dor nível seis, oito, eu vou
  821. 32:48caminhar por 10 minutos mesmo com dor no
  822. 32:50quadril, porque o médico determinou, não
  823. 32:53somos nós psicólogunos que determinamos
  824. 32:55o que o paciente pode ou não pode fazer
  825. 32:56do ponto de vista físico, pessoal. Mas
  826. 32:58enfim, então o médico me liberou, disse
  827. 33:00que era importante eu caminhar mesmo
  828. 33:01comor no quadril, porque o valorismo me
  829. 33:03manter ativo, em vez de esperar o dia
  830. 33:06mítico no qual eu vou estar sem dor, né,
  831. 33:09para finalmente poder ir. Faz sentido
  832. 33:11isso para vocês? Tá claro?
  833. 33:14OK, entendidos os seis processos. Bom,
  834. 33:18vamos falar então de desesperança
  835. 33:19criativa, né? Hã, prestem muita atenção.
  836. 33:23Ela é um processo, ela é um processo
  837. 33:25terapêutico absolutamente necessário. E
  838. 33:27eu quero que também que vocês entendam
  839. 33:28que não, isso não significa que a gente
  840. 33:31tá criando desesperança no paciente
  841. 33:32sobre a vida para nada disso. Bom, o que
  842. 33:35que a gente quer aqui? Na verdade, na
  843. 33:37com na desesperança criativa, a gente tá
  844. 33:40ajudando o paciente a reconhecer com
  845. 33:42compaixão profunda, ah, que as
  846. 33:44estratégias antigas de controle que ele
  847. 33:46utilizava para evitar dor, sofrimento,
  848. 33:49elas não funcionaram até aqui. A
  849. 33:51desesperança com as estratégias que ele
  850. 33:52já usou e que foram ineficazes. Ah, e
  851. 33:57não só isso, que essas estratégias elas
  852. 33:58também não são compatíveis com uma vida
  853. 34:00significativa.
  854. 34:02Uma analogia, uma metáfora que a gente
  855. 34:04sempre gosta de usar com esses pacientes
  856. 34:06é: ã imaginem só vocês, né, nessa
  857. 34:08metáfora que de repente você cai num
  858. 34:10buraco profundo e aí você se desespera.
  859. 34:13Poxa, como é que eu vou sair daqui? E aí
  860. 34:16você olha pro lado, vê que ali dentro
  861. 34:17tem uma pá e pensa: "Nossa, eu vou então
  862. 34:20cavar para tentar sair daqui". Faz
  863. 34:22sentido, certo? Mas quanto mais você
  864. 34:26cava tentando subir, mais fundo o buraco
  865. 34:30fica.
  866. 34:32Então, o primeiro passo pra gente
  867. 34:33encontrar uma solução ideal real é parar
  868. 34:36de cavar, largar a pá. A pá, por sua
  869. 34:39vez, representa todas as tentativas
  870. 34:41desesperadas que o paciente tem para
  871. 34:43tentar controlar a dor e que não
  872. 34:45funcionaram. Eu não vou mais sair de
  873. 34:47casa, eu não vou mais me relacionar com
  874. 34:48as pessoas, eu vou me isolar, já que eu
  875. 34:50sou um fardo. E às vezes a solução não é
  876. 34:54fazer mais daquilo que não funciona com
  877. 34:56intensidade, com mais intensidade. A
  878. 34:59solução, na maioria das vezes, é fazer
  879. 35:00uma coisa completamente diferente. Só
  880. 35:02que para isso, a gente precisa primeiro
  881. 35:05reconhecer honestamente o que a gente
  882. 35:07estava fazendo que não tá funcionando.
  883. 35:09Então, como que é o tratamento? Como que
  884. 35:11a gente vai manejar isso?
  885. 35:14Bom, vamos falar então do protocolo de
  886. 35:16tratamento. Em primeiro lugar, a gente
  887. 35:18não trata dor crônica sozinho. Eu não
  888. 35:20posso falar pro meu paciente que é
  889. 35:22seguro ele fazer tal movimento e tudo
  890. 35:23mais, apesar da dor, se o médico
  891. 35:25fisioterapeuta ele não deu orientações
  892. 35:27em relação a isso, certo? Ã, mas de modo
  893. 35:30geral, o que que eu preciso então,
  894. 35:32idealmente? Primeiramente, né, o ideal é
  895. 35:35que esse paciente ele esteja numa equipe
  896. 35:36multidisciplinar, que ele tenha um
  897. 35:38psicólogo ACT para atendê-lo, o
  898. 35:40fisioterapeuta tratando essa dor, né? H,
  899. 35:43também o médico que seja atendendo esse
  900. 35:44paciente, acompanhando essa dor dele, as
  901. 35:46causas dela, enfim. E a gente também,
  902. 35:48né, se for possível, dependendo do caso,
  903. 35:50né, se for necessário um enfermeiro ou
  904. 35:52até um e ou um terapeuta ocupacional,
  905. 35:54eventualmente para adaptar alguma coisa
  906. 35:56que esse paciente necessite, certo? E o
  907. 35:58tratamento ele vai ter uma estrutura
  908. 36:01organizada da seguinte forma. Bom,
  909. 36:04essencialmente ele vai ser ali acontecer
  910. 36:06em torno de oito sessões
  911. 36:07aproximadamente, certo? Claro, ele pode
  912. 36:10variar com uma para algumas sessões a
  913. 36:12mais, porque como eu disse para vocês na
  914. 36:14nosso primeiro encontro, ah, eu preciso
  915. 36:16sempre entender, né, como eu vou
  916. 36:18adaptar, um dos pilares da psicologia
  917. 36:19baseada em evidências é adaptar o
  918. 36:21tratamento, o protocolo pro paciente que
  919. 36:23tá diante de mim. E alguns pacientes,
  920. 36:24sim, vão precisar de mais intervenções,
  921. 36:26de mais técnicas, de mais sessões para
  922. 36:28fazer alguma coisa que foi muito difícil
  923. 36:30para ele. Mas via de regra, a gente
  924. 36:32conta ali com cerca de oito sessões
  925. 36:34aproximadamente individuais. E essas
  926. 36:37sessões, pessoais, e essas sessões,
  927. 36:39pessoal, elas vão ter duração aproximada
  928. 36:42de 90 minutos, certo? E vão ser
  929. 36:44realizada semanalmente. E por que isso?
  930. 36:49Normalmente, né, ah, elas acontecem
  931. 36:52nesse período, elas acontecem com essa
  932. 36:54duração superior às outras terapias
  933. 36:55normalmente, porque a ACT é uma terapia
  934. 36:58experiencial. A gente precisa de tempo
  935. 37:01suficiente, não só para explicar os
  936. 37:03conceitos. Eu vou lá e falo esse
  937. 37:05conceito é isso, tá? agora vai para casa
  938. 37:07e faz. Não, né? A gente precisa ajudar o
  939. 37:09paciente a vivenciar aquilo
  940. 37:11profundamente durante uma sessão. Então,
  941. 37:13a sessão de 50 minutos, ela não é
  942. 37:15suficiente para esse trabalho que a
  943. 37:16gente tá fazendo na dor crônica, OK?
  944. 37:19Bom, e também existem intervenções no
  945. 37:21formato grupal que a gente não vai
  946. 37:22abordar hoje, ã, mas que também são alt
  947. 37:27eficazes, né? Normalmente conentes com
  948. 37:29sessões até de 2 horas me semanais
  949. 37:32durante oito semanas. Normalmente esse
  950. 37:34formato ele tem vantagens. O paciente
  951. 37:36ele percebe que ele não tá sozinho, que
  952. 37:38tem outras pessoas que também tm aquela
  953. 37:40luta, aquela experiência, ã, mas ao
  954. 37:42mesmo tempo é limitada porque não tem
  955. 37:44menos tempo individual, não tem como
  956. 37:46manejar questões individuais, né? E ao
  957. 37:48mesmo tempo pacientes com comorbidades,
  958. 37:50como depressão, algum transtorno de
  959. 37:52ansiedade, ah, ou algum outro transtorno
  960. 37:54como personalidade e tudo mais, eles não
  961. 37:57são ideais para esse tipo de formato,
  962. 37:59certo? Então, idealmente a gente conduz
  963. 38:01ali, né, com a TCC individual. Beleza?
  964. 38:04Tá fazendo sentido até aqui para vocês?
  965. 38:07Comentem aqui.
  966. 38:09E aí, quem entrou atrasado já deixa like
  967. 38:13aqui no vídeo.
  968. 38:16Muito bem. Vamos então falar do
  969. 38:19protocolo de tratamento, certo? Bom, o
  970. 38:22que que eu faço então nas minhas
  971. 38:23primeiras sessões com esse paciente?
  972. 38:26Bom, na sessão um, inicialmente, eu vou
  973. 38:29construir a relação terapêutica e fazer
  974. 38:31uma avaliação funcional desse paciente.
  975. 38:34Nessa primeira sessão ACT, né, da dor
  976. 38:37crônica, ela é completamente diferente
  977. 38:39de uma sessão tradicional de CCC
  978. 38:40clássica. A gente começa, né,
  979. 38:42primeiramente com o que eu chamo de
  980. 38:43honestidade radical. Não é só uma
  981. 38:45estratégia terapêutica, é uma postura
  982. 38:47ética fundamental com paciente com a
  983. 38:49crônica. Eh, o que que eu costumo, eu,
  984. 38:51Anne, né, terapeuta, costumo falar pro
  985. 38:53meu paciente, olha, ã, eu sei que você
  986. 38:55já tentou muita coisa para controlar a
  987. 38:57sua dor. Eu sei que você já gastou
  988. 38:59dinheiro, tempo, energia, né? Talvez
  989. 39:02mais doloroso que isso, você já gastou
  990. 39:04esperança também. E eu não vou mentir
  991. 39:06para você prometendo que eu vou eliminar
  992. 39:09sua dor. Isso seria desonesto da minha
  993. 39:11parte e até cruel. Eu não sou capaz
  994. 39:13disso, mas eu vou te prometer uma coisa
  995. 39:16que talvez seja muito mais valiosa. Eu
  996. 39:18quero te ajudar a construir uma vida
  997. 39:20rica e significativa, mesmo com a dor
  998. 39:23presente. Que que vocês acham disso?
  999. 39:29Que que sugeria em vocês? Comentem aqui
  1000. 39:32no chat. Mais esperança, desespero que
  1001. 39:36aí.
  1002. 39:38E por que que a gente começa assim?
  1003. 39:40Primeiro, essa abertura, ela quebra
  1004. 39:43imediatamente a expectativa de mais um
  1005. 39:47tratamento milagroso mais uma vez. Isso
  1006. 39:50previne a frustração, previne o abandono
  1007. 39:52posterior durante a terapia, após a alta
  1008. 39:55e, segundo, estabelece credibilidade
  1009. 39:57através de honestidade. O paciente
  1010. 39:59percebe que a gente não tá pegando
  1011. 40:01esperança miraculosa igual fazem os
  1012. 40:04coaches.
  1013. 40:06Enfim, terceiro, né, isso já introduz
  1014. 40:09também sutilmente o conceito central de
  1015. 40:11que o objetivo da terapia não é
  1016. 40:13eliminador, mas o funcionamento do
  1017. 40:15paciente, apesar dela, né, e também vai
  1018. 40:17criar uma diferenciamento, uma
  1019. 40:18diferenciação de tratamentos anteriores
  1020. 40:21que ele já pode ter tentado gerando
  1021. 40:22curiosidade, certo? E nessa sessão
  1022. 40:25também, além disso, a gente faz uma
  1023. 40:27avaliação funcional, né? Que que isso
  1024. 40:29quer dizer? A gente tá interessado não
  1025. 40:31só na história da dor, né? Mas em como a
  1026. 40:35dor reorganizou completamente, modificou
  1027. 40:37a vida desse paciente, dessa pessoinha.
  1028. 40:40A gente pode perguntar especificamente:
  1029. 40:43"Olha, me conta tudo sobre a dor, né?
  1030. 40:45Eh, mas mais importante, como que ela
  1031. 40:47afeta cada área da sua vida?"
  1032. 40:49E a gente quer entender o que que essa
  1033. 40:50pessoa parou de fazer por causa da dor,
  1034. 40:53o que que mudou nos relacionamentos dela
  1035. 40:54por causa disso, como que a rotina dela
  1036. 40:57mudou, quais sonhos essa pessoa
  1037. 40:59abandonou, quais tratamentos ela já
  1038. 41:02tentou e o que que aconteceu com cada
  1039. 41:03um. Se a dor desaparecesse magicamente
  1040. 41:06amanhã, o que que essa pessoa faria de
  1041. 41:08diferente? O que que ela iria mudar?
  1042. 41:11Certo? Mas a pergunta mais crucial de
  1043. 41:15toda a primeira sessão é essa. Depois de
  1044. 41:18todos esses tratamentos, todos esses
  1045. 41:20anos de esforço, todo esse dinheiro,
  1046. 41:23essa energia investida, você sente que
  1047. 41:25você ganhou a guerra contra a dor?
  1048. 41:29Essa pergunta, ela tem com objetivo
  1049. 41:31plantar a semente da desesperança
  1050. 41:33criativa [roncando] que a gente vai
  1051. 41:35desenvolver na sessão seguinte, certo?
  1052. 41:40fez sentido para vocês aqui?
  1053. 41:44Bom, um dos inventários que a gente
  1054. 41:46utiliza nessa sessão é o inventário da
  1055. 41:48luta, né? A gente pede pro paciente
  1056. 41:51listar absolutamente tudo que ele já
  1057. 41:53tentou usar para controlar a dor,
  1058. 41:55reduzir ou eliminar ela. Medicação,
  1059. 41:57terapia física, cirurgia, mudança de
  1060. 41:59dieta, suplementa com pintura, massagem,
  1061. 42:02coach quântico, heik com cavalos, enfim,
  1062. 42:05né? Não existem limites paraa
  1063. 42:07criatividade humana para as pessoas que
  1064. 42:08invess tratamentos. né? Mas vamos lá,
  1065. 42:11né? A gente vai tentar entender tudo que
  1066. 42:13ele já fez, até mesmo uma mudança de
  1067. 42:15emprego, parar de frequentar academia,
  1068. 42:18rituais de distração, tudo,
  1069. 42:20absolutamente tudo. Depois, para cada
  1070. 42:22estratégia, a gente vai avaliar três
  1071. 42:25aspectos que são cruciais. A eficácia
  1072. 42:27dessas coisas que ele tentou no longo
  1073. 42:28prazo, funcionou.
  1074. 42:30O custo total disso, quanto que custou
  1075. 42:33em dinheiro, em tempo, em carga, energia
  1076. 42:36emocional? E qual que foi o impacto
  1077. 42:38disso na qualidade de vida dele? Se dor
  1078. 42:40ficou melhor ou mais restrita com essas
  1079. 42:42coisas que você tentou? E esse
  1080. 42:44exercício, gente, é muito bacana, porque
  1081. 42:47normalmente ele gera listas que são
  1082. 42:48realmente impressionantes, né? Vocês vão
  1083. 42:50ficar surpresas quando vocês aplicarem
  1084. 42:52ele. Ã, e não só isso, né? Eh, eu já vi
  1085. 42:56pacientes, por exemplo, que já listaram
  1086. 42:5850 estratégias diferentes com custos que
  1087. 43:01que passavam assim centenas de milhares
  1088. 43:04de reais, né? pessoas que pararam de
  1089. 43:06fazer coisas que a gente nunca imaginava
  1090. 43:08por causa da dor.
  1091. 43:10E o que a gente quer aqui não é criticar
  1092. 43:13os esforços do paciente. O objetivo, na
  1093. 43:16verdade, é criar uma visão clara e
  1094. 43:17objetivo do padrão que não tá
  1095. 43:19funcionando, certo? Então a gente se
  1096. 43:22aprofunda nessas estratégias. vocês, a
  1097. 43:25gente termina também a sessão também
  1098. 43:27sempre validando profundamente. Olha
  1099. 43:29quanto esforço você já investiu. Você
  1100. 43:32incrivelmente corajoso, corajosa,
  1101. 43:34persistente, determinado. Você não
  1102. 43:36desistiu fácil. Isso mostra o quanto que
  1103. 43:39você valoriza sua vida e realmente quer
  1104. 43:41viver plenamente, mesmo com a Luna,
  1105. 43:43certo? Bom,
  1106. 43:47a gente se dirige então depois pra
  1107. 43:49sessão dois. O que que a gente vai fazer
  1108. 43:51na sessão dois especificamente?
  1109. 43:54H, talvez ela seja a mais delicada e
  1110. 43:57crucial de todo o protocolo. É aqui que
  1111. 44:00a gente cria o momento de abertura uma
  1112. 44:02abordagem completamente diferente. Mas
  1113. 44:04cuidado, gente, desesperança criativa
  1114. 44:08não é desencorajar o paciente a a fazer
  1115. 44:11ele desistir da vida, não é isso. Certo?
  1116. 44:15Aqui a gente quer criar desesperança em
  1117. 44:18relação às estratégias que ele já usou e
  1118. 44:19que não funcionaram. entrei no
  1119. 44:21consultório nosso. Hoje a gente quer
  1120. 44:23abrir espaço para uma coisa nova, que
  1121. 44:25ele esteja preparado para abrir mão
  1122. 44:27dessas coisas que ele já tentou e não
  1123. 44:28funciona, não do tratamento médico,
  1124. 44:31deixando isso claro, né? Mas talvez,
  1125. 44:34poxa, eu não vou, eu vou me isolar, vou
  1126. 44:37parar de conviver com os meus amigos por
  1127. 44:38causa dor. Não funcionou, certo? Então,
  1128. 44:42a gente vai começar visitando, revisando
  1129. 44:44o questionário, né, o inventário da luta
  1130. 44:46da sessão anterior, ã, e falando: "Olha,
  1131. 44:49ah, olha essa lista incrível com tudo
  1132. 44:51que você já tentou. Olha quanto esforço,
  1133. 44:53quanto dinheiro, quanta energia
  1134. 44:55emocional você já investiu. Você é
  1135. 44:57realmente é uma pessoa corajosa,
  1136. 44:58determinada." Mas me responde com total
  1137. 45:01honestidade. Depois de todos esses anos,
  1138. 45:04de todo esse esforço, todo esse
  1139. 45:05tratamento, você ganhou a guerra contra
  1140. 45:08dor? E a resposta é sempre não. Até hoje
  1141. 45:12ninguém me respondeu que sim, senão
  1142. 45:14possivelmente não estaria no consultório
  1143. 45:15para tratar dor crônica. E geralmente ah
  1144. 45:18essa resposta ela é sensível, ela vem
  1145. 45:21acompanhada de alguma emoção intensa,
  1146. 45:23tristeza, frustração, às vezes até
  1147. 45:25raiva.
  1148. 45:29E é neste momento, então, que a gente
  1149. 45:31aplica a desesperança criativa de uma
  1150. 45:33forma compassiva e direcionada. A gente
  1151. 45:36não tá só criando uma desesperança sobre
  1152. 45:38a vida, ai nada vai funcionar a
  1153. 45:40possibilidade de felicidade dessa
  1154. 45:42pessoa, não, né? Na verdade, a gente
  1155. 45:45quer abrir espaço para outras coisas. A
  1156. 45:48gente quer criar, na verdade,
  1157. 45:50desesperanças sobre estratégias de
  1158. 45:52controle que até aqui foram ineficazes.
  1159. 45:55E aí uma metáfora muito legal pra gente
  1160. 45:57usar é da areia movediça. Imagina só,
  1161. 46:00né? Você tá caminhando numa trilha muito
  1162. 46:03bonita num dia, está feliz. E de repente
  1163. 46:07você cai numa areia movediça, em areias
  1164. 46:09movediças.
  1165. 46:11Seu instituo natural, completamente
  1166. 46:13compreensível é lutar com todas as
  1167. 46:16forças para sair. É tentar se puxar, se
  1168. 46:18mover dali. Você se debate, você tenta
  1169. 46:21nadar, qualquer coisa, você se esforça
  1170. 46:23ao máximo. Mas o que que acontece quando
  1171. 46:26a gente cai na areia movediça?
  1172. 46:28Vocês sabem?
  1173. 46:31Quanto mais você luta, mais rápido você
  1174. 46:34vai afundar.
  1175. 46:36E a solução contrainttuitiva seria
  1176. 46:37exatamente o oposto. Ã, na verdade, né,
  1177. 46:41seria você parar de lutar, relaxar o seu
  1178. 46:45corpo, distribuir o peso e flutuar. Não
  1179. 46:48é que você desiste de ser removediça,
  1180. 46:51mas você para de fazer aquilo que piora
  1181. 46:53a situação. Talvez até alguém te
  1182. 46:55resgatar, alguém te ajudar também.
  1183. 46:57Certo?
  1184. 46:59Muito bem. Eu vou compartilhar com vocês
  1185. 47:01agora um role playay eh da metáfora do
  1186. 47:04cabo de guerra. a aplicação dela com uma
  1187. 47:06paciente fictícia, certo? Muito bem. Uma
  1188. 47:10paciente que vocês já conhecem de outros
  1189. 47:11carnavais, Ana Laura. Muito bem, então
  1190. 47:14vamos lá. Ã, Ana, você comentou que você
  1191. 47:18passa o dia inteiro lutando contra a
  1192. 47:19dor, tentando controlar ela de todas as
  1193. 47:21formas possíveis, mas conta para mim
  1194. 47:23como é que tem sido essa batalha.
  1195. 47:26Então, tem sido bem exaustível, na
  1196. 47:28verdade, eu acordo já pensando em como
  1197. 47:30que eu vou gerenciar a dor durante o
  1198. 47:32dia. Eu tomo remédios, evito movimentos,
  1199. 47:35cancelo compromissos, mas a dor sempre
  1200. 47:39vence.
  1201. 47:40>> Ana, eu quero que então você imagine o
  1202. 47:43seguinte, vamos usar uma metáfora aqui,
  1203. 47:45né? Eh, imagina que você tá segurando
  1204. 47:48uma corda e do outro lado dessa corda
  1205. 47:50tem um monstro enorme, que no caso é sua
  1206. 47:52dor crônica. E entre vocês dois tem um
  1207. 47:55buraco profundo, né? Conta para mim
  1208. 47:57então o que que você tem feito? Como é
  1209. 47:59que tá essa batalha? Você é de um lado
  1210. 48:01com a corda, esse monstro do outro com a
  1211. 48:02corda.
  1212. 48:05>> Ah, acho que eu tô puxando a corda, né?
  1213. 48:07Com toda a minha força. Eu tô, sei lá,
  1214. 48:09tentando derrotar ali a dor.
  1215. 48:11>> Perfeito. E quando você puxa, o que que
  1216. 48:14o monstro faz?
  1217. 48:16H, ele puxa de volta e às vezes até com
  1218. 48:19mais força.
  1219. 48:20>> Perfeito. Perfeito. Enquanto vocês estão
  1220. 48:23nesse cabo de guerra, onde que tá sua
  1221. 48:24energia? Como é que tá sua vida?
  1222. 48:28>> Hã, toda focada nessa luta,
  1223. 48:31>> tá, Ana? E se a gente pensasse, né, será
  1224. 48:34que se a gente dissesse que tem uma
  1225. 48:36terceira opção? Eh, talvez uma opção que
  1226. 48:39não seja nem vencer e nem perder,
  1227. 48:44>> não? Não sei ali. Não consigo nem pensar
  1228. 48:47assim qual seria.
  1229. 48:49>> E se você soltasse, largasse essa corda?
  1230. 48:53>> Mas se eu soltar, daí a dor vai vencer.
  1231. 48:56>> Vence o qu, Ana? Exatamente o quê? Se
  1232. 48:59você não tá mais no jogo do carro de
  1233. 49:01guerra, o que que ela vence? Pensa
  1234. 49:03comigo, quando você solta a corda, o
  1235. 49:05ainda tá lá?
  1236. 49:08>> Sim, sim. Imagino que sim.
  1237. 49:10>> Tá, mas você tá mais livre para fazer o
  1238. 49:12quê?
  1239. 49:16Ah, para
  1240. 49:18sei para viver, para fazer outras coisas
  1241. 49:22que não seja lutar ali com o monstro.
  1242. 49:25>> Perfeito. Que mais?
  1243. 49:29>> Hã, se eu não tô puxando a corda, eu
  1244. 49:32posso usar minha minhas mãos para outras
  1245. 49:34coisas, né? Eu posso me mover mesmo com
  1246. 49:38um monstro ali perto de mim.
  1247. 49:41>> Perfeito, Ana. Eh, e o monstro sem você
  1248. 49:44do outro lado puxando, que que acontece
  1249. 49:45com ele?
  1250. 49:48>> Ah, ele fica ali. Acho que talvez ele
  1251. 49:51até pare de puxar tanto porque ele não
  1252. 49:54vai sentir mais nenhuma resistência do
  1253. 49:55outro lado, né?
  1254. 49:57>> Perfeito. Perfeito. Ana, você tá
  1255. 49:59percebendo que a intensidade dessa
  1256. 50:01experiência vem justamente da sua luta?
  1257. 50:05>> Assim, eu nunca tinha pensado desse
  1258. 50:07jeito, para ser bem sincera. Até porque
  1259. 50:09é assustador soltar, né? Porque e se a
  1260. 50:12dor piorar?
  1261. 50:14>> Ótima, ótima pergunta, né? Eh, Ana, mas
  1262. 50:17veja só, soltar a corda não significa
  1263. 50:20ignorar a dor ou não cuidar de você,
  1264. 50:22significa parar de organizar toda a sua
  1265. 50:24vida em função dessa batalha. Você ainda
  1266. 50:26pode tomar medicação quando necessário,
  1267. 50:29óbvio, fazer fisioterapia, descansar,
  1268. 50:31mas sem transformar todo dia seu numa
  1269. 50:34guerra, sem deixar de fazer outras
  1270. 50:35coisas na sua vida por causa da dor, sem
  1271. 50:38parar de viver por causa dela.
  1272. 50:41>> Ah, é como se eu pudesse coexistir com a
  1273. 50:44dor sem que ela seja a minha inimiga
  1274. 50:46principal.
  1275. 50:47>> Exato. Exato. E quando você era mais
  1276. 50:50adversária da dor, quem que você poderia
  1277. 50:52ser?
  1278. 50:54Ah, aí eu posso voltar a ser mãe, amiga,
  1279. 50:58a pessoa que gosta de pintar. Faz tanto
  1280. 51:00tempo que eu não penso em mim além da
  1281. 51:02dor.
  1282. 51:03>> Muito bem, pessoal.
  1283. 51:06Bom, vamos então falar agora das sessões
  1284. 51:08três e quatro, especificamente da sessão
  1285. 51:11três. Como que ela é exatamente, né? Que
  1286. 51:14que a gente deveria fazer? Sessão três,
  1287. 51:16a gente vai trabalhar com aquele
  1288. 51:17processo de aceitação. Lembram dele?
  1289. 51:19Bom, a terceira sessão, ela vai marcar a
  1290. 51:21transição daquilo que não funciona para
  1291. 51:24aquilo que a gente pode tentar de
  1292. 51:25diferente a partir de agora. Então aqui
  1293. 51:27a gente vai introduzir o conceito de
  1294. 51:29aceitação, mas de forma experiencial e
  1295. 51:32não teórica conceitual, né? A gente vai,
  1296. 51:35por exemplo, começar com uma
  1297. 51:37brincadeira, na verdade não é uma
  1298. 51:39brincadeira, né? Mas com uma
  1299. 51:40demonstração física poderosa que torna o
  1300. 51:43conceito tangível. Lembram que eu falei
  1301. 51:45para vocês que a actal?
  1302. 51:47Bom, que que isso quer dizer? Então, né?
  1303. 51:50Então, forma da gente demonstrar isso
  1304. 51:52pro paciente de forma experiencial, ao
  1305. 51:53invés de sempre contar para ele o que
  1306. 51:55que é aceitação e tudo mais, é usando a
  1307. 51:57técnica do objeto pesado. Então, o que
  1308. 51:59que a gente faz? H, você pede, né, pro
  1309. 52:02paciente segurar um objeto pesado,
  1310. 52:04qualquer coisa que seja, uma garrafa de
  1311. 52:05água de 2 L, né, que tenha um peso ali
  1312. 52:08significativo com braço completamente
  1313. 52:10esticado, né, segurando paraa frente. Aí
  1314. 52:13você fala: "Olha, segura aqui então". Ã,
  1315. 52:16e me diz, né? Quando começar a ficar
  1316. 52:18difícil, geralmente, né? Ali com um
  1317. 52:21minuto para aproximadamente o paciente
  1318. 52:22já tá com braço tremendo, né? Tentem,
  1319. 52:25vocês, façam isso, peguem um objeto e
  1320. 52:28segurem, estiquem ele e vejam quanto
  1321. 52:31tempo vocês conseguem ficar com ele ali
  1322. 52:33esticado até o verso começar a tremer.
  1323. 52:36Vamos testar, vamos fazer essa experi,
  1324. 52:41hein?
  1325. 52:43Preparados?
  1326. 52:46Sim. Então, tem que ser uma coisa
  1327. 52:47ligeiramente pesada, pelo menos uns 2
  1328. 52:50kg.
  1329. 52:51Muito bem. Então, vamos lá. Segurem aí.
  1330. 52:54Estiquem e continuem.
  1331. 52:58Quando der um minuto eu falo para vocês.
  1332. 53:01Muito bem.
  1333. 53:03Vão observando essa sensação. Continuem
  1334. 53:06segurando mesmo tão desconfortável.
  1335. 53:11Continuem.
  1336. 53:14Mais um pouquinho. Já foi metade do
  1337. 53:16tempo.
  1338. 53:20Muito bem.
  1339. 53:22Mais um pouquinho.
  1340. 53:25Como que vocês estão se sentindo?
  1341. 53:28Tá doendo? Tá pesado? Agora eu queria
  1342. 53:30que vocês pegassem esse objeto que tá
  1343. 53:32distante e trouxesse para perto do
  1344. 53:34peito.
  1345. 53:36Relaxa o ombro, descansa o cotovelo.
  1346. 53:39Vejam só quando isso acontece, quando
  1347. 53:41vocês trazem o objeto para perto e
  1348. 53:43relaxam.
  1349. 53:46Instantaneamente tem alívio. O objeto
  1350. 53:48ficou mais leve?
  1351. 53:50Não, ele continuou tendo o mesmo peso de
  1352. 53:52antes, não ficou mais leve, mas ele
  1353. 53:56ficou mais fácil de carregar, muito mais
  1354. 53:58fácil. Concordam? Então essa é a
  1355. 54:01diferença que a gente quer estar pro
  1356. 54:02paciente entre resistir à dor e aceitar
  1357. 54:07a dor. O peso, a intensidade da dor pode
  1358. 54:10não mudar. Esse paciente ele pode
  1359. 54:12continuar, vai continuar provavelmente
  1360. 54:15tendo essa dor. No entanto, o que que
  1361. 54:17acontece, né? a gente vai mudar a forma
  1362. 54:20com que ele carrega a relação que ele
  1363. 54:23tem com essa dor. Isso pode transformar
  1364. 54:25completamente a experiência dele. Então,
  1365. 54:27quando você resiste à dor, né, a gente
  1366. 54:29diz pro paciente, é como segurar o peso
  1367. 54:32longe do corpo, você gasta energia, eh,
  1368. 54:34você fica, isso fica insustentável
  1369. 54:37rapidamente, mas quando você aceita que
  1370. 54:40você não pode se livrar daquilo e que o
  1371. 54:42peso é aquele mesmo, é como trazer o
  1372. 54:44peso para perto do peito. Ainda tá lá,
  1373. 54:47ainda existe. mas de forma que você pode
  1374. 54:49carregar por muito mais tempo. Bom, faz
  1375. 54:52sentido para vocês? Sim. Não.
  1376. 54:57Muito bem. Bom, existe um outro
  1377. 55:00exercício também muito importante, né,
  1378. 55:02que é o exercício que é a técnica da
  1379. 55:04expansão. E como que ela funciona? Eh, é
  1380. 55:07um dos exercícios mais importantes dessa
  1381. 55:09sessão. A gente convida o paciente ali
  1382. 55:11para fechar os olhos, né? Eh, a gente
  1383. 55:13quer que ele experimente pela primeira
  1384. 55:15vez a aceitação radical eh dessa dor,
  1385. 55:18né? Uma relação completamente diferente,
  1386. 55:19na verdade, radicalmente diferente com
  1387. 55:21essa dor. Ah, e que que eu quero, né,
  1388. 55:23que ele mude a relação dele com essa
  1389. 55:25dor. Então, a gente fala para ele, feche
  1390. 55:27seus olhos, ã, e confortavelmente faça
  1391. 55:30algumas respirações profundas. Eh, agora
  1392. 55:33faça um escaneamento suave pelo seu
  1393. 55:35corpo. Observe onde que a dor tá
  1394. 55:37localizada nesse momento. Não precisa
  1395. 55:39procurar a pior dor. Só observa, né?
  1396. 55:42Olha como você sente esse desconforto
  1397. 55:44agora quando você encontrar me avisa.
  1398. 55:48Bom, então ao invés de tentar empurrar
  1399. 55:50essa sensação para longe, vamos fazer
  1400. 55:52uma coisa diferente. Vamos observar essa
  1401. 55:54dor com curiosidade, como se a gente
  1402. 55:56fosse um cientista ahã estudando um
  1403. 55:59fenômeno interessante. Que forma que
  1404. 56:01essa dor tem? Então, o paciente continua
  1405. 56:03de olhos fechados. Se essa dor fosse uma
  1406. 56:05cor, como que seria a forma dela? Como
  1407. 56:08que se qual qual qual qual que seria se
  1408. 56:10essa dor tivesse uma cor? Qual seria a
  1409. 56:11cor dela? Se ela tivesse uma forma, qual
  1410. 56:13seria essa?
  1411. 56:15Ela é quente, ela é fria? Se tivesse uma
  1412. 56:19textura, é lisa, é áspera?
  1413. 56:24Como que é? Ela se movimenta, ela é
  1414. 56:26pulsante
  1415. 56:28sem tentar mudar nada. Só observa.
  1416. 56:33Agora a gente vai criar um espaço ao
  1417. 56:35redor dessa sensação. Imagina que você
  1418. 56:38tá respirando diretamente para essa área
  1419. 56:41como se você tivesse inflando um balão
  1420. 56:44muito gentilmente ao redor da dor, não
  1421. 56:47para empurrá-la para longe, mas para
  1422. 56:50criar o espaço para ela existir. Então,
  1423. 56:52respire fundo para essa área, criando um
  1424. 56:55espaço, permitindo que a dor esteja lá.
  1425. 56:59Faz sentido para vocês?
  1426. 57:03Então, vejam só, esse exercício ele é
  1427. 57:06frequentemente bastante transformador
  1428. 57:07pro paciente com dor crônica. muitos
  1429. 57:09pacientes eles experimentaram pela
  1430. 57:11primeira vez, né, eh, uma forma de ver
  1431. 57:15sua dor em anos de dor. Eh, não
  1432. 57:17necessariamente uma redução da
  1433. 57:18intensidade, eh, não uma diminuição,
  1434. 57:22acabar com ela, mas talvez uma forma
  1435. 57:24diferente da tensão secundária, da
  1436. 57:26resistência que aquilo ali de que lutar
  1437. 57:28contra aquilo vai se amplificando o
  1438. 57:30sofrimento, certo? Bom, eu vou convidar
  1439. 57:33vocês também para verem agora um vídeo
  1440. 57:36muito importante que eu sempre gosto de
  1441. 57:38compartilhar com os meus pacientes nessa
  1442. 57:40sessão.
  1443. 57:41Ã, é a metáfora do convidado indesejado.
  1444. 57:44Vamos lá, só um minutinho.
  1445. 57:54Vamos lá então.
  1446. 58:24After a while, everyone you're expecting
  1447. 58:27arrived and you're having a really good
  1448. 58:28time. Then the doorbell goes and you
  1449. 58:31think, I wonder who that is. Must be
  1450. 58:33someone I've forgotten about.
  1451. 58:36And it is someone who you definitely did
  1452. 58:39not want at the party. It's your
  1453. 58:41neighbor, Brian.
  1454. 58:43Brian has to be one of the most annoying
  1455. 58:44people you know. He's rude, grumpy, he
  1456. 58:48mo a lot and he's not so flash on
  1457. 58:50personal hygiene. He's the last person
  1458. 58:53you wanted to paron.
  1459. 58:56But before you know it, he goes straight
  1460. 58:58inside without even saying hello.
  1461. 59:03He goes up to your guests and he's rude.
  1462. 59:06He helps himself to drink some food
  1463. 59:11and he generally acts a little weird
  1464. 59:14towards your friends.
  1465. 59:19And understandably, you feel pretty
  1466. 59:21upset, embarrassed, and angry.
  1467. 59:24And before long, you over to Brian and
  1468. 59:26tell him, "That's it. It's time for you
  1469. 59:28to go." And you throw him out of your
  1470. 59:30party.
  1471. 59:31Once he's gone, you feel relieved. You
  1472. 59:34go back to the party and start to enjoy
  1473. 59:36yourself. But after a while, you hear
  1474. 59:38the doorbell again. And when you go to
  1475. 59:40check who it is, you realise Brian has
  1476. 59:42come back.
  1477. 59:46And before you can stop him, he opens
  1478. 59:48the door, races back into the party.
  1479. 59:52So, you go out and get him and throw him
  1480. 59:54out again. This time though, you decide
  1481. 59:57you're going to make sure he doesn't
  1482. 59:59come back. So, you decide to stand by
  1483. 1:00:01the door and make sure he can't get back
  1484. 1:00:03in. And this works fine. Brian can't get
  1485. 1:00:06back in and you feel good about this.
  1486. 1:00:08Trouble is you realise that all the
  1487. 1:00:10while you're missing out on the party.
  1488. 1:00:12You can hear everyone else outside
  1489. 1:00:14having a good time. You want to be out
  1490. 1:00:16of the party too. But because you can't
  1491. 1:00:19stand Brian, you can't risk him coming
  1492. 1:00:21back in again. And you don't know what
  1493. 1:00:23to do. You really want to enjoy the
  1494. 1:00:25party, but the thought of Brian being
  1495. 1:00:27there really gets to you. After a while,
  1496. 1:00:31you realise that actually this party is
  1497. 1:00:33pretty important to you and you want to
  1498. 1:00:35be with your friends and the very least
  1499. 1:00:37just to make sure they're ok. So you
  1500. 1:00:39decide to go back out and you say to
  1501. 1:00:41yourself, "If Brian comes out, that's
  1502. 1:00:43how it goes." And sure enough, after a
  1503. 1:00:45couple of minutes, Brian comes back in
  1504. 1:00:47and starts being annoying again. But
  1505. 1:00:49this time, something's different. You
  1506. 1:00:51don't ignore him because he's pretty
  1507. 1:00:53hard to ignore, but you decide just to
  1508. 1:00:55get on with a party and talk with your
  1509. 1:00:56friends and you start to notice some
  1510. 1:00:58interesting things. First, you find that
  1511. 1:01:01even though Brian is still there, you're
  1512. 1:01:03actually having an OK time. Sure, it
  1513. 1:01:05would be better if you went home, but at
  1514. 1:01:07least you're not stuck at the door
  1515. 1:01:09missing out on the party. Second, you
  1516. 1:01:11notice that when you're not trying to
  1517. 1:01:12get rid of him all the time, he calms
  1518. 1:01:14down a little bit. He's still a pain and
  1519. 1:01:17still smells, but he's not so rowy. And
  1520. 1:01:20then after that, you start to notice
  1521. 1:01:22some other things about Brian you hadn't
  1522. 1:01:24actually seen beforable. Like, has a
  1523. 1:01:26quirky sense of humor, even though it's
  1524. 1:01:28buried pretty deep. It even makes a
  1525. 1:01:30couple of friends of your life.
  1526. 1:01:33And you wonder what you do next time you
  1527. 1:01:36have a party.
  1528. 1:01:41Muito bem, pessoal.
  1529. 1:01:43Muito bem.
  1530. 1:01:45Bom, vamos retomar então
  1531. 1:01:50só um minuto.
  1532. 1:01:57Vamos ver meus slides.
  1533. 1:02:00Muito bem. Bom, ã, então a gente vai
  1534. 1:02:04falar agora da sessão quatro, certo? E
  1535. 1:02:07como que ela funciona, qual o objetivo
  1536. 1:02:09dela? Aqui a gente começa então a
  1537. 1:02:10trabalhar a questão da desfusão
  1538. 1:02:12cognitiva. Aqui eu já quero mudar a
  1539. 1:02:14relação do paciente com os pensamentos
  1540. 1:02:16dele. A quarta sessão, ela é focada
  1541. 1:02:18nessa relação que ele tem, né, com esses
  1542. 1:02:20pensamentos, especificamente em com
  1543. 1:02:23esses pensamentos ligados à dor. Então,
  1544. 1:02:25a gente vai junto ajudar o paciente a
  1545. 1:02:27trabalhar esses pensamentos que ele
  1546. 1:02:28trouxe a à luz de uma nova perspectiva.
  1547. 1:02:31com dor crônica, tipicamente eles
  1548. 1:02:33desenvolvem padrões de pensamento
  1549. 1:02:34extremamente rígidos, fusionados e que
  1550. 1:02:36mantém eles ali com vários
  1551. 1:02:39comportamentos funcionais ativos. Então,
  1552. 1:02:41a nossa meta não é mudar o pensamento,
  1553. 1:02:43assim como a gente faz a ser clássica,
  1554. 1:02:45mas a gente quer mudar essa relação com
  1555. 1:02:47eles. Por exemplo, né? Uma das técnicas
  1556. 1:02:50que a gente pode trabalhar com esse
  1557. 1:02:51paciente é a técnica de repetição de
  1558. 1:02:53palavras ou folhas no rio, né? Que que
  1559. 1:02:55isso significa? Eu quero tirar o peso, o
  1560. 1:02:57sentido daquilo ali. Eu vou demonstrar
  1561. 1:02:59isso para vocês agora para ficar um
  1562. 1:03:01pouco mais claro. Um roleplay também com
  1563. 1:03:03a Ana para que vocês possam entender. Só
  1564. 1:03:07um minuto.
  1565. 1:03:14Bom, Ana, você mencionou que você pensa
  1566. 1:03:17com frequência que você é uma péssima
  1567. 1:03:19psicóloga, né? E eu queria explorar esse
  1568. 1:03:23pensamento com você hoje, mas de uma
  1569. 1:03:25maneira um pouco diferente, né?
  1570. 1:03:29Que que você acha?
  1571. 1:03:40>> Eu não sei se vai ajudar, Jane, porque
  1572. 1:03:42não é só um pensamento, eu me sinto
  1573. 1:03:45mesmo uma péssima psicóloga,
  1574. 1:03:47[suspirando]
  1575. 1:03:47>> tá? Isso é muito importante, Ana. Se
  1576. 1:03:50sente isso profundamente como se fosse
  1577. 1:03:51uma verdade absoluta. É, e eu entendo.
  1578. 1:03:54Mas eu quero te fazer uma pergunta.
  1579. 1:03:56Quando você pensa, eu sou uma péssima
  1580. 1:03:58psicóloga, né? [roncando] De onde que
  1581. 1:04:00você acha que esse pensamento vem? Esse
  1582. 1:04:02é o reflexo exato da realidade ou será
  1583. 1:04:05que pode ser uma história que a sua
  1584. 1:04:07cabeça inventou para tentar te proteger
  1585. 1:04:09de alguma coisa?
  1586. 1:04:12>> Eh, eu nunca pensei nisso assim. é que
  1587. 1:04:15parece tão real assim que eu nem sei.
  1588. 1:04:19Isso faz outro sentido, né? Porque
  1589. 1:04:21assim, a nossa cabeça, ela sempre tá
  1590. 1:04:22contando histórias pra gente. Ela
  1591. 1:04:25inventa histórias sobre a gente, ela
  1592. 1:04:26inventa histórias sobre o mundo, sobre
  1593. 1:04:28as outras pessoas, né? Mas aí que tá,
  1594. 1:04:30Ana, essas histórias que a nossa cabeça
  1595. 1:04:32fica criando, que a nossa mente fica
  1596. 1:04:34formulando, não é porque eu pensei algo
  1597. 1:04:37que eu inventei uma história que ela
  1598. 1:04:38seja verdadeira, né? Então vamos olhar
  1599. 1:04:42com cuidado para essa história e para
  1600. 1:04:44essa ideia, para esse pensamento que
  1601. 1:04:45você me trazendo eu sou uma péssima
  1602. 1:04:46psicóloga, né? Não como a verdade, mas
  1603. 1:04:50como uma coisa que a sua mente tá
  1604. 1:04:51produzindo e que não necessariamente
  1605. 1:04:54você precisa viver daquela forma como se
  1606. 1:04:57fosse estudante da arte. A gente pode
  1607. 1:04:59tentar isso juntas.
  1608. 1:05:02Sei Ane, isso parece bem estranho.
  1609. 1:05:05>> E tá tudo bem parecer estranho, tá? Mas
  1610. 1:05:08vamos olhar para isso como uma
  1611. 1:05:09oportunidade da gente experimentar uma
  1612. 1:05:10coisa nova na terapia, né? Às vezes sair
  1613. 1:05:12da rigidez, aquele aquela forma de
  1614. 1:05:14pensar é o que pode permitir que a gente
  1615. 1:05:17uma forma diferente de relacionar com
  1616. 1:05:19nossos pensamentos, né? Então vamos
  1617. 1:05:21começar observando como que esse
  1618. 1:05:23pensamento surge quando você pensa: "Eu
  1619. 1:05:26sou uma péssima psicóloga". Que que
  1620. 1:05:28acontece na sequência? Como que se
  1621. 1:05:30impacta? O que que você faz? O que que
  1622. 1:05:32você sente? Eu
  1623. 1:05:36me sinto paralisada. Eu começo a lembrar
  1624. 1:05:39de todas as vezes que eu acho que eu
  1625. 1:05:40paguei com os meus pacientes, como
  1626. 1:05:43quando eu não soube o que dizer ou
  1627. 1:05:45quando achei que não fiz, né, diferença
  1628. 1:05:47nenhuma na vida deles. Daí eu evito
  1629. 1:05:51buscar novos casos ou me aprofundar
  1630. 1:05:53mesmo nos casos atuais.
  1631. 1:05:56Ana, e parece que esse pensamento não só
  1632. 1:05:58te machuca, mas parece que ele também
  1633. 1:06:00rouba a tua capacidade de agir, de fazer
  1634. 1:06:02escolhas alinhadas com que é importante
  1635. 1:06:04para você como profissional. Então, eu
  1636. 1:06:07quero te propor uma coisa. Ao invés de
  1637. 1:06:09dizer, eu sou uma péssima psicóloga,
  1638. 1:06:12vamos tentar falar, eu estou tendo
  1639. 1:06:14pensamento de que eu sou uma péssima
  1640. 1:06:15psicóloga. Você pode repetir isso para
  1641. 1:06:17mim?
  1642. 1:06:18>> Ah, eh, eu estou tendo pensamento de que
  1643. 1:06:22eu sou uma péssima psicóloga. E aí, como
  1644. 1:06:25é que isso sua para você?
  1645. 1:06:27Estranho, né? Parece menos, não sei,
  1646. 1:06:30definitivo, mas ainda tá ali.
  1647. 1:06:33>> Uhum. E é normal, tá, Ana? Separar-se do
  1648. 1:06:36pensamento não significa que ele vai
  1649. 1:06:39aparecer de imediato, mas que você tá
  1650. 1:06:41começando a vê-lo pelo que ele realmente
  1651. 1:06:43é um evento mental, né? O pensamento
  1652. 1:06:46pode estar ali, mas ele não é você.
  1653. 1:06:49Certo? Vamos fazer então um pequeno
  1654. 1:06:51experimento. Eu queria agora que você
  1655. 1:06:53fechasse os olhos. Pode ser? E que você,
  1656. 1:06:56vou até pegar meu celular e que você
  1657. 1:06:57repetisse a segunda frase em voz alta
  1658. 1:07:02por alguns instantes.
  1659. 1:07:04Vamos lá.
  1660. 1:07:06Ã, primeiramente, né, deixa eu só pegar
  1661. 1:07:08meu celular para marcar aqui o tempo.
  1662. 1:07:11Beleza.
  1663. 1:07:12Certo. Então, vamos lá, né? H, eu queria
  1664. 1:07:16que você então feche, fechasse os olhos
  1665. 1:07:18e falasse assim para você: "Eu tenho um
  1666. 1:07:20sofá na minha cabeça.
  1667. 1:07:23Tenho um sofá na minha cabeça.
  1668. 1:07:25>> Tá.
  1669. 1:07:27O que que isso parece para você? Como é
  1670. 1:07:29que vocês sou?
  1671. 1:07:31>> Meio bobo. [risadas]
  1672. 1:07:33>> Claro. Tá. E quando você falou isso,
  1673. 1:07:37parte sua acreditou realmente que você
  1674. 1:07:39[limpando a garganta] tinha um sofá na
  1675. 1:07:39cabeça?
  1676. 1:07:41>> Não, claro que não.
  1677. 1:07:42>> Por quê?
  1678. 1:07:44Porque é só uma frase, não tem nada a
  1679. 1:07:46ver com a realidade,
  1680. 1:07:48>> certo? E olha só, e sabe qual que é a
  1681. 1:07:51diferença entre isso e a frase eu sou
  1682. 1:07:52uma péssima psicóloga? Entre: "Eu tenho
  1683. 1:07:54um sofá na minha cabeça, eu sou uma
  1684. 1:07:55péssima psicóloga". É a mesma coisa. É
  1685. 1:07:58feita da mesma substância, do mesmo
  1686. 1:07:59conteúdo. É só uma frase na sua cabeça,
  1687. 1:08:02são só palavras, sons, imagens, são só
  1688. 1:08:06eventos mentais. Mas por que que a
  1689. 1:08:08primeira toque em alguma coisa? Como a
  1690. 1:08:10primeira toca é uma coisa que você
  1691. 1:08:11valoriza muito, a sua mente transforma
  1692. 1:08:13algo imenso
  1693. 1:08:15em algo em algo imenso quase
  1694. 1:08:17indiscutível. O que que isso te diz
  1695. 1:08:19então sobre seus pensamentos?
  1696. 1:08:22E eles podem fazer reais, mas não
  1697. 1:08:25necessariamente são leais.
  1698. 1:08:28>> Isso. Então, o pensamento, eu sou uma
  1699. 1:08:30péssima psicóloga, não precisa ser
  1700. 1:08:32tratado talvez como uma sentença, mas
  1701. 1:08:34como uma coisa que a sua cabeça produziu
  1702. 1:08:36no momento de insegurança e de
  1703. 1:08:38autocrítica.
  1704. 1:08:40Sim. Certo. Vamos dar então um passo a
  1705. 1:08:42lei. Eh, imagina que pensamento. Eu sou
  1706. 1:08:45uma péssima psicóloga como uma frase
  1707. 1:08:47escrita numa folha de papel. Você
  1708. 1:08:49consegue visualizar essa folha agora?
  1709. 1:08:52Feche os olhos, por favor.
  1710. 1:08:55>> Acho que sim. Ela tá ali bem clara.
  1711. 1:08:58Perfeito. Ã, agora imagina essa folha
  1712. 1:09:02ali, né, que você coloca ela num rio que
  1713. 1:09:05ela começa fluir, ela começa a descer
  1714. 1:09:08lentamente com correnteza, está na
  1715. 1:09:10margem, está observando. E o que que
  1716. 1:09:12acontece com a folha, Ana?
  1717. 1:09:15>> Ah, ela vai embora devagar, lentamente,
  1718. 1:09:19mas desaparece por completo de imediato.
  1719. 1:09:23>> Certo. E o que que isso significa?
  1720. 1:09:27Eh, acho que eu consigo ver que é só uma
  1721. 1:09:30frase, eh, algo que passa e que não
  1722. 1:09:34precisa realmente ficar comigo.
  1723. 1:09:37>> Uhum. Certo.
  1724. 1:09:39Então, veja só, o pensamento ele pode
  1725. 1:09:42então continuar existindo, mas você não
  1726. 1:09:44precisa carregá-lo como se fosse uma
  1727. 1:09:46verdade, com uma folha no rio. O rio
  1728. 1:09:48continua vai levando ele embora enquanto
  1729. 1:09:51você segue sua vida na margem. Certo?
  1730. 1:09:55Bom, agora eu queria tentar uma coisa
  1731. 1:09:57diferente com você, né? Vamos tentar. Eu
  1732. 1:10:01queria que você repetisse essa frase. Eu
  1733. 1:10:03sou uma péssima psicóloga em voz alta
  1734. 1:10:07repetidamente por 30 segundos. Você
  1735. 1:10:10topa? E eu quero que você só repita e
  1736. 1:10:13observe enquanto você repete.
  1737. 1:10:18Eh, pode começar.
  1738. 1:10:21>> Uhum.
  1739. 1:10:22>> Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1740. 1:10:23péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1741. 1:10:25psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1742. 1:10:27Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1743. 1:10:28péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1744. 1:10:30psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1745. 1:10:32Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1746. 1:10:34péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1747. 1:10:35psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1748. 1:10:38Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1749. 1:10:39péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1750. 1:10:41psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1751. 1:10:44Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1752. 1:10:46péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1753. 1:10:48psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1754. 1:10:50Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1755. 1:10:52péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1756. 1:10:53psicóloga. Sou uma péssima psicóloga.
  1757. 1:10:56Sou uma péssima psicóloga. Sou uma
  1758. 1:10:57péssima psicóloga. Sou uma péssima
  1759. 1:10:58psicóloga. É. Tá ótimo. Muito bem.
  1760. 1:11:03Que que aconteceu? Como que foi isso
  1761. 1:11:06para você?
  1762. 1:11:07>> Parece meio sem sentido assim, como se
  1763. 1:11:10fosse só palavras.
  1764. 1:11:12>> Exato. Isso mesmo, Ana. Olha só. Então,
  1765. 1:11:15quando a gente repete uma coisa, a gente
  1766. 1:11:17começa a perceber que é só uma
  1767. 1:11:19construção mental, né? Uma sequência de
  1768. 1:11:22sons, de símbolos, não é uma ordem que
  1769. 1:11:24você tem que obedecer, não é uma verdade
  1770. 1:11:27absoluta e que nunca vai mudar, né? Pelo
  1771. 1:11:29contrário. Então, o que que você
  1772. 1:11:31percebeu sobre esse pensamento que você
  1773. 1:11:33trouxe hoje no começo da sessão? Eu sou
  1774. 1:11:35uma péssima psicóloga,
  1775. 1:11:37>> tá? Ele não precisa ser tão forte quanto
  1776. 1:11:40eu achava. Ele ainda tá ali, mas ele não
  1777. 1:11:44parece mais tão tão sufocante.
  1778. 1:11:46>> Uhum. Percebe? Isso é um avanço muito
  1779. 1:11:48importante. O objetivo daão é fazer
  1780. 1:11:51esse, não é fazer o pensamento
  1781. 1:11:53desaparecer, não é buscar uma outra
  1782. 1:11:55verdade, mas a gente quer o quê? Reduzir
  1783. 1:11:57o poder que aquele pensamento tem sobre
  1784. 1:11:59você. Então, quando ele voltar, ele vai
  1785. 1:12:02voltar naturalmente. Eu quero que você
  1786. 1:12:04se lembra, eu sou a pessoa na margem, eu
  1787. 1:12:06sou a pessoa que tá observando a folha
  1788. 1:12:08no rio. Eu não sou eu, eu não sou a
  1789. 1:12:11folha no rio. Percebe a diferença? E aí
  1790. 1:12:14eu quero te perguntar, né? O que que
  1791. 1:12:16você, o que que você quer fazer como
  1792. 1:12:18psicóloga mesmo? Quero focar em ajudar
  1793. 1:12:21os meus pacientes sem me punir tanto.
  1794. 1:12:25>> Isso é muito importante. Então, quando
  1795. 1:12:27você deixa de investir o seu tempo
  1796. 1:12:29lutando contra esse pensamento e se foca
  1797. 1:12:32naquilo que é valoroso, aquilo que é
  1798. 1:12:34realmente importante para você, você
  1799. 1:12:35começa uma vida mais alinhada com a
  1800. 1:12:37pessoa que você quer ser. Você começa a
  1801. 1:12:38criar uma vida do jeito que você uma
  1802. 1:12:41vida que vale a pena ser vida, né? Então
  1803. 1:12:44vamos continuar praticando isso juntas.
  1804. 1:12:45Pode ser?
  1805. 1:12:47>> Pode ser sim.
  1806. 1:12:48>> Então tá bom. Muito obrigada. A N.
  1807. 1:12:54Muito bem, pessoal.
  1808. 1:12:57Vamos retomar então.
  1809. 1:13:00Bom, vocês gostam de roleplay? É legal?
  1810. 1:13:04Contem aqui. Mantenham pra próxima aula?
  1811. 1:13:07Não, mantenham? Que que vocês acham?
  1812. 1:13:09Vocês mandam muito bem. Vamos falar
  1813. 1:13:12então agora das sessões cinco e seis,
  1814. 1:13:14certo?
  1815. 1:13:16Hã, muito bem. Então, bom, então a
  1816. 1:13:19sessão cinco e seis, ela vai também
  1817. 1:13:21entrar numa outra perspectiva do
  1818. 1:13:23tratamento. A gente vai sair então agora
  1819. 1:13:25defusão e entrar numa num outro momento.
  1820. 1:13:28Aqui é quando a gente vai começar então
  1821. 1:13:30trabalhar com valores. A gente quer
  1822. 1:13:32ajudar o paciente a se rec todo porque
  1823. 1:13:34ela reconecta o paciente com aquilo que
  1824. 1:13:35dá sentido pra vida dele. E muitos
  1825. 1:13:38pacientes passaram tanto tempo focado em
  1826. 1:13:40controlador que eles perderam
  1827. 1:13:41completamente o contato com aquilo que
  1828. 1:13:43era fundamental para ele. a gente começa
  1829. 1:13:46com uma metáfora, né, que é a festa dos
  1830. 1:13:48anos 80. A gente normalmente fala pro
  1831. 1:13:50paciente, bom, eh, então imagina só que
  1832. 1:13:53você vai viver agora, ah, talvez até os
  1833. 1:13:57seus 80 anos, né? Sua família organiza
  1834. 1:14:00uma grande festa de aniversário para
  1835. 1:14:02comemorar sua vida. Três pessoas que
  1836. 1:14:04você amam profundamente vão fazer um
  1837. 1:14:05discurso sobre você. Mas e aí, que que
  1838. 1:14:08você gostaria que cada uma dessas
  1839. 1:14:09pessoas dissesse? não sobre suas
  1840. 1:14:11conquistas profissionais, dinheiro,
  1841. 1:14:13realizações externas, mas que tipo de
  1842. 1:14:15pessoa que você foi, né? H, que
  1843. 1:14:18qualidades que você demonstrou ou como
  1844. 1:14:20que você tratava as pessoas ao seu
  1845. 1:14:21redor? E as respostas raramente inclu
  1846. 1:14:24nesse momento, ah, ela raramente sentiu
  1847. 1:14:27dor. Ah, ele foi produtivo no trabalho.
  1848. 1:14:29Normalmente foi incluir coisas como, ah,
  1849. 1:14:31eh, eu era uma mãe carinhosa, super
  1850. 1:14:33presente, eu sempre tava disponível
  1851. 1:14:36quando, eh, minha esposa precisava de
  1852. 1:14:38ajuda. Ah, essa pessoa entou dificuldade
  1853. 1:14:41com coragem e dignidade, eh, era
  1854. 1:14:43generoso com o tempo dela e atenção, eh,
  1855. 1:14:46fazia as pessoas se sentirem
  1856. 1:14:47valorizadas, amadas. Então, a gente quer
  1857. 1:14:50trazer essa perspectiva
  1858. 1:14:52justamente a perspectiva dos valores pro
  1859. 1:14:53paciente. E aqui também a gente vai
  1860. 1:14:55trabalhar com uma coisa muito
  1861. 1:14:57importante, certo? Que é a questão da
  1862. 1:14:59exploração dos 10 domínios de valores.
  1863. 1:15:03Vocês vão receber essa técnica ã nos
  1864. 1:15:05ebooks de vocês, que o objetivo aqui
  1865. 1:15:07basicamente é, né? Vocês vão poder
  1866. 1:15:09explorar um pouquinho mais. O que que a
  1867. 1:15:11gente faz nesses 10 domínios? A gente
  1868. 1:15:13vai usar um questionário que cobre 10
  1869. 1:15:15áreas importantes da vida do paciente.
  1870. 1:15:17Relacionamentos familiares,
  1871. 1:15:18relacionamento amoroso, conjugal,
  1872. 1:15:20parentalidade, amizade, trabalho,
  1873. 1:15:23carreira, educação, desenvolvimento
  1874. 1:15:24pessoal, ã, lazer, recreação, diversão,
  1875. 1:15:27espiritualidade,
  1876. 1:15:29saúde, cuidado pessoal, cuidado pessoal,
  1877. 1:15:32envolvimento no comunitária e cidadania.
  1878. 1:15:34Então, nesse questionário, a gente
  1879. 1:15:36sempre vai trabalhar com o paciente
  1880. 1:15:38tentando entender um pouquinho mais, né,
  1881. 1:15:40eh, como que ele gostaria de ser nessa
  1882. 1:15:41área, quais qualidades que ele gostaria
  1883. 1:15:43de expressar e se ele tivesse liberdade
  1884. 1:15:45total, como que ele se comportaria, né?
  1885. 1:15:48E a gente também faz uma pergunta
  1886. 1:15:49crucial para esse paciente. Se você
  1887. 1:15:51nunca se livrasse da dor, esses valores
  1888. 1:15:53deixariam de ser importantes para você?
  1889. 1:15:55Como que seria isso? Bom, vocês vão ter
  1890. 1:15:57a oportunidade de ver um pouquinho mais
  1891. 1:15:59essa técnica numa no ebook que vocês vão
  1892. 1:16:01receber essa essa aula, certo? Muito
  1893. 1:16:04bem, vamos falar então da sexta sessão
  1894. 1:16:07agora. Qual que é o objetivo? Qual que é
  1895. 1:16:09a finalidade dela? Afinal de contas, ã,
  1896. 1:16:12aqui especificamente a gente vai
  1897. 1:16:14trabalhar com que talvez seja um dos
  1898. 1:16:15processos mais profundos da arte, né? Eu
  1899. 1:16:18quero ajudar o meu paciente a conquistar
  1900. 1:16:21uma perspectiva dele mesmo que é maior,
  1901. 1:16:24mais estável que qualquer experiência
  1902. 1:16:26temporária, incluindo a dor, né? Então,
  1903. 1:16:29a gente começa aqui com o exercício do
  1904. 1:16:30eu observador. E essa aqui é uma
  1905. 1:16:32distinção muito importante, né? Eh, os
  1906. 1:16:35pacientes eles passam tanto tempo
  1907. 1:16:36identificados com aquela dor, eu sou uma
  1908. 1:16:38pessoa com dor, eu sou limitado, eu tô
  1909. 1:16:41quebrado, que eles perdem o contato com
  1910. 1:16:44um observador, a parte deles que é
  1911. 1:16:47maior, mais estável e mais constante que
  1912. 1:16:49qualquer experiência particular. E essa
  1913. 1:16:52experiência, essa perspectiva, ela
  1914. 1:16:53permite uma relação radicalmente
  1915. 1:16:55diferente com a dor. Em vez de eu sou
  1916. 1:16:57uma pessoa destruída pela dor, né, que
  1917. 1:16:59uma fusão total dessa identidade se
  1918. 1:17:01torna, eu sou alguém que entre muitas
  1919. 1:17:04outras experiências está experienciando
  1920. 1:17:06a dor crônica um contexto muito mais
  1921. 1:17:08amplo e flexível, certo? E para isso eu
  1922. 1:17:12vou chamar a Ana Laura novamente, vou
  1923. 1:17:14reproduzir para vocês um videozinho no
  1924. 1:17:16qual a gente simula um roleplay dessa
  1925. 1:17:18técnica especificamente. Preparados?
  1926. 1:17:21Vamos lá, Ana. Hoje eu quero explorar
  1927. 1:17:23com você como é que você percebe a dor.
  1928. 1:17:25Pode parecer uma pergunta estranha, mas
  1929. 1:17:27confia no processo.
  1930. 1:17:30>> Quem percebe? É eu.
  1931. 1:17:34>> Tá, mas vamos lá. Esse eu, ele é a mesma
  1932. 1:17:37coisa que a dor.
  1933. 1:17:40>> Desculpa, eu não entendi. Anne.
  1934. 1:17:43>> É, vamos por partes. Eh, fecha os seus
  1935. 1:17:45olhos e eu queria que você percebesse a
  1936. 1:17:47dor no seu ombro. Agora você consegue?
  1937. 1:17:51Sim, hoje mesmo ela tá bem presente.
  1938. 1:17:54>> Perfeito. Então agora perceba que você
  1939. 1:17:57tá percebendo a dor. Existe a dor que tá
  1940. 1:18:01aí, existe uma parte sua observando essa
  1941. 1:18:04dor. Você consegue notar a diferença,
  1942. 1:18:06Ana?
  1943. 1:18:08>> Olha, eu acho que sim. É como se eu
  1944. 1:18:12estivesse vendo a dor, mas eu não sou
  1945. 1:18:14ela.
  1946. 1:18:15>> Exato. Exato. Agora me fala, né? Ahã.
  1947. 1:18:19Você já teve 10 anos, certo? Você lembra
  1948. 1:18:22de uma memória marcante de quando você
  1949. 1:18:24tinha 10 anos?
  1950. 1:18:27Hã, eu lembro do dia que eu ganhei o meu
  1951. 1:18:31primeiro cavalete de pintura.
  1952. 1:18:33>> Perfeito. Perfeito. Ana, e esse corpo
  1953. 1:18:36que você tinha quando você era criança,
  1954. 1:18:37quando você tinha 10 anos de idade, é o
  1955. 1:18:39mesmo corpo de hoje?
  1956. 1:18:41>> Claro que não.
  1957. 1:18:43>> Perfeito. E os pensamentos que você
  1958. 1:18:45tinha naquela época, eles são os mesmos?
  1959. 1:18:48Ah, não. Completamente diferentes.
  1960. 1:18:50>> E as emoções
  1961. 1:18:52>> também mudaram muito, Anne.
  1962. 1:18:54>> Certo. Mas pensa comigo, ah, quem quem é
  1963. 1:18:58que tava lá aos 10 anos de idade? É a
  1964. 1:19:00mesma pessoa que tá agora lembrando da
  1965. 1:19:02desse desse desse momento?
  1966. 1:19:06>> Hã,
  1967. 1:19:08eu, né? Eu é quem estava lá. Mas um eu
  1968. 1:19:11diferente, um eu que observa.
  1969. 1:19:14Perfeito. Então tem uma parte sua que
  1970. 1:19:17tem estado presente na sua vida toda
  1971. 1:19:19observando. Observou Ana criança, a Ana
  1972. 1:19:22adulta saudável, a Ana com dor. E essa
  1973. 1:19:25parte observadora tá machucada?
  1974. 1:19:30>> Não, [limpando a garganta]
  1975. 1:19:31ela só observa.
  1976. 1:19:34>> E se você pudesse se posicionar no lugar
  1977. 1:19:36de observador agora, como que seria
  1978. 1:19:37olhar pra Ana que tem dor?
  1979. 1:19:41Ah, [limpando a garganta] estranho. Eu
  1980. 1:19:43vejo uma mulher sofrendo, mas eu não sou
  1981. 1:19:45só isso. Eu também eh sou quem vê.
  1982. 1:19:50>> E nesse lugar de observadora, o que mais
  1983. 1:19:52que você vê além da dor?
  1984. 1:19:56>> Hã, eu vejo uma mulher forte que está
  1985. 1:19:59aqui tentando, que não desistiu. Vejo
  1986. 1:20:02alguém que ainda tem sonhos, mesmo com
  1987. 1:20:05dor.
  1988. 1:20:06>> Ana, isso é ótimo. Percebe?
  1989. 1:20:09Quando você se identifica só com a dor,
  1990. 1:20:11ela te define, mas e quando você se
  1991. 1:20:14posiciona como observadora?
  1992. 1:20:17Ah, [limpando a garganta] a dor é algo
  1993. 1:20:19que acontece comigo, mas não é tudo o
  1994. 1:20:22que eu sou. Isso é libertador de certa
  1995. 1:20:25forma e assustador ao mesmo tempo.
  1996. 1:20:28>> Por que assustador?
  1997. 1:20:31Porque significa que eu posso escolher
  1998. 1:20:32como responder. Eu não posso mais só
  1999. 1:20:34poupar a dor por tudo.
  2000. 1:20:36>> Isso te empodera de alguma forma, Ana?
  2001. 1:20:40>> H, eu posso observar que a dor, observar
  2002. 1:20:43a dor e ainda assim escolher agir
  2003. 1:20:45segundo os meus valores. Uma observador
  2004. 1:20:48em mim não, ela não tá machucada.
  2005. 1:20:50>> Muito bem, muito bem, muito bem,
  2006. 1:20:54pessoal.
  2007. 1:20:56Bom, vamos seguir um pouquinho mais,
  2008. 1:20:58então. Ah, bem, na nossa próxima sessão,
  2009. 1:21:01então, a gente vai abordar na sessão
  2010. 1:21:03sete, especificamente, ação comprometida
  2011. 1:21:06e a manutenção dos resultados, dos
  2012. 1:21:07ganhos que a gente, que o paciente teve
  2013. 1:21:09até aqui, certo? Ah, especificamente,
  2014. 1:21:12né, o que que a gente vai trabalhar essa
  2015. 1:21:14sessão em diante? Primeiramente, né, a
  2016. 1:21:16sétima sessão é onde toda a preparação
  2017. 1:21:18emocional e cognitiva das sessões
  2018. 1:21:20anteriores, elas vão se traduzir em
  2019. 1:21:22mudanças comportamentais concretas,
  2020. 1:21:24ações alinhadas com valores, né? E esse
  2021. 1:21:27momento é onde a gente testa se o
  2022. 1:21:29paciente ele realmente internalizou os
  2023. 1:21:31seis os processos da ACT ou se a gente
  2024. 1:21:33só ficou no nível conceitual, naquela
  2025. 1:21:36coisa teórica.
  2026. 1:21:37H, a gente começa sempre reconectando
  2027. 1:21:39com os valores e clarificando, né,
  2028. 1:21:41aquilo que a gente seou na sessão cinco.
  2029. 1:21:44Olha, fulano, você lembra dos valores
  2030. 1:21:45que a gente identificou como mais
  2031. 1:21:47importantes para você? Vamos agora
  2032. 1:21:49transformar esses valores abstratos em
  2033. 1:21:51ações concretas que você pode fazer
  2034. 1:21:52nessa semana, mesmo com a dor presente?
  2035. 1:21:55A gente desenvolve então objetivos para
  2036. 1:21:57essa etapa que seguem critérios muito
  2037. 1:21:59específicos, né? Eh, e o aspecto crucial
  2038. 1:22:02dessa sessão é o planejamento bem
  2039. 1:22:04meticuloso das barreiras, né? A gente
  2040. 1:22:07sabe que a muita coisa pode acontecer
  2041. 1:22:10para dificultar o que a gente combinou
  2042. 1:22:11com o paciente, mas o aspecto mais
  2043. 1:22:14crucial aqui dessa sessão é o
  2044. 1:22:15planejamento delas. Que que pode
  2045. 1:22:17acontecer? Que que isso quer dizer? A
  2046. 1:22:19gente tenta antecipar com o paciente
  2047. 1:22:21tudo que pode dar errado, absolutamente
  2048. 1:22:24tudo, né? Eh, seja eventualmente, ah, eu
  2049. 1:22:27não vou ter tal comportamento, não vou
  2050. 1:22:29ver os jogos, os jogos do meu neto hoje,
  2051. 1:22:31ah, eu não vou sair com as minhas amigas
  2052. 1:22:34hoje por causa dor, né? Eh, justamente
  2053. 1:22:36porque por causa de, sei lá, vou passar
  2054. 1:22:37vergonha, eh, ah, vou sentir ansiedade,
  2055. 1:22:41tô me sentindo ansiosa, qualquer coisa.
  2056. 1:22:43Então, para cada ação, né, a gente
  2057. 1:22:45sempre vai ter ali com o paciente
  2058. 1:22:47desenvolvido uma resposta específica
  2059. 1:22:49baseada nos processos da que a gente
  2060. 1:22:50també aqui com ele, OK? Se a dor
  2061. 1:22:53aumentar durante a atividade, né, a
  2062. 1:22:55situação comprometida com o valor, a
  2063. 1:22:56gente vai trabalhar com técnicas de
  2064. 1:22:58aceitação, de expansão e tudo mais. Se
  2065. 1:23:00pareceu o pensamento, vou passar
  2066. 1:23:01vergonha. Eh, disfusão cognitiva,
  2067. 1:23:03rotação do pensamento. Ah, se surgir
  2068. 1:23:06ansiedade antecipatória, né, mindfulness
  2069. 1:23:09ancoragem no momento presente. Ah, se os
  2070. 1:23:11meus familiares falarem: "Ai, não faz
  2071. 1:23:13isso, não, vai ficar ruim para você,
  2072. 1:23:15você tá, você tá com dor, deixa para
  2073. 1:23:17lá". Aí eu vou trabalhar comunicando de
  2074. 1:23:19forma assertiva os meus valores,
  2075. 1:23:21estabelecendo limites saudáveis, né?
  2076. 1:23:23Então, uma das sessões mais importantes
  2077. 1:23:25aqui pra gente e nós também trabalhamos
  2078. 1:23:28com meta objetivos smart totalmente
  2079. 1:23:30focados em valores. E agora eu vou
  2080. 1:23:33demonstrar para vocês nesse último
  2081. 1:23:34homepay de hoje como que é a
  2082. 1:23:36implementação desses dessas metas,
  2083. 1:23:38desses objetivos smartes. OK?
  2084. 1:23:41Preparados? Vamos lá então. Ana, vamos
  2085. 1:23:44então transformar os seus valores em
  2086. 1:23:46ações concretas. Você mencionou que você
  2087. 1:23:48valoriza, por exemplo, criar, né, criar
  2088. 1:23:51coisas bonitas. Como que a gente pode
  2089. 1:23:53então tornar isso real, mesmo com as
  2090. 1:23:55dificuldades que você tem hoje por causa
  2091. 1:23:56da dor?
  2092. 1:23:59>> Hã, ah, [limpando a garganta] eu queria
  2093. 1:24:01voltar a pintar, mas acho que isso é
  2094. 1:24:03vago demais, né? E quando eu penso
  2095. 1:24:05nisso, eu já desisto, porque eu não sei
  2096. 1:24:07se eu vou conseguir como eu fazia antes,
  2097. 1:24:10>> tá? Vamos a uma estrutura então que
  2098. 1:24:12talvez possa ajudar primeiro, né? Vamos
  2099. 1:24:14pensar numa coisa específica.
  2100. 1:24:16Exatamente. O que que você quer fazer?
  2101. 1:24:20Pintar aquarelas, talvez é mais leve do
  2102. 1:24:24que óleo.
  2103. 1:24:25>> Perfeito. Agora vamos pensar em como
  2104. 1:24:28tornar isso mensurável. Como que você
  2105. 1:24:30saberia que você tá conseguindo atingir
  2106. 1:24:32esse objetivo?
  2107. 1:24:35>> Não sei, Ane. Qualquer coisa parece
  2108. 1:24:38demais. E
  2109. 1:24:39>> se a gente começasse com uma coisa bem
  2110. 1:24:41pequena, tipo uma aquarela por semana?
  2111. 1:24:45>> Por semana? Eu pensava que tinha que ser
  2112. 1:24:48diário para valer alguma coisa.
  2113. 1:24:50>> Não, não. Isso é perfeccionismo.
  2114. 1:24:52Falando, vamos focar numa coisa agora
  2115. 1:24:54alcançável, né? Ã, coçador atual, quanto
  2116. 1:24:57tempo que você acha que você consegue
  2117. 1:24:59pintar confortavelmente?
  2118. 1:25:01>> Ã, talvez uns 20 minutos, se eu fizer
  2119. 1:25:04pausa.
  2120. 1:25:05>> Perfeito. Então, criar uma pequena
  2121. 1:25:07aquarela de 20 minutos uma vez por
  2122. 1:25:09semana, isso é relevante pros seus
  2123. 1:25:11valores?
  2124. 1:25:13>> Sim, sim. que seria voltar a criar,
  2125. 1:25:15expressar. Beleza.
  2126. 1:25:17>> Perfeito. E o prazo, vamos pensar num
  2127. 1:25:20prazo específico. Quando que você quer
  2128. 1:25:21começar?
  2129. 1:25:23>> Ah, dessa semana. Não, não, espera. Acho
  2130. 1:25:26que isso [limpando a garganta] me
  2131. 1:25:26assusta um pouco, porque isso eu não
  2132. 1:25:28consegui.
  2133. 1:25:30>> Que que te assusta mais? Tentar adaptar
  2134. 1:25:32ou continuar talvez para sempre sem
  2135. 1:25:35pintar?
  2136. 1:25:38>> É, continuar sem pintar, tá bom? Essa
  2137. 1:25:40semana, [limpando a garganta]
  2138. 1:25:42quinta-feira, que é quando eu geralmente
  2139. 1:25:44me sinto melhor.
  2140. 1:25:45>> Perfeito, Ana. Então, a gente acabou de
  2141. 1:25:47criar um objetivo Smart, né? Ã, mas eu
  2142. 1:25:50quero adicionar uma coisa. E se a dor
  2143. 1:25:52forte na quinta? Se ela tiver lá o pior
  2144. 1:25:55dia?
  2145. 1:25:56>> Ah, aí eu disse isso de tudo, como
  2146. 1:25:58sempre.
  2147. 1:25:59>> E se a gente bem?
  2148. 1:26:02>> Como assim?
  2149. 1:26:03>> Tá, vamos pensar assim. Se a sua dor
  2150. 1:26:05chegar acima de sete, você pode fazer um
  2151. 1:26:07esboço de 5 minutos. Se tiver
  2152. 1:26:09insuportável, você pode olhar para
  2153. 1:26:11aquela, você pode olhar com elas online,
  2154. 1:26:13talvez por 10 minutos se inspirando. Ã,
  2155. 1:26:17ainda assim, honra o valor, né? Mas
  2156. 1:26:19respeita o seu corpo, respeita a
  2157. 1:26:20limitação naquele momento. Já é um
  2158. 1:26:22começo.
  2159. 1:26:24>> É diferente, né? Isso muda, muda tudo,
  2160. 1:26:27na verdade, porque daí não é tudo ou
  2161. 1:26:29nada.
  2162. 1:26:30>> Exato. Vamos então criar mais um
  2163. 1:26:32objetivo agora pra parte, pra conexão
  2164. 1:26:34social.
  2165. 1:26:37Um café com uma amiga uma vez por
  2166. 1:26:39semana? Não, muito ambicioso.
  2167. 1:26:43Quinzenalmente. Que que você acha que dá
  2168. 1:26:44certo para você?
  2169. 1:26:48>> Quinzenalmente,
  2170. 1:26:50uma hora na cafeteria perto de casa. Se
  2171. 1:26:53a dor tiver forte, talvez 30 minutos. E
  2172. 1:26:56se estiver insuportável, aí uma
  2173. 1:26:59videochamada de 20 minutos.
  2174. 1:27:01>> Perfeito. Você pegou super rápido. Tá
  2175. 1:27:03vendo? Você tá criando objetivos.
  2176. 1:27:05específicos, né, importantes paraos seus
  2177. 1:27:07valores, mas que também são compassivos
  2178. 1:27:09e flexíveis. Faz sentido?
  2179. 1:27:12>> Faz. É estranho eh ter esperança de
  2180. 1:27:15novo, né? É pequena a esperança, mas ela
  2181. 1:27:18tá ali.
  2182. 1:27:19>> Muito bem.
  2183. 1:27:20Muito bem, pessoal. Então, a gente tem
  2184. 1:27:23desenvolve ali objetivos Smart baseados
  2185. 1:27:25em valores. No passo um, o objetivo que
  2186. 1:27:27seja específico, certo? Desde vou passar
  2187. 1:27:29mais tempo com a família, eu vou levar
  2188. 1:27:31uma neta no parque do bairro, eh, sábado
  2189. 1:27:349 horas da manhã, né? Que seja algo
  2190. 1:27:36mensurável, temporal, que eu possa
  2191. 1:27:39medir, né, o meu sucesso, se eu
  2192. 1:27:40conseguir ou não fazer aquilo e
  2193. 1:27:42temporalmente relevante também e algo
  2194. 1:27:45alinhado e realista, né? Eh, porque eu
  2195. 1:27:48valorizo profundamente se valor, um avô
  2196. 1:27:49presente e tudo mais. Beleza? Bom, vamos
  2197. 1:27:53então falar agora da nossa oitava e
  2198. 1:27:55última sessão, certo? Aqui é onde a
  2199. 1:27:58gente vai progressivamente trabalhar a
  2200. 1:28:00integração e prevenção de recaída. A
  2201. 1:28:02gente vai consolidar todas as
  2202. 1:28:04transformação que aconteceu até aqui. E
  2203. 1:28:06essa sessão final normalmente, né, ela é
  2204. 1:28:08uma celebração do quanto que o terreno
  2205. 1:28:10já foi percorrido e de forma cuidadosa
  2206. 1:28:13pros objetivos, pros desafios futuros.
  2207. 1:28:15Então é crucial que o paciente ele saia
  2208. 1:28:17daqui com ferramentas claras para manter
  2209. 1:28:19os ganhos, para lidar com a recaídas que
  2210. 1:28:22vão acontecer, né? Aí a gente começa com
  2211. 1:28:24uma revisão então completa da jornada.
  2212. 1:28:27Olha, fulano, lembra quando você chegou
  2213. 1:28:29aqui, como é que você tava, né, na
  2214. 1:28:31primeira sessão? Como que era, quanto
  2215. 1:28:33que a sua vida era controlada pela dor
  2216. 1:28:35naquele momento, quanto tempo e energia
  2217. 1:28:37que você gastava tentando eliminar a dor
  2218. 1:28:39e agora? Dor aumentou, diminuiu
  2219. 1:28:41significativamente, como que foi? E a
  2220. 1:28:43sua qualidade de vida como que tá? E a
  2221. 1:28:45resposta dos pacientes normalmente é
  2222. 1:28:46honesta, né? A dor talvez não diminuiu,
  2223. 1:28:49ou talvez até pode ter diminuído um
  2224. 1:28:50pouco, mas ah dele, né, eh, é mais ativa
  2225. 1:28:55agora, né? Então, olha pra sua vida,
  2226. 1:28:57quantas atividades importantes que você
  2227. 1:28:59recuperou, quantos relacionamentos se
  2228. 1:29:02quais relacionamentos se fortaleceram,
  2229. 1:29:03que momentos de alegria genuína que você
  2230. 1:29:05experimentou nos últimos tempos, sua
  2231. 1:29:06vida aumentou, expandiu? Então, a gente
  2232. 1:29:09também desenvolve com esse paciente um
  2233. 1:29:11sistema detalhado eh de sinais de
  2234. 1:29:13alertas para reconhecer quantos velhos
  2235. 1:29:14padrões de evitação tão voltando, né,
  2236. 1:29:17quando a gente vai de alitoterapia,
  2237. 1:29:18sinais comportamentais, né, tipo
  2238. 1:29:20cancelar por causa da dor, um
  2239. 1:29:22compromisso, uma atividade importante
  2240. 1:29:24repetidamente, aumentar as estratégias
  2241. 1:29:26de controle da dor, evitar socialização
  2242. 1:29:29ou sinais cognitivos também, né? Seja
  2243. 1:29:31talvez o retorno de um pensamento tipo:
  2244. 1:29:33"Ai, para que tentar? Ai, tá piorando
  2245. 1:29:35só, tá piorando ainda mais, ai, não
  2246. 1:29:36adianta". enfim, né? Ou eventualmente
  2247. 1:29:39sinais emocionais, eh uma irritabilidade
  2248. 1:29:42acessível com familiares, perda de
  2249. 1:29:43interesse nas atividades prazerosas.
  2250. 1:29:46Então, a gente quer sempre também
  2251. 1:29:47retomar os sinais relacionados aos
  2252. 1:29:49valores, que eles estejam presentes após
  2253. 1:29:51a alta. Eh, poxa, será que eu tô
  2254. 1:29:53perdendo o contato com aquilo que
  2255. 1:29:54realmente importa? Eu tô tomando
  2256. 1:29:56decisões com base na dor e não com base
  2257. 1:29:58nos meus valores? E aí a gente cria
  2258. 1:30:00juntos então uma prática, um plano de
  2259. 1:30:02uma prática sustentável que vai incluir
  2260. 1:30:04ali 5 minutos de maio. A gente fornece
  2261. 1:30:05toda manhã, eh, para ele conhecer,
  2262. 1:30:07começar o dia centrado, presente. A
  2263. 1:30:10gente trabalha também nos objetivos, a
  2264. 1:30:12revisão semanal desses valores, né? E
  2265. 1:30:15ele vai se perguntar como que eu vivi os
  2266. 1:30:16meus valores essa última semana, que que
  2267. 1:30:18eu posso ajustar? Uma avaliação mensal,
  2268. 1:30:20mas eu tô quão opinhada que a vida dele
  2269. 1:30:22tá com os valores importantes, né? Eh,
  2270. 1:30:25então, e por fim, ã, a gente então
  2271. 1:30:28encoraja que esse paciente mantenha esse
  2272. 1:30:30estudo, a gente fornece para ele
  2273. 1:30:31materiais, encoraja que ele anote e tudo
  2274. 1:30:33mais e a gente fecha esse momento, essa
  2275. 1:30:36abordagem, esse dessa oitava sessão com
  2276. 1:30:39uma declaração, né? O paciente ele vai
  2277. 1:30:42então fazer uma declaração de um
  2278. 1:30:44compromisso da seguinte forma. eu, né?
  2279. 1:30:46Ele vai escrever com as próprias
  2280. 1:30:47palavras, com anjo e tal, me comprometo
  2281. 1:30:49a viver guiado pelos meus valores, que
  2282. 1:30:52são eles, os valores dele, mesmo quando
  2283. 1:30:55eu experienci a dor intensa, mesmo
  2284. 1:30:57quando a minha mente me disser que eu
  2285. 1:30:59não sou capaz, mesmo quando tiver medo
  2286. 1:31:01do que os outros possam pensar, eu me
  2287. 1:31:03comprometo a comprometome comprometo-me
  2288. 1:31:06a carregar a minha dor como carrego o
  2289. 1:31:09meu amor, como outra parte essencial de
  2290. 1:31:11estar vivo e profundamente engajado com
  2291. 1:31:13aquilo que realmente importa na vida.
  2292. 1:31:15Veja só. Então essa declaração ela não é
  2293. 1:31:19só simbólica, ela é um lembrete concreto
  2294. 1:31:21pros momentos de dificuldade, uma
  2295. 1:31:24bússola para quando o paciente se sentir
  2296. 1:31:26perdido, um compromisso dele com ele
  2297. 1:31:28mesmo sobre o tipo de vida que ele
  2298. 1:31:30escolheu conscientemente viver. E o
  2299. 1:31:32protocolo não vai terminar com a
  2300. 1:31:34promessa irrealista de que, olha, eu não
  2301. 1:31:35vou nunca mais sentir dor, mas com a
  2302. 1:31:37certeza de que dá pra gente ter, dá pro
  2303. 1:31:39paciente ter uma vida significativa,
  2304. 1:31:41profundamente satisfatória. E não, não é
  2305. 1:31:44só possível, é provável mesmo na
  2306. 1:31:46presença de sofrimento físico
  2307. 1:31:48persistente. Essa é uma promessa
  2308. 1:31:50realista e profunda da ACT, certo? Muito
  2309. 1:31:55bem, pessoal. Espero que tenha feito
  2310. 1:31:57sentido para vocês essa aula. Agradeço a
  2311. 1:32:00presença de vocês. Boa noite. Mais uma
  2312. 1:32:02vez obrigada e até amanhã.

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This page contains the full transcript of 2) Tratamentos: pacientes com dor crônica by Ane Vaz, PhD | @dra.anevaz, generated from the public captions YouTube serves with the video. The transcript has 14,718 words across 2,312 segments, with the original timestamps preserved so you can click any line to jump to that moment in the embedded player.

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